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Seis escritores brasileiros de fantasia para conhecer

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Publicado no Leituras da Bel

O Leituras da Bel apresenta seis escritores de fantasia que conquistam seguidores através de histórias repletas de fadas, dragões, vampiros, anjos e demônios. As narrativas de fantasia – durante muito tempo carimbadas como infantis – fazem um mercado gigantesco de publicações circular e geram grandes receitas. O Brasil tem centenas de escritores de fantasia – mais ou menos famosos. Na internet ou nas obras físicas, eles conquistam mais leitores a cada dia. Escolhemos seis autores diferentes para que você possa descobrir e, quem sabe, escolher a próxima leitura. Os perfis foram publicados na capa do Vida&Arte, caderno de cultura do O POVO. Infográfico de Luciana Pimenta e ilustrações de Valdir Muniz! Veja a capa:

INFOGRÁFICO: Luciana Pimenta. ILUSTRAÇÕES: Valdir Muniz

INFOGRÁFICO: Luciana Pimenta. ILUSTRAÇÕES: Valdir Muniz

Os escritores de fantasia:

Alliah
Sua principal obra é o livro ilustrado Metanfetaedro. Publica textos em coletâneas desde 2009. É uma pessoa trans não-binária e queer. Faz trabalhos de ilustração e design. Participou como autor e ilustrador do Coletivo Quotidianos, que publicava histórias ilustradas sobre elementos fantásticos, insólitos e surreais.

Ana Lúcia Merege
Tem 46 anos e trabalha na Biblioteca Nacional, no Rio. Publicou romances e contos do gêneros fantástico em várias editoras – incluindo os livros Pão e Arte, O Caçador, O Jogo do Equilíbrio e Os Contos de Fadas. É mestre em Ciência da Informação. Sua principal publicação é a série de fantasia O Castelo das Águias.

Cecília Reis
Um dos nomes mais fortes da nova geração de autores. Sua publicação mais notória é o livro Cavaleiros do Inverno, que surgiu na internet e foi publicada pela Editora Wish. Organiza antologias de fantasia e, atualmente, está trabalhando nos livro Contos da Floresta. Também realiza trabalhos como design. Está preparando a publicação dos livros Irmã da Espada e Votos da Princesa.

André Vianco
É especializado em literatura de terror e sobrenatural. Ficou conhecido nos circuitos literários em 1999, quando publicou o romance Os Sete. É de sua autoria as séries Vampiros do Rio Douro, O Vampiro-Rei e Meus Queridos Monstrinhos, além de dezenas de outros livros. Suas obras venderam mais de um milhão de exemplares.

Raphael Draccon
É autor de da trilogia Dragões do Éter – publicada no México e em Portugal. E de outras dezenas de livros e textos em Literatura Fantástica e Fantasia Científica. Já ultrapassou a marca dos 500 mil livros vendidos. Nasceu no Rio de Janeiro da década de 1980 e formou-se em Cinema, trabalhando também como roteirista.

Eduardo Spohr
O carioca de 41 anos é autor da aclamada trilogia Filhos do Éden, publicada primeiro em formato independente e depois pela Editora Record. Tem livros circulando em Portugal, Alemanha e Holanda. É jornalista e chegou a trabalhar em agências de publicidade. Venceu, em 2012, o Prêmio Fundação Luso-Brasileira.

Biografia recupera trajetória de Vadico, o maior parceiro de Noel Rosa

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Vadico queria provar que era mais do que só o parceiro de Noel Rosa. Foto: O Cruzeiro/Reprodução

Vadico queria provar que era mais do que só o parceiro de Noel Rosa. Foto: O Cruzeiro/Reprodução

Livro de Gonçalo Junior um dos grandes compositores do país, tentando mostrar que ele foi mais do que só parceiro do Poeta da Vila

Alexandre de Paula, no Diário de Pernambuco

O melhor parceiro de Noel Rosa. Foi assim que Vadico ficou marcado na história da música popular brasileira, que relegou a ele um lugar de pouco destaque. No entanto, mais do que isso, ele foi um dos grandes compositores brasileiros, reconhecido por nomes como Vinicius de Moraes e com carreira de 15 anos nos Estados Unidos.

