Um poema para Bárbara

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Estudantes de Bauru ganham prêmio inédito para o Brasil na Inglaterra

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jogo tabuleiro

Alunos desenvolveram jogo de tabuleiro economicamente sustentável.
55 escolas de 14 países que não tem o inglês como idioma participaram.

Renata Marconi, no G1

Treze estudantes do ensino médio de Bauru (SP) foram os primeiros brasileiros a ganharem as Olímpiadas Britânicas de Inglês, o BEO (British English Olympics) World, que é realizada em Londres desde 2009 pela Oxford internacional para estrangeiros, uma das mais importantes faculdades da Inglaterra. Participaram da competição 55 escolas de 14 países que não tem o inglês como idioma principal.

Julia acredita que união da equipe foi a diferença (Foto: Renata Marconi / G1)

Julia acredita que união da equipe foi a diferença
(Foto: Renata Marconi / G1)

O desafio era desenvolver um jogo de tabuleiro com o tema empreendedorismo, que fosse economicamente sustentável por pelo menos 5 anos e que fosse febre entre os usuários, segundo o professor de matemática Rafael Sanchez, que acompanhou os alunos na competição. “O jogo tinha que sobreviver da própria receita”, explica.

Uma das integrantes do grupo, a estudante Julia Segala Pietro, de 15 anos, diz que essa foi uma oportunidade internacional de aprender muito. ” Foi uma experiência única. Precisava ser inovador, criativo e que atingisse a população. Fizemos um plano de empreendedorismo”, lembra a jovem que os alunos se preparam o ano todo para o desafio.
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Depois de 10 dias, o projeto “Survival” estava pronto. O objetivo do jogo on-line dos brasileiros era colonizar planetas. “Coletar elementos pelo tabuleiro com trocas entre seus amigos. O objetivo é colonizar planetas e sobreviver”, explica Julia. A jovem acredita que o diferencial tenha sido a união da equipe. “A nossa união mexeu com os jurados. Todos sabiam responder, queriam realmente que o jogo existisse.”

Para o professor Rafael, o trabalho na escola ajudou muito os alunos. “A rotina de trabalho na escola, trabalho em equipe, pesquisa, projeto, isso fez a diferença. Os outros alunos eram muito dedicados também e isso incentivava”, afirma.

Premiação dos estudantes foi recebida em Londres (Foto: Arquivo pessoal/ Four C )

Premiação dos estudantes foi recebida em Londres (Foto: Arquivo pessoal/ Four C )

Premiação
Com o título das Olimpíadas Britânicas de Inglês, os estudantes vão poder escolher entre uma bolsa de estudos em uma universidade da Alemanha, no curso de preferência, ou um curso de quatro semanas em universidades da Inglaterra, Canadá ou Estados Unidos. Mas, para os professores, os maiores prêmios mesmo são a experiência e o conhecimento.

Dupla ganhou "Talent Show" (Foto: Renata Marconi / G1)

Dupla ganhou “Talent Show”
(Foto: Renata Marconi / G1)

Os mais novos de, 11 a 14 anos, também competiram em jogos acadêmicos, todos em inglês. Eles chegaram a semifinal e ganharam outros prêmios, além do incentivo dos mais velhos e a experiência.

Prêmio ‘Talent Show’
Em momentos de descontração, dois amigos aproveitaram para mostrar seu talento na música e também foram premiados em um show de talentos. Lucca Bertolani Travain de 15 anos e Victor Augusto do Nascimento Silva, de 14 anos, cantaram e tocaram violão e, para surpresa, foram os melhores da competição.

Mas mesmo com o prêmio de talento, eles se empenharam para vencer a Olímpiada. E a sensação foi muito melhor, segundo Lucca. “Me sinto um businessman (empresário)”, brinca. O estudante ainda conta que a experiência que teve vai levar para a vida inteira. “A preparação é importante, trabalhar em grupo. Se não organizar, não progride”, afirma.

Depois de tanto esforço, os alunos foram recebidos com festa em Bauru. Pais e professores organizaram uma recepção para os primeiros brasileiros bilíngues a receber o prêmio.

