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Promessa de Aécio e Dilma, educação integral não é garantia de ensino melhor

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Especialistas estimam ainda que investimento do governo federal no ciclo fundamental teria de crescer 50% para a ampliação do modelo

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Bianca Bibiano, Veja

A educação em tempo integral, modalidade em que o estudante fica ao menos sete horas na escola, é uma das bandeiras dos candidatos à Presidência na corrida eleitoral. O tema ganhou mais força na semana passada quando Marina Silva (PSB), terceira colocada no primeiro turno, apresentou uma lista de exigências para declarar apoio a Aécio Neves (PSDB). A proposta estava lá. Apresentada como estratégia central para o aprimoramento da educação básica no país, a educação integral merece mais reflexão do que permitem as respostas, réplicas e tréplicas dos debates de TV.

Para especialistas ouvidos por VEJA.com, a promessa de expansão da jornada escolar não leva em conta o aumento de investimentos necessário para que as escolas não se tornem meros depósitos de crianças em tempo integral. Isso teria impacto nas contas da União e também de governos locais. Hoje, o governo federal complementa o custeio da educação repassando a Estados e municípios recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), um bolo que este ano gira em torno de 2,05 bilhões de reais.

“As escolas que oferecem período integral recebem, do Fundeb, recursos entre 10% e 30% superiores às demais. Contudo, os valores repassados só são suficientes porque a maior parte das atividades do contraturno são realizadas em parceira com ONGs e voluntários, não com professores”, diz Marcelino de Rezende Pinto, professor da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em financiamento da educação. “Para fazer a ampliação da jornada com qualidade, o repasse deveria ser 50% maior.”

O aumento de 50% nos repasses cobriria despesas com professores, alimentação, compra de material, água e luz. A construção de novos prédios, necessária para atender ao eventual aumento da demanda por ensino integral, não entra no levantamento. “Ainda que o governo aumente o repasse do Fundeb, a fonte continua sendo a mesma: os impostos. Para cumprir as promessas, portanto, será preciso criar novas fontes de recursos e convencer Estados e municípios a aumentar seus investimentos próprios”, afirma o pesquisador.

O economista Marcelo Neri, ministro-interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, aponta outra questão sensível sobre a ampliação da escola em tempo integral: a qualidade. Neri é autor de um dos principais estudos sobre ensino integral no Brasil, no qual relaciona o tempo em que os estudantes ficam na escola e as notas que eles obtêm no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que reúne aferições sobre a qualidade do ensino público no país, como a Prova Brasil.

Cruzando dados de questionários da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2006 e do Saeb de 2005, ele constatou que mais tempo na escola não é sinônimo de melhor aprendizado. Um exemplo: alunos do ensino médio que tinham entre quatro e seis horas de aula por dia obtiveram, em média, 34,67 pontos a mais no Saeb do que seus pares que estudavam no máximo quatro horas (o conceito mais alto obtido no país naquele ano foi 282,5). Contudo, aqueles que tinham mais de seis horas de aula por dia obtiveram apenas 3,25 pontos adicionais em relação às turmas de quatro horas. Ou seja, a melhoria é quase imperceptível quando se expande o ensino para além de seis horas, como propõem os candidatos — e também como prevê o Plano Nacional de Educação como objetivo para 2024.

“A expansão da jornada pode ser prejudicial quando não é pautada por uma política pública que zele pela qualidade do ensino. Apenas aumentar o tempo de aula sem previsão do que deverá ser ensinado pode prejudicar o desempenho do estudante”, diz Neri. “Além de mostrar que mais tempo na escola não necessariamente significa melhor desempenho, a pesquisa revelou que à medida que o estudante fica mais velho cresce sua resistência ao ensino integral, e suas notas caem.”