É isso que defende, além de revelar diversos detalhes e novidades sobre Vadico, a biografia Pra que mentir?. Assinado pelo jornalista e escritor Gonçalo Junior, o livro é o mais completo documento sobre a história e a obra de Vadico, da parceria com Noel Rosa aos tempos nos EUA e aos problemas de saúde do compositor.

Antes de escrever o livro, Gonçalo havia biografado Assis Valente (compositor de Brasil pandeiro) e de Evaldo Braga (quem não se lembra de “Sorria, meu bem”?). Os dois tiveram histórias trágicas e impactantes. “E Vadico me pareceu um enigma, também um personagem a ser desvendado. Seria muito fácil pegar alguém como Lamartine Babo, Ary Barroso, Nelson Gonçalves, em que tudo está aí”, afirma.

Quando faz pesquisas para algum projeto, Gonçalo deixa catalogadas informações sobre outras pessoas que fazem parte da trajetória dos biografados. Parte do material sobre Vadico veio daí, mas não havia muito sobre ele. “A pesquisa foi insana, o problema maior é que havia pouca coisa em muitos lugares”, comenta.

Foram oito meses de escrita, mas o material que deu base para o livro veio do trabalho de duas décadas. “Todos os dias eu entro em sites caçando livros, discos, partituras, por exemplo. Você vai juntando as peças, fica bastante caro, porque material custa muito. No fim, é mais satisfação pessoal do que qualquer outra coisa”, conta.

O acesso a esse material e o contato com alguns familiares, no entanto, permitiram que Gonçalo escrevesse um livro com diversas informações novas sobre o compositor e que ajudasse a entender melhor quem era e qual foi a importância de Vadico: “As dívidas que a história da música popular brasileira tem com ele são imensas. Ele sempre foi chamado de o tal do parceiro de Noel Rosa, só isso.”

Direitos autorais

Vadico ficou marcado pela polêmica sobre direitos autorais. Quando voltou ao Brasil, ele percebeu que Noel (àquela altura já morto) havia vendido as parcerias (como Conversa de botequim, Feitiço da vila, Pra que mentir?) sem seu consentimento e foi atrás de entender o que havia acontecido.

O apresentador Flávio Cavalcanti soube da história nos bastidores de um programa de que Vadico participaria e levou a polêmica para a tevê, criticando duramente Noel. O fato gerou polêmica e o Poeta da Vila foi defendido pelo radialista Almirante. “Vadico foi muito criticado. Principalmente pela habilidade de Almirante com a palavra, ele botou Vadico no bolso. Vadico era tímido, todo formal, de conversar pouco. Ele não conseguiu se defender direito”, explica.

Gonçalo ressalta que, apesar de tudo, Vadico sempre tentou manter o respeito ao parceiro. “Ele sempre foi muito correto com Noel, ele sempre foi muito cuidadoso em apenas lamentar.” O título do livro, explica o autor, é uma espécie de provocação a Noel. “Veio da parceria deles e é como se ele perguntasse: ‘Por que você mentiu?’ O livro é uma tentativa de resgatar a verdade.”

No exterior

Entre as histórias apresentadas por Gonçalo estão algumas da passagem do compositor pelos EUA. Lá ele trabalhou em filmes de Carmen Miranda e em animações da Disney. “Foi ele quem introduziu Aquarela do Brasil, entre outras músicas, nos filmes da Disney. Ary Barroso se tornou mundialmente conhecido, principalmente por causa de Vadico, mas ninguém fala disso”, assegura Gonçalo.

Em terras norte-americanas, ele teve contato profundo com o jazz. Passou anos tocando com grupos do estilo. Quando voltou ao Brasil, juntou tudo isso ao samba. “Ele traz e adiciona elementos do samba, ele chamava isso de samba ligeirinho, era um samba jazz que ele adorava. Sempre fazem questão de dizer que ele não teve nada com a bossa nova, mas ele teve, sim, ajudou. Ele só não foi um dos pais por causa de problemas de saúde”, acredita.

