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Por que é tão penoso lançar um livro no Brasil?

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O escritor tem a impressão de que perpetrou um imperdoável embuste

Fernando Dourado Filho, na Revista Amanhã

Lançar um livro é um dos eventos mais angustiantes que podem acometer nossa frágil individualidade. O estresse é o mesmo das festas de fim de ano, quando as UTIs ficam coalhadas de pais atordoados com as demandas de uma família insaciável. Nos dias que antecedem a primeira noite de autógrafos, no caso de o autor ousar organizar uma, as coisas pioram muitíssimo e o escritor tem a impressão de que, no fundo, cometeu um ato de impostura, de soberba, de falsidade ideológica, enfim, que perpetrou um imperdoável embuste.

Por mais que ele saiba que duas dezenas de almas caridosas estarão presentes e lhe lançarão olhares benevolentes enquanto ele rabisca autógrafos empolados para esticar o tempo, a sensação inelutável é a de que ele tirou da paz de suas casas aquelas pessoas. E o autor, justo ele, que odeia vida social e já sonhou em viver isolado numa ilha do mar Egeu, se sentirá mais do que nunca uma fraude. Com que direito expor aquela brava gente às balas perdidas da vida urbana brasileira?

A bem da verdade, se pudesse, ele subiria na mesa e, patético, pediria desculpas públicas pelo deslize, daria um exemplar para cada um dos presentes graciosamente e ainda os mandaria de volta para casa de Uber às suas expensas, sob juramento solene de que jamais voltaria a escrever um livro. Mas agora já é tarde. As engrenagens da máquina já estarão rodando e só lhe competirá encarar a realidade dos fatos.

Se a recepção aos passantes está marcada para as 7 horas de uma quinta-feira, ele poderá tomar um Lexotan de 3 miligramas às 5 horas e, a caminho da livraria, emborcar uma dose de conhaque de alcatrão para fazer face à desventura que semeou na vida alheia. Sim, é isso que lhe passa pela cabeça na noite do domingo que antecede o primeiro de tantos eventos similares. Mas por que será? Vamos arriscar algumas explicações.

a) Ora, um livro é um projeto autoral por excelência. É fruto de uma sobreposição de impressões que vão tomando forma até o dia em que traduzem – ou tentam – um todo coerente. Não, ninguém desperta um belo dia e diz para si mesmo: “Hoje eu vou escrever um livro”. Assim sendo, dado o caráter intimista, o grande desafio é saber se ele vai perpassar o crivo alheio e encontrar um pequeno espaço no coração do leitor. A esmagadora maioria, contudo, quase a totalidade dos livros publicados diariamente, morre de inanição. Poucos serão os leitores que chegarão ao fim da leitura e infinitamente menos numerosos serão os que o comprarão. Um livro é como um filhote de tartaruga que escorrega pela areia até o mar nas praias da Bahia. Poucos chegarão à vida adulta;

b) Mas digamos que um dia você tenha em mãos o que outrora se denominava os originais e que você, num momento de soberba e amor pela humanidade, os enviou a uma editora. Como a maioria delas sabe que os ditos escritores se disporão a qualquer acordo para ser editados, elas se permitirão fazer o básico ou pouco mais. Tentarão impor um modelo de negócios blindado contra surpresas e em que a pressão recairá sobre o autor. Ademais, se eximirão previamente de erros de revisão. Dentro de uma faixa mínima, como se temessem deparar tubarões com água pela cintura, se arriscarão, mas, é claro, vão rir com discrição dos devaneios do escritor amalucado que, siderado por um lampejo de glória fugaz, falará de sua obra com ares de patriarca bíblico, ao passo que a editora, benevolente, o puxará para a terra com a força de um cabo de amarração, daqueles que aprisionavam o Zeppelin no alto das torres de atracação;

c) Vamos agora admitir que você tenha couraça de paquiderme, como dizem outros atores dessa comédia e, depois de apontar falhas de revisão às pencas, pois bem, digamos que você queira falar sobre as etapas subsequentes. Não porque você seja açodado ou inexperiente. Pelo contrário. Mas porque você roda mundo com frequência e acha que o planejamento tem suas virtudes, apesar de abominar o discurso conservador. Ademais, cá entre nós, em encarnações passadas, você já comandou áreas que equivalem a 20, 30 vezes o faturamento de sua editora. Sabe o que você vai ouvir? “Nananinanão”. Como uma criança flagrada afagando o suspiro ainda no forno, você será alvo de um peteleco nas falanges e de uma preleção sobre o “modus operandi” da casa. E, como se obedientes aos caprichos de um oráculo, até seus mais próximos dirão que as coisas nesse mundo “funcionam assim”. Ora, como obter resultados diferentes se o método é o mesmo?;

