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Biblioteca do Parque Villa-Lobos, em SP, concorre a prêmio internacional de melhor instituição pública de 2018

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Frequentador da Biblioteca Parque Villa-Lobos examina acervo (Foto: Marcelo Brandt/G1)

 

Espaço na Zona oeste de São Paulo é finalista de concurso junto com concorrentes da Noruega, Holanda, EUA e Cingapura.

Daniel Médici, no G1

Todas as semanas, crianças muito pequenas mexem em livros da Biblioteca Parque Villa-Lobos. Muitas dobram as capas, colocam as páginas na boca. Por todos os lados, livros permanecem soltos pelo espaço. A descrição parece a de um equipamento em ruínas, mas, na verdade, é a de uma instituição que concorre a um prêmio internacional de melhor biblioteca pública de 2018.

A Biblioteca Parque Villa-Lobos, na Zona Oeste, é uma das cinco finalistas do prêmio internacional concedido pela IFLA (International Federation of Library Associations, ou Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias), instituição parceira da Unesco que reúne 1.4000 membros em 140 países.

A candidata brasileira concorre com espaços da Noruega, Holanda, EUA e Cingapura. Na premiação de 2018, a IFLA recebeu 35 candidaturas de 19 países diferentes.

“Essa biblioteca, a centralidade dela está nas pessoas, na comunidade que a cerca”, explica Pierre André Ruprecht, diretor-executivo da SP Leituras, órgão do estado de São Paulo que administra o local.

Café na área externa da Biblioteca Parque Villa-Lobos (Foto: Marcelo Brandt/G1)

“O conceito que está por trás [do local] é que uma biblioteca pública é um local de construção autônoma do conhecimento.”

Um dos eventos semanais, descrito no início deste texto, tem como objetivo colocar crianças a partir de 6 meses de idade em contato com os livros. A ideia é que, desde pequenas, elas se acostumem à presença do objeto. O espaço também é usado para conversas com autores e até aulas de yoga.

Espaço livre

Um dos princípios da biblioteca é ter o mínimo possível de regras para os usuários. A entrada é livre. Não é necessária carteirinha para quem quiser ler os livros no local. O acervo fica quase todo à mostra, em prateleiras abertas. Apenas uma sala do prédio mantém a exigência de que os frequentadores façam silêncio.

“Não existe livro escondido que você tem que falar com alguém pra pedir. Aqui você mete a mão no que você quiser”, afirma o diretor da SP Leituras.

Outra questão, levantada por Ruprecht, é o diálogo com os frequentadores, que podem opinar nas aquisições de materiais.

“Hoje, um terço do que a gente compra é sugestão dos frequentadores da biblioteca. E eu falo de todos os materiais [CDs, DVDs], não só os livros.”

Pierre André Ruprecht, diretor-executivo da SP Leituras, órgão do estado que administra a Biblioteca Parque Villa-Lobos (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Ruprecht explica também que a biblioteca é uma extensão do Parque Villa-Lobos, que a rodeia. “Esse parque tem um raio de atração muito grande, que se expande aos finais de semana. Vem gente da Zona Sul, vem gente de Osasco, Franco da Rocha etc. E o público básico que vem aqui são famílias”, diz. Por isso o espaço oferece outras opções de atividades além da leitura.

“A primeira das adaptações que a gente fez [no projeto original do edifício] foi criar um café que fizesse o prédio da biblioteca conversar com o parque”, afirma.

Acessibilidade

Quem aproveita o barulho dos quero-queros é o massoterapeuta Jorge Arakelian, 62, que frequenta a biblioteca desde 2015, nos primeiros meses de funcionamento. Deficiente visual há anos, por causa de uma doença degenerativa, ele tem acesso a todos os livros do acervo por meio de um aparelho que “lê” as páginas e as transforma automaticamente em audiolivros.