Outra história que Gonçalo faz questão de desmistificar é a recusa de Vadico ao convite de Vinicius de Moraes para musicar Orfeu da Conceição. “Se escreve que Vadico amarelou, que disse que não tinha competência e que não estava à altura, mas não é a verdade. Vadico poderia muito bem ter ocupado esse lugar. Ele tinha acabado de sofrer o terceiro infarto, não tinha condições físicas para isso.”

Vadico voltou ao Brasil porque teve dois infartos nos EUA. Os médicos lhe recomendaram uma dieta rigorosa e pediram que ele mudasse o estilo de vida. Os problemas com direitos autorais, no entanto, fizeram com que ele optasse pelo caminho contrário.

“Ele chuta o pau da barraca, afunda no alcoolismo e fuma demais. A questão com Noel estava em grandes jornais, ele se dizia boicotado e passou a viver assim.” Os hábitos custaram caro. Em 1962, ele se sentiu mal durante um jogo do Brasil na Copa do Mundo. Seis dias depois, morreu no estúdio nos braços do sambista Wilson das Neves.

Além da polêmica, Gonçalo mostra que Vadico se sentia profundamente incomodado com o rótulo de parceiro de Noel. “Ele era atormentado por isso e queria provar para todo mundo que era um grande compositor. E ele era. O problema é que ele não conseguiu encontrar outro Noel Rosa, um outro letrista tão bom, que estivesse à altura dele.”

Por que o Brasil nunca ganhou o Nobel de Literatura? Mas ele merecia um?

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Quadro de Militão dos Santos.

Quadro de Militão dos Santos.

Rodrigo Casarin, no Página Cinco

Por que o Brasil nunca ganhou um Nobel? Essa pergunta sempre ressurge em outubro, quando a Academia Sueca anuncia os vencedores do ano nas seis categorias do prêmio: Física, Química, Medicina, Literatura, Ciências Econômicas e Paz. Bom, como ninguém sabe exatamente quais são os critérios adotados por aqueles que escolhem os premiados, posso especular os motivos pelos quais ninguém do país foi agraciado até aqui – focarei na Literatura, mas os pontos podem ser estendidos para as outras áreas nobelizáveis, creio.

A primeira questão é a nossa língua. Apesar de o português, língua nativa de mais de 250 milhões de pessoas, ser o sexto idioma mais falado do mundo, apenas 10,3 milhões dessa gente está em um país mais ou menos central no panorama global, em Portugal. E digo mais ou menos central porque está na Europa, mas longe de ter a mesma relevância de uma Alemanha, França ou Itália – consequentemente, a língua passa a ter impacto menor do que, respectivamente, o alemão, o francês ou o italiano.

É sabido que um autor finlandês, por exemplo, prefere ter seu livro traduzido para o alemão, francês ou italiano. Isso porque estar nessas línguas aumenta as chances dele ser visto como um escritor incontornável – basta ver Mario Vargas Llosa, Gabriel García Márquez, Gabriela Mistral e outros premiados latino-americanos que escrevem ou escreviam em espanhol, idioma também de relevância considerável. Claro que há premiados do Nobel que escreviam em línguas “menos badaladas”, como o egípcio Naguib Mahfouz (árabe) e, óbvio, José Saramago, o único a levar o galardão cunhando palavras em português, mas esses são exceções.

Junte a língua à posição global do Brasil e o problema aumenta. Se o português não é uma língua central, tampouco somos um país que chama grande atenção no globo – em que pese continuarmos entre as maiores economias da Terra, ninguém liga para o que acontece no pasto. Principalmente em termos culturais, ainda nos veem por aí como uma caricatura: samba, carnaval… Isso faz com que seja ainda mais difícil notarem nossas virtudes literárias, que obviamente existem.

Exemplos de brasileiros que poderiam ter levado o Nobel? Jorge Amado (talvez o que tenha chegado mais perto por conta do sucesso que ainda faz no exterior), Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos e Ariano Suassuna. Dentre os vivos (e, portanto, virtualmente na disputa), Lygia Fagundes Telles, cogitada há algum tempo, e o outrora recluso Raduan Nassar são opções consideráveis. Todos esses nomes são escritores melhores do que Svetlana Alexievich, por exemplo, a premiada em 2015. No entanto, vale lembrar que diversos gênios das letras jamais foram agraciados pela Academia Sueca, como Jorge Luis Borges, Liev Tolstói, Marcel Proust, Virginia Woolf e James Joyce.

