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Veja principais livros sci-fi estrangeiros que chegam ao Brasil em 2019

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Everton Lopes Batista, na Folha de S.Paulo

Início do ano também é período de preparar o bolso para o que vem pela frente. Neste post, o blog quer ajudar aos fãs de literatura de ficção científica a se programarem para as compras essenciais de 2019.

O Sci-Fi entrou em contato com editoras que publicam o gênero por aqui para adiantar algumas obras estrangeiras que devem ser lançadas neste ano.

Quem acompanha a área já sabe que a produção ainda é muito maior em língua inglesa. Dentro de alguns anos, porém, esperamos que o volume de livros brasileiros cresça e ocupe um espaço relevante neste mercado.

Confira abaixo a lista com alguns dos principais livros estrangeiros que serão lançados no país nos próximos meses e aproveite o início do ano para deixar as leituras em dia.

Capa da edição americana do livro “A Parábola dos Talentos”, de Octavia E. Butler (foto: divulgação)


A Parábola dos Talentos (Parable of the Talents)

Autora: Octavia E. Butler

Editora: Morro Branco

Quando: 1º semestre

Continuação de “A Parábola do Semeador”, mostra o que acontece no mundo distópico após a protagonista da história, Lauren Olamina, criar sua religião. Os acontecimentos são narrados por sua filha, Larkin.

Mundo em Caos (Chaos Walking)

Autor: Patrick Ness

Editora: Intrínseca

Quando: 8 de março

A distopia mostra um mundo no qual todos os homens conseguem ouvir os pensamentos uns dos outros e o conceito de privacidade não existe mais. A obra deve ser transformada em filme ainda neste ano.

The Geeks’s Guide to SF Cinema (o guia geek para cinema sci-fi)

Autor: Ryan Lambie

Editora: Grupo Pensamento

Quando: 1º semestre

De Georges Méliès a James Cameron, o livro conta a história do cinema de ficção científica e analisa sua importância na sociedade e no desenvolvimento de tecnologias para produção de filmes nos últimos 110 anos. A obra foi lançada originalmente em inglês em 2018.

O Fim da Morte (Death’s End)

Autor: Cixin Liu

Editora: Suma (Grupo Companhia das Letras)

Quando: abril

Último volume da trilogia iniciada com “O Problema dos Três Corpos”, primeira ficção científica chinesa a fazer estrondoso sucesso internacional. A obra trata do contato entre humanos e extraterrestes.

Capa da edição americana de “Artemis”, livro de Andy Weir (foto: divulgação)

Artemis

Autor: Andy Weir

Editora: Arqueiro

Quando: abril

O novo livro do autor de “Perdido em Marte” (“The Martian”), que virou filme em 2015, leva a aventura para a lua, e se passa em Artemis, primeira cidade construída no nosso satélite natural.

Capa da edição americana de “Stranger Things: Suspicious Minds”, de Gwenda Bond (foto: divulgação)

Stranger Things: Suspicious Minds (stranger things: mentes suspeitas)

Autora: Gwenda Bond

Editora: Instrínseca

Quando: 10 de maio

Primeiro romance inspirado na série de sucesso da Netflix, traz um prelúdio para os eventos que acontecem na primeira temporada do programa, acompanhando a mãe de Eleven durante testes feitos pelo governo americano.

The Lathe of Heaven (o giro dos céus)

Autora: Ursula K. Le Guin

Editora: Morro Branco

Quando: 1º Semestre

O livro conta a história de George Orr, um homem que tem a capacidade de mudar a realidade através de seus sonhos. A obra recebeu o prêmio Locus de melhor romance em 1972.

Nightflyers (voadores da noite)

Autor: George R.R. Martin

Editora: Suma (Grupo Companhia das Letras)

Quando: maio

Ficção científica do autor de “Guerra dos Tronos”, conta a jornada de fuga de seres humanos da terra em uma nave espacial após a destruição do planeta. A novela já havia sido publicada por aqui na coletânea “George R.R. Martin: RRetrospectiva da Obra”, da editora Leya. Agora, ganha uma edição avulsa. A série inspirada no texto deve chegar à Netflix ainda neste ano.

