Posts tagged Biografias
Lei contra biografias não autorizadas faz editora LeYa engavetar livro sobre José Dirceu
0Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo
A editora LeYa decidiu engavetar livro sobre a vida de José Dirceu que publicaria ainda neste ano. Motivo: a lei brasileira que proíbe o lançamento de biografias sem a autorização do biografado seria tão drástica que poderia gerar multas e punições que colocariam em risco a própria existência da empresa no país. O parecer foi dado pelo departamento jurídico da editora portuguesa.
FORO ÍNTIMO
“Não houve ameaça do José Dirceu. Nós é que tivemos dúvidas e decidimos consultar advogados. Mas o direito à reserva da vida privada é considerado absoluto no Brasil, o que faz com que seja impossível publicar livro sobre qualquer personagem histórico do país”, diz Maria João Costa, editora-executiva da LeYa. “Até personagens secundários citados em fatos irrelevantes poderiam processar a editora.”
DÁ UM FILME
A obra é assinada por Otávio Cabral, jornalista da revista “Veja”. “Cada linha do livro poderia ser provada. Já tínhamos comprado os direitos”, diz a executiva. “É absolutamente frustrante e algo que não ocorre em outros países democráticos. Aqui tudo é proibido. Histórias fantásticas não poderão ser contadas no Brasil.” Como a vida de Dirceu, que, segundo Maria João Costa, “é digna de cinema”.
NA GAVETA
Entre os precedentes que assustam a LeYa estão a vitória do cantor Roberto Carlos, que já conseguiu recolher e incinerar a edição de um livro sobre sua vida, e o processo que o dono de uma academia de boxe moveu contra editora que lançou a biografia de Anderson Silva.
Mark Bego lança biografia de Whitney Houston no Brasil
0Recordista em perfis de celebridades, autor americano já publicou 60 livros
Silvio Essinger, em O Globo
RIO – Aos 60 anos de idade, o americano Mark Bego é recordista num campo bastante específico (e atraente): o de biografias de ídolos pop, boa parte deles, músicos. Entre os 60 livros que publicou (e que somaram mais de 10 milhões de cópias vendidas), Bego ofereceu mergulhos nas vidas de Elvis Presley, Michael Jackson, Tina Turner, Aretha Franklin, Elton John e outros. Um de seus mais recentes (e comentados) trabalhos acaba de chegar ao Brasil: é “Whitney Houston! A espetacular ascensão e o trágico declínio da mulher cuja voz inspirou uma geração”, primeiro lançamento da Sonora, editora especializada em livros sobre música do produtor fonográfico Marcelo Fróes. Como o longo título dá a perceber, trata-se da biografia da cantora americana, uma das maiores estrelas do pop mundial, que morreu em fevereiro do ano passado, num afogamento acidental, na banheira de um hotel, após consumir cocaína.
— Durante um tempo, Whitney tinha tudo: discos no topo das paradas, uma promissora carreira no cinema e um dos shows mais concorridos do planeta. Quando ela estrelou “O guarda-costas” em 1992, com Kevin Costner, era universalmente reconhecida como uma das mais belas mulheres no mundo, independentemente de ser negra ou branca — conta Bego, por e-mail. — No entanto, com dinheiro que não acabava mais e acesso a tudo, ela escolheu um oportunista (o cantor Bobby Brown, do grupo New Edition) como marido e virou uma usuária contumaz de drogas. Isso acabou com sua saúde, imagem, voz e, por fim, com sua vida.
O escritor conheceu Whitney nos anos 1970, quando era repórter cultural, e ela, cantora de apoio da mãe, a diva soul Cissy Houston. Em 1978, ele escreveu o primeiro livro sobre aquela jovem estrela, que despontava.
— Tive a honra de ver as conquistas de Whitney com meus próprios olhos — diz Bego. — Apesar de manter contato com ela de vez em quando, nunca tive muita proximidade ou amizade. Dessa forma, pude observar sua vida de um ponto de vista privilegiado, ainda mais quando as coisas começaram a dar errado em sua vida. Só fui vê-la novamente de perto numa premiação em Hollywood, quando estava com Bobby Brown. Parecia que a vida estava pesando sobre ela. Em suma, tive a oportunidade de ver Whitney Houston no seu melhor e no seu pior.
Em 2009, o escritor fez uma atualização do seu livro, a tempo para a turnê da volta de Whitney aos palcos (que foi um fracasso). Mal correram as notícias da morte da cantora, seu agente literário saiu fechando contratos de publicação da biografia no mundo inteiro.