Segundo a proposta da candidata-presidente Dilma Rousseff (PT), 20% da rede pública de ensino deverá funcionar na modalidade integral até 2018. Atualmente, essa taxa é de 13,2% das matrículas, de acordo com Censo Escolar 2013. Para cumprir a meta, Dilma promete expandir o programa Mais Educação, tido pelo MEC como o principal responsável pelo crescimento de 45,2% das matrículas em tempo integral entre 2011 e 2013. O programa repassa verbas para 58.293 escolas de ensino fundamental estaduais e municipais, que oferecem cursos de artes, esportes e reforço escolar no contraturno. Quem dá os cursos, contudo, não são professores, mas sim monitores contratados em regime de voluntariado. Cada escola recebe entre 20.000 e 22.000 reais ao ano para pagar os custos da expansão da jornada, o que inclui alimentação, material, transporte e pagamento dos monitores.

Já a proposta de Aécio prevê a expansão do tempo integral de acordo com as metas definidas pelo Plano Nacional de Educação. De acordo com o projeto de governo do tucano, o tempo extra na escola seria usado para “atividades de áreas mais técnicas e científicas, ou ciências sociais e humanidades, ou ainda o aprendizado prático para as profissões em parceria com o setor produtivo”. Como governador de Minas Gerais (2003-2010), Aécio criou um programa estadual de educação integral em parceria com municípios. Em 2013, 10% dos alunos eram atendidos em jornada ampliada.

Para a educadora Isabel Cristina Santana, superintendente da Fundação Itaú Social, um dos desafios que o eleito(a) terá pela frente será adequar a infraestrutura das escolas. “A proposta de deixar crianças o dia inteiro na escola cai bem entre eleitores e famílias. Mas a maioria das escolas brasileiras oferece aulas em três turnos de aula. Para suprir a demanda por mais espaço, uma alternativa é utilizar espaços comunitários como clubes, museus e bibliotecas. Essa dinâmica está dando certo fora do Brasil e certamente reduziria os custos de implantação de um programa em escala federal.”

Com novos aplicativos, audiolivro tenta se reinventar no Brasil

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Narrador grava livro em áudio na sede da Ubook no Rio de Janeiro: concorrente da Tocalivros, empresa tenta conquistar mercado consumidor no país - Leo Martins / Agência O Globo

Narrador grava livro em áudio na sede da Ubook no Rio de Janeiro: concorrente da Tocalivros, empresa tenta conquistar mercado consumidor no país – Leo Martins / Agência O Globo

Formato busca segunda chance no mercado, após fracassadas tentativas com fitas cassetes e CDs

Mauricio Meireles, em O Globo

RIO – No início, eles eram vistos como opção para deficientes visuais. Depois, como solução para quem queria ler no trânsito. Hoje, desconectados de mídias físicas como o CD, os audiolivros tentam uma nova chance no mercado brasileiro, esperançosos com as bem-sucedidas experiências do exterior.

Dois aplicativos tentam, agora, ganhar o leitor brasileiro. O primeiro é o Ubook, lançado há algumas semanas. O segundo é o Tocalivros, que se prepara para iniciar suas operações no fim do mês. Com modelos de negócios distintos, o objetivo dos dois é o mesmo: oferecer livros em áudio para quem reclama da falta de tempo. A ideia é “ler” simultaneamente a outras atividades.

O Tocalivros aposta em um modelo de negócios mais tradicional: editora e autor são remunerados pela venda de cada livro, cujo preço fica entre o da edição física e o do e-book. Já o Ubook aposta em um modelo que ainda não decolou no Brasil: o de assinaturas. Nele, o cliente paga um valor mensal (R$ 18,90, por cartão, e R$ 4,99, se for via operadora de telefonia) e escuta o que quiser. No mercado de e-books, as editoras brasileiras nunca quiseram embarcar nesse modelo, por falta de solução para remunerar a si mesmas e a seus autores. Sem falar do medo de terem suas vendas físicas engolidas por serviços como esses.

— Fazer assinatura para e-books é difícil, porque as editoras já têm um faturamento com o impresso. Mas o audiolivro não compete com o livro físico, por isso é mais fácil usar esse modelo — afirma Flavio Osso, CEO da Ubook, lembrando que, no modelo da empresa, a editora recebe para manter o livro na plataforma e também de acordo com a audiência de seu título.

unnamed-1.pngA Ubook e a Tocalivros tentam convencer as casas editoriais a firmar parceria com elas com um argumento infalível: o bolso. Embora editoras tenham, por contrato, direito a explorar a versão em áudio de seus títulos, a produção de cada um pode chegar a R$ 20 mil. Assim, as duas empresas se oferecem para produzir, sem custos para a editora, cada audiolivro. Para isso, ambas contam com um time de atores, locutores e dubladores.

