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Pequenas bibliotecas em formato de casinha se espalham pelo mundo
2Publicado por RFID Brasil
Como tributo a sua mãe, que era professora, Todd Bol, de Wisconsin (EUA), colocou num terreno abandonado perto de onde mora uma pequena casinha de madeira com livros dentro. Com o intuito de promover a leitura e o senso comunitário, os livros ficavam disponíveis para qualquer um que quisesse ler. Com a ajuda do amigo Rick Brooks essa iniciativa se tornou o “Little Free Library” (Pequena Biblioteca Grátis), que se espalhou por 17 países e já tem mais de 2.000 unidades. Agora, o plano é “invadir” a África para levar 2.500 livros para lá.
Acesse o site oficial e conheça mais sobre o projeto, como doar ou até comprar uma biblioteca para colocar no sue bairro ou no jardim de sua casa.
30 bibliotecas famosas mundo afora
0Conheça verdadeiros paraísos para quem é fã de literatura
Lorena Dana, no Superinteressante
BIBLIOTECA DO CONGRESSO – É a instituição cultural mais antiga dos Estados Unidos. Possui mais de 140 milhões de itens. Está localizada no Distrito de Columbia.
BIBLIOTECA NACIONAL MARCIANA – Não, não fica em outro planeta. Esta é a principal biblioteca de Veneza, na Itália. Foi dedicada ao padroeiro da cidade, São Marcos. É conhecida por abrigar mais de 13 mil manuscritos!
BIBLIOTECA GEORGE PEABODY – Fundada no século 19, possui mais de 300 mil itens. Está localizada em Baltimore, Maryland (EUA).
BIBLIOTECA DO MOSTEIRO BENEDITINO DE ADMONT – Construída no século 18, é a maior biblioteca monástica do mundo, com mais de 70 mil volumes e 1400 manuscritos. Está localizada na região central da Áustria.
BIBLIOTECA CENTRAL DE SEATTLE (EUA) – O prédio feito de vidro e aço tem 11 andares e pode comportar até 1,4 milhão de livros. Foi inaugurada em 2004.
BIBLIOTECA JOANINA – É uma biblioteca do século 18, situada na Universidade de Coimbra, em Portugal. É conhecida por seu estilo rococó. Possui mais de 70 mil volumes.
BIBLIOTHECA AUGUSTA – Foi fundada em 1573, em Wolfenbüttel, na região central da Alemanha. Tem mais de 900 mil livros, incluindo importantes obras da Idade Média.
BIBLIOTECA DO MONASTÉRIO DE STRAHOV – Construída no século 17, tem dois salões principais: o teológico e o filosófico. Guarda mais de 400 mil volumes.
BIBLIOTECA DO PARLAMENTO – Fundada no início do século 18, foi parcialmente destruída pelo fogo em 1906. Tem mais de 600 mil volumes e 300 funcionários. Localiza-se em Ottawa, no Canadá.
BIBLIOTECA DA ASSEMBLEIA NACIONAL – Possui itens raríssimos, como as minutas do processo de Joana D’arc e manuscritos originais de Jean Jacques-Rousseau. Está localizada no Palais Bourbon, em Paris (França).
Um livro multissecular e intrigante
0Márcio José Lauria no Jornal Democrata
A lei de Murphy, aquela que garante que o pão sempre cai ao chão pelo lado da manteiga, tem plena validade nas bibliotecas: você procura um livro e não o acha. Tempos depois, ele aparece quando você já se pôs à cata de outro. Foi o que se deu a semana passada, vindo a ser surpresa das mais agradáveis. É que, assim sem mais nem menos, sem ser querido, emergiu ao alcance dos olhos e das mãos um belíssimo livro, de capa dura e sobrecapa com ilustração, impressão caprichada, formato elegante.
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Nem um sinal de propriedade. Eu nunca deixo de colocar meu nome nos meus, além de lançar uma rubrica particular em duas páginas de minha permanente escolha. Não havia nem minha assinatura nem a tal rubrica; portanto, o livro não era meu, ao menos que eu soubesse.
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Lá estava, íntegro na sua beleza, o Rubaiyat, de Omar Khayyam, poeta persa que viveu presumivelmente entre 1050 e 1123. Tradutor, o grande poeta modernista brasileiro Manuel Bandeira (1866-1968), edição Ediouro, Rio de Janeiro, 2001. Bandeira valeu-se do texto francês de Franz Toussaint.