d) Você então bota a viola no saco e vai tocar sua vida, duvidando até que aquele projeto exista. Na solidão do confinamento, o tempo passa. Até o dia em que alguém telefona e diz que os exemplares estão saindo da gráfica. A essa altura, você terá colecionado 20 ou 30 “nãos”. Na verdade, você estará cansado, exausto. Mesmo porque a parte nobre do trabalho, aquela que agora poderia se traduzir em real expectativa de mercado, já não pode mais ser feita. É tarde. Isso porque ninguém terá integrado o processo a contento. O modelo matricial não dialogou entre si. Nada de Drücker, muito de Ionesco. A toda hora se apresentará um interlocutor novo com funções auto-atribuídas de logística, comércio, marketing, divulgação, comunicação e afins. Cada um dará uma pitadinha de sal no refogado e, cumprida a tabela (no entender dele), desaparecerá na nebulosa matricial. A maioria de suas perguntas ficará sem resposta;

e) Se você é o autor e sobreviveu a tudo isso, parabéns. Não é raro que você esteja vivendo os dias mais pungentes de sua vida, só comparáveis aos do infarto que seu pai sofreu quando você ainda tinha 13 anos e os médicos olhavam-no com benevolência e diziam: “Temos que rezar, meu filho”. Qualquer sugestão ainda não atendida – a imensa maioria delas – é facilmente atribuída à bufoneria e aos devaneios do ego. “A vaidade dele é tão grande quanto a barriga de um cervejeiro”, você lerá na correspondência interna que um incauto vazou. O que menos conta é a qualidade do que você escreveu. Qualquer sugestão de capa, formato, fonte ou papel será tida como desvario, quando não como voluntarismo e arbítrio. “Grande escravocrata, será que a Lei Áurea não chegou a vossa remota província?” – dirão os arautos da ordem às suas costas. Pois para essa indústria, o escritor é satanizado. Mesmo que ele professe a mais franciscana das humildades, ele é pré-condenado em todas as instâncias. Pois todos estão imbuídos da convicção de que ele é o elo vulnerável, o ser frágil a ser espezinhado, o nefelibata, o bobo de corte que estará no centro do ridículo. Até seus amigos dirão que as fotos estão péssimas, o “timing” foi perdido e você tem encontro marcado com o fracasso. Quando muito leais, dirão que é tempo de tirar lições para não repetir os mesmos erros no futuro. E isso tudo porque você ainda está longe do tal lançamento;

f) Nos dias que o antecedem, data crucial para que a livraria dê (ou não) algum a sobrevida de visibilidade a seus escritos, o que acontece? Tudo, rigorosamente tudo, que você teceu com mãos operosas, muito além do que todos os atores até então envolvidos jamais sonharam, está à beira do esgarçamento e destruição. Por qual razão? Porque os vasos não se comunicaram; porque todos os elos tiraram dias de férias no pior dos momentos e outros tantos decretaram operação-tartaruga porque se sentiram “inseguros”, quando não “desconfortáveis” com o rumo do projeto. Seja com a pressão, seja com as condições pactadas. E lá está você, o alvo silente da peçonha alheia, todos a querer ver a nave submergir para poder gritar em uníssono: “eu não disse?”;

g) Ora, as chances de ganhar algum dinheiro com o livro são quase nulas. Se ele vender muito bem – metade de seus amigos mais 100 unidades –, é possível que o chamem para um convescote literário em Itacaré, com direito a uma passagem de ônibus e R$ 500 de cachê. Isso se você preencher um formulário que nem uma matrícula em Harvard pediria tanto. Perder, contudo, é matematicamente certo. Pelo que já se viu, aliás, se perdem primeiro os amigos que têm alguma veleidade literária. Dirão que o que você escreveu é puro lixo e se esbaldarão de rir com uma passagem truncada. Se serve de consolo, quando isso acontecer, sorria. Pode ser, muitas vezes, que você esteja no bom caminho. Mas o bom do auto da fé ocorrerá pelas suas costas;

