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Renato Janine Ribeiro: ‘A educação no Brasil luta para subsistir’

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 Elza Fiuza / Agência Brasil Ex-ministro da educação Renato Janine Ribeiro: "Não adianta você criar novas vagas de ensino superior se os alunos não estiverem capacitados".

Elza Fiuza / Agência Brasil
Ex-ministro da educação Renato Janine Ribeiro: “Não adianta você criar novas vagas de ensino superior se os alunos não estiverem capacitados”.

 

Em entrevista ao HuffPost Brasil, ex-ministro explica porque acredita que é muito mais difícil resolver o ensino fundamental do que o superior.

Ana Beatriz Rosa, no HuffpostBrasil

Cortes orçamentários, contingenciamento de recursos, obras paradas e bolsas suspensas.

As instituições de ensino superior no Brasil enfrentam grave crise em decorrência dos reajustes econômicos. Em paralelo, o governo federal decidiu vetar o artigo da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que incluía o cumprimento das metas previstas pelo Plano Nacional de Educação (PNE) entre as prioridades para 2018.

Para o ex-ministro da educação Renato Janine Ribeiro, não há como pensar em metas futuras enquanto o próprio sistema atual luta por sobrevivência.

“O PNE trata de novos investimentos. Isso significa você ter mais e mais gente recebendo bolsas. Isso é uma coisa nova a ser feita. Mas o que não tem sido realmente organizado é atender as contas que já existem. Você tem situações em que o Brasil poderia estar crescendo notavelmente, mas a realidade é que tem dois anos seguidos que universidades não tem reajuste salarial. Isso não é um mero detalhe”, explica o professor da Universidade de São Paulo.

Para Janine Ribeiro, a crise enfrentada pelas federais é preocupante e estabelece um sentimento de “desânimo” na sociedade frente à educação pública de qualidade.

Em entrevista ao HuffPost Brasil, Renato Janine Ribeiro falou sobre a crise orçamentária das universidades federais e os desafios para o ensino público superior no Brasil:

Orçamento e PNE

Eu sou um tanto pessimista quanto a essa situação. Quando você pega certos casos de algumas universidades você vê que o buraco é bem mais embaixo do que simplesmente não alcançar as metas do PNE. Você olha a UERJ, que é uma universidade estadual, você vê que a crise dela é de simples subsistência. Se você olhar a USP, uma das melhores do Brasil, ela enfrenta uma crise econômica que começou antes mesmo da crise enfrentada pelo Brasil. Essas duas universidades não são federais, mas refletem a situação geral do Brasil. As universidades estão com muita dificuldades em se manter. O corte de verbas do CNPQ, por exemplo, é extremamente grave. Se as bolsas do CNPQ deixarem de funcionar, você desestrutura toda a rede de pesquisa do Brasil, essas bolsas são muito importantes para o pesquisador de mestrado e doutorado. A situação não está garantida e é muito preocupante.

O PNE trata de novos investimentos. Isso significa ter mais e mais gente recebendo bolsas. Isso é uma coisa nova a ser feita. Mas o que não tem sido realmente organizado é atender as contas que já existem. Tem situações em que o Brasil poderia estar crescendo notavelmente, mas a realidade é que tem dois anos seguidos que universidades não tem reajuste salarial. Isso não é um mero detalhe.

Hoje, o problema não é o PNE, mas a manutenção do sistema como ele está. O PNE supõe uma série de avanços. Mas já faz um tempo em que muita gente percebeu que esses avanços serão impossíveis. O que é grave é que a própria manutenção do sistema educacional vigente está difícil.

Se começa a ter cortes, a não fazer aumentos e se universidades importantes como a UERJ e USP entram em crise, se não existe um atendimento prioritário para isso, não temos o que esperar para depois.

Ministro e o ministério

Quando estava no MEC, o equilíbrio das contas já preocupava. A diferença é que tinha-se mais otimismo e esperança de que a situação fosse re-equilibrada em curto prazo. A gente acreditava que a crise seria curta e logo permitiria que os problemas fossem sanados.

Aconteceu toda a situação da oposição, como o apoio a pauta-bomba do Eduardo Cunha. A crise se aprofundou e a retomada se tornou muito mais longa. Houve um jogo de ‘o quanto pior melhor’ por parte de quem estava interessado em afastar a presidente. Ao fazer isso, não estou dizendo que a crise não existia, ou que o governo da Dilma era perfeito, mas que com esse agravamento a gente não conseguiu resolver os problemas, tudo ficou mais doloroso.

