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Se os filmes de Tarantino fossem livros
0Almir de Freitas, no Não me Culpem pelo Aspecto Sinistro
Os designers seguem se esbaldando com as capas clássicas da Penguin para fazer seus mashups – vide exemplos aqui e aqui. Desta vez, Sharm Murugiah imaginou capas para roteiros dos filmes de Quentin Tarantino. Clique na imagem para ampliar.
dica do Tom Fernandes
Livros de Armstrong mantêm interesse no Brasil, mas editora admite “saldão” de estoque
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Lance Armstrong falou abertamente de práticas de doping em entrevista a Oprah Winfrey / AFP PHOTO/HARPO STUDIOS/GEORGE BURNS
Bruno Freitas, no UOL
A entrevista na TV norte-americana na última semana representou o desfecho da novela que ligava Lance Armstrong ao doping, em uma história da qual todos pareciam saber o final, deflagrada meses antes por sanções esportivas de entidades de ciclismo. Mas, mesmo com a confissão pública de que trapaceou, usando substâncias proibidas para melhorar sua performance, o antigo campeão continua sendo uma marca poderosa e que atrai atenção.
No Brasil, Armstrong tem dois livros publicados pela Editora Gaia, do grupo Global Editora, ambos bem-sucedidos comercialmente. Em contato com o UOL Esporte, a empresa informa que os títulos seguem vendendo em bons níveis de mercado, mesmo com a evolução do escândalo a partir do segundo semestre de 2012.
Apesar disso, a companhia admite que provavelmente deverá queimar o estoque com um “saldão” especial, em razão do impacto negativo do caso, negociando os exemplares a preços bem abaixo do mercado.
“Os livros não pararam de vender, mas com certeza em longo prazo vamos ter que liquidar os estoques”, diz Richard Alves, diretor comercial da Global Editora.
Ao lado, reprodução das capas de dois livros ligados ao ciclista Lance Armstrong lançados no país. Um deles apresenta um programa de treinamento endossado pelo atleta
O principal êxito da editora em um título ligado ao ciclista é “Lance Armstrong – Programa de treinamento”, que atingiu a 5ª edição brasileira. Segundo a empresa, a expectativa é que essa obra tenha uma sobrevida um pouco maior, pois se atém à preparação esportiva, sem conexões biográficas com o personagem.
Por sua vez, “A luta de Lance Armstrong” tem três edições pela Editora Gaia, relatando essencialmente a batalha do atleta para vencer um câncer de testículo. Anterior ao escândalo, a obra assinada pelo jornalista norte-americano Daniel Coyle trata o ciclista como um herói do esporte.
A empresa diz que o sucesso das obras ligadas a Armstrong motivou o conteúdo editorial a procurar estender o catálogo do gênero – a Gaia chegou a publicar livros do tema assinados por autores nacionais.
Em entrevista à apresentadora Oprah Winfrey exibida na última semana nos Estados Unidos, Armstrong admitiu que suas sete vitórias na Volta da França (de 1999 a 2005) foram conquistadas sob efeito de substâncias proibidas. O atleta também confessou ter sido submetido a transfusões de sangue para melhorar seu desempenho esportivo, prática também considerada ilegal pelos organismos internacionais de doping.
Em decorrência da confissão, o ciclista deve ser obrigado a devolver a medalha de bronze conquistada na Olimpíada de Sydney em 2000 [prova contra o relógio], além de enfrentar complicações judiciais em seu país.
Armstrong está sendo processado pelo ex-companheiro de equipe Floyd Landis baseado na Lei sobre Falsas Declarações (False Claims Act), conhecida como “Lei Lincoln”, que autoriza um cidadão a processar uma pessoa física ou jurídica acusada de ter enganado o Governo Federal [segundo o Wall Street Journal, o governo teria liberado mais de US$ 30 milhões para patrocinar a US Postal].
