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Biblioteca no Rio de Janeiro está entre as mais belas do mundo

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Publicado no Guia Viajar Melhor

O Real Gabinete Português de Literatura já serviu de locações para filmes, novelas e minisséries

Criado no século XIX, a instituição é uma verdadeira homenagem para a cultura portuguesa em solo brasileiro e teve início apenas 15 anos depois da Independência do Brasil, quando 43 imigrantes portugueses criaram um “gabinete de leitura” inspirado nos centros culturais do mesmo formato que se consolidavam cada vez mais na Europa. O objetivo era trazer um pouco da riqueza cultural portuguesa para os imigrantes que começavam a viver no Rio de Janeiro, na época capital do Império.

Foto: Rosino

Foto: Rosino

Hoje, para quem passa próximo ao metrô Uruguaiana no centro da capital fluminense nem imagina a história da tradicional instituição portuguesa. O imponente edifício que abriga a biblioteca tem arquitetura luxuosa e foi eleito pela revista “Time” como uma das mais belas bibliotecas do mundo. O Real Gabinete Português de Literatura, também reúne o maior acervo de obras lusitanas fora de Portugal e o edifício está localizado na parte histórica do centro carioca e funciona tanto como biblioteca, como centro de estudos e instituição cultural.

Foto: Roland Sorg

Foto: Roland Sorg

A criação do Real Gabinete Português de Literatura teve início em 1837 em seu primeiro prédio e posteriormente foi transferido para o seu atual endereço na Rua Luís de Camões, 30, onde está instalado desde 1872.

Foto: Frank Alvarado

Foto: Frank Alvarado

Livros do vestibular estão entre os menos devolvidos em bibliotecas de SP

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Betty Faria em cena do filme "O Cortiço" (1978), baseado no livro homônimo de Aluísio Azevedo

Betty Faria em cena do filme “O Cortiço” (1978), baseado no livro homônimo de Aluísio Azevedo

Publicado na Folha de S.Paulo

Esquecer de devolver livros à bibliotecas é uma prática comum entre o público que a frequenta. O número de obras que nunca retornaram às estantes de 58 unidades da cidade —estaduais e municipais— somam 66.588 exemplares.

A quantidade poderia encher uma biblioteca grande. A estadual Biblioteca de São Paulo tem o maior índice de empréstimos em atraso, com 12.210 livros.

Os dados são das secretarias Estadual e Municipal de Cultura e foram obtidos pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação.

Os títulos do vestibular se destacam na lista dos menos devolvidos —formulada com base na análise dos dados das cinco bibliotecas-polo da cidade (uma para cada zona), das três centrais e das duas estaduais, entre janeiro de 2008 e dezembro de 2016.

“O Cortiço”, romance de Aluísio Azevedo, lidera a lista, com 87 exemplares que não retornaram às estantes.

A história de João Romão supera best-sellers, como “A Cabana” (44 exemplares não devolvidos) e “O Pequeno Príncipe” (42), e até sagas completas, como as trilogias “Crepúsculo” (78, somando todos os títullos) e “Cinquenta Tons de Cinza” (50).

“Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, e “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, aparecem logo em seguida na lista (abaixo). Todos são leitura exigida pelos vestibulares da USP e da Unicamp.

Mireli Barbosa, 20, é de Bauru e quer cursar engenharia aeronáutica na USP. Durante a semana, em São Paulo, ela pesquisa o Sistema Municipal de Bibliotecas para retirar as obras para estudar. “Eram muitos livros, comprar era minha última opção.”

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OS LIVROS MENOS DEVOLVIDOS

1. “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo – 87 exemplares
2. “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis – 72 exemplares
3. “Capitães da Areia”, de Jorge Amado – 66 exemplares
4. “Dom Casmurro”, de Machado de Assis e “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos – 64 exemplares cada
5. “Memórias de um Sargento de Milícias”, de Manuel Antônio de Almeida – 59 exemplares
6. “Iracema”, de José de Alencar – 52 exemplares
7. “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente – 48 exemplares
8. “A Cidade e as Serras”, de Eça de Queirós e “A Cabana”, de William P. Young – 44 exemplares cada
9. “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry – 42 exemplares
10. “Til”, de José de Alencar – 35 exemplares
11. “A Guerra dos Tronos”, de George R. R. Martin – 32 exemplares
12. “O Diário de Anne Frank”, de Anne Frank – 31 exemplares
13. “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, de J.K. Rowling – 30 exemplares

Mais de 12 mil livros nunca foram devolvidos à Biblioteca de São Paulo

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Espaço da Biblioteca de São Paulo, em Santana, zona norte da cidade

Espaço da Biblioteca de São Paulo, em Santana, zona norte da cidade

Nathalia Durval, na Folha de S.Paulo

O público que frequenta a Biblioteca de São Paulo (BSP), na zona norte da cidade, deixou de devolver 12.210 livros às estantes do espaço. O número equivale a 30% do acervo atual da biblioteca, que possui 40.866 obras.

