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Escolas e universidades no Brasil desestimulam aluno empreendedor

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Escolas e universidades no Brasil desestimulam aluno empreendedor

Sabine Righetti, na Folha de S.Paulo

Responda rápido: o que é, na sua opinião, um estudante universitário bem sucedido?

Se você respondeu que é o aluno que consegue um estágio ou um trabalho em uma grande empresa –de preferência uma “multinacional”– você acaba de dar uma resposta muito comum entre brasileiros.

Aqui nos Estados Unidos, onde estou nesse momento, a resposta seria bem diferente. Nos EUA, um universitário bem sucedido é aquele que cria o seu próprio negócio. Ele identifica uma oportunidade, tem uma ideia e desenvolve uma solução. É um tipo Mark Zuckerberg, 30, que criou o Facebook quando ainda estudava em Harvard. Há vários exemplos como ele pelo país.

No Brasil, assim como em muitos países latino-americanos, ou países em desenvolvimento, as escolas e as universidades não preparam seus estudantes para criar, para arriscar, para ousar. O gol é trabalhar em uma empresa na sua área de estudos, ganhar bem e conseguir manter seu emprego.

De onde vem isso? Tenho algumas hipóteses.

A primeira hipótese é que países de economia historicamente instável, como o Brasil, tendem a educar seus jovens para que eles arrisquem menos. É assim: arrume logo seu emprego e não invente moda. Se você trabalhar para o governo, então, melhor ainda. Atire a primeira pedra quem é da minha geração (30-40 anos) e nunca ouviu dos pais que deveria trabalhar no governo.

Pois é.

Aqui, entramos na minha segunda hipótese: a própria família desestimula os brasileiros a se arriscarem a criar novos negócios e novas soluções. É melhor arrumar um emprego, não sabemos o dia de amanhã. Uma postura protecionista, muito parecida, aliás, com a de famílias de países árabes, por exemplo.

ERRAR É FEIO

Mais: no Brasil é “feio” errar. Se você errou, você não deveria nem ter tentando. Não te avisaram que poderia dar errado? Por que foi teimoso e insistiu em tentar? Essa é, na maioria das vezes, a lógica brasileira. Já nos EUA, errar tem uma ligação com “ousadia”. Só erra quem tentou fazer diferente. Isso é extremamente bem visto na cultura local.

Eu estou justamente nos EUA, que é um dos países mais inovadores do mundo, fazendo uma pesquisa para entender o processo de inovação e de empreendedorismo por aqui. Como exatamente a escola e a universidade aqui conseguem estimular o empreendedor?

No Brasil, algumas iniciativas foram criadas recentemente na tentativa de despertar o empreendedorismo. Mas tenho dúvidas sobre a eficiência delas.

Alguns cursos tradicionais de engenharia, como a Poli-USP, criaram uma disciplina opcional sobre “inovação” há alguns anos. Neste ano, a Poli-USP criou ainda um curso opcional chamado “empreendedorismo”. Mas falar sobre inovação e empreendedorismo em um contexto em que o aluno tem uma grade fixa e pouco flexível de disciplinas, com cerca de 40 horas-aula por semana, é, de fato, estimulante? Parece-me que não.

Da mesma forma, de nada adianta colocar bilhões de reais em agências federais de fomento de inovação sendo que quem poderia recorrer a esses recursos foi educado em uma cultura de pouco risco e muita insegurança.

Se a gente começar a mudar a educação agora –e mudar também o jeito como encaramos o risco e o erro–, talvez na próxima geração teremos mais empreendedores. Mas é preciso mudar agora.

Esse post foi escrito da Filadélfia, EUA, onde estou conduzindo uma pesquisa sobre inovação com apoio da Fundação Einsenhower.

‘Pintei dessa cor, tá?’, diz aluno cansado de ver desenhos padronizados

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Estudante do 5º ano de Nova Iguaçu coloriu personagens da Turma da Mônica de modo que ficassem parecidos consigo

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Publicado no O Globo

RIO – Ao receber mais uma leva de provas de fim do bimestre em uma escola municipal de Nova Iguaçu, a professora Joice Oliveira Nunes teve uma surpresa muito agradável. A cada dois meses, os alunos do 5º ano do ensino fundamental fazem uma votação para eleger qual desenho ilustrará a capa das avaliações.