Alunos venceram prêmio na Inglaterra (Foto: Renata Marconi / G1)

Alunos venceram prêmio na Inglaterra (Foto: Renata Marconi / G1)

Lançando livro ilustrado no Brasil, Neil Gaiman diz que já tem visão de mundo consolidada

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O autor Neil Gaiman - OZIER MUHAMMAD / NYT

O autor Neil Gaiman – OZIER MUHAMMAD / NYT

Conto ‘A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras’ do autor de ‘Sandman’ ganha uma edição de luxo no Brasil

Fabiano Ristow, em O Globo

RIO — Uma lenda escocesa fala de uma caverna incrustada nas Black Cuillins — também conhecidas como Montanhas Negras —, na Ilha de Skye, em que o viajante encontra ouro pronto para ser levado livremente, sem qualquer empecilho. Mas poucos estão dispostos a executar a façanha, por mais tentadora que seja. É que, dizem, aquele que volta com o ouro no bolso deixa no local um pedacinho de sua alma, tornando-se um pouco mais maligno.

Autor de “Sandman” e “Deuses americanos”, Neil Gaiman nunca tinha se deparado com essa história. Isso é particularmente surpreendente, considerando que estamos falando do homem que escreveu quase cem livros, entre ficção e não ficção, contos e romances, muitos enraizados em conceitos mitológicos e folclóricos. A lenda o inspirou a escrever “A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras”, conto originalmente publicado na antologia “Stories”, de 2010, que agora ganha uma edição de luxo pela Intrínseca com ilustrações de Eddie Campbell (o mesmo de “Do inferno”, HQ de Alan Moore).

“A verdade…” foi recitado pelo próprio Gaiman num festival no Sydney Opera House, chamado Graphic, com projeções dos desenhos de Campbell e trilha sonora composta pelo quarteto de cordas FourPlay. O espetáculo passou por Londres, Tasmânia e São Francisco, culminando numa apresentação num lotado Carnegie Hall, em Nova York, ano passado.

Como o conto se beneficia desse formato multimídia?

Uma das coisas que sempre tento fazer, como escritor, é entrar na cabeça das pessoas. Tentei fazer isso de uma maneira que lembrasse tradições antigas. Histórias como “Odisseia”, da Grécia, e “Conto dos dois irmãos”, do Egito, foram proclamadas. Além disso, eu queria fazer um experimento: e se tivéssemos ilustrações enormes? E se eu estivesse lá contando uma história? Essencialmente, é como se o público vivenciasse um filme dentro de suas mentes. Repetimos a experiência meia dúzia de vezes, e fomos aplaudidos de pé. Incrível.

Na história, quem leva o ouro da caverna perde o prazer pela vida. Você acha que o dinheiro faz isso com uma pessoa?

Normalmente, em contos, cavernas cheias de ouro mágico também são habitadas por dragões e coisas assim. Não era o caso aqui. Achei fascinante, em parte por causa da ideia de que algo pelo qual você não lutou para conseguir pode tirar uma parte essencial de você. É verdade que o dinheiro faz isso com as pessoas. Conheço casos. Para alguns, a riqueza lhes tirou o prazer pela vida. Para outras, era apenas algo que recebiam por fazer o que amavam. Penso em pessoas como o meu amigo Terry Pratchett (autor da série “Discworld”, morto em março, com quem Gaiman colaborou no romance “Belas maldições”, de 1990). Ele era um dos homens mais ricos da Inglaterra, mas jamais escreveu por dinheiro. Escrevia porque amava livros.

O conto é sombrio e fantasioso, e, portanto, encaixa-se com outras obras suas, inclusive as infantis. Por que escrever sobre isso?

Já vivemos num universo em que coisas sombrias acontecem — e boas também. Uma das obrigações de um escritor é refletir esses dois tipos de mundo. Disto isso, imagine se você escrever uma história assim: “Era uma vez um homem feliz que acordava feliz todos os dias, e tudo estava perfeitamente ótimo com ele, e, à noite, deitava-se superfeliz em sua cama. Sete anos depois, ele morreu feliz”. Os leitores se sentiriam enganados. A maioria das ficções é sobre personagens em busca de objetivos, tendo que solucionar problemas. Se essas histórias significam alguma coisa, é sobre ter esperança. Para se ter esperança, é preciso do desespero.