Oca colocada no vão de entrada da Biblioteca Parque Villa-Lobos (Foto: Marcelo Brandt/G1)

“Eu venho aqui, escaneio o livro e os transformo em áudio. Com a ajuda da equipe da biblioteca, eu gravo tudo num pen drive e vou ouvindo no meu dia a dia”, diz Arakelian. “Tudo o que eu leio aqui é ligado ao espiritismo e à espiritualidade. É algo que me acompanha desde quando eu perdi a visão”, afirma.

Além de audiolivros e livros falados (obras que têm as falas interpretadas por atores), o acervo também conta com livros em braile e outros equipamentos de acessibilidade – incluindo um virador automático de páginas, alocado em uma mesa especial.

Folheador automático de livros da Biblioteca Parque Villa-Lobos (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Para Arakelian, os recursos da biblioteca dão uma nova oportunidade de usar um espaço que ele utilizava desde a adolescência: “Aqui, antes de ser um parque, uma parte do terreno era usada pra depositar entulho. Em outra parte, tinha uns campos que a gente usava pra jogar futebol”.

Critérios

A acessibilidade, a relação com a comunidade e com o entorno são alguns dos critérios de avaliação das bibliotecas pela IFLA. Saiba como a instituição vai definir o vencedor:

1 Interação com o entorno e a cultura local, ou seja, se a biblioteca funciona como uma “sala de estar” para a comunidade, conectando diferentes grupos de interesse.
2 Qualidade arquitetônica; como o projeto do espaço interfere em sua função.
3 Flexibilidade; quais outras atividades a biblioteca comporta.
4 Sustentabilidade, ou seja, quais os esforços para que os recursos sejam usados de forma eficiente.
5 Espaço de aprendizado; se a biblioteca oferece diferentes oportunidades de ensino, no sentido mais amplo – incluindo o contato entre gerações.
6 Digitalização; como a tecnologia é usada de maneira inovadora para enriquecer a experiência dos frequentadores.

O vencedor será revelado na reunião anual da IFLA em 28 de agosto, numa cerimônia em Kuala Lumpur, na Malásia.

As irmãs iraquianas que estão reconstruindo a biblioteca de Mossul, destruída pelo EI

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Moradores de Mossul, no Iraque, tentam reconstruir a cidade depois dos horrores da guerra – entre 2014 e 2017, a terceira maior cidade do Iraque esteve em poder do grupo autodenominado Estado Islâmico.

Publicado na BBC Brasil

A cidade só foi libertada do domínio dos extremistas depois de nove meses de guerra, entre 2016 e 2017. A ONU (Organização das Nações Unidas) diz que a reconstrução vai custar um bilhão de dólares e levar muitos anos.

Mas duas irmãs estão tentando restaurar uma parte da cidade que é especialmente importante para elas: a biblioteca da universidade.

Estudantes de medicina, Farah e Rafal coletaram livros de diversas partes do país ainda durante o domínio do EI e começaram uma nova coleção para a biblioteca.

“No futuro, quero ter orgulho de dizer que ajudei a reconstruir a cidade”, diz Farah.

A biblioteca da Universidade de Mossul era a maior da cidade e funcionava como uma espécie de polo de conhecimento antes de ser usada como base para o EI, que a incendiou antes de ser expulso da região.

 



Nova York investe US$ 317 milhões em reforma de sua biblioteca mais famosa

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Biblioteca pública de Nova York (Foto: Getty Images)

Biblioteca pública de Nova York (Foto: Getty Images)

Com a nova reforma, a biblioteca ganhará 20% de espaço para salas de pesquisa, exibição e oficinas educativas e incorporará uma cafeteria, uma nova loja, um elevador e um novo terraço

Publicado na Época Negócios

A biblioteca mais emblemática de Nova York, conhecida pelos famosos leões que descansam em sua entrada, realizará a maior reforma da sua história, que custará US$ 317 milhões e não está livre de polêmicas.