O Céu de Pedra (The Stone Sky)

Autora: N. K. Jemisin

Editora: Morro Branco

Quando: 2º Semestre

Terceiro e último volume da série “A Terra Partida“, saga de ficção científica geológica com humanos que tem o poder de controlar os movimentos de solos e montanhas. A autora foi a primeira na história do prêmio Hugo, um dos mais importantes da literatura sci-fi, a ser laureada por três anos consecutivos –cada prêmio para um volume desta série.

5 livros que vão virar filmes no primeiro semestre de 2019

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Publicado em Os Geeks

Muitos serão os livros que serão adaptados para as telonas do cinema neste ano de 2019. Selecionamos aqui cinco títulos para ficarmos ligados nas estreias neste primeiro semestre do ano. Confira:

“Boy Erased: Uma Verdade Anulada”

Dirigido e adaptado por Joel Edgerton (“O Presente“), o filme é baseado no livro “Boy Erased: A Memoir“, de Garrard Conley, que será lançado no Brasil pela editora Intrínseca. O livro conta a história de um garoto que foi obrigado a passar por um método de “cura gay” de uma igreja.

O filme traz dois veteranos atores: Nicole Kidman, vencedora do Oscar pelo filme “As horas” e Russell Crowe, vencedor do Oscar pela atuação em “Gladiador“; ambos viverão os pais do menino que será interpretado pelo talentoso Lucas Hedges, que já foi indicado ao Oscar por ator coadjuvante em “Manchester à Beira-Mar“.

A adaptação chega aos cinemas brasileiros em 31 de janeiro de 2019 e já conta com duas indicações ao Globo de Ouro: Melhor ator (Lucas Hedges) e Melhor Música para filmes (“Revelation“).

“Cinderela Pop”

Da obra da autora Paula Pimenta, chega aos cinemas a adaptação do livro “Cinderela Pop“, da editora Galera Record. Quem protagoniza o filme é a Maisa que faz uma releitura mais moderna do clássico da Cinderela com uma garota que quer ser DJ e acaba conquistando Freddy Prince (Filipe Bragança). Dois atores com nomes já famosos entre o público adolescente.

Maisa já é conhecida do público televisivo por passagens em “Carrossel“, “Carinha de Anjo” e “Patrulha Salvadora“, além da atuação em “Tudo por um Pop Star“, adaptação de um livro da Thalita Rebouças.

Já Filipe Bragança que faz a versão moderna do príncipe encantado interpretou o youtuber Christian Figueiredo no filme “Eu Fico Loko“, além de atuar na novela “Chiquititas” e ter vencido o prêmio Bibi Ferreira de Teatro com Melhor Ator Revelação pelo seu personagem Marius, do aclamado musical “Les Misérables“.

O filme tem a direção de Bruno Garotti (“Eu fico Loko“) e chega aos cinemas no dia 28 de fevereiro de 2019.

“Cadê você, Bernadette?”

O livro, que é escrito por Maria Semple e publicado aqui no Brasil pela Companhia das letras, vai contar a história de uma mulher que sempre foi odiada pela vizinhança, porém essa mesma vizinhança terá que conviver com o sumiço dela.

O filme tem no elenco grandes astros do cinema como Cate Blanchett (“O Aviador“) Kristen Wiig (“Missão Madrinha de Casamento“) e Laurence Fishburne (“Matrix“) e é dirigido por Richard Linklater, que já foi indicado ao Oscar pela direção em “Boyhood: Da Infância à Juventude“.

A adaptação têm previsão de chegar aos cinemas brasileiros no dia 25 de abril de 2019.

“A Cinco Passos de Você”

O livro “A Cinco Passos de você” (“Five Feet Apart“), escrito por Mikki Daughtry e Tobias Iaconis será lançado em fevereiro aqui no Brasil pela editora Globo Alt. A história é de um jovem casal que acaba se conhecendo no tratamento de suas respectivas doenças e acabam se apaixonando.

Dirigido pelo estreante Justin Baldoni, o filme conta com Claire Forlani que esteve ao lado de Brad Pitt em “Encontro Marcado“, Cole Sprouse que é conhecido pelo seu trabalho na série “Riverdale” e Haley Lu Richardson que fez o papel de uma das jovens sequestradas em “Fragmentado” ao lado de Anya Taylor-Joy.

A previsão para chegar aqui no Brasil é 21 de março de 2019.

“O Motivo”

O livro “O Motivo“, da série “Mundo em Caos” do autor Patrick Ness foi lançado pela editora Pandorga em 2008 e só agora ganha uma adaptação para os cinemas.