— O CD e a fita tinham um problema de distribuição, que é o mesmo do livro físico. Com os aplicativos, isso está resolvido — afirma Ricardo Camps, sócio da Tocalivros, que não revela com que editoras já fechou acordos. Já a Ubook assinou contrato com a Ediouro e diz estar acertando com outras grandes casas.

Menos de mil títulos

É um mercado ainda pequeno no país. Os levantamentos feitos pelas duas empresas antes de iniciar a empreitada mostram que existem entre 600 e 1.000 títulos em áudio no Brasil. Para se ter uma ideia, a pesquisa anual da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP, feita sob encomenda da indústria livreira, nem contabiliza audiolivros.

— Acho que ainda não chegou o momento do formato, mas ele está mais próximo. As experiências anteriores falharam pela demanda limitada e pelos custos relativamente altos, que incluíam a necessidade de manter um estoque de CDs. O novo modelo de distribuição cria uma nova oportunidade — afirma Roberto Feith, diretor da Editora Objetiva, que ainda não fechou contrato com as duas novas empresas.

Tocalivros e Ubook têm o mercado americano como inspiração. Em 2013, a Amazon comprou a Audible, empresa de audiolivros, por US$ 300 milhões. E, nos EUA, o formato começa a ressurgir. Hoje, estima-se que seja um mercado de R$ 1,2 bilhão. A pesquisa mais recente da Audio Publishers Association mostra que, de 2011 para 2012, seis milhões a mais de audiolivros foram vendidos. A esperança dos brasileiros é que o fenômeno se repita aqui.

Sophia Loren revela detalhes de biografia que chega ao Brasil

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Sophia Loren completou no mês passado 80 anos de idade. Foto: Divulgação

Sophia Loren completou no mês passado 80 anos de idade. Foto: Divulgação

A diva está lançando sua autobiografia Ontem, Hoje e Amanhã – Minha Vida Como um Conto de Fadas, que chegará ao Brasil pela Record
Publicado no D24.am
São Paulo – Uma caminhada. Como aquela que marcou a história do cinema pelas ruelas pobres de Nápoles no filme Two Women. Uma jovem linda, talentosa, caminhando com a cabeça erguida, peito estufado, decote semiaberto, feliz e indo em direção a um destino que parecia programado. Sophia Loren completou no mês passado 80 anos de idade. Se o rascunho do script dessa história poderia apontar para uma vida recheada de dificuldades, ela o transformou em uma história de superação e em um conto de fadas.

Última diva do século 20 ainda viva, Sophia está lançando sua autobiografia Ontem, Hoje e Amanhã – Minha Vida Como um Conto de Fadas, que chegará ao Brasil em uma tradução publicada pela Record. Nele, conta como não teve um pai, não tinha uma casa, não tinha um sobrenome – e as tragédias da Segunda Guerra Mundial apenas se acumulavam diante de uma família que lutava para sobreviver.

Mas sua vida começaria a mudar pouco tempo depois de as bombas silenciarem. Seu primeiro concurso, ela ganhou vestindo uma roupa que sua avó fez usando a cortina da casa. O prêmio foi um rolo de papel de parede que permitiu que a família cobrisse algumas das cicatrizes deixadas nas paredes de casa pelas bombas durante a guerra. Se durante o conflito ela chegou a ser obrigada a dormir em tubos dos esgotos de sua cidade, Pozzuoli, com menos de 18 anos era sua renda que sustentava a casa. Anos depois, tinha refeito a história de sua família.

Dos cortiços onde começou sua vida à suíte presidencial de um dos hotéis mais caros do mundo em Genebra, ela falou ao Estado com exclusividade. Elegante, com enormes brincos de brilhantes e seus óculos inconfundíveis, a italiana não perdeu as expressões em seu rosto que a fizeram uma das atrizes mais cobiçadas pelos diretores. Num longo sofá, Sophia falou de forma pausada e mansa sobre sua vida.

