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Jovens continuam na academia após concluir a graduação

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Formação insuficiente e busca por diferencial no currículo atraem recém-graduados para o mestrado

52% dos portadores do título de mestrado no Brasil têm menos de 39 anos Arte: André Mello

52% dos portadores do título de mestrado no Brasil têm menos de 39 anos Arte: André Mello

Luiza Barros em O Globo

RIO – Com um diploma em Engenharia Mecânica de uma universidade prestigiada na mão em um mercado carente de talentos, Felipe Alfaia certamente não teria dificuldade em encontrar um emprego promissor na iniciativa privada. Ao invés disso, o paraense resolveu se mudar para o Rio de Janeiro e mergulhar a cabeça novamente nos livros, mesmo que isso significasse adiar a sonhada independência financeira por mais alguns anos e viver com uma bolsa de R$ 1.500 por mês.

Aos 23 anos e cursando mestrado na Coppe, na UFRJ, Felipe representa bem a parcela crescente de jovens que crê que apenas a titulação de bacharel não é suficiente para se inserir no mercado de trabalho. Sua decisão de buscar a titulação de mestre, ele explica, faz parte de uma estratégia para ser capaz de abrir sua própria empresa de consultoria técnica dentro de alguns anos.

– O mestrado hoje não é mais só para quem quer dar aula. Para engenheiros, é um certificado de que você é capaz em uma área específica – defende Felipe. – Em uma consultoria, o essencial é que o cliente confie em você tecnicamente. Portanto, tenho que ter um currículo para transmitir essa confiança – acredita o jovem que, na reta final do mestrado, já começa a colher os frutos. Depois de viver um ano como bolsista, ele abriu mão do benefício ao encontrar um emprego em uma prestadora de serviços da Petrobras.

– O fato de eu estar cursando um mestrado, ainda mais na Coppe, foi o que contou ao meu favor para conseguir a vaga – avalia.

Formação insuficiente na graduação, falta de confiança em especializações lato sensu (como os MBAs), possibilidade de seguir a carreira acadêmica, vantagem na pontuação em concursos públicos e aumento na oferta de bolsas estão entre alguns motivos que levam a crescente massa que conclui o ciclo de graduação universitária a encarar o mestrado como caminho natural a ser seguido. Em dez anos, o número de bolsas concedidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) pulou de 13.060 em 2002 para 43.595 no ano passado. A juventude dos mestres brasileiros pode ser atestada por dados da plataforma Lattes, que agrega os currículos de pesquisadores. De acordo com dados fornecidos pelo serviço, 52% dos portadores do título de mestrado no Brasil tem menos de 39 anos.

Se o cenário comprova a valorização do ensino na sociedade, também pode ser reflexo da deficiência dos nossos cursos de graduação, aponta o pró-reitor de Pesquisa, Pós Graduação e Extensão da UFF, Antonio Cláudio da Nobrega, que também explica a opção pelo mestrado, mesmo quando não se sonha com a carreira acadêmica, pela falta de regulação de especializações na modalidade lato sensu.

– De um modo geral, o jovem que se forma busca mais qualificação para se enquadrar no mercado. O mestrado é mais valorizado porque tem o aval da Capes, enquanto o lato sensu não tem essa avaliação externa. O aluno se sente mais seguro, já que faz um investimento com retorno mais reconhecido, embora a especialização também tenha sua importância – pondera, ao lembrar que a procura também ocorre devido a um gargalo na formação de ensino superior:

– Os cursos de graduação, em muitas universidades, ainda têm um padrão conservador, com disciplinas muito rígidas e dificuldade de se atualizar conforme as exigências da sociedade. A pós, por outro lado, tem um pouco mais de agilidade para fornecer um conhecimento específico que não foi suficiente na graduação.

A opinião do professor é endossada pelo economista Renato Leripio, mestrando da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

– Sinto que, na área de Economia, a graduação não é suficiente para se ter um domínio razoável das matérias – conta o jovem, que sonha em conciliar a carreira acadêmica com uma colocação no Banco Central.