h) E aqueles amigos, ditos admiradores incondicionais, que o bombardearam por meses a fio em jornais, revistas e redes sociais, dizendo que você deve um livro à humanidade? E que, indo além do que recomenda a gentileza, se comprometem a adquirir seu livro para dar de presente aos amigos e clientes? Simples: todos sumirão. Todos alegarão que um brinde de R$ 30 é uma miséria e, ademais, que a crise os leva a contenções de despesas. Coerência, portanto, zero. O que é pior: acaso o pobre autor cobrou o cumprimento de alguma promessa? Nada, sequer disse que estava lançando o tal livro, na verdade. É bem da natureza humana, não há dúvida. Enquanto é hipótese, o sonho alimenta. Se vira realidade, esvanece. Lembram de quando Vinícius, o poetinha, insistia em levar Elizeth Cardoso para a cama? Alguém recomendou que “a Divina” lhe respondesse: “Pois só se for agora, Vinícius. Estou pronta…” Sem palavras, ele tergiversou e nunca mais falou no assunto;

i) São reações muito divertidas, se pensarmos bem. Os elos mais simples de ser estabelecidos, não o são. Não há o menor espaço para a pro-atividade e todos, quase todos, esperam palavrinhas de afago por ter feito exatamente um pouco aquém do se esperava deles. Quem surpreendeu foi você, o rebotalho do escritor. As boas ideias que germinaram saíram, no mais das vezes, de sua cabeça, apesar da interdição absoluta ao direito de pensar. Não obstante tanto, não esqueça: agradeça penhoradamente todos os que se pautaram pela lei do menor esforço e deram forma concreta a algum “insight” que você tenha tido, apesar de a maioria deles ter ido para o lixo;

j) Para finalizar esse arrazoado, não esqueça, sob quaisquer hipóteses, que é de péssimo tom você acalentar um projeto bojudo, espraiado ao longo de meia dúzia de anos, mesmo que você deixe a obra pronta e sequer cogite de viver tanto tempo. Não, isso é soberba. É “hubris”. Todos dirão em uníssono que nos pautamos por marcos regulatórios e sua solidão é absoluta. Com quem falar a respeito? Ninguém. Os que lhe são próximos dirão que não querem se acumpliciar com um sumidouro de dinheiro. Os que estão a meia distância, acharão ridícula sua pretensão. Os mais distantes dirão: “Quem sabe? Tente”.

Não há ser mais isolado no mundo do que um escritor às vésperas de lançar um livro. É um infeliz no sentido mais estrito da palavra. A malignidade de sua enfermidade é um truísmo. Nem o prazer incomparável de frequentar livrarias lhe restará por que ele só terá olhos para a gôndola onde seu livro morou durante alguns dias, antes do repouso eterno num depósito empoeirado. Mas lute, amigo. Nem que seja por você mesmo. Trave o bom combate.

Educação: Reforma do ensino médio permite aulas de profissionais sem licenciatura

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Publicado no Amo direito

A medida provisória também trouxe uma mudança que chamou a atenção: um dos artigos incluídos na LDB autoriza profissionais de outras áreas e especialistas “com notório saber” a darem aulas nas escolas do país. Segundo o governo, a medida ajudará a preencher lacunas na educação básica. O texto enviado ao Congresso determina que essa atuação deve ser “reconhecida pelos respectivos sistemas de ensino” e restrita à formação técnica e profissional. Hoje, o ensino técnico é iniciado após a conclusão do ensino médio, mas a MP permite que as formações aconteçam simultaneamente.

Segundo Rossieli, a medida não interfere nas disciplinas convencionais e não vai prejudicar professores que se especializaram em áreas como português, matemática, geografia e história. A intenção da mudança, segundo ele, é introduzir outros conteúdos para complementar a formação. “Você não tem, por exemplo, cursos de licenciatura em direito. Tem um caso aqui no Distrito Federal, de uma escola que colocou direito no currículo. Se não existe licenciatura em direito, como que você faz? Eles têm um problema”, diz Silva. Neste caso, a MP prevê que um bacharel em direito comande a aula.

Se aprovada pelo Congresso, a nova regra também permitirá que o “conhecimento popular”, sem diploma formal, seja repassado em sala de aula. Como exemplo, o secretário de Educação Básica cita as “especialidades” desenvolvidas em determinadas regiões do país.

“Lá no Amazonas, quando eu era secretário, o estado tentou fomentar um polo naval, havia gente de fora que queria investir no estado. A primeira coisa que perguntaram foi: cadê as pessoas qualificadas? O estado do Amazonas tem uma grande tradição em construção de barcos, especialmente em navegação de rio, mas essas pessoas não têm formação adequada. Os grandes especialistas que têm lá, que poderiam dar aula para esse tema porque têm uma experiência de vida sem igual, não podem”, diz.

