Orgulho & Preconceito

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Brasil: um país de leitores… de Bíblia

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Rodrigo Casarin, no Página Cinco

Bastante já foi dito sobre os resultados da 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, promovida pelo Instituto Pró-livro e realizada pelo Ibope. Já mostrei aqui no blog mesmo que o país anda lendo mais do que há quatro anos – exceto nossa elite econômica – e que os leitores são pessoas mais ativas do que os não leitores. No entanto, ainda é preciso jogar luz sobre um dos dados que o estudo revela: quando lê, o brasileiro lê principalmente a Bíblia.

Ao perguntar quais tipos de livros os leitores tinham lido no último ano, a pesquisa constatou que 42% deles leram a Bíblia, seguida por livros religiosos, de contos e romances – cada um citado por 22% dos entrevistados, que podiam indicar mais de uma opção. Curioso aqui notar que a Bíblia sequer entrou no gênero de religiosos. Claro que o livro pode ser lido de maneiras diversas – com viés histórico, sociológico, filosófico.. -, mas é evidente que a esmagadora maioria dos leitores que leem a Bíblia o fazem por questões ligadas à religião.

A Bíblia também encabeça os gêneros preferidos de pessoas de todas as faixas etárias (5 a 10, 11 a 13, 14 a 17, 18 a 24, 25 a 29, 30 a 39, 40 a 49, 50 a 69 e 70 e mais) e níveis de escolaridade (Fundamentai I, Fundamental II, Ensino Médio e Superior) abarcados pelo estudo. Foi ainda o título mais citado como última leitura dos entrevistados – 225 menções, seguido por “Diário de um Banana” e “Casamento Blindado”, ambos lembrados 11 vezes – e é a obra mais marcante da vida de 482 pessoas ouvidas – a segunda posição aqui ficou com “A Culpa é Das Estrelas”, mencionado em 56 oportunidades. Não bastasse, é diretamente responsável por uma das curiosidades da pesquisa: ao indicarem o autor do último livro que estavam lendo, alguns entrevistados (1%) citaram entidades religiosas normalmente ligas à Bíblia, como Jesus e Moisés.

Até professores preferem a Bíblia

A Retratos da Leitura no Brasil também apresenta alguns recortes específicos sobre o hábito de leitura dos professores e profissionais da educação. Nessa categoria, a Bíblia também se destaca: ela que lidera, por exemplo, a lista dos 11 títulos mais citados pelos educadores, com 22 menções – “Esperança” está na segunda posição, com 5 citações.

Sobre esses profissionais, há ainda uma contradição nos números: 84% deles garantem que são leitores, no entanto, metade dos entrevistados não citou nenhum título ao ser indagado a respeito de qual era o último livro que havia lido. Estranho tantos professores não recordarem o que leram recentemente, não?

Tendo em vista esse panorama, parece que a frase escolhida pelos organizadores da pesquisa para servir de epílogo à apresentação dos números está um tanto deslocada. Diz ela, que é de autoria do peruano Mario Vargas Llosa: “Um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que, alguns, fazem passar por ideias”. Será mesmo que tantas pessoas adquirem essas características ao lerem a Bíblia. Ou será que, encarando a obra de maneira dogmática, tal leitura não acaba gerando um resultado exatamente oposto àquele desejado pelo Nobel de Literatura de 2010?

Aluna de escola pública representará o Brasil em Olimpíada de Neurociência

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Alfredo Mergulhão, no UOL

Lorrayne deseja fazer medicina

Lorrayne deseja fazer medicina

Lorrayne Isidoro Gonçalves, de 17 anos, está com viagem marcada rumo à Copenhague, na Dinamarca, para representar o Brasil na 16ª Olimpíada Internacional de Neurociência (2016 Brain Bee World Championship), que acontece de 30 de junho a 4 de julho.

Aluna de escola pública e moradora da Favela da Camarista, no Méier, subúrbio do Rio de Janeiro, a jovem superou outros 13 concorrentes na final do torneio da 4ª Olimpíada Brasileira de Neurociências (Brazilian Brain Bee). Para vencer a competição, Lorrayne teve de responder 100 questões em provas de neuroanatomia, neurohistologia, neurofisiologia e neurociências clínicas.

