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A livraria como ponto cultural não deve deixar de existir, diz Luiz Schwarcz

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Luiz Schwarcz, fundador e dono da Companhia das Letras, uma das principais editoras brasileiras, em sua casa.

Presidente do grupo Companhia das Letras fala sobre sua carta e crise no setor

Francesca Angiolillo, na Folha de S.Paulo

Com dívidas exorbitantes, as maiores redes de livrarias do país, Cultura e Saraiva, entraram com pedidos de recuperação judicial no lapso de um mês, ameaçando o setor editorial como um todo.

Uma carta, divulgada na última terça (27), foi a maneira que Luiz Schwarcz, 62, presidente do grupo Companhia das Letras, encontrou para convocar ao enfrentamento do que chamou de “os dias mais difíceis” do livro no país.

O editor recebeu a Folha na sede da Companhia das Letras para analisar a crise e comentar sua opção pelo apelo direto ao leitor. “Não é assim que a política está funcionando?”

Na opinião de Schwarcz, deve haver uma reversão na tendência de alta de vendas que vinha desde 2017. Para ele, editores contribuíram para a crise ao segurarem o preço dos livros, apesar da inflação.

Nos últimos dias, ele diz ter visto otimismo com a mobilização gerada após sua carta.

“O que vai acontecer agora no Natal, eu não sei dizer.” Mas, conta, “publicitários mandaram slogans para lojas fazerem cards digitais, lojas do interior pedem chamadas para campanhas próprias, novas campanhas entrarão no ar por sites de mobilização. Não sei o tamanho da ajuda, mas alguma haverá.”

A crise deve afetar editoras de diferentes portes ao mesmo tempo? Acho que editoras de portes diferentes sentem a crise diferentemente. Muitas editoras pequenas não forneciam para essas redes. As grandes foram as que tiveram maiores danos pelo volume de crédito que tinham, ou pelo volume de livros consignados em poder das livrarias. No entanto têm mais poder de recuperação. O grave talvez seja para as médias; elas podem representar parte significativa do montante que não será pago.

O Brasil esteve na maré contrária um tempo atrás, as livrarias muito mal lá fora e muito bem aqui. Isso se inverteu.

O que acho que aconteceu em parte nos EUA e que é diferente daqui, é que houve uma concentração muito grande na venda online e um crescimento da venda digital, que depois diminuiu. Agora você tem as livrarias independentes se fortalecendo de novo.

Nos EUA a venda online representa 50% do mercado. No Brasil não existe isso. Houve outros fatores na minha opinião, erros de gestão sobre os quais pretendo falar pouco, porque não cabe a mim julgar.

Quais? Em linhas gerais, o que eu posso dizer é que essas redes não voltaram com o Brasil. Continuaram com um número grande de pontos, talvez até por motivos nobres, ou não queriam olhar para a recessão que estava pegando também o leitor. Demoraram para se adequar, até agora.

No momento que o Brasil começa a crescer, que uma classe C ou D começa a entrar no mercado, cria-se a ilusão de que os volumes vão crescer, o que de fato começa a acontecer, e para uma classe que estava crescendo na pirâmide educacional, mas não proporcionalmente na de renda. Então os editores, para entrar nas listas de mais vendidos, começam a quantificar o livro; R$ 29,90 era quase padrão para poder ser best-seller, depois R$ 34,90, R$ 39,90. Então você imagina as redes de livrarias na ilusão de crescimento, os editores na ilusão do best-seller e esses livreiros tendo que pagar salários e aluguéis indexados pela inflação.

Os erros não foram só dos livreiros. Os editores contribuíram. Protagonistas das duas livrarias que estão em dificuldade falavam explicitamente: “Meus aluguéis estão subindo e os preços dos livros, não”.

Uma editora grande não quebra numa crise dessas? Na minha opinião, não. Elas têm caixa acumulado, ou seus sócios têm capacidade de reinvestir. O que acontece com as grandes é que elas tiveram cortes significativos em termo de número de livros a lançar.

Vocês se refrearam? A Companhia passou de 350 livros por ano para 300 e deve, no ano que vem, cortar mais 15% ou 20% dos livros programados. Você fecha portas para novas aquisições, atrasa livros com capacidade mais lenta de retorno, é obrigado a segurar a rapidez com a qual reimprime esgotados. Temos começado a renegociar contratos e a falar que vamos soltar só em digital. Mas é um dano.
As demissões nas editoras grandes foram bastante significativas. Na Companhia foi muito pouco, mas, se não conseguirmos realocar as vendas dessas redes rapidamente…

O Natal vem aí. Foi negociado algum acordo com as livrarias que não estão recebendo livros? A Companhia foi uma exceção no sentido de se mostrar aberta à reposição dos estoques nessas duas redes.