VENDAS DESPENCAM NO VAREJO
Procurada pela reportagem do UOL Esporte, a Livraria Cultura, uma das grandes redes do setor no país, informou que a venda de títulos ligados a Armstrong despencou 90% entre jan.2012 e jan.2013
SOBRE O ESCÂNDALO
Em outubro do ano passado, a Agência Antidoping dos Estados Unidos (Usada) havia tornado público um relatório no qual acusava a US Postal, antiga equipe de Armstrong, de ter organizado o “mais sofisticado, profissional e bem-sucedido programa de doping que o esporte jamais viu”.
Na sequência, a União de Ciclismo Internacional baniu Armstrong do esporte pelo resto da vida e confirmou a cassação dos sete títulos do norte-americano na Volta da França, principal prova de ciclismo de estrada do planeta.
Em desdobramentos imediatos, Armstrong perdeu patrocínio milionário da Nike e ainda contratos polpudos com a cervejaria Anheuser-Busch e com a fabricante de bicicletas Trek.
Empresa cria capas de livros para tablets e e-readers
0Publicado no Catraca Livre
Mesmo que possam substituir livros e outros aparelhos, tablets e leitores de e-books muitas vezes são preteridos por usuários na hora sair de casa. Para ler seu e-book ou tablet sem chamar atenção, a empresa americana Out of Print Clothings criou capas para tables e e-books que imitam livros. Seja por segurança ou apenas por estilo, vale a pena conferir os modelos com capas de grandes clássicos da literatura. As capas podem ser encomendadas pelo site da empresa.
O ano do pornô doméstico
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E.L. James, Sylvia Day e outras pornógrafas ajudaram a desinibir as leitoras. E agora, como satisfazê-las?
Luís Antônio Giron, no site da Época
Fim de ano, tempo de balanço. No caso deste ano, vamos chegando ao fim no balanço do acasalamento. Em 2012, as mulheres parecem ter descoberto os prazeres das pequenas perversões sexuais; perversões controladas, domésticas e domesticadas.
Não tenho nada contra a liberação sexual feminina. Bem pelo contrário. Fantasia e sexo são saudáveis. O que não tolero é leitora ingênua, que pensa que ler livros semipornográficos pode desreprimi-las automaticamente, como quando ela compra sapatos e seu desejo é realizado. E é isso que está acontecendo agora mesmo: milhões de mulheres de 15 a 95 anos parecem ter descoberto o “sexo” ao ler a trilogia Cinquenta tons de cinza, o “pornô da mamãe”, como apelidou a imprensa americana, da escritora londrina E.L. James, e a pletora de imitações que se lhe seguiu, enxameando o mercado com banalidades eróticas jamais vistas. Por isso, a revista americana Publishers Weekly elegeu Erika Leonard James a personalidade literária do ano. Mereceu, pois vendeu centenas de milhões de exemplares e alterou o mercado livreiro, levando ao centro a literatura pornográfica. Este foi o ano do pornô doméstico, do “sexo” seguro com uma pontinha de crueldade e perversão.
Grafo “sexo” entre aspas porque esse tipo de livro apresenta uma versão do sexo, não o sexo em si. Se ele tem causado alguma coisa, foi desinibir as leitoras – não as mulheres que estão por trás das leitoras. Leitoras são mulheres de máscara. E elas agora devoram esses livros no metrô, achando que o fazem no maior descaramento. As capas dos romances ajudam na discrição, pois exalam respeitabilidade, com seu chicotes, gravatas e outras metonímias do sadomasoquismo em desenhos elegantes sobre fundo negro. Nada de capas “pulp” como no tempo de Cassandra Rios, a precursora brasileira do pornô que hoje se globalizou. Sim, Cassandra era uma mulher que escrevia para homens e mulheres.
