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Veja como famosos e profissionais bem-sucedidos encararam o vestibular

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Publicado na Folha de S.Paulo

Não há uma receita universal para domar o vestibular e entrar na universidade. O estudante que vai enfrentá-lo, no entanto, precisa saber que o teste é apenas um caminho -não o único-de construção de uma carreira profissional, segundo especialistas.

“A exigência da sociedade por um domínio técnico afasta o nosso jovem de outros conhecimentos que estão fora da academia”, diz a psicóloga Gabriela Gramkow e professora da PUC-SP. Aqui, seis profissionais do mundo das artes, dos negócios, da moda e da ciência contam como foi atravessar esse momento.

O colunista da Folha Gregório Duvivier diz que prestava muita atenção nas aulas, mas não se matava de estudar em casa. A modelo Ana Cláudia Michels deu ênfase às matérias que mais dominava e, hoje, cursa medicina.

O apresentador Marcelo Tas lia muito, o que, segundo ele, o ajudou a interpretar as questões do vestibular com facilidade. Para o pedagogo Silvio Bock, especialista em orientação profissional, não existe um jeito certo ou errado de estudar. “Tudo é uma questão de juízo de valor. Tem estudante que não se diverte porque acha que vai perder tempo. Outro já precisa relaxar para ir bem nas provas.”

Enfrentar o vestibular e perder a batalha na primeira tentativa serviu de aprendizado para Felipe Dib, empresário, dono de uma escolas de idiomas on-line. “Meu erro foi o excesso de confiança. Fiquei em 90º lugar”, afirma.

‘Me aprofundei nos assuntos que dominava’

“Queria ser médica desde criança. Comecei a trabalhar como modelo e tive que adiar o plano. Com quase 30 anos, decidi tentar. Fiz supletivo do ensino médio e entrei num cursinho.

Era muito difícil, muita matéria. Naquela época, passei a trabalhar só aos fins de semana para não perder as aulas. Durante a tarde, ficava na biblioteca.

Fiz um ano e meio de cursinho. Quando prestei vestibular pela primeira vez, não passei. Na segunda tentativa, fui aprovada em 37º lugar no curso de medicina do Centro Universitário São Camilo. Foi um dos dias mais felizes da minha vida.

Acho que fiz certo ao me aprofundar bastante nos assuntos que eu sabia bem. Ter disciplina também foi imprescindível. Estou no quarto ano da faculdade. Pensava em ser endocrinologista quando entrei, hoje tenho dúvidas.”

Ana Cláudia Michels, 35, começou a carreira de modelo aos 14; trancou a faculdade em setembro, quando sua filha nasceu

Ana Cláudia Michels em jantar do Instituto de Defesa do Direito de Defesa, na Lions NigthtClub - Zanone Fraissat/Folhapress

Ana Cláudia Michels em jantar do Instituto de Defesa do Direito de Defesa, na Lions NigthtClub – Zanone Fraissat/Folhapress

 

‘Confiante, não passei na primeira opção’

“Após ter sido reprovado no curso de inglês que fazia no Brasil, fui fazer o terceiro ano do ensino médio na Nova Zelândia, para melhorar minhas habilidades na língua. Quando voltei, queria fazer direito na UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul). Passavam 30 candidatos.

Prestei o vestibular sem me preparar e fiquei em 60º. Pensei ‘poxa, estou perto’ e resolvi focar nos estudos.

Durante seis meses, fazia cursinho de manhã e estudava à tarde, embora não abandonasse outras atividades, como academia. No fim, estava bem preparado.

Meu erro foi o excesso de confiança. Acabei ficando em 90°, Só que dessa vez também havia prestado Relações Internacionais na Unaes (hoje Anhanguera). Não passei na minha primeira opção, mas depois fiz uma pós em ensino e aprendizagem da língua inglesa e comecei a lecionar.”

Felipe Dib é dono do Você Aprende Agora, escola de inglês on-line

Felipe Dib, dono do Você Aprende Agora, escola de inglês on-line

Felipe Dib, dono do Você Aprende Agora, escola de inglês on-line

 

‘Discutir é mais importante que decorar fórmula’

“Meu último ano do ensino médio foi tranquilo. Estudei num colégio que não tinha o vestibular como foco principal. Achei ótimo. A função da escola é fazer o aluno refletir, criar conteúdo, me incomoda quando a única preocupação é fazê-lo passar no exame.

