Passageiro clandestino – Diário de vida

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Arquivo pessoal de García Marquéz será disponibilizado na internet

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Fonte: Shutterstock

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Universidade do Texas vai digitalizar 24 mil páginas de documentos, fotos e anotações do escritor

Publicado no Universia Brasil

Você conhece Gabriel García Márquez? O escritor colombiano, que faleceu em 2014 aos 87 anos de idade, é considerado um dos autores mais importantes do século XX tendo, inclusive, recebido o prêmio Nobel de Literatura, no ano de 1982, pela relevância de sua obra. Entre seus livros mais famosos estão Cem Anos de Solidão e o Amor nos Tempos da Cólera.

A boa notícia é que a Universidade do Texas, em Austin, Estados Unidos, anunciou que irá digitalizar todo o arquivo pessoal do escritor para, em seguida, disponibilizá-lo gratuitamente ao público. Os trabalhos devem começar em junho deste ano e terão duração total de 18 meses.

O projeto “Compartilhando Gabo com o mundo” – Gabo era o apelido de García Márquez – teve início quando a universidade comprou da família do escritor parte de seu acervo pessoal, por U$ 2,2 milhões, em novembro de 2014. Ao todo, serão digitalizadas 24 mil páginas de manuscritos, fotografias, anotações, entre outros materiais.

O projeto só se tornou viável graças a uma doação da Council on Library and Information Resources, uma organização sem fins lucrativos focada em pesquisa e educação. Atualmente, uma pequena parte do arquivo já está disponível para consulta no site do Harry Ransom Center, biblioteca e centro de pesquisa da Universidade do Texas. Para acessar os documentos, clique aqui.

Bibliotecas municipais do Rio de Janeiro estão abandonadas, diz sindicato

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Acervo conta com cerca de 5 mil livros, entre literatura infantil e adulto

Acervo conta com cerca de 5 mil livros, entre literatura infantil e adulto

 

Publicado no Aqui Acontece

Apesar de a prefeitura do Rio de Janeiro ter assumido parte dos custos das bibliotecas parque da cidade até o fim de 2016, projeto do governo do estado, os equipamentos de responsabilidade do Poder Executivo municipal estão abandonados. A denúncia é do Sindicato dos Bibliotecários do Estado do Rio de Janeiro (Sindib-RJ).

Segundo a presidenta da entidade, Luciana Manta, a prefeitura sucateou o sistema de bibliotecas e transferiu os equipamentos da Secretaria de Cultura para a de Educação, além de extinguir outras.

“Caso da Biblioteca de Santa Teresa, que foi extinta de fato, mas que só não fechou as portas pela insistência da Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast) e pelo apoio do Sindib-RJ no movimento criado na época. Hoje, a biblioteca funciona sem verba, sucateada e sem segurança, já que não existe por ter sido extinta”.

A Secretaria Municipal de Cultura foi procurada pela Agência Brasil, mas não respondeu às ligações. No site da pasta, há uma lista de 12 bibliotecas populares do município, sendo que uma, na Gamboa, consta como fechada para obras.

A de Santa Teresa aparece na lista. A reportagem esteve no local e verificou que o lugar é pequeno, com cerca de 20 cadeiras e cinco estantes de livros, e exala forte cheiro de mofo.

O acervo conta com cerca de 5 mil livros, entre literatura infantil e adulto. A atendente informou que o local é frequentado por estudantes e moradores da área, mas que, no período de férias escolares, quando estivemos no local, não tem muita gente.

Na Biblioteca Popular Abgar Renault, localizada no interior do prédio da Prefeitura, na Cidade Nova, o acervo tem cerca de 10 mil livros e apenas uma mesa com quatro cadeiras. O local é acessado principalmente pelos funcionários da prefeitura.

Concurso e terceirização

De acordo com a presidenta da Sindib-RJ, há décadas estado e município não abrem concurso para bibliotecários. “São quase duas décadas sem concurso público para bibliotecários no âmbito da Secretaria de Educação. O Estado não abre concurso para a Secretaria de Cultura há mais de 25 anos, sem falar na pasta da Educação, que nunca fez concurso. Os bibliotecários lotados na secretaria foram do concurso para Fundação de Apoio a Educação Pública [FAEP] e, com a extinção do órgão, acabaram vinculados à SEE-RJ”.