Desta vez, foram escolhidos os inconfundíveis personagens da Turma da Mônica. No entanto, percebendo que nenhum deles se parecia consigo, o aluno identificado apenas como Cleidison resolveu pintá-lo a sua imagem e semelhança. E ele ainda avisou a professora porque fez isso:

– Pintei da minha cor, tá? Cansei desses desenhos diferentes de mim.

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Surpresa com a atitude, Joice abraçou a causa de seu aluno e postou a imagem do desenho no Facebook. Até este sábado, a foto já tinha mais de 3,5 mil compartilhamentos.

O que fazer para melhorar a educação? O educador José Pacheco dá pistas

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Marcelle Souza, UOL

O educador José Pacheco defende uma escola sem salas de aula, divisão de turmas ou disciplinas, ou seja, pensa que o modelo atual de ensino precisa de mudanças profundas para dar certo. “A velha escola há de parir uma nova educação, mas as dores do parto serão intensas, enquanto a tecnocracia e a burocracia continuarem a invadir domínios onde deveria prevalecer a pedagogia”, diz o pesquisador.

Apesar de português, Pacheco conhece bem o Brasil e já visitou experiências educacionais em várias cidades do país. Ele diz que o Brasil possui excelentes professores e teóricos, e que uma mudança depende de autonomia e da dignidade de um diálogo horizontal e respeitoso entre escolas e poder público.

Sobre algumas das bandeiras mais defendidas pelos candidatos na campanha deste ano, Pacheco diz que não adianta aumentar o tempo na escola se a estrutura continua a mesma, o que ele chama de dose “dupla de tédio”, e que usar tablets na sala de aula não resolve os problemas da escola, eles “apenas contribuem para reforçar a mesmice”. Leia a seguir a entrevista com o educador, que acaba de lançar o livro “Crônicas Educação”.

UOL Educação – Alguns candidatos à presidência da República listam em seus planos de governo o incentivo ao uso de tecnologias da informação e da comunicação em sala de aula. Na sua opinião, qual deve ser o peso dessas ferramentas no dia a dia dos alunos?

José Pacheco - Com ou sem novas tecnologias, a escola precisa ser reinventada. Mas do modo como as novas tecnologias estão a ser introduzidas nas escolas, temo que se transformem em panaceias, que sirvam para congelar aulas em computadores, aulas que os alunos, acostumados ao imediatismo e à velocidade dessas tecnologias, acriticamente consumam, sem resquícios de cooperação com o aluno vizinho, dependentes de vínculos afetivos precários, estabelecidos com identidades virtuais. É comum verificar que a utilização de quadros interativos e o recurso a tablets, por exemplo, são considerados indicadores de qualidade, quando apenas contribuem para reforçar a mesmice.

UOL – Em seus planos de governo, os presidenciáveis destacam a ampliação do ensino em tempo integral. Qual é o impacto do aumento da permanência da criança na escola?

Pacheco – Um bom exemplo de iniciativa ministerial é o “Mais Educação”. Porém, a interpretação prática de uma proposta de elevado potencial redundou, em muitas escolas, na criação de “contraturnos” feitos de atividades desconexas, transformando o turno integral numa dose dupla de tédio. O impacto poderá ser positivo, se não se tratar apenas de “tempo integral”, mas de desenvolver educação integral em tempo integral. Não se aprende apenas no restrito tempo escolar de quatro horas diárias, ou adicionando horas de “contra-turno”. A aprendizagem acontece vinte e quatro horas de cada dia, nos trezentos e sessenta e cinco dias de cada ano. Deveremos aproveitar a iniciativa do “Mais Escola” para recuperar a ideia de vizinhança, de solidariedade, de fraternidade, de responsabilidade social.

UOL – Acaba de entrar em vigor no Brasil o novo PNE (Plano Nacional de Educação), com metas para a educação brasileira os próximos dez anos. Quais são os seus pontos negativos e positivos?