A biblioteca, que fica na Quinta Avenida, está sempre bastante movimentada devido ao fluxo de turistas, mas também é uma das que mais recebe pesquisadores em todo o país, e permanecerá em obras até o fim de 2021.

Há quatro anos, um grupo de pesquisadores conseguiu derrubar o projeto de reforma anterior e ameaçou processar a instituição se esta não voltasse atrás em sua tentativa de se desfazer de suas estantes centenárias.

Com a nova reforma, a biblioteca ganhará 20% de espaço para salas de pesquisa, exibição e oficinas educativas e incorporará uma cafeteria, uma nova loja, um elevador e um novo terraço.

No entanto, o plano diretor não trata de um assunto complicado: o uso que será dado às estantes emblemáticas.

Estas, datadas de 1911, não cumprem com os requisitos de temperatura, umidade e segurança para incêndios que são necessários para as coleções mais delicadas.

É por isso que a maior parte dos arquivos que costumavam ficar nelas estão temporariamente realocados na biblioteca de Bryant Park, e suas prateleiras abrigam outra coleção diferente, a da biblioteca de Mid-Manhattan, que está envolvida em outra enorme reforma avaliada em US$ 200 milhões.

“Vamos levar um tempo antes de tomar uma decisão. É melhor demorar um pouco mais do que decidir às pressas e cometer equívocos”, afirmou o presidente da rede de bibliotecas públicas de Nova York, Anthony Marx, durante a apresentação do plano diretor em uma audiência pública nesta semana.

“Como se atrevem a chamá-lo de plano diretor se ele não contempla o aspecto mais importante da biblioteca, como o das estantes?”, questionou um usuário durante a sessão de perguntas.

“O que as pessoas querem é ter mais livros à disposição e acesso aos mesmos o mais rápido possível”, afirmou outro, que lembrou com nostalgia da época em que podia sentir o cheiro entre as estantes, pegar ele mesmo o livro e, durante o caminho, “deparar-se com outros exemplares” que sequer sabia que existiam.

Marx defendeu que, apesar dos livros estarem em outras bibliotecas, o tempo médio de entrega é de 27 minutos, e destacou que, graças a um acordo com as universidades de Harvard, Columbia e Princeton, o catálogo foi ampliado em 7 milhões de novos exemplares.

A abertura de uma cafeteria na biblioteca também levantou paixões. “Café? Café neste edifício majestoso?”, resmungou uma senhora de idade avançada, provocando aplausos do público que assistia à apresentação do plano.

Dos US$ 317 milhões do plano diretor, 144 já foram investidos na última década, e a maioria desses recursos provém de doações para a rede de bibliotecas públicas de Nova York.

Esta rede é, apesar do nome, uma fundação privada que recebe recursos públicos e particulares, e tem 92 centros distribuídos nos distritos de Manhattan, Bronx e Staten Island.

A reforma envolverá uma reorganização dos espaços. Os andares superiores receberão as salas silenciosas de leitura, para estudantes, leitores e pesquisadores, enquanto os visitantes e os eventos ficarão restritos aos andares de baixo.

A parte externa do edifício não sofrerá mudanças, exceto pela transformação de uma entrada para funcionários na Rua 40, que se transformará em um terraço com jardim, pensado para os grupos de estudantes que visitam a biblioteca, e que ajudará a descongestionar os acessos.

A arquiteta holandesa Francine Houben, cujo escritório ficará responsável pela reforma, detalhou que o edifício é “esplêndido”, mas que existem algumas salas nobres que o público não vê na atualidade, um “erro” que será reparado após as obras.

Apesar da insistência do público, que perguntou pelo futuro das estantes, Anthony Marx se limitou a dizer que todos os usos possíveis serão avaliados.

“Que uso vocês querem dar para uma estante? Coloquem nela os seus livros!”, alfinetou uma senhora presente no evento, levando o público aos risos na sala.

