A Bíblia segundo o Gato

Posts tagged biblioteca

Como organizar uma (baita) biblioteca

0
Delfim: compras pela Amazon, hábito de ler sentado e sistema “batalha naval” para encontrar livros na estante (Foto: Valor/Folhapress, divulgação)

Delfim: compras pela Amazon, hábito de ler sentado e sistema “batalha naval” para encontrar livros na estante (Foto: Valor/Folhapress, divulgação)

Delfim Netto doou à USP seu acervo de 250 mil livros – e seu sistema de colecionar e catalogar o conhecimento

Pedro Carvalho, na Época Negócios

Fato memorável de julho: Antônio Delfim Netto doou sua biblioteca para a Universidade de São Paulo (USP). Eram 250 mil livros sobre economia, história, antropologia e ciências sociais em geral, que antes viviam fechados num sítio em Cotia (SP). O que fez do acervo da Faculdade de Economia e Administração da USP, agora com 470 mil volumes, o maior da América Latina sobre essa temática. “Tem gente que coleciona uísque ou cuecas. No fundo, leitura é o meu grande hobby”, diz o ex-ministro e perene voz influente em governos de diferentes cores partidárias. Aos 86 anos, Delfim lê em média quatro horas por dia, sempre à tarde – “de manhã eu trabalho”, diz, em tom de brincadeira, porque ler, naturalmente, faz parte do trabalho. Otimista com os progressos do país na área da educação, ele falou sobre as miudezas de sua relação com os livros: como escolhe e compra, como os lê e organiza. É um método que vale a pena estudar.

Descobrir
Delfim compra mais ou menos 40 livros por mês. Ele os encontra de duas formas: em catálogos que recebe de sebos pelo mundo – Japão, Suécia, Alemanha etc – e de grandes editoras, por carta ou e-mail; ou em citações e notas de rodapé de outros livros. O tema de interesse são as ciências sociais. “Tenho procurado mais obras sobre história e menos sobre assuntos como a matemática, minha formação, porque nessa idade falta um pouco da agilidade mental necessária”, diz.

Comprar
Às vezes, ele solicita à secretária – a Betí – que peça um determinado volume a um sebo ou editora, mas na maioria dos casos ele compra pela internet. Principalmente pela Amazon, site que critica: “ocorre um processo monopolista por parte da empresa, o que tem feito os preços subirem”, diz. No passado, ele chegou a comprar bibliotecas completas, que, por exemplo, algum sebo havia comprado de um economista cuja família não se interessou pelo acervo.

A leitura
“Leio invariavelmente sentado, com o livro sobre a mesa, apoiado num suporte que o deixa inclinado e que se desloca para os lados”, diz. Se ele lê tudo o que compra? “Não, ninguém lê tudo isso. Faço uma leitura ‘diagonal’, e quando encontro um trecho que me chama a atenção, ou um tratamento interessante a algum tema, paro e me aprofundo”, afirma. Além da língua nativa, o economista lê preferencialmente em italiano, francês, inglês e espanhol.

Pesquisas
Para encontrar algo no acervo, Delfim criou um método próprio. Colocou todos os livros em três salas, que chamou de A, B e C. Cada sala tem algumas estantes, também nomeadas com letras. As prateleiras se tornaram linhas e colunas, como num jogo de batalha naval. Quando quer achar uma obra, ele consulta um arquivo de computador, onde anotou todos os nomes de livros e autores. “Ele me diz: está na sala A, estante B, linha 2, coluna 1”, conta.

O best-seller
Eis o que ele pensa sobre o mais recente sucesso editorial no campo da Economia, O Capital no Século 21, do francês Thomas Piketty: “É um livro muito interessante, que li no fim do primeiro semestre do ano passado, em francês. É fantástico, porque confirma a ideia de que distribuir [renda e riqueza] é um problema político. A produção [de bens e serviços] é algo técnico, que a economia dá conta, mas distribuir é político”.

Sem biblioteca, crianças da zona rural aproveitam festival para ler livros

0

A possibilidade de ler dezenas de livros levou crianças ao Festival de Oeiras.
Evento cultural começou nesta quarta-feira e segue até o dia 15.

Crianças na Feira Literária de Oeiras (Foto: Gilcilene Araújo/G1)

Crianças na Feira Literária de Oeiras (Foto: Gilcilene Araújo/G1)

Gilcilene Araújo, no G1

A paixão pelos livros foi que o motivou as estudantes Karine Maria, 12 anos, Lia Raquel, 11 anos, e Thalita Rauanna, 12 anos, a acordar cedo nesta quinta-feira (13) para participar da II Feira do Livro que acontece dentro do IX Festival de Cultura de Oeiras, localizada a 316 Km de Teresina. As adolescentes, que moram em um povoado da zona rural do município, contam que o evento estava sendo bastante aguardado porque, segundo elas, este é o momento em que podem ter acesso a outros títulos.

