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Trecho da biografia de Taylor Swift fala sobre caso com Gyllenhaal; leia

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Cantora pop e atriz de 24 anos ganha sua ‘história completa’.
Livro do jornalista Chas Newkey-Burden será lançado na Bienal de SP.

Publicado no G1

Capa da biografia de Taylor Swift (Foto: Divulgação)

Capa da biografia de Taylor Swift (Foto: Divulgação)

“Ela é deslumbrante de um jeito óbvio, uma bela loira de pernas longas que ainda assim costuma brincar com o papel de esquisitinha e desajeitada”, descreve o jornalista Chas Newkey-Burden, na introdução de seu livro “Taylor Swift: A história completa”. A biografia da cantora e atriz de 24 anos será lançada durante a 23ª Bienal de São Paulo.

Newkey-Burden, autor de biografias de Amy Winehouse, Justin Bieber, Adele e Michael Jackson, narra a infância e o início da carreira de Taylor Swift – sua relação com os pais e os primeiros passos no mundo da música como cantora em igrejas. A narrativa passa pela adolescência, a consolidação como cantora pop, aos 17 anos, até o sucesso do seu quarto álbum, “RED”, de 2013.

O jornalista também aborda algumas polêmicas que envolvem Swift, como os conturbados namoros com John Mayer, Harry Styles e Jake Gyllenhaal, e o episódio com Kanye West durante o MTV VMA, quando o rapper subiu no palco e interrompeu o seu discurso de agradecimento pelo prêmio de Melhor Vídeo Feminino.

Leia, a seguir, vários trechos de capítulos diferentes do livro “Taylor Swift: A história completa”:

“Não era para Taylor Swift ter se transformado em cantora e compositora; era para ela ter sido corretora de ações. Seus pais até mesmo escolheram seu nome de batismo já tendo em vista a carreira nos negócios. A mãe, Andrea, quis um nome neutro para sua filha, que servisse tanto para um menino quanto para uma menina, justamente para que, quando crescesse e fosse procurar emprego na área de finanças, predominantemente masculina, ninguém soubesse de antemão se ela era homem ou mulher. Embora fosse um plano nascido do puro amor maternal, não viria a se tornar realidade.”

“Taylor então percebeu que não era tão “legal” quanto as outras crianças por causa da sua individualidade. Sofrendo a pressão dessas provocações e já antecipando a possibilidade de ser deixada de lado, ela resolveu ir contra sua natureza individualista e começou a tentar se misturar mais com os colegas. Foi nesse momento, entretanto, que aprendeu uma lição valiosa. Descobriu que quanto mais ela tentava parecer bacana aos olhos do pessoal da escola, menos eles a respeitavam. “Foi então que eu vi que tentar ser como todo mundo simplesmente não dá certo”, conclui. Houve um dia particularmente desagradável em que sugeriu a um grupo de conhecidas que se encontrassem no shopping mais próximo. Parecia um programa divertido. Ela ficou bem desapontada, no entanto, quando todas recusaram, alegando ter outros planos. Decidiu ir assim mesmo com a mãe. Chegando lá, elas então descobriram que o grupo de meninas estava no tal shopping. “Me lembro disso como se fosse ontem”, disse Andrea à revista Elle Girl. “Taylor e eu entramos em uma loja e lá estavam as seis menininhas que tinham dito a ela que estariam ‘muito ocupadas’.”

Taylor ficou abismada e muito magoada naquele dia. Andrea rapidamente a pôs no carro e foi para outro shopping bem longe dali para fazer suas compras. Quando se recorda daquele dia tão triste, Taylor diz que a lembrança “é daquelas bem dolorosas, das quais a gente nunca se recupera totalmente”. Ela é bastante grata à atitude que Andrea tomou naquele dia. Ao ir para outro shopping e se divertir por lá, elas deram uma boa resposta às meninas que a tinham ignorado. O shopping King of Prussia ficava a uma hora e meia de carro dali, mas a viagem valeu muito a pena.”