Agora as mulheres dispõem de autoras que escrevem sacanagens só para elas. Homens são quase proibidos de entrar. Elas deram a discutir as técnicas de sadomasoquismo que Christian Grey ensina aos poucos a Anastasia Steele. Estão levando chicotinhos e algemas na bolsa! Meu amigo Paulo Coelho me disse que acha ótimo esse tipo de literatura porque ela é libertária. Mas ele ainda não leu E.L. James. Quando ler, irá descobrir que seu livro Onze minutos é muito mais ousado que as brincadeiras de um casal sem imaginação como Anastasia e Christian, Eva e Gideon, e assim por diante. Paulo Coelho defende no livro que as mulheres, no fundo, não querem ser penetradas; preferem a excitação clitorial. É o contrário do festival de penetrações promovido por Cinquenta tons de cinza. Quem está com a razão? Eu já li e não me engano: o pornô da mamãe preconiza a penetração com ou sem dor. É inofensivo. Não quer transgredir nenhuma regra, e sim reorganizar a ordem social.
Já escrevi que o soft porn mais reforça o culto a príapo do que ajuda as noviças a se iniciar sexualmente com liberdade. Parece difícil às mulheres entenderem que podem ser possuir sem ser possuídas. Ou que não precisam fingir que são escravas sexuais para conquistar o seu homem. O soft porn ilude as leitoras: ao apresentar alguns truques às mulheres, torna- as mais submissas.
Num encontro em Londres, Erika Leonard James, simpática e insinuante, disse-me que seus livros ajudaram a desencadear um processo em cadeia. As leitoras finalmente se deram conta de que desejavam participar de todas as atividades antes destinadas somente aos homens, inclusive as práticas de perversão, como o sadomasoquismo. Isso, segundo ela, salvou o casamento de milhares de pessoas entediadas com a “posição do pastor”, como dizem os americanos, ou “papai-mamãe”, na versão brasileira nós.
O pornô light desinibiu as leitoras. E agora, como satisfazê-las? Dar-lhes de presente outras trilogias eróticas? Ou reinventar a roda?
Erika me disse que seus livros não são destinados aos homens, embora eles possam lê-los para aprender algo sobre o funcionamento da alma e do corpo femininos. É verdade. Lendo-os, concluí que o objetivo final dos métodos descritos ali é a castração masculina. Depois dos rituais de veneração fálica, Anastasia corta Príapo para guardá-lo no cofre. E assim, controlar (este é o verbo central no novo erotismo feminino) seu parceiro até o fim dos tempos. Para satisfazer Anastasia, contou-me E.L. James, Christian “tem de aprender a pegar na vassoura e limpar a toda a casa”. Ao ler os três volumes de Cinquenta tons de cinza, tive vontade de me livrar da vassoura e das algemas, e sair correndo. Só posso concluir que, neste annus mirabilis que se acaba, a inveja do pênis voltou com potência total… pelo menos nos livros.
Meu primeiro e-book
0Caue Fonseca, no Mundo Livro
Aprecio a ideia de vida .zip. Objetos que tornam o cotidiano mais prático e o apartamento mais espaçoso se compactados ao menor volume possível. Isso vale para tudo: TVs, notebooks, celulares… menos para livros. Estes, faço questão de apreciar as capas, curtir o passar de páginas, marcá-las com sachês dos cafés que sediaram minhas leituras e, ao final, de colocá-los na prateleira. Muito me orgulha a estante ainda modesta, mas já com livros sobrepostos, caoticamente organizados pelo encaixe geométrico uns aos outros.
De modo que torço o nariz para as versões eletrônicas deles, os e-books. Ao contrário de ouvir um álbum, por exemplo, a ideia de ler um romance na tela do iPhone e depois vê-lo resumido a um ícone me entristece. Mas, motivado por uma reportagem sobre o assunto e pelo atraso de uma amiga a um compromisso, resolvi comprar meu primeiro livro eletrônico à mesa de um bar. Descrevo em tópicos o que me chamou a atenção ao longo das 627 páginas (calma, elas são menores no celular) vencidas no passar de dedos pelo touchscreen.
