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Biografias puxam recuperação do mercado de livros em 2017

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(iStock/iStock)

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Vendas crescem 5,47% em volume e 6,59% em faturamento nos primeiros sete meses do ano em relação a 2016; sozinho, gênero biográfico subiu 12,18%

Publicado na Veja

Depois de um 2016 muito difícil, devido à crise econômica que inibe o consumidor, o mercado de livros segue respirando melhor em 2017, graças, principalmente, aos títulos do segmento de não ficção, entre os quais estão incluídas as biografias. Os dados são de pesquisa do Snel, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros, em parceria com a Nielsen.

No acumulado até julho, as vendas de livros cresceram 5,47% em volume e 6,59% em faturamento. Isolado, o segmento chamado de Não Ficção Trade, apresentou um aumento de 12,18% em receita. Com o resultado, a fatia do gênero saltou de 22,52% para 23,70% do total do mercado.

O nicho de livros infantis, juvenis e educacionais, porém, segue na dianteira, inclusive ampliando seu domínio: sua fatia passou de 24,86% em 2016 para 25,23% neste ano.

O desconto, porém, também cresceu 1,3% em 2017, na comparação com o mesmo período de 2016, com destaque para os segmentos infantil, juvenil e educacional, onde subiu 3,3%, não ficção, onde o aumento foi de 2,1%.

Suspensa em 2004, biografia de Caetano Veloso chega às livrarias

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Publicado no UAI

Foto tirada na casa do cantor em 1982. (foto: Thereza Eugênia/Divulgação)

Foto tirada na casa do cantor em 1982. (foto: Thereza Eugênia/Divulgação)

Biografias, salvo exceções, têm uma estrutura inconfundível. O prólogo, é regra, traz um fato marcante da vida do biografado. Logo depois vem o capítulo inicial, geralmente aberto com os primeiros anos do personagem.

Caetano: uma biografia. A vida de Caetano Veloso, o mais doce bárbaro dos trópicos (editora Seoman), de Carlos Eduardo Drummond e Marcio Nolasco, que chega às livrarias na próxima semana, tem início na noite de 23 de março de 2003.

No Kodak Theatre, em Los Angeles, Caetano apresentou, ao lado da mexicana Lila Downs, Burn it blue durante a cerimônia do 75ª edição do Oscar. A canção havia sido indicado ao prêmio pelo filme Frida. Para os autores, o ”fato não poderia ser ignorado”, já que Caetano havia se apresentado para o maior público de sua carreira.

É uma opção, que ganha novo sentido quando se chega à página 523 do livro (são 544 no total). No posfácio, o leitor fica sabendo que Drummond e Nolasco poderiam ter enterrado um trabalho que consumiu seis anos da dupla. E que a biografia, originalmente, seria publicada entre 2004 e 2005, pouco após a apresentação no Oscar. Por outra editora (Objetiva), com um outro texto. Que Caetano não autorizou.

A dupla de autores, funcionários públicos que nunca foram tietes de Caetano – ”não tínhamos conhecimento profundo sobre ele quando começamos”, afirma Drummond, também poeta e compositor da Imperatriz Leopoldinense –, após realizados alguns encontros com o músico pediu uma declaração dele ”que desse segurança à continuidade dos trabalhos”.

Caetano escreveu, em 2001, um documento em que reconheceu a existência do projeto – ”Eles me apresentaram algum material extraído das entrevistas que fizeram, sendo que alguns documentos (textos e fotos) a que tiveram acesso me surpreenderam e emocionaram”, diz trecho da carta.

Em 2004, já de contrato assinado com a Objetiva (que lhes pagou um adiantamento de R$ 20 mil), os dois voltaram a Caetano. Precisavam de uma autorização formal para a continuidade do trabalho. O escritório do artista não autorizou, e a editora desistiu de publicar o livro. Que só foi retomado em 2015, quando decisão do Supremo Tribunal Federal retirou a obrigatoriedade de autorizações prévias para a publicação de biografias.

A história terminaria agora, com o livro pronto, não fosse uma outra questão. Caetano não teria autorizado o livro na época porque não havia gostado do texto. A Objetiva teria exigido um terceiro autor, um nome de peso (a jornalista Ana Maria Bahiana).

