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Ministro da Cultura diz que baixo índice de leitura no Brasil ‘é uma vergonha’

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Índice é de 1,7 livro por ano. Para Juca Ferreira, os três pilares da literatura são a família, a escola e a biblioteca

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Publicado em O Globo

Na abertura do Seminário Internacional sobre Política Públicas do Livro e Regulação de Preços, na manhã desta terça-feira, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, disse que o Brasil não dá a importância necessária à leitura e que é uma vergonha nosso índice de livros per capita ano ser de apenas 1,7 por ano. Ele defendeu que seja feita uma campanha de estímulo à leitura semelhante à contra a paralisia infantil.

— É de uma gravidade enorme a questão da leitura. Termos 1,7 livro per capita ano é uma vergonha. É abaixo do índice de leitura de vários países vizinhos com índices de pobreza maior do que o do Brasil. O Brasil, sétima economia do mundo, nunca deu a importância necessária à leitura. É um índice muito baixo para que a gente não fique preocupado, como nação — discursou Juca, emendando um pouco depois:

— Devemos levar a leitura para campanhas semelhantes à do Fome Zero (programa que originou o Bolsa Família) e a da paralisia infantil.

Para Juca, os três pilares da literatura são a família, a escola e a biblioteca. Os três – ou ao menos algum deles – têm que estimular o interesse da criança pelos livros, segundo o ministro. Juca lembrou que as histórias em quadrinho despertaram nele a curiosidade por esse mundo. E contou que seu primeiro livro foi dado a ele por “Papai Noel” e foi Robson Crusoé, traduzido por Monteiro Lobato.

— A leitura tem que ser apresentada como algo prazeroso, das crianças terem curiosidade por saberem que dali vai sair algo interessante — afirmou.

Juca disse que quando foi secretário municipal de Cultura de São Paulo, na gestão de Fernando Haddad, ficou chocado ao ser informado por um colega de que dos 12 milhões de moradores da capital paulista, 5 milhões são analfabetos funcionais, ou seja: sabem ler, mas não captam integralmente o teor do que leem.

— É preciso enfrentar isso. Não podemos encarar isso como um dado normal. Nossa herança histórica não é boa — pontuou.

O ministro defendeu ainda que haja um melhor ambiente regulatório para a cultura, para desestimular o fechamento das livrarias de rua e para impedir que autores e compositores brasileiros deixem de receber direitos autorais.

Na mesa de debates, estava o secretário-executivo do Ministério da Educação, Luiz Cláudio Costa e na plateia, o senador Cristovam Buarque, que ao ter o direito à palavra disse que parte das desigualdades sociais se devem ao fato de os municípios serem desiguais e oferecerem diferentes níveis de qualidade educacional. Sobre isso, Juca disse ver com “simpatia” a ideia da federalização da educação básica.

A tia dos livros

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henrique

Publicado em Crescer

Os livros que guardamos contam parte da história de quem somos, especialmente aqueles que lemos durante a infância. Tenho comigo até hoje alguns que foram adquiridos quando eu ainda aprendia a desvendar o mundo das letras. Guardo na estante, e no coração. Não são exatamente os mesmos. Descobri que, entre os que mais me marcaram, estão obras que nunca tive, mas que li, ouvi nas contações de histórias da escola, emprestei na biblioteca. Percebi isso só agora, quando os procurei em casa para que fossem eles, meus amigos mais antigos nesse mundo mágico da imaginação, os primeiros a aparecer por aqui, neste espaço dedicado também a falar de literatura infantil.

Até seis anos atrás, eles ficavam na casa da minha mãe. Achei que ela fosse querer guardar aquela parte importante de mim quando criança pela eternidade de uma vida. A verdade é que, em casa, a leitura quase sempre foi restrita à lista obrigatória da escola, muito por uma questão financeira – e aqueles volumes não estavam incluídos na mudança para um imóvel menor. Foi dolorido ver como eles, que foram e continuam sendo tão importantes, pertenciam a mim e tão somente à minha história. De qualquer forma, foi bom resgatar minha infância.

