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Pedro Paulo Graczcki, em carta a Luiz Schwarcz: “Vocês nos ferram há muitos anos”

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Foto: Ministério da Cultura/Reprodução

Nós livreiros estamos aqui, sempre estivemos e estaremos, mesmo quando os senhores tiverem desistido de publicar livros por que o lucro é baixo. Se querem ajuda pra arrumar a casa, então queremos ser convidados pra festa quando ela acontecer

Publicado na Revista Forum

Por Pedro Paulo Graczcki*

Carta de amor aos livros uma ova.

O sr. Luiz Schwarcz, da Cia das Letras, escreveu uma pseudo-carta de amor aos livros e nos pede algo que ele nunca teve: solidariedade e defesa de classe. Pois bem, qualquer estagiário sabe que ter somente um fornecedor, ou somente um ou dois clientes é burrice. Ou erro estratégico se preferir.

Quer saber? Bem feito, vocês nos ferram há muitos anos. Sou pequeno livreiro em Cachoeira do Sul (RS), faço 200 feiras de livros por ano. Sem ajuda governamental. E faz muitos anos que o Sr. Schwarcz me ignora e tenta me derrubar. Ele com a Saraiva, a Cultura, a Fnac e as grandes editoras, fizeram de tudo para destruir o mercado livreiro, e agora que destruíram ele pede solidariedade, clama por socorro. Bem feito!!!!

Aprendam, nunca apostem todas as fichas numa única jogada e nunca menosprezem pequenos parceiros.

Nossa maior incoerência é termos muito mais editoras que livrarias. É como se tivéssemos 1.000 frigoríficos e 50 açougues no Brasil inteiro. E os frigoríficos ainda tentassem acabar com os açougues. Dá pra imaginar? Pois é assim mesmo no mercado livreiro. E para piorar as “grandes editoras e livrarias” tem 100% de isenção de impostos enquanto as pequenas pagam 7,8% sobre o faturamento.

Agora a vaca foi atirada no precipício. Que momento lindo, que oportunidade única para sentarmos todos, pela primeira vez em pé de igualdade e discutirmos de igual pra igual nosso futuro. Ao invés de uma mega-caloteira, por que não, 200 pequenas livrarias?

O Brasil tem mais de 5 mil municípios, mas os senhores só querem vender nas capitais. Dos 200 milhões de habitantes quantos compram na internet?

Não existe associação de livrarias. As associações que estão por aí são todas tomadas por grandes editoras ou grandes livrarias. Quem fala em nosso nome, dos pequenos livreiros?

Schwarcz pede atenção aos protagonistas, mas nunca consideraram o protagonismo dos livreiros que são os Dom Quixote do mercado, correndo para cima e para baixo com caixas de livros para levar nossa literatura onde os senhores jamais foram. O senhor demitiu seis empregados de salários gordos? Eu vi muitos colegas mudando de profissão depois de 20, 30, 40 anos de estrada por que os descontos praticados pela Saraiva eram muito superiores ao preço que vocês nos vendiam.

É no andar de baixo que a vida pulsa mais profundamente. No andar de cima os acionistas têm capacidade financeira pessoal para salvar suas empresas. Que bom, então tá tudo ok? Agora é arrumar a casa, pedir umas orações, uma ajudinha pra galera e seguir em frente!

Caro Sr. Schwarcz, nós livreiros estamos aqui, sempre estivemos e estaremos, mesmo quando os senhores tiverem desistido de publicar livros por que o lucro é baixo. Se querem ajuda pra arrumar a casa, então queremos ser convidados pra festa quando ela acontecer.

Querem ideias pra sair da crise? Tenho várias, coloco elas em prática todos os dias. E é por isso que vou reabrir a Livraria São Paulo ainda em dezembro. Maior, mais bonita e mais prática, com a certeza que sem os senhores dando as cartas terei mais chance de sucesso no mercado.

Quer saber? Bem feito.

*Pedro Paulo Graczcki é livreiro em Cachoeira do Sul (RS)

Publicado originalmente no Jornal Já

George R.R. Martin escreve carta emocionante em homenagem a Stan Lee

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Quadrinista faleceu aos 95 anos, na última segunda-feira

Mariana Canhisares, Omelete

O autor George R.R. Martin usou o seu blog pessoal para escrever uma carta emocionante em homenagem a Stan Lee, lenda dos quadrinhos que faleceu na última segunda-feira (12). No texto, Martin lembra do impacto que o trabalho de Lee teve na sua vida, citando-o como uma das primeiras e grandes influências. O escritor ainda destaca a importância dele no universo dos quadrinhos, tratando-o como uma figura revolucionária nesta mídia.