Nestes casos, caberá à secretaria de educação de cada estado definir o que é “notório saber” e quem estará autorizado a lecionar no ensino médio. “Para aula de matemática, de educação física, de sociologia, de filosofia, licenciatura plena é requisito legal e continua sendo requisito legal”, garante.
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Para aula de matemática, de educação física, de sociologia, de filosofia, licenciatura plena é requisito legal e continua sendo requisito legal.
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Novo ensino médio
A medida provisória foi apresentada pelo presidente Michel Temer nesta quinta (22). As mudanças afetam conteúdo e formato das aulas, e também a elaboração dos vestibulares e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

A previsão do Ministério da Educação (MEC) é que turmas iniciadas em 2018 já possam se beneficiar das mudanças. Até lá, as redes estaduais poderão fazer adaptações preliminares, já que o Ministério da Educação condiciona a implementação de pontos da reforma à conclusão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O ministro disse que a BNCC só deve ser concluída em “meados” de 2017.

Pela MP, apenas português e matemática terão que ser lecionados obrigatoriamente durante os três anos do ensino médio. A estrutura proposta prevê que, dos 36 meses letivos, apenas metade siga o currículo tradicional. No restante do tempo, o aluno poderá “focar” seu aprendizado na área em que pretende seguir carreira – ciências exatas, linguagens ou biologia, por exemplo.

A reforma também prevê o aumento da carga horária, com a expansão do ensino integral. Na escola “tradicional”, os alunos têm quatro horas-aula por dia. No ensino integral, são sete horas. Quanto maior o tempo dentro da escola, maior a diversidade de atividades que podem ser desenvolvidas, segundo o MEC.

Para isso, o ministério anunciou que vai investir R$ 1,5 bilhão até 2018. A meta é atender 500 mil jovens no ensino integral. A adesão e a lista de escolas contempladas serão definidas pelas secretarias estaduais, até o fim do ano. Segundo o MEC, esse modelo pode começar a ser implementado já em fevereiro de 2017 onde as adaptações forem mais fáceis.

antes-depoisPor Mateus Rodrigues
Fonte: G1

Só Português, Matemática e Inglês serão obrigatórios nos 3 anos do médio

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Publicado no UOL

sala-de-aula-cursinho-enem-vestibular-1351875445833_300x300Brasília – Na nova arquitetura do ensino médio, estabelecida na quinta-feira, 22, por Medida Provisória (MP) editada pelo presidente Michel Temer, apenas as disciplinas de Português, Matemática e Inglês serão obrigatórias durante os três anos que compõem a etapa. As demais passam a ser optativas da metade para o fim, a depender da área de conhecimento que o aluno decidir seguir, entre cinco possibilidades: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Ensino Técnico.

O texto da MP distribuído na quinta-feira à tarde aos jornalistas, antes da cerimônia de assinatura, causou polêmica ao dispensar o ensino de Artes e Educação Física durante todo o ensino médio. No início da noite, porém, a Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC) informou que a redação divulgada estava errada e carecia de “ajustes técnicos”. A versão final garante as 13 disciplinas exigidas atualmente por lei – até que seja definida a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em meados de 2017.

A depender da escolha do “itinerário” pelo aluno, as disciplinas de Inglês, Português e Matemática terão mais ou menos profundidade na abordagem. Se o estudante escolher seguir a área de Linguagens, por exemplo, aprenderá mais sobre orações subjuntivas do que sobre trigonometria (na Matemática). Marcada para novembro, a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano não sofrerá mudança.

A ideia de fazer a reforma por MP, que motivou críticas de associações e educadores, recebeu na quarta-feira o aval do relator da reforma do ensino médio na Câmara, deputado Wilson Filho (PTB-PB). Para ele, a tramitação agora será acelerada. “O que nós temos, acima de tudo, é a certeza de que o ensino médio caminha no lado errado.”
Integral

Com foco em ampliar o acesso à escola em turno integral (passando essa fase gradualmente de 800 horas/ano para 1,4 mil horas/ano), a reformulação dá prioridade à flexibilização do currículo e autonomia aos Estados para que criem as próprias políticas educacionais e programas – tudo com base nesta nova norma, considerada a maior mudança na Lei de Diretrizes Básicas da Educação (LDB) em 20 anos. A fiscalização será feita pelo MEC.

As mudanças serão implementadas gradualmente, assegura o ministro Mendonça Filho. “A legislação abre para infinitas possibilidades, a cargo dos Estados.”

As alterações buscam desengessar o ensino médio, considerado por especialistas muito distante dos interesses dos jovens, o que contribui para as altas taxas de evasão escolar nesta etapa. O projeto de vida do aluno será a prioridade, disse Temer na quarta-feira, em discurso no Palácio do Planalto. “Os jovens poderão escolher o currículo mais adaptado à vocação. Serão oferecidas opções curriculares e não mais imposições”, afirmou o presidente, garantindo novamente que “não haverá redução de verba” para a educação.