Não era uma prática contar histórias em casa, mas nasci com sede de poder viver muitas vidas. Nem todo mundo nasce. Meu irmão não gostava muito. Lia obrigado, um pouco porque associava a leitura como mais uma tarefa da escola, pois foi ali que teve o primeiro contato com a literatura. Por isso, desde que meus sobrinhos Rafael e Henrique nasceram, fiz questão de dar a eles muitos livros. Não que meus cunhados não valorizem a leitura, pelo contrário, mas livros nunca são demais. Sempre que posso, dou a eles mais títulos, para que tenham a biblioteca que não pude ter. Virei a tia dos livros.

Acho fundamental que a criança tenha contato com o livro muito antes até de entender o que é aquele objeto. É preciso pegar, sentir, jogar no chão, brincar. A experiência de leitura tem de ser prazerosa, uma brincadeira gostosa. Se o livro aparece na vida da criança apenas na escola, corre o risco de ser visto como uma obrigação – e tudo que é obrigatório é chato, não é?

rafael

Rafa, hoje com 4 anos, já passou por várias fases: a dos livros de banheira, com textura, com barulho, sem texto e atualmente está um voraz consumidor de tudo o que tenha a ver com dinossauros. Mas entre seus preferidos estão também dois livros de bichos em que a criança aperta um botão para emitir o som – que já não existe mais depois de tantos apertões. Desde quando mal andava, meu sobrinho já colocava na caixa de brinquedos alguns de seus livros, sem fazer distinção entre o que é de brincar ou não. Ele adora ganhar livros. E fica muito triste quando uma página rasga.

Henrique, de 3 anos, primo do Rafa, está amando (desde a semana passada) o livro Um Alien Superfedido! (Ed. Zastras) – que tem o recurso de esfregar o dedo no papel e liberar um cheiro desagradável. As crianças adoram esse tipo de interação! Ainda mais quando mistura com extraterrestres… Henrique gosta bastante de livros pop-up, com personagens destacáveis e histórias em que ele ainda acredita, como a do Papai Noel. À noite, tem um predileto nessas horas, o Hora de Dormir Dentro de Casa (Yoyo Books). Em três anos, acumulou duas prateleiras de títulos, a maioria dados pela tia dos livros – e que seu irmão, Guilherme, de 3 meses, vai herdar.

Vê-los com tanto apreço pelos livros me enche de orgulho. Espero que algumas dessas obras marquem a infância deles como aquelas que marcaram a minha. O Menino Maluquinho, de Ziraldo, foi o primeiro, antes mesmo de saber ler – ouvi a história pelas monitoras da biblioteca escolar em uma manhã fria de 1985. Nunca me esqueci da imagem do garoto com vento nos pés. Quando aprendi a ler, meu primeiro empréstimo na biblioteca foi exatamente ele. Curiosamente, não tenho este livro. Assim como não tenho As Centopeias e seus Sapatinhos, de Milton Camargo, minha segunda lembrança mais carinhosa daquela fase de pré-alfabetização, nem O Joelho Juvenal ou O Bichinho da Maçã, ambos de Ziraldo. Mas eles nunca saíram de mim, ficaram guardados para sempre. Espero que isso aconteça com meus sobrinhos. E em toda casa onde houver uma criança.

Acesso à biblioteca contribui para aprendizado infantil

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Estudo mostra que acesso a livros e brinquedos em espaço organizado e supervisionado faz com que mais de 80% das crianças atinjam nível máximo de aprendizado

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Publicado em Portal Brasil

Uma pesquisa indica que o acesso a uma biblioteca contribui significativamente para a aprendizagem infantil. Levantamento feito pelo Instituto Brasil Leitor e divulgado nesta sexta-feira (12) mostra que o acesso aos livros e brinquedos em um espaço organizado e supervisionado faz com que mais de 80% das crianças atinjam o nível máximo de aprendizado. Os dados foram levantados a partir do acompanhamento de crianças entre 2 e 6 anos em um Centro de Educação Infantil (CEI) e uma Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) na cidade de São Paulo.