“Ainda que ‘White Horse’ estivesse programada para aparecer no terceiro álbum, ela foi incluída em Fearless depois que os produtores do sucesso televisivo Grey’s Anatomy ligaram para Taylor e perguntaram se poderiam incluir a faixa no episódio de abertura da quinta temporada. Receberam um ‘É claro que sim!’ da cantora, já que Grey’s Anatomy é seu programa de televisão preferido. Foi fácil dizer “sim”, mas também foi um momento muito emocionante, como ela disse depois. ‘Você deveria ter visto as lágrimas escorrendo pelo meu rosto quando eu recebi aquela ligação dizendo que eles queriam usar minha música’, ela diz.
‘Eu não poderia ter ficado mais empolgada. Esse é o sonho de uma vida inteira, ver minha música tocando em ‘Grey’s Anatomy’. Meu amor por essa série nunca diminuiu. É o meu relacionamento mais duradouro até hoje’. Ela mal podia acreditar em sua sorte.”

“Além de suas atividades como ator, Gyllenhaal também é muito badalado tanto por sua beleza quanto pela vida amorosa. Namorou as atrizes Kirsten Dunst e Reese Witherspoon. Foi escolhido pela revista People como uma das “50 pessoas mais bonitas” em 2006 e eleito pela mesma publicação como um dos “solteiros mais cobiçados” naquele mesmo ano. Também já esteve em diversas listas de “mais desejados” do mundo gay. Ele tinha terminado seu romance com Witherspoon dez meses antes de conhecer Taylor. Quando ela o encontrou pela primeira vez nos bastidores do SNL, já estava bem familiarizada com a história do rapaz. Uma fonte muito cautelosa da revista People disse que os dois “tomaram muito cuidado para não serem vistos muito juntos enquanto passeavam pelos bastidores”. A mesma fonte concluía: “Era difícil dizer se estavam gostando um do outro”. Há uma diferença de idade considerável entre eles, já que Gyllenhaal é nove anos mais velho que a cantora.”

“Muitos jornalistas, em especial do sexo masculino, já descreveram Taylor como uma mulher que jamais será feliz. Afinal, ela reclama dos homens com tanta facilidade que, alegam esses críticos, nunca haverá um pretendente que obedeça aos exigentes critérios que ela estabeleceu. Em vez disso, especulam, ela está destinada a ter uma vida de relacionamentos apenas temporários, todos fadados a terminar rápido e se transformar em música. É um veredito um pouco pesado, mas ela própria não discordaria totalmente dele, como podemos ver em “The Way I Loved You”. Nessa faixa, ela reclama de como, mesmo em um encontro com um cara legal, ela deseja secretamente estar com um bad boy. O rapaz na frente dela é bem mais sensato, o que de imediato causa inveja em suas amigas, mas ela se vê almejando todo o drama e a volatilidade de um relacionamento com um homem menos perfeito.”

Adriana Calcanhoto organiza haicai com ícones da literatura; veja

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Publicado por Folha de S.Paulo

“Exalta a brevidade que é típica do nosso tempo”. Assim a cantora e compositora Adriana Calcanhotto define “Haicai do Brasil’ (Edições de Janeiro), livro que foi organizado e ilustrado por ela.

Lançado nesta quinta-feira (31) na Flip, a produção traz 33 poesias de Millôr, Érico Veríssimo, Mário Quintana, Paulo Leminski, Carlos Drummond de Andrade, entre outros.

O haicai nasceu no Japão e é formado por três versos curtos.

Imagem de Amostra do You Tube

A cantora Adriana Calcanhotto passou os últimos meses pesquisando os mais diversos haicais (tradicional forma de poemas em três linhas, de origem japonesa) já produzidos no país. O resultado chega agora às livrarias. Ela lança na Flip a coletânea “Haicai do Brasil”.

O livro traz versos de Carlos Drummond de Andrade, Mario Quintana, Manuel Bandeira, Millôr Fernandes, homenageado da Flip, e até mesmo Erico Verissimo, autor mais conhecido por seus romances.

Calcanhotto lançou no ano passado outro livro, “Antologia Ilustrada da Poesia Brasileira”, voltada ao público infantil. Durante a pesquisa, ficou surpresas com a variedade de haicais produzidos no Brasil.

A cantora Adriana Calcanhotto / Daniel Marenco/Folhapress

A cantora Adriana Calcanhotto / Daniel Marenco/Folhapress

“Eu gosto muito de perceber a influência de um poeta no outro. Durante a pesquisa para o livro anterior, percebi a enorme quantidade de poetas que se dedicaram ao haicai. É interessante, muitos dos poetas mais inquietos se interessaram por uma forma poética tão tradicional.”