As escolas não serão obrigadas a ofertar as cinco ênfases previstas pela nova regra. Dessa forma, há a possibilidade de um aluno que quer seguir na área de Matemática ter de mudar de instituição, caso o colégio em que estuda não ofereça a modalidade. O MEC não quis comentar a hipótese de ocupações e resistência por parte de estudantes, a exemplo do que aconteceu durante a reorganização da rede de São Paulo, no ano passado.
Prazo

Também não há prazo para que todas estejam plenamente de acordo com o que preconiza o texto. O MEC, no entanto, está otimista frente à presença, na cerimônia de quarta-feira, de secretários de Educação de diversos Estados. “Muitos já sinalizaram implementar projeto-piloto a partir do ano que vem”, disse o ministro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Brasileiros ganham 4 medalhas na Olimpíada Ibero-Americana de Biologia

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Caio Adamian, Beatriz Marques, Bruno Gomes e Bernardo Collaço (Foto: Divulgação)

Caio Adamian, Beatriz Marques, Bruno Gomes e Bernardo Collaço (Foto: Divulgação)

 

Publicado na Galileu

Na última semana, a cidade de Brasília foi sede da 10ª Olimpíada Ibero-Americana de Biologia. A edição contou com a participação de estudantes de 12 países das Américas do Sul e Central, bem como de Portugal e Espanha.

Ao longo da competição, os estudantes fizeram três avaliações teóricas e práticas que envolvem assuntos como anatomia animal, botânica e citologia.

A delegação brasileira obteve ótimos resultados. No total, foram quatro medalhas conquistadas: uma de ouro, que foi para Bruno Teixeira Gomes, de Fortaleza, no Ceará; duas pratas obtidas pelos estudantes Beatriaz Marques de Brito, de São Paulo capital, e Bernardo Habriele Collação, de Fortaleza, no Ceará; e um bronze para Caio Manuel Caetano Adamian, também de Fortaleza.

Parabéns aos nossos estudantes!

Argentina exibe manuscrito de Jorge Luis Borges encontrado no Brasil

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Jorge Luiz Borges em imagem de 1981 na Cidade do México (foto: Upi Sabetta/AFP)

Jorge Luiz Borges em imagem de 1981 na Cidade do México (foto: Upi Sabetta/AFP)

 

Originais do conto ‘A biblioteca de Babel’, do escritor argentino, podem ser vistos na Biblioteca Nacional, em Buenos Aires

Publicado no UAI

O manuscrito do escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) usado para o famoso conto A biblioteca de Babel, encontrado no Brasil, começou a ser exibido em Buenos Aires, revelou o escritor Alberto Manguel, diretor da Biblioteca Nacional argentina.

“O documento estava em um ambiente lotado de papéis, quadros, fotos, mapas, cartas de rainhas e próceres como San Martín e Rivadavia. Me surpreendeu que, em uma pasta suja, tenha aparecido algo de tanto valor. Fiquei com a voz trêmula, foi uma emoção muito grande”, disse Manguel.

O original está escrito em letra minúscula. A obra pode ser observada na Biblioteca Nacional, que é dirigida há alguns meses por Manguel, um escritor que desenvolveu grande parte de sua carreira fora do país.

Borges foi autor de obras lidas e estudadas em todo o mundo como O Aleph. É considerado o maior escritor argentino da história e um dos grandes da literatura do século 20, mas não recebeu o Nobel.

Manguel trabalhava em uma livraria quando conheceu Borges e iniciaram uma amizade. O autor de História universal da infâmia, afetado pela cegueira, pediu a Manguel que lesse para ele em seu apartamento e isto aconteceu por quatro anos na década de 1960. Borges também foi diretor da Biblioteca Nacional.

Manguel levou o manuscrito para Buenos Aires como um empréstimo. Ele o encontrou quase ao acaso com um colecionador particular em São Paulo.

A biblioteca de Babel foi um dos contos incluídos no livro Ficções (1944), um dos pilares da obra borgeana. A ideia apresentada por Borges é a de um universo com uma biblioteca que contém todos os livros. É considerado uma metáfora sobre o infinito e foi objeto de estudos, inclusive do ponto de vista científico.

“É um autêntico tesouro. Estes papéis têm um valor material indiscutível e, por outro ladom um valor simbólico. Há poucos elementos que formam a simbologia universal e devemos a Borges um destes elementos: o conceito da biblioteca de Babel, que hoje podemos associar a Internet”, disse Manguel.

O valor material do manuscrito é avaliado em US$ 500mil.

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