A possibilidade de sair na frente em concursos públicos, inclusive, é uma das vantagens mais citadas pelos jovens ouvidos pela reportagem. Como os editais preveem pontos adicionais para candidatos com mestrado e doutorado, voltar para a faculdade pode valer a pena para concurseiros. Com um diploma de mestre já em mãos e um doutorado em curso na Coppe, Jordana Colmon classifica a Petrobras como “empresa dos sonhos”. Ingressar na pós, a paranaense afirma, foi uma forma de manter o pique dos estudos e se capacitar enquanto tenta conquistar a vaga desejada.

– É um pouco missão impossível estudar para o mestrado e os concursos, mas há semelhança entre os conteúdos. Quero poder usar a pesquisa de forma mais aplicada, em uma empresa como a Petrobras ou a Embraer – explica.

Na outra ponta, uma mudança nas regras de concessão de bolsas em 2010 permitiu a quem já estivesse inserido no mercado somar o benefício ao salário. Segundo a norma, é possível conciliar a bolsa de estudo com o vínculo empregatício, se houver permissão do orientador e a atuação profissional estiver diretamente ligada à pesquisa do aluno. A Capes, no entanto, informa que cada caso é avaliado individualmente e que alunos interessados em acumular o benefício devem procurar a instituição.

A mudança veio a calhar para o historiador Rubens Machado, de 24 anos, que concilia o mestrado em História Social na UFRJ com o trabalho em três colégios diferentes, nas redes pública e privada.

– A prerrogativa de poder acumular a bolsa veio em boa hora, quando eu entrei no mestrado. Há professores que se recusam a assinar a autorização, mas a minha orientadora pensa diferente. A vivência em aula contribui muito para a pesquisa.

Para quem não consegue continuar trabalhando, porém, viver apenas com a bolsa de R$ 1.500 pode ser complicado. Uma das maiores reclamações advém do valor nacional do benefício, o que faz com que estudantes alocados em grandes cidades sofram mais para pagar as contas do que os do interior.

– O valor da bolsa é totalmente insuficiente. Eu vejo que meus amigos que estudaram na mesma faculdade e fazem mestrado e doutorado no Paraná são ricos lá, enquanto eu aqui, no Rio, tenho dificuldades – compara Jordana.

No caso da arquiteta Janaina Matoso, foi justamente o baixo valor da bolsa que a levou a ingressar no mestrado de Urbanismo na UFRJ logo após o fim da faculdade. A jovem de 23 anos avaliou que a única forma de complementar sua formação seria logo no começo da carreira, enquanto ainda vive com a ajuda dos pais, do que mais velha, já empregada, quando possivelmente não teria como abrir mão de um salário para se dedicar exclusivamente à pesquisa.

– O ideal, para o crescimento profissional, seria trabalhar e depois fazer o mestrado. Mas como a bolsa é baixa, é economicamente inviável. Por mais que eu tenha feito essa escolha, foi sobretudo por uma questão econômica. Acredito que, se as bolsas fossem mais atrativas, teríamos profissionais muito mais capacitados – desabafa a mestranda.

Emendar o mestrado com a graduação, porém, pode ser perigoso para quem quer continuar na iniciativa privada, alerta o diretor de educação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Luiz Edmundo Rosa. Segundo o analista, a estratégia só vale a pena para quem quer seguir carreira acadêmica ou quer mudar de profissão.

– Se você percebe durante o seu curso que não é bem o que você queria fazer, é bom logo em seguida fazer a pós-graduação, já na nova área. Agora, se você quer continuar na mesma carreira, diria para não fazer isso. A pessoa precisa ganhar experiência naquilo que aprendeu. O que se recomenda é uma especialização, e não uma pós-graduação – aconselha Rosa, que explica a diferença entre as duas modalidades:

– A especialização é um complemento, enquanto o mestrado é a oportunidade de revisitar o que já se aprendeu com mais profundidade. O ideal é ir atrás da pós, pelo menos, dois anos depois de entrar no mercado. As escolas europeias não aceitam alguém que acabou de sair da faculdade, justamente porque se espera que o mestrado seja uma troca de experiências entre profissionais.