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O Rubaiyat, em meu tempo de colegial e frequentador da Biblioteca Municipal que funcionava onde é hoje o Museu Rio-Pardense, era guardado sob chave pelo discreto bibliotecário Arnaldo Leal, que não o ia entregando a qualquer leitor, porque a obra era considerada imprópria a menores, aqueles poucos menores que se interessavam por livros, já naqueles idos. O fato é que o li, tendo uns quinze ou dezesseis anos e disso me ficou longínqua impressão de um autor que gostava muito mais de beber vinho, de amar, do que de trabalhar.
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Omar Khayyam, filho de um fabricante de tendas, mas ele próprio importante astrônomo, matemático e pensador, chegou até nós apenas como poeta sobre cujo texto foram cometidas enormes traições de tradução, mesmo porque o persa nunca deveu ter muitos cultores no mundo ocidental. O título de seu livro quer dizer quadras na língua original. De fato, Bandeira colocou em português da melhor qualidade cento e setenta quadras, em que procurou muito mais resguardar o sentido das palavras do que o formato da versificação.
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Difícil a filosofia de vida do poeta, que teve grande parte de seu sucesso na Europa ligada ao que representou como oposição às convenções, à afetação moralista que caracterizou a era vitoriana, no século XIX, época em que sua obra foi descoberta, traduzida e divulgada.
Khayyam é antes de tudo um agnóstico, que nada nega e nada afirma.
Para ele o melhor que o homem pode fazer é contentar-se em saber que tudo é mistério – a criação do mundo e a nossa, o destino do mundo e o nosso. Por mais que viva, criatura humana alguma elucidará um só dos enigmas do universo. Por isso, o homem deve ser imediatista, gozar o momento que passa, não se preocupar nem com passado nem com o futuro: o passado é um cadáver que se deve enterrar; o futuro é indevassável. Se os homens falam de um paraíso depois da morte, é bem possível que ele não exista. Portanto, cada um que crie um paraíso para seu gozo na Terra.
* (mais…)
Banidos, proibidos e queimados na fogueira
0Publicado por Rolling Stone Brasil
Não precisa de nenhum grau de clarividência para adivinhar que uma trilogia de apelo jovem que fala de sadomasoquismo e bate recordes de venda, no mínimo, levantaria sobrancelhas em semblantes mais conservadores. De fato, Cinquenta Tons de Cinza, da escritora britânica E L James, está dando o que falar. Os livros contam a história de um relacionamento de submissão/domínio entre uma estudante e um bilionário. Grupos de diversos lugares já se manifestaram contra a obra, e uma entidade de auxílio às mulheres que ajuda vítimas de violência doméstica anunciou uma queima de exemplares da obra no dia 5 de novembro.
Mas não são só livros de conteúdo sexual que foram banidos, proibidos, queimados e repudiados pela sociedade. Bruxaria, crítica religiosa, comportamento subversivo e outros temas (além do uso de expressões chulas, mesmo que dentro de um contexto) também já foram vítimas de censura, que armam fogueiras para os títulos, proíbem a existência deles nas bibliotecas públicas e condenam as escolas que incentivam sua leitura. Foram dezenas e dezenas de casos. Relembre alguns mais emblemáticos e que comece a caça às bruxas!
Saga Harry Potter, de J. K. Rowling – Livros que envolvem bruxaria enfrentam preconceito e não é pouco. Os religiosos mais fervorosos, que colocam no mesmo balaio os feitiços de Hermione e rituais que sacrificam recém-nascidos, caem em cima. E a regra é, quanto mais o sucesso literário, mais intensa é a caçada a ele, de forma que a American Library Association (Associação Americana de Bibliotecas) divulgou uma lista com os livros mais banidos do século e a série de Rowling estava em primeiro lugar.
Ratos e Homens, de John Steinbeck – O clássico de 1937, escrito pelo autor vencedor do Nobel John Steinbeck, conta a história trágica de George Milton e Lennie Small, dois homens simples e deslocados que migram de um lugar para o outro atrás de trabalho na área rural. A história se passa na Califórnia durante a Grande Depressão. A obra faz parte da lista de leituras obrigatórias de muitas escolas, mas desde aquela época é alvo frequente de censores, que repudiam a vulgaridade e a linguagem racial ofensiva do texto. A acusação principal é de que o livro promove a eutanásia (sem detalhes para não fazer spoiler). Foram 54 objeções ao título desde que ele foi publicado.
As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain – O livro saiu no Canadá, Reino Unido e Estados Unidos em 1885. Desde então, os norte-americanos encrencam com ele. Foi banido de muitas bibliotecas, recebendo críticas a respeito de como a linguagem era chula, obscena e, em geral, muito deselegante. Fosse hoje em dia, essa crítica viraria meme. Seu “livro-irmão” As Aventuras de Tom Sawyer passou pelos mesmos apuros.