Para Luciana, a intenção é terceirizar os serviços, como ocorre com as bibliotecas parque do estado, cuja administração é feita pela Organização Social (OS) Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG). “O IDG não cumpre a lei que institui os pisos no estado e que deveria ser seguida em todos os editais para contratação de empresa prestadora de serviço. Ela aplica-se também à administração indireta, inclusive às organizações sociais contratadas pelo Poder Público. Encaminhamos ofício ao IDG, mas ainda não obtivemos resposta. O caminho será a justiça.”

Integrante do Movimento Abre Biblioteca Rio, o bibliotecário Chico de Paula questiona o modelo de gestão via OS para as bibliotecas parque. “Como o estado do Rio de Janeiro não realiza concurso para bibliotecário há cerca de 30 anos, acaba contratando uma organização social. Não vou entrar no mérito, mas o fato é que terceirizado é precário. Tanto que o governo pode não repassar a verba e, da noite para o dia, despedir todo mundo, como corremos o risco agora”.

Segundo ele, a terceirização só é permitida para atividades meio. “A terceirização nas bibliotecas parque é uma piorada. Pela legislação, somente as atividades meio é que podem ser terceirizadas. Poderia a segurança e o pessoal de limpeza, nunca os bibliotecários, jornalistas e historiadores. Mas como é contratação por uma organização social, ela terceiriza até a atividade fim.”

O IDG foi procurado e informou que apenas a Secretaria de Estado de Cultura pode se pronunciar sobre o assunto. A superintendente da Leitura e do Conhecimento da secretaria, Vera Schroeder, explicou que os profissionais que trabalham nas bibliotecas parque não são concursados justamente porque são contratados via OS.

“ Se você for estudar esse modelo de gestão via OS, pode ter crítica, achá-lo ele insuficiente ou não tão bom, mas um contrato de gestão não é um contrato de terceirização de um serviço. Muito pelo contrário, esse modelo já existe no Brasil há algum tempo. A acusação de não ter concurso para trabalhar nas bibliotecas parque é totalmente incorreta. O que deveria ser cobrado é um concurso dentro do próprio estado para contratar museólogos, bibliotecários e produtores culturais. Aí eu concordaria”, afirmou a superintendente.

Conforme Vera, o país também não consegue formar profissionais de biblioteconomia em número suficiente para suprir a demanda dos espaços de leitura do Brasil, o que acaba levando pessoas com outras formações a gerirem algumas bibliotecas, prática proibida por lei.

por Agência Brasil

Biblioteca na praia empresta livros a turistas

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Publicado no Blog do Galeno

Sol, praia, uma bebida gelada e… um bom livro de graça!

Uma biblioteca na areia, que empresta publicações sem cobrar, é a atração em uma das praias mais procuradas por turistas no Nordeste: a praia da Pipa, em Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte.

A Biblioteca da Praia fica na praia do Amor, ali na sequência da praia da Pipa, local de paisagens nativas emolduradas pelo mar azul turquesa. A calmaria do local inspira os apaixonados pela leitura.

O acervo reúne cerca de 3.000 livros escritos não só em português como inglês, espanhol, alemão, hebraico, mandarim e francês.

Os títulos que estão à disposição vão desde a obras de ficção, ação, romances e livros de literatura. A maioria deles chegou por meio de doações.

História

A biblioteca foi criada no ano de 2011 pelo surfista pernambucano Adalberon Batista de Omena, 38, o Beron, como é conhecido.

No início, as prateleiras da biblioteca se resumiam a um banquinho de madeira. Porém, à medida em que foram chegando novos livros foi erguida uma espécie de estante de madeira com telhado de palha.

“Vi o potencial turístico da praia do Amor e resolvi unir a educação ao esporte. Criamos a biblioteca com essa ideia e vem dando tão certo que tivemos de fazer uma reforma no local para caber todos os livros, mas vejo que logo deverá ser ampliada de novo. Não param de chegar doações”, conta Beron.

A Biblioteca da Praia foi montada ao lado da escola de surf de Beron, que também tem um bar que serve sucos e comidas naturais para dar apoio a quem vai ao local. Enquanto ele ministra as aulas teóricas de surf e slackline, toma conta da biblioteca e atende aos clientes também.

O cuidado para conservar os livros é não deixar nada exposto ao sol, e ao final do dia, a biblioteca é fechada com uma lona para proteger os títulos da chuva e da maresia.