Em qualquer circunstância ou agora? Agora. Em geral nós tivemos um relacionamento [com as livrarias] que alguns concorrentes consideram excessivamente generoso, ou complacente. O fato de eu na minha carta não acusar ninguém foi objeto de crítica.

As editoras não podem mais assumir o risco de créditos significativos. Mas acho que nossos livros voltarão para essas lojas num prazo curto. A esperança que tenho é que os esforços permitam que essas livrarias encontrem investidores, porque o produto, como está na carta, é uma das únicas mídias que não tiveram disrupção [com o digital]. Não há mudança de paradigma de como se produz o livro, de como é feito, como é vendido.

Pelo paradigma daqui as livrarias ficam com 50% do valor de capa. É justo? As maiores ficam com 50%. O editor, com 50%, tem que pagar seus custos, o direito autoral. É duro falar do que é justo no sistema capitalista. Não sou partidário do ultraliberalismo, sou defensor da lei do preço fixo, que limita a competição no primeiro ano de existência do livro. Alguns jornalistas têm considerado um roubo contra os leitores. Não. O editor não ganha mais.

Se você padroniza muito o tipo de rede para um tipo de livro, e a concorrência livre permite que livrarias trabalhem com margem negativa, ou cheguem ao ponto de colocar seus robôs competindo, você efetivamente trabalha contra a diversidade, contra o editor e o livreiro pequenos.

Se ainda estamos publicando livro como 500 anos atrás, a livraria como ponto cultural onde se expõe essa diversidade não deve deixar de existir.

O sr. não tinha ecommerce… Hoje temos. Estamos mudando. A outra parte da carta era o desafio de propor soluções criativas para isso. Os editores vão ter que se reinventar. Nós sempre dissemos “não vamos competir com os livreiros”. Hoje você pode encontrar qualquer livro da Companhia no marketplace da B2W. Vamos entrar em todos os marketplaces, criar uma logística própria. Se uma editora grande pensasse nisso um ou dois anos atrás, teria oposição feroz dos livreiros. Hoje temos de trabalhar muito com as livrarias que podem crescer.

Que responsabilidade tem o varejo digital na crise? Acho que o varejo digital nem veria com maus olhos uma autorregulação. Nós fazemos isso, se vemos descontos muito altos, destruindo a cadeia, muitas vezes temos poder de mercado para dizer “não vou te fornecer esse livro”. Chegamos a pensar até a ter nosso robô para enfrentar os do mercado. A crise está mostrando para os editores, no mínimo, que temos de valorizar o produto. Ir ao cinema, para um casal, com estacionamento, é bem mais caro que um livro. Um livro normal não custa R$ 80. Por que as pessoas acham que um livro não pode custar R$ 80?

E quanto à reinvenção? Lançamos no site uma coisa chamada Companhia na Rua. Vamos estar em dez feiras até o final do ano, só em São Paulo. O leitor poderá saber onde nós estamos. Quando livros começaram a faltar nas redes, criamos o Socorro, Companhia. Começamos a ter reclamações, então nesse serviço você fala seu CEP e dizemos onde tem ou mandamos para o lugar mais próximo.

Não é simples. A editora nunca foi uma especialista em varejo. Vamos ter que aprender. Vamos colocar bikestores nas ruas e outras coisas. Queremos ainda preservar as lojas, mas o volume do movimento que vai deixar de existir, até novas lojas se formarem, uma rede comprar outras, aparecer um investidor… Os leitores não diminuem.

Como vê o impacto da carta? Foi incrível, nunca imaginei. Sentei no sábado, escrevi uma versão, mandei para algumas pessoas, falaram que estava longa. Ainda é longa. Falei “vou pôr no ar”. Não é assim que a política está funcionando, para o bem e para o mal? Você cria redes de solidariedade, tentei criar uma para o bem. Não tenho Facebook, Instagram, não sou operador das novas mídias. Mas falei: “Qual é a forma de comunicar hoje? É com franqueza, sinceridade”. Não imaginava que minha carta seria repassada. Estava pedindo que as pessoas passassem, elas, mensagens de amor ao livro.

