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David Nicholls explica como as viagens serviram para dar coesão ao romance ‘Nós

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O escritor David Nicholls - HAL SHINNIE / Divulgação

O escritor David Nicholls – HAL SHINNIE / Divulgação

Inglês vem ao Brasil para a Bienal

Mateus Campos, em O Globo

RIO — Enquanto percorria o mundo com a turnê de divulgação do best-seller “Um dia” (Intrínseca), David Nicholls concebeu seu mais recente romance, “Nós” (Instrínseca). No livro, um casal inglês de meia-idade com problemas conjugais embarca em uma viagem pela Europa, junto ao filho adolescente, para tentar salvar o casamento. O escritor, afeito às jornadas internacionais, prepara as malas para vir ao Brasil em setembro. No dia 5, ele participa da 18ª Bienal Internacional do Livro, no Rio.

— É perfeitamente possível passar anos viajando entre festivais, workshops e simpósios. Levei dois anos para escrever “Um dia”, e foi ótimo conhecer todas aquelas pessoas e lugares depois disso. Especialmente porque eu era muito medroso e pobre para viajar na juventude — diz ele, que nunca visitou o Rio. — É o lugar mais longe de Londres para onde terei ido. Será minha primeira vez na América Latina e apenas a segunda abaixo da Linha do Equador.

No entanto, depois de setembro, ele espera voltar à Inglaterra para escrever. Nicholls conta que ainda não tem nenhum novo romance em vista. Sem dar detalhes, revela o próximo projeto em que está engajado.

— Vou fechar a porta, desligar a internet e escrever — explica. — Eu não posso começar nada antes de ter certeza que é algo que amo tanto quanto “Um dia”, “Nós” e os outros. Em vez disso, estou escrevendo minha primeira peça e preciso aprender uma série de novas habilidades.

‘GRAND TOUR’ PELA EUROPA

Se Nicholls apostou em um romance entre dois jovens em “Um dia”, ele dialoga com temas adultos em “Nós”. Acordado no meio da noite pela mulher Connie, o bioquímico Douglas Petersen descobre que ela pensa em se separar nele.

Aos 54 anos, ele jamais suspeitara das intenções da esposa. Então, narra sua jornada em busca de resgatar o amor que existia no passado.

Ele decide botar em prática um antigo sonho do casal: fazer o “Grand Tour” pela Europa. O plano é visitar cidades como Barcelona, Paris e Florença e flanar pelos museus de cada uma delas. Eles arrumam as malas e levam o filho, o adolescente Albie, que — por vezes — reserva ao pai olhares de “puro e concentrado desprezo”.

A estratégia não dá exatamente o resultado esperado. A convivência forçada exacerba a convivência da família e expõe ainda mais as fissuras entre os membros do clã.

— Douglas espera que a viagem sirva como uma terapia, mas esquece o quanto isso pode ser estressante. — diz ele — Eu adoro viajar, mas me transformo em uma pessoa completamente diferente quando estou longe de casa com a minha família. Nunca fico completamente relaxado. É exaustivo e estressante e sempre volto de férias precisando de novas férias para descansar. A viagem até pode ser uma terapia: ela desune as pessoas tanto quanto pode uni-las. É essa comédia que quis explorar no livro.

RELAÇÕES UNIVERSAIS

Douglas, no entanto, traça uma jornada de autoconhecimento. Para Nicholls, a viagem ajuda o protagonista a entender o complicado momento da própria vida.

— A ideia de um “Grand Tour” é antiga, e data do século XVIII. O turista deixaria seu país como um garoto e voltaria um homem. Acho que parte dessa tradição sobrevive quando vemos adolescentes viajando pelo mundo. Mas gostei da ideia de alguém vivenciar o rito de passagem na meia-idade: se deparar com novas experiências, se apaixonar e sofrer todos os tipos de trauma. Mas, sobretudo, voltando alterado dessa jornada. E acho que ele retorna para casa um homem melhor — explica ele.

O autor dá a “Nós” um clima agridoce, onde o amor idealizado perde a vez. Ao narrar dilemas e dramas de um casal urbano, que aos poucos perde ilusões e encara a vida real, ele parece retratar um tipo de relacionamento muito comum.

— É bem verdade que muita gente me disse “Eu me casei com o Douglas” ou exclamou “Meu filho é o Albie!” — diz ele. — Mas eu nunca me sento para escrever sobre verdades universais. Eu nem tenho certeza se sei quais são elas. O truque, na minha opinião, é ser o mais específico possível, e esperar que os leitores pensem: “Eu sei exatamente o que é isso”.