Confira um trecho a seguir:

“Devo tanto a Stan Lee. Ele foi, em certo sentido, meu primeiro editor. ‘Caros Stan e Jack’. Essas foram as minhas primeiras palavras impressas. Na coluna de cartas de Quarteto Fantástico #20. Meu primeiro texto publicado, um comentário sobre a edição 17, comparando Stan a… hum… Shakespeare. Um exagero, você diria? Bem, ok. Eu tinha 13 anos…

Mas, ainda assim, se você pensar na comparação, ela tem algum mérito. Existiam peças antes de Shakespeare, mas o trabalho do Bardo revolucionou o teatro, deixando-o profundamente diferente do que fora até então. E Stan Lee fez o mesmo para os quadrinhos. Li HQs durante toda a minha infância, mas no final dos anos 1950 comecei a me afastar delas. Estava comprando cada vez menos ‘livros engraçados’ (como os chamávamos, na época) e mais livros de ficção científica e fantasia. Os quadrinhos da DC Comics que dominavam as prateleiras tornaram-se estereotipados e cansados, não mantinham mais meu interesse como quando eu era menor. Estava ‘superando’ os quadrinhos.

E então Stan Lee apareceu e me trouxe de volta. A primeira edição de Quarteto Fantástico que por acaso peguei (foi a #4, em que o quarteto encontra Namor) prendeu minha atenção de um jeito que não acontecia há anos. Pouco depois, veio o Homem-Aranha. E, então, o resto, um por um, em um período surpreendemente curto. O Hulk. Thor. Homem de Ferro. Homem-Formiga (e a incrível Vespa). Os X-Men. Os Vingadores. Wonder Man (que morreu na mesma edição que foi introduzido). Pantera Negra. Os Inumanos. Galactus e o Surfista Prateado. E os vilões… Dr. Destino, Dr. Octupus, Abutre, Homem-Areia, Mysterio, Loki… e a lista só continua. (Não falaremos do Ardiloso, isso é uma homenagem).

Esses personagens tinham personalidade. Peculiaridades, falhas, temperamentos. Os heróis não eram inteiramente bons, os vilões não eram completamente ruins. Os personagens cresciam e mudavam… Lá na DC, Superman e Lois Lane estavam presos no mesmo relacionamento há décadas, mas Peter Parker trocava de namoradas como um verdadeiro adolescente, ele se formou no Ensino Médop e foi para a faculdade, as pessoas podiam e de fato morriam.

Você tinha que estar lá para compreender o quão revolucionário foi isso. Os quadrinhos como conhecemos hoje não existiriam não fosse por Stan Lee. Eles poderiam nem sequer existir, verdade seja dita.

Não, claro, ele não fez tudo sozinho. Os artistas geniais da Marvel, especialmente Jack Kirby e Steve Ditko, nunca devem ser minimizados. Eles foram uma parte enorme da Marvel também. Mas Lee estava no centro de tudo.

[…] Você fez um bom trabalho. Enquanto as pessoas ainda lerem quadrinhos e acreditarem em heróis, seus personagens serão lembrados. Muito obrigado”.

Stanley Martin Lieber nasceu em 28 de dezembro de 1922 em Nova York. Mais conhecido pelo apelido Stan Lee, o roteirista e empresário foi um dos mais notáveis criadores de histórias em quadrinhos do mercado, sendo corresponsável por grandes super-heróis e vilões da Marvel Comics, como o Homem-Aranha, X-Men, Quarteto Fantástico, Os Vingadores, Incrível Hulk, Demolidor e O Poderoso Thor

Para entender Caio Fernando Abreu: confira livros, filmes e peças sobre o poeta gaúcho

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Obras de outros autores ajudam a entender a figura de um dos escritores mais populares do Brasil até hoje, data em que completaria 70 anos

Publicado na Gaúcha ZH

Extensa e muito rica, a obra de Caio Fernando Abreu, que completaria 70 anos nesta quarta-feira (12), reúne um vasto número de contos, romances, novelas e peças, que versam sobre temas tão diversos como sexo, relações amorosas, política, psicologia, movimentos contraculturais e a própria trivialidade da rotina. Porém, o tamanho do autor nascido em Santiago, no interior do Rio Grande do Sul, faz com que haja muito mais sobre Caio Fernando Abreu do que compõe seus livros.