Foram observados 32 itens, distribuídos em seis categorias: iniciativa, relações sociais, representação criativa, música e movimento, linguagem e comunicação e matemática e ciência. O desenvolvimento é medido em níveis que vão de 1 a 5.

Aprendizado

Segundo a pesquisa, de modo global, o percentual de crianças no nível 5 de aprendizagem no CEI passou de 42% antes da biblioteca para 92%, após o contato dos estudantes com o espaço. Na EMEI, apenas 5% dos alunos atingiam o nível máximo, antes da biblioteca. Após a implantação do projeto, o percentual chegou a 83%.

No quesito representação criativa, 49% das crianças do CEI estavam no nível máximo antes da biblioteca. O percentual subiu para 82% após a implementação. Na EMEI, 6% estavam no nível máximo nesse item na etapa anterior a criação do espaço, índice que subiu para 70% na etapa final.

O resultado foi ainda mais expressivo na avaliação do item de música e movimento. Antes da biblioteca, nenhum aluno da EMEI chegava ao nível máximo nesse quesito. Com a chegada da biblioteca, o percentual atingiu 93%. No CEI, o índice saiu de 26% para 92%.

A coordenadora da pesquisa, Roseli Monaco, explica que, além da estruturação adequada do espaço, é fundamental para o sucesso dos projetos a formação oferecida aos professores e famílias. “Em uma instituição de educação infantil, não adianta você colocar só o material. O educador tem que planejar e observar a criança brincando”, ressalta.

Outra estratégia importante, de acordo com Roseli, é associação entre os livros e os brinquedos, repassada aos professores no trabalho de capacitação. “Para todo livro tem um brinquedo ou uma brincadeira associada. A criança, na educação infantil, só aprende brincando. O livro é um objeto lúdico”, destaca.

Para a coordenadora, com todos esses elementos, a criança têm mais condições de desenvolver todo seu potencial. “Quando você oferece o material, o livro, o brinquedo, a formação e envolve a família, o nível de aprendizagem da criança evolui”, enfatiza.

22 lugares em São Paulo que todo amante de livros precisa conhecer

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De livrarias a cemitério. Inspirado no livro Rotas literárias de São Paulo.

Iran Giusti, no BuzzFeed

1. Faculdade de Direito Largo São Francisco – Universidade de São Paulo

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Fundada em 1827 a Faculdade de Direito Largo São Francisco foi por décadas a única instituição de ensino da área de humanas ficando conhecida por seus ilustres pensadores. Lá se formaram nomes como Castro Alves, José de Alencar, Monteiro Lobato, Hilda Hilst e Décio Pignatari.

A visita ao pátio e às arcadas são abertas ao público porém quem se interessar por desbravar espaços fechados como a biblioteca, o salão nobre, a sala São Leopoldo e o célebre tumulo de Júlio Frank pode participar de uma visita monitorada na última sexta-feira de cada mês. Para se inscrever basta ligar no (11) 3111-4053. A visita tem cerca de uma hora e meia de duração.

A Faculdade fica localizada no centro da cidade e você pode saber mais sobre ela aqui.

2. Casa Guilherme de Almeida

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Localizada no bairro do Pacaembu, a casa do poeta, tradutor, dramaturgo e jornalista Guilherme de Almeida preserva a história do célebre ex-morador e da cidade de São Paulo como poucos poucos lugares. Desconhecido do grande público, Guilherme foi nome importante na Revolução de 32 que marcou a cidade. Para saber mais clique aqui.

3. Instituto Goethe

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O Goethe-Institut São Paulo é responsável por diversos eventos culturais que apresentam o intercâmbio entre a cultura do país com a alemã. Além dos eventos ligados ao ensino, música, literatura, esporte, teatro, culinária, arquitetura, ao cinema e ao meio ambiente, conta com aulas e certificados. Saiba mais aqui.