Calcanhotto avalia que o haicai é hoje a forma poética mais utilizada, por conta “da brevidade, da rapidez da vida contemporânea e do tom coloquial típico do haicai”.

Como já havia feito em “Antologia Ilustrada da Poesia Brasileira”, a cantora fez todas as ilustrações do livro. A história é pra lá de curiosa. Calcanhotto estava em Lisboa, no quarto de Fernando Pessoa, a convite da fundação dedicada à obra do poeta português, quando fez os desenhos.

“Era meu último dia para enviar os desenhos para a editora. Então abri o caderno na cômoda em que Pessoa escrevia. Fiz quase todos os desenhos ali, naquela cômoda onde foram escritas tantas maravilhas.”

Calcanhotto é uma presença constante na Flip dos últimos anos. Fez na última quinta (31/7) uma mesa na programação paralela da feira literária com o poeta Charles Peixoto. A fila para vê-los era tão grande que muitos ficaram de fora.

“É muito bom esse clima de Paraty, você encontrar os autores na rua. No ano passado, a leitura de poemas de Pessoa com a Maria Bethânia e a professora Cleonice Berardinelli foi muito poderoso.”

Rita Lee transforma Twitter em livro com Laerte

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Cantora define seu ‘Storynhas’ como sua futura autobiografia não autorizada por ela mesma

Lucas Nobile, no Estadão

Nos últimos anos, a cantora e compositora Rita Lee quase não concedeu entrevistas, mas nem por isso deixou de falar com o público. A comunicação, invariavelmente, se dava por meio de posts numa rede social. Por isso, no meio jornalístico ela chegou a ser chamada de “A Louca do Twitter”. Em 2014, a artista completa 50 anos de carreira e, curiosamente, a primeira das comemorações surgiu do “lugar” onde ela atuou ultimamente muito mais do que nos palcos: o Twitter.

Renato Parada/Divulgação Laerte e Rita Lee

Renato Parada/Divulgação
Laerte e Rita Lee

O primeiro festejo do cinquentenário da trajetória artística de Rita Lee é o livro Storynhas(Companhia das Letras), que reúne 76 breves histórias criadas com base em posts da cantora na rede social, com ilustrações do cartunista Laerte.

Entre as histórias criadas por Rita, há muitas fictícias, divertidas e nonsense, como ela mesma define no texto introdutório do livro. Neste grupo de minicontos estão a de Maycon Wellington, o secador de cabelo “made in brazil fabricado no Paraguay”, a de Bob Sperma, o “espermatozoide arrogante e determinado que malhava sem parar”, entre outros.

Há também espaço para críticas bem-humoradas a acontecimentos do cotidiano e a personalidades públicas, apresentadas ao leitor na pele de alguns personagens criados por Rita. Entre eles, Don Malufone, Trispo Pedir Mais Cedo, DaPutaDo, a cantora Lady Cafa, o presidente RasPutin, etc.

‘Storynhas’ de Rita

Capa do livro 'Storynhas', de Rita Lee com ilustrações de Laerte Laerte/ Divultação

Capa do livro ‘Storynhas’, de Rita Lee com ilustrações de Laerte
Laerte/ Divultação

Rita Lee classifica seu livro da seguinte forma: 'futura biografia não autorizada por ela mesma' Laerte/ Divultação

Rita Lee classifica seu livro da seguinte forma: ‘futura biografia não autorizada por ela mesma’
Laerte/ Divultação

Ao todo são 76 breves histórias criadas com base em posts da cantora na rede socia Laerte/ Divultação

Ao todo são 76 breves histórias criadas com base em posts da cantora na rede socia
Laerte/ Divultação

Rita conta que começou a usar a rede social quando ganhou um iPhone de um seus filhos Laerte/ Divultação

Rita conta que começou a usar a rede social quando ganhou um iPhone de um seus filhos
Laerte/ Divultação

'O Twitter é o melhor lugar para vomitar insandices, rola amor e terrorismo' Laerte/ Divultação

‘O Twitter é o melhor lugar para vomitar insandices, rola amor e terrorismo’
Laerte/ Divultação