Apesar do público-alvo ser adulto, no local sempre ocorrem ações de leitura voltada para crianças, que podem fazer atividades de pintura em livros de leitura. “Incentivamos as crianças a lerem, pois é por meio delas que podemos criar novas consciências e mudar o mundo”, disse Beron.

Trocas e doações

Há turistas que preferem continuar a leitura depois do passeio e levar o livro para o local que está hospedado. Para isso, deve-se informar o nome do hotel ou pousada, e-mail e número de telefone. “Também não precisa pagar nada. É se comprometer a devolver”, diz Beron.

E se o turista levar o livro e não devolver? Beron diz que não se incomoda, pois “livro preso na estante é uma gaiola”. “O livro circula ao passar em outras mãos e mais pessoas têm acesso à leitura”. Há também a possibilidade de troca de livros.

A biblioteca funciona entre 9h e 17h. O local oferece cadeiras e guarda-sol, além do serviço de bar, que funciona ao lado da biblioteca.

Para chegar à Biblioteca da Praia, o turista deverá descer a escadaria do paredão da praia do Amor. No meio da pequena trilha, poderá encontrar pequenos animais, como saguis e camaleões. São cerca de dez minutos de caminhada até o local.

Biblioteca iraniana guarda antigos manuscritos da Bíblia

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Publicado no Blog do Galeno [via Público]

A Biblioteca Central de Tabriz (Irão) guarda uma das mais antigas edições de uma parte da Bíblia – um manuscrito do livro Actos dos Apóstolos, do Novo Testamento, que conta a história das origens cristãs. O livro foi escrito em siríaco, uma língua que viria a ser substituída pelo árabe, e é feito em pele de peixe. Devido à sua importância, o Vaticano já mostrou interesse em comprá-lo.

“Representantes do Vaticano propuseram, em diversas ocasiões, comprar o manuscrito à Biblioteca Central de Tabriz e estavam prontos para oferecer um cheque em branco”, disse a semana passada Manuchehr Jafari, responsável pela organização das bibliotecas públicas da província do Azerbaijão Oriental, ao jornal iraniano Farhikhtegan. Pelo valor espiritual e material que detém – segundo o jornal espanhol El Mundo terá mesmo chegado, “em tempos muito antigos”, a servir de garantia à moeda iraniana –, o Irão tem-se recusado a vendê-lo.

Há 80 anos, o dono do manuscrito tencionava vendê-lo no estrangeiro, mas foi impedido pelo governo iraniano. O documento ficou então guardado na Biblioteca Central de Tabriz. Segundo o jornal espanhol El Mundo, as páginas do manuscrito “conservam em perfeito estado a tinta com que foi estampado o texto”.

Não se sabe quando foi redigido nem como é que foi levado para o Irão, mas segundo o mesmo jornal, os especialistas responsáveis pela análise do manuscrito asseguram que foi restaurado pela última vez há 800 anos.

Numa primeira fase, os especialistas julgaram tratar-se de um conjunto de livros sagrados que, segundo o islamismo, teriam sido revelados por Deus antes do Corão, como o Zabur (o livro de David) ou a Torah de Moisés, mas peritos europeus na língua siríaca perceberam que se tratava, afinal, de uma parte do Novo Testamento.

Uma das questões que este manuscrito levanta é a do seu grau de fidelidade ao original, que foi redigido em grego koiné, ou helénico, uma conformidade difícil de certificar por serem muito poucos, em todo o mundo, os especialistas com um conhecimento profundo da antiga língua síríaca.

Menina de 11 anos transforma “puxadinho” em biblioteca no interior de SP

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Janaina Garcia, em UOL

Ela tem 11 anos, está na quinta série do ensino fundamental, gosta de ler e de brincar. Sonha em escrever um livro de ficção, algo entre o suspense e o terror, e é a filha caçula e mais estudiosa (garante o pai) de três irmãos.

Engana-se quem pensa que, por essas características, a estudante Kaciane Caroline Marques seja uma pré-adolescente como qualquer outra de sua idade. Desde os sete anos, ela contabiliza a leitura de 519 livros infanto-juvenis, uma média de praticamente 130 por ano – em um País onde raramente a média de leitura ultrapassa os cinco livros por leitor.

Nos últimos meses, a constatação foi reforçada com números mais robustos: a garota inaugurou uma biblioteca com mais de 4 mil títulos, todos, fruto de doações.

A estrutura fica nos fundos da casa localizada no bairro Lealdade e Amizade, na periferia de São José do Rio Preto (interior de São Paulo), e na qual a estudante vive com os pais, um casal de irmãos e a avó.