“Chaos Walking: The Knife of Never Letting Go” acompanha a história de um futuro pós-apocalíptico aonde uma infecção matou todas as mulheres e tornou audíveis os pensamentos de todos os homens.

O filme tem a direção de Doug Liman, que esteve a frente de filmes como “Jumper” e “No Limite do Amanhã” e conta com dois grandes astros em ascensão no elenco: Tom Holland (“Homem-Aranha: De Volta ao Lar“) e Daisy Ridley (“Star Wars: Os Últimos Jedi“).

A adaptação deve chegar aos cinemas dos Estados Unidos no dia 1º de março de 2019, porém sem data ainda confirmada para desembarcar por aqui no Brasil.

Nunca se escreveu tanto, tão errado e se interpretou tão mal

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Ana Moioli, 18, tirou nota máxima na redação do Enem em 2016
Marcus Leoni – 10.mar.16/Folhapress

Saber ler e interpretar é questão de sobrevivência e amplia nossos horizontes

Otávio Pinheiro, na Folha de S.Paulo

A pesquisa Indicador de Alfabetismo Funcional, conduzida pelo Instituto Paulo Montenegro em parceria com a ONG Ação Educativa, aponta que apenas 22% dos brasileiros que chegaram à universidade têm plena condição de compreender e se expressar.

Na prática, esses jovens adultos estão no chamado nível proficiente –o mais avançado estágio de alfabetismo. São leitores capazes de entender e se expressar por meio de letras e números. Mais ainda, compreendem e elaboraram textos de diferentes modalidades (email, descrição e argumentação) e estão aptos a opinar sobre um posicionamento ou estilo de autores de textos.

Em contrapartida, a pesquisa de 2016 aponta que 4% dos universitários estão no grupo de analfabetos funcionais.

Os dados de leitura, escrita e interpretação do Brasil ajudam a entender algumas das origens desse baixo índice de letramento como, por exemplo, os resultados de Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2014, que mostra que 537 mil alunos zeraram a redação da prova –ou seja, quase 10% do total de 6 milhões de participantes que entregaram a prova. Em 2017, por sua vez, 309 mil alunos zeraram a redação, e apenas 53 tiraram a nota máxima.

Na análise do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), a distância do Brasil em relação a outros países é imensa. Os dados de 2016 colocam luz sobre um dos problemas cruciais da educação brasileira, visto que indicam que entre os 70 países avaliados, o Brasil fica na posição 59 em termos de leitura e interpretação.

Com todas as evidências e dados, é hora de colocar a escrita, a leitura e a interpretação como bandeira em todos os níveis da sociedade. A capacidade de comunicação e a linguística são habilidades complexas do ser humano e, para exercitar, precisamos de estímulos, referências e políticas de Estado que deem prioridade a estes aspectos educacionais.

A leitura nos leva a aprender, a sonhar e a ter experiências de lógica, além de vivências criativas que mudam vidas. A vida é construída com falas, recepção, risos, sarcasmos, fábulas. Também é construída a partir do entendimento daquilo que é diferente, entendimento do outro.

Quando converso com professores, empresários, pais e mães –ou seja, com várias matrizes da sociedade–, todos falam que um número expressivo de pessoas tem dificuldades de escrita, leitura e interpretação. Em muitos casos, o mundo fica difícil de ser interpretado.

Espinhoso e polêmico, o problema da educação no Brasil não será resolvido com uma bala de prata, uma única iniciativa. Deve-se pensar em soluções integradas como a Olimpíada Brasileira de Redação, que estimula a mobilização de todos os estudantes do país.

É preciso que os processos de recrutamento das empresas deem mais valor para atividades que incluam o texto como avaliação. E também contar com os negócios de impacto social focados em educação para endereçarem soluções viáveis.

Como educador, tenho acompanhado com perplexidade que nunca se escreveu tanto, tão errado e se interpretou tão mal na história da humanidade. Como empreendedor da Redação Online –primeira edutech acelerada na Estação Hack, iniciativa do Facebook em parceria com a Artemisia– defendo que o empreendedorismo de impacto social é uma importante ferramenta para vencer esse desafio de melhorar o letramento dos brasileiros.

A Redação Online é uma solução que viabiliza correções de redações preparatórias para Enem, vestibulares e concursos, com qualidade e em escala nacional. São 32 mil estudantes atendidos, sendo 35% oriundos de escolas públicas.