Amigas aproveitaram o evento para conhecer novos livros, em Oeiras (Foto: Gilcilene Araújo/G1)

Amigas aproveitaram o evento para conhecer novos
livros, em Oeiras (Foto: Gilcilene Araújo/G1)

“Gosto de ler, mas não tenho muitas possibilidades de praticar porque moro na zona rural. Além disso, não temos uma biblioteca na localidade e eu já conheço a história de todos os livros que estão disponíveis na biblioteca da escola. Então, espero ansiosamente pela Feira de Livros da cidade. Quando chego aqui não quero saber das outras oficinas. Me dedico somente para os livros e para os fascínios que eles trazem, pois fico imaginando cada cena escrita pelo autor”, ressaltou a adolescente que em duas horas havia lido seis livros.

Segundo Lia Raquel, a meta é ler o maior número de livros possíveis. “Quando retornamos a nossa realidade, não teremos esta quantidade de livros disponíveis para leitura, por isso mal terminamos de ler um livro, já pegamos outros”, disse a estudante.

O Festival de Cultura e a Feira literária acontecem paralelamente nos dias 13 a 15 de novembro na Praça da Vitória, no Centro de Oeiras. De acordo com a Prefeitura do município, organizadora dos eventos, cerca de 30 mil pessoas são esperadas nos três dias.

Dezenas de livros ficam expostos de forma gratuita, em Oeiras (Foto: Gilcilene Araújo/G1)

Dezenas de livros ficam expostos de forma gratuita,
em Oeiras (Foto: Gilcilene Araújo/G1)

Os 30 alunos do Centro Educacional Construindo o Amanhã, localizado na cidade de Paulistana, Sul do Piauí, acordaram cedo nesta quinta-feira (13) e percorreram mais de 200 Km para ter um encontro com o mundo dos livros durante a II Festival de livro .

A coordenadora da excursão literária, Helkileny de Araújo, 52 anos, disse que os alunos estavam ansiosos para participar da feira e ficaram encantados com a quantidade de livros que estão disponíveis para leitura na Praça da Vitória.“A viagem durou cerca de três horas porque saímos de Paulistana às 6 e chegamos por volta de 9h em Oeiras. Nem mesmo o cansaço tirou o ânimo das crianças”, contou a coordenadora.

O escritor O.G Rêgo de Carvalho, natural de Oeiras, que faleceu em 2013 é o homenageado do Festival. A programação do evento conta ainda com participação do cartunista Ziraldo, criador de personagens mais famosos da literatura infantil: o menino maluquinho.
Nesta edição as atrações musicais são: Luan e Forró estilizado, show do cantor e humorista João Cláudio Moreno com a cantata Gonzaguiana, as bandas Martini Cadillac e Top Gun, entre outros.

Unesco lança biblioteca científica gratuita e multilíngue para estudantes

0
Biblioteca Unesco

(Foto: Dennis Wilkinson/flickr/creative commons) (FOTO: DENNIS WILKINSON/FLICKR/CREATIVE COMMONS)

A ‘World Library of Science’ já conta com 300 artigos, 25 e-books e mais de 70 vídeos cedidos pela revista Nature

Rodney Eloy, no Pesquisa Mundi
A Unesco anunciou nesta segunda-feira (10/11) o lançamento de uma biblioteca científica, de forma gratuita e multilíngue, a estudantes de todo o mundo, além da comunidade científica, por ocasião da jornada mundial da ciência ao serviço da paz.

Este instrumento, batizado como Biblioteca Mundial de Ciência (WLoS, por sua sigla em inglês), conta com a parceria e patrocínio da revista científica “Nature” e do laboratório farmacêutico “Roche”, indicou em comunicado a Agência da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Seu objetivo é “dar acesso a estudantes do mundo inteiro, sobretudo nas regiões mais pobres, às informações mais recentes sobre a ciência”.

Além disso, “os estudantes terão também a possibilidade de compartilhar suas experiências e lições através de debates com outros estudantes em um contexto de ensino compartilhado”.

Por enquanto, a WLoS conta com mais de 300 artigos de referência, 25 livros e mais de 70 vídeos, cedidos pela “Nature”.

“O mundo necessita de mais ciência e cientistas para enfrentar os desafios atuais”, indicou a diretora geral da Unesco, Irina Bokova, que pediu “uma educação científica mais apropriada e acessível”.

