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Cachorro adotado por Meghan Markle ganha biografia ilustrada

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© Reprodução

O beagle foi abandonado em uma floresta em Kentucky, nos Estados Unidos

Publicado no Notícias ao Minuto

Antes de ser duquesa, a atriz Meghan Markle, 37, sempre dividiu a sua paixão por cachorros nas redes sociais. Ao se casar com o príncipe Harry, ela conseguiu levar um de seus cachorros para a Inglaterra. Guy, um beagle que foi adotado pela duquesa, vai ganhar duas autobiografias ilustradas.

O beagle foi abandonado em uma floresta em Kentucky, nos Estados Unidos. De lá, ele foi encaminhado a um abrigo no Canadá, onde a duquesa o conheceu e decidiu adotá-lo. Essa história de abandono, será transformada em dois livros ilustrados infantis.

© Reprodução

Dona de dois cachorros quando morava no Canadá, ainda atriz Meghan teve que deixar os dois animais com um amigo, enquanto se preparava para seu casamento. Bogart, o cão mais velho, teve que ser deixado no Canadá, pois a viagem poderia fazer mal à saúde do cão que já está com a idade mais avançada.

Agora, como duquesa, Meghan não pode mais dividir momentos pessoais nas redes sociais. No entanto, a revista People divulgou que, por volta de julho, Meghan e Harry decidiram adotar um outro cãozinho para fazer companhia a Guy, que estava acostumado com a companhia de Bogart.

Com informações da Folhapress.

Chega ao Brasil a biografia do antropólogo Claude Lévi-Strauss

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O antropólogo belga Claude Lévi-Strauss Foto: Edições Sesc

Belga deu aulas na USP e compreendeu o Brasil em ‘Tristes Trópicos’

Paulo Nogueira, no Estadão

Que tal ler sobre um homem que viveu 101 anos e morreu Imortal? Que criou uma ciência (ou ao menos um ramo frondoso dela)? Que escreveu um livro clássico, acima de tudo inclassificável? Que deu aulas na USP, em Nova York e Paris, e aprendeu muita coisa com gente que andava pelada e dormia no chão? Um homem cujo nome era música, calça e filosofia, e por vezes um risco mortal?

Salivando? Então basta percorrer as 782 feéricas páginas da biografia Lévi-Strauss, de Emanuelle Loyer. A autora é especialista em história intelectual da Universidade Sciences-Po, em Paris. Confirmando a barbada, esta obra embolsou o prêmio Femina de ensaio, em 2015.

Um dos supremos intelectuais do século 20, Claude Lévi-Strauss (1908-2009) nasceu em Bruxelas, mas é tão francês quanto Astérix. De origem obviamente judaica, o sobrenome de Lévi-Strauss sempre deu pano para mangas. Em 1940, com a França sob ocupação alemã, ele foi a Vichy pedir autorização para voltar à capital, onde nazistas saíam pelo ladrão. O funcionário pestanejou: “Com esse nome, o senhor quer ir para Paris?” Caindo a ficha, Claude se mandou para os EUA, onde foi aconselhado pelos diretores da New School a usar L. Strauss em vez de Lévi-Strauss – “para que o senhor não seja confundido com uma marca de jeans”. Também foi confundido com o autor de valsas vienenses Richard Strauss. E com o filósofo Leo Strauss. Hoje é inconfundível.

Claude, embora tenha declinado bater o ponto na École Normale Supérieure, poleiro dos prodígios da geração (Sartre, Aron, Merleau-Ponty, Paul Nizan), cursou filosofia e direito – já na etnologia foi um autodidata. Ainda na faculdade, simpatizou com os princípios do socialismo e fez militância estudantil. Mas, por feitio e convicção, foi sempre um socialista insociável, que nunca sujeitou tudo a um materialismo farisaico. E saudou no ato, em 1933, o romance Viagem ao Fim da Noite, do endiabrado reacionário Louis-Ferdinand Céline. Isso quando a esquerda ortodoxa estava embevecida com o Realismo Socialista de Jdánov.

Naquela época, apesar de recém-casado, o professor do ensino médio Lévi-Strauss se sentia como se tivesse perdido o bonde e a esperança. Até que ouviu um som talismânico. “Minha carreira foi decidida num domingo de 1934, às 9h da manhã, com um toque de telefone”. Era um convite para dar aulas de sociologia na engatinhante USP, com a isca de que “há muitos índios na periferia de São Paulo”. Não havia. Depois, o embaixador brasileiro na França jogou água no chope: “Não há mais índios no Brasil”. Havia.