Sobre os valores das bolsas, a Capes informa que fez dois reajustes em suas bolsas de pós-graduação em menos de um ano. No último, o reajuste na categoria de mestrado saltou de R$ 1.350 para R$ 1.500. Antes desses dois reajustes, o último aumento havia ocorrido em junho de 2008, quando as bolsas de mestrado passaram de R$ 940 para R$ 1.200 mil. Ainda segundo a entidade, entre 2004 e 2008, houve três aumentos, em que as bolsas obtiveram reajuste de 67% sobre os valores de 2002.

O livro que mudou a minha vida

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A história de um personagem pode fazer com que o leitor se reconheça por meio de suas palavras e ações. O processo é chamado cientificamente de “identificação” e pode ajudar a resolver dilemas da vida cotidiana

Autoconhecimento para ajudar o próximo - Filho adotivo de mãe alemã e pai italiano, desde muito cedo Cláudio Assiz, 62 anos, foi incentivado à leitura. Foi seminarista, formou-se em História, Filosofia e Direito, trabalhou como radialista e acabou ingressando na carreira policial. Dedicou 35 anos da sua vida à Polícia Civil e, agora, aposentado e com mais tempo em mãos, dedica esse tempo aos animais. A rotina policial não é nada fácil, recorda Cláudio. “É uma atuação desconfortável, pois a Polícia tem a obrigação de ser a guardiã da sociedade.” Foi no ambiente familiar, na religião e na intimidade com livros que encontrou suporte que o permitiu ter uma visão aberta para entender os problemas sociais que rodeavam sua profissão. “Procurei praticar a polícia cidadã, sem violência. Julgar os atos e não as pessoas foi um discernimento que veio com os livros de filosofia”, diz. Em sua biblioteca já passaram desde a coleção completa de Monteiro Lobato a obras de filosofia, direito, antropologia, e esotéricos. Mas foi na leitura do Manual Básico de Teosofia, de Antônio Geraldo Buck, que Assiz encontrou respostas a algumas de suas inquietações. “O livro mistura ciência, religião e filosofia, e me aprofundou nas questões de autoconhecimento. E, ao me entender melhor, tenho mais compaixão e tolerância com o próximo”, conta (Wlater Alves / Gazeta do Povo)

(Wlater Alves / Gazeta do Povo)

Carol Benelli, no Gazeta do Povo

“Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros mudam as pessoas”, disse uma vez o poeta gaúcho Mário Quintana. Parece simples, mas como entender o significado que um livro tem para cada um?

Autoconhecimento para ajudar o próximo – Filho adotivo de mãe alemã e pai italiano, desde muito cedo Cláudio Assiz, 62 anos, foi incentivado à leitura. Foi seminarista, formou-se em História, Filosofia e Direito, trabalhou como radialista e acabou ingressando na carreira policial. Dedicou 35 anos da sua vida à Polícia Civil e, agora, aposentado e com mais tempo em mãos, dedica esse tempo aos animais. A rotina policial não é nada fácil, recorda Cláudio. “É uma atuação desconfortável, pois a Polícia tem a obrigação de ser a guardiã da sociedade.” Foi no ambiente familiar, na religião e na intimidade com livros que encontrou suporte que o permitiu ter uma visão aberta para entender os problemas sociais que rodeavam sua profissão. “Procurei praticar a polícia cidadã, sem violência. Julgar os atos e não as pessoas foi um discernimento que veio com os livros de filosofia”, diz. Em sua biblioteca já passaram desde a coleção completa de Monteiro Lobato a obras de filosofia, direito, antropologia, e esotéricos. Mas foi na leitura do Manual Básico de Teosofia, de Antônio Geraldo Buck, que Assiz encontrou respostas a algumas de suas inquietações. “O livro mistura ciência, religião e filosofia, e me aprofundou nas questões de autoconhecimento. E, ao me entender melhor, tenho mais compaixão e tolerância com o próximo”, conta

O escritor italiano Ítalo Calvino declara em seu livro Assunto Encerrado que as coisas que a literatura pode revelar são “pouco numerosas, mas insubstituíveis”. Nesses aprendizados estão sentimentos como a maneira de ver o próximo e a si mesmo, de atribuir valor às coisas, de encontrar as proporções da vida e o lugar do amor e morte nela, além de outros temas como a rudeza, a piedade, a tristeza, a ironia e o humor.