“Chegamos a aceitar (a exigência), mas o projeto não foi em frente. Gostar ou não de um texto é uma questão absolutamente normal. Mas o que Caetano tinha lido (no início dos anos 2000) era um outro texto, que não estava em sua versão final. E tinha valor, do contrário, por que a Objetiva nos pagaria um adiantamento?”, afirma Drummond.

Em turnê pela Europa, Caetano falou sobre a polêmica em entrevista publicada na última segunda-feira, 24, pelo jornal português Observador. ”Não reli, mas vou olhar agora quando voltar para o Brasil. Eles fizeram uma pesquisa muito cuidadosa, falaram com todos os meus parentes, irmãos, meus amigos de infância, as pessoas com quem eu trabalhei em vários períodos, e acho que eles fizeram um levantamento que deve valer a pena para quem se interessa pela minha vida. Agora, quando a li pela primeira vez, falei para eles: ‘Olha, isso precisaria ser reescrito’, porque… como texto literário, achei um pouco fraco. Agora eu não reli, mas foi preciso autorização minha para que eles pusessem as fotografias, e eu dei autorização. Sem reler.”

REESCRITA

Drummond e Nolasco entrevistaram 103 pessoas para o projeto (20% delas, na conta dos autores, já morreram). Para a publicação da biografia, não fizeram nenhuma nova entrevista. ”Depois de tudo o que aconteceu, não nos sentíamos mais à vontade para fazer entrevista”, justifica Drummond. Passaram um ano, já com a nova editora, reescrevendo o livro e checando as informações.

Um dos problemas do volume aparece aí. O texto tem início e fim com a cerimônia do Oscar. A trajetória de Caetano de 2003 até os dias atuais aparece no posfácio, num texto que parece escrito às pressas, sem qualquer profundidade (e nada diferente do que se acha numa rápida pesquisa na internet). E é uma época prolífica para Caetano, em que ele se reaproximou do público jovem (com a trilogia da banda Cê) e protagonizou duas turnês históricas (uma com Roberto Carlos e outra com Gilberto Gil).

O texto, já que a polêmica atual é esta, carece de personalidade. É por vezes ingênuo (”Em tempos de ditadura, o programa alternativo sempre seria uma boa opção para quem quisesse respirar novidades e arejar a cabeça”). Em alguns momentos, abusa dos chavões (”Em coração de pai e de mãe sempre cabe mais um”).

Mas a profundidade com que os autores tratam da história (até 2003, vale repetir), e a profusão de fontes (são pelo menos três para cada fase do artista, além de extensa bibliografia), acaba validando a biografia como um documento responsável e crível sobre a longa trajetória de Caetano.

Os autores não se prendem a fofocas ou qualquer assunto de menor importância. E ainda delineiam ricas passagens biográficas sobre aqueles que estiveram próximos ao artista (Maria Bethânia tem muito destaque). Entre os pontos fortes está a fase inicial, na infância em Santo Amaro da Purificação. Os autores contaram com a colaboração de parentes (os irmãos Mabel e Rodrigo Velloso, principalmente) e amigos de infância do compositor. Estão ali os anos escolares (há inclusive documentos impressos no livro, bem como desenhos feitos pelo próprio Caetano), relatos dos primeiros emprego e namorada.

Foi um antigo colega de colégio, Wanderlino Nogueira (hoje integrante do Comissionado do Comitê dos Direitos da Criança da ONU, em Genebra) quem apresentou a Caetano a obra de Oswald de Andrade. O livro ainda relata a origem de várias canções (Itapoã foi inspirada, por exemplo, nos primeiros momentos de namoro com Dedé Gadelha, quando Caetano viajava escondido para a praia baiana).

Há também fontes pouco conhecidas, como Respício do Espírito Santo, então tenente, que ajudou Caetano durante o período em que ele ficou preso pela ditadura militar (leia trecho nesta página).

”Hoje, minha sensação é de alívio por ter terminado algo que, em determinado momento, parecia que ia se perder”, conclui Drummond, logo acrescentando: ”Não me considero um biógrafo. Sou apenas um sujeito que fez um livro sobre o Caetano”.