O país está em crise, as livrarias fizeram erros, os editores calcularam mal o valor do livro; eu, leitor, sou instado a salvar o barco e sem descontos. Não houve reações contrárias? Recebi duas de pessoas que acharam que fui excessivamente generoso com as redes. Recebi uma de uma livraria no interior do Paraná, que diz que faço esse apelo, mas não prestigio a livraria pequena. E uma quarta, de um distribuidor que deixou de trabalhar para a Companhia, que diz que a ganância dos editores [ao adotarem distribuição própria] levou a isso.

Não concordo com a questão dos descontos. Você cria uma reserva para o primeiro ano e permite que livrarias que carregam catálogo também tenham as novidades. Nos EUA, o leitor não compra o “hardcover”, ele espera um ano pelo “paperback”. Ou compra o digital. Que diferença isso faz para que se possa manter a existência de uma rede livreira e de pequenos lançamentos saudável?

Um dos problemas foi a consignação. Isso não entrou no debate antes? O certo seria: vendeu o livro na loja, apita aqui, sai do meu estoque, vai para meu débito de direito autoral. Criamos um sistema que depende de um meio digital muito confiável ou de uma relação de paridade muito grande. No começo era tão menor o volume que, no final do ano, havia uma contagem física. As livrarias cresceram tanto que eu não tinha mais condição de fazer isso. A consignação foi virando um monstro. Antes do aguçamento da crise, já estávamos dizendo às livrarias “comecem a pensar que o sistema vai ter que mudar”.

Continuam consignando? Continuamos. Mas vai ter que haver uma adaptação, um sistema misto, ou um sistema de compras. Depois que passar a tempestade, se eu tiver a capacidade de investir num sistema de TI, a Penguin Random House já desenvolveu mecanismos de cálculo de tiragem, mecanismos para saber quanto exatamente tem em cada loja, você controla como fazer as reposições, reimprimir. Tem caminhos. Mas você precisa de um mercado minimamente vivo e saudável.

O sr. escreveu outra carta antes, pedindo voto em Fernando Haddad. Que perspectivas o sr. acha que desenham para a cultura e os livros no novo governo? Acho que julgar o próximo governo antes de ele estar empossado é temerário. Eu esperava para a carta anterior um congraçamento que era, claro, muito mais difícil de realizar do que para os livros. Mas não aconteceu. Eu dizia que o PT que tinha chegado ao segundo turno fizesse a autocrítica, assumisse posturas de responsabilidade no Orçamento e, em troca disso, que as pessoas se juntassem para que não houvesse uma mudança na forma como a democracia brasileira tinha sido construída.

Nas duas cartas, o sr. pediu dois votos de confiança para sistemas em revisão. Só que é muito mais fácil revisar o mercado editorial do que o país. No caso da outra carta, houve um pedido para que eu escrevesse aos editores, de uma pessoa ligada à campanha do Haddad. Era antes do primeiro turno, eu falei “não, se ele for para o segundo turno eu faço”. Não sou militante do PT, sempre fui mais para o centro-esquerda do que para esquerda. E a editora é plural —outro dia, desafiei os editores a procurarem bons livros de direita, a direita boa precisa de valorização. Estava muito angustiado com a possibilidade de não haver uma junção das pessoas e fiz aquela carta. Alguém que respeito muito falou: “Que coragem defender o perdedor”.

O sr. espera não estar defendendo um perdedor desta vez. Tenho praticamente certeza de que estou defendendo um vencedor.

O sr. acha que é agudo ou crônico? É agudo e vai passar. Se alguma ideia criativa dos editores vingar, se novas formas de relacionamento com os leitores surgirem. A questão é: todos vão se recuperar?

Conheça os benefícios da leitura para crianças e idosos

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Hábito estimula imaginação, aumenta o vocabulário e faz o cérebro trabalhar maisSC - Rio de Janeiro - 01/09/2017 - Bienal do Livro de 2017 no Rio Centro. Foto Gustavo Miranda/ Agencia O Globo Foto: Gustavo Miranda

Hábito estimula imaginação, aumenta o vocabulário e faz o cérebro trabalhar maisSC – Rio de Janeiro – 01/09/2017 – Bienal do Livro de 2017 no Rio Centro. Foto Gustavo Miranda/ Agencia O Globo

Evelin Azevedo, no Extra

A cada dois anos, os corredores do Riocentro, na Barra, recebem centenas de apaixonados pela leitura. Pessoas de todas as idades vão de estande em estande da Bienal do Livro à procura de novas histórias e aventuras. E fazem muito bem para si mesmas: além de ser uma maneira prazerosa de passar o tempo, ler é uma atividade que traz benefícios à saúde, especialmente de idosos e crianças.