A essa altura o que temos é cada vez menos verba. O governo atual acaba tendo mais dificuldade de colocar essas pautas em discussão. Porque foi custoso chegar onde eles estão.

Desafios da educação pública

O principal desafio do Brasil é a educação fundamental. A educação superior tem desafios, mas a grande tragédia está no primeiro acesso à educação. E é muito mais difícil resolver o ensino fundamental do que o superior. Porque abrange muito mais gente e em sua maioria são pessoas pobres. Quem chega até o ensino superior, apesar da expansão do acesso à educação que ocorreu nos últimos anos, está mais protegido socialmente do que aqueles que sequer entraram no ensino fundamental. O Brasil ainda tem muita gente que sequer é alfabetizada.

No ensino superior há um desafio no quesito qualitativo. E também tem o fato de que alguns cursos tem um contingente enorme de alunos, mas poucos desses alunos vão trabalhar realmente em seus mercados. No Brasil, por exemplo, temos mais universidades de direito do que em todo o resto do mundo. Quantos desses estudantes são aprovados no exame da ordem? Você tem um número gigantesco de faculdade que não estão desempenhando seu papel fundamental.

A engenharia também cresceu muito. Mas a matemática continua sendo uma matéria que os alunos têm dificuldade. Não adianta você criar novas vagas de ensino superior se os alunos não estiverem capacitados. A reforma do ensino médio era necessária, apesar de eu achar que não tenha sido bem feita. A gente tem que evitar que os alunos que chegam nas universidades desistam por não conseguirem acompanhar os cursos.

Temos uma experiência muito boa do bacharelado interdisciplinar na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e na Universidade Federal do ABC (UFABC). Ele trouxe para as pessoas uma formação multidisciplinar muito boa. Nós temos que mudar um pouco a maneira de ver a educação superior.

Educação pública X privada

Pode ser ingenuidade minha, mas não acredito que o corte nos orçamentos das federais seja uma ferramenta para dar espaço para o setor privado. Até porque o ensino público e o ensino privado tem papéis muito diferentes.

Nós chamamos de ensino privado todo o ensino que não pertence ao Estado e o ensino particular todo ensino que tem por objetivo o lucro. No ensino privado tem universidades que cobram mensalidades, mas que não tem puramente finalidade lucrativa. Essas universidades sem fins lucrativos são as que lideram o ranking de qualidade hoje no Brasil. Não vejo como as universidades com fins lucrativos iriam competir com as universidades públicas pelos estudantes. É outra coisa.
Pronatec

O Pronatec é muito importante. Vou tentar explicar a lógica em que ele foi pensado. Primeiro você tem a Bolsa Família. A bolsa consegue ajudar bem as famílias, mas para o Estado é um dinheiro perdido, porque é uma bolsa. A família precisa manter os filhos na escola, fazer os testes de gravidez, vacinações, enfim, é fantástico, mas continua sendo uma bolsa. Depois, surgiu o aumento real do salário mínimo. A pessoa não está mais recebendo uma bolsa, ela está recebendo o salário dela. Isso é mais positivo porque a lei coloca um salário melhor para essa pessoa. O terceiro momento é o Pronatec. Você tem a pessoa recebendo um salário melhor porque você melhorou a sua capacidade de trabalho. Dilma defendia o Pronatec da indústria, da lavoura, o Pronatec que gerasse dinheiro novo. Mas o caso do Pronatec para cabeleireiros, por exemplo, é um ótimo caso. Havendo uma demanda de serviços de beleza, você terá gente qualificada. Muita gente que tem um dinheiro a mais passa a cuidar da estética. E muitas mulheres de regiões pobres encontraram espaço nesse serviço, graças a capacitação profissionalizante. A ideia é melhorar o rendimento desses profissionais.

O que esperar?

Você tem pessoas com ótimas formações, até na pós-graduação, e essas pessoas estão sem emprego. Você reduz a perspectiva de trabalho delas. Por outro lado, você tem um corte nas bolsas. Pessoas que estariam entrando para o sistema e não vão ter a oportunidade de fazer suas teses de mestrado e doutorado. Isso é um desperdício. Pessoas que teriam todas as condições de crescer economicamente e que não terão a possibilidade. Se você deixa de fornecer bolsas por um ano, por exemplo, no ano seguinte você terá o dobro da demanda. Isso tudo é uma situação complicada. É a precarização econômica e social do país. Todo mundo sabe que a educação é a base de tudo. Mas o investimento na educação não tem sido feito de uma maneira correta. Isso tudo deixa a sociedade mais desanimada em relação ao ensino público de qualidade.