(Por sergi Santiago)

O projeto “O livro bate à sua porta” leva leitura às comunidades carentes do Rio de Janeiro

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Publicado no Sopa Cultural

O projeto O livro bate à sua porta nasceu da vontade de levar a leitura às casas, comércio e bibliotecas com o objetivo de mobilizar pessoas, dando a elas o suporte necessário para que possam ser agentes de transformação em seu meio social.

O livro bate à sua porta conta com uma equipe enxuta que visita, ao longo do ano, várias comunidades e deixam em cada uma delas uma caixa em MDF personalizada em formato de estante de livros. Além disso, durante as visitas nos locais públicos (restaurante, salão de beleza, biblioteca) o projeto realizar saraus, contações de histórias e diversas atividades ligadas ao estímulo e ao prazer da leitura.

Lucia Morais, diretora do projeto, explica que ele surgiu quando ela reparou que as pessoas não se dirigiam à biblioteca. “Percebi que havia uma demanda enorme de crianças brincando nas ruas e as bibliotecas públicas vazias, então criei o projeto”, conta. “Via muitas pessoas em frente às suas casas à toa e muitas vezes pensei em parar e ler algo para elas. Daí concluí que se a comunidade não vai à biblioteca, a biblioteca vai à comunidade”, relembra. E é assim, de lar em lar, que o projeto vem a cada ação se tornando mais bem sucedido.

O livro bate à sua porta é uma maneira de aproximar crianças e adultos dos livros porque estreita a relação entre o sujeito e o objeto aumentando o interesse pela leitura em locais que não veem nos livros uma oportunidade de crescimento educacional e cultural. “Íamos, voluntariamente e aos poucos, numa casa aqui, outra ali e quando vimos o projeto já estava acontecendo”, diz Lucia.

O interesse das pessoas foi crescendo e chegou ao ponto de muitas pedirem à equipe do projeto para irem às suas casas mediar leitura, contar história e emprestar um livro. Crianças, adolescentes e famílias inteiras foram aderindo a proposta e, aos poucos, foram tornando-se mediadores de leitura voluntariamente. Estimular o gosto pela leitura e colaborar com o desenvolvimento de moradores que têm pouco acesso aos livros e às bibliotecas contribuindo para seu enriquecimento cultural e ajudar famílias a montarem em seuslares um ambiente de leitura, promovendo uma troca de livros entre vizinhos e identificar mediadores de leitura para expandir a ação são os objetivos deste projeto.

O livro bate à sua porta percorrer residências, creches e estabelecimentos comerciais de algumas comunidades carioca. Já passou pela Ladeira dos Tabajaras, Morro dos Cabritos em Copacabana, Mangueirinha em Botafogo, Candelária na Mangueira, Maré, Rio dasPedras em Jacarepaguá e Fazenda Botafogo em Coelho Neto. Com produção d’A Trupe Pequenalegria formada por três mulheres contadoras de histórias, Lucia Morais, Arlene Costa e Marcia Costa, o projeto vai realizar dias 2 e 6 de novembro várias ações nas comunidades localizadas em Acari e Botafogo.

Como organizar sua estante de livros

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(imamember/iStock)

(imamember/iStock)

Pâmela Carbonari, na Superinteressante

Se existe uma coisa no mundo digna de pena são os programas de organização. Essas produções em que um guru da ordem chega em uma casa que parece ter sido atingida por algum desastre natural, mas que na verdade é só o lugar onde pessoas sem controle despejam suas posses. Aí o sacerdote metódico sai em busca de classificações, colocando etiquetas, cestas, ganchos e pinos para salvar o lar dos desordeiros. Os donos da casa não têm pudores em mostrar a zona dos próprios lares, mas mesmo assim o messias da organização transforma o caos em posts vivos do Pinterest. Final feliz? Não mesmo.

Condolências aos organizadores profissionais da TV pelo belo trabalho, mas as chances de os donos dessas casas voltarem ao cenário pós-apocalíptico são grandes. Dê um lugar organizado para um bagunceiro e você verá a tragédia da multiplicação da desordem acontecer. Pobres arrumadores.