Trecho
”Com a censura imposta, não se podia ser claro sobre o paradeiro de Caetano. Fora isso, havia muita especulação a respeito. Quem sabia a verdade, publicava matérias cifradas ou mesmo se calava por segurança. Desde a transferência de quartéis na própria Vila Militar, Dedé o perdera de vista. Foi assim até o dia em que o tenente Respício esteve com Bethânia. Foi ele quem levou notícias sobre Caetano. Ele passava bem e estava detido em seu quartel. Ela pediu para visitar o irmão. Não havia problema. Pelo menos ali, Caetano podia receber visitas. E mais: deixou seu telefone para que Bethânia ligasse no dia em que fosse. Ele mesmo mandaria buscá-la. No dia e hora marcados lá estava o Simca Chambord azul do tenente para pegar Bethânia. A ansiedade durante o percurso só não foi maior do que a alegria pelo reencontro, apesar do choque. Caetano estava um caco, abatido, de cabelo reco, vestido de soldado… Quase sumia de tão magro.”

Livros de youtubers viraram a grande aposta do mercado editorial

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Eles são as principais atrações da Bienal do Livro de São Paulo

Nina Finco, na Época

Era a noite do último dia 7 de julho, uma quinta-feira. Na Livraria Cultura da Avenida Paulista, uma das maiores de São Paulo, uma fila enorme se formava no interior da loja, se estendia para uma rua nas imediações e dobrava o quarteirão do centro comercial onde ela está localizada. Jovens e adultos se amontoavam para conseguir um autógrafo do autor de um novo livro. Das 19 horas até a 1 hora, 800 pessoas obtiveram seus exemplares autografados, mas alguns azarados ficaram do lado de fora. O escritor não era nenhum expoente da literatura nacional, muito menos ganhador de algum prêmio das letras. Na verdade, um dos galardões que ostenta é o Shorty Awards, o Oscar da internet.

Por trás da mesa de autógrafos estava Paulo Cezar Siqueira, o PC Siqueira, de 30 anos, um dos youtubers mais influentes do Brasil, com mais de 2 milhões de inscritos em seu canal. A seu lado estava o jornalista Alexandre Matias, que escreveu o livro PC Siqueira está morto (Suma de Letras, 248 páginas, R$ 29,90). O livro reúne narrativas nas quais PC é o personagem principal, mas é uma ficção que não deixa claro onde acaba a realidade e começa a imaginação. “Eu não queria que fosse mais um livro de youtuber, sobre carreira ou sobre minha vida”, diz PC.

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QUERIDINHA A influenciadora Maju Trindade. A forte presença nas redes sociais conquistou uma legião de fãs (Foto: Stefano Martini/ÉPOCA)

 

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Apesar de ser um dos primeiros youtubers do país, PC está longe de ser pioneiro nessa movimentação rumo ao mundo literário. Desde o ano passado, livros de autoria de youtubers vêm tomando as prateleiras das livrarias a passos firmes. Segundo a Nielsen BookScan, empresa que monitora o mercado editorial, cerca de 33 youtubers lançaram títulos nos últimos 12 meses. Eles seguem a trilha aberta pela youtuber Kéfera Buchmann, do canal 5inco minutos. Seu livro Muito mais do que 5inco minutos (Paralela, 144 páginas, R$ 24,90) vendeu mais de 400 mil exemplares em 2015, o que colocou Kéfera em 6o lugar na lista dos dez autores brasileiros com mais vendas de livros no ano passado.Em média, um lançamento de um autor brasileiro contemporâneo fica em torno de 3 mil exemplares por edição.

Em 2016, no encalço de Kéfera, vieram Julia Tolezano, do canal Jout Jout Prazer, cujo livro Tá todo mundo mal (Cia. das Letras, 200 páginas, R$ 29,90) vendeu 35 mil cópias desde maio, e Karol Pinheiro, cuja biografia As coisas mais legais do mundo figura entre os 20 mais vendidos da lista de não ficção de 2016 da Nielsen. A mais recente integrante do clube das youtubers literárias é a transexual Amanda Guimarães, do canal Mandy Candy, que acaba de lançar a biografia Meu nome é Amanda (Fábrica 231, 136 páginas, R$ 19,50).

O YouTube surgiu como uma plataforma para vídeos amadores em 2005. O mote original era “transmita-se”. Com o tempo, o site tornou-se o palco para todo tipo de criador de conteúdo. A gama de produtos vai de videoblogs a webséries, passando por vídeos de “faça você mesmo”. Munidos de uma câmera e um programa de edição, eles contam causos da vida, comentam acontecimentos do mundo da política e da cultura, fazem piadas de si próprios, criam tutoriais de maquiagem e ensinam receitas culinárias. Tudo ao alcance de um clique.