Em 2018, tivemos a alegria de ter, entre os alunos, 120 aprovados em medicina, a maioria deles vindos de escolas públicas. Em locais como Ilha de Marajó, com acesso de internet difícil, a solução comprova o impacto social. Com um upload rápido, o aluno pode baixar o conteúdo em uma área com wayfi, por exemplo. É diferente da aula online que requer um serviço de internet melhor.

A cada dez alunos do Redação Online, oito aumentaram as próprias notas em até 400 pontos. Hoje, temos uma rede de 600 revisores em todo o Brasil que, além da correção ortográfica, traçam comentários sobre como melhorar, dicas de livros e links de conteúdo.

Defendo que saber ler e interpretar é questão de sobrevivência. O prazer de ler, escrever e interpretar amplia nossos horizontes, amplifica a nossa imaginação e nos liberta de preconceitos, extremismos e opiniões fundamentalistas.

Do Paquistão ao Brasil: Como Malala Yousafzai quer garantir acesso à educação de qualidade para meninas

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MIGUEL SCHINCARIOL via Getty Images
Malala Yousafzai: A jovem baleada pelo Talibã que hoje é sinônimo de luta pela educação de meninas no mundo.

Ativista paquistanesa, que também é a mais jovem vencedora do Prêmio Nobel da Paz, veio ao Brasil para falar sobre empoderamento: “Meu pai foi um homem que quebrou barreiras por me deixar estudar.”

Andrea Martinelli, no HuffpostBrasil

Uma menina com uma caneta na mão está imbuída do poder de mudar o mundo. Por meio da leitura e da escrita, ela pode contar a própria história e elevar sua voz. Mas não é tão simples quanto parece. Só no Brasil, cerca de 1,5 milhão de meninas não têm acesso à educação básica — e, assim, não podem falar por si mesmas. “O empoderamento feminino vem da educação, tem a ver com emancipação”, afirmou a ativista paquistanesa Malala Yousafzai, de 20 anos, na tarde desta segunda-feira (9), em palestra que marca sua primeira visita ao Brasil.

O evento, direcionado a estudantes de escolas públicas de todo o Brasil e a organizações que trabalham com educação, lotou o Auditório Ibirapuera, que comporta cerca de 800 pessoas. Em sua fala de abertura, Malala agradeceu a hospitalidade brasileira, e trouxe dados que justificaram sua visita ao País, e que expõem uma realidade vivida por meninas em todo o mundo — e que ela luta para mudar.

“Recebi muitas cartas de apoio e mensagens do Brasil, pedindo que eu um dia viesse aqui. Este país tem uma grande energia que emana dos jovens, e minha esperança é encontrarmos maneiras de todas as meninas daqui terem acesso à educação, sobretudo de comunidades afrodescendentes e indígenas”, afirmou.

“Existem 1,5 milhão de meninas sem acesso à escola no Brasil. Quero encontrar meios para mudar isso”, disse. E continua: “Trabalhando junto com os defensores da educação, com a intenção de devolver às pessoas a esperança de se sentirem seguras, de que vão receber um ensino de alta qualidade”.

MIGUEL SCHINCARIOL via Getty Images
Malala em palestra no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. Em poucos dias, a ativista lançará projetos do Fundo Malala no Brasil.

Além dos dados alarmantes, outra razão que trouxe Malala ao Brasil foi a força das organizações locais para alcançar melhorias na educação, para além de políticas públicas. Além de demonstrar interesse em promover educação entre as comunidades menos favorecidas, ela anunciou que nos próximos dias serão divulgados projetos do Fundo Malala no Brasil.

Quando tinha 15 anos, Malala foi atingida por um tiro quando voltava da escola. Era um ataque promovido pelos talibãs, no Vale do Swat, localizado no Paquistão. O motivo? Manifestar-se publicamente contra a proibição da educação para as mulheres em seu país. Hoje, ela, além de sobrevivente, é a mulher mais jovem a receber um Prêmio Nobel da Paz.

Muito mais do que saber ler e escrever, para Malala a educação é uma ferramenta poderosa de transformação do mundo — que alguns ainda enxergam como ameaça. “Eu também fui privada de educação quando o Talibã proibiu meninas de estudarem. Fui um alvo porque eles entenderam que o empoderamento feminino vinha da educação, que tem a ver com emancipação”, disse. “Trata-se não só de aumentar o conhecimento das mulheres, mas também crescer economias, fortalecer democracias e dar estabilidade aos países. A educação é o melhor investimento sustentável a longo prazo”.