Ao Brasil, todos os elogios do mundo. “Que lindo país.” Mas só um aspecto a incitou a fazer uma brincadeira: a humilhação do Brasil na Copa. “Vocês foram um desastre. Fiquei muito chateada. A Itália não foi bem. Mas 7 x 1, 7 x 1! Imagino a festa, a música que teria sido se o Brasil tivesse vencido”, lamentou. Eis os principais trechos da entrevista:

Por que publicar uma autobiografia agora?
Muita gente escreveu livros sobre mim. Algumas vezes, eu sabia que o livro estava sendo escrito, outras, não e era uma surpresa. Então, eu disse a mim mesma que deveria escrever algo. Como esse é um ano importante para mim, decidi que deveria dar uma declaração. Escrever, de fato, como minha vida começou e repassar ela inteira. Claro, tenho material suficiente para isso. As pessoas que conheci, as correspondências. Comecei a escrever, aos poucos, e me dizia: ‘Vamos ver o que vai acontecer. Se eu gostar, darei a alguém para publicar’.

A senhora mantinha algum diário durante todos esses anos?
Sim. Mas, depois de 20 anos, eu estava arrumando minha casa e vi todos esses diários. Comecei a lê-los. Pensei: ‘O que é que vai acontecer com todo esse material se eu tiver um acidente de carro ou morrer?’. Aquele material era algo que pertencia apenas a mim. Nem mesmo aos meus filhos. Não porque existiam coisas que não deveriam ser lidas. Mas porque eram pessoais. Comecei a rasgar as páginas das coisas que eu não gostava. Mas, então, parei e pensei: ‘Por que estou fazendo isso? Vou queimar tudo e estará tudo terminado’. Foi isso que fiz e fiquei muito feliz. Agora, a cada ano, escrevo um diário. Mas destruo no final.

No livro, a senhora conta como chegou a dormir em um tubo de esgoto para fugir das bombas na Segunda Guerra Mundial. Como foi sua infância?
Foi difícil como a de qualquer família normal daqueles anos. Vivemos momentos difíceis com a guerra. Infelizmente, nasci no ano que o mundo explodia. Vi todas as coisas ruins que a guerra traz consigo. Vegetamos. As escolas fecharam, pela noite não podíamos dormir. Crianças não sabem se expressar e veem coisas que não estão certas, e não conseguem dizer e entender o motivo. Foi muito ruim.

E qual foi seu primeiro contato com o cinema?
Foi logo depois da guerra. Quando os americanos começaram a chegar, o único prazer era ir ao único cinema e ver filmes. Ver locais lindos, mulheres lindas, roupas lindas. Fomos com as nossas fantasias. Imaginando estar naqueles locais. Às vezes, em casa, eu e minha irmã imitávamos o que víamos. Agora, isso não era suficiente para mim e para minha irmã. Tivemos o destino cruel de não ter um pai. Na verdade, tínhamos. Mas ele não cuidava de nós.

E qual era essa fantasia que a senhora carregava ao ir ao cinema naquele momento?
Meu sonho era o de ter uma família, como minha amiga do apartamento que havia do outro lado da rua. Ter um pai, ter irmãos, uma família, dinheiro suficiente para colocar um prato de comida na mesa.

A senhora conta no livro como era, ainda muito jovem, de fato, a chefe da família.
Sim, com 15 ou 16 anos.

A senhora tinha consciência dessa responsabilidade?
Não. Tudo aconteceu de forma natural. Para mim, era a rotina. Eu era a única a quem foi pedido que se fizesse algo.

O primeiro momento de triunfo foi ter vencido um concurso de beleza em Nápoles. O prêmio foi equivalente a US$ 35, rolos de papel de parede e uma bilhete de trem para Roma. Quando entrou nesse trem, imaginou que seria um bilhete só de ida na sua carreira?
Não. Ser uma estrela era um motivo de gargalhada para mim. Eu não acreditava. Mas foi uma chance que tive. Estava escrito em algum lugar que, um dia, eu conseguiria atingir tudo isso. Sinceramente acredito nisso. Mas, claro, para chegar a isso, tive de trabalhar muito. O trabalho psicológico, minha pouca idade.

