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Cadeirante vai realizar sonho de intercâmbio sete anos após acidente

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Brasileira de 31 anos ficou paraplégica após acidente de carro em 2006.
Ela vai para Boston neste sábado (3) e relatará a experiência em blog.

Michele Simões, de 31 anos, que fará intercâmbio em Boston  (Foto: Michele Simões/Arquivo pessoal)

Michele Simões, de 31 anos, que fará intercâmbio em Boston (Foto: Michele Simões/Arquivo pessoal)

Flávia Mantovani, no G1

Desde que ficou paraplégica após um acidente de carro em 2006, a estilista Michele Simões, de 31 anos, batalha diariamente para recuperar parte das funções que perdeu. Durante os primeiros quatro anos, ela não conseguia nem ficar sentada. Hoje, após muita reabilitação, já se locomove em sua cadeira de rodas, mas ainda precisa de ajuda para se deslocar em lugares não planos e para outras funções do dia a dia.

Michele em viagem à Argentina (Foto: Michele Simões/Arquivo pessoal)

Michele em viagem à Argentina
(Foto: Michele Simões/Arquivo
pessoal)

Neste sábado (3), Michele vai dar um grande passo nessa luta por autonomia: partirá para um intercâmbio de dois meses na cidade de Boston, nos Estados Unidos. Suas aventuras serão contadas em um blog, o Guia do Viajante Cadeirante.

A viagem é um sonho antigo, que teve que ser adiado após uma conversão errada de um amigo no trânsito. Michele, que tinha 24 anos, estava deitada no banco de trás do carro e quebrou a coluna.
Recém-formada em design de moda em Londrina (PR), ela havia se mudado para São Paulo dois meses antes e planejava juntar dinheiro para estudar inglês fora do país.

“Eu já trabalhava, me sustentava, me virava sozinha e, do dia para a noite, virei um bebê. Tinha que pedir para alguém me ajudar em tudo”, descreve. Michele conta que sempre quis conhecer o mundo, mas não achou que conseguiria tão cedo. “Eu não conseguia nem tocar minha cadeira, imagina morar fora.”

Além de perder as funções da perna, Michele não conseguia controlar a urina nem ficar sentada. Contava com a ajuda de cuidadoras noite e dia, além do auxílio de sua irmã, que foi morar com ela, e do namorado, com quem havia começado a sair pouco antes do acidente e que está ao seu lado até hoje.

Eu trabalhava, me virava sozinha e, do dia para a noite, virei um bebê. Precisava de ajuda para tudo”
Michele Simões, sobre a época em que ficou paraplégica após o acidente

Após fazer reabilitação diariamente durante várias horas – em casa e em clínicas de São Paulo e de Campinas –, Michele teve uma evolução maior a partir do quarto ano do acidente.

Agora, resolveu testar “até onde vai sua independência” com essa viagem.

Boston foi a cidade escolhida por ter ruas planas e acessíveis para pessoas com deficiência. Porém, ela teve que desistir dos planos de ficar em casa de família ou em alojamento estudantil porque não conseguiu garantia de que encontraria acessibilidade nesses locais.

Decidiu, então, morar em um hotel ligado à sua escola de inglês. “Quero ter mais segurança. É a primeira viagem que estou fazendo”, diz.

Preparativos e planos

Na verdade, Michele já havia viajado uma vez após seu acidente. Passou cinco dias na Argentina com seu namorado, mas não gostou da experiência. “Foi terrível, porque lá não tem adaptação nenhuma, ele tinha que me carregar para todo lado”, diz.

Sempre quis conhecer o mundo e estudar fora, mas não achei que iria conseguir tão cedo”
Michele Simões

Desta vez, o namorado vai passar um tempo com ela nos EUA, mas ela garante que vai seguir boa parte de sua rotina sozinha, até para ter material para o seu blog – no qual pretende contar sobre a sua rotina, compartilhar os desafios que enfrenta como cadeirante e os passeios que fará por “cada cantinho” de Boston.

Ela quer ainda visitar um centro de design que cria produtos para pessoas com deficiência e um centro de reabilitação ligado à Universidade Harvard. “Se eu compartilhar isso com outras pessoas, acho que posso ajudar muita gente”, afirma.