Você já colaborou com vários ilustradores. Por que Eddie Campbell dessa vez?

Os traços dele são simples, não são afetados. Ele é incrivelmente preciso. Mas há também o fato de ele ser escocês. Eu não queria sentir que estava lidando com um palco, com pessoas fantasiadas. Os dois protagonistas precisavam vestir roupas que usariam na vida real, e não parecer que acabaram de sair de uma loja de fantasias.

Você sempre citou autores que o influenciaram, como J.R.R. Tolkien e Lewis Carroll. Destacaria algum escritor contemporâneo?

O problema é que, quando você tem 54 anos, é difícil ser influenciado. Não digo mais: “Você mudou a maneira como vejo o mundo!”, porque a essa altura minha visão de mundo é bem consolidada. Dito isso, eu ainda consigo ler um autor e pensar: “Eu amo o que você faz.”

Hoje você influencia as pessoas.

Isso! Escritores jovens, na casa dos 20 ou 30 anos, leram-me durante suas vidas inteiras. Não é fascinante? De qualquer forma, hora ou outra leio algo que me dá uma sensação nova.

Tipo quem?

Por exemplo, David Mitchell (de “Cloud Atlas”). Eu pensei: “Eu te amo. Você é como eu quando eu era jovem”. Uma das razões pelas quais gosto de celebrar autores é que ninguém existe num vácuo. Nenhum artista, seja músico ou escritor, inventou a si próprio. A maioria começou de algum lugar. Somos a soma de todas as nossas influências. É muito simples eu dizer que tais pessoas me formaram aos 10 ou 20 anos. Mas, aos 25, eu me sentia como um grande bolo já assado. É difícil, hoje, inserir ingredientes no bolo.

E autores brasileiros, já leu algum?

Vamos ver… (pausa) Sei que já li. Quando fui ao Brasil, recomendaram-me músicos. Ouvi Caetano Veloso e Marisa Monte. O mesmo aconteceu com romancistas e contistas, como… Fonseca? Ele é brasileiro, né?

Rubem Fonseca?

Se eu lembrar, aviso (logo após a entrevista, Gaiman disse para seus 2,2 milhões de seguidores no Twitter que teve um “branco”, recebendo dos fãs brasileiros dezenas de sugestões).

O mercado editorial é diferente do de quando você começou. A internet abriu a possibilidade da autopublicação, por exemplo. Ainda assim, você acha que há gente talentosa que não tem o reconhecimento merecido?

O que acontece de fato é que estamos num período de transição. Até dez anos atrás, todos conheciam as regras para ser publicado: encontrar o “guardião”, ou seja, o editor ou agente que o deixaria entrar pelo portão e publicaria seu trabalho. Hoje, com um clique, você alcança, literalmente, bilhões de pessoas. A figura do guardião está menos relevante, mas a importância de encontrar conteúdo bom é a mesma. Mil livros podem ser escritos, mas apenas cinco serão interessantes. Como achar o que vale a pena?

Isso é ruim?

Não necessariamente. Simplesmente é assim. Antes, o desafio era ir ao deserto e encontrar a flor, agora é ir à floresta encontrar a flor.

Obrigado pela entrevista.

Sinto tanta falta do Brasil. Não vou aí desde a Flip, em 2008. E preciso levar a minha mulher (a cantora Amanda Palmer), que nunca foi. Sei que amam a música dela aí. Ela é maravilhosa.