Esse é o maior índice de não devolução entre as bibliotecas públicas da cidade – estaduais e municipais –, que têm um total de 66.588 exemplares atrasados.

As 56 unidades geridas pelo Sistema Municipal de Bibliotecas são responsáveis por 52.039 livros desse total.

Os dados são das secretarias Estadual e Municipal de Cultura e foram obtidos pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação.

A BSP é administrada pela organização social SP Leituras, a mesma responsável pela Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL), na zona oeste. Lá, o número de atrasos é de 2.339 livros, equivalente a 9% de seu acervo total.

O diretor-executivo da SP Leituras, Pierre Ruprecht, afirma que a perda de acervo por não devolução é pequena se comparada ao fluxo de empréstimos que as bibliotecas realizam anualmente. “Entre 2% e 3% dos empréstimos não são devolvidos.”

O sócio cadastrado pode pegar até cinco livros por 15 dias, e as renovações são feitas presencialmente, por telefone ou no site das bibliotecas. Caso atrase a devolução, a pessoa é informada da irregularidade por e-mail.

São dois dias de suspensão da carteirinha para cada dia atrasado. Sem ela, os sócios não podem retirar novos livros ou usar outros serviços da biblioteca, como o acesso aos 85 computadores com internet e aos jogos eletrônicos.

O número de não devolução na BSP aumentou 79% de 2011, um ano após sua inauguração, até o final de 2016. No primeiro ano, foram 1.424 livros; no último, 2.554.

A biblioteca, que tem 28 mil usuários cadastrados, fez duas campanhas de anistia aos sócios, em 2012 e em 2015.

“Buscamos sensibilizar o sócio para a necessidade de devolução, anistiando a suspensão da carteirinha. Na última campanha, observamos um aumento de 7% nas devoluções”, diz Ruprecht.

Alguns fatores podem contribuir para a alta taxa de não devolução da unidade. Um deles é seu vizinho, o parque da Juventude.

Durante o fim de semana, parte do público que está apenas de passagem pelo parque conhece a biblioteca e retira livros, mas não retorna mais para devolvê-los.

A facilidade para realizar empréstimos também fomentaria o índice. Tanto na BSP como na BVL, basta apresentar o RG na recepção para fazer a carteirinha. No sistema municipal, é necessário apresentar também um comprovante de residência.

O fato de o acervo, composto de aquisições e doações, contar com muitos títulos procurados, como best-sellers e lançamentos, também pode contribuir para a não devolução.

Segundo Ruprecht, os livros perdidos não são levados em consideração para a reposição. “É feita uma lista de compra baseada nas necessidades de acervo da biblioteca, na análise dos lançamentos e nos pedidos de sócios”, diz.

SISTEMA MUNICIPAL

O número de livros não devolvidos nas estaduais Biblioteca de São Paulo e Biblioteca Parque Villa-Lobos é de 14.549. Somados aos não devolvidos nas 56 bibliotecas do Sistema Municipal de Bibliotecas (SMB), a cifra chega a 66.588 exemplares.

O total representa apenas 3% dos 2,2 milhões de livros disponíveis para empréstimo nessas 58 unidades, mas encheria uma biblioteca grande.

O montante só não supera o acervo das unidades Sérgio Milliet, no Centro Cultural São Paulo (121.048), Monteiro Lobato (110.896) e Prefeito Prestes Maia (79.729). Ele é 4,5 vezes o acervo da menor das 58, a Prof. Arnaldo Magalhães Giácomo, no Tatuapé.

Os títulos do vestibular se destacam na lista dos menos devolvidos –formulada com base na análise dos dados das cinco bibliotecas-polo da cidade (uma para cada zona), das três centrais e das duas estaduais, entre janeiro de 2008 e dezembro de 2016.

“O Cortiço”, romance de Aluísio Azevedo, lidera a lista, com 87 exemplares que não retornaram às estantes.

O professor Alexandre Squara, 29, visita a Mário de Andrade, no centro, ao menos uma vez por semana para estudar e preparar aulas. Nas férias, esqueceu de devolver um livro de filosofia e ficou suspenso por um mês. Acabou comprando a obra em livraria.

“A única punição que podemos aplicar é suspender”, explica o secretário municipal de Cultura, André Sturm. “A biblioteca é um espaço público, e [os sócios] deveriam ter um compromisso com isso.”