— Nesse negócio, o “timing” é tudo, e a morte de uma estrela desse porte repentinamente mobiliza as atenções de todos — explica o escritor. — Todos querem saber detalhes sobre sua vida e sobre a tragédia de sua morte. Ao longo de quatro dias, consegui fazer uma atualização completa da obra e mandá-la para os editores. Eu estava determinado a escrever o primeiro livro sobre sobre a ascensão e queda de Whitney.
Histórias de DiCaprio em 10 dias
O que não foi nada de mais para quem, certa vez, cumpriu a promessa de escrever sozinho, em 10 dias, uma biografia do ator Leonardo DiCaprio.
— Sem um deadline nos meus calcanhares, esse processo pode se estender indefinidamente. Meu desafio é cumprir os prazos e, em seguida, partir para o próximo projeto, suavemente — gaba-se ele, que é considerado “O príncipe das biografias pop”. — Ganhar esse título nunca foi algo que eu planejasse, mas eu o aceito de bom grado. O que me atrai para esses personagens é a curiosidade: como eles conseguem criar obras tão maravilhosas? Eu me divirto tanto com isso que sempre acabo fazendo mais livros.
A rotina de trabalho de Mark Bego nas suas biografias é bem simples.
— Quando estou começando um livro sobre um cantor ou ator, fico obcecado em obter todas as gravações, filmes ou aparições em TV, a fim de entender o que os faz tão empolgantes e bem-sucedidos. Aí, vou ler tudo que conseguir sobre eles — conta. — Se estou escrevendo uma colaboração “autorizada” com uma celebridade, como as que fiz com Martha Reeves (do grupo Martha Reeves & The Vandellas) ou Micky Dolenz (dos Monkees), faço perguntas pensando no que quero saber. Mas se o livro é feito sem a cooperação do biografado, saio entrevistando todas as pessoas em volta dele. Muitos querem contar seu lado da história.
Para o escritor, sua responsabilidade como biógrafo é “relatar os fatos corretamente e contar uma história que seja divertida e fascinante para o leitor”.
— Se descubro coisas maravilhosas sobre a celebridade, falo delas positivamente — ensina. — Mas se descubro algo trágico ou irracional, como o vício em cocaína de Whitney Houston, tenho que falar com franqueza sobre ele. Minha honestidade nem sempre deixa os artistas felizes, como foi o caso de Aretha Franklin. Mas fatos são fatos.
Os 6 livros que descomplicaram a história do Brasil em 2012
0Desvendar a história do Brasil não precisa ser algo enfadonho nem acadêmico, como demonstram os livros a seguir, que deram ar de novo a velhos momentos da sociedade brasileira e podem ser a leitura das férias
Marco Prates na revista Exame
São Paulo – Já faz alguns anos os leitores brasileiros descobriram que História não se aprende apenas na escola ou com emburradas obras acadêmicas.
Já é moda por aqui – com razoável participação entre os livros mais vendidos – o lançamento de obras cuja função é desvendar um episódio ou um personagem de relevo para a história do Brasil, mas que não esquecem que uma das razões de um livro, não se pode negar, é ser também uma boa leitura.
É uma boa oportunidade de usar as férias para conhecer mais sobre o próprio país.

Getúlio
Não é que falte material sobre o “pai dos pobres” no Brasil. O que falta são páginas preenchidas sem a indeliberada paixão que seu nome ainda causa, quando se misturam a figura do estadista, do modernizador e do ditador. Com vasta pesquisa, o cearense Lira Neto, autor de várias outras biografias, mescla na obra o cenário político e o personagem, sempre com inúmeras fontes de informação. Este volume vai do nascimento de Getúlio até a chegada ao poder, em 1930. Mais dois volumes estão a caminho.
Getúlio – Dos anos de formação à conquista do poder
Autor: Lira Neto
Companhia das Letras

A Carne e o Sangue
Não há melhor maneira de conhecer a história do primeiro reinado do Brasil do que inserindo nele um complicado triângulo amoroso. É exatamente isso que faz a historiadora Mary del Priore, hoje dedicada a fazer obras históricas mais palatáveis sobre diferentes momentos da história do país. “A carne e o sangue” narra a saga da relação entre o primeiro imperador brasileiro, Dom Pedro I, sua amante, Domitila de Castro Canto e Melo, conhecida como marquesa de Santos, e a Imperatriz Leopoldina. O livro mostra como a mais famosa das amantes da história do país balançou a monarquia brasileira.