Em uma sociedade regida pelo relógio e de procura por respostas instantâneas, o tempo de leitura permite resgatar o contato com o “eu interior”. “Ao ler um livro, cria-se um espaço para que emoções e pensamentos se assentem, promovendo uma recomposição e reestruturação no nosso próprio ser”, revela o professor de História da América da Universidade Federal de São Paulo, Rafael Ruiz Gonzalez.

Além disso, a narrativa de um livro também tem grande poder transformador. “Quando a gente se defronta com uma história que fala com o ser humano na sua intimidade, é como se um sinal de ‘pare’ aparecesse na nossa frente”, lembra o professor.

Eu, personagem

Aristóteles dizia que imitar é próprio da natureza humana. Rafael Ruiz explica que durante a leitura “nos colocamos em diálogo com os personagens e nos vemos por meio de suas palavras e ações”. Esse processo psicológico é chamado de identificação. “O sujeito assimila um atributo, pensamentos ou comportamentos do outro e se transforma, total ou parcialmente, segundo o modelo que o outro fornece”, relata Naim Akel Filho, coordenador da especialização em Neurociência da PUCPR.

O neurocientista ainda vai além. Ele conta que “a personalidade se organiza a partir de nossas experiências, baseada nos modelos com os quais nos identificamos. Portanto, esse processo de identificação com personagens literários pode mesmo moldar a personalidade de alguém com a mesma força das figuras centrais da vida do sujeito”.

É a maturidade do leitor que vai fazer com que, ao folhear algumas obras, elas causem perturbações no comportamento. Indepen­­dentemente da idade, obras da literatura clássica sempre tem um lugar na cabeceira, pois já tiveram sua qualidade atestada. “O clássico é aquilo que foi confirmado pelo tempo porque atinge o ser humano em qualquer época ou lugar, comoveu e provocou questões no homem desde a antiguidade e o toca na sua essência”, orienta o professor Rafael Ruiz.

Silêncio, por favor

Você parou para pensar por que aquele conselho dado a uma pessoa próxima nunca é ouvido? Se o conselho não viesse falado, mas em forma de papel, seria diferente. Akel Filho explica que “quando lemos, rebaixamos nossas defesas racionais e deixamos a emoção e a fantasia substituírem a racionalidade. Por isso é mais fácil sermos seduzidos pela ‘ficção’ do que convencidos pelo mundo real”.

Pesa também que nem sempre as pessoas estão prontas para receber um conselho, e quando um amigo ou terapeuta fala, a sugestão é repelida. Enquanto que a literatura fala manso com o leitor, penetrando no seu coração e mente.

Remédio de papel
Entre tantos espaços de terapia para as inquietações da alma, que tal um lugar diferente, onde você entra, conta sua questão, e sai medicada com um livro? Pensando nisso, a paulista Angélica Ayres trouxe para Curitiba a Mahatma, Livraria de Expansão. “É um espaço onde são selecionados livros que podem ser úteis para uma tomada de decisão, mudança ou redirecionamento de vida”, conta.

Lá é possível encontrar livros de psicologia, comportamento, terapias complementares e até alguns de auto-ajuda. Com 34 anos de experiência no mercado editorial, Angélica é formada em Jornalismo e conta que instalou a livraria em um local calmo. “Não quero clientes de passagem, pois procuro pessoas que de fato querem refletir sobre suas vidas. E Curitiba é uma cidade mais introspectiva por causa do clima, o que favorece a leitura”.