Quando o livro foi lançado no exterior, em 2014, ele foi saudado com boas críticas. Alguns apontaram que a história do metódico Douglas era mais do que um best-seller qualquer. Apesar de ter respeitado o furor de jovens leitores ao redor do mundo com seu terceiro romance (“Um dia” vendeu 450 mil exemplares apenas no Brasil, segundo a editora), Nicholls foi rotulado como um “autor sério”.

O livro, inclusive, foi incluído na primeira lista do Man Booker Prize. Mas o inglês garante não se preocupar com a maneira com que enxergam sua literatura.

— Eu jamais recusaria o título de autor de best-sellers. Espero, como muitos, alcançar a maior audiência possível. Não é saudável um escritor pensar muito se é “literário” ou “popular” — explica. — Eu jamais sonharia em me programar para escrever algo para o mercado ou algo para os críticos. Não existe qualquer tipo de fórmula para fazer isso.

Segregação escolar

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Estudos revelam mecanismos nas redes públicas que prejudicam alunos mais pobres na procura pelas melhores escolas

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Antônio Gois, em O Globo

Um terço dos alunos da rede municipal do Rio muda de escola pública ao longo do primeiro ciclo do ensino fundamental. Depois, ao se formarem nessa etapa, quase todos terão que fazer o mesmo, pois são poucos os estabelecimentos que oferecem também o segundo ciclo. No mundo ideal, essas mudanças teriam pouca relação com a origem social de cada família. Na prática, não é o que acontece, como demonstram estudos feitos pelo Laboratório de Pesquisa em Oportunidades Educacionais da UFRJ.

Essa linha de pesquisas atraiu o coordenador do laboratório, Márcio da Costa, há cerca de dez anos, quando visitava uma escola municipal. Uma assistente de pesquisa que o acompanhava questionou se aquele ele era realmente um colégio público, afinal, mesmo bem próximo de uma favela, praticamente não havia alunos negros. Ouviram então da diretora que ali ela não deixava entrar aluno de favela.

A segregação no Brasil já ocorre quando só famílias com mais recursos matriculam filhos em escolas privadas. As pesquisas do grupo da UFRJ, porém, tratam principalmente do sistema público. Um estudo de Mariane Koslinski e Julia de Carvalho identificou que, na transição de uma escola do primeiro ciclo para outra do segundo ciclo no Rio, havia uma tendência de alunos de famílias mais pobres de continuarem estudando em escolas de menor desempenho, que atendem crianças igualmente mais vulneráveis. Uma das razões que explicavam isso era o fato de muitos diretores trocarem informações entre si sobre o perfil dos alunos, direcionando os de melhor desempenho para colégios igualmente melhores. A segregação, como demonstram Costa e Tiago Batholo em outro trabalho, acontecia em alguns casos até com estudantes de melhor desempenho sendo alocados para o turno da manhã, deixando os mais pobres ou indisciplinados para o horário da tarde.

Ao fazer entrevistas com pais para entender o problema, Costa, em parceria com Ana Pires do Prado e Rodrigo Rosistolato, ouviu relatos como o de uma mãe que contou que só após a interferência de um deputado conseguiu a vaga na escola. Outra reclamou que, por várias vezes, uma funcionária de outro colégio sequer lhe informava sobre datas e procedimentos para matrícula.

A segregação não é privilégio carioca, e outra pesquisa de Costa e Tiago Bartholo revela que os índices são ainda maiores em Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte. No Rio, as conclusões desses e outros estudos têm levado a prefeitura a fazer mudanças no sistema de matrículas. Os pais, por exemplo, passaram a poder indicar on-line uma escola de preferência.

Não existe sistema no mundo capaz de acabar por completo com o problema. Se a escolha couber exclusivamente à família, filhos de pais de menor renda e escolaridade serão prejudicados, pois esses têm menos condições de identificar e viabilizar a matrícula nas melhores escolas (a experiência do Chile evidencia isso). Por outro lado, tampouco funciona alocar crianças de acordo apenas com seu local de moradia. Em cidades com níveis tão altos de desigualdade como as nossas, a tendência é a de criação de guetos, com alunos de áreas vulneráveis condenados a estudar apenas com outros de mesma condição social e nos mesmos estabelecimentos, em geral, de pior qualidade.

O desafio é encontrar um equilíbrio que concilie a justa preocupação das famílias pelas melhores escolas possíveis com uma regulação que evite a concentração de mais pobres nos piores colégios. Não é uma tarefa simples, mas conhecer a fundo o problema é o primeiro passo para enfrentá-lo.