“Está uma correria agora. Tenho que me preocupar com passaporte, buscar mais livros para estudar e organizar meu tempo para me sair bem na olimpíada, sem esquecer da escola e do Enem. Mas eu estou muito feliz. Faço isso com dedicação e alegria”, conta Lorrayne, na barraca de camelô do pai, nas proximidades da estação de trem do Engenho Novo, na zona norte do Rio, pouco depois de sair do Colégio Pedro II, instituição de ensino federal em que estuda.

Durante o preparo para a olimpíada internacional, a garota que já fala inglês e francês também começou a estudar dinamarquês por conta própria. Ela diz que é para poder se comunicar melhor durante a competição.

“Fico feliz de ver a determinação dela. A coisa mais normal do mundo é eu chegar do trabalho, quase meia-noite, e encontrar a Lorrayne estudando. Ela está certa de buscar o objetivo”, conta o pai da jovem, Jorge Cabral Gonçalves, de 61 anos, que estudou até o 2º ano do ensino médio.
Por que neurociência?

O interesse em neurociência surgiu por acaso. Há algum tempo Lorrayne já pensava em fazer faculdade para se tornar pesquisadora, só que não sabia exatamente qual área escolher.

Ao ver um material de divulgação sobre a competição de neurociência no corredor da escola, decidiu arriscar. A primeira iniciativa foi procurar uma orientadora, requisito para participar da olimpíada. Camila Marra, professora de biologia no colégio, assumiu a missão.

Os estudos começaram com o empréstimo de livros de graduação para Lorrayne ler durante as férias. Quando as aulas voltaram, a estudante já tinha devorado os livros.

“Ela veio apenas para tirar dúvidas. Eu cheguei a preparar aulas expositivas, mas a gente praticamente não teve encontros para isso. Ela tinha compreendido praticamente tudo e usava o Facebook para fazer perguntas. Foi como uma orientação de uma monografia, mas sem a produção de um texto”, disse a professora.

Além disso, a adolescente participou de um curso de férias sobre neurociência oferecido pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e se tornou voluntária Museu Itinerante de Neurociência da mesma instituição.

Lorrayne diz que o segredo para aprender rápido foi saber administrar o tempo e usá-lo com disciplina. “Dá para fazer de tudo. Só que a hora de estudar tem que ser de dedicação. Quando começo a estudar não fico batendo papo no WhatsApp”, afirma.
Futura médica

No fim do ano, Lorrayne vai fazer prova do Enem e disputar uma vaga para o curso de medicina, na UFRJ. Caso ela passe, será a primeira pessoa na família a frequentar a faculdade.

Apesar da vaga garantida no evento internacional, Lorrayne só teve a tranquilidade para continuar estudando após a confirmação de que a escola vai pagar sua passagem e hospedagem, assim como de sua orientadora.

Sem a certeza de que o colégio bancaria as despesas, os próprios organizadores da Olimpíada Brasileira de Neurociências criaram uma vaquinha online para arrecadar dinheiro. Nos 5 dias de campanha, a estudante conseguiu mais de R$ 56 mil em doações, que vão permitir que ela participe em condição de igualdade com os concorrentes.

Brasil tem mais leitores do que a Argentina e a Colômbia

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Fonte: Shutterstock

Fonte: Shutterstock

 

Pesquisa do Cerlalc aponta que brasileiros estão lendo mais livros durante o período de 12 meses

Publicado no Universia Brasil

Em 2015, o Brasil superou a Argentina e a Colômbia no número de leitores. Segundo uma pesquisa do Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e no Caribe (Cerlalc), da Unesco, 85% dos argentinos, 78% dos brasileiros e 77% dos colombianos são considerados leitores, ou seja, que leram algum livro nos últimos 12 meses.

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A análise também apontou que, no ano passado, entre os entrevistados que se classificaram como leitores, os brasileiros leram uma média de 7,7 livros, enquanto os argentinos leram seis e os colombianos 4,2. Entre o restante dos entrevistados, os brasileiros leram 4,7 livros, os argentinos três e os colombianos dois.

Os resultados foram apresentados durante a 4ª edição do estudo “Retratos de Leitura no Brasil”, que é realizada pelo Ibope, a pedido do Instituto Pró-Livro, que tem projetos voltados a conhecer a realidade da leitura no Brasil.

Para o Instituto, o número de brasileiros que podem ser considerados leitores é diferente daquele apresentado pelo Cerlalc, pois os critérios usados na pesquisa são diferentes. Para o Pró-Livro, os leitores devem ter lido alguma obra nos últimos 3 meses, ao contrário dos 12 estipulados pelo Centro.