Nos preparativos da viagem, ela está tendo que se preocupar com novas questões: comprar uma sonda de urina específica para usar durante o voo, pedir à companhia aérea uma cadeira de rodas mais estreita para se locomover nos corredores do avião, alguém para ajudar no embarque, no desembarque e para recolher a bagagem, por exemplo.

Michele vai relatar seus desafios em um blog (Foto: Michele Simões/Arquivo pessoal)

Michele vai relatar seus desafios
em um blog (Foto: Michele
Simões/Arquivo pessoal)

Ela também está levando remédios para tomar durante dois meses e uma mala só com sondas e outros utensílios. Para ter menos dores, fará alguns exercícios de reabilitação em seu quarto.

Um de seus maiores desafios será se locomover sozinha nas ruas, ainda mais tendo que falar em outro idioma. Michele está treinando com seus fisioterapeutas para dar conta do recado.

“Hoje eu não consigo nem descer na minha calçada porque ela é íngreme, tem uma parte quebrada, e além disso tem um degrau no meu próprio prédio. Outro dia fui até o shopping com meus pais e foi uma aventura, quase caí varias vezes. Dá um certo medo porque vai ser tudo novo”, diz.

Mas ela acha que dividir sua experiência no blog vai ajudá-la nesse caminho. “Não estou tentando ser exemplo de nada, mas quero compartilhar uma coisa que para mim é um desafio”, diz.

Histórias adultas para crianças – e vice-versa

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O novo romance de Neil Gaiman, O oceano no fim do caminho, transita entre o público adulto e infantil com maestria

Nina Finco e Luís Antõnio Giron, na Época

1As forças sobrenaturais liberadas pelo suicídio de um inquilino no carro da família de um garotinho de 7 anos atrai um espírito predador de seres humanos. O menino precisa da ajuda das mulheres da família Hempstock, que moram no final da rua, para se livrar da confusão. A mais velha delas diz ser mais antiga que o próprio Big Bang. Tais eventos acontecidos na década de 1970 são relembrados pelo garoto já quando adulto, em uma visita nostálgica ao condado de Sussex, na Inglaterra, onde viveu quando era criança.

Eis aí um bom tema para um livro de aventuras infantil. Mas O oceano no fim do caminho (editora Instrínseca, 208 páginas, R$ 24,90, tradução de Renata Pettengill), o novo romance do escritor britânico Neil Gaiman, está longe de ser uma história para crianças. É a um só tempo delicado e triste. O oceano conta com uma narrativa simples: mostra como as crianças não conseguem fugir de tudo, justamente porque são crianças. Os acontecimentos da trama captam o momento da perda da inocência e da esperança e como se pode esquecer de tudo depois. Trata-se de uma história que dialoga com a criança interior do leitor adulto.

A capacidade de unir o infantil ao adulto surgiu cedo na carreira de Neil Gaiman. No final da década de 1980, ele revolucionou o mercado das histórias em quadrinhos ao criar a série Sandman. A trama acompanha o personagem Sonho, governador do Sonhar, que interage com o universo e o mundo dos homens. Naquele tempo, nos Estados Unidos, as HQs costumavam falar sobre super-heróis e não atingiam o público adulto. Mas a onda de graphic novels britânicas trouxe ao mercado uma escola narrativa com pretensões poéticas. A novidade atraiu leitores de fora da base tradicional de fãs de quadrinhos. Logo no começo de sua carreira, Gaiman já se destacava por misturar os públicos.

Segundo o escritor Eduardo Spohr, autor dos livros de fantasia Batalha do apocalipse e Filhos do Éden (ambos publicados pela editora Record), o público adulto sente-se atraído pelas questões filosóficas apresentadas por Gaiman autor. “Ao colocar um conteúdo mais profundo na narrativa, que vai além da história em si, Gaiman torna sua obra mais fácil de ser apreciada pelos mais velhos”, afirma. Tal mistura ajudou-a superar as barreiras da fama infantilizada dos quadrinhos.