QUIMERA PC Siqueira em seu apartamento, em São Paulo. Seu livro mistura realidade e ficção (Foto: Anna Carolina Negri)

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PC Siqueira em seu apartamento, em São Paulo. Seu livro mistura realidade e ficção (Foto: Anna Carolina Negri)

 

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Os youtubers evoluíram junto com a plataforma. Alguns canais têm audiências de fazer inveja a programas de televisão e muitos youtubers criaram suas próprias marcas. Passaram a usá-
las como trampolim para turnês, carreiras musicais, aparições em filmes e no teatro. PC, Kéfera Buchmann, Christian Figueiredo e Jout Jout, que também têm contas no Instagram, no Twitter, no Snapchat, no Facebook e em qualquer nova rede social que surgir, tornaram-se estrelas com milhões de seguidores ávidos por consumir qualquer conteúdo produzido por eles. Os fãs pagam para participar de encontros com as webcelebridades na esperança de conseguir um autógrafo ou um selfie.

Não tardou para que as editoras brasileiras passassem a ver nos youtubers uma oportunidade para alavancar os negócios de um mercado com queda nas vendas e alta nos custos de produção. Como grande parte dos livros comercializados é internacional, o dólar mais caro fez com que os preços de aquisição de títulos quadruplicassem. Era preciso focar em algo local e mais barato. Para as editoras, os youtubers se tornaram uma fonte de autores nacionais acessíveis e conhecidos do público. Acabaram virando uma âncora do mercado, depois do fim da febre dos livros para colorir.

NO CONTROLE O gamer Pedro Afonso Rezende Posso. Além de divertir os jovens com seus vídeos, ele quer incentivar a leitura (Foto: Stefano Martini/ÉPOCA)

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O gamer Pedro Afonso Rezende Posso. Além de divertir os jovens com seus vídeos, ele quer incentivar a leitura (Foto: Stefano Martini/ÉPOCA)

 

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“O youtuber é produtor e vendedor do próprio conteúdo e traz consigo um consumidor voraz”, afirma Ismael Sousa, gestor da Nielsen BookScan Brasil. “A matemática é simples: mais conteúdo, plataformas e mídia equivalem a mais fãs e mais receita”, afirma David Craig, especialista em transmídia e professor de comunicação da Universidade do Sul da Califórnia. “Esses livros apelam para os superfãs, que querem um livro físico em suas mãos como prova de que são membros vitais da comunidade do youtuber.”

Por causa desse senso de comunidade existente entre os youtubers e os fãs, as biografias figuram entre os subgêneros mais explorados pelas editoras. No domingo do Dia dos Pais, 14 de agosto, 200 adolescentes se reuniram na praça de alimentação do Botafogo Praia Shopping, no Rio de Janeiro, para a sessão de autógrafos do livro Maju (Paralela, 168 páginas, R$ 29,90), de Maju Trindade. A youtuber fez 18 anos em junho, mas já lançou sua biografia, escrita em parceria com a escritora e ex-VJ da MTV Jana Rosa. Ainda pré-adolescente, Maju publicava vídeos no YouTube nos quais falava sobre o dia a dia na escola e suas crises – ela filmava tudo escondido com a câmera da avó.

Do YouTube, Maju migrou para outras redes sociais como (mais…)

Editoras apostam em biografias e diários de jovens celebridades para atrair novos leitores

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'O diário de Larissa Manoela' se transformou em um verdadeiro best-seller (foto: Reprodução/Instagram)

‘O diário de Larissa Manoela’ se transformou em um verdadeiro best-seller (foto: Reprodução/Instagram)

 

Livros que contam a trajetória de artistas como Larissa Manoela, Kéfera Buchmann e Luan Santana estão entre os mais vendidos do país

Ana Clara Brant, no UAI

O cantor sertanejo Luan Santana tem 25 anos. A vlogueira e apresentadora Kéfera Buchmann tem 23. O astro teen norte-americano Justin Bieber completou 22 anos. Já a atriz e cantora Larissa Manoela, revelação do SBT/Alterosa, tem apenas 15 aninhos.