Pacheco - A par do reconhecimento de muitos dos seus méritos, deverei denunciar o fato de em nenhuma das suas propostas e conclusões haver indícios de uma ruptura de paradigma. O PNE deixa pressupor que o sistema educativo se manterá cativo do velho modelo epistemológico do século 19. Celebro o PNE como documento de macro política. Mas a melhoria da educação depende mais de pequenos gestos quotidianos, no chão das escolas.

UOL – Uma das principais metas do PNE é a destinação de 10% do PIB para a educação. Na sua opinião, mais dinheiro para a educação está relacionado ao aumento da qualidade do ensino?

Pacheco - É louvável essa iniciativa. Porém, a manter-se a prevalência do modelo epistemológico do século 19, de que enferma a maioria das escolas brasileiras, a destinação de 10% do PIB apenas dará aso a um maior desperdício de recursos.

UOL – Qual é a sua avaliação sobre a definição de uma base curricular nacional?

Pacheco - Seria útil rever currículos. As ditas “grades” de língua portuguesa, por exemplo, são amontoados de conteúdos inúteis. Para que serve decorar termos como “dígrafo”, ou expressões como “sujeito nulo subentendido”? O leitor saberá o que são “plantas epífitas”, ou em que consiste um “ato elocutório diretivo”? Nem eu! Mas os alunos são receptáculos de uma acumulação cognitiva, que nem mil horas de “carga” poderiam contemplar. Quando aluno, fiz decoreba dos afluentes da margem esquerda de rios africanos e outras lengalengas que me ocupam a memória de longo prazo e que não me fizeram mais sábio nem mais feliz.

UOL – Um dos entraves da educação básica hoje é ensino médio, fase em que muitos jovens deixam a escola. Alguns candidatos à presidência defendem a reformulação do ensino médio. O que precisa mudar na sua opinião?

Pacheco - Na minha opinião, não é somente o ensino médio que precisa mudar. Predomina nas escolas uma cultura que assente no individualismo, na competição desenfreada, na ausência de trabalho em equipe, na ausência de verdadeiros projetos. Nas decisões de política educativa, prevalece o discurso de economistas, engenheiros, técnicos de informática, jornalistas, gestores, diretores de marketing, ex-ministros, empresários, tudo gente de boa vontade, mas desprovida de conhecimento pedagógico. Talvez devamos apelar ao bom senso dos candidatos e dos titulares do poder público, pedir-lhes que estejam atentos a excelentes práticas que muitos educadores brasileiros vêm produzindo, sem importação de modas pedagógicas, e que são o contraponto da construção social “escola”, que a modernidade nos deixou como herança. A velha escola há de parir uma nova educação, mas as dores do parto serão intensas, enquanto a tecnocracia e a burocracia continuarem a invadir domínios onde deveria prevalecer a pedagogia.

UOL – Você acha que dar um auxílio financeiro (bolsa) ou oferecer o ensino médio aliado à capacitação profissional são saídas para reduzir o abandono nessa fase?

Pacheco – Duvido que essas medidas logrem grandes mudanças. O meu conhecimento da educação é parco, mas suficiente para poder afirmar que há motivos para ser esperançoso. Não tanto pelos progressos na política educativa, que continua sendo desastrosa, mas pelos projetos que, por toda a parte, vejo surgir. O Brasil tem excelentes professores e os melhores teóricos do mundo. O drama educacional brasileiro poderá sintetizar-se numa frase: jovens do século 21 são ensinados por professores do século 20, com recurso a práticas do século 19, em práticas desprovidas de fundamentação científica. A lei brasileira permite ultrapassar esta situação. Estou a falar de autonomia, da dignidade de um diálogo horizontal, respeitoso entre escolas e poder público. Temos razões para acreditar que a educação do Brasil pode melhorar.

Balança, mas cai pouco: vivendo a maior crise da sua história USP ainda é a melhor do Brasil

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Apesar dos problemas, universidade mantém colocação mais alta em rankings internacionais
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Publicado no R7

Comemorando 80 anos de existência em 2014, a USP (Universidade de São Paulo) faz esforço para superar a maior crise de sua história.

A insituição correu contra o tempo para viabilizar a retomada das atividades acadêmicas no segundo semestre. As aulas ficaram paralisadas mais de 116 dias em decorrência de uma greve de funcionários.