Eu fazia teatro na época. É muito importante ter uma vida pessoal estável no terceiro ano. Ficar enclausurado, só estudando, é terrível.

Escolhi fazer letras porque adorava ler. Passei para a PUC-Rio, em 2004. Também fui aprovado na UFF, em cinema, mas desisti.

Eu diria para os vestibulandos se informarem sobre o mundo. Saber as questões políticas que os cercam, participar de discussões da sociedade. É mais importante que decorar fórmulas.

As pessoas acham que é o pré-vestibular é ‘o’ ano que vai definir o resto da vida, quando, na verdade, a redefinimos o tempo todo.”

O ator Gregorio Duvivier, 30, é integrante do grupo Porta dos Fundos e colunista da Folha

Gregorio Duvivier na pré-estreia do filme "Desculpe o Transtorno"

Gregorio Duvivier na pré-estreia do filme “Desculpe o Transtorno” – Bruno Poletti/Folhapress

 

‘A leitura mexe com o pensamento’

“Fiz o ensino médio na EPCAR (Escola Preparatória de Cadetes do Ar), nos anos 1970. Lá, tive acesso a uma biblioteca que nunca tinha visto na vida. Mergulhei na literatura brasileira. A leitura mexe com o pensamento, faz você se expressar melhor, me ajudou muito no vestibular. Vale até para ir bem em matemática, para entender os problemas.

Cheguei a fazer um curso intensivo em São Paulo quando me formei na escola. Foram os piores meses da minha vida, mas consegui passar para o curso de engenharia civil na USP.

Nunca abri mão de sair, de ir ao teatro. Isso ajuda a ter saúde mental.

Escolhi a engenharia no piloto automático, foi uma coisa pouco ambiciosa. Poderia ter refletido mais. Apesar de ter descoberto na comunicação a minha vocação, não me arrependo. Na reta final, o mais importante a se fazer é respirar.”

Marcelo Tas, 56, é apresentador do programa “Papo de Segunda” (GNT)

Marcelo Tas, durante pré-estreia do espetáculo "Palavra de Rainha", em 2014 - Bruno Poletti/Folhapress

Marcelo Tas, durante pré-estreia do espetáculo “Palavra de Rainha”, em 2014 – Bruno Poletti/Folhapress

 

‘Fazer novela foi uma válvula de escape’

“Decidi fazer engenharia porque queria explorar uma área diferente da que eu já trabalhava. Sempre fui boa aluna, mas nunca precisei estudar fora da escola. No pré-vestibular, tive que me dedicar muito.

Estava fazendo uma novela [“Fina Estampa”] nessa época. Foi a melhor coisa que aconteceu, serviu como uma válvula de escape.

Precisei me organizar muito bem. Nos intervalos, até no recreio, eu estudava. Andava com uma lista de tarefas para fazer ao longo do dia. Chegava a almoçar no carro, a caminho das gravações, para ganhar tempo.

Prestei para engenharia química. Fiquei em primeiro lugar na UERJ e na UFF, e passei para outras faculdades do Rio, em 2012. Acho que não precisava ter me estressado tanto. Nos momentos finais, é importante se manter motivado e pensar que o pior já passou.”

Bianca Salgueiro, 22, começou a atuar ainda criança; hoje, mora em Lyon, na França, onde faz intercâmbio pela faculdade

Atriz Bianca Salgueiro na pré-estreia do filme "Noé", no Rio de Janeiro, em 2014 - Adriano Ishibashi/Frame

Atriz Bianca Salgueiro na pré-estreia do filme “Noé”, no Rio de Janeiro, em 2014 – Adriano Ishibashi/Frame

 

‘Escolhi meu curso após visitara universidade’

“Entrei no curso de química da Universidade Estadual de Maringá em 2005. Enquanto eu frequentava o último ano do colégio, ingressei em um cursinho comunitário, tocado pelos alunos da UEM. Eu estava em dúvida entre farmácia e química, até que um professor do pré-vestibular me convidou para conhecer os laboratórios da instituição. Foi quando fiz a minha escolha.

Isso é importante. Se o aluno tiver a oportunidade de conhecer o curso, visitar a universidade e conversar com pessoas que já estão lá pode ajudar muito.

Sobre a minha rotina, frequentava as aulas do colégio pela manhã. À tarde, me dedicava por duas horas ao conteúdo da escola e,no restante do tempo, fazia os exercícios do cursinho. Em dezembro, sem aulas, estudava cerca de seis horas.”