Mesmo com pouca idade, esses artistas já lançaram biografias ou diários em que relatam suas trajetórias de vida. E o mais curioso é que essas obras se tornaram verdadeiros best-sellers.

O diário de Larissa Manoela, por exemplo, publicado há menos de um mês e que apresenta a história da atriz, as dificuldades pelas quais passou até chegar ao estrelato e seu cotidiano de celebridade, já é um dos livros mais vendidos do país. Até o fim da semana passada, ele tinha alcançado o número de 46.685 exemplares.

Luan Santana – A biografia, do jornalista Ricardo Marques, chegou ao mercado há pouco menos de um ano e já soma 40 mil livros vendidos.

Muito mais que 5incominutos, sobre a sensação da internet Kéfera, foi a publicação mais vendida da Bienal do Rio de 2015, com cerca de 400 mil exemplares, e chegou a ganhar elogios de Paulo Coelho e Gregório Duvivier.

“Há hoje, como nunca antes no Brasil, um público jovem leitor e consumidor. É natural que o mercado editorial tente a atender a esse gosto. E isso é um fenômeno não só daqui, mas de vários países. Livros sobre artistas jovens fazem sucesso no mundo todo. A novidade brasileira é que hoje temos um público para esses lançamentos. Isso, sim, um fenômeno: a garotada, entre 14 e 17 anos, que tem na leitura o principal entretenimento. É mercado novo que se abre. E é também uma chance para que tenhamos, nos próximos anos, um novo público leitor adulto”, comenta Carlos Andreazza, editor executivo de não ficção e ficção nacional da Editora Record, responsável pela biografia de Luan Santana.

Editora da Gutenberg, Silvia Tocci Masini também defende essa tendência e acredita que essas obras aproximam o artista do público.

“Ainda que todas as informações estejam nas redes sociais, você tem bastante informação em um lugar só. O livro meio que eterniza o autor. Ele deixa a sua marca, sua história registrada. As redes sociais permitiram a aproximação dos fãs como ‘amigos’ desses popstars e um movimento de aquisição de qualquer produto ou informação que seja da personalidade em questão. Quando existe o livro, você reúne em um só lugar essas informações e até mesmo de maneira mais aprofundada, eternizando essa personalidade”, opina.

A grande maioria dos leitores dessas publicações é formada por fãs das celebridades, mas isso não impede que outras pessoas possam se interessar ou mesmo estimular a leitura entre essas pessoas. É o que defende Carlos Andreazza.

“É um público composto basicamente de fãs. Mas daí pode surgir interesse em outros livros, daí pode surgir um leitor. Temos de apostar nisso, no óbvio: leitor só se forma com leitura. Se há um jovem lendo, não importa o que, há esperança. Todo mundo tem biografia, eu, você. A questão é saber se essa biografia interessa a alguém”, defende.

Boa parte das jovens celebridades que tem publicado livros é formada pelos youtubers. Muitos deles vão “invadir” a 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que ocorre no fim de agosto, para participar de lançamentos, sessões de autógrafos e debates.

A própria Kéfera Buchmann se prepara para lançar no evento sua segunda obra, Tá gravando. E agora?, novamente pela Editora Paralela, do Grupo Companhia das Letras. Nele, a estrela da web conta como surgiu seu canal 5incominutos, atualmente com mais de 8 milhões de assinantes, e revela detalhes até então inéditos.

Outros astros da internet – Lucas Rangel, Jout Jout e PC Siqueira –, também vão marcar presença na grande feira. Fenômeno de público, o mineiro Marco Túlio Matos Vieira, de 20 anos, é criador do AuthenticGames, canal no YouTube com 6 milhões de seguidores, em que ele mostra seus gameplays de Minecraft, jogo eletrônico que permite a construção usando blocos (cubos) dos quais o mundo é feito.

Em março, Marco fez sua estreia nas letras e lançou Authentic Games – Vivendo uma vida autêntica, em que os leitores ficam sabendo como surgiu o projeto do canal, quem são os amigos da internet que o Authentic levou para a vida real e um pouco da sua trajetória.

O youtuber também estará na bienal paulista lançando seu segundo livro, Authentic games – A batalha da torre, que dará início a uma trilogia. O segundo sairá em novembro, e o terceiro em fevereiro do ano que vem.