A senhora aponta De Sica como responsável por tê-la formado como atriz. Por quê?
Nós nos encontramos. O primeiro encontro foi muito estranho. Depois, fui ao seu escritório, conversamos. Ele vinha da mesma cidade que eu – Nápoles -, falávamos a mesma língua. Havia um filme que ia produzir, O Ouro de Nápoles. Eles precisavam de uma garota linda, 18 ou 17 anos, de Nápoles. De Sica, então, me disse que era muito bom, já que, no filme, o nome da garota era justamente Sofia. Ali mesmo, ele me disse que me queria no filme e que, em dois dias, eu deveria estar em Nápoles para a filmagem. Quando abri a porta e deixei seu escritório, desmaiei. De Sica era o grande nome.

E como foi essa primeira experiência?
Era tudo novo para mim. E havia muita gente na rua vendo a filmagem. Eu não era ninguém. Mas as pessoas estavam lá para ver De Sica. De repente, me vi em meu lugar, na minha cidade. De Sica costumava interpretar e ensaiar cada um dos personagens do filme. Fazia o papel de todos. Quando ele fazia o meu papel, me dei conta que ele fazia exatamente as coisas que eu fazia. Vínhamos do mesmo lugar, com as mesmas emoções, mesma ironia. Começamos a trabalhar e senti que eu era o seu instrumento. Foi uma alegria.

Foi nesse filme que a senhora encenou provavelmente uma das caminhadas mais famosas da história do cinema. Como aconteceu aquele momento?
No começo, as pessoas que estavam ali não davam bola para mim. Mas, aos poucos, senti que aquele pequeno mundo começou a se transformar em meu amigo. Pensei que, se isso acontecia todos os dias, é porque eu tinha algo a dar àquelas pessoas ali. Comecei a brincar com as pessoas, comecei a atuar para eles. Aos poucos, você vai entendendo a psicologia do que as pessoas querem. Claro, precisa sempre estar em alerta. Mas eu não era estúpida.

A dupla que a senhora formou com Marcello Mastroianni também marcou época no cinema.
Ah, foi química. Desde o primeiro momento que fizemos um filme juntos, a comédia Too Bad she is Bad, gostaram de nós. Foi um grande sucesso. Os novos pedidos vieram, muitas vezes com De Sica, e começamos a fazer filmes dramáticos. Um dos melhores que fizemos foi A Special Day.

No filme Two Women, a senhora interpretou uma mãe sozinha com sua filha na guerra. Até que ponto estava interpretando a sua própria mãe?
Não é que interpretei a minha mãe. Era um personagem de uma mãe na guerra. Portanto, representava minha mãe para mim e o que ela teria feito em meu lugar se estivesse lá. Era uma questão de trabalhar com a fantasia.

Com esse filme, a senhora foi nomeada ao Oscar. Mas nem viajou até os EUA para acompanhar a cerimônia. Por quê?
Nunca um filme estrangeiro havia sido convidado. Quando fui escolhida entre as cinco, senti que era um grande passo. Era muito estranho que tivessem nomeado um filme em italiano. Claro, as atrizes sempre dizem que, quando estão entre as cinco, que já estão felizes. Mentira. Quando você está entre as cinco, você quer ganhar. Mas eu não acreditava e não queria me expor a algo que perderia. De todas as formas, eu pensei que, se ganhasse, eu iria desmaiar. E isso não seria legal no palco. Melhor desmaiar em casa.

Depois de atuar nos EUA, acredita que teve de voltar para a Itália e produzir filmes em sua língua, para ser reconhecida e concorrer a um Oscar?
Não. Fui eu quem mudei as regras nos EUA.
No Brasil, a senhora está associada ao fato de ter anunciado o Oscar para Roberto Benigni, no momento em que o País acreditava que poderia ganhar o prêmio com Walter Salles.
Ah, verdade? Não sabia.