O que diferencia o espaço de uma livraria comum é o atendimento personalizado dado a cada um dos clientes e o conhecimento que a proprietária tem do acervo. Angélica lembra, entretanto, que a literatura é somente uma das ferramentas possíveis para o autoconhecimento. “O livro não substitui algo que a pessoa precisa de caráter físico ou psicológico. É um caminho que vai ajudar as pessoas a entenderem suas necessidades”, pondera.

Coragem para enfrentar a vida - Por vezes, é nas páginas de um livro que as cortinas do teatro da vida se abrem. Foi o que aconteceu com a atriz e artista plástica Graci Mello, 32 anos, após a indicação do livro Montanha Mágica, de Thomas Mann, feita por um professor da universidade. A recomendação era de que era uma leitura obrigatória para a transição da fase adulta. “Acredito que quando era estudante estava carente de experiências, queria ver com meus próprios olhos, e não seguir o caminho que meus pais queriam e imaginaram para mim”, comenta. Nesse livro, a narrativa do personagem principal mostra que o medo é inerente e comum. “Saber disso permitiu enfrentar meus temores e não deixar o medo sobrepor à vontade de fazer as coisas”. E a história escrita a partir desse momento impactou a vida da atriz. Aos 23 anos, saiu da casa dos pais e foi morar com o namorado. “Estamos juntos há 17 anos e tem sido uma experiência linda. Sempre nos apoiamos muito e é um relacionamento tranquilo”, comenta. Parte do enfrentamento do “eu interior”, também tomou forma quando Graci decidiu fazer faculdade de Artes Cênicas. “Era muito envergonhada e, aos poucos, o teatro me mostrou como encarar as oportunidades que aparecem. Ensinou também a vivenciar o momento e não ter medo de me expor em público”, explica a atriz - (André Rodrigues / Gazeta do Povo)

(André Rodrigues / Gazeta do Povo)

Coragem para enfrentar a vida – Por vezes, é nas páginas de um livro que as cortinas do teatro da vida se abrem. Foi o que aconteceu com a atriz e artista plástica Graci Mello, 32 anos, após a indicação do livro Montanha Mágica, de Thomas Mann, feita por um professor da universidade. A recomendação era de que era uma leitura obrigatória para a transição da fase adulta. “Acredito que quando era estudante estava carente de experiências, queria ver com meus próprios olhos, e não seguir o caminho que meus pais queriam e imaginaram para mim”, comenta. Nesse livro, a narrativa do personagem principal mostra que o medo é inerente e comum. “Saber disso permitiu enfrentar meus temores e não deixar o medo sobrepor à vontade de fazer as coisas”. E a história escrita a partir desse momento impactou a vida da atriz. Aos 23 anos, saiu da casa dos pais e foi morar com o namorado. “Estamos juntos há 17 anos e tem sido uma experiência linda. Sempre nos apoiamos muito e é um relacionamento tranquilo”, comenta. Parte do enfrentamento do “eu interior”, também tomou forma quando Graci decidiu fazer faculdade de Artes Cênicas. “Era muito envergonhada e, aos poucos, o teatro me mostrou como encarar as oportunidades que aparecem. Ensinou também a vivenciar o momento e não ter medo de me expor em público”, explica a atriz

As diversas vidas que vivemos - O que seria da vida se fosse possível despir-se de preconceitos e aceitar a transição e a constante mudança? Para Cláudia Janiscki, 43 anos, especialista em I Ching e numeróloga, esse desafio teve início ao ler um livro milenar chinês. “Ler o I Ching ou Livro das Mutações foi como olhar no espelho. Fez com que eu enxergasse com clareza minhas vontades e qual caminho tomar para transformar aquilo que me causava insatisfação”, explica. Na época, Cláudia era dentista e não hesitou em largar anos de prática para tomar a estrada do auto-conhecimento. De lá pra cá, com o aprofundamento das questões humanas, também veio tranquilidade e a descoberta de um novo caminho trabalhando com pessoas. “Abri uma escola de ioga, onde pude praticar uma atividade que trazia benefícios diretos ao público. Agora, estou focada em numerologia e leitura de I Ching e acredito que não existe limite para melhorar e mudar”, comenta - (Daniel Castellano / Gazeta do Povo)