Entre os youtubers brasileiros, o primeiro a se aventurar na literatura foi o carioca Felipe Neto (foto: Reprodução/Facebook)

Entre os youtubers brasileiros, o primeiro a se aventurar na literatura foi o carioca Felipe Neto (foto: Reprodução/Facebook)

 

Mudança no consumo
Entre os youtubers, o primeiro a se aventurar na literatura foi o carioca Felipe Neto, de 28 anos, com o livro Não faz sentido – Por trás das câmeras, que chegou às livrarias em 2013.

A publicação conta a história do garoto que saiu do anonimato até sua exposição meteórica, os bastidores envolvendo seus vídeos, os desentendimentos com as celebridades, o processo de criação do Não faz sentido, considerado o primeiro canal em língua portuguesa a atingir a marca de 1 milhão de assinantes.

Felipe faz questão de deixar claro que seu livro não se trata de uma biografia, apesar de dar detalhes de sua vida e de seu dia a dia.

“Meu canal tinha explodido e desde 2011 eu passei a escrever como o cenário do entretenimento tinha mudado, de que maneira as pessoas estavam consumindo o YouTube. Sempre quis mostrar essa história e não necessariamente a minha história. Ela só serviu de pano de fundo porque mostro a origem do meu personagem, do próprio canal”, explica ele, que também descreve como a internet vai moldar uma nova geração.

Felipe Neto é apaixonado por literatura e conta que começou a escrever aos 8 anos. Criava historinhas de ficção que foram se tornando um verdadeiro vício.

“Por isso, acho muito sério essa banalização do livro. A pessoa pega o que publica ou fala na internet e adapta para um livro. O que mais se vê hoje são jovens de 15, 16 anos publicando diários, biografias, sendo que nem conteúdo para isso eles têm”, alfineta.

O vlogueiro ainda lamenta que essas iniciativas partam das própria editoras, que oferecem rios de dinheiro para que as webcelebridades possam escrever suas trajetórias.

“Eu mesmo já passei por isso e não aceitei. Tem livro sendo escrito da noite para o dia, literalmente. E, muitas vezes, como alguns youtubers não sabem escrever direito, a editora contrata um ghost writer (escritor fantasma) para escrever no lugar deles. É uma vergonha e, sinceramente, acho muito triste”, desabafa.

MAÍSA
Outra jovem atriz que está brilhando nas novelas do SBT/Alterosa vai ganhar seu próprio livro. Maísa Silva, de 14 anos, ficou conhecida do grande público com suas hilárias participações quando criança no Programa Silvio Santos.

Ela também estará na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. A obra sairá pela Editora Gutenberg, do Grupo Autêntica, mas não será uma biografia. De acordo com o selo, o livro traz muito da visão e das posições de Maísa, permitindo que o público a conheça a partir desses pontos de vista.

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Também não vão faltar trechos com algumas experiências de sua vida. “O que o livro propõe é apresentar discussões mais aprofundadas da atriz como formadora de opinião, que atualmente se posiciona diariamente nas redes sociais. Ela cita algumas experiências vividas para debater ou levantar um assunto, mas não necessariamente conta sua vida no livro”, esclarece a editora da Gutenberg, Silvia Masini.

7 biografias de empreendedores para você ler e se inspirar

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O apresentador Silvio Santos: biografia do empresário é uma das indicadas por especialista em empreendedorismo

O apresentador Silvio Santos: biografia do empresário é uma das indicadas por especialista em empreendedorismo

Mariana Desidério, na Revista Exame

Existem muitas histórias de sucesso no Brasil e no exterior que se tornaram livros e já se tornaram clássicos como as biografias de Steve Jobs criador da Apple, Bill Gates da Microsoft, Oprah Winfrey uma das mais mulheres mais poderosas do mundo, a trajetória de Silvio Santos de camelô a megaempresário da TV, os percalços do Comandante Rolim Amaro que transformou uma pequena empresa de táxi aéreo – a TAM – numa gigante da aviação e a ascensão e queda de Eike Batista.