Estudos realizados pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e pela Unidade de Neuroimagiologia Cognitiva do Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica comprovam que quem tem o hábito da leitura possui maior capacidade de entender, generalizar e sintetizar conteúdos.

Para os idosos, principalmente, é um excelente “remédio”, pois estimula o cérebro a se manter ativo.

— Na terceira idade, a leitura é utilizada como exercício para a memória. Nessa fase é natural que ocorram perdas neurológicas e, por isso, ler contribui para que os neurônios mantenham-se ativos. Quando o idoso apresenta quadros demenciais, a leitura é utilizada como ferramenta de estímulo aos neurônios remanescentes — explica a psicóloga Tahiana Baptista.

Para as crianças, além de ajudar na concentração e atenção, os livros ainda incentivam a imaginação e o pensamento crítico.

— Por meio dos livros, as crianças têm contato com culturas diferentes. A leitura possibilita uma ampliação na visão de mundo. Quando a criança começa a comparar a realidade dela com o que leu, ela desenvolve sua capacidade crítica — comenta a escritora especializada em literatura infantil Janine Rodrigues.

Os benefícios impactam também no aprendizado. Ler constantemente enriquece o vocabulário e ajuda na escrita.

— Não à toa, quem lê muito, em geral, escreve de maneira mais correta — pontua Janine.

Como melhorar a memória e turbinar seus estudos

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Você conhece os segredos da mente para melhorar seus estudos e conseguir excelentes resultados? Então leia até o final e descubra

Publicado no Terra

Cérebro pode ser estimulado em qualquer época da vida para melhorar a memória. Exercícios mentais diários e atividade física estão entre as dicas. Conheça outras!

“O cérebro é plástico”. A frase da neurologista Sônia Maria Brucki, da Faculdade de Medicina da USP é uma ótima notícia para quem está preocupado com a própria capacidade de memorizar coisas. Mas, como assim? É que órgão tão nobre, explica a médica, pode ser trabalhado em qualquer idade e responderá bem aos estímulos. Para melhorar a memória, portanto, o segredo é colocar o cérebro para se exercitar e afastar causas que podem prejudicá-lo.

Memória: é mais difícil lembrar das informações às quais damos menos atenção!

A memória é uma função muito complexa, tanto que até hoje os cientistas não conhecem todas as funcionalidades desse órgão vital. Dentro dos conhecimentos atuais, no entanto, sabe-se que alguns fatores que prejudicam a memória não são modificáveis. A idade, por exemplo, é implacável, diz a especialista. É considerado absolutamente natural ter uma queda na capacidade de memorização na terceira idade. Além disso, a genética também não pode ser revertida. Outros fatores, no entanto, são controláveis e podem garantir uma memória saudável por mais tempo.

Manter a pressão arterial dentro dos níveis adequados, controlar o diabetes e os níveis de colesterol no sangue, bem como não fumar, manter-se dentro do peso ideal, fazer exercícios físicos, ter uma dieta saudável e rica em ômega 3 e exercitar o cérebro com atividades cognitivas ajudam a manter as lembranças turbinadas.

A professora da USP esclarece que o consumo de ômega 3 tem um papel importante na proteção do cérebro. Além dele, o ômega 6, 9, a vitamina E e o ácido fólico são amigos da memória. Uma dieta adequada, associada eventualmente à suplementação de ômega 3, também ajudam.

 

O neurologista do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho, Custódio Michailowsky, explica que a memória é dividida em três partes: a ultra recente, a recente e a cristalizada.

“Essa memória cristalizada é algum fato ou técnica que alguém adquire e armazena em determinadas áreas do cérebro”.

Esse armazenamento, conta o médico, é parecido com aquele que se vê em bibliotecas. Há inúmeras estantes de livros, que são encontrados facilmente por meio de organização e catalogação cuidadosos. O cérebro faz o mesmo caminho para procurar a memória que deve ser encontrada, isso que chamamos de memória 360 graus.

O estresse, a depressão e outros fatores, porém, prejudicam, e muito, a busca pelo “livro”.

“É como se tivesse acontecido um blecaute cerebral. Muitos circuitos estão sendo utilizados que chega até a esquentar o cérebro, dificultando a realização da atividade corriqueira”, diz o neurologista.

O médico alerta que não é possível resgatar uma memória se ela não foi armazenada com carinho.