 (Daniel Castellano / Gazeta do Povo)

As diversas vidas que vivemos – O que seria da vida se fosse possível despir-se de preconceitos e aceitar a transição e a constante mudança? Para Cláudia Janiscki, 43 anos, especialista em I Ching e numeróloga, esse desafio teve início ao ler um livro milenar chinês. “Ler o I Ching ou Livro das Mutações foi como olhar no espelho. Fez com que eu enxergasse com clareza minhas vontades e qual caminho tomar para transformar aquilo que me causava insatisfação”, explica. Na época, Cláudia era dentista e não hesitou em largar anos de prática para tomar a estrada do auto-conhecimento. De lá pra cá, com o aprofundamento das questões humanas, também veio tranquilidade e a descoberta de um novo caminho trabalhando com pessoas. “Abri uma escola de ioga, onde pude praticar uma atividade que trazia benefícios diretos ao público. Agora, estou focada em numerologia e leitura de I Ching e acredito que não existe limite para melhorar e mudar”, comenta.

dica do Chicco Sal

Professor dos EUA desvenda mistério de livro escrito por escrava afroamericana

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Para o professor, a descoberta da identidade da escritora vai revolucionar a compreensão mundial sobre a qualidade da literatura produzida por mulheres negras, conforme publicado no The New York Times.

Publicado no África 21 Digital

Fernando Frazão/ABr

Nova York – Nova York – Em meados de 1850, uma escrava fugitiva escreveu de próprio punho uma novela autobiográfica. Em 2002, a novela “The Bondwoman’s Narrative” (“A narrativa de uma serva”, em português), primeira escrita por uma escrava afroamericana, foi publicada e se tornou um sucesso de vendas nos Estados Unidos.

O livro foi assinado por Hannah Crafts, um nome que muitos acreditavam tratar-se de um pseudônimo, tornando a identidade real do autor um mistério. Mas só até agora.

Isso por que, o professor de inglês da Universidade de Winthrop na Carolina do Sul, Gregg Hecimovich, assegurou nesta semana que descobriu o nome da autora: é Hannah Bond, conforme publicado no The New York Times.

Ele explica que Hannah era escrava em uma plantação da Carolina do Norte pertencente a John Hill Wheeler, político e historiador que exerceu o cargo de Tesoureiro do Estado da Carolina do Norte entre 1855-56.

O professor levou uma década para descobrir a identidade da escritora, segundo explica o jornal, tempo em que entrevistou familiares de Wheeler e consultou diários, registos e testamentos.

Os dados recolhidos por Hecimovich indicam que Hannah conseguiu fugir da escravidão disfarçada de homem, com a ajuda de um dos familiares de Wheeler.

Toda essa descoberta resolve outro mistério do livro: como uma escrava com limitada educação teria sido tão influenciada por Charles Dickens?

De acordo com Hecimovich, a plantação onde ela trabalhava rotineiramente fazia divisa com uma escola para garotas, onde as alunas tinham que recitar trechos da novela “Bleak House” (“Casa desolada”).

Assim, Hannah poderia ter escutado, enquanto eles estudavam, ou arrebatados uma cópia para ler, secretamente formando seu próprio romance.

Os estudos de Hecimovich tem sido revista por vários estudiosos que atestam a sua autenticidade, incluindo Henry Louis Gates Jr., um dos proeminentes estudiosos da história afro-americana.

“Palavras não podem expressar o quão significativa é a descoberta para os estudos da literatura afro-americana”, disse em entrevista ao The New York Times. “Ela revoluciona a nossa compreensão da literatura das mulheres negras”.

Professor Gates, que comprou o manuscrito do livro em um leilão em 2001, disse que a descoberta do professor Hecimovich responde a uma das grandes e persistentes questões sobre o autor que o tem perseguido por mais de uma década.