A Carne e o Sangue – A imperatriz D. Leopoldina, D. Pedro I e Domitila, a Marquesa de Santos
Autora: Mary del Priore
Rocco
Conselho aprova proposta contra proibição de biografias não autorizadas
0Gabriela Guerreiro, na Ilustrada
O Conselho de Comunicação Social, instalado no Congresso Nacional, aprovou nesta segunda-feira (3) proposta que acaba com a proibição de veicular ou publicar biografias que não sejam autorizadas pelos biografados.
A proposta também sugere que um juiz não poderá decidir pelo recolhimento ou impedir a circulação de obras biográficas depois que elas já estiverem sendo comercializadas. O Conselho de Comunicação Social é formado por membros e funcionários de empresas de comunicação e da sociedade civil, com o objetivo de auxiliar os parlamentares em questões relacionadas à mídia por meio de estudos, pareceres e recomendações.
Pelo texto, a ausência de autorização não impediria a realização da biografia de pessoas cuja trajetória pessoal, artística ou profissional tenha dimensão pública. O texto não acaba com a possibilidade de eventuais indenizações aos biografados se houver ilícitos ou irregularidades na elaboração da obra –mas diz que não deve haver prejuízos à sua circulação.
“Ao juiz, fica vedado o recolhimento da obra. Depois se discute a indenização. Isso está em sintonia com a Corte Interamericana de Justiça. A privacidade de uma pessoa notória é diferente da privacidade de uma pessoa comum. Precisamos reconhecer os direitos da personalidade, mas precisamos também reconhecer o direito à realização de biografias que hoje se encontra restrito”, disse o relator da proposta, o advogado Ronaldo Lemos.
As mudanças se aplicariam, segundo o relator, às pessoas públicas ou cuja trajetória “pessoal, artística ou profissional tenha dimensão pública ou esteja inserida em acontecimentos de interesse da coletividade”. “Para o indivíduo comum, vale a regra de que prevalece o direito à privacidade. Mas a esfera da privacidade de uma pessoa pública é menor”, disse Lemos.
O texto do relator, que é colunista da Folha e diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV e do Creative Commons no Brasil, previa a elaboração de uma proposta legislativa para tramitar no Congresso com as mudanças. O conselho decidiu, porém, apenas encaminhar a proposta como recomendação aos presidentes da Câmara e do Senado — sem formalizar um texto para tramitar no Congresso, onde já correm três projetos sobre o tema.
A maioria dos conselheiros entendeu que não é atribuição do órgão elaborar propostas legislativas. “Não fomos chamados para tanto e que não temos competência para apresentar emendas a um projeto de lei”, disse o conselheiro Alexandre Jobim.
Pela legislação atual, uma publicação pode ser proibida caso o biografado não a autorize. Recentemente, a comercialização de uma biografia do cantor Roberto Carlos, já pronta, foi proibida após decisão judicial.
“Nos EUA, Michael Jackson e Barack Obama têm 160 biografias publicadas cada um. Discursos considerados problemáticos devem ser respondidos com mais discursos, e não com a proibição”, disse Lemos.
A proposta de Lemos preserva o direito do biografado de ingressar com ação judicial civil se houver abuso ou má-fé na elaboração da obra –ou se os autores adotarem meios ilícitos na divulgação, transmissão, exposição, publicação ou utilização de escritos, palavras e imagens de terceiros.
A proibição de biografias não autorizadas também é alvo de ação no Supremo Tribunal Federal, que questiona a constitucionalidade do artigo, por violar a liberdade de expressão. O conselho não tem competência para discutir essa ação.
RECOMENDAÇÃO
Com a decisão, o relator também vai encaminhar a proposta como recomendação aos deputados autores dos três projetos de lei que tramitam no Congresso sobre o tema. Os parlamentares podem, ou não, adotar a proposta sugerida pelo conselho.
Um dos projetos, de autoria do deputado Newton Lima Neto (PT-SP), altera o Código Civil para derrubar a proibição e determinar que a falta de autorização do biografado, sozinha, não pode impedir a publicação da obra.
Na última reunião do órgão, realizada nesta segunda-feira, foi aprovada proposta que altera artigos do regimento interno do conselho. A principal mudança formaliza a determinação para que propostas da sociedade civil não sejam encaminhadas diretamente ao órgão — mas ao presidente do Congresso, que as repassa ao órgão auxiliar do Legislativo.




















