Diário da Maísa

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MEC e STF firmam acordo por doações de livros a presídios

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A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, recebe o ministro da Educação, Mendonça Filho - Nelson Jr./STF

A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, recebe o ministro da Educação, Mendonça Filho – Nelson Jr./STF

 

Publicado na Isto É Via Estadão

O Ministério da Educação e o Supremo Tribunal Federal (STF) assinaram, nesta terça-feira, 17, um acordo para a doação de cerca de 20 mil livros para 40 bibliotecas que serão montadas em presídios nacionais. A primeira entrega será feita na próxima semana em uma penitenciária feminina próxima a Belo Horizonte, segundo o ministro da Educação, Mendonça Filho, com a presença da ministra Cármen Lúcia, presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça.

O ministro explicou que o cronograma completo da entregas e os presídios que serão contemplados ainda estão em fase de definição, sob a coordenação da presidente do STF, que estará em contato com tribunais de justiça e secretarias estaduais de segurança. “A partir dessa primeira doação nós faremos um cronograma para as demais”, disse. O STF não confirmou ainda data e local da primeira entrega.

Segundo ele, os custos totais do projeto não estão definidos, e a montagem dos espaços físicos das bibliotecas dependerá das secretarias de segurança. “É um ato importante para garantir em diversas penitenciárias o acesso a bibliotecas. E, ao mesmo tempo também funciona como instrumento válido para a chamada remissão de pena, já que o preso pode remir (diminuir) a pena pela questão da leitura, de acordo com os critérios definidos pelo juiz de execução penal”, disse Mendonça, defendendo a leitura como instrumento importante para a “humanização” do sistema penitenciário brasileiro.

Mendonça também falou que está buscando viabilizar projetos para fornecer educação a distância e formação técnica a presidiários.

Enem

O ministro disse também que o MEC pretende oficializar na a separação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em relação à certificação da conclusão do Ensino Médio. Atualmente feita pelo Enem, essa atribuição passará a ser feita pelo Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). O Enem permanece com a função de definir o acesso ao Ensino Superior.

“O Encceja vai valer como certificado de conclusão do Ensino Médio. A partir do segundo semestre de 2017, oferecemos o Encceja ao sistema penitenciário nacional. E, para a ministra Cármen Lúcia, isto é muito positivo”, disse Mendonça.

Mendonça explicou que o motivo é ter uma prova mais adequada para a obtenção do certificado de conclusão do ensino médio, pois o nível de avaliação não deveria ser o mesmo exigido das pessoas que buscam acesso ao Ensino Superior.

O ministro disse que, de 8 milhões de candidatos ao Enem, apenas 1,2 milhão o fazem para obter a certificação de conclusão do ensino médio. E, deste 1,2 milhão, apenas 70 mil pessoas obtêm o certificado, cerca de 7%.

21 grandes livros publicados em 2016 no Brasil

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Guilherme Sobota, no Estadão

As listas de melhores do ano são quase sempre injustas, ainda mais quando são individuais, como essa. Por isso, selecionei 10 bons livros que li este ano entre a montanha de bons lançamentos que o mercado soltou desde o início de 2016 – por força do ofício, as leituras se concentraram entre ficção, biografias e quadrinhos, portanto a lista vai nessa pegada também.

Dicas para quem estiver procurando o que ler por aí, em ordem alfabética pelo título (e abaixo, mais uma listinha com outros que valem a pena, ou que foram reeditados, como a incrível Obra Completa, do Raduan Nassar).

cidade

CIDADE EM CHAMAS

Autor: Garth Risk Hallberg. Trad.: Caetano W. Galindo. Editora: Companhia das Letras (1.040 págs., R$ 69,90).

A enorme repercussão que o livro teve nos EUA talvez tenha enevoado seus méritos inegáveis. Escrito por um jovem e ambicioso escritor americano (são mais de mil páginas, ora), o livro tem uma estrutura interessante e narra um ano na vida de vários personagens na Nova York dos anos 1970: cenário irresistível, cujas questões ecoam, ainda, por todo canto.

COMO SE ESTIVÉSSEMOS EM PALIMPSESTO DE PUTAS

Autora: Elvira Vigna. Editora: Companhia das Letras (216 págs., R$ 44,90).

O melhor livro de Elvira Vigna até aqui é também o livro do ano no Brasil. Os livros de Elvira não são explicitamente políticos, mas, entre as camadas que se formam com a habilidade da escritora em narrar, existe, implícita, uma maneira muito única de ler as relações interpessoais, necessariamente políticas.