'O que escrevia era meio psicografado da loucura coletiva' Laerte/ Divultação

‘O que escrevia era meio psicografado da loucura coletiva’
Laerte/ Divultação

'Aprendi a brincar na chuva desviando de raios e trovões' Laerte/ Divultação

‘Aprendi a brincar na chuva desviando de raios e trovões’
Laerte/ Divultação

Laerte ilustrou o livro de Rita Lee, uma parceria divertida cheia de admiração recíproca Renato Parada/ Divulgação

Laerte ilustrou o livro de Rita Lee, uma parceria divertida cheia de admiração recíproca
Renato Parada/ Divulgação

Em relação à construção do texto e ao teor das histórias, logo na introdução do livro, Rita define seu estilo como “mongo-ginasiano”. “Sem dúvida, Laerte deu um upgrade na coisa. Depois de ver as ilustrações, até me achei legal. Meus tempos de ginásio foram fúteis, meu humor era tolinho, guardo esse arquivo com carinho”, disse a cantora ao Estado por e-mail.

Ainda no texto introdutório de Storynhas, Rita Lee diz que relendo suas “escrivinhações twittescas nonsense de 4 anos para cá”, entendeu por que a chamavam de “velha louca drogada”, afinal, segundo ela, fazia “twitterapia à custa da caridade de quem a amava”.

Rita conta que começou a usar a rede social quando um de seus filhos lhe deu um iPhone. Gostou da brincadeira, passou a postar mensagens no Twitter quase diariamente. Hoje, sabe que divertiu muita gente, mas também desagradou a algumas pessoas.

“Já faz um tempo que saí do twitter. Aprendi a brincar na chuva desviando de raios e trovões, mas também encontrei muitos arco-íris”, diz Rita. “Twitter é o melhor lugar para vomitar insandices, rola amor e terrorismo…”, completa.

Na entrevista, ela comentou sobre o que chamou de “twitterapia”. Com seu humor peculiar, ainda brincou com as críticas feitas ao programa federal Mais Médicos. “Para desabafar tenho meu psiquiatra que, aliás, não é cubano. O que escrevia era meio psicografado da loucura coletiva. Só tomava nota.”

Na abertura de Storynhas, Rita Lee classifica o livro como sua “futura autobiografia não autorizada por ela mesma”, que “contará situações fakes baseadas em fatos reais”. Na entrevista, a cantora falou sobre o debate que envolve a autorização prévia para escrever biografias de figuras públicas.

“Meu coração está com Caetano e Gil, minha razão não. É humilhante ser censurado, sofri isso nos tempos da Falange da Dona Solange, cruz-credo. A única vez que não dei autorização para uma ‘biógrafa’ nos anos 80 foi devido aos erros crassos de português. Inventar histórias pode, assassinar a língua não”, disse Rita sobre a posição do Procure Saber, grupo de artistas formado por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Erasmo Carlos, Milton Nascimento e Djavan. Inicialmente, o grupo tinha a adesão de Roberto Carlos, que após divergências deixou a organização.

Neste ano, ainda com Roberto no grupo, o Procure Saber conseguiu vencer em Brasília uma queda de braço contra o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) para que a entidade, que arrecada e repassa os direitos autorais aos compositores, seja fiscalizada pelo Ministério da Cultura.

Na entrevista, Rita Lee se posicionou em relação à atitude do grupo naquele momento. “Mandaram apenas um e-mail comunicando da excursão a Brasília, não subo em palanques. Dizem por aí que a classe artística do Brasil só se une quado o assunto é dinheiro. Quando da minha prisão descabida em Aracaju, nenhum ‘colega’ procurou saber”, disse a artista, relembrando o episódio em que foi presa em janeiro de 2012, durante um show seu, após ofender policiais, que, segundo ela disse na época, estavam agredindo alguns de seus fãs que fumavam maconha na plateia.

Em relação a uma autobiografia ou a algum livro escrito pela própria Rita Lee que trate de sua trajetória, ela diz estar fora de cogitação. “Não tenho saco de escrever sobre minha vida, já basta tê-la vivido. Eu me aposentei dos palcos. 50 anos de estrada em turnês ciganas sem nunca ter pedido apoio cultural é motivo de orgulho para mim.”

Rita não pediu apoio cultural, mas há produtoras interessadas em uma volta dela aos palcos, principalmente nas comemorações dos 50 anos de sua carreira. Em fevereiro, a Marolo Produções Artísticas conseguiu autorização para captar mais de R$ 1,8 milhão via Lei Rouanet para realizar cinco shows de Rita da turnê do disco Reza (2012), um DVD, além de palestras sobre a cantora. O projeto não saiu do papel, mas a produção da artista confirma celebrações para 2014, que ainda serão planejadas pela própria Rita.