Em 2011, Grant Morrison, roteirista de quadrinhos britânico e autor de histórias premiadas como Os Invisíveis e Asilo Arkham (D.C. Comics), uma das graphic novels mais vendidas de todos os tempos, lançou Supergods. O livro une a crítica artística sobre quadrinhos de super-heróis e a história do gênero. Nele, Morrison descreve a obra de Gaiman: “A história de Sandman se expandiu tão além de suas raízes em quadrinhos de super-heróis que a obra basicamente inventou um novo gênero, na interseção de fantasia, ficção, terror e literatura.”

É na mistura de fantasia e terror que Gaiman ganha também espaço entre os mais jovens. Para o professor de produção editorial da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Mário Feijó, as primeiras histórias para crianças eram de terror. “Os contos folclóricos antigos eram apavorantes e eram utilizados para ajudar as crianças a aprender a domar seus próprios medos”, afirma. Feijó afirma que Gaiman faz a mesma coisa ao usar os medos básicos do ser humano, como a morte, o abandono e a traição – todos ligados à família – como parte de suas obras. “Eles nos perseguem durante toda a vida, passando da infância à velhice. Por isso Gaiman segue ser popular, independentemente da idade dos leitores.”
O exemplo de maior sucesso entre o público infantil de Gaiman foi a publicação de Coraline (editora Rocco) em 2002. A história de uma menina que encontra uma realidade alternativa (e assustadora) na qual as pessoas possuem botões no lugar dos olhos, rendeu-lhe os prêmios de ficção científica e fantasia Hugo Award e Nebula Award por melhor romance em 2003.

1De acordo com o estudioso de literatura fantástica Fabio Fernandes, usar a fantasia de diversas formas é o trunfo maior de Gaiman. “Ele habita várias esferas do fantástico. Se Sandman é um quadrinho mais voltado para o público adulto, o Livro do Cemitério (editora Rocco), que é infanto-juvenil, é uma história ao mesmo tempo de fantasmas e uma homenagem e referência direta ao Livro da selva, de Rudyard Kipling (1865-1936). Assim como Deuses Americanos e sua continuação, Os Filhos de Anansi (ambos editora. Conrad) é um estudo de uma mitologia paralela dos deuses do Velho Mundo nos Estados Unidos”, diz Fernandes. Portanto, não é possível classificar a literatura de Gaiman faz, exceto que ele escreve no território do fantástico. “E o fantástico tem muitas faces.”

Outra característica marcante da obra de Gaiman é a linguagem simples de sua narrativa. Tanto nos livros adultos como nos infanto-juvenis, ele se expressa de forma espontânea, aproximando as histórias do leitor. “Escrever fácil é muito difícil”, diz o escritor e crítico Felipe Pena, autor de Fábrica de diplomas (editora. Record). “Para traduzir a complexidade de suas histórias de forma simples, sem ser superficial, é preciso muito talento. E isso o Gaiman tem de sobra,” Quanto ao tema recorrente do temor, Pena diz que é uma questão neurológica. “O ser humano gosta de sentir medo. Ficar assustado com a ficção faz com que a gente sinta-se protegido do medo da realidade”, diz. “E é bem melhor sentir medo nos livros do que na vida real.”

Em toda sua obra, que não está presente apenas no mundo da literatura (ele já escreveu episódios para a série britânica Dr. Who e foi responsável pelo roteiro do filme A Lenda de Beowulf (Warner Bros.) de 2007), Neil Gaiman encontrou o elo entre a criança e o adulto. Ao escrever para os mais velhos, ele não se esquece dos medos infantis. Ao falar com os mais novos, ele os fascina com o terror tão conhecido por eles mesmos. O medo nunca está longe do homem. Quando adultas, as pessoas apenas se esquecem dele. Na epigrafe de O oceano no fim do caminho uma frase do ilustrador de literatura americano Maurice Sendak (1928-2012) resume a ligação entre os temores infantis e adultos: “Eu me lembro perfeitamente da minha infância… Eu sabia de coisas terríveis. Mas tinha consciência de que não deveria deixar que os adultos descobrissem que eu sabia. Eles ficariam horrorizados.”

Escritora de 11 anos divulga seu livro na Flipinha

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Mariene Lino diz que começou a escrever nas paredes de casa.
Atração voltado para as crianças faz parte da programação da Flip.