Número de leitores no Brasil sobe 6% entre 2011 e 2015, diz pesquisa

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Foto: G1

Foto: G1

 

Total de livros lidos, inteiros ou em parte, foi de 2,54 obras. Pesquisa foi feita pelo Ibope, sob encomenda do Instituto Pró-Livro

Publicado no GAZETA WEB

O número de leitores no Brasil subiu 6% entre 2011 e 2015, de acordo com a 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Ibope sob encomenda do Instituto Pró-Livro. O levantamento, que teve abrangência nacional, aponta que o país tem cerca de 104,7 milhões de leitores, ou seja, 56% da população.

A metodologia da pesquisa considera como leitor, aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses. No intervalo entre as pesquisas, o percentual de homens considerados leitores foi o que mais subiu. O percentual passou de 44%, em 2011, para 52%, no ano passado.

A pesquisa aponta que o brasileiro lê, em média, 2,54 livros no período referência de três meses anteriores à pesquisa. O número equivale a 4,96 livros por habitante/ano. O levantamento considerou todos gêneros: literatura, contos, romances, poesia, gibis, Bíblia, livros religiosos e livros didáticos. Deste total de 2,54 livros, o brasileiro leu 1,06 livro inteiro e 1,47 em partes nos três meses anteriores à pesquisa.

A Bíblia foi citada como o “gênero” que mais costuma ser lido entre aqueles que não estão estudando, sendo citado por 50% dos entrevistados com esse perfil. Entre os estudantes, a Bíblia foi citada por 31% dos entrevistados, mesmo percentual que a resposta “contos”, seguindo por “didáticos” com 28%.

Depois do “gosto ou interesse pessoal”, com 47%, a motivação religiosa foi apontada como a segunda principal razão para ler, com 22% das respostas. “Indicação da escola” aparece na sequência com 10%, “para se distrair” teve 8% e “por motivo profissional”, 7%.

Aumento da escolaridade

De acordo com os responsáveis pela análise, o aumento da escolarização pode ajudar a explicar o aumento dos entrevistados considerados leitores: o percentual de analfabetos ou de pessoas que não frequentaram escola formal caiu de 9%, em 2011, para 8%, em 2015. Por outro lado, em 2011, o número de entrevistados que não estudavam era de 68% e, em 2015, passou para 73%.

O aumento na escolaridade foi percebido no aumento do total de entrevistados que declarou ter ensino superior, dado que subiu de 10% em 2011 para 13% no ano passado. Também houve aumento no ensino médio, de 28% para 33%.

Os dados apresentados pelo Instituto Pró-Livro apontam que, quanto maior o nível de escolaridade, menores são as proporções de motivações de leitura ligadas à “exigência escolar” ou a “motivos religiosos” e, maiores são as menções a “atualização cultural ou de conhecimento geral”.

Livros mais citados

Abaixo, os livros mais citados, em ordem decrescente:

Bíblia

Diário de um banana

Casamento Blindado

A Culpa é das Estrelas

Cinquenta Tons de Cinza

Ágape

Esperança

O Monge e o Executivo

Ninguém é de ninguém

Cidades de Papel

O Código da Inteligência

Livro de Culinária

Livro dos Espíritos

A Maldição do Titã

A Menina que Roubava Livros

Muito mais que cinco minutos

Philia

A Única Esperança

Na lista de livros, a Bíblia mantém o primeiro lugar também obtido em 2007 e 2011. Neste ano, ela teve 225 menções diretas entre os mais de 5 mil entrevistados. O livro Ágape, segundo lugar em 2011, e a Menina que roubava livros, que foi 19º na pesquisa anterior, são os únicos que voltaram a constar entre os mais citados.

Ainda segundo os autores do levantamento, 28% dos entrevistados se declararam como integrantes de religiões em que a leitura da Bíblia é central para a prática religiosa, como no caso das diversas denominações evangélicas.

Autores mais citados

Abaixo, os livros mais citados, em ordem decrescente:

Augusto Cury

João Ferreira de Almeida

Zibia Gasparetto

Padre Marcelo Rossi

Cristiane Cardoso

Cristiane e Renato Cardoso

Paulo Coelho

Allan Kardec

John Green

Chico Xavier

Ellen G. White

Machado de Assis

Padre Fábio de Melo

Maurício de Souza

Bispo Edir Macedo

Kéfera Buchmann

Evolução por regiões

Com exceção do Nordeste, a pesquisa identificou aumento no total de leitores em todas as regiões. Os dados não foram detalhados por estados.