Hecimovich, de 44 anos, afirmou que pretende publicar seus resultados completos em um livro, intitulado provisoriamente de “A vida e os tempos de Hannah Crafts”.

 

Professor copia livro do Kindle usando Lego

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Austríaco usou braços de Lego e webcam para copiar um e-book do aparelho, o que é proibido pela Amazon

Kindle

Divulgação

Título original: Professor burla regras do Kindle usando Lego

Renato Santiago, na revista Exame

São Paulo — Usando um kit Lego e um computador, um professor universitário da Áustria criou um jeito curioso de burlar as regras da Amazon e do Kindle, informa o site de tecnologia All Things D. Assista como funciona a engenhoca abaixo.

O processo é simples. Peter Purgathofer colocou um Kindle de frente para um notebook aberto e, com um kit Lego Mindstorm (um conjunto de peças que permite a criação de robôs básicos), montou uma máquina com dois braços. Um deles aperta sucessivamente o botão que vira a página do e-book no Kindle e ou outro pressiona a barra de espaço. A cada página virada, uma foto é tirada.

Depois que o livro foi copiado, as fotos poderiam ser enviadas para qualquer serviço de reconhecimento de texto por imagens e pronto, o livro está copiado. “Em 2002, o CEO da Amazon, Jeff Bezos disse que ‘quando alguém compra um livro, compra também o direito de revendê-lo, emprestá-lo ou dá-lo’. Depois sua empresa criou um aparelho que viola esses direitos”, diz.

Purgathofer conversou com o All Things D e disse que não se trata de combater os livros eletrônicos, mas de recuperar direitos que donos de livros tinham antes. “O dono de um livro nem é mais dono hoje. Apenas tem um licença”, afirma.

O austríaco descreve a disciplina que ensina no Instituto Tecnológico da Áustria como um curso sobre a interação entre sociedade e tecnologia. Segundo Purgathofer, ele escaneou apenas um livro “para provar o conceito” e diz que não o compartilhou com ninguém, já que poderia ter “grandes problemas”. A Amazon não se pronunciou.

DIY kindle scanner from peter purgathofer on Vimeo.

Seriado inspira curso online e inaugura fusão de entretenimento e academia

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Será que zumbis podem ser temas de estudos acadêmicos? E, mais além, será que eles podem fazer parte de novos rumos adotados pelo ensino superior?

Curso com 'The Walking Dead', transmitida no Brasil por Band e Fox, cria 'interação entre academia e entretenimento'

Curso com ‘The Walking Dead’, transmitida no Brasil por Band e Fox, cria ‘interação entre academia e entretenimento’

Sean Coughlan, na BBC

No que está sendo chamado de o maior experimento na área de “edutenimento” (mescla entre educação e entretenimento), uma emissora americana está firmando uma parceria com uma universidade californiana para produzir cursos online relacionados à série televisiva de ficção The Walking Dead, que retrata um mundo dominado por zumbis.

O curso, de oito módulos, será lançado em outubro pela Universidade da Califórnia em Irvine e disponibilizado gratuitamente pela internet, criando uma interação entre a academia e a indústria do entretenimento.

A universidade diz que manterá seu rigor acadêmico e que o curso abordará temas científicos sérios relacionados ao cenário apocalíptico do seriado, como “o que pode ser aprendido com epidemias” e “uso da matemática para modelar dinâmica populacional e epidêmica”.

O curso incluirá testes online e grupos de discussão, mas os estudantes não ganharão títulos ou créditos formais.

Experiência
The Walking Dead, com audiência estimada em 10 milhões de espectadores, é transmitido no Brasil pela Band e pela Fox e, nos EUA, pela AMC, emissora responsável por outros seriados cultuados, como Mad Men, Breaking Bad e The Killing.

Para Theresa Beyer, vice-presidente da emissora, a AMC será “o primeiro grupo de entretenimento a fazer uma incursão na arena educacional” e que o resultado será “uma experiência educacional legítima”.

Se a experiência for bem-sucedida, deve abrir caminho para outros projetos envolvendo seriados e universidades, afirma a plataforma online Instructure, que abriga o curso com Walking Dead.