Imagem de Amostra do You Tube

Rapper afegã participa de festa literária em comunidade do Rio

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A dupla de rap afegã 143Band, formada pela cantora Paradise e seu noivo, Diverse

A dupla de rap afegã 143Band, formada pela cantora Paradise e seu noivo, Diverse

Marco Aurélio Canônico, na Folha de S.Paulo

Não há profissão fácil na República Islâmica do Afeganistão, um dos países mais pobres e mais perigosos do mundo, mas decidir ser cantora, de um gênero ocidental (rap/hip hop), com letras feministas, é tornar-se pária.

“O que mais me incomoda é ver que mesmo as mulheres me xingam por algo que estou fazendo para elas. Sendo assim, o que esperar dos homens?”, diz Paradise Sorouri, 28, rapper afegã que ganhou destaque internacional por suas canções que denunciam a misoginia do país.

Ela veio ao Rio acompanhada do noivo, o também rapper Ahmad Marwi, 27, para participar da Festa Literária das Unidades de Polícia Pacificadora (Flupp), que acontece na comunidade de Vigário Geral, na zona norte.

Ao lado do poeta afegão Suhrab Sirat, eles participam da mesa “Occupy Afeganistão”, hoje, às 11h, e fazem o show de encerramento, amanhã, às 20h45.

Filhos de afegãos que se refugiaram no Irã durante os conflitos políticos da década de 1970, Paradise e Ahmad –que usa o nome artístico Diverse– nasceram no país persa, mas sempre mantiveram laços com o Afeganistão, para onde se mudaram em 2007.

O casal se conheceu no ano seguinte, na Universidade de Herat, onde Diverse era professor de informática e Paradise, secretária.

“Começamos a namorar, o que era estritamente proibido em Herat, e formamos a 143Band”, diz Diverse, que conversou por e-mail com a Folha, como sua noiva.

Cantando em persa –e em sua variante afegã, o dari–, o duo foi investindo suas economias na carreira.

O estilo e o visual do casal são claramente inspirados no modelo americano de hip-hop, o que é comprovado pelas influências que eles citam: Eminem, Jay Z, Tupac.

Paradise sentiu desde o início o perigo de se lançar na carreira artística num país onde a presença do Taliban ainda tem força: por questões de segurança, foi obrigada a desistir da universidade e se mudar para o Tadjiquistão.

“Eles me xingavam de ‘puta’ quando estava no palco, me olhavam feio, como se eu estivesse fazendo algo errado. Me tratavam muito mal.”

Foi no país vizinho que gravou a canção “Faryade Zan” (“O Grito de Uma Mulher”), cujo vídeo mostra a rapper sendo sequestrada e torturada –algo que, felizmente, não chegou a acontecer.
“Já recebi muitas ameaças e fui agredida nas ruas, mas ainda não chegou a isso. Mas é algo que acontece com muitas mulheres no país, que são até vendidas”, diz ela, que voltou ao Afeganistão após três anos e vive em Cabul.

Do Brasil, terceiro país em que se apresentam, não conhecem nada além de “futebol” e “selva”, mas se dizem surpresos com o convite e felizes por “representar internacionalmente o Afeganistão”.

Editor de ‘Harry Potter’ quer publicar livro de escritor ‘mascarado’ brasileiro

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O editor britânico que descobriu Harry Potter, dando à então escritora desconhecida J.K. Rowling a chance de finalmente publicar a primeira obra da saga que vendeu 400 milhões de cópias em todo o mundo, quer publicar o livro de um escritor brasileiro anônimo que vem divulgando partes de sua obra pela internet.

Fernanda Nidecker, na BBC Brasil

ilustração do livro de Dark Writer | Divulgação

Leitores contribuem ativamente criando ilustrações para o livro do autor mascarado

Barry Cunningham, antigo editor da Bloomsbury, disse à BBC Brasil que quer ser o “mentor” do autor misterioso, que não revela seu nome, idade ou gênero ao seu público virtual e carrega apenas o pseudônimo de Dark Writer.