Houve alguma influência da arte brasileira em sua carreira?
Sim, a música. Sem dúvida. Eu ia à loucura com a música brasileira, bossa nova, Tom Jobim, e com os filmes como Orfeu Negro. Além disso, eu ia filmar Tieta, de Jorge Amado.

Por que não aconteceu?
Porque fui para a prisão. Estava tudo pronto. Lina Wertmüller seria a diretora. Seria filmado no Brasil. Está até hoje engasgado na minha garganta.

Como foi a prisão?
Disseram que não paguei impostos sobre um filme que eu fiz. Há três anos, venci o caso. Ou seja, fui à prisão para nada. Mas foi uma experiência.

A senhora faz parte da história da beleza, que ganha novos contornos em cada época. O que é, para a senhora, a beleza?
Qualquer um pode ser lindo. Mesmo se a pessoa não é perfeita. Mas teu olhar precisa mostrar que você é feliz, positivo e que pode ter uma vida boa.

Marina Colasanti vence pela segunda vez o Prêmio Jabuti na categoria literatura infantil

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O livro escolhido, Breve História de Um Pequeno Amor, foi ilustrado pela argentina Rebeca Luciani

Naíma Saleh, na Crescer
Marina Colasanti vence pela segunda vez o Prêmio Jabuti na categoria literatura infantilNesta quinta (16) foram divulgados os vencedores da 56ª edição do Prêmio Jabuti, um dos mais respeitados da literatura nacional, que elege os melhores escritores e ilustradores em 27 categorias diferentes. O grande campeão no gênero infantil é o livro Breve História de Um Pequeno Amor, da escritora Marina Colasanti, publicado em 2013 pela Editora FTD. A autora já havia ganhado o Jabuti de 2010 com o livro Passagem em trânsito. Este ano, a obra vencedora também recebeu o prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) na categoria Criança Hors-Concours, além do selo Altamente Recomendável.

A narrativa é contada em primeira pessoa, em prosa poética. A história começa com um fato aparentemente banal: um problema de infiltração em um escritório. Quando a narradora-personagem recorre a um profissional para resolver a situação, a solução encontrada é a retirada das telhas. Eis que surge uma grande surpresa: embaixo delas, havia um ninho com uma pomba que escondia dois filhotes. “Eu os amei imediatamente”, narra a protagonista. A partir daí, a personagem passa a cuidar dos pequenos passarinhos – que tinham a cabeça grande demais para o corpo e nem sinal de pena. Ela os alimenta, mas um deles não resiste e morre. A protagonista continua então a cuidar de Tom, o pombinho que sobrou. É uma história que fala sobretudo de sentimentos: o ciúme ao ver seu pombinho crescer e interagir com uma passarinha, o medo de perdê-lo para a natureza, o desejo de que ele seja feliz e o amor. Acima de tudo, sempre o amor.

Na categoria infantil, os livros Da Guerra dos Mares e das Areias: fábula sobre as marés, do autor Pedro Veludo pela Editora Quatro Cantos, e Poemas que escolhi para crianças, de Ruth Rocha pela Editora Moderna, ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente.
Sobre a autora

Marina Colasanti nasceu em 1937 na Eritreia, um país situado no chifre da África, que na época ainda era uma colônia italiana. Passou sua infância na Líbia e, antes de vir ao Brasil, em 1948, morou 11 anos na Itália. Aqui, formou-se em Belas Artes, mas trabalhou como jornalista, escrevendo para jornais como Manchete e Jornal do Brasil. Como escritora e artista plástica, é ela quem ilustra a maior parte de suas obras.

Argentina e Costa Rica recebem mais alunos dos EUA do que o Brasil

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Por sabine, Blog Folha

O Brasil está no fim da lista de países para os quais os estudantes das universidades dos EUA –consideradas as melhores do mundo– viajam durante a graduação ou a pós. Só 1,4% dos alunos norte-americanos escolhem as instituições brasileiras para passar um período de estudos.