Cecília de Carvalho Castro e Silva, 29, é doutora em química e pesquisadora do Mackgraphe, onde desenvolve um sensor capaz de identificar precocemente o câncer de mama

Retrato de Cecília de Carvalho Castro e Silva, doutora em química e pesquisadora do Mackgraphe - Divulgação

Retrato de Cecília de Carvalho Castro e Silva, doutora em química e pesquisadora do Mackgraphe – Divulgação

 

Com colaboração de Dhiego Maia, Bruno Lee, Júlia Zaremba e Dante Ferrasoli

Estudar mais tempo resulta em melhores salários, diz pesquisa

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Fonte: Shutterstock

Fonte: Shutterstock

 

Pesquisa da FGV aponta que estudar mais tempo é sinônimo de melhor remuneração, entenda

Publicado no Universia Brasil

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) comprovou que educação é, como já se esperava, sinônimo de melhores salários. Ao relacionar os anos de estudo com a remuneração de um profissional, os pesquisadores concluíram que quanto mais tempo a pessoa se dedica ao aprendizado, melhor é o seu salário.

Segundo os dados apresentados pela FGV, cada ano de estudo concluído corresponde a um aumento médio de quase 15% na remuneração. Além disso, um estudante que conquista o diploma do ensino médio pode ter um retorno salarial até três vezes maior do que alguém que não tenha esse mesmo nível escolar.

Em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, o pesquisador e diretor do FGV Social, Marcelo Neri, disse que o mercado continua bastante receptivo a quem tem um diploma do ensino médio profissionalizante, mas que para os estudantes que chegam ao ensino superior, a situação pode ser ainda mais interessante.

Segundo Neri, mesmo em períodos de desaceleração da economia, profissionais com graduação, mestrado e doutorado continuam sendo bem remunerados e acabam sofrendo menos os efeitos de uma baixa no mercado.

Como estudar com um emprego de tempo integral

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Fonte: Shutterstock

Fonte: Shutterstock

 

Saber conciliar trabalho e estudo é difícil, mas é necessário se você quer avançar na carreira

Publicado no Universia Brasil

A educação é fundamental se você quer avançar na sua carreira, mas é difícil pensar em voltar a estudar quando já se trabalha. Mesmo que seja difícil conciliar as duas coisas, não é impossível. Leia agora cinco dicas de como conseguir um diploma para dar um impulso na sua carreira. Aviso: essas dicas presumem que o seu curso exija que todos os trabalhos sejam completados independentemente e que no fim haja uma prova.

1- Organize a leitura
Assim que você receber o material de leitura, divida-o em semanas. Veja quantas páginas você precisa ler e quantos dias você tem para lê-las. É uma boa ideia dividir a leitura em semanas para que a tarefa não pareça muito difícil. Assim, você evita ter uma prova se aproximando e 500 páginas para ler.

2- Aproveite seu tempo de transporte
O brasileiro costuma passar, em média, 1 hora por dia se transportando de um lugar para o outro. Você pode aproveitar esse tempo para colocar seus estudos em dia, e isso não significa estudar e dirigir. A maioria dos livros vem com CDs que podem ser ouvidos no carro. Se o seu material é digital, há aplicativos como o Play Books são capazes de lê-los em voz alta. Existem também programas para transformar textos em áudios.

3- Mantenha o conteúdo próximo
Tente ter conteúdo perto de você sempre. Mesmo algo simples como uma notinha para revisão já serve. Existem vários pequenos momentos no dia-a-dia em que você pode usa-los (esperando no médico, esperando na fila de uma loja). Quanto mais tempo de estudo você conseguir encaixar no seu dia, menos tempo será gasto estudando a noite, quando você poderia estar com a sua família ou fazendo coisas mais interessantes.

4- Faça um sacrifício por dia

Para completar seu curso você terá que fazer sacrifícios. A dica é sacrificar atividades que afetam apenas a você, como assistir à televisão, ao invés de deixar de passar tempo com família e amigos. Com uma hora por dia que você usaria para assistir TV, é possível terminar com calma as leituras do ano.

5- Planeje um dia de estudo antes da prova
No dia (ou semana) da prova, todo mundo fica um pouco mais estressado. Se você puder, tire um dia de folga antes da prova. Mesmo se você estiver confiante nos seus estudos, tirar um dia de folga ajuda a manter os níveis de estresse baixos e abre a chance de revisar algum livro. Na pior das hipóteses, você terá tempo de ler 500 páginas que ficaram para trás.