Não é difícil, por exemplo, imaginar um curso de publicidade criado em torno de Mad Men, diz Josh Coates, executivo-chefe da Instructure.

A parceria também marca novo avanço no mundo dos cursos gratuitos online (MOOCs, na sigla em inglês, que acaba de entrar no dicionário Oxford), cuja demanda tem crescido.
Rigor acadêmico

'Mad Men' também pode inspirar cursos futuros

‘Mad Men’ também pode inspirar cursos futuros

Mas, sob a perspectiva da prestigiosa Universidade da Califórnia em Irvine — que tem prêmios Nobel entre seus pesquisadores —, vale a pena ter zumbis em seu currículo?

“Quando embarcamos nessa parceria, tornou-se importante fazer com que cada módulo (do curso online com Walking Dead) fosse tão forte do ponto de vista acadêmico quanto são nossas aulas presenciais”, diz Melissa Loble, reitora-associada de educação à distância da universidade.

“As aulas terão rigor acadêmico e ainda assim terão ligação com o seriado de TV.”

Para Joanne Christopherson, palestrante em ciências sociais, trata-se de mais um exemplo de como as universidades estão usando a mídia contemporânea.

“Em todas as minhas aulas, tenho de abordar temas da atualidade para torná-las interessantes”, diz ela. “Não só porque (os alunos) são jovens adultos recém-saídos do ensino médio, mas sim porque é preciso fazer com que essas teorias clássicas sejam relevantes para eles.”

Coates, do Instructure, diz que o curso da Universidade da Califórnia incluirá ciência e temas relacionados às ciências sociais, usando o seriado de TV como gancho.

“Trata-se de um currículo real, incluindo doenças infecciosas, saúde pública, nutrição, psicologia e sociologia”, diz. “É incidental o fato de que o contexto dele é o mundo ficcional do apocalipse (da série).”

Segundo ele, é também uma oportunidade de ensinar as pessoas a respeito de catástrofes reais, como o furacão Katrina ou o desastre de Fukushima.

Seriado servirá de gancho para que curso aborda ciências e temas sociais

Seriado servirá de gancho para que curso aborda ciências e temas sociais

Desafios dos cursos online
Coates também espera que a iniciativa ajude a superar um dos principais obstáculos dos cursos online gratuitos: as altas taxas de desistência. Será que o apelo televisivo do curso ajudará a manter o interesse dos alunos?

Ao mesmo tempo, para a universidade trata-se de uma forma de expor sua marca diante de uma audiência global, bem como refinar o processo de colocar cursos na internet.

“Os primeiros cursos tinham ótimos vídeos e quizzes, mas não ajudavam os alunos a interagir entre si”, diz Melissa Loble. “O próximo passo dos cursos online é descobrir como personalizá-los sem que se tornem um fardo para as instituições que os criaram.”

Para Christopherson, a grande demanda por cursos online tem chamado a atenção das universidades, mas segue sendo um desafio prover uma estrutura online que permita que um número grande de alunos acompanhe o curso sem se sentirem anônimos ou desconectados.

Outra questão de longo prazo é o modelo de financiamento dos cursos online, algo que pode desestimular as universidades ante as altas taxas de desistência.

Alan Smithers, diretor do centro de pesquisas de educação e emprego da Universidade de Buckingham (Reino Unido), diz que o elo com um cultuado seriado de TV pode servir para atrair estudantes, mas que o elemento acadêmico tem de superar o entretenimento.

Mesmo com os desafios, os cursos online continuam expandindo. E Coates diz que quer que a iniciativa com The Walking Dead seja vista, no futuro, como um divisor de águas, do momento em que educação e entretenimento se conectaram.

Com a disponibilidade global dos cursos online, e enquanto emissoras do mundo inteiro transmitem diferentes temporadas dos seriados, talvez este seja o primeiro curso universitário a vir com seu próprio alerta de spoiler (que traz revelações sobre conteúdo dos episódios).

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