DETETIVE À DERIVA

Autor: Luís Henrique Pellanda. Editora: Arquipélago (224 págs., R$ 39,90).

Os textos de Detetive à Deriva revelam um observador profissional e quase obsessivo com o seu ambiente urbano – as ruas e praças servem de trampolim para olhares para a própria cidade, mas também para a família, para a política, para o amor, para a morte.

ENCLAUSURADO

Autor: Ian McEwan. Tradutor: Jorio Dauster. Editora: Companhia das Letras (200 págs.,R$ 39,90).

O narrador do novo livro do escritor britânico Ian McEwan é um intelectual humanista, racional, um virtuoso enólogo amante de uvas pinot noir. Ele está envolvido no clássico plot de Hamlet: sua mãe e o irmão de seu pai planejam a morte do progenitor. Ele deve agir. O problema é a sua condição de feto: “Então aqui estou, de cabeça para baixo, dentro de uma mulher”, começa o narrador. Leia mais.

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ENTRE UMAS E OUTRAS

Autora: Julia Wertz. Tradução: Eduardo Soares. Editora: Nemo (208 págs., R$39,90).

O divertido quadrinho da norte-americana Julia Wertz é um dos bons representantes da vertente autobiográfica das HQs escritas por mulheres. Aqui, ela é uma jovem adulta que se muda de São Francisco para Nova York, com um humor muito ácido e autodepreciativo. Uma beleza.

EU ESTOU VIVO E VOCÊS ESTÃO MORTOS

Autor: Emanuel Carrère. Tradução: Daniel Luhmann. Editora: Aleph (360 págs., R$49,90)

O livro publicado pela primeira vez no Brasil é uma biografia, digamos, heterodoxa: em vez de fuçar arquivos, documentos e decupar centenas de entrevistas, Carrère reconstruiu a vida do escritor norte-americano Philip K. Dick com base em uma biografia previamente publicada e no trabalho de ficção de Dick, além de um grupo pequeno de entrevistados. (mais…)

Crise derrota até Harry Potter e venda de livros cai no Brasil

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Livrarias: para especialistas, ninguém poderia salvar as vendas neste ano, exceto um novo fenômeno como "50 tons de cinza"

Livrarias: para especialistas, ninguém poderia salvar as vendas neste ano, exceto um novo fenômeno como “50 tons de cinza”

 

Nem fenômenos de vendas como Jojo Moyes, padre Marcelo Rossi e J. K. Rowling conseguiram salvar o mercado editorial neste ano

Publicado na Exame

Nem Jojo Moyes, dos best-sellers Como Eu Era Antes de Você e Depois de Você (Intrínseca), nem Padre Marcelo Rossi, tampouco o novo Harry Potter.

Duramente afetado pela crise econômica brasileira, o mercado editorial não teve um fenômeno de vendas em 2016, como acontecera em 2015 com os livros de colorir, e termina o ano sem um final feliz.

De janeiro a novembro, de acordo com o Painel das Vendas de Livros do Brasil, realizada pela Nielsen BookScan Team sob encomenda do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), a queda no volume de livros vendidos foi de 13,21%, e no faturamento, de 4,78%.

A comparação da lista dos best-sellers de 2016 e 2015 do Publishnews, portal especializado no segmento livreiro, é bastante ilustrativa: de Jardim secreto (Sextante), o campeão de 2015, foram vendidos 719.626 exemplares no ano, mais do que a soma dois primeiros lugares de 2016, Como Eu Era Antes de Você e Ruah (Principium), do Padre Marcelo Rossi.

A diferença no desempenho do religioso, autor cujos números superam 12 milhões, também é significativa: esse ano, foram 225.229 livros com Ruah; em 2015, 446.653 com Philia, que ficara em terceiro lugar no ranking.

“Ninguém seria capaz de reverter os números desse ano. Teria que ser um fenômeno fora da curva, como foi O Código Da Vinci (Sextante, de 2004) ou 50 Tons de Cinza (Intrínseca, de 2011)”, avaliou o presidente do Snel, Marcos da Veiga Pereira, da Sextante.

“O mercado editorial não é algo separado do resto da economia. Mas eu não esperava uma queda tão expressiva no número de exemplares, é isso o que mais chama a atenção. É algo que vem de 2015, só que os livros de colorir compensaram. É uma falácia essa crença de que os livros são um lugar de escape em momentos de crise.”