O destino preferido dos estudantes norte-americanos é o Reino Unido, com 12,2% do total de viajantes. Outros três países europeus –Itália, Espanha e França– aparecem na sequência. Um em cada quatro alunos dos EUA escolhe um desses países como destino de estudos.

As instituições brasileiras ocupam o 14º lugar da lista de destinos. O Brasil perde para países como Costa Rica (8º lugar), Argentina (11º) e Índia (12º). Os dados, de 2012, são do “Open doors report”, produzido recentemente pelo governo americano.

Para se ter uma ideia, cerca de 4 mil estudantes norte-americanos vieram para o Brasil em 2012. Do outro lado da rota, o tráfego é mais intenso: 10,8 mil estudantes brasileiros foram estudar em instituições de ensino superior americanas no mesmo período. O Brasil é o 7º país que mais envia alunos aos EUA; o primeiro, disparado, é a China, com 235,6 mil alunos enviados para os EUA em 2o12.

Por que isso é tudo importante?

Bom, o intercâmbio é fundamental para desenvolver a ciência e a produção do conhecimento. Os dados do relatório americano sinalizam que estamos indo bem quando se trata de enviar alunos para fora, mas estamos recebendo pouca gente de escolas de ponta.

O problema, claramente, não é a língua portuguesa. Se fosse uma questão meramente de idioma, Itália e França, que ensinam em seus respectivos idiomas italiano e francês, não receberiam tantos estudantes norte-americanos –e a Austrália (7º lugar na demanda) estaria mais para cima da lista.

POUCO ATRAENTES

Ao que tudo indica, as instituições brasileiras simplesmente não têm interessado os estudantes dos EUA. Isso é um bem ruim.

O estudante estrangeiro é muito bem vindo e deve ser cativado. Ele traz novos problemas, novas soluções, traz possibilidades de parcerias e de trabalhos futuros. E, na maioria dos casos, pode trazer dinheiro para a universidade e para a região.

As universidades norte-americanas sabem muito bem disso –as instituições “top” dos EUA têm, em média, 20% dos alunos estrangeiros. A Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, cidade onde estou nesse momento, tem cerca de metade dos alunos vindo de fora. Para se ter uma ideia, os EUA recebeu 819,6 mil estudantes estrangeiros em 2012. É muita gente. Todos pagam taxas nas universidades, aluguel, alimentação e outros serviços.

Vamos comparar: na USP, a melhor do país, a quantidade de alunos estrangeiros não chega a 4%. A maioria vem do Peru e da Colômbia. Ou seja: estamos atraindo, na maioria das vezes, apenas a vizinhança.

CIÊNCIAS HUMANAS

Quase metade dos alunos que faz intercâmbio nos EUA vem de ciências sociais, administração e humanas –o que ajuda a explicar a preferência por destinos como a França. Agora, o governo americano está tentando incentivar os alunos daqui a terem experiências fora do país.

Uma das ideias, de acordo com Mary Besterfield-Sacre, da Universidade de Pittsburgh, que é estadual, é incentivar os alunos especificamente de engenharia a terem experiências no exterior. Hoje, apenas 3,9% de quem estuda fora dos EUA está matriculado em alguma engenharia.

“O intercâmbio é importante para que os alunos entendam que projetos de engenharia muito bem sucedidos aqui nos EUA podem não funcionar em outros locais do mundo. É preciso conhecer diferentes realidades.”

Pronto: temos aqui uma oportunidade para o Brasil.

As instituições brasileiras têm, sim, potencial para atrair estudantes estrangeiros inclusive nas engenharias: de acordo com Besterfield-Sacre, o setor energético do Brasil, por exemplo, é extremamente interessante para estudos. Ela própria já veio ao Brasil com um grupo de alunos para visitar o sistema de geração de energia hidroelétricas. Só que ela ainda é uma exceção por aqui. Que tal trabalharmos para esse tipo de visita se torna cotidiana?

 

 

Esse post foi escrito de Pittsburgh, nos Estados Unidos, onde estou conduzindo uma pesquisa sobre educação, inovação e empreendedorismo com apoio da Fundação Eisenhower.

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