‘Lei de responsabilidade educacional precisa ser pedagógica’, diz ministro da Educação

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Publicado em Estadão

O ministro da Educação Renato Janine Ribeiro afirmou ao Estado que a Lei de Responsabilidade Educacional, em tramitação no Congresso e que prevê maior fiscalização a administradores públicos que descumprirem metas educacionais em seus municípios e Estados, precisa ser “pedagógica”.

Conforme revelou reportagem do Estado nesta semana, 294 municípios brasileiros tiveram piora em suas redes de educação no Ensino Fundamental desde 2009. Estas cidades tiveram baixa na nota do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), feito de dois em dois anos, por duas edições seguidas – entre 2009 e 2011 e entre 2011 e 2013. O índice leva em conta o fluxo escolar (aprovação de alunos) e o desempenho das escolas na Prova Brasil. Não existem hoje mecanismos que fiscalizem a ação de prefeitos, secretários de educação e diretores escolares quanto ao rendimento na avaliação.

“Se você usa o Ideb como fator, depende de como está qualificando isto. Se já há um Ideb alto, é difícil de aumentá-lo. Se tiver queda na arrecadação, é difícil de manter. Sobretudo, se você atender uma coisa importantíssima, que é inserir crianças que ainda não estão na escola, vai ser difícil subir o Ideb”, explicou.

Para o ministro, a lei deve incentivar os gestores a usarem o indicador para melhorar o desempenho de suas redes. “Pensamos que devemos ter um conjunto de medidas que estejam na lei e, caso não sejam atendidas, o prefeito ou o governador terão um prazo para se apresentar ao fórum local de educação e ao legislativo e, com isso, se faça um diagnóstico com as medidas que deverão  tomar. Isto exigiria que o gestor público assumisse responsabilidade sobre o problema”.

Ribeiro ressaltou ainda que não são só as 294 cidades apontadas pela reportagem que têm problemas. “Há mais casos de desempenho que não é satisfatório”. Destacou, no entanto, que a nota baixa geralmente vem junto a outros indicadores sociais negativos. “O erro que a gente comete é pensar que o Ideb ruim é fruto apenas da rede educacional. Quando o Ideb é muito baixo, a cidade tem saúde ruim, pouco acesso a empregos. Todos os indicadores negativos andam juntos, assim como os positivos. Não adianta querer responsabilizar só o educador. Tudo está junto”.

Educação profissional. Janine Ribeiro participou nesta sexta do WorldSkills, maior evento de educação profissional no mundo. Na ocasião, ele assinou uma carta aberta com outros três países – Rússia, Holanda e Coreia do Norte – em que se compromete a dar atenção à educação profissional no País.

“Quatro países fazem uma proclamação pública da importância da educação profissional e seu desenvolvimento”, explicou. Ao longo de três horas, Ribeiro e ministros dos três países explicaram como a modalidade funciona em suas nações. Ele comentou que há pontos de convergência entre os modelos, mas destacou que estão em fases diferentes. “No caso do Brasil nós temos, sempre que pensamos na educação profissional, de pensar não apenas no aspecto da economia. Temos de pensar na inclusão social, um problema que talvez para eles (outros países) não haja mais. Mas são agendas complementares. O ensino profissional é importante, não é uma coisa menor. Pode trazer progresso e desenvolvimento”.

Na ocasião, o ministro ainda ressaltou que o governo federal garantiu 8,1 milhões de matrículas no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec)  e lembrou da meta de triplicá-las até 2018.

Conheça 5 booktubers brasileiros e tenha dicas bacanas de leitura

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Publicado no Catraca Livre

Você quer saber mais sobre a história de um livro de maneira descontraída e divertida? Para os que dispensam aquelas resenhas extensas, saiba que os booktubers estão aqui para descomplicar sua vida. São youtubers que mostram na telinha do canal de vídeo suas dicas e comentários sobre obras literárias e o mundão que envolve a literatura.

É o tal do boca a boca do livro, só que online no YouTube. Fuçamos a internet e encontramos cinco booktubers bacanas, com milhares de visualizações. Quem é apaixonado por leitura vai gostar de conhecê-los e assisti-los. Confira:

1. Bruno Miranda (Minha Estante)
O canal tem mais de quatro anos e contabiliza mais de 5 milhões de visualizações. Tem vídeo novo a cada semana.