Lançado em outubro, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada (Rocco), que veio para aplacar a saudade dos fãs da saga, melhorou um pouco os resultados do fim de 2016.

Os números podem subir ainda com o impacto da Black Friday, que fez crescer as vendas em 50%, graças a descontos de até 80%, e as compras de Natal.

Mas a recuperação só é esperada para o segundo semestre de 2017 ou em 2018, junto com a da economia brasileira. O Snel vê luz no fim do túnel, com maior adequação das empresas ao panorama de recessão em termos de gestão.

O desejo por ora é que a queda nos números seja estancada, para que o mercado possa voltar a crescer.

“Em 2015, os efeitos já vinham sendo sentidos, não só com a crise, mas também com a diminuição nas vendas para os programas de bibliotecas do governo federal. O que me preocupa é o futuro desse público leitor. O gosto pela leitura e a criação do hábito acontece na escola, desde a alfabetização”, analisou a presidente da Record, Sônia Machado Jardim. A Record teve um ano menos sofrido, por causa dos bem sucedidos títulos de ficção A Garota do Calendário (Audrey Carlan) e A Garota do Trem (Paula Hawkins).

Na Intrínseca, o ano foi “excelente”, disse o editor, Jorge Oakim. Principalmente por conta do sucesso de Jojo Moyes, puxado pelo filme Como Era Antes de Você, fenômeno de bilheterias. A romancista inglesa segue sendo uma aposta para bons resultados em 2017.

“Tivemos o mesmo número de vendas e faturamento em 2016 e em 2015, o que é um super vitória num ano de crise. Se você tem bons livros, você vende”, afirmou Oakim.

A observação da década 2006-2015, foco da pesquisa “Dez anos de Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP) para o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e divulgada há quatro meses, mostra que as más notícias para o segmento vêm de longe. O preço real no período (descontada a inflação) foi de 36%. O faturamento real caiu de R$ 1,6 bilhão para R$ 1,4 bilhão.

A pesquisa usou dados de 189 das 700 editoras do País. A redução do número de livros comprados pelo governo federal para abastecer o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) foi outro revés detectado pelo levantamento, assim como a expansão insuficiente do mercado digital.

A mais grave queda no período foi de 2014 para 2015; no entanto, o cenário vem se depreciando desde 2011. De lá para cá, a boa nova foi o crescimento de 20% na categoria CTP (científicos, técnicos e profissionais), consequência do boom do ensino superior vivido na esteira do Programa Universidade para Todos (ProUni), de concessão de bolsas em universidades.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Professores contam como estão aplicando no Brasil o que aprenderam na Finlândia

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Professores brasileiros debatem como pôr em prática os métodos finlandeses nas salas de aula brasileiras

Professores brasileiros debatem como pôr em prática os métodos finlandeses nas salas de aula brasileiras

 

Mariana Della Barba, na BBC Brasil

Todos saíram do Brasil com destino à Finlândia. Alguns, inclusive, decolaram no sol da Paraíba e desembarcaram em meio a muita neve em Helsinque.

Mas nenhum dos professores brasileiros que foram fazer um treinamento em Educação no país nórdico reclamou do frio. Em conversa com a BBC Brasil, eles falaram, empolgados, sobre como estão implementando – ou pretendem implementar – o que aprenderam no país nórdico em suas salas de aula tropicais.

Damione Damito, por exemplo, criou um podcast para divulgar as práticas que viu na Finlândia para os colegas.

“Muitos me escrevem contando que, em um determinado ponto do programa, pensaram: ‘Espera, essa é a minha realidade também, acho que dá, sim, para fazer na minha sala de aula'”, conta Damito, que é professor do Instituto Federal de São Paulo.

Os brasileiros também elogiaram o fato de o sistema educacional finlandês se preocupar, segundo eles, mais com a autoestima e o avanço individual de cada aluno do que com a posição do país nos rankings internacionais de educação.

No último estudo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), divulgado nesta semana, a Finlândia aparece em quinto lugar no ranking de ciências, quarto em leitura e 12º em matemática, entre 70 países. O Brasil, por sua vez, ficou em 63º lugar, 59º lugar e 65º lugar, respectivamente.