Lévi-Strauss tinha 26 anos. Ficou no Brasil quatro anos, lecionando em francês, “a segunda língua dos brasileiros escolarizados”. Em 1934, São Paulo contava mais de 1 milhão e 200 mil habitantes e crescia a jato (50 anos antes, não passava dos 100 mil!). Antes, fez escala no Rio de Janeiro, com o qual embirrou: “Os trópicos são menos exóticos do que antiquados.” Comparou os morros cariocas a “dedos numa luva apertada”. Em Sampa, o primeiro arranha-céu que vê na vida: o edifício Martinelli. A delegação de professores europeus era uma espécie de seleção galáctica de dentes de leite: entre outros, Fernand Braudel (depois um dos pais da “história das mentalidades”), Roger Bastide (que traduzirá Casa Grande e Senzala) e o grande poeta italiano Giuseppe Ungaretti.

Na USP, Lévi-Strauss dá seis aulas de 55 minutos por semana, de março a novembro. Ele e sua mulher Dina, com a mesma formação acadêmica do marido, viram parças da intelligentsia local, sobretudo Mário de Andrade. O regresso à França coincide com o início da 2.ª Guerra Mundial. Lévi-Strauss só voltará ao Brasil em 1985, com o presidente Mitterrand. Mas dirá: “O Brasil representa a experiência mais importante da minha vida”.

Em 1940, se exila nos EUA, no mesmo cargueiro em que enjoa André Breton. Em NY, rola um encontro decisivo: com Roman Jakobsson, que lhe apresenta o estruturalismo. Daí nascerá a antropologia estrutural, postulando uma configuração que ordene a entropia dos fatos, através da análise de mitos e laços de sangue. Seja a sociologia seja a antropologia já refletiam uma “linhagem francesa”, com Émile Durkheim e Marcel Mauss. Em meados do século 20, o etnocentrismo era torpedeado: já não se tratava do “fardo do homem branco”, ou de ensinar canibais a comer de garfo e faca – em vez disso, o elogio da diversidade e do interlocutor. Até porque, como observou Aron: “Uma parte do melhor do Ocidente acabou nos fornos crematórios de Auschwitz.” Tratava-se, isso sim, de tentar conciliar o sensível e o inteligível, natureza e cultura. A influência da linguística em Lévi-Strauss nunca extrapolou – como aconteceu, por exemplo, com Jacques Derrida e sua famosa frase desconstrucionista: “não há nada fora do texto” (a não ser, claro, as interpretações de Derrida).

Em 1955, jorra a lava verbal de Tristes Trópicos, uma obra metamórfica, porosa, meio budista meio lunática – uma autoanálise que bate na trave da catarse absoluta. O título, com sua aliteração lírica e soturna, levanta a bola para o incipit rabugento, que chuta o balde da premissa antropológica: “Odeio viagens e exploradores.” Relatando o convívio com índios caduveos, bororos e nambiquaras, é para muitos o mais importante livro de um estrangeiro sobre o Brasil. E é a chef d’oeuvre de Lévi-Strauss, um clássico que funde literatura e ciência, espécie e indivíduo, eternidade e devir – aliás, o próprio título é de um romance que o autor quis escrever e depois amarelou.

Tristes Trópicos, com suas quase 500 páginas, foi concluído em cinco meses, numa máquina de escrever de teclado alemão comprada numa biboca em São Paulo. Tentar definir essa obra é como empunhar vento (por ela ser praticamente tudo, menos um pastel de vento). A biógrafa Emanuelle Loyer faz uma airosa tentativa, ao compará-la com o Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa. Quando Tristes Trópicos saiu, Sartre (cujo existencialismo Lévi-Strauss tinha esculhambado) declarou-se “deslumbrado”.

É uma narrativa encantada, por vezes amarga como um limão verde. Se alguém quer ser etnólogo pensando em Indiana Jones, pode tirar o cavalinho da chuva. “Não há lugar para a aventura nessa profissão. Temos de nos levantar com o dia, permanecer acordado até que o último índio esteja dormindo, e de o vigiar durante seu sono. Temos de nos esforçar para passar despercebidos, estando sempre presentes; ver tudo, reter tudo, anotar tudo, dar mostras de uma indiscrição humilhante, mendigar informações de um garoto ranhoso”. Sim: a antropologia às vezes é um programa de índio.