2. Pamela Gonçalves
Com mais de 4 milhões de visualizações, Pam posta dois ou três vídeos semanais (terça e quinta) sobre livros, séries, filmes e afins.

3. Tatiana Feltrin (The Tiny Little Things)
Livros e resenhas para todos os gostos. O canal tem mais de 10 milhões de views.

4. Eduardo Cilto (Perdido Nos Livros)
O canal tem vídeo novo toda segunda-feira e fala sobre o mundo da literatura em geral. (mais…)

Mapas reúnem práticas educacionais inovadoras de todo o mundo

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O mapa coletivo da educação alternativa Reevo, lançado pela ONG Redes de Pares, tem a intenção de colocar em contato organizações, escolas e pessoas (Reprodução/Site)

O mapa coletivo da educação alternativa Reevo, lançado pela ONG Redes de Pares, tem a intenção de colocar em contato organizações, escolas e pessoas (Reprodução/Site)

Publicado na EBC[via Portal Porvir]

Uma sala de aula da escola rural Lo de Mejía II, em San Juan Sacatepéquez, na Guatemala, foi transformada em museu, onde os alunos são incentivados a aprender pela experimentação. Objetos que as crianças da comunidade dificilmente teriam acesso, como pedras preciosas, antiguidades, réplica do sistema solar e moedas antigas, são usados para despertar curiosidade e gosto por conhecimento nelas.

A prática pontual, que chegou a ser premiada nacionalmente, mas dificilmente seria conhecida em outros países, é uma das 360 experiências que estão no mapa coletivo da educação alternativa Reevo, lançado pela ONG Redes de Pares. Sua intenção é colocar em contato organizações, escolas e pessoas interessadas na transformação da educação. “O objetivo da ONG, cujo Reevo é o primeiro projeto, é reunir comunidades e coletivos de pessoas com interesses comuns e trabalhar em rede para construir conhecimento e formas de ação coletiva”, explicou ao Porvir o cineasta argentino German Doin, 26, líder do projeto.

A plataforma mostra experiências de educação formal e não-formal, ensino superior, além de grupos de trabalho e estudo, personalidades e eventos relacionados à educação, que podem ser buscados por enfoque alternativo (progressista, democrático, holístico popular, etnoeducação e educação fora da escola), método pedagógico (Montessori, Waldorf, Reggio Emilia, Pikler) e tipo de gestão (estatal, privada, social, comunitária, charter). O nível de informação disponível sobre cada iniciativa é diferente, mas a maioria tem em sua ficha uma descrição das práticas e suas origens, o contexto do lugar onde estão instaladas, se são lucrativas ou não, se são reconhecidas oficialmente e que nível escolar atendem. Como é um mapa colaborativo, as informações aparecem em diferentes línguas.

O trabalho provocativo de Doin em prol da educação alternativa começou antes da criação do mapa, a partir do filme independente “La Educación Prohibida”, lançado em agosto de 2012 pela internet, depois de três anos de produção. Para filmar a película, o argentino e outras pessoas que se juntaram a ele ao longo do processo visitaram 45 experiências de educação não convencionais em sete países da América Latina. A ideia era divulgar formas de educação transformadora e promover debate sobre o tema. E eles conseguiram.

Já na primeira semana após o lançamento, 2 milhões de pessoas haviam assistido ao filme. Até hoje, “La Educación Prohibida” teve cerca de 9 milhões de visualizações pela web. Segundo Doin, na Argentina, quase todos os professores viram a película. “Muita gente assistiu ao filme e começou a falar sobre educação. Isso tem mais valor que o filme e seu conteúdo em si”, avalia.

O mapa é uma continuação dessa conversa. Lançado junto com o filme, o Reevo documenta experiências (as do filme e outras) e as divulga. A ideia é transformar o Reevo em uma rede social e virtual dedicada à educação alternativa. O próximo passo é combinar o mapa com uma enciclopédia colaborativa.

Doin não está sozinho na empreitada. Atualmente, quatro pessoas com formação em comunicação e redes colaborativas trabalham em tempo integral no projeto. E cerca de 20 ativistas voluntários de vários países da América Latina e do mundo hispânico contribuem visitando escolas e relatando iniciativas inovadoras, assim como Doin fez para filmar seu filme.

No Brasil
Essa prática, aliás, não é exclusiva do cineasta argentino. Pelo mundo, outros interessados em educação realizam roteiros para conhecer instituições de ensino não convencionais e compartilham essas informações em blogs, livros e filmes. No Brasil, um desses viajantes é o jornalista (mais…)

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