Para além dos testes

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Avaliações de aprendizado são limitadas, mas pensar o papel da escola de forma ampla não justifica esquecer que é função dela ensinar o básico

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Antônio Gois, em O Globo

“Sempre estudei em escola pública e tive professores incríveis. Hoje, as coisas que mais valorizo em mim — minha imaginação, minha paixão por atuar e escrever, minha curiosidade e prazer em aprender — são resultado da maneira como fui criado e ensinado. Nenhuma dessas qualidades que me fizeram ser tão bem-sucedido poderiam ser avaliadas por testes.” A declaração é do ator Matt Damon, e foi feita num encontro de professores nos Estados Unidos, em 2011. Não foi a primeira vez em que ele usou seu prestígio para criticar os testes padronizados nos EUA. A militância de Damon no tema é explicada por ser filho de uma especialista em educação infantil, Nancy Carlsson-Paige, bastante crítica do uso desses exames para avaliar professores e escolas.

O debate segue acalorado lá. Há duas semanas, o apresentador da CNN e colunista do “Washington Post” Fareed Zakaria escreveu no jornal americano um artigo em que criticava a prioridade dada ao ensino de ciências, tecnologia, engenharia e matemática naquele país, em detrimento da área de humanidades. Zakaria argumentou que os EUA sempre se saíram mal em testes internacionais de aprendizado, mas que nem por isso deixaram de ser a economia mais dinâmica, inovadora e empreendedora do mundo.

Para ele, isso acontece exatamente por causa do tipo de educação que agora estariam tentando defenestrar: “Essa abordagem mais ampla ajuda a desenvolver o pensamento crítico e a criatividade. Ciência e tecnologia são componentes cruciais desse tipo de ensino, mas também o são filosofia e inglês. Americanos devem ser cautelosos antes de imitar sistemas asiáticos bem-sucedidos na memorização de conteúdos avaliados em testes”.

Por outro flanco, os testes padronizados já eram alvo no mundo acadêmico desde que o prêmio Nobel de economia James Heckman, da Universidade de Chicago, passou a criticá-los com o argumento de que eles deixam de medir, segundo seus estudos, características da personalidade. São habilidades como persistência, motivação, capacidade de superar obstáculos e frustrações, de trabalhar em grupo, tão ou mais essenciais para o sucesso na vida adulta quanto o aprendizado de disciplinas tradicionais.

Em certa medida, o debate também acontece no Brasil. O novo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, tratou do assunto em algumas entrevistas. Sem entrar em detalhes de como colocaria em prática a ideia, ele afirmou que uma de suas prioridades será estimular a criatividade em sala de aula, “para tornar a educação mais prazerosa”. Disse que avaliações nacionais são importantes, mas que não medem a contribuição das escolas para a formação ética e psicológica do aluno.

A pressão por bons resultados em exames cresceu no Brasil depois que a imprensa passou a fazer rankings de escolas a partir das notas divulgadas pelo MEC. Muitos diretores relatam histórias de famílias que, já desde a educação infantil, cobram do colégio bons resultados no Enem.

Reduzir a avaliação de um colégio a uma nota ou posição em ranking é mesmo um erro. Além de testes medirem apenas uma dimensão do aprendizado, seus resultados são influenciados por variáveis — especialmente o nível de pobreza e escolaridade das famílias — que nada têm a ver com o trabalho em sala de aula. A reflexão crítica sobre essas avaliações é necessária para melhorarmos a maneira como interpretamos seus resultados.

Há, no entanto, um cuidado a tomar: pensar o papel da escola de forma mais ampla não justifica esquecer que é função dela também ensinar o básico. E, no Brasil, nem isso estamos fazendo a contento em disciplinas de matemática, português, ou outras tradicionalmente avaliadas que, sim, são fundamentais na garantia do direito de aprendizado de todas as crianças.

Cuba é único latino-americano a atingir metas de educação, diz Unesco

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Brasil cumpre apenas 2 de 6 metas mundiais para a educação, diz Unesco.
Apenas um a cada três países do mundo atingiu a totalidade dos objetivos.

Unesco diz que Brasil atingiu objetivos no acesso de alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. (Foto: Reprodução / TV Globo)

Unesco diz que Brasil atingiu objetivos no acesso de alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. (Foto: Reprodução / TV Globo)

Publicado no G1

Na América Latina e no Caribe, apenas Cuba atingiu os seis objetivos de Educação no período 2000-2015, informou nesta quinta-feira (9) a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura. (Unesco)

Quinze anos após o lançamento, em Dakar, da iniciativa “Educação para Todos”, a missão fixada pela Unesco não foi cumprida, apesar de alguns progressos.