O Brasil merece um Nobel de Literatura?

O prêmio é entregue a escritores, não a países – em que pese a língua e a nação ajudarem e evidenciar ou ocultar esses escritores. Apesar disso, quando alguém ganha o Nobel, automaticamente é dito que o prêmio foi para tal país. Sim, já disse que temos autores que mereceriam o galardão, mas agora mudo ligeiramente a pergunta: o Brasil é um país que merece o Nobel de Literatura?

Apesar de dados indicarem que mais da metade da nossa população tem o hábito de ler livros, o que vemos na prática não costuma corresponder aos números. Além disso, quase 50% desses que dizem ler costumam ter a “Bíblia” como leitura. A tiragem de livros literários no país – que gira em torno de 3000 exemplares ou menos – dá uma dimensão melhor de como o brasileiro se relaciona com tal arte. Não bastasse, o governo vem investindo cada vez menos na área e anunciou há pouco que não fará editais para a compra de obras literárias para escolas e bibliotecas em 2018. Dito isso, repito: o Brasil é um país que merece o Nobel de Literatura?

É algo que extrapola a premissa do prêmio em questão – que, recordo, teoricamente congratula o trabalho do indivíduo, não o que está ao seu redor -, mas me parece que somos um país mais preocupado em ter por ter um Nobel do que em conquistá-lo, do que em merecê-lo. Mesmo com esse cenário calamitoso, não há dúvidas de que nossos políticos se aproveitariam de um galardão desses para tentar vender a ideia de um país de leitores e altamente preocupado com as artes – o que, até pelos últimos medievalismos envolvendo museus, sabemos ser mentira. Olhando por esse aspecto, por ora é até melhor que o Nobel fique longe do Brasil.

Aniversário de Paulo Freire: 5 livros imperdíveis indicados por professores

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Arte: Alice Vasconcellos

Arte: Alice Vasconcellos

O pedagogo faria 96 anos se estivesse vivo. Em sua homenagem, educadores falam sobre a obra do brasileiro

Caroline Monteiro, na Nova Escola

Se estivesse vivo, o pedagogo e filósofo Paulo Freire completaria 96 anos nesta terça-feira, 19 de setembro. Reconhecido não só no Brasil, mas também no exterior, o Patrono da Educação Brasileira é responsável pelo processo de alfabetização que incentiva o uso do vocabulário e conhecimento dos alunos, principalmente jovens e adultos, na aprendizagem da leitura e escrita. Testada na cidade de Angicos (RN) em 1963, a atividade não utilizava cartilhas e alfabetizou 300 catadores de cana em 40 horas de aula distribuídas em 45 dias. Na época, 40% da população brasileira era analfabeta.

No ano seguinte, Paulo Freire foi preso e exilado pela ditadura. Ficou cinco anos no Chile, onde desenvolveu suas teses e trabalhos em programas de Educação de jovens e adultos. O educador viveu também na Inglaterra, na Suíça e em colônias portuguesas da África, como Guiné-Bissau e Moçambique. Foi nesse período de 16 anos fora do Brasil que Freire escreveu várias de suas obras.

Morto em 1997, seu trabalho continua reconhecido por professores e pedagogos brasileiros e estrangeiros, mas o pedagogo é também criticado por ter ideias de esquerda.

Em comemoração ao aniversário do educador, pedimos a cinco professores que indicassem um livro importante de sua obra. Confira:

“Educação como prática de liberdade” (1967)

Indicado por João Paulo Pereira de Araújo, professor de História nas EEs Dr. Pompílio Guimarães e Professor Botelho Reis e no Colégio Equipe, em Leopoldina (MG)