Com este instrumento, a Unesco pretende favorecer a igualdade de oportunidades, melhorar a qualidade do ensino, reforçar a ciência e a educação, promover o uso de conteúdos educativos de livre acesso e fomentar a criação de comunidades de estudantes e docentes.

Funcionária de hospital lê 49 livros em 2014

0
Adevania trabalha na lavanderia do HB e, na hora do almoço, aproveita para viajar na leitura: já são 49 títulos só em 2014 (Foto: Hamilton Pavam)

Adevania trabalha na lavanderia do HB e, na hora do almoço, aproveita para viajar na leitura: já são 49 títulos só em 2014 (Foto: Hamilton Pavam)

Harlen Félix, no Diário Web

A encarregada de lavanderia Adevania Caro cultiva uma paixão pelos livros desde a infância. Estimulada pelos professores da escola quando criança, ela tomou gosto pela leitura e, sempre que pode, deixa sua imaginação ser levada por personagens dos mais diferentes perfis, compartilhando de suas aventuras, dramas e alegrias.

Já o técnico em enfermagem Marcos Alberto Gioacomini não teve a mesma sorte que Adevania, vivendo uma infância distante dos livros. No entanto, faz questão de estimular o hábito da leitura entre os seus filhos, Miguel, de 2 anos, e Mateus, de 8. Funcionários do Hospital de Base de Rio Preto (HB), os dois têm em comum as visitas frequentes à Biblioteca “José Paulo Cipullo”, que funciona há dois anos no hospital.

Na manhã de ontem, Adevania e Giacomini foram premiados por terem sido os colaboradores do HB e da Famerp (Faculdade de Medicina e Enfermagem de Rio Preto) que mais emprestaram livros da biblioteca neste ano – ela, para saciar sua fome de leitura, e ele, para surpreender os filhos com fantásticas e emocionantes histórias do mundo do faz de conta.

Somente neste ano, Adevania leu 49 livros da biblioteca do Hospital de Base. O horário de almoço é seu momento ideal para a leitura. “Quando leio, esqueço da vida, dos problemas e dos afazeres. É muito bacana poder viajar nas histórias vividas por outros personagens. Isso sempre me encantou”, comentou ela ao Diário, minutos antes da cerimônia de premiação, sem saber que havia conquistado o primeiro lugar entre os leitores do hospital.

Os romances e as biografias dominam a preferência da encarregada de lavanderia do HB. Ao elencar as obras que mais gostou de ler em 2014, ela cita a biografia do papa João Paulo 2º, escrita por Bernard Lecomte, e o romance “50 Tons de Cinza”, “best-seller”da escritora E. L. James que vai ganhar as telas do cinema neste ano. Já Giacomini marca presença toda semana na biblioteca do HB para emprestar algum livro infantil para os filhos.

Até agora foram 20. Enquanto Miguel se encanta com as figuras, Mateus vibra com as histórias e sempre gosta de comentar sobre elas com o pai. “Comecei a pegar livros para os meus filhos desde quando a biblioteca foi inaugurada aqui, no hospital. Como não tive a mesma oportunidade que eles têm agora, faço questão de incentivar a leitura”, declara o técnico em enfermagem, que elogia o acervo de publicações infantis do hospital.

“A leitura tem que ser estimulada desde cedo. Só assim teremos jovens e adultos leitores no futuro”, reforça. Além deles, também foram premiados os colaboradores Josiane Aparecida de Oliveira, que leu 42 livros neste ano, Rochele Cristina Klunck (38), José Paulo Pereira da Silva (34) e Cleide Fátima de Santos (30). Entre os pais que emprestam livros para os filhos, também foi premiada a funcionária Marilene de Souza Carneiro. Todos eles receberam vale-compras como prêmio.

Giacomini empresta livros infantis para os filhos de 2 e 8 anos (Foto: Hamilton Pavam)

Giacomini empresta livros infantis para os filhos de 2 e 8 anos (Foto: Hamilton Pavam)

Biblioteca completa 2 anos com 3 mil títulos

A premiação dos funcionários do HB e da Famerp que mais leram livros em 2014 marcou as comemorações do segundo aniversário da Biblioteca “José Paulo Cipullo”. São mais de 600 colaboradores cadastrados e cerca de 3,5 mil livros emprestados somente neste ano. Além dos profissionais que atuam nas duas instituições e dos acadêmicos da faculdade, a biblioteca também atende os pacientes que ficam internados no HB.