Brasil será o país convidado na Feira do Livro de Medellín

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Livros (iStockphoto/Getty Images)

Livros (iStockphoto/Getty Images)

País chega ao evento com 8 000 títulos para reafirmar a união selada entre os dois países após a tragédia do voo da Chapecoense

Maria Carolina Maia, na Veja

O Brasil será o convidado de honra na Feira do Livro e da Cultura de Medellín, na Colômbia, que buscará acentuar o intercâmbio cultural entre os dois países em sua 11ª edição, e renderá uma homenagem à literatura colombiana, anunciaram nesta quinta-feira os organizadores. Na apresentação da feira, que será realizada de 10 a 17 de setembro com 300 convidados nacionais e internacionais, foi informado que a delegação brasileira será formada por mais de 42 escritores, editores, jornalistas literários, autores, ilustradores, grafiteiros e artistas.

“Pela primeira vez, há um país convidado. São muitas as coisas que nos unem com o Brasil, que vem com diferentes representações artísticas, muitos escritores e sua gastronomia”, disse o prefeito de Medellín, Federico Gutiérrez, aos jornalistas.

Segundo o ministro-conselheiro da embaixada do Brasil na Colômbia, Maurício Fernando Dias Fávero, a delegação brasileira chegará à feira com mais de 8 000 títulos, que apresentarão um “leque de diversidade” para reafirmar a união selada entre os dois países após a tragédia do voo da Chapecoense.

Entre os convidados da delegação brasileira estarão a escritora Ana Maria Machado, ganhadora do prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantil, além de Ciça Fittipaldi, Odilon Moraes e Luiz Ruffato, entre outros. Também comparecerão à feira em Medellín a poeta Ana Paula Maia, o jovem escritor João Paulo Cuenca e Erick Nepomuceno, um dos tradutores do Nobel colombiano Gabriel García Márquez para o português.

A feira incluirá 640 oficinas de fomento à leitura, mais de 90 lançamentos de livros, 104 estandes e 34 conferências.

(Com agência EFE)

Livro de escritor Israelense é o mais vendido da semana no Brasil

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Foto: reprodução/internet

Foto: reprodução/internet

O historiador israelense Yuval Noah Harari é o autor do best-seller internacional Sapiens: Uma breve história da humanidade

Carol Santos, na Radio Jornal Pernambuco

Quem acompanha o programa Movimento sabe que agora nós temos duas doses literárias na semana. Todas as quintas, que não há transmissão esportiva, o jornalista Lívio Meireles traz os destaques do mundo literário e nas sexta você confere de perto os lançamentos em entrevistas com os escritores. E esta quinta-feira (17) o ponto forte dessa semana trazido por Lívio foi a presença do escritor israelense Yuval Noah Harari que conta com nada mais que dois livros na lista dos mais vendidos no país.

O grande destaque continua sendo o best-seller internacional Sapiens: Uma breve história da humanidade, que tem a primeira publicação datada em 2014. Claro que Lívio trouxe muito mais, só que você precisa clicar no player abaixo para ficar por dentro de tudo, é só por o fone no ouvido e aproveitar.
Sapiens: Uma Breve História da Humanidade

A obra retrata a ‘História da Humanidade desde a evolução arcaica da espécie humana na idade da pedra, até o século XXI’. O livro é dividido em 4 partes: A Revolução Cognitiva; A Revolução Agrícola; A Unificação da Humanidade e A Revolução Científica.

Mercado de livros fecha 1º semestre de 2017 melhor que no ano passado e vê ‘volta’ de autoajuda e biografias

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Faturamento cresceu 6,59% e volume de vendas 5,47%. Ao G1, presidente de sindicato do setor diz ver resultado com ‘cautela’: ‘Reverte parcialmente as perdas’.

Cauê Muraro, no G1

Após um 2016 que esteve mais para história de terror do que para contos de fada, o mercado de livros do Brasil começa a dar sinais de recuperação.

O setor fechou o primeiro semestre de 2017 com dados positivos tanto em faturamento (alta de 6,59% com relação ao ano anterior) quanto em volume de vendas (alta de 5,47%).

Nos primeiros seis meses de 2017, foram R$ 931,6 milhões – contra R$ 873,9 milhões no ano passado. Já o número de exemplares vendidos cresceu de 20,9 milhões para 22 milhões.

Os números estão na edição mais recente do Painel das Vendas de Livros no Brasil, divulgado nesta quinta-feira (3).