1. Facilidade
Com 3G em boas condições e nenhum conhecimento prévio, pesquisei títulos na iBook Store, instalado automaticamente na última atualização do iPhone, e optei por Carcereiros, uma espécie de apêndice de Estação Carandiru, livro que deu fama ao médico escritor Drauzio Varella (leia entrevista com o autor aqui). Paguei US$ 12 e o livro baixou em segundos. Na tela, ele fica disponível com capa e tudo, em uma simpática prateleirinha de madeira virtual. Essa facilidade para espantar o tédio a nem tão módicos R$ 25 assusta um pouco. Como ocorre com as músicas do iTunes, é preciso resistir à compra compulsiva que só pesará no fim do mês, na fatura do cartão de crédito.
2. Velocidade
Simultaneamente a Carcereiros, comecei a ler Segundos Fora, romance bem interessante de Martín Kohan, em versão impressa. Pois desde que o autor argentino começou a concorrer com Varella, o livro virtual levou larga vantagem. A título de comparação, Carcereiros tem 262 páginas na versão impressa. Venci elas na tela do celular em dias, enquanto Segundos Fora, aqui na mochila, está parado na página 72. São dois os motivos para isso, e nenhum deles é a qualidade das narrativas.
Todo bom leitor sabe o quão importante é ter um livro sempre à mão, para horas de ócio imprevisíveis, como uma fila inesperadamente comprida (o Carlos André, dono deste blog, por exemplo, era um goleiro que costumava ler trechos sob as traves enquanto o time apertava a defesa adversária). O celular, mais compacto do que um livro e sempre à mão, otimizou essa leitura incidental. Dependendo do número de velhinhos à frente, dá pra ler um capítulo na fila para pesar as frutas.
O segundo motivo, chuto eu, é o tipo de narrativa. Fiz questão de escolher um livro de não-ficção como primeiro e-book, pois é uma leitura mais propensa a ser abandonada e retomada o tempo todo. Fosse um romance como o de Kohan, cuja história se passa em três cenários e tempos diferentes, creio que seria mais difícil de mergulhar na história dos personagens – e até de apreciar a qualidade do texto – cada vez que a namorada se maquia.
3. Consumo
Eis uma vantagem do livro impresso. Ler no celular exige a tela ligada 100% do tempo de leitura, e isso consome uma bateria medonha. Desde que comecei a ler Carcereiros, não houve dia em que o iPhone não chegasse em casa pedindo penico. Em dias em que você passará muito tempo longe de uma tomada, é preciso cancelar leituras para não correr o risco de ficar incomunicável mais tarde. E-readers com o Kindle, da Amazon, ou o Kobo, da Livraria Cultura, não têm esse problema. Mas, por servirem só para ler, eles perdem esse fator incidental de ler no telefone. A chance de ter um Kindle na mochila ou na bolsa para distrair-se em uma fila qualquer é a mesma de ter um livro físico.
4. Conforto
É besteira a história de que ler em um meio digital cansa. No trabalho, a maioria de nós já passa o dia em frente ao computador. A não ser que o sujeito seja um leitor voraz, uns minutos a mais ou a menos olhando para a telinha não fazem a menor diferença. Em ambientes escuros, como uma viagem noturna, o celular é até mais confortável, pois tem luz própria. O passar de páginas com uma mão só (em um movimento patenteado pela Apple de tão bacaninha) e o tamanho das letras tampouco incomodam, já que o telefone pode ser aproximado “das vistas”, como diriam as nossas avós.
5. Falta de charme
É pura vaidade, mas eu gosto de ser visto lendo e também de ver pessoas lendo. Pessoas interessantes leem. Uma mulher lendo, então, não sendo Cinquenta Tons de Cinza, é a dona de qualquer lugar em que eu esteja. Por outro lado, qualquer babaca brinca no celular. E quando você está praticamente dentro do aparelho distraído com a leitura, não só não parece que está lendo, como projeta a imagem de que é um daqueles louquinhos que não sai do Facebook. A mesma falta de charme se estende à ausência do livro na estante após a leitura. Ler um e-book, portanto, é consolar-se com o ser interessante sem parecer interessante. E, poxa vida, isso faz toda a diferença.
Dica do Tom Fernandes


