Cresci em uma casa em que a biblioteca sempre foi o buraco negro, o reduto mais difícil de manter em ordem. Estou longe de ser a Marie Kondo, mas comparada ao restante da minha família, este é o lugar que me cabe. Meu pai começou a vida vendendo livros e, além dos livros que comprou nas décadas seguintes, conserva seus preferidos do primeiro emprego até hoje. Minha mãe é formada em letras e uma leitora, digamos, bastante eclética. Gramáticas e clássicos da literatura hispânica? Ela tem. Livros espíritas? Também. Guias sobre inteligência emocional ou como cultivar plantas medicinais? Vários. Meu irmão é um acumulador nato, guardar coisas desimportantes (e livros que ele nunca mais vai ler) é com ele mesmo. Todas as vezes em que tentei colocar alguma lógica nas prateleiras deles, me senti a organizadora frustrada dos programas de TV. Um antes e depois lindo de dar inveja nos apresentadores do Discovery Channel, mas insustentável.

Perdi a conta de quantas vezes tirei tudo da estante e quebrei a cabeça para fazer aquela montanha de livros fazer sentido em conjunto. Chegou a tal ponto que decidi montar prateleiras só minhas, me abster daquele caos. Mas me afastar também não deu certo, afinal, eu morava naquela casa. Sentia dor física ao ver a biblioteca revirada como se um urso tivesse procurado comida atrás dos livros. Voltei a tentar e, de tentativa em tentativa, entendi o que deixava os ursos da minha família famintos: a lógica da organização.

Quando você está em uma livraria, os livros estão ordenados por seções “negócios”, “história”, “psicologia”, “romance brasileiro” e várias outras. A prova de que organizar uma grande quantidade de livros dessa maneira é eficaz é que a maioria das bibliotecas e livrarias dispõem suas obras assim. Mas essa regra de classificação esbarrou nas estantes da minha família durante muito tempo. Não adiantou enfileirar os títulos em ordem alfabética, por assunto, período literário, cores ou autores – os livros só se mantiveram no lugar quando consegui entender como meus pais os buscavam. A pergunta “o que você quer ler?” pode ser respondida de várias formas e eu estava respondendo da maneira errada.

Se eles procuram o que ler com critérios emocionais, não fazia o menor sentido eu engessar os livros deles com critérios cartesianos.

Eis aqui um passo a passo de como organizei a biblioteca de livros deles e como mantenho a minha desde então:

(antes de tudo, uma piadinha de tiazona)

É pavê ou pacomê?

Cada tipo de leitor exige um tipo diferente de organização. Você tem TOC por cores e quer que os livros verdes fiquem de um lado e os azuis de outro? Que os grandes de capa dura estejam na prateleira de cima e que os de bolso fiquem espremidos no cantinho? Ou que sua biblioteca seja prática e funcional? Apesar de babar em várias edições e já ter julgado muito livro pela capa, acho bastante problemático vê-los como objetos de decoração. Na minha estante, livro é “pacomê”.

O método que dá certo pra mim não rende um clique lindo pro Instagram, não segue nenhuma tendência de decoração nem pede que você arranje uma prateleira em formato de árvore ou favo de mel – se os livros ficarem visíveis, fáceis de manusear, condensados, mas não amassados, arejados, longe do sol, da chuva, da infiltração (vai que…), da churrasqueira (alô, Rio Grande do Sul) e dos cachorros, é o que conta. Aqui a palavra de ordem é praticidade.

(agora sim, a estante que funciona pra mim)

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1- Fundamentais, mas não tanto

A primeira coisa de qualquer arrumação é o desapego. Se você não tem a menor intenção de reler, por que manter um livro morto em casa? Doe, troque, venda. Não é porque metade da população brasileira não tem hábito de leitura que você precisa estocar livros na sua casa. E se o desapego é a primeira etapa, a higiene é a segunda – ou o contrário, como preferir. Retire tudo do lugar, limpe as prateleiras, abra livro por livro para tirar a poeira. Espanador e flanela são ótimos aliados para impedir que sua biblioteca vire um criadouro de traças.