“Apenas um a cada três países do mundo atingiu a totalidade dos objetivos mensuráveis da Educação para Todos (EPT) estabelecidos no ano 2000″, destaca o relatório de acompanhamento do programa, assinalando que “na América Latina e no Caribe, Cuba foi a única nação a cumprir estes objetivos”. O Brasil cumpriu apenas duas de seis metas mundiais para a educação, de acordo com a organização.

O principal objetivo – a escolarização universal de todas as crianças em idade de cursar o ensino fundamental – foi atingido por apenas a metade dos países, tanto na América Latina como em todo o mundo, destacou a Unesco, um mês antes do Fórum Mundial de Educação em Incheon, na Coreia do Sul.

“Mas em todo o mundo foram registrados progressos impressionantes”, destacou a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova. “Conseguimos o ingresso no ensino fundamental de milhões de crianças que não estariam lá se persistissem as tendências predominantes na década de 90″.

“Para que a universalização da educação chegue a ser uma realidade, é necessário adotar estratégias específicas e financiá-las adequadamente para dar prioridade às crianças mais pobres, especialmente às meninas, visando melhorar a qualidade do ensino e reduzir as diferenças no grau de alfabetização”, acrescentou Bokova.

O relatório assinala que serão necessários US$ 22 bilhões anuais para completar as contribuições previstas pelos governos visando garantir o sucesso dos novos objetivos em matéria de educação para o período 2015-2030.

Persistem evasão escolar e analfabetismo na América Latina

Segundo o relatório, mais da metade dos países da região conseguiram a universalização do ensino fundamental, “mas ainda há 3,7 milhões de crianças sem escolarização”.

“Mais de um quinto dos alunos do ensino fundamental da região abandonam a escola antes de terminar este ciclo de aprendizado” e esta situação “não sofreu qualquer mudança desde 1999″.

“Os índices de analfabetismo caíram em 26% em toda a região, um percentual muito distante dos 50% previstos neste objetivo”, assinala a Unesco, que estima que apenas Bolívia, Peru e Suriname “vão atingir a meta estabelecida”.

A Unesco estima em 33 milhões o número de adultos “que carecem de conhecimentos básicos de leitura e escrita” na América Latina, “sendo 55% mulheres”.

O relatório emite uma série de recomendações, entre elas a obrigação de se “cursar um ano de ensino pré-escolar no mínimo”, uma “educação gratuita que deve abranger cadernos, livros, uniformes e transporte escolar”, a aplicação dos “convênios internacionais sobre idade mínima” para o trabalho, a adequação das políticas de alfabetização às “necessidades das comunidades” e a redução das “disparidades de gênero em todos os níveis”.

Brasil cumpre apenas 2 de 6 metas mundiais para a educação, diz Unesco

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Só um terço dos países atingiram objetivos para período 2000 a 2015.
Inep contesta números e diz que país avançou no acesso à educação.

Paulo Guilherme, no G1

Um relatório divulgado nesta quarta-feira (8) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), mostra que somente um terço dos países alcançou todas as seis metas de educação estabelecidas há 15 anos para o período de 2000 a 2015. Segundo o relatório, o Brasil chegou a duas dessas metas: universalizar o acesso à educação primária (1ª ao 5 ano do ensino fundamental) e atingiu a meta da igualdade de gênero, levando meninos e meninas às aulas em grande proporção.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), autarquia do Ministério da Educação, constesta os números e vê grandes avanços no acesso à educação na pré-escola, no ensino profissionalizante e no combate ao analfabetismo.

As metas foram estabelecidas na Cúpula Mundial de Educação, em Dakar, no Senegal, com 164 países, ocorridas em 2000. O objetivo global era que todos os países pudessem chegar a 2015 tendo cumprido as seis metas abaixo:

META 1 – PRIMEIRA INFÂNCIA
Expandir a educação e os cuidados na primeira infância, especialmente para as crianças mais vulneráveis. Entre os países, 47% alcançaram o objetivo e outros 80% quase conseguiram. Segundo a Unesco, o Brasil não atingiu a meta. O Inep contesta.