“Fala sobre um método de alfabetização de adultos, mas para isso, Freire faz um passeio pelo passado e conta de suas experiências. O livro me impactou porque, logo no início, coloca para reflexão a importância da compreensão em torno do que é existir. E nesse momento ele explica que existir é muito mais do que apenas estar no mundo, pelo contrário, é preciso participar dele. O pedagogo propõe que é necessário dialogar e se comunicar. Isso é muito importante, por exemplo, quando pensamos na profissão do professor, no existir dentro da sala de aula. De ter o olhar social e compreender que seu papel vai muito além do que se imagina. No livro, Freire apresenta uma trajetória da construção do país e ressalta a ausência do povo nas grandes decisões e faz uma crítica à Educação tradicional, falando da massificação, e das possibilidades que a Educação tem de libertar o homem. Quando fala da sua experiência no ensino de adultos, Freire nos mostra o quanto é possível transformar a nossa realidade.”

“Pedagogia do Oprimido” (1968)

Indicado por Mara Mansani, professora alfabetizadora na EE Professora Laila Galep Sacker, em Sorocaba (SP), e blogueira de Nova Escola

“Quando o li esse livro pela primeira vez, chorei, pois aquelas palavras me falaram fundo. Refleti, me inquietei e me questionei. Que Educação eu vinha fazendo? Minha prática educativa contribuía na opressão, na formação de mais oprimidos e de opressores? Descobri, então, que eu estava acomodada em uma situação de segurança, sem ação. Mas eu não queria mais isso nem para mim, nem para meus alunos. E assim, depois dessa leitura, me esforço sempre para construir para eles e com eles, meus alunos, uma Educação de qualidade, onde juntos, mediatizados pelo mundo, possamos nos libertar, com diálogo, com amor, criticidade, sendo sujeitos ativos na construção da nossa história. De tempos em tempos, volto a ler Paulo Freire para acender a chama da inquietude, da reflexão, da ação e da esperança.”

“A importância do ato ao ler” (1981)
Indicado por Diego Durães, professor de Língua Portuguesa no Sesi 284, Presidente Prudente (SP)

“Ao falar de Língua Portuguesa, a obra me faz refletir sobre as possibilidades de se trabalhar com a leitura na sala de aula, bem como da necessidade de um olhar mais próximo das práticas sociais. O livro apresenta uma intensa discussão sobre as necessidades de se ensinar a ler na escola ler com sentido, com referências, com contextualização, e sobretudo, ler para conhecer e mudar o mundo! Conhecer e reconhecer a obra de Paulo Freire é necessário para a minha prática porque considero que o ensino de Língua Portuguesa contempla, como base em diversos temas e conteúdos, o ato de ler.”

“Professora sim, tia não” (1993)
Indicado por Sunamita Silva de Oliveira, pedagoga na Escola Maria Alice da Veiga Pessoa, em Gravatá (PE)

“A obra de Freire, como um todo, é impactante e indispensável. Não consigo desmembrar um livro do outro. Todos se complementam, mas ‘Professora sim, tia não’ faz uma crítica a forma como, a partir de uma nomenclatura, se compromete a autoridade e se mistura e confunde o papel do professor em sala. Visão patriarcal, paternalista, com um protecionismo exacerbado. A tia é aquela que permite, brinca, diverte e esporadicamente visita em um passeio. A obra de Freire me incentiva a ser uma combatente. Luto, para mim, é de fato, verbo!”

“Pedagogia da Autonomia” (1996)
Indicado por Fabio Augusto Machado, coordenador pedagógico da EMEF Recanto Dos Humildes, São Paulo, e professor de Geografia

“É um livro que considero simples, mas de ideias profundas. Quando ainda cursava a licenciatura em Geografia, fui impactado com a coragem e a ousadia da obra. Freire tem a audácia de definir o que vem a ser o ‘pensar certo’ ou o ‘pensar errado’ no fazer pedagógico. Não há neutralidade. Os ‘saberes necessários’, sobre os quais Freire discorre da primeira à última página, são a própria antítese do projeto Escola sem Partido. Aliás, a superficialidade na prática pedagógica é condenada por ele no livro. É o ‘pensar errado’. Até porque, para ele, ‘ensinar exige compreender que a Educação é uma forma de intervenção no mundo’. Em sua obra, ele destaca que ‘ensinar exige a convicção de que mudar é possível’. É preciso constatar, não apenas para saber como é, mas para transformar. A ‘Pedagogia da Autonomia’ mudou a minha vida, fez com que eu me apaixonasse pela Educação, e gerou consequências na vida dos meus alunos. O projeto ‘A construção da Identidade’, um dos vencedores do Prêmio Educador Nota 10 2016, é uma conseqüência direta dessa obra.”