O livro 'Batalha espiritual', do padre Reginaldo Manzotti, o mais vendido no primeiro semestre no Brasil, segundo o site PublishNews (Foto: Divulgação)

O livro ‘Batalha espiritual’, do padre Reginaldo Manzotti, o mais vendido no primeiro semestre no Brasil, segundo o site PublishNews (Foto: Divulgação)

Divulgado mês a mês e agora com o balanço do semestre, o estudo é feito pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e pela Nielsen. A pesquisa baseia-se no resultado da Nielsen BookScan Brasil, que verifica as vendas em livrarias, supermercados e bancas.

Vale registrar que 2016 foi considerado um ano bastante difícil para o setor. Além da crise econômica, faltou um fenômeno editorial.

‘Reverte parcialmente as perdas’

Mas como o mercado de livros vê o balanço deste primeiro semestre de 2017? “Com bons olhos e com cautela”, responde o presidente do Snel, Marcos da Veiga Pereira, em entrevista ao G1.

A avaliação é que o resultado “reverte parcialmente as perdas” do ano passado. “Acredito que a estabilidade da economia, a interrupção do aumento do desemprego e a queda da inflação, impactaram positivamente as vendas em geral”.

Pereira cita ainda que os primeiros três meses registraram a maior parcela do crescimento, atribuindo o aumento aos “resultados positivos no volta às aulas e promoções no Dia da Mulher”.

“Os números de 2017 também são relevantes por não estarem vinculados à nenhum fenômeno específico”, afirma ele, citando que “algumas promoções das principais redes de livrarias ‘puxaram’ as vendas para cima”.

Sem fenômeno como livros de colorir

Em 2015, houve o fenômeno dos livros de colorir. Em 2016, não houve fenômeno nenhum – os YouTubers até ajudaram, mas não deu para chamar de febre.

E em 2017: alguma tendência, pelo menos, no horizonte? Não exatamente. Mas dá para notar que livros de não ficção estão em alta (ou seja, nada de romance, contos ou poesia, por exemplo).

“Há uma volta ao livro de autoajuda e espiritualidade, em que autores como Mario Sergio Cortella, Augusto Cury, Prem Baba e o padre Reginaldo Manzoti se destacaram”, lista o presidente do Snel.

“Vale mencionar o crescimento das biografias, que após a decisão do Supremo Tribunal Federal passar a ocupar consistentemente as listas de mais vendidos.”

Em junho de 2015, os ministros do STF decidiram, por unanimidade, derrubar a necessidade de haver autorização prévia de uma pessoa biografada para publicação de obras sobre sua vida. A decisão liberou biografias não autorizadas pela pessoa retratada (ou por seus familiares) publicadas em livros ou veiculadas em filmes, novelas e séries.

O Painel das Vendas de Livros no Brasil informa que, no primeiro semestre de 2016, os livros de não ficção haviam vendido R$ 196,8 milhões. No mesmo período de 2017, vendeu R$ 220,8 milhões.

Simbolicamente, dá para lembrar que o best-seller do Brasil no ano passado foi o doce e romântico “Como eu era antes de você” (Intríseca), de Jojo Moyes, segundo o site PublishNews. Já em 2017, o campeão até aqui é “Batalha espiritual” (Petra), do Padre Reginaldo Manzotti.

Livro decodificado do “menino do Acre” chega às lojas nesta quinta-feira

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Publicado no Canal Tech

Em abril, o misterioso caso do desaparecimento do “menino do Acre” tomou conta do noticiário nacional, chegando com destaque às grandes mídias. A família de Bruno Borges encontrou em seu quarto vários manuscritos codificados escritos nas paredes, e, ao serem transcritos, totalizaram 14 livros. Agora, os parentes do rapaz estão lançando no Brasil o livro decodificado para todo mundo que quiser matar a curiosidade sobre o “causo”.

Custando R$ 24,90, TAC — Teoria da Absorção do Conhecimento foi publicado de maneira independente e estará disponível em livrarias físicas de todo o Brasil. Na internet, o e-book já havia sido lançado no dia 21.

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A obra em que o autor propõe práticas e mecanismos que podem levar o leitor a multiplicar seus conhecimentos tem 160 páginas. Segundo o site oficial do lançamento, “Bruno Borges revela, através de intensa pesquisa, uma metodologia capaz de potencializar a absorção e a criação de novos conhecimentos”.

Borges desapareceu misteriosamente e, até o momento, não foi encontrado pelas autoridades ou familiares. Além das escrituras para lá de estranhas, em seu quarto também havia desenhos igualmente enigmáticos e uma estátua gigantesca de Giordano Bruno, teólogo, filósofo, matemático e astrônomo condenado pela Igreja Católica por acreditar que a Terra era o centro do universo.

 

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