Bem-formada, nova geração chega mal-educada às empresas, diz filósofo

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Cortella lança o livro "Por que fazemos o que fazemos?" sobre a busca de propósito no trabalho

Cortella lança o livro “Por que fazemos o que fazemos?” sobre a busca de propósito no trabalho

 

Segunda-feira, seis da manhã. O despertador toca e você não quer sair da cama. Está cansado? Ou não vê sentido no que faz?

na BBC Brasil

Na introdução de seu novo livro, o filósofo e escritor Mario Sergio Cortella coloca em poucas palavras o questionamento central da obra Por que fazemos o que fazemos?. Lançada em julho, ela trata da busca por um propósito no trabalho, uma das maiores aflições contemporâneas.

Em entrevista à BBC Brasil, Cortella, também doutor em Educação e professor, fala como um mundo de múltiplas possibilidades levou as pessoas a negarem ser apenas uma peça na engrenagem.

O filósofo explica como a combinação de um cenário imediatista, anos de bonança e pais protetores fez com que a “busca por propósito” dos jovens seja muitas vezes incompatível com a realidade.

“No dia a dia, eles se colocam como alguém que vai ter um grande legado, mas ficam imaginando o legado como algo imediato.”

Essa visão “idílica”, afirma, transforma escritórios e salas de aula em palcos de confronto entre gerações.

“Parte da nova geração chega nas empresas mal-educada. Ela não chega mal-escolarizada, chega mal-educada. Não tem noção de hierarquia, de metas e prazos e acha que você é o pai dela.”

Leia os principais trechos da entrevista abaixo:

BBC Brasil – O que desencadeou a volta da busca pelo propósito?

Mario Sergio Cortella – A primeira coisa que desencadeou foi um tsunami tecnológico, que nos colocou tantas variáveis de convivência que a gente fica atordoado.

A lógica para minha geração foi mais fácil. Qual era a lógica? Crescer, estudar. Era escola, e dependendo da tua condição, faculdade. Não era comunicação em artes do corpo. Era direito, engenharia, tinha uma restrição.

Essa overdose de variáveis gerou dificuldade de fazer escolhas. Isso produz angústia em relação a esse polo do propósito. Por que faço o que estou fazendo? Faço por que me mandam ou por que desejo fazer? Tem uma série de questões que não existiam num mundo menos complexo.

Não foi à toa que a filosofia veio com força nos últimos vinte anos. Ela voltou porque grandes questões do tipo “para onde eu vou?”, “quem sou eu?”, vieram à tona.

Livro de Cortella foi lançado em julho e traz reflexão sobre trabalho

Livro de Cortella foi lançado em julho e traz reflexão sobre trabalho

 

BBC Brasil – Podemos dizer que nesse contexto vai ser cada vez menor o número de pessoas que não tem esses questionamentos?

Mario Sergio Cortella – Cada vez menor será o número de pessoas que não se incomoda com isso. O próprio mundo digital traz o tempo todo, nas redes sociais, a pergunta: “por que faço o que faço?”, “por que tomo essa posição?”. E aquilo que os blogs e os youtubers estão fazendo é uma provocação: seja inteiro, autêntico. É a expressão “seja você mesmo”, evite a vida de gado.


BBC Brasil – No seu livro, você fala da importância do reconhecimento no trabalho. Qual é ela?

Mario Sergio Cortella – O sentir-se reconhecido é sentir-se gostado. Esse reconhecimento é decisivo. A gente não pode imaginar que as pessoas se satisfaçam com a ideia de um sucesso avaliado pela conquista material. O reconhecimento faz com que você perca o anonimato em meio à vida em multidão.

No fundo, cada um de nós não deseja ser exclusivo, único, mas não quer ser apenas um. Eu sou um que importa. E sou assim porque é importante fazer o que faço e as pessoas gostam.

BBC Brasil – Pelo que vemos nas redes sociais, os jovens estão trazendo essa discussão de forma mais intensa. Você percebeu isso?

Mario Sergio Cortella – Há algum tempo tenho tido leitores cada vez mais jovens. Como me tornei meio pop, é comum estar andando num shopping e um grupo de adolescentes pedir para tirar foto.

Uma parcela dessa nova geração tem uma perturbação muito forte, em relação a não seguir uma rota. E não é uma recuperação do movimento hippie, que era a recusa à massificação e à destruição, ao mundo industrial.