Ela compartilhou uma situação em que uma colega da escola chegou atrasada para aula. A garota tinha de esperar os pais saírem de casa e, assim, sair para estudar escondida. “O papel dos pais e das mães é fundamental no empoderamento feminino”, disse. “É importante que as mulheres se expressem. As mulheres têm que quebrar essas barreiras”, completou.

A paquistanesa lembrou que, quando era uma aluna em seu país, outras colegas de sua classe também defendiam a educação feminina assim como ela, mas em segredo. “A diferença é que os meus pais nunca me impediram de falar o que eu pensava”.

Para compor a mesa de debate mediada pela jornalista Adriana Carranca, autora de diversas reportagens que se transformaram em livros sobre o Talibã, além do infantojuvenil Malala – A menina que queria ir para a escola, estavam Tábata Amaral, de 24 anos, nascida na periferia de São Paulo, que estuda astrofísica em Harvard; Conceição Evaristo, de 71 anos, doutora em literatura comparada e vencedora do Prêmio Jabuti; Ana Lúcia Vilela, de 45 anos, do Instituto Alana e Dagmar Rivieri Garroux, de 64 anos, da ONG Casa do Zezinho.

E a emoção não foi pouca. Com o auditório lotado, o microfone também foi dado a ativistas e estudantes que estavam na plateia. Assim que as participantes falaram sobre importância da leitura, a adolescente mineira Livia Reis levantou e contou que criou um projeto para alfabetizar os mais velhos, já que vive em uma comunidade em que 66% das pessoas não sabem ler ou escrever. Em outro momento, MC Soffia, de 14 anos, pegou o microfone, falou sobre o poder de enaltecer a própria beleza (em especial, a das mulheres negras) e fechou seu discurso afirmando que “a maior arma contra o racismo é o conhecimento”.

Em seguida, jovens que também estavam na plateia puderam fazer perguntas a Malala. De formas distintas, todos queriam saber: como não desistir do ativismo diante de um cenário cruel? Como ela, Malala, encontra forças para não sucumbir à raiva e continuar a lutar pela educação? Como os jovens brasileiros podem fazer para ampliar sua luta?

Ela respondeu:

“[Naquela época] Havia muitas meninas da minha turma que queriam levantar suas vozes pela educação. Eu não tinha nada de especial nem era mais inteligente do que qualquer garota do Vale do Swat. Mas a minha diferença é que meu pai não me impediu de continuar. Muitas vezes a primeira luta é essa: contra nós mesmos. Meu pai foi um homem que quebrou barreiras por me deixar estudar”, disse.

“Meninas da Nigéria estão enfrentando o extremo perigo de serem raptadas, enquanto garotas de Paquistão, Índia e América Latina são forçadas a se casar muito cedo ou são vítimas de abusos sexuais. Elas continuam a lutar e não perdem a esperança. Se elas não perdem a esperança, porque deveríamos nós?”, afirmou, sob aplausos.

Para Malala, foi em 9 de outubro de 2012 que tudo mudou. De dentro de um ônibus escolar, ao lado de outras meninas, ela voltava para casa depois de um dia letivo e foi alvo de um ataque a tiros por membros do Talibã. À época a jovem morava no Vale do Swat, uma região no norte do Paquistão, e defendia publicamente, em um blog, o direito à educação para meninas em seu país — pensamento este que os talibãs não compartilham.

Malala foi atingida na cabeça em um atentado que chocou o Paquistão e o mundo. Com a repercussão, entidades internacionais foram acionadas e ela foi retirada de seu país ao lado de sua família e levada para o Reino Unido. Em uma cirurgia de sucesso, médicos conseguiram salvar a vida de Malala que, hoje, terminou o Ensino Médio e faz graduação em Ciências Sociais na Universidade de Oxford.

Recentemente, cercada por um forte esquema de segurança, a menina que hoje é uma das maiores ativistas mundiais, retornou ao seu país de origem. Logo após o atentado, o Vale do Swat havia sido tomado pelo Talibã, numa ofensiva que matara mais de 2 mil pessoas, e posteriormente retomado pelos militares paquistaneses.