4. Museu da Língua Portuguesa

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Referência internacional, o Museu da Língua Portuguesa, como o nome já indica, aborda a linguagem oral e escrita no país. Além do acervo, exposições temporárias de alto nível animam qualquer um. Não foi o suficiente para te convencer? Saiba então que ele fica no majestoso prédio da Estação da Luz, no centro de São Paulo. Mais informações aqui.

5. SESC Pompéia

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Projetada pela arquiteta italiana Lina Bo Bardi a partir de uma antiga fábrica de tambores na Pompéia, a unidade do SESC é uma referência na rede e conta com uma programação intensa de shows, peças de teatro, exposições, atividades esportivas além de uma revistaria aberta ao público e uma grande biblioteca. Veja mais aqui.

6. Biblioteca de São Paulo

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A biblioteca de São Paulo tem 4.257 m², cerca de 30 mil itens e é um prato cheio para os leitores paulistanos. Localizada no Parque da Juventude, antigo Carandiru, conta ainda com (mais…)

Garoto de 11 anos junta livros e sonha montar uma biblioteca

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Menino recebe doações até dia 30 no Mercado de Arte Popular, no centro de Feira

Menino recebe doações até dia 30 no Mercado de Arte Popular, no centro de Feira

Publicado no A Tarde

Há cinco anos, o garoto Ricardo Oliveira Costa, de 11 anos, percorre as ruas de barro da pequena Santanópolis (a 146 km de Salvador), na região de Feira de Santana, com uma missão: recolher livros para montar uma biblioteca na localidade de Sítio Solão, onde mora com a família.

Ele conta que a ideia é compartilhar com a comunidade o conhecimento através da leitura. A biblioteca ainda não foi construída, mas Ricardo já tenta um jeito: “Eu vou nas casas e empresto os livros. Muitas vezes, até dou para que toda família consiga ler. Não temos biblioteca em Santanópolis, mas vou construir uma porque a leitura nos dá conhecimento. E quem mora na zona rural não pode ir todo dia na cidade só para ler um livro”.

Visibilidade

A história de Ricardo ganhou o país. Há um mês ele participou de um programa de TV e comoveu as pessoas. Agora, chamou a atenção do repórter fotográfico Antônio Magalhães, 70, que foi a Santanópolis buscar Ricardo para montar um ponto de arrecadação no Mercado de Arte Popular (MAP) de Feira de Santana. Até o final da tarde de quarta-feira, 3, haviam sido arrecadados mais de mil livros.

O ponto de coleta ficará até o dia 30 no MAP, na rua Olímpio Vital, centro, ao lado do SAC 1. “A história dele me comoveu porque se parece muito com a minha. Por isso, fui visitá-lo. Quando eu consegui ler o primeiro livro, eu era muito novo, assim como ele. E assim foi quando eu lancei o meu primeiro livro. Gosto de leitura e de descobrir histórias diferentes, como a de Ricardo”, disse Antônio Magalhães.

Os livros serão levados para a cidade de Ricardo numa carreata no dia 5 de julho. “Vamos com uns amigos proprietários de Fusca, em carreata, para entregar os livros arrecadados”, contou Antônio Magalhães.

A mãe de Ricardo, a professora Maria José Cerqueira de Oliveira, é só elogios. “Desde pequeno ele sempre mostrou esse gosto pela leitura. Diz que livro não se joga fora, se empresta ou dá de presente”, salientou. Ela contou que onde o garoto estuda, a Escola Municipal São Judas Tadeu, no município de Irará, sempre foi incentivado. “Ele já arrecadou mais de cinco mil livros e não quer parar até construir a biblioteca. E sempre contou com o apoio das professoras da escola”, disse.

Além do gosto pela leitura, Ricardo, um menino franzino, mas decidido, gosta de plantas e animais. “Vou ser biólogo”, garante. Vestido sempre de terno e com uma pasta na mão, Ricardo sai a pé pelas ruas arrecadando o que pode para realizar seu sonho de gente grande. “Vou construir a biblioteca para que fique aberta para todos lerem quantos livros puder”, almejou.

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