Hoje é (a busca por) uma vida que não seja banal, em que eu faça sentido. É o que muitos falam de ‘deixar a minha marca na trajetória’. Isso é pré-renascentista. Aquela ideia do herói, de você deixar a sua marca, que antes, na idade média, era pelo combate.

O destaque agora é fazer bem a si e aos outros. Não é uma lógica franciscana, o “vamos sofrer sem reclamar”. É o contrário. Não sofrer, se não for necessário.

Uma das coisas que coloco no livro é que não há possibilidade de se conseguir algumas coisas sem esforço. Mas uma das frases que mais ouço dos jovens, e que para mim é muito estranha, é: quero fazer o que eu gosto.

'Tsunami tecnológico' gerou volta da busca por um propósito, diz Cortella

‘Tsunami tecnológico’ gerou volta da busca por um propósito, diz Cortella

 

BBC Brasil – Esse é um pensamento comum entre os jovens quando se fala em carreira.

Mario Sergio Cortella – Muito comum, mas está equivocado. Para fazer o que se gosta é necessário fazer várias coisas das quais não se gosta. Faz parte do processo.

Adoro dar aulas, sou professor há 42 anos, mas detesto corrigir provas. Não posso terceirizar a correção, porque a prova me mostra como estou ensinando.

Não é nem a retomada do ‘no pain, no gain’ (‘sem dor, não há ganho’). Mas é a lógica de que não dá para ter essa visão hedonista, idílica, do puro prazer. Isso é ilusório e gera sofrimento.

BBC Brasil – O sofrimento seria o choque da visão idílica com o que o mundo oferece?

Mario Sergio Cortella – A perturbação vem de um sonho que se distancia no cotidiano. No dia a dia, a pessoa se coloca como alguém que vai ter um grande legado, mas fica imaginando o legado como algo imediato.

Gosto de lembrar uma história com o Arthur Moreira Lima, o grande pianista. Ao terminar uma apresentação, um jovem chegou a ele e disse ‘adorei o concerto, daria a vida para tocar piano como você’. Ele respondeu: ‘eu dei’.

Há uma rarefação da ideia de esforço na nova geração. E falo no geral, não só da classe média. Tivemos uma facilitação da vida no país nos últimos 50 anos – nos tornamos muito mais ricos. Isso gerou nas crianças e jovens uma percepção imediatizada da satisfação das necessidades. Nas classes B e C têm menino de 20 anos que nunca lavou uma louça.

BBC Brasil – Quais as consequências dessa visão idealizada?

Mario Sergio Cortella – Uma parte da nova geração perde uma visão histórica desse processo. É tudo ‘já, ao mesmo tempo’. De nada adianta, numa segunda-feira, castigar uma criança de cinco anos dizendo: sábado você não vai ao cinema. A noção de tempo exige maturidade.

Vejo na convivência que essa geração tem uma visão mais imediatista. Vou mochilar e daí chego, me hospedo, consigo, e uma parte disso é possível pelo modo que a tecnologia favorece, mas não se sustenta por muito tempo.

Quando alguns colocam para si um objetivo que está muito abstrato, sofrem muito. Eu faço uma distinção sempre entre sonho e delírio. O sonho é um desejo factível. O delírio é um desejo que não tem factibilidade.

Muitos jovens querem deixar grande legado, mas não tem noção de esforço, diz filósofo

Muitos jovens querem deixar grande legado, mas não tem noção de esforço, diz filósofo

 

BBC Brasil – Muitos deliram nas suas aspirações?

Mario Sergio Cortella – Uma parte das pessoas delira. Ela delira imaginando o que pode ser sem construir os passos para que isso seja possível. Por que no campo do empreendedorismo existe um nível de fracasso muito forte? Porque se colocou mais o delírio do que a ideia de um sonho.

O sonho é aquilo que você constrói como um lugar onde quer conquistar e que exige etapas para chegar até lá, ferramentas, condições estruturais. O delírio enfeitiça.

BBC Brasil – Qual é o papel dos pais para que a busca pelo propósito dos jovens seja mais realista?

Mario Sergio Cortella – Alguns pais e mães usam uma expressão que é “quero poupar meus filhos daquilo que eu passei”. Sempre fico pensando: mas o que você passou? Você teve que lavar louça? Ou está falando de cortar lenha? Você está poupando ou está enfraquecendo? Há uma diferença. Quando você poupa alguém é de algo que não é necessário que ele faça.

Tem coisas que não são obrigatórias, mas são necessárias. Parte das crianças hoje considera a tarefa escolar uma ofensa, porque é um trabalho a ser feito. Ela se sente agredida que você passe uma tarefa.