“Meu sonho se tornou realidade”, escreveu em texto publicado no site do Malala Fund, ONG que criou para expandir seu trabalho como ativista. “Quando eu não voltei para casa da escola naquele dia em 2012, minha mãe se perguntou se eu um dia veria meu quarto de novo, se ela um dia teria um momento quieto com sua filha em nossa casa”.

Hoje, a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã virou livro, documentário e símbolo pela emancipação de meninas ao redor do mundo por meio de papel e caneta.

“Muitos me perguntam se sinto raiva de quem cometeu o atentado contra mim. E eu costumo dizer que a minha maior vingança é promover a educação. Eu não sinto raiva. Quando você fala com raiva e violência, a mensagem é perdida. Uma mensagem pacífica tem um poder oculto. Quando você converte a energia da raiva em energia positiva ninguém pode te ignorar”, completou, ao ser aplaudida de pé em São Paulo.

Veja alguns livros que serão lançados na Bienal de 2018

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Imagem: Divulgação / Rocco

Andreza França, no Beco Literário

Que a Bienal do Livro é o evento literário mais importante e que mais atrai leitores no país todo mundo sabe. A Bienal, que vai de 03 a 12 de agosto no Pavilhão de Exposições do Anhembi em São Paulo, contará com uma vasta programação bastante diversificada e tem presença confirmada de muitos autores que estão sendo muito esperados. Alguns deles lançarão novas obras, vem ver!

Tessa Dare é aguardada com muita ansiedade pelos fãs. A romancista americana, autora da série “Castles Ever After”, virá ao Brasil para lançar o quinto e último volume da sua primeira série, “Spindle Cove”: “Como se livrar de um escândalo”. Tessa estará na Bienal no dia 04 de agosto e promete agitar o evento.

Marissa Meyer, autora de Crônicas Lunares, estará na Bienal no dia 12 de agosto lançando sua obra, “Sem Coração”. No livro descobriremos acontecimentos do passado da Rainha de Copas que fizeram com que ela se tornasse o pior pesadelo do País das Maravilhas. Quem está ansioso para ler?

Apesar de não ter sido aclamada no lançamento, a série “Escola do Bem e do Mal” fez bastante sucesso entre seus leitores. Com três livros já lançados no Brasil, Soman Chainani estará na Bienal no dia 10 de agosto e a expectativa é que traga consigo o quarto livro da série, que terá um total de cinco volumes. (Leia nossas resenhas clicando aqui).

No dia 08 de agosto, o autor Charlie Donlea estará na Bienal para lançar seu livro “Don’t believe it”. Charlie, muito conhecido pela literatura de terror e suspense, promete causar arrepios e calafrios nos leitores do início ao fim desse thriller emocionante.

Mas não só de literatura internacional viverá o visitante da Bienal. Teremos no dia 11 de agosto o lançamento da fotobiografia de Fernanda Montenegro, intitulado “Fernanda Montenegro: Itinerário fotobiográfico”. A obra conta toda a trajetória da carreira e vida pessoal da atriz através de imagens. Os fãs de televisão, cinema e teatro brasileiros já podem comemorar.

Após o sucesso do livro “Vamos pensar um pouco?” Maurício de Sousa e Mario Sergio Cortella estarão na Bienal também no dia 11 de agosto lançando seu novo livro “Vamos pensar + um um pouco?”. O livro, ilustrado com a Turma da Mônica, propõe momentos de reflexão e de observar as coisas de maneiras diferentes. E então, vamos pensar mais um pouco?

Eles que agitaram muito nas telinhas durante anos lançam seu novo livro, “Brasil do Casseta – Nossa história como você nunca riu”, no dia 09 de agosto. A obra do Casseta & Planeta garantirá muita risada de fazer a barriga doer.

Teremos ainda na Bienal outros lançamentos de autores nacionais, desde romances até antalogias. No dia 03 de agosto, a autora Myrna Andreza lançará seu segundo romante, “Até o fim” no estande da 3DEA. No dia seguinte, no estande da Eu leio livros, a antalogia “Sereias: Encantos e perigos” será lançada pela editora Delirium. Muitos outros autores nacionais estarão publicando e lançando livros pela primeira vez na Bienal.

Agora que você sabe pelo o que esperar, já pode ir reservando economias e um espacinho na mala para voltar para casa recheado de livros novos e se você ainda não garantiu seus ingressos, corre que dá tempo. Que a Bienal seja um momento de muita diversão e aprendizado para todos.

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