É evidente a tentação do autor pelo texto literário, sem prejuízo do rigor científico (neste aspecto, lembra Primo Levi). Em 1973, Lévi-Strauss é eleito para Academia Francesa. Em 2004, a Bibliotheque de la Plêiade (coleção da Gallimard que canoniza os clássicos da literatura francesa) abre sua primeira exceção para um não literato: Claude Lévi-Strauss – e com o autor ainda vivo. É a vantagem da arte sobre a ciência: nos melhores casos, aquela caduca mais devagar e, nas obras-primas, talvez nunca. O Édipo de Sófocles continua novinho em folha – já a teoria geocêntrica de Ptolomeu é uma curiosidade histórica.

Talvez a chave para Tristes Trópicos (e para a vida do seu autor) resida em sua última frase, na forma de um felino enigmático e elegante mas também expressivo: “Tal como o indivíduo não está só no grupo e cada sociedade não está só entre as outras, o homem não está só no universo. Assim que o arco-íris das culturas humanas tiver acabado de afundar-se no vazio cavado pelo nosso furor, este arco tênue permanecerá. Este favor que toda a sociedade ambiciona, onde ela situa o seu ócio, o seu prazer, repouso e liberdade, e que consiste em captar a essência do que ela foi e continua a ser, aquém do pensamento e além da sociedade, na contemplação de um mineral mais belo que todas as nossas obras; no perfume mais sábio que os nossos livros, respirado no âmago de um lírio; ou no piscar de olhos, cheio de paciência, serenidade e perdão recíproco que um entendimento involuntário permite, por vezes, trocar com um gato.”

Biografia minuciosa e abrangente revela a trajetória de George Lucas, um dos maiores nomes da história do cinema americano

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Publicado no Sopa Cultural

Homem por trás de nada menos do que duas das maiores franquias da história do cinema – “Star Wars” e “Indiana Jones” –, George Lucas é alvo de uma minuciosa e envolvente biografia em “George Lucas: Uma vida”, que a BestSeller lança em novembro. O autor Brian Jay Jones passou três anos se dedicando ao projeto, que contou com muitas entrevistas de amigos e colegas de Lucas, além de extensa pesquisa de documentos e arquivos.

Num apanhado abrangente de sua vida pessoal e profissional, entre sucessos e fracassos, George Lucas é retratado desde a infância em Modesto, na Califórnia. Lá ele começou a desenvolver seu gosto pelo cinema e também uma relação conflituosa com o pai. Anos mais tarde, já na faculdade, conheceu Francis Ford Coppola durante um estágio, e os dois acabaram criando um estúdio, no fim dos anos 1960. O livro conta ainda detalhes sobre outra amizade famosa de Lucas, com Steven Spielberg – “Indiana Jones” é obra da dupla.

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O livro conta ainda em detalhes todo o processo de filmagens de Star Wars e o drama que rondou a produção. Sucesso mundial incontestável hoje em dia, o filme enfrentou diversos problemas durante suas gravações, e equipe e diretor tinham certeza de que estavam embarcando num fracasso. O texto acompanha também a surpresa quando as filas para assistir ao filme se estendiam por quarteirões e o longa bateu diversos recordes de bilheteria.

“Um retrato ágil do recluso e visionário George Lucas. Sua ascensão de completo desconhecido a lenda da indústria cinematográfica está toda registrada aqui e é contada através de histórias divertidas e insights do homem por trás da criação. O livro traz opiniões de seus colegas, concorrentes, mentores e amigos que, por vezes, são cruelmente honestas… É a biografia definitiva para os fãs de carteirinha.” Rolling Stone

O pioneirismo de George Lucas e sua influência no formato e nos modelos dos filmes comerciais que vieram a seguir também estão no relato de Jones, que conta ainda sobre a criação da Lucasfilm – e sua posterior venda para a Disney –, as iniciativas do cineasta no universo dos efeitos digitais, sua relação de altos e baixos com Hollywood e a rotina no rancho Skywalker.