A suspensão dura o mesmo número de dias de atraso e vale para todo o SMB, que tem cerca de 572 mil usuários.

A biblioteca Sérgio Milliet, a segunda maior da cidade, tem índice de 0,5% de não devolução (são 689 livros). Sua coordenadora, Carmen Machado, 64, aposta na conversa. “Fazemos uma conscientização sobre a importância da devolução na data, pois outras pessoas vão usar.”

A perda de livros também é comum. Os sócios devem repor comprando o mesmo título ou outro indicado pela unidade.

Machado muitas vezes pede que reponham com títulos do vestibular, principalmente os de listas mais recentes, dos quais ainda têm poucos exemplares.

Biblioteca Pública de Alagoas inicia serviço de empréstimo de livros na segunda-feira

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Biblioteca Pública de Alagoas começa a emprestar livros na segunda-feira (11) (Foto: Divulgação/Secult)

Biblioteca Pública de Alagoas começa a emprestar livros na segunda-feira (11) (Foto: Divulgação/Secult)

Usuários precisam fazer um cadastro presencial, e podem levar para casa até três livros de cada vez. É a primeira vez que a biblioteca adota o sistema em 152 anos.

Publicado no G1

A Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos, no centro de Maceió, vai iniciar um serviço de empréstimo de livros a partir de segunda-feira (11). Segundo a Secretaria de Estado da Cultura (Secult), essa era uma reivindicação antiga dos usuários o local.

A informação foi divulgada pela Secult nesta sexta (8). Em 152 anos de existência, essa é a primeira vez que a biblioteca pública vai permitir que os usuários levem livros para casa.

“Adquirimos o software de gerenciamento de bibliotecas, e foram realizadas as instalações de equipamentos de autoatendimento e antenas magnetizadoras para o controle antifurto nas dependências da biblioteca, além de treinamento com os estagiários e funcionários”, explica Almiraci Dantas, coordenadora da biblioteca.

Para pegar algum livro emprestado, o usuário precisa antes fazer um cadastro presencial na biblioteca. Para isso, é preciso levar RG, CPF e comprovante de residência. Para os menores de 18 anos, o cadastro deve ser feito pelos pais ou responsáveis.

Os empréstimos seguirão algumas regras. Cada pessoa pode levar até no máximo três livros. Levar duas cópias do mesmo título não é permitido. Algumas coleções especiais não podem ser retiradas.

O prazo para devolução é de 8 dias. Para cada dia de atraso, serão aplicados cinco dias de suspensão. Nesse período, o usuário não poderá pegar novos livros.

Caso o título emprestado esteja em uma lista de reserva, são 15 dias de suspensão para cada dia de atraso. Se o livro for perdido ou danificado, o usuário deve repor o exemplar à coleção da biblioteca.

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3315-7877.

O Bibliotecário de meio milhão de livros

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Cristian Brayner | Divulgação

Cristian Brayner | Divulgação

Afonso Borges, em O Globo

Cristian Brayner é bibliotecário por formação. Foi convidado pelo Ministro Roberto Freire para a diretoria do Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB) Ao ali chegar, deparou-se com uma destas tragédias brasileiras: largados à própria sorte, há quatro anos, meio milhão de livros, em um imenso galpão no Porto Maravilha. A história: a Fundação Biblioteca Nacional recebia, até 2014, um percentual de livros editados via Lei Federal de Incentivo à Cultura. Pela Lei, eles deveriam ser enviados para bibliotecas públicas e comunitárias de todo o País. Deveriam. Por motivos ainda desconhecidos, a FBN foi ali os depositando. Mas vejam… um porto, com toda aquela umidade é lá um lugar para se armazenar livros? E mais: a grande obra que ali aconteceu naquela região empesteou de poeira toda a região. Inclusive os livros – ou seja, uma parte já está totalmente deteriorada.

Então, o bibliotecário decidiu encarar a burocracia. Enquanto isso, O DLLB, responsável pela empreitada, foi transferido da FBN para o Ministério da Cultura, em Brasília. Foi quando ele conseguiu sensibilizar o então Ministro Roberto Freire no sentido de abrir uma concorrência pública para que os livros sejam organizados, catalogados, limpos e, posteriormente, enviados para o seu destino legal: as bibliotecas.

E não é que ele conseguiu??? Um contrato foi assinado com a empresa vencedora, que tem seis meses para colocar os livros nos Correios. O bibliotecário não está mais no cargo. Mas o novo Ministro, Sergio Sá Leitão, tem competência e sensibilidade suficientes para dar sequência aos trâmites e apagar da história do Livro e da Leitura mais esta – quase – tragédia brasileira.

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