Os docentes brasileiros participaram de aulas, workshops, visitas a escolas, encontros técnicos e eventos culturais. Eles foram selecionados pelo programa Professores para o Futuro, do Ministério da Educação, e pelo projeto Giramundo, patrocinado pelo governo do estado da Paraíba, para passar alguns meses estudando a educação finlandesa no país. As duas iniciativas devem continuar em 2017.

Veja os principais trechos dos depoimentos dos professores a respeito do que aprenderam:

‘As iniciativas finlandesas podem ser aplicadas de maneira simples, sem muitos recursos’ – Damione Damito, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), viajou pelo projeto Professores para o Futuro.

Damione Damito criou um podcast para repassar conteúdo que aprendeu na Finlândia aos colegas de profissão

Damione Damito criou um podcast para repassar conteúdo que aprendeu na Finlândia aos colegas de profissão – Arquivo Pessoal

 

“Eu fui para a Finlândia em 2015. No programa em que estava, todos precisam desenvolver um projeto de pesquisa. O meu foi o podcast Papo de Professor, que segue no ar porque há cada vez mais demanda.

Esse meio é interessante porque o professor se sente parte de uma rodinha de discussão. Fora que ele tem um potencial muito grande de atingir professores a custo muito baixo,

De início, muitos acham que não dava para replicar (os métodos finlandeses) aqui. Mas no podcast eu e outros participantes damos dicas de como fazer isso. E muitos me escrevem contando que, em um determinado ponto do programa, pensaram: ‘Espera, essa é a minha realidade também, acho que dá, sim, para fazer na minha sala de aula’.

A ideia é mostrar que as iniciativas finlandesas podem ser aplicadas de uma maneira simples, sem muitos recursos. Sinto que os professores queriam mudanças mas não sabiam como colocá-las em prática. Então havia essa demanda. Em seis meses, tivemos 7 mil downloads únicos, sem divulgação.

Recebemos resposta positiva de professores de todo o Brasil e de outros países de língua portuguesa, como Portugal e Cabo Verde. Já gravamos alguns episódios em inglês também, que foram usados como referência de multiplicação de conteúdo pelo governo finlandês.

Os assuntos que geram mais discussão no podcast são a metodologia centrada no aluno e os PBL*. Apesar de tantas dificuldades que enfrentamos aqui, se o professor se esforçar para usar essa metodologia, as aulas serão mais legais para os alunos e até para eles mesmos.

Na Finlândia, fiquei muito impressionado logo de cara em como o ambiente de aprendizagem interfere no processo. Uma das salas das crianças têm bolas em vez de cadeiras – isso as acalma quando estão muito agitadas. Tudo é feito para o aluno gostar de estar em sala de aula. Elas têm sofá, pufe, pia, dá pra escrever em qualquer parede. Há paredes de vidro e em diferentes formatos. Tudo porque eles têm em mente que os alunos são diferentes e têm demandas diferentes. Eu me sentia muito confortável lá.

Mas eu esperava encontrar muita tecnologia, e não é bem assim. Tem o básico, um retroprojetor, iPad em algumas aulas. O importante, no entanto, não é isso.

É o ensino conectado com a realidade, é a aprendizagem ser significativa. Uma turma que acompanhei foi visitar um balé. Aprendeu conceitos de física como inércia e movimento com os passos de dança, vendo a bailarina rodar no próprio eixo. O professor de artes falou do contexto do espetáculo e o de história, do enredo.

Além do podcast, venho implementando aqui algumas práticas na minha sala de aula. Minha maior dificuldade é realmente na postura dos próprios alunos. Eles estão acostumados ouvir, anotar e a ver o professor transferindo conhecimento. Mas nesse projeto, os alunos viram protagonistas e encontram dificuldades.

Aos poucos, essa postura deles vem mudando. Estão se habituando a trabalhar baseados em projetos que eles mesmos definem, estão se adaptando e se empolgando.”

*PBL é a sigla de metodologias chamadas de “problem-based learning” e “project-based learning” (ensino baseado em problemas ou em projetos). Neles, diferentemente das aulas mais tradicionais, problemas fictícios ou reais são o ponto de partida do aprendizado. Os alunos aprendem na prática e buscam eles mesmos as soluções do desafio.

Vilma Leitão diz que alunos finlandeses são "prioridade total" no processo de aprendizado

Vilma Leitão diz que alunos finlandeses são “prioridade total” no processo de aprendizado

 

‘Sei que não se alcançam mudanças radicais a curto prazo, mas vou trabalhar para desenvolver autonomia dos alunos’ – Vilma Leitão, professora do Ensino Fundamental e Médio em Patos (PB), viajou pelo projeto Giramundo.