A vida e a obra do autor gaúcho, um dos mais populares do Brasil até hoje, rende uma produção contínua e crescente de peças, discos, filmes, documentários, biografias, espetáculos, fotografias e livros que se relacionam à sua figura. Com a ajuda de quem estuda e consome Caio Fernando Abreu, reunimos uma série de obras que ajudam a entender o autor além de sua produção.

Literatura

O livro mais relevante sobre Caio Fernando Abreu é Para sempre teu, Caio F., lançado em 2009 por Paula Dip, escritora e amiga pessoal de Caio – na obra, a autora reúne cartas, bilhetes e particularidades que dividiu com o escritor, além de depoimentos de pessoas importantes na vida de Caio, como Cazuza, Ney Matogrosso, entre outros. Há ainda Caio Fernando Abreu: Inventário de um Escritor Irremediável, lançada no ano anterior por Jeanne Callegari, que usa técnicas de reportagem para cobrir a vida do escritor até sua morte.

Outra obra importante para conhecer mais sobre a personalidade do escritor gaúcho foi lançada em 2016, também por Paula Dip: Numa hora assim escura, a paixão literária de Caio F. e Hilda Hilst reúne correspondências inéditas trocadas entre a poeta paulista – uma das grandes influências literárias de Caio – e o autor gaúcho entre 1971 e 1991.

Há obras, no entanto, que revelam outras facetas de Caio: 360 Graus – Inventário Astrológico de Caio Fernando Abreu, lançado em 2011 pela astróloga Amanda Costa, traça um paralelo entre o campo astrológico e as tramas do autor, um apaixonado pelo misticismo. Já em Caio Fernando Abreu e o Cinema: O Eterno Inquilino da Sala Escura, o cineasta gaúcho Fabiano de Souza traça as relações entre o escritor e a sétima arte, área que também era de sua adoração.

– Nas aulas de literatura que dava, Caio sempre sugeria que seus alunos imaginassem como queriam que as cenas que estavam escrevendo fossem filmadas: em qual enquadramento, com qual movimento, sob que ponto de vista. Apesar de nunca ter feito filmes, ele achava que a imagem da câmera sobre os personagens ajudava a montar uma cena – conta a escritora Paula Dip.

Cinema

O cinema era não só uma paixão de Caio, mas uma influência. Não à toa, muitas de suas obras geraram produções audiovisuais. Em 2016, um evento intitulado Semana Caio Mon Amour, com curadoria de Paula Dip, reuniu uma série de obras relacionadas ao escritor – entre os filmes, uma série de curtas foram exibidos: Dama da Noite (1999), de Mario Diamante; Pela Passagem de Uma Grande Dor (2006), de Bruno Polidoro; Linda, Uma História Horrível (2013), de Bruno Gularte Barreto e Bruno Polidoro; Para Sempre Teu, Caio F. (2014), de Candé Salles e Onde Andará Dulce Veiga (2008), de Guilherme de Almeida Prado.

Outro curta baseado em obra de Caio bastante respeitado é A Visita, com direção de Gilberto Perin, que foi exibido como atração do programa Curtas Gaúchos, da RBS TV.

Mas uma das obras cinematográficas mais relevantes relacionadas a Caio Fernando Abreu, no entanto, é Sobre Sete Ondas Espumantes (2013), documentário de Bruno Polidoro que usa trechos de obras e depoimentos de pessoas relacionadas ao escritor para mostrar lugares que fizeram parte de sua produção literária.


Teatro

Para comemorar os 70 anos de nascimento do autor, uma das peças mais conhecidas entre as baseadas na obra de Caio terá montagem no prédio 40 da PUCRS: Caio do Céu, montagem da Cia. de Solos & Bem Acompanhados, estrelada por Deborah Finocchiaro, parte de textos, cartas e entrevistas do autor para reconstruir dramaticamente o seu universo criativo.

Há outras peças, baseadas ou inspiradas em textos do autor, que se tornaram referência entre os fãs do gaúcho de Santiago: a performance Dama da Noite, de Gilberto Gawronski; o espetáculo de dança Graxa, com Diogo Granato e Henrique Lima; e a peça O Homem e a Mancha: Releitura Drama Multimídia, de Marcos Breda e Luis Artur Nunes, foram exemplos recentes de homenagens a Caio Fernando Abreu que ganharam montagens.