Veja as dicas abaixo:

1 – “A Fantástica História de Silvio Santos” – do jornalista Arlindo Silva. Uma das histórias mais fascinantes do empreendedorismo brasileiro. Narra a história de Silvio Santos desde as dificuldades do início até os dias atuais. Hoje todo mundo o conhece como dono do SBT e empresário bem-sucedido. Mas o que os mais jovens desconhecem é que Silvio Santos começou como camelô no centro de São Paulo e que fez fortuna ao criar o ‘Baú da Felicidade’ no qual clientes pagavam um carnê anual e depois de quitado trocavam por um produto nas lojas do Baú. A facilidade de comunicação, o raciocínio rápido e a capacidade de aproveitar oportunidades são características de Silvio Santos e servem de inspiração para os empreendedores.

2 – “O sonho brasileiro” – do jornalista Thales Guaracy. Biografia do Comandante Rolim Amaro, o fundador da TAM. O livro mostra a trajetória de Rolim Amaro, que nasceu no interior do estado de São Paulo, teve uma infância pobre trabalhou como caminhoneiro, vendedor de bebidas mas nunca deixou seu sonho de lado: ser piloto de avião. O sonho foi além, o comandante Amaro transformou uma pequena empresa de táxi aéreo regional – a Táxi Aéreos de Marília – em uma das maiores empresas de aviação do Brasil: a TAM. Além disso, trouxe inovação e revolucionou o atendimento, hoje quase que copiado por todas as empresas de aviação.

3 – “O X da Questão” – de Eike Batista. Autobiografia de um dos mais polêmicos empresários brasileiros. Neste livro ele conta a sua trajetória como empreendedor e ensina a sua metodologia de negócios, a visão 360 graus. Narra também as suas dificuldades como o começo da carreira como vendedor de seguros porta a porta, a aventura nos garimpos da Amazônia até se tornar megaempresário dono na marca X. Eike conta quais os erros cometidos em sua trajetória empresarial, seu segundo ele, o fizeram crescer.

4 – “Ou tudo ou nada” – da jornalista Malu Gaspar. Se Eike Batista contou sua trajetória sob o seu ponto de vista em “O X da Questão”, a jornalista Malu Gaspar pesquisou documentos e entrevistou pessoas próximas ao empresário para contar não só a história do Grupo X mas também a história de Eike Batista, que passou de megaempresário e um dos homens mais ricos do mundo a um investigado pela polícia que teve seus bens apreendidos pela justiça. Pode ser lido também como uma investigação sobre a política brasileira dos últimos anos. Traz dicas importantes sobre gerenciamento e gestão empresarial, principalmente ao mostrar a derrocada das empresas.

5 – “Bilionários por Acaso: A Criação do Facebook” – de Ben Mezrich. Transformado no filme de sucesso “A Rede Social”, este livro conta a história dos estudantes de Harvard que criaram um dos maiores fenômenos da internet: o Facebook. O relato feito por Ben Mezrich conta a disputa entre o norte-americano Mark Zuckerberg e o brasileiro Eduardo Saverin e fala sobre o desenvolvimento do projeto. Se o filme “A Rede Social” diminui a participação do brasileiro no projeto, esta biografia mostra que Saverin foi fundamental para nascimento e expansão do Facebook.

6 – “Steve: Jobs a Biografia” – de Walter Isaacson. Um livro com mais de 600 páginas pode assustar muita gente. Mas este não é o caso da biografia de um das mentes mais inovadoras do planeta. Conta a história do criador da Apple desde a sua juventude, seus projetos, as dificuldades de coloca-los em prática, a associação com outros inovadores como Steve Wosniack, seus erros e acertos como empreendedor. Lançado logo após a morte de Steve Jobs, este livro mostra que a inovação deve ser a base de tudo.

7 – “Oprah: uma biografia” – de Kitty Kelley. A história de uma das mulheres mais influentes do planeta. Como a grande maioria dos empreendedores de sucesso, Oprah Winfrey enfrentou dificuldades – uma delas o racismo – até se tornar dona de uma fortuna que chega perto dos 3 bilhões, dona de emissoras de TV, editoras e uma variedade de outros negócios. É mais do que uma história de vida. Mostra que mesmo sendo uma mulher de sucesso planetário Oprah tem dilemas e dificuldades como todas as pessoas.

 

Indicação de biografias de empreendedores para ler e se inspirar. Escrito por Renato Kuyumjian, especialista em empreendedorismo. Renato Kuyumjian é sócio-fundador da Quinta Valentina

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