“É preciso ter interesse e foco naquela coisa que estamos tentando reter”, diz.

Michailowsky conta que os lapsos de memória são situações fisiológicas e estão vinculados ao estado emocional da pessoa, ao estresse e ao alto nível de cortisol (hormônio do estresse) em conjunto com a adrenalina (outro hormônio).

“A pessoa não consegue resgatar aquela informação que estudou, aprendeu ou adquiriu. O estresse faz com que ela fique bloqueada”.

Quando a situação é natural, basta o indivíduo se acalmar que a lembrança vem à tona. Se os lapsos se tornarem frequentes, mesmo em situações em que não há estresse, é necessário procurar um médico para afastar outras causas, como a demência senil, nos casos dos maiores de 65 anos.

“O esquecimento é sinal de alerta quando ele prejudica as coisas básicas da vida diária. Por exemplo, a pessoa começa a esquecer o carro no estacionamento, perde objetos de grande valor, começa a perder dinheiro”, alerta o neurologista.

Se você quer melhorar sua capacidade de memorização confira o curso de Renato Alves, recordista brasileiro de memorização. Curso memória 360.

Manter o cérebro ocupado pode ser bom para a saúde

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publicado no Galileu

Um estudo da Universidade do Alabama mostrou que manter o cérebro ocupado pode ser a melhor maneira de deixá-lo afiado. A pesquisa foi feita com mais de 300 voluntários, entre 50 e 89 anos. Entre os adultos com mais de 50, aqueles que tinha uma agenda mais ocupada eram os mesmo que tinham o cérebro com o melhor poder de processamento, memória, raciocínio e vocabulário.

Pesquisas mostram que música trabalha o cérebro por completo (Foto: Divulgação)

Segundo o resultado das pesquisas, manter o cérebro ocupado não é bom apenas na meia idade, mas em idade mais avançada também. Os pesquisadores sugerem que se manter atarefado aumenta nossa capacidade de aprendizado, uma vez que isso faz com que a pessoa seja exposta a situações, pessoas e informações diferentes. Mas também é possível que pessoas com maior capacidade cognitiva tendam a ficar mais ocupadas. O estudo não conseguiu definir se a ocupação sozinha melhora a saúde do cérebro.

Os pesquisadores também consideraram o stress causado pelo excesso de atividades. “Basicamente, o estudo sugere que os benefícios de se manter ocupado ultrapassam as desvantagens”, diz à Time Denise Park, diretora de pesquisa da Universidade do Texas, informando que os estudos continuam para ver as vantagens e desvantagens das atividades na cognição do cérebro.

Prefeitura do Rio atende 59 alunos superdotados

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A estimativa é de que existam até 19 mil com esse perfil na cidade

Apesar de estudar quase dez horas por dia, Victor Costa não reclama de sua agenda de atividades e dedica atenção especial para matemática, sua matéria favorita - Mônica Imbuzeiro / Agência O Globo

Apesar de estudar quase dez horas por dia, Victor Costa não reclama de sua agenda de atividades e dedica atenção especial para matemática, sua matéria favorita – Mônica Imbuzeiro / Agência O Globo

 

RIO — O que você quer ser quando crescer? Médico, jogador de futebol e bailarina são algumas das opções que rondam o imaginário infantil quando a pergunta é feita. Victor Costa, de 9 anos, ainda não sabe o que responder, mas tem certeza de uma coisa:

— Quero ir para a melhor universidade do mundo: Harvard. Desde que ouvi sobre ela pela primeira vez pensei ‘preciso ir para essa universidade.

Tamanha obstinação é resultado das horas que dedica aos números, às fórmulas e aos livros. O aluno da Escola Municipal Senador Corrêa, no Flamengo, faz parte de um seleto grupo de estudantes superdotados da rede pública municipal do Rio de Janeiro. Atualmente, 59 alunos com essa característica são atendidos em 400 salas especializadas espalhadas pelas escolas do município do Rio, enquanto pelo menos 60 outros recebem acompanhamento em institutos independentes. Mas o número real de alunos com altas habilidades pode ser muito maior. Estima-se que de 1% a 3% dos 654 mil alunos da rede municipal sejam superdotados, ou seja, o número pode chegar a cerca de 19.600, mas a maioria deles ainda não foi identificada.

Entediado com o conteúdo do 4º ano do ensino fundamental da Senador Corrêa, Victor agradece e parece aliviado com as aulas e exercícios extras que tem no Instituto Lecca, uma organização do terceiro setor, parceira da prefeitura do Rio, que desenvolve acompanhamento e aperfeiçoamento educacional de alunos da rede pública com altas habilidades.