O Apanhador no Campo de Centeio, de JD Salinger – Poucos livros trazem histórias tão curiosas em seus bastidores como esse, cujo autor se tornou notoriamente recluso posteriormente (e até o fim da vida), que nunca pôde virar filme e foi acusado até de ter tido influência no assassinato de John Lennon. Retratando a angústia juvenil de forma única, foi publicado em 1951 e sofreu críticas logo de cara. Entre 1961 e 1982, foi o livro mais censurado em escolas e bibliotecas em todos os Estados Unidos. Em 1960, uma professora foi demitida por dar o livro como leitura de classe, gerando comoção – ela foi recontratada, posteriormente. Em 1981, foi tanto o livro mais censurado, quanto o segundo título sobre o qual mais se deu aulas nas escolas públicas norte-americanas. Ele figura constatemente na lista anual da American Library Association até hoje. Os protestos dizem respeito, na maior parte, à linguagem vulgar usada pelo protagonista, Holden Caufield, referências sexuais, palavrões e o questionamento de códigos morais e valores familiares, bem como o “encorajamento da rebeldia” e o incentivo ao mundo de bebidas, cigarro, promiscuidade etc. A perseguição chegou a causar o efeito contrário – havia listas de espera para pegar o livro emprestado, em alguns momentos da história.
Um elemento que não ajudou a causa do livro foi quando Mark David Chapman, o assassino de John Lennon, foi preso logo após o crime e tinha com ele uma cópia da obra de Salinger. Robert John Bardo, que perseguiu e matou a atriz Rebecca Schaeffer, e John Hinckley, Jr., que atentou contra a vida de Ronald Reagan, também eram grandes fãs do romance.
Crepúsculo, de Stephenie Meyer – Se os bruxinhos teen caíram nas garras da proibição, que chances tinham as criaturas mortas e chupadoras de sangue de escaparem ilesas? Os “problemas” com a saga, de acordo com a ALA, giram em torno dos mesmos tópicos de sempre: “explícito sexualmente” e “inapropriado para a idade do público alvo”. Os livros aparecem na lista da ALA desde que o primeiro volume chegou ao mercado mas, curiosamente, nenhuma das obras da saga está no ranking mais recente, de 2011.
Lolita, de Vladimir Nabokov – Sexo? Sim. Incesto? Sim. Menor de idade com apelo sexual? Sim. O autor russo caprichou nos conteúdos socialmente proibidos em seu livro mais conhecido. Tanto que ele nem estava conseguindo publicar a obra na Rússia. Encontrou uma editora na França que topou o desafio, em 1955. A obra foi logo considerada pornografia pura. Ainda assim, se espalhou pela Europa e alcançou os Estados Unidos três anos depois. Em cada país que chegava, sofria algum tipo de censura.
Catch-22, de Joseph Heller – O romance satírico se passa no final da Segunda Guerra Mundial. Ele começou a escrevê-lo em 1953, mas a obra só foi publicada oito anos depois. A expressão “Catch-22” entrou para a cultura pop, posteriormente, como sinônimo de uma “situação problemática para qual a única solução é negada pelas circunstâncias inerentes ao problema ou por alguma regra”. Mal traduzindo e simplificando, é um belo de um beco sem saída. A primeira grande razão para ele ter sido banido foi o uso constante da palavra “puta” para se referir às mulheres.
Versos Satânicos, de Salman Rushdie – A obra literária do escritor britânico de origem indiana Salman Rushdie saiu em 1988, retrata uma versão dele do Islã e faz críticas veladas a várias religiões. O autor foi acusado de “abusar da liberdade de expressão”, foi jurado de morte em fevereiro de 1989 em uma fatwa (edito religioso) do aiatolá Khomeini, dirigente espiritual do Irã. Rushdie acabou vivendo dez anos na clandestinidade.
Por favor Não Matem a Cotovia, de Harper Lee – Publicado em 1960, foi inicialmente contestado em 1977 (e temporariamente banido) por causa do uso das palavras “maldito” e “mulher puta”. Depois disso, foram mais dezenas de contestações de bibliotecas e escolas, tanto por causa de expressões específicas, quanto por causa do conteúdo. Retratando um acontecimento marcante em uma cidade sulista na década de 30, o livro de fato traz um retrato doloroso do racismo e muitas das expressões usadas não são nada politicamente corretas. Mas fazem parte do retrato que a autora pinta de uma sociedade terrivelmente imbuída de preconceito.
dica do João Marcos
Sempre leia o original
0Bibliotecas, físicas ou virtuais, são democráticas, aceitam todas as classes sociais e etnias. Aceitam curiosos de todas as idades, sete dias por semana.