TRECHO:

Em maio de 1974 – quase oito meses depois do prazo –, Lucas concluiu o rascunho de The Star Wars. Com 191 cenas e 33 mil palavras, estava abarrotado de política e contextualização, mas, mesmo nesse esboço inicial, algumas partes soam familiares. O personagem principal é um jovem chamado Annikin Starkiller, que estuda para se tornar um Jedi-Bendu sob o general de 70 anos Luke Skywalker. Existem dois androides que garantem alívio cômico, um baixo e atarracado, o outro um robô reluzente “ao estilo Metrópolis”, uma referência à mulher mecânica do diretor Fritz Lang em seu filme art déco de 1926. Há “um enorme monstro de pele verde sem nariz e com grandes guelras” chamado Han Solo, uma corajosa princesa Leia, de 14 anos, referências a “espadas laser” e wookiees, bem como a um “general alto de aparência severa” – um personagem relativamente menor – chamado Darth Vader. E, pela primeira vez, um personagem se despede dizendo “Que a Força dos Outros esteja com você”. Lucas ainda estava mantendo os elementos de que gostava do primeiro esboço, incluindo uma briga em uma cantina, uma perseguição em meio a um cinturão de asteroides, o resgate de uma prisão e a cerimônia de premiação de encerramento. Mas continuava a ter problemas com parte dele: ainda não estava bem certo daquilo que o Império estava buscando, e ainda havia personagens demais, locações demais, contextos demais com que ligar. Mas pelo menos estava terminado.

Brian Jay Jones é autor de “Jim Henson: The biography”, biografia do criador dos Muppets e best-seller do New York Times.Trabalhou por quase 20 anos como analista de políticas públicas e redator de discursos. Vive em Maryland com a esposa. Mais informações em brianjayjones.com

Novo livro de J. K. Rowling mescla boas passagens com momentos ingênuos

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Rodrigo Casarin, no Página Cinco

“A imaginação não é apenas a capacidade exclusivamente humana de idealizar o que não existe e, portanto, a fonte de toda invenção; em sua capacidade seguramente mais transformadora e reveladora, é o poder que nos permite sentir empatia pelas pessoas cujas experiências nunca partilhamos”.

Os momentos nos quais J. K. Rowling fala sobre a imaginação e, pela sua abordagem, consequentemente de empatia, são os mais interessantes do livro “Vidas Muito Boas”, que a Rocco acaba de lançar no país. A obra, ilustrada por Joel Holland, traz o discurso que a autora de “Harry Potter” fez em quando foi paraninfa de um grupo de formandos em Harvard, em 2008.

“Muitos preferem não utilizar de forma alguma sua imaginação. Preferem se manter confortavelmente dentro dos limites da própria experiência, sem jamais se dar ao trabalho de imaginar como seria ter nascido outra pessoa. Eles podem se recusar a ouvir gritos ou espiar dentro das celas; podem fechar a mente e o coração a qualquer sofrimento que não os afete pessoalmente; eles podem se recusar a tomar conhecimento”, registra a autora no texto que proferiu aos formandos.

Ainda que não seja obrigatório, é previsível que em um discurso do tipo o autor concentra a fala em sua biografia, e é isso que Rowling. Da trajetória pessoal enfocada, dois momentos merecem destaque. O primeiro é quando ela recorda o que aprendeu enquanto trabalhou no departamento de pesquisa africana da sede da Anistia Internacional em Londres: “Ali, em minha salinha, eu lia cartas escritas às pressas, e enviadas clandestinamente de regimes totalitários, por homens e mulheres que se arriscavam à prisão para informar ao mundo o que acontecia com eles. Vi fotografias daqueles que tinham desaparecido sem deixar rastros, enviadas à Anistia por familiares e amigos desesperados. Li o testemunho de vítimas de tortura e vi imagens de seus ferimentos. Abri relatos de testemunhas oculares, escritos de próprio punho, sobre julgamentos e execuções sumárias, raptos e estupros”.

O outro é quando conta sobre sua decisão de estudar academicamente mitologia e as obras clássicas – ela é formada em Línguas Clássicas e Literatura Francesa -, algo que contrariava a vontade de seus pais, mas acabou sendo fundamental para que tivesse base para escrever sua famosa saga (e para que pudesse pontuar sua fala com citações de gente como Plutarco e Sêneca, que surgem como luxuosos acessórios no discurso).

“Eu estava convencida de que a única coisa que queria fazer, na vida, era escrever romances. Meus pais, porém, que tiveram origem pobre e não se formaram na universidade, consideraram minha imaginação fértil uma idiossincrasia divertida que jamais pagaria uma hipoteca ou garantiria uma aposentadoria […]. De todas as matérias deste planeta, creio que para eles seria difícil citar uma menos útil do que mitologia grega quando a questão é garantir a chave de um banheiro executivo”.