Mariene Lino, de 11 anos, divulga seu livro durante a Flipinha (Foto: Paola Fajonni/G1)

Mariene Lino, de 11 anos, divulga seu livro durante a Flipinha (Foto: Paola Fajonni/G1)

Paola Fajonni, no G1

A jovem escritora Mariene Lino, de 11 anos, subiu ao palco da Flipinha no fim da manhã desta quinta-feira (4) para mostrar o livro que escreveu há dois anos. “O som misterioso”, nome do livro, foi uma ideia que, segundo ela, simplesmente surgiu. “Foi do nada. E se um búfalo ficasse preso no banheiro?” A menina conta que o primeiro local em que imprimiu suas palavras foi em casa.

“Comecei a escrever nas paredes. Depois meus pais pintaram, mas ainda tem uma com meus textos, minhas coisas”. A programação oficial do braço da Festa Literária Internacional de Paraty voltado para o público infantil não mostrava bate-papo com autores, mas quem passou no fim da manhã pela tenda montada ao lado da Praça da Matriz pôde conferir a atração.

Com a programação adiantada, o evento ofereceu, entre apresentações teatrais, um espaço para escritores divulgarem seus trabalhos e conversar com aqueles que estavam no local.

O búfalo da história de Mariene ganhou vida na tinta e no papel graças aos pais da jovem escritora, que bancaram a publicação da obra. Lúcia Lino conta que o investimento valeu a pena, pois realizou um dos sonhos da filha. Bibliotecária, a mãe de Mariene diz sempre buscou colocar os livros na vida da menina, o que considera muito importante na formação de uma criança.

“A Mariene começou nas pareces de casa, rabiscava tudo. Quando aprendeu a escrever, começou a passar para o papel. Ela começou muito cedo, mas também estudava em uma escola que estimulava a leitura, o que é fundamental”.

Além da mãe, o pai de Mariene também acompanhava a filha. Enquanto ela estava no palco, ele não parou de fotografar. Foi lá que a jovem escritora respondeu a questões sobre como surgiu a história de seu livro, como conseguiu publicar uma obra com apenas nove anos e de quem são as ilustrações.

“Foi um amigo que estudava comigo que fez, o Caio Pacheco. Na hora de publicar me perguntaram se eu não tinha um amiguinho que desenhava bem, aí lembrei dele”, conta a menina, que pretender lançar seu segundo livro em novembro.

Depois dela, a paranaense Adriana Maria Zanetta subiu ao palco da Flipinha. Ela mostrou suas obras também voltadas para o público infantil, que publicou no ano passado. De acordo com a escritora, que trabalhava como professora de alfabetização, “Sopa é boa com as vogais” era usada com seus alunos em sala de aula. “O livro trata da alfabetização e alimentação saudável, uma história contada pela Bruxa Cueca, uma personagem que criei”, revela Zanetta.

Ela também mostrou o livro “A menina que agora vende sapatos”, inspirado em fatos vividos por ela.

A programação da Flipinha segue até domingo (7), dia em que também será encerrada a 11ª edição da Flip.

Crianças e adolescentes têm aulas sobre manifestações

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Professor Bernardo Fonseca Machado, 26, dá aula de sociologia no colégio Santa Maria e fala sobre manifestações no Brasil (Avener Prado/Folhapress)

Professor Bernardo Fonseca Machado, 26, dá aula de sociologia no colégio Santa Maria e fala sobre manifestações no Brasil
(Avener Prado/Folhapress)

Sabine Righetti, na Folha de S.Paulo

Se está difícil para os adultos entenderem o que está acontecendo nas manifestações que tomaram conta do país nos últimos dias, está mais complicado ainda para as crianças e os adolescentes.

A demanda dos jovens por mais informações é tão grande que algumas escolas de São Paulo passaram a debater o tema em aulas de disciplinas como história, geografia e redação.

“Abrimos espaço na aula para contextualizar o que está acontecendo. Os estudantes traziam muitas questões”, diz Walter Maejima, professor de geografia do São Luís.

A professora de história do colégio Santo Américo, Raquel dos Santos Funari, sentiu a mesma demanda.

“Eles querem saber o que está