Música

Não é raro encontrar referências a músicas, discos e cantores (normalmente, cantoras) nos textos de Caio Fernando Abreu. Adorador da MPB, citou Angela Rô-Rô como trilha sonora obrigatória para o conto Os Sobreviventes, por exemplo. Com base em trechos de suas obras e em passagens de cartas ou de biografias, o fã Elder Ferreira criou uma playlist de músicas relacionadas a Caio Fernando Abreu, com direito a Cazuza, Marina, Cida Moreira e Caetano Veloso.

Obras de Marcel Proust, autor de ‘Em busca do tempo perdido’, serão digitalizadas

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Mais de seis mil cartas escritas ou recebidas pelo escritor francês Marcel Proust serão disponibilizadas on-line gratuitamente

Publicado no UAI

(foto: Acervo)

(foto: Acervo)

Digitalizar e disponibilizar on-line, gratuitamente, cerca de 6 mil cartas escritas ou recebidas pelo escritor francês Marcel Proust. O projeto, previsto para 2018, é das universidades de Illinois, nos Estados Unidos, e de Grenoble, na França.

A relação entre o autor de Em busca do tempo perdido e a instituição norte-americana se dá por meio do professor Philip Kolb. Graças a ele, está publicada toda a correspondência conhecida e acessível de Proust – cerca de 5,3 mil cartas, divididas em 21 volumes. Outras centenas já foram identificadas.

O volume das correspondências do autor francês é gigantesco. Soma 20 mil documentos, de acordo com Philip Kolb. Porém, a maioria foi destruída ou extraviada. A Universidade de Illinois já comprou 1,2 mil cartas e continuará adquirindo o material enquanto o orçamento permitir, informam o professor François Proulx e a bibliotecária Caroline Szylowicz, responsável pela coleção.

Cartas e documentos de Proust, considerado o escritor francês mais importante do século 20, são regularmente leiloados em pregões que chegam a arrecadar dezenas de milhares de euros.

Nas próximas semanas, a Universidade de Illinois iniciará a digitalização do acervo em parceria com a França, por meio da Universidade de Grenoble, do Instituto de Textos e Manuscritos Modernos e da Biblioteca Nacional.

O projeto começará pelas 200 cartas relacionadas à Primeira Guerra Mundial, cuja disponibilização on-line está prevista para novembro de 2018.

“Não estávamos muito convencidos de que as cartas da juventude fossem as mais interessantes para iniciar o programa”, diz Caroline Szylowicz, referindo-se à primeira fase do projeto. Devido à saúde frágil, Marcel Proust não lutou na guerra, diferentemente de seu irmão mais novo, Robert. Do front, o caçula trocava cartas com o escritor.

O professor François Proulx explica que as cartas que serão disponibilizadas on-line virão acompanhadas de indicações. “Isso permite decifrar a escrita de Marcel Proust, que nem sempre é fácil de ler”, observa. O site também disponibilizará links para artigos da imprensa aos quais as missivas fazem referência. (AFP)

13 curiosidades sobre a literatura brasileira que você talvez não saiba

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Estátua de Carlos Drummond de Andrade no Rio de Janeiro (Foto: Okitron/Wikimedia Commons)

Estátua de Carlos Drummond de Andrade no Rio de Janeiro (Foto: Okitron/Wikimedia Commons)

Giuliana Viggiano, na Galileu

literatura brasileira é muito apreciada ao redor do mundo, mas o que pouca gente sabe é que existe uma porção de fatos bizarros que permeiam as histórias dos livros e de seus escritores.

A GALILEU listou, com ajuda do autor de História Bizarra da Literatura Brasileira (Editora Planeta, R$ 30), Marcel Verrumo, os fatos mais curiosos — e engraçados — que todo fã de livros vai gostar de saber.

Pero Vaz de Caminha queria trocar sua carta por um favor do rei
A grande carta do “descobrimento” do Brasil não era para ter sido escrita por Pero Vaz de Caminha. Na realidade, o escrivão oficial da frota era Gonçalo Gil Barbosa — que acabou não chegando ao Brasil. Com isso, Caminha escreveu detalhadamente a carta, que foi selecionada por Pedro Álvares Cabral e enviada ao então rei de Portugal, Dom Manuel.