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Fracasso

A imaginação não é o único eixo no qual Rowling apoia seu discurso. Nele, também fala bastante sobre o fracasso, algo que, como ela mesmo diz, provavelmente seja pouco familiar para quem está se formando em Harvard (ou no mínimo baseado em padrões muito mais elevados do que o fracasso de um cidadão médio). Para tal, a escritora lembra do seu próprio fundo do poço: sete anos depois que se formou, o casamento implodiu, ficou desempregada, tornou-se mãe solteira e era tão pobre “quanto é possível ser na Inglaterra moderna, sem ser uma sem-teto”. O que tirou daquele momento? As forças para escrever “Harry Potter”, claro.

“Fracassar significa se despojar do que não é essencial. Parei de fingir para mim mesma que eu era qualquer outra coisa além do que realmente era e comecei a direcionar toda a minha energia para a conclusão do único trabalho que me importava. Se de fato tivesse obtido sucesso em outra coisa qualquer, talvez jamais encontrasse a determinação para vencer na única arena a que eu acreditava verdadeiramente pertencer”, diz Rowling.

É nesse momento que seu discurso soa bastante ingênuo, com um tom próximo da autoajuda. Ora, ela soube lidar com o fracasso e conseguiu criar algo que lhe trouxe um enorme sucesso alguns anos depois – a saga do bruxo está traduzida para 79 línguas e já vendeu mais de 450 milhões de exemplares -, mas isso está longe de ser uma regra, não é mesmo? Ela poderia ter direcionado toda a energia e determinação para a única arena na qual acreditava verdadeiramente pertencer e ainda assim colher apenas um novo fracasso, como acontece com a maioria por aí. Apenas concentrar forças não costuma ser suficiente para que as pessoas consigam algo. Também é preciso uma conjunção de outros fatores que vão desde uma base sólida para que o trabalho seja realizado – a formação e a imaginação de Rowling, no caso – até fatores que fogem do controle da própria pessoa, como achar algum editor que aposte naquilo e leitores receptivos à história.

Outro momento de certa ingenuidade é o final do discurso da escritora: “Se vocês escolherem usar seu status e sua influência para elevar a voz por aqueles que não têm voz; se escolherem se identificar não apenas com os poderosos, mas também com aqueles que não têm poder; se vocês conservarem a capacidade de se imaginar na vida dos que não possuem as mesmas vantagens que vocês, então não serão apenas suas famílias orgulhosas que irão comemorar sua existência, e sim milhares e milhões de pessoas cuja realidade vocês ajudaram a mudar para melhor. Não precisamos de magia para mudar o mundo; todos já temos dentro de nós o poder de que precisamos: o poder de imaginar melhor”.

Sei que são palavras reconfortantes, mas é difícil acreditar que haja tantas pessoas assim que não imaginem um mundo melhor. No entanto, como aponta, isso precisa ser levado à prática; boas ideias que não saem da cabeça infelizmente não mudam a realidade de ninguém. Além disso, para que uma mudança profunda aconteça, na maior parte das vezes é preciso romper ou conflitar com os poderosos, não apenas olhar também para os que não têm poder; é preciso tirar ou diminuir o poder de um e transferi-lo para o outro. Apesar de certas virtudes de Rowling, quando o assunto é discurso de paraninfo, é melhor ficarmos com o “Isto é Água”, do David Foster Wallace.

 

Stephen King | Darkside vai relançar biografia do escritor

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Publicação chega ao país no final de setembro

Fabio de Souza Gomes, no Omelete

A Darkside anunciou que vai relançar Stephen King – A Biografia: Coração Assombrado, um dos primeiros títulos lançados pela editora em 2013. A edição, que estava esgotada, ganhará uma reimpressão que será lançada no final de setembro. Confira a capa:

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A obra reconstitui a infância difícil do autor, marcada pela ausência do pai, revela suas angústias e seus medos mais profundos como autor, resgata os primeiros contatos do jovem King com a escrita e sua luta contra a dependência química.

Com 300 milhões de livros vendidos e mais de 50 prêmios por suas obras, Stephen King tornou-se parte da história da cultura pop mundial. O autor, inclusive, está no Guinness Book como o autor vivo com o maior número de adaptações para o cinema.

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