Periodicamente, uma funcionária percorre as alas com um carrinho repleto de livros – uma alternativa e tanto para ocuparem o tempo em que ficam internados no hospital. Somente para os pacientes, foram disponibilizados 1,2 mil obras em 2014. Segundo informações da assessoria de imprensa do HB e da Famerp, o acervo da biblioteca reúne mais de 3 mil livros, sendo os mais procurados “best-sellers”da linha de “50 Tons de Cinza” e “A Culpa é das Estrelas”, além da coleção “Toda Sua”, romances espíritas e publicações de autoajuda.

“A leitura é um halterofilismo para o cérebro, prevenindo o Mal de Alzheimer”, poetizou o médico José Paulo Cipullo, que dá nome à biblioteca, durante a cerimônia de premiação, realizada ontem. Ele, que não tinha dinheiro na juventude para comprar livros e recorria ao primo, que assinava a Coleção Saraiva, disse se sentir imensamente agradecido com a homenagem. “O livro estimula o pensamento e toca a alma das pessoas”, disse.

Brasil tem uma biblioteca pública para cada 33 mil habitantes

0

Índice é o mesmo de cinco anos atrás; dados são do Ministério da Cultura.
Tocantins é o estado com a maior oferta; Rio de Janeiro tem a pior taxa.

bibliotecas-publicas-31-10-14

Thiago Reis, no G1

O Brasil tem uma biblioteca pública para cada 33 mil habitantes, em média. São 6.148 no país. É o que mostra levantamento feito pelo G1 com base nos dados do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, do Ministério da Cultura, atualizados neste segundo semestre.

O índice é o mesmo de cinco anos atrás. Apesar de terem sido criados mais espaços no período, o aumento da oferta não foi maior que a taxa de crescimento da população.

A meta do governo de zerar o número de municípios sem bibliotecas também não foi alcançada ainda. Hoje, 115 cidades ainda não contam com o equipamento de cultura. Em 2009, eram 361.

A presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB), Regina Céli de Sousa, diz que os dados não refletem a realidade, ainda mais crítica. “Há casos em que a biblioteca é listada no sistema, mas ela está fechada.” O conselho diz que não estão em funcionamento várias das bibliotecas listadas no site do governo federal.

“Em muitos estados, o que existem são apenas espaços com amontoados de livros sem nenhum tipo de controle, organização, serviço e produtos para a sociedade. Estão lá apenas para justificar as verbas recebidas”, afirma a presidente do CFB. “É difícil encontrar nas bibliotecas públicas do país espaços prazerosos, com um acervo atualizado, e isso é fundamental para que a população frequente os espaços.”

Na semana passada, foi comemorado o Dia Nacional do Livro. Segundo o Instituto Pró-Livro, 76% dos brasileiros não frequentam bibliotecas. Dados da associação mostram também que 50% das pessoas com mais de 5 anos não praticam o hábito da leitura no Brasil – mais da metade diz que a falta de tempo é um dos principais motivos.

Para Regina Céli, um outro problema é a falta de profissionais qualificados atuando nos espaços. “Grande parte não conta com um bibliotecário, que tem um papel fundamental. Além de gerir bases de dados e desenvolver produtos e serviços de qualidade à população, ele atua com mediação e rodas de leitura, com a hora do conto”, diz.

Diferenças regionais
O estado com a maior oferta de espaços por habitante é o Tocantins. São 141 bibliotecas – uma para cada 10 mil pessoas. Já o Rio de Janeiro registra o pior índice: um equipamento para cada 111 mil. O estado, que tem 16 milhões de habitantes, abriga apenas 148 bibliotecas.

Entre as regiões, a que possui o maior número absoluto de bibliotecas é a Sudeste: 1.968. Na Nordeste, são 1.873. A região Sul possui 1.263, a Norte, 525, e a Centro-Oeste, 519.

Compromisso
A Fundação Biblioteca Nacional diz, no entanto, que tem realizado ações para ampliar a quantidade de bibliotecas e que a meta de zerar o número de municípios “vem sendo pactuada junto aos governos estaduais e municipais”. O órgão não comenta as críticas do CFB.

Segundo a fundação, por meio do projeto ‘Mais Bibliotecas Públicas’, o Sistema Nacional de Bibliotecas tem realizado um processo de “mobilização local” em busca da ampliação. O órgão diz ainda que, com o programa, foi possível reunir 1.400 gestores públicos de mais de 350 cidades do país. Vários encontros já foram feitos nos estados.

Também está em curso, de acordo com a fundação, um projeto que tem o objetivo de transformar bibliotecas em referência em acessibilidade. “O governo federal investe na área de bibliotecas integrando as instituições de ensino na área de biblioteconomia”, informa.

Go to Top