— Eu já sei a matéria, mas tenho que fazer, então, termino rápido. Aqui (no Lecca), aprendo coisas novas, na escola não. Lá só repito o que já aprendi — reclama Victor, que cursa no instituto uma série adiantada, correspondente ao 5º ano do colégio regular.

LEI NÃO SAIU DO PAPEL

A falta de adequação dos alunos superdotados ao ensino oferecido na maioria das escolas públicas e privadas é uma preocupação expressa na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que determina que esses estudantes tenham um acompanhamento diferenciado. Mas, segundo especialistas, o que está escrito na legislação até agora não se concretizou em políticas públicas. Para reforçar a questão, na semana passada, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que pretende incluir na Constituição uma cláusula que assegure a educação especializada para alunos com transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades.

Ana Beatriz Ribeiro foi alfabetizada pelo pai aos 4 anos de idade - Mônica Imbuzeiro / Agência O Globo

Ana Beatriz Ribeiro foi alfabetizada pelo pai aos 4 anos de idade – Mônica Imbuzeiro / Agência O Globo

— Países que tiveram um desenvolvimento fenomenal nos últimos 30 anos procuram esses alunos porque sabem que eles vão estudar, ser brilhantes e serão o motor do país. Aqui é como se dissessem “no fundo do jardim eu tenho uma mina de diamantes, mas dá muito trabalho ir lá furar, procurar. Deixa a mina lá enterrada”. — critica Maria Clara Sodré, doutora em educação de superdotados pela Universidade de Columbia, EUA. — Isso (ensino diferenciado) é obrigação das escolas municipais, estaduais, federais e particulares. Da mesma maneira que o aluno que apresenta dificuldade de aprendizagem tem o direito roubado quando não está aprendendo, os superdotados são prejudicados quando tudo que é ensinado ele já sabe.

Além da falta de iniciativas de ensino especializado, outra dificuldade é identificar uma criança com esse perfil. A estimativa é de que haja na rede um mar de alunos com altas habilidades “perdidos”.

— Tudo o que ela pegava queria saber o que estava escrito, então, com 4 anos, começou a ler. A gente incentivou, apesar de achar que era muito cedo, e ela acabou sendo alfabetizada pelo pai. Não pensamos que ela podia ter altas habilidades, só achamos que estava se interessando muito cedo — conta Mariza Ribeiro, mãe de Ana Beatriz Ribeiro.

SUPERDOTADO NÃO É SÓ O ‘CDF’

Antes de ser recrutada pelo Lecca, que faz seleção nas escolas de quatro Coordenadorias Regionais de Ensino (CRE) do município — na Zona Sul, na Tijuca, no Centro e na região do Engenho da Rainha e do Complexo da Maré — Ana Beatriz era aluna somente do 5º ano da Escola Municipal Guatemala, no Centro do Rio, onde, até 2014, as professoras da escola contavam apenas com a experiência para identificar os alunos superdotados. No segundo semestre do ano passado, a diretora-adjunta da instituição, Rose Figueiredo, passou por um treinamento oferecido pela prefeitura do Rio, em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), para reconhecer alunos com altas habilidades.

— O superdotado pode ter uma alta habilidade em uma coisa específica, por exemplo, em artes, em esportes. As pessoas acabam estereotipando como se o superdotado fosse o “CDF” e não é assim — diz Rose Figueiredo.

De acordo com a professora da UFF e doutora em Educação Cristina Delou, que coordenou o curso para 200 professores de escolas municipais da cidade e chefes de coordenadorias regionais, algumas características comuns podem ser observadas no estudantes com esse perfil:

— O professor tem que ver mais do que o resultado escolar. É preciso levar em consideração a história do aluno, seu comportamento. Eles em geral apresentam rapidez de raciocínio, fácil associação de conhecimentos anteriores com atuais, capacidade amadurecida de julgamento. Além de apreciarem desafios, terem flexibilidade de pensamento e serem criativos.

Para reduzir o gargalo na identificação desses alunos, a secretária de educação do município do Rio, Helena Bomeny, aposta em qualificação de professores.

— Percebemos que os professores precisam de uma formação melhor sobre como reconhecer características de altas habilidades que não são tao óbvias — explica a secretária, acrescentando que o modelo dos Ginásios Experimentais, que estão se expandindo na rede, é um aliado e estimula o potencial desses alunos.

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