No primeiro semestre, 105% do orçamento mensal da instituição foi comprometido com a folha de pagamento. De janeiro a junho deste ano, a USP gastou R$ 2,27 bilhões com salários, benefícios e provisão de 13º e férias a seus servidores.

Os recursos repassados pelo Estado à universidade no mesmo período atingiram apenas R$ 2,15 bilhões.

Como a conta não fecha, ações para diminuir os gastos estão sendo anunciadas. Entre elas a transferência do HU (Hospital Universitário)e do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, o Centrinho, de Bauru, para a Secretaria Estadual de Saúde, o que o governador Geraldo Alckmin disse não aceitar.

O Conselho Universitário da USP — órgão máximo da instituição — aprovou a criação de um PDV (plano de demissão voluntária), que prevê a aposentadoria antecipada de cerca de 1.800 funcionários. Mesmo assim, o reajuste de 5,2% para professores e funcionários, eleva a previsão da reitoria para os gostos para R$ 1,15 bilhão além do que ela recebe de verbas até dezembro deste ano.

Outro problema sério são os gastos com benefícios, que aumentaram 305% nos últimos cinco anos segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo. Em 2009, o auxílio–alimentação oferecido aos 23 mil servidores da universidade equivalia a R$ 400 mensais; cinco anos depois, o valor chega a R$ 690. Já o vale-alimentação era de R$ 15 diários e hoje equivale a R$ 29 ao dia (aumento de 93%).

Outra medida para superar a crise financeira é a venda imóveis. O reitor disse que pretende arrecadar R$ 50 milhões com a venda de terrenos e salas comerciais adquiridas na gestão anterior.

Rankings

Os sérios problemas de gestão não desbancaram a instituição dos postos de melhor do Brasil e da América Latina, segundo o ranking da publicação britânica QS (Quacquarelli Symonds), que elenca as melhores universidades do mundo, divulgado no último dia 15.

Na sua última edição do QS, a USP ficou entre as 150 melhores universidades do mundo, assumindo a 132º posição — a universidade chegou a ocupar o 127º lugar em 2013. A USP caiu, mas é a única brasileira no ranking das melhores universidades do mundo.

A liderança da insituição se mantém em outras listas. Ela é a única brasileira no top 100 do ranking THE (Times Higher Education). Tem cinco estrelas em 96 de 119 de seus cursos avaliados pelo Guia do Estudante e ficou em primeiro lugar no RUF (Ranking Universitário Folha), elaborado e divulgado pelo jornal Folha de São Paulo no início do mês de setembro.

O que explica?

O R7 procurou especialistas para explicar como são feitas as considerações para a elaboração dos rankings e os motivos pelos quais a USP se continua entre as melhores instituições.

Segundo o professor de didática da Faculdade Ciências e Letras da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Edson do Carmo Inforsato, os rankings universitários internacionais e nacionais fazem considerações diferentes.

— Nos rankings internacionais, as instituições de ensino superior são basicamente classificadas em termos da produção de pesquisas científicas e do seu nível de internacionalização pensando no número de alunos que fazem intercâmbio, explica.

As listas estrangeiras também levam em conta o número de pesquisas de impacto realizadas pelas universidades e publicadas em revistas científicas. Além disso, o número de citações dos nomes dos pesquisadores da instituição em outros estudos também é relevante.

— Já as listas brasileiras envolvem parâmetros relacionados ao número de cursos da universidade, ao número de pessoas que ela forma todos os anos e à relação desse número com os ingressos no mercado de trabalho, explica o professor da Unesp.

Segundo Inforsato, por ser a primeira e maior universidade criada no Brasil e a primeira instituição a oferecer cursos de pós-graduação no País, a USP “sempre foi a campeão em captar recursos provenientes da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo] e do ICMS (Imposto sobre Operações de Circulação de Mercadorias, Prestações de Serviços de Transporte de Comunicação)”.

Ao todo, a USP registra 26, 7 mil pesquisas e 1,4 mil prêmios nacionais e internacionais ganhos por professores.