Em seus perfis no Facebook e no Twitter e no site DarkWriterProject, o escritor aparece com uma máscara que ganhou do designer de joias japonês Joji Kojima, que confeccionou máscaras para a cantora Lady Gaga.

“Eu li o primeiro capítulo em inglês pelo Twitter e vi logo que ele tinha talento, mas que precisava aprimorar a estrutura da narrativa”, diz Cunningham, que mantém contatos frequentes com Dark para discutir sobre os avanços do livro de estreia do autor, que deve ter vinte capítulos.

O editor o compara a um “trovador moderno” que tem mostrado que os livros não têm apenas de viver em prateleiras empoeiradas, mas podem florescer no espaço virtual.

“Dark Writer é um dos precursores e um dos melhores escritores até agora a abrir caminho para que suas histórias cresçam online com uma interação direta com seu público”, afirma Cunningham, que hoje comanda a editora Chicken House, que publica a série Túneis, sucesso no Brasil entre o público infanto juvenil.

Dark Writer | Divulgação

Autor ganhou máscara de Joji Kojima, designer de Lady Gaga

Em entrevista à BBC Brasil, Dark Writer explicou que a escolha pelo anonimato foi motivada por uma mistura de timidez e a vontade de brincar com a imaginação das pessoas.

“Fiquei com vontade de ver como reagiriam ao ler algo de alguém que não sabem se é jovem, velho, homem ou mulher”, diz.

“Acho que os leitores muitas vezes se preocupam demais com quem escreveu o livro, em vez de simplesmente mergulhar na história.”

Criaturas medonhas

No livro, Dark Writer conta a história de Mary, uma jovem britânica de 16 anos que durante um ano muito conturbado para todo planeta parte de férias com os pais.

Após vários contratempos que retardam a viagem de verão, entre os quais a queda de um meteorito que levou a torre do Big Ben ao chão, uma forte luz surge na estrada e vira a vida da garota de cabeça para baixo.

Quando abre os olhos, Mary está em um ambiente completamente diferente e não vê seus pais. Ela carrega um estranho medalhão de prata no pescoço e tem de enfrentar criaturas medonhas.

A inspiração para a trama vem da infância, quando Dark gostava de criar mundos alternativos e escrevia pequenos contos usando amigos da escola como personagens.

O primeiro capítulo foi postado em 2010 no Orkut, onde o autor começou a atrair leitores enviando pedidos de amizade com a pergunta “Quer participar da criação de um livro?”

Em 2011 migrou para o Twitter e para o Facebook, onde continuou conquistando adeptos com convites enviados por perfis dos personagens da trama.

A personagem Mary e os demônios | Divulgação

Livro conta a história da jovem Mary, que vive atormentada por criaturas medonhas

Dark chegou a publicar nove capítulos no Twitter e lembra que a grande virada veio quando uma fã brasileira traduziu o primeiro capítulo para o inglês, popularizando a história entre leitores de vários países.

Entre os novos seguidores que adquiriu nas redes sociais – hoje são mais de nove mil -, estava Barry Cunningham.

“Começamos a trocar mensagens em que ele me dava conselhos, até que veio o convite para um café em Londres. Cheguei em janeiro deste ano já de mudança”, conta.

Leitores participativos

Dark considera imprescindível estar na Grã-Bretanha para buscar inspiração para caracterizar melhor seus personagens e retratar de forma mais fiel o cenário onde passa a história.

Para isso, ele conta com o apoio dos leitores, que participam ativamente da criação do livro fazendo ilustrações que são postadas no site DarkWriterProject e nas redes sociais.

autor mascarado e leitores | Divulgação

Dark Writer distribuiu cópias do primeiro capítulo em Londres

O autor mascarado acabou virando ele próprio um integrante da trama, sendo retratado nas ilustrações ao lado dos personagens.

E foi também com doações de seu público virtual que Dark conseguiu imprimir 200 cópias do primeiro capítulo em inglês que foram distribuídas nas ruas de Londres e de Oxford durante o verão.

Por orientação de Cunningham, Dark Writer retirou do ar o que tinha postado até agora, mas ainda é possível baixar o primeiro capítulo em inglês e em português no site Darkwriterproject.com.

Para descobrir o desfecho da história de Mary, o público terá de esperar até o final do ano que vem, quando o livro chegará às livrarias, e também deverá ter fim o mistério que ronda a identidade do autor mascarado.

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