Ao final do documento, havia um pedido para que o genro do escrivão, Jorge de Osório, fosse libertado do exílio por ter roubado uma igreja e ferido um sacerdote. A priori, D. Manoel negou, mas após a morte de Caminha, o governante acabou libertando Osório.
Fac-símile da carta original de Pero Vaz de Caminha (Foto: Wikimedia Commons)Fac-símile da carta original de Pero Vaz de Caminha (Foto: Wikimedia Commons)

Ninguém sabe direito se Gregório de Matos realmente existiu
A data de nascimento do poeta, também conhecido como Boca do Inferno, permanece desconhecida: especialistas a situam entre 1623 e 1636 — data nada precisa. Outro fato é que a biografia do autor tem muitas lacunas, o que gera questionamentos sobre a real existência de Gregório de Matos.

Como se não bastasse, não se sabe o que realmente foi escrito pelo poeta (se é que ele existiu). Isso porque publicações ainda não eram permitidas na Colônia naquela época, logo, seus textos eram transmitidos oralmente. Ninguém sabe se o que restou e foi registrado foi de fato do Boca de Inferno ou de outros autores satíricos e infames da época.

O termo “brochar” veio dos livros de brochura
Os livros eróticos eram impressos em formato brochura, aquele mais mole. Quando lia um desses livros, um sujeito olhou para a encadernação — e talvez para o próprio órgão — e associou o livro mole ao pênis flácido. “Da associação, surgiram a expressão ‘pênis brochado’, ‘homem brocha’ e o verbo ‘brochar’”, conta Marcel Verrumo.

Gonçalves Dias foi a única vítima do naufrágio da embarcação que o trazia de volta ao Brasil
O poeta romântico se via muito doente quando resolveu viajar para a Europa em uma tentativa de se recuperar. Ao chegar na costa da França, foi dada a notícia de que havia um homem morto a bordo e que essa pessoa seria Gonçalves Dias. Foi declarado luto oficial no Brasil e os fãs do autor ficaram muito tristes — até que a verdade foi revelada: ele não estava morto!

Após passar cerca de dois anos em solo europeu, mas não conseguir se curar, o poeta resolveu retornar. Gonçalves Dias passou a maior parte do tempo isolado na viagem, pois estava muito fraco para perambular pela embarcação. O problema é que, quando o navio já estava próximo à costa do Maranhão, um banco de areia surgiu e o barco colidiu. Desesperada para se salvar, a tripulação fugiu afobada e esqueceu Gonçalves Dias, que morreu afogado.

A primeira publicação de uma mulher no Brasil foi só no século 19
Nísia Floresta foi a primeira mulher a ingressar na imprensa brasileira e a ter o nome assinando um livro no Brasil. A autora nasceu no Rio Grande do Norte e já aos 14 anos mostrou a que veio: fugiu da casa do marido e pediu abrigo para os pais, que tiveram que se mudar para Pernambuco.

As obras de Floresta falavam sobre o machismo na sociedade, mas não só isso. Ela também escreveu livros sobre índios e negros de forma empática e humanista, mostrando-os não como heróis, mas como vítimas da exploração colonial. Hoje Nísia Floresta está esquecida, mas teve papel crucial na história como uma das primeiras feministas do país.


Para José de Alencar, a escravidão contribuía para o progresso humano

O consagrado autor brasileiro defendeu a escravidão em uma série de cartas enviadas para o Imperador Dom Pedro 2º. Para ele, o sistema escravocrata ajudava no progresso humano e seu fim culminaria em uma grande crise econômica.

Os documentos históricos, entretanto, foram deixados de lado e acabaram caindo no ostracismo. Outra curiosidade é que as cartas tinham um tom um pouco arrogante, pois José de Alencar acreditava saber mais sobre política economia que o próprio rei.

Olavo Bilac se envolveu no primeiro acidente de carro do Brasil
O poeta parnasiano Olavo Bilac deu um “rolê” no carro de José Patrocínio, jornalista da época que havia comprado um automóvel assim que eles começaram a chegar no país. O problema é que Patrocínio convidou o poeta para dirigir o carro — coisa que obviamente ele não sabia fazer, já que não haviam carros no Brasil.

No meio do passeio, Bilac fez uma curva em “alta” velocidade, 4 km/h, e bateu em uma árvore. Os dois homens saíram ilesos, mas o carro teve perda total.

O assassino de Euclides da Cunha matou também o filho do autor
Ao descobrir que estava sendo traído, Euclides da Cunha saiu de casa determinado a “matar ou morrer”. Encontrou o amante da esposa, Anna, em casa e ambos trocaram tiros: Euclides foi o primeiro a acertar, mas foi Dilermando, o “outro”, que deu o tiro certeiro e matou o autor de Os Sertões.