Portuguesa que encantou brasileiros, Sofia Silva vem para Bienal do Rio

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A escritora portuguesa Sofia Silva, autora de "Sorrisos quebrados" e convidada da Bienal do Livro do Rio - Divulgação

A escritora portuguesa Sofia Silva, autora de “Sorrisos quebrados” e convidada da Bienal do Livro do Rio – Divulgação

Escritora fez sucesso com autopublicação e terá primeiro romance lançado em papel

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO – Em dezembro de 2014, a escritora portuguesa Sofia Silva publicou sua primeira história na plataforma de autopublicação Wattpad, estimulada por amigas. De repente, o que era um conto se tornou o primeiro capítulo de um romance, que depois virou o primeiro livro de uma série, para atender aos pedidos dos leitores: seus textos tiveram um milhão de visualizações, e seus livros tiveram 700 mil acessos no serviço de assinatura da Amazon, Kindle Unlimited. Num caso raro de sucesso além-mar, a maioria dos fãs de Sofia é brasileira, e ela vem ao país pela primeira vez para participar da Bienal do Livro do Rio, no dia 3 de setembro, no Riocentro. No evento, ela vai conversar com leitores e autografar “Sorrisos quebrados” (Valentina), seu primeiro livro publicado por uma editora, em um dos espaços mais nobres do evento, o Auditório Maracanã, com capacidade para 400 pessoas.

AMOR ENTRE TRAUMATIZADOS

Todos os romances de Sofia se passam numa clínica onde estão pacientes que sofreram algum tipo de violência ou trauma — onde estão pessoas “quebradas” de alguma forma. É neste espaço que os protagonistas de “Sorrisos quebrados”, Paola e André, se conhecem. Paola se interna na clínica após quase ser assassinada pelo ex-marido, em uma sequência bastante forte logo na abertura do romance. Já André frequenta o mesmo lugar com a filha, Sol, também em busca da superação de um passado traumático. É neste espaço de recuperação que os dois se apaixonam. A escritora diz que quis humanizar as histórias das vítimas.

— Os temas são muito pesados. Por isso trabalho com uma escrita poética. Eu escrevo porque é preciso. Quero que as pessoas, ao lerem uma notícia de violência, pensem que poderia ter sido a Paola. Hoje, só leem os títulos e passam batidos pelas histórias. “Mulher assassinada pelo marido”. Não é mais uma. Por isso foco em temas como violência doméstica, trauma, abuso sexual, deficiência física — afirma Sofia, por Skype, de Vila Nova de Gaia, cidade próxima ao Porto, onde vive.

A escritora conta que está animada para vir ao Brasil, até porque ela localizou a clínica de Paola e André no interior de São Paulo. Sofia diz que, em Portugal, nem de longe tem o sucesso que alcançou por aqui. Nenhuma editora de seu país se interessou em publicar os seus livros, por exemplo. Já na Bienal do Livro do Rio, a autora vai ocupar o mesmo espaço que grandes nomes internacionais já confirmados, como a best-seller britânica Paula Hawkins. Sofia já viu vídeos no YouTube da Bienal, que é o terceiro maior evento da cidade do Rio, só atrás do Réveillon e do Carnaval.

— Em Portugal tudo é menor. Sei o que é a Bienal, é o maior evento literário do país, mas ao mesmo tempo não tenho muita noção de quão grande é — diz Sofia. — Estou na expectativa de como será recebido o livro físico.

A Bienal do Livro do Rio acontece de 31 de agosto a 10 de setembro e terá 950 expositores. A expectativa é de receber 600 mil pessoas nos onze dias de evento. Entre as principais atrações estão o Café Literário, a Arena #SemFiltro, para os jovens, e o Entre Letras, para as crianças. Uma das novidades deste ano é o espaço Geek e Quadrinhos, com debates e atividades abertas ao público.

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