Com funcionamento das 14 às 17 horas, fora do turno escolar de Kaciane, a biblioteca atende crianças e adolescentes das imediações e de outras localidades e tem a cozinha da família como passagem obrigatória.

Em entrevista ao UOL, Kaciane contou que o incentivo de uma professora, no segundo ano, foi o que a motivou a incluir a leitura no cardápio principal do dia a dia. Morando em uma casa alugada e pequena, porém, era difícil materializar qualquer ideia, mínima que fosse, de uma biblioteca comunitária. Isso só começou a ganhar corpo ano passado, após finalmente a família se mudar para a casa própria.

“Quando eu mudei, via muitas crianças na rua, brincando ou não, e então veio ainda mais forte essa vontade de criar uma biblioteca. Um jornal me entrevistou sobre isso, e muitas doações de livros começaram a vir, assim como material para construir o espaço – hoje são mais de 4 mil livros e mais ou menos 300 pessoas não só do meu bairro que vêm emprestar”, contou.

Escolada nas entrevistas – “umas 20, sem contar esta”, estimou –, Kaciane tem na ponta da língua a resposta à sensação de levar adiante um gosto até então dela: “Fico muito feliz porque sei que estou incentivando a leitura, e isso, com certeza, muda a vida da gente”, garantiu, ela própria que virou uma espécie de celebridade local. Além de participar de programas de TV (de apelo mais ou menos popular), palestras e sessões de contação de histórias no Sesc da cidade. Esta semana a estudante foi homenageada pela União Brasileira de Escritores (UBE) com a medalha Mário de Andrade, concedida a quem contribui com a educação e o ensino no Brasil.

Nas redes sociais, ainda administra, com ajuda dos pais, três páginas no Facebook: uma fan page com 9.804 mil seguidores e dois perfis pessoais que somam, juntos, quase 6 mil “amigos”. “Algumas pessoas eu nem conheço, mas sei que chegaram até mim pela ideia de levar a leitura adiante. Só por isso já vale a pena”, definiu.

E como vale: além do material para o puxadinho-biblioteca e dos livros, a notoriedade da iniciativa garantiu à pequena uma bolsa de estudos em colégio particular, a partir de 2016, válida por sete anos. Até então, só havia estudado em escola pública.

Filha sorteia bolos a quem mais leu no mês, diz o pai

Por enquanto, o sistema de empréstimos na biblioteca é mesmo o mais caseiro possível, com registro à mão, em um caderno, de cada retirada e retorno. O pai, o autônomo Silvio Cesar Marques, 44, contou que uma simpatizante da filha providencia para o ano que vem, também por doação, um computador com sistema de catalogação desses livros.

“A família toda sente muito orgulho da Kaciane. Sabemos que ela pode ajudar outras pessoas a saírem de situações complicadas de vida pelo interesse na leitura, e eu mesmo, que só lia jornal, volta e meia me pego folheando os livros da biblioteca”, disse. “Uma senhora nos doa bolos para que, todo mês, a Kaciane os sorteie entre aqueles que mais leram – e ela pergunta mesmo se a pessoa leu, quer saber a história… isso está plantando uma semente para muitos, eu tenho certeza”, definiu. Até para os outros dois filhos, de 16 e 14 anos? “Eles ainda não gostam tanto assim de ler, mas espero que isso mude”, avaliou o pai.

Indagada se tem uma meta de livros a ser alcançada, Kaciane admitiu: “Quantos couberem na biblioteca”. No curto prazo, porém, o sonho de ser escritora deve virar outra página importante: ela quer lançar ano que vem seu próprio livro, algo entre “o terror e o mistério, mas ficção, claro”, novamente com apoio de doações.

Se ela tem uma dica para quem hesita em trocar a internet – sobretudo, as redes sociais – por um livro? “Leitura não é algo chato ou mais maçante que internet; as pessoas precisam é começar a ler pelo gênero de que mais gostem e com um número de páginas que as estimule a ler, porque depois disso, vão aumentando. E não vão se arrepender”, aconselhou.

Financiamento coletivo

As contribuições em dinheiro para aquisição de mais livros e equipamentos para a biblioteca são captadas através da plataforma Kickante – com valores que variam entre R$ 20 e R$ 600. Até esta quarta-feira (25), haviam sido arrecadados pouco mais de R$ 3 mil.

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