Anos depois, Euclides da Cunha Filho atentou novamente contra Dilermando que, não querendo matar o filho da amada, tentou fugir, mas como sua vida estava em jogo atirou e matou o filho de Euclides da Cunha. Depois disso, o homem foi julgado — não só pelo júri, mas pela sociedade brasileira —, mas foi absolvido.

Graciliano Ramos foi prefeito e multou o próprio pai
Graciliano Ramos viveu na cidade alagoana de Palmeira dos Índios e foi diretor de uma das escolas da cidade. Após conquistar muita popularidade na região, foi convidado a se candidatar à prefeitura da cidade.

O engraçado é que o autor foi eleito e era muito rígido: criou um código de postura moral com 82 artigos, dentre eles a proibição de dormir ou criar animais na rua. O pai do escritor de Vidas Secas, Sebastião Ramos, na época criava gado em um terreno baldio e acabou sendo multado pela prefeitura.

Guimarães Rosa ajudou a esposa a salvar judeus do Holocausto

Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa conheceu Guimarães Rosa na embaixada brasileira em Hamburgo, enquanto ambos trabalhavam lá no fim da década de 1930. Com a ajuda do marido, Aracy bolou um plano para transportar judeus que viviam na Europa nazista para o Brasil — mesmo com o então presidente Getúlio Vargas decretando a ilegalidade do ato.

Guimarães Rosa falsificava passaportes, enquanto a esposa dava um jeito de fazer o chefe assinar a papelada sem perceber que estava libertando parte da população judia. Aracy chegou a salvar quase cem pessoas e, em 1982, teve seu nome gravado no Museu do Holocausto, em Israel.

Carlos Drummond de Andrade achava que a homossexualidade era um desvio
O grande poeta brasileiro declarou mais de uma vez que acreditava que o “homossexualismo” (termo errado, já que o sufixo “ismo” denota doença) era um desvio da sociedade. Para ele, ser gay era coisa de garotos que eram atraídos pela vida noturna e boêmia.

Além disso, Drummond afirmou em entrevista que tinha certa repugnância à homossexualidade, e é até por isso que o tema aparece em apenas um de seus poemas, Rapto, do livro Claro Enigma. O que consola é que ao fim do texto o autor diz que essa é “outra forma de amar no acerbo amor”.

Paulo Coelho e Raul Seixas eram amigos e produziram um álbum juntos
Quando jovem, Paulo Coelho despertou a curiosidade de Raul Seixas que, até então, não era famoso. Se tornaram amigos após o cantor ler um artigo de Coelho sobre ufologia na revista A Pomba e ficar curioso para conhecer o autor do texto. Tempos depois, os dois fizeram um álbum juntos, que foi batizado de Krig-ha, Bandolo!. Raul cantava e Paulo havia escrito algumas canções e feito ilustrações.

O problema se deu em maio de 1974, quando ambos foram presos pela ditadura para “explicarem melhor” do que se tratava o disco. O cantor foi rapidamente liberado, mas o escritor teve de ficar mais tempo contando sobre o processo de criação do álbum, quando relatou que sua namorada, Adalgisa, havia participado da produção dos desenhos.

Após horas de interrogatório, o casal foi liberado, mas logo preso de novo e torturado. Não se sabe ao certo o que ocorreu com Adalgisa e Paulo, mas a situação foi tão conturbada e estressante que os namorados acabaram rompendo depois da prisão.

Rachel de Queiroz apoiou a Ditadura Militar
A jovem Rachel de Queiroz flertava com a esquerda e até se aproximou do Partido Comunista Brasileiro (PCB) durante a década de 1930. Entretanto, quando teve seu livro O quinze criticado pelo partido desiludiu-se e afastou-se da esquerda, o que a fez simpatizar mais com a direita da época.

No início da ditadura, Rachel cedeu sua casa para políticos e intelectuais planejarem o golpe militar. Ela participou pintando folhetos e até se filiando à Aliança Renovadora Nacional (Arena).
Rachel de Queiroz entre os escritores Adonias Filho e Gilberto Freyre (Foto: Wikimedia Commons)Rachel de Queiroz entre os escritores Adonias Filho e Gilberto Freyre (Foto: Wikimedia Commons)

Em 1991, quando participou do programa da TV Cultura Roda Viva, Caio Fernando de Abreu questionou o posicionamento da escritora, ao que ela replicou: “Gostaria de responder a você que nós estamos em um país democrático, eu respeito as suas posições e espero que você respeite as minhas”.

(com informações de História Bizarra da Literatura Brasileira, de Marcel Verrumo)

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