Parte das famílias quer poupar e, em vez de poupar, enfraquece. Estamos formando uma geração um pouco mais fraca, que pega menos no serviço. Não estou usando a rabugice dos idosos, ‘ah, porque no meu tempo’. Não é isso, é o meu temor de uma geração que, ao ser colocada nessa condição, está sendo fragilizada.

BBC Brasil – Sempre lemos e ouvimos relatos de conflitos entre chefes e subordinados, alunos e professores. Como se explicam esses choques?

Mario Sergio Cortella – Criou-se um fosso pelo seguinte: crianças e jovens são criados por adultos, que são seus pais e mantêm com eles uma relação estranha de subordinação. A geração anterior sempre teve que cuidar da geração subsequente e essa vivia sob suas ordens.

A atual geração de pais e mães que têm filhos na faixa dos dez, doze anos, é extremamente subordinada. Como há por parte dos pais uma ausência grande de convivência, no tempo de convivência eles querem agradar. É a inversão da lógica. Eu queria ir bem na escola para os meus pais gostarem, não era só uma obrigação.

Essa lógica faz com que, quando o jovem vai conviver com um adulto que sobre ele terá uma tarefa de subordinação, na escola ou trabalho, haja um choque. Parte da nova geração chega nas empresas mal-educada. Ela não chega mal-escolarizada, chega mal-educada.

Não tem noção de hierarquia, de metas e prazos e acha que você é o pai dela. Obviamente que ela também chega com uma condição magnífica, que é percepção digital, um preparo maior em relação à tecnologia.

Como eu busco conhecimento?

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Como você faz para se atualizar profissionalmente? Esta reflexão não tem o intuito de refletirmos sobre quais meios estamos buscando novos conhecimentos.

Marcelo Castilho, no Administradores

Como você faz para se atualizar profissionalmente? É por meio da educação formal ou por meio de cursos livres? Quantos livros e artigos você lê por ano? Quantas palestras você assistiu até hoje?

Segundo a 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Ibope, a pesquisa nos mostra que o brasileiro lê, em média, 2,54 livros, e que o país tem cerca de 104,7 milhões de leitores, o que representa 56% da população. Isso demonstra que temos muitas pessoas excluídas da leitura e que também lêem muito pouco, ou seja, estão excluídas do conhecimento.

Esta reflexão não tem o intuito de discutir os motivos do baixo acesso à leitura, mas sim de refletirmos sobre quais meios estamos buscando novos conhecimentos, seja para a nossa vida pessoal, seja para a nossa vida profissional.

Nós podemos buscar conhecimento de várias maneiras. Uma delas é por meio de um curso técnico, graduação, pós-graduação, cursos livres de curta duração, entre outros. Fora dos ensinos tradicionais, podemos utilizar o YouTube, por exemplo, onde tem muitas pessoas dispostas a ensinar algo. Podemos encontrar treinamentos sobre programação de computadores, gestão, concurso público, idiomas, etc. Podemos acessar o Coursera, por exemplo, que é um site onde podemos assistir aulas de universidades nacionais e internacionais de alta credibilidade, e que de outra forma talvez não teríamos acesso. Outra maneira de obtermos mais conhecimento é por meio de palestras, sejam elas presenciais, sejam elas à distância. Há uma infinidade de palestras disponíveis no universo online, por exemplo, no YouTube ou no site da Endeavor. Outra forma de aprendermos é por meio de livros. Podemos adquirí-los de forma física em livrarias tradicionais, mas também podemos adquirí-los em livrarias que vendem livros usados, as chamadas “sebos” ou ainda adquirí-los em formato digital, os famosos e-books. E ainda uma outra forma bastante interessante é se propor a ensinar outras pessoas. Isso pode nos motivar a aprofundarmos ainda mais no tema proposto e estaremos ajudando outras pessoas a crescerem.

Enfim, não importa o meio pelo qual iremos aprender novas coisas, mas saber qual o meio se encaixa mais com o nosso perfil facilitará no processo de aprendizagem. O que importa é que tenhamos a iniciativa de buscar sempre novos conhecimentos. Consequentemente, manteremos nossa motivação sempre elevada, seremos pessoas mais inteligentes, seremos mais competitivos profissionalmente e estaremos cada vez melhores para prestarmos serviços de maior qualidade, ou seja, estaremos servindo melhor às pessoas.

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