META 2 – EDUCAÇÃO PRIMÁRIA
Alcançar a educação primária universal, particularmente para meninas, minorias étnicas e crianças marginalizadas. Objetivo foi alcançado por 42% dos países. O Brasil cumpriu.

META 3 – JOVENS E ADULTOS
Garantir acesso igualitário de jovens e adultos à aprendizagem e a habilidades para a vida. Unesco diz que 46% dos países atingiram. O Brasil não.

META 4 – ANALFABETISMO
Alcançar uma redução de 50% nos níveis de analfabetismo de adultos até 2015. Apenas 25% dos países atingiram. O Brasil não atingiu, segundo a Unesco.

META 5 – MENINOS E MENINAS
Alcançar a paridade e a igualdade de gênero. Unesco diz que 69% dos países atingiram meta na educação primária e 48% no ensino médio. O Brasil atingiu.

META 6 – EDUCAÇÃO DE QUALIDADE
Melhorar a qualidade de educação e garantir resultados mensuráveis de aprendizagem para todos. De acordo com o relatório, faltam 4 milhões de professores no mundo. Brasil não atingiu esta meta.

Apenas 57 países alcançaram os seis objetivos. O Brasil alcançou as metas 2 e 5. “O Brasil faz esforço grande para expandir o ensino público de educação infantil mas ainda precisa avançar mais para cumprir essa meta”, diz a coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, Rebeca Otero, em relação à meta 1.

Unesco diz que Brasil atingiu objetivos no acesso de alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental (Foto: TV Globo/Reprodução)

Unesco diz que Brasil atingiu objetivos no acesso de alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental (Foto: TV Globo/Reprodução)

Inep contesta números

Chico Soares, presidente do Inep, contesta. “Em 2002 tínhamos 3 mil creches públicas. Hoje temos 35 mil. Nos comprometemos a expandir e melhorar. Implantamos políticas públicas e trouxemos a educação para o centro dessas políticas. De onde a Unesco tirou que não cumprimos a meta?”, questiona.

Sobre o acesso de jovens e adultos ao ensino (meta 3), a Unesco vê progressos nos programas de educação tecnológica, como o Pronatec, mas precisa ainda melhorar o índice de jovens matriculados no ensino médio. O Inep diz que o país dobrou o número de matrículas em cursos profissionalizantes de 2 milhões para 4 milhões.

A organização também vê o Brasil com um grande número de analfabetos e analfabetos funcionais (meta 4). “Avançamos em várias faixas etárias, somente para as pessoas acima de 60 anos a redução do analfabetismo foi mais discreta. O importante é que fechamos a porteira. Na faixa de 15 a 19 anos, apenas 1% dos jovens são analfabetos”, diz Soares.

Sobre a meta 6, a Unesco vê uma a necessidade de uma maior valorização do professor no Brasil. O Inep diz que apresenta à sociedade de maneira transparente os resultados das políticas de educação por meio do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). “Caminhamos muito nos anos iniciais. Caminhamos menos no ensino médio. Temos coisas para fazer, tanto que fizemos o Plano Nacional da Educação.”

Crianças fora da escola

Crianças do Paquistão têm aula em Islamabad (Foto: B.K. Bangash/AP)

Crianças do Paquistão têm aula em Islamabad (Foto: B.K. Bangash/AP)

A educação no mundo ainda não é tratada da maneira como deveria, segundo a Unesco. A organização afirma que apesar de neste período 34 milhões de crianças terem tido acesso à educação, ainda há 58 milhões de crianças fora da escola no mundo e cerca de 100 milhões de crianças que não completarão a educação primária.

A desigualdade na educação aumentou, com os mais pobres e desfavorecidos carregando o maior fardo. As crianças mais pobres do mundo têm chances quatro vezes maiores de não frequentar a escola quando comparadas às crianças mais ricas do mundo, e cinco vezes maiores de não completar a educação primária.

Uma nova reunião mundial será realizada em maio na Coreia do Sul para traçar objetivos para o período de 2015 a 2030.

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