Na terceira edição da pesquisa, em 2011, o Centro-oeste do país liderava o número de leitores por região com 53%. Nesta última edição, o melhor percentual passou a ser o da região Sudeste, com 61%. A região Centro-oeste caiu para a segunda posição com 57% e a região Norte ultrapassou a região Nordeste alcançando o terceiro lugar com 53%.

O primeiro lugar no quesito número de livros lidos (inteiro ou em partes) por habitantes nos últimos três meses também ficou com a região Sudeste, com 2,98 – índice que ultrapassa a média nacional de 2,54. O Centro-oeste torna-se o segundo colocado com 2,52, seguido do Norte com 2,44, do Nordeste com 2,15 e do Sul com 2,05. Em 2011, o Centro-oeste apresentava 2,12, o Nordeste 2, o Suddeste 1,84, o Sul 1,68 e o Norte 1,51.

Clássico da literatura feminista é lançado no Brasil

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Clássico feminista / Foto da jornalista

Clássico feminista / Foto da jornalista

 

O papel de parede amarelo’, da autora americana Charlotte Perkins Gilman, denuncia a opressão vivida pelas mulheres.

Paula Maria Ladeira, no Blasting News

Uma mulher que acaba de dar à luz começa a se sentir doente. Ela tem o que, hoje, é reconhecido como depressão pós-parto. Ela é enclausurada por seu marido médico, e proibida de fazer qualquer atividade, física ou mental, para se recuperar. Sentindo-se cada vez mais entediada, ela começa a reparar no papel de parede amarelo do quarto, enquanto seu estado de saúde piora dia-a-dia.

O papel de parede amarelo, conto escrito em 1890, é uma história de terror com duplo sentido. Temos um conto de terror psicológico que narra, de forma assustadora, o enlouquecimento da personagem – que foi a maneira escolhida pela autora para trazer à tona os problemas enfrentados pelas mulheres, oprimidas pela sociedade patriarcal. Como muitas mulheres da época, Gilman sentiu na pele essa opressão. E transformou sua experiência e sofrimento numa luta por uma sociedade mais igualitária entre mulheres e homens: ela foi uma das maiores feministas ativas dos Estados Unidos.

Charlotte Perkins Gilman nasceu em 1860, em Connecticut, nos Estados Unidos. Ela se casou em 1884 e teve uma filha. Infeliz no casamento, sofreu séria depressão pós-parto, e se separou do marido em 1888, um ato de coragem para a época. O divórcio veio em 1894 e, em um gesto ainda maior de ousadia, ela entregou a filha aos cuidados do ex-marido. Malvista pela sociedade, enfrentava dificuldades para expor suas ideias e seus conceitos, e para publicar seus escritos. O papel de parede amarelo, por exemplo, costumava ser publicado em antologias de mistério, que realçavam seu aspecto “conto de terror” e ignoravam o argumento feminista.

Mesmo com as dificuldades, Gilman teve uma extensa carreira como romancista, que inclui livros de ficção e de não-ficção, contos e poemas. Ela costumava dar palestras para sobreviver e, embora sua causa principal fosse rever o papel da mulher na sociedade, ela também defendeu outras causas, como o fim do capitalismo e da distinção de classes. A própria Teoria da Evolução de Darwin, segundo ela, precisava ser reformulada porque apresentava apenas o papel do homem no processo evolutivo, ignorando o da mulher.

Embora O papel de parede amarelo seja seu trabalho mais conhecido, muitos livros de Gilman obtiveram reconhecimento, como Women and economics (As mulheres e a economia, tradução livre), e The home: its work and influence (O lar: trabalho e influência, tradução livre), ambos sem lançamento no Brasil. Atuais, essas obras, que discutem a questão da mulher, do lar e da sociedade, são consideradas hoje “bíblias” do Feminismo.

O livro traz ainda um prefácio escrito pela filósofa brasileira Márcia Tiburi, e um ensaio, escrito em 1973, pela educadora americana e feminista ativa Elaine Ryan Hedges. Nesse ensaio, Hedges oferece uma breve biografia da autora, e contextualiza o período que ela vivia. Ambos os textos esclarecem a importância da autora e desse conto para o movimento feminista.

Gilman morreu em 1935. Estava com câncer inoperável de mama e, defensora da eutanásia, cometeu suicídio

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