Feito isso, selecione as obras que você já leu e não quer se desfazer. Clássicos que me marcaram, mas não pretendo ler em breve e livros muito específicos fazem parte desse grupo. Tenho uma estante vertical, e eles estão na parte mais alta, longe o bastante para não tombarem quando pego os dicionários do dia a dia e organizados o suficiente para lembrar que estão lá quando precisar.

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2- Queridinhos da biblioteca

Ainda no alto, mas não tão alto estão os queridinhos. Os meus livros preferidos, as edições e as dedicatórias mais especiais merecem um lugar de destaque e cuidado. Foram esses que encaixotei com papel bolha nas vezes em que mudei de casa, porque quero ler várias vezes e mantê-los o mais conservado possível. Por isso, estão longe das interferências mundanas da terra. Mãozinhas fofas de crianças, xixi de cachorro, bebida que caiu e respingou? Not today.

Nesta prateleira que tem como telhado os “fundamentais, mas não tanto”, sugiro que fiquem os livros que você correria para buscar se sua casa pegasse fogo.

(Que isso nunca aconteça. E se acontecer, por favor, não volte buscar. Apegos à parte, a verdade é que são só coisas)

3- Para ter sempre à mão

O ideal é que os livros que você mais consulta fiquem na altura dos olhos e ao alcance das mãos. Se você está estudando gramática, porque deixá-la escondida em um extremo do móvel? Tem um livro de culinária e cada vez que quer preparar uma receita precisa tirar as coisas que empilha sobre ele? Isso é o mesmo que deixar uma mala de rodinhas no meio dos guarda roupas e guardar as meias no maleiro.

A prateleira do meio é o lugar onde guardo os dicionários, guias, manuais, gramáticas e todos os livros que recorro com frequência. É o Poupatempo da biblioteca.

4- Vitrine dos pretendentes

Há algum tempo, recebi uma imagem que dizia o seguinte: “Nunca vou parar de comprar livros. Nunca vou ler todos os livros que tenho para ler. Nunca terei dinheiro, mas sempre terei livros”. Isso foi antes das correntes de grupos de WhatsApp, da crise econômica e, aparentemente, das discussões sobre consumo consciente e economia compartilhada. As editoras batem palmas e as traças também. Concordo que enquanto eu tiver dinheiro comprarei livros. Mas que tal ler o que já tem antes de comprar outros que talvez também fiquem pegando poeira nessa fila de leitura infinita em que é permitido furar?

Gosto de reunir tudo o que ainda não li e que faço questão de ler para visualizar o tamanho da responsabilidade. Quando vou a uma livraria e começo a andar pra lá e pra cá com um livro debaixo do braço, é a imagem dessa prateleira que me barra. Os flashes dela são minha consciência com o alerta vermelho aceso: “guarda esse livro lá, você tem uma pilha de não lidos em casa”.

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5- Porão da insignificância

Sabe aquelas coisas que acumulam perto dos seus livros? Assuma que é natural que isso aconteça e agrupe-as o quanto conseguir. Coloco revistas, CDs, cabos e outros eletrônicos dentro de caixas ou cestos para que não se misturem aos livros.

Acabei de dizer que o primeiro passo da arrumação é o desapego, e isso não precisa acontecer apenas quando a biblioteca estiver pedindo socorro. No térreo da estante, costumo dar um respiro para que a bagunça aconteça. Todo mundo tem um livro água com açúcar que ganhou de amigo secreto e não quer ler ou um guia de viagem de um lugar que não vai voltar. Enquanto não decido se vou doar, vender ou repassar no próximo amigo secreto, deixo que o limbo da insignificância exista – com a ressalva, é claro, de um leitor mais interessado que eu ser o destino final.

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