Stephen Kanitz, no Artigos Para Se Pensar
Uma greve geral dos professores alguns anos atrás teve uma consequência interessante.
Reintroduziu, para milhares de estudantes, o valor esquecido das bibliotecas.
Os melhores alunos readquiriram uma competência essencial para o mundo moderno – voltaram a aprender sozinhos, como antigamente.
Muitos descobriram que alguns professores nem fazem tanta falta assim.
Descobriram também que nas bibliotecas estão os livros originais, as obras que seus professores usavam para dar as aulas, os grandes clássicos, os autores que fizeram suas ciências famosas.
Muitos professores se limitam a elaborar resumos malfeitos dos grandes livros.
Quantas vezes você já assistiu a uma aula em que o professor parecia estar lendo o material?
Seria bem mais motivador e eficiente deixar que os próprios alunos lessem os livros. Os professores serviriam para tirar as dúvidas, que fatalmente surgiriam.
Hoje, muitas bibliotecas vivem vazias. Pergunte a seu filho quantos livros ele tomou emprestado da biblioteca neste ano.
Alguns nem saberão onde ela fica. Talvez devêssemos pensar em construir mais bibliotecas antes de contratar mais professores. Ou colocar os nossos livros na internet.
Um professor universitário, ganhando 4.000 reais por mês ao longo de trinta anos (mais os cerca de vinte da aposentadoria), permitiria ao Estado comprar em torno de 130.000 livros, o suficiente para criar 130 bibliotecas.
Seiscentos professores poderiam financiar 5.000 bibliotecas de 10.000 livros cada uma, uma por município do país.
Universidades são, por definição, elitistas, para a alegria dos cursinhos.
Bibliotecas são democráticas, aceitam todas as classes sociais e etnias. Aceitam curiosos de todas as idades, sete dias por semana, doze meses por ano.
Bibliotecas permitem ao aluno depender menos do professor e o ajudam a confiar mais em si.
Nunca esqueço minha primeira visita a uma grande biblioteca, e a sensação de pegar nas mãos um livro escrito pelo próprio Einstein, e logo em seguida o de cálculo de Newton.
Na época, eu queria ser físico nuclear.
Infelizmente, livros nunca entram em greve para alertar sobre o total abandono em que se encontram nem protestam contra a enorme falta de bibliotecas no Brasil.
Visitei no ano passado uma escola secundária de Phillips Exeter, quando meu filho Roberto Kanitz, fez um curso de verão. (Tirou 3 As numa das melhores escolas preparatórias para Harvard do EUA, para a alegria do pai.)
Phillips Exeter fica numa cidade americana de 30.000 habitantes, no desconhecido Estado de New Hampshire.
O Roberto me mostrou com orgulho a biblioteca da escola, de NOVE andares, com mais de 145.000 obras. A Biblioteca Mário de Andrade, da cidade de São Paulo, tem 350.000. A bibliotecária americana ganhava mais do que alguns dos professores, ao contrário do que ocorre no Brasil, o que demonstra o enorme valor que se dá às bibliotecas nos Estados Unidos.
Não quero parecer injusto com os milhares de professores que incentivam os alunos a ler livros e a frequentar bibliotecas.
Nem quero que sejam substituídos, pois são na realidade facilitadores do aprendizado, motivam e estimulam os alunos a estudar, como acontece com a maioria dos professores do primário e do colegial.
Mas estes estão ficando cada vez mais raros, a ponto de se tornarem assunto de filme, como ocorre em Sociedade dos Poetas Mortos, com Robin Williams.
Na próxima aula em que seu professor fizer o resumo de um livro só, ou lhe entregar uma apostila mal escrita, levante-se discretamente e vá direto para a biblioteca.
Pegue um livro original de qualquer área, sente-se numa cadeira confortável e leia, como se fazia 500 anos atrás. Você terá um relato apaixonado, aguçado, com os melhores argumentos possíveis, de um brilhante pensador. Você vai ler alguém que tinha de convencer toda a humanidade a mudar uma forma de pensar.
Um autor destemido e corajoso que estava colocando sua reputação, e muitas vezes seu pescoço, em risco. Alguém que estava escrevendo apaixonadamente para convencer uma pessoa bastante especial:
Você.
dica do Rodrigo Cavalcanti









