“Fiquei na Finlândia dois meses, e, logo nos primeiros dias, me chamou muito a atenção fato de o aluno ser prioridade total no processo, pois é ele próprio quem conduz e gerencia sua aprendizagem. Eles valorizam menos (mais…)

Sem boa educação jamais haverá boa gestão

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(Foto: Dreamstime)

 

Ciências, leitura e matemática são fundamentais na formação de qualquer profissional

José Roberto Ferro, na Época Negócios

Qual é a coisa mais importante para que se tenha, no geral, uma gestão de alto nível nas empresas de um país?

Boas faculdades de administração? Bons cursos de pós-graduação disponíveis? Consultorias sofisticadas? Tecnologias avançadas? Empresas capazes de desenvolver seu pessoal?

Tudo isso, certamente, pode até ser importante. Mas há algo ainda mais fundamental que se não existir jamais haverá a generalização de uma gestão de excelência nas companhias.

Estamos falando da “educação básica de qualidade” que deveria haver no país. Sem educação, não apenas a gestão, mas pouca coisa funcionará de verdade em qualquer nação.

E como a gestão de uma organização requer, cada vez mais, bases educacionais sólidas, num país em que a educação, no geral, é precária, a gestão tenderá a seguir o mesmo caminho.

Infelizmente essa parece ser a nossa realidade atual. Mais uma vez o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), um dos mais importantes testes internacionais que medem a qualidade da educação de um país, aplicado recentemente no Brasil, mostrou, novamente, que a educação brasileira continua indo mal.

O teste feito por nossos estudantes detectou uma queda nas três áreas avaliadas: ciências, leitura e matemática. Com isso, novamente, o Brasil caiu no ranking mundial. Ficou na 63ª colocação em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª em matemática. Isso em 70 países medidos. Ou seja, continuamos entre os últimos colocados. E piorando.

Em termos de gestão, isso é muito significativo. Trata-se de três disciplinas fundamentais – ciências, leitura e matemática – para a formação do indivíduo, inclusive para que tenhamos bons gestores, para que todas as pessoas que atuam numa organização tenham condições básicas de trabalhar com excelência.

Conhecimentos sólidos em matemática, por exemplo, são fundamentais não apenas porque boa parte da gestão que se faz numa empresa depende disso, mas, principalmente, porque a lógica matemática, na qual se desenvolve a solução de problemas, é condição sine qua non para se gerir uma companhia.

E a ciência, então. Sem o devido pensamento científico, também não se consegue resolver problemas de forma adequada e definitiva dentro de uma empresa. Não se consegue estabelecer experimentos, desenvolver e testar projetos, fazer melhorias… Isso é o básico. E o que mais vemos são problemas se perpetuando dentro das organizações, sem resolução efetiva etc.

A qualidade da leitura, então, é mais do que fundamental. É evidente que “saber ler”, o que quer dizer entender e interpretar corretamente e profundamente um texto, é essencial para que todo e qualquer aprendizado ocorra. Sem essa devida fluência na leitura, não se pode haver evolução pessoal em qualquer área, incluindo a gestão organizacional.

Há cerca de dois anos, já tinha chamado a atenção para o fracasso da nosso desempenho no PISA e o quanto isso refletia nossa dificuldade em solucionar problemas nas empresas, na coluna “Para enfrentar nossa incapacidade de resolver problemas”.

Agora, dois anos depois, reafirmo o que escrevi naquela coluna anterior. Mas gostaria de complementar o pensamento. A ideia de que com a educação básica que temos hoje no Brasil dificilmente teremos uma gestão de alto nível.

As empresas que adotam a gestão lean (enxuta) sabem que o desenvolvimento da capacitação das pessoas vem do próprio trabalho. As pessoas precisam ser capazes de refletir e aprender à medida em que executam as suas tarefas no dia a dia.

Mas isso leva tempo. E como a carência é tão grande, o esforço requerido por parte das empresas é imenso. Se quisermos mudar essa situação em futuro próximo, precisamos começar a mudar esse jogo imediatamente, transformando radicalmente a qualidade de nossa educação básica.

Empresas são feitas de pessoas. Pessoas são capacitadas primordialmente pelo processo educacional. No Brasil, isso continua indo muito mal.

*José Roberto Ferro é presidente do Lean Institute Brasil

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