— O Brasil hoje produz cerca de 15% das publicações científicas mundiais. Desses 15%, os estudos da USP abrangem mais da metade.

— Vale destacar que a Universidade de São Paulo arrecada quase 5% do total de quase 10% Do ICMS repassados às três estaduais paulistas [USP, Unesp e Unicamp], completa o professor.

Proporção e excelência

Dados de 2012 (os últimos divulgados pela reitoria) mostram que a universidade conta hoje com 92 mil alunos matriculados em cursos de graduação, mestrado e doutorado; 16, 8 mil funcionários técnico-administrativos e quase 6 mil docentes. A média é de um funcionário técnico para cada cinco alunos — proporção mantida em universidade de países desenvolvidos, segundo especialistas.

Para Carmem Lúcia Bragança, sócia da Diálogo Consultoria em Educação, o tamanho da universidade e a proporção de seu corpo docente com relação ao número de alunos são fatores fundamentais para a qualidade do ensino medida pelos rankings.

— Acho que a USP já esteve melhor com relação a isso. Hoje, existem na universidade salas com 100 alunos. É óbvio que essa proporção interfere no processo de ensino aprendizagem, pontua.

Carmem analisa ainda que “apesar de todas as interferências de políticas, a USP consegue manter uma histórica tradição de pesquisa que é uma referência para o Brasil”.

Ela ressalta como produção científica de ponta da universidade as áreas de biomedicina e ciências naturais.

— A USP se destaca em estudos sobre o genoma, por exemplo. Além disso, observo uma postura da universidade em prol da ampliação de recursos de comunicação digital, o que ajuda a manter boas iniciativas, finaliza a consultora.

‘Precisamos interferir no processo de alfabetização’, diz ministro

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Alfabetização
FLÁVIA FOREQUE, Folha de S.Paulo

Para o ministro Henrique Paim (Educação), o resultado da ANA (Avaliação Nacional da Alfabetização) indica a necessidade de o governo federal “interferir no processo de alfabetização”.

Aplicada pela primeira vez no ano passado, a prova mediu o nível de conhecimento de 2,3 milhões de alunos do 3º ano da rede pública. Foi a primeira vez que um exame nacional foi aplicado às crianças nessa etapa do ensino.

Até então, dados sobre essa fase eram analisados por meio da Prova ABC, exame do movimento Todos pela Educação cuja aplicação era amostral. Além disso, o IBGE coleta dados sobre o tema: segundo o Censo 2010, 15,2% das crianças não estão alfabetizadas aos 8 anos.

“A partir dos dados da ANA as escolas, as secretarias estaduais e municipais de educação vão aperfeiçoar esse trabalho, junto às redes, fazendo com que tenhamos melhores resultados”, disse o ministro em entrevista à Folha, nesta quinta-feira (25).

Desde a semana passada, cerca de 55,8 mil escolas já podem visualizar os resultados em sistema online, ao qual a reportagem teve acesso.

Paim destacou que ações para aperfeiçoar o ensino vêm sendo adotadas por meio do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, lançado pela presidente Dilma Rousseff em 2012. Por meio dele, 314,4 mil professores alfabetizadores estão em formação, com participação de 38 universidades públicas.

“O MEC tem que apoiar os estados e municípios, as escolas, os alfabetizadores, para que eles possam melhorar esses resultados ao longo dos próximos anos”, disse o ministro.

“Agora eu consigo identificar a escola e consigo identificar quais os sistemas que estão mais frágeis, que precisam de mais apoio. vamos fazer com que esses Estados que tenham mais dificuldade recebam atenção especial do MEC”, completou.

DIAGNÓSTICO

Para Chico Soares, presidente do Inep (órgão do MEC responsável pela realização da prova), uma qualidade da ANA é permitir identificar que unidades têm experiências bem-sucedidas.

Ao receber seu boletim, uma determinada escola pode ver o desempenho de unidades similares, que atendem alunos de perfil socioeconômico semelhante.

“O mais importante para nós é descobrir escolas que atendem esses alunos [de menor nível socioeconômico] e que estão dando certo. (…) Essa informação é a que vamos utilizar: vamos dar escala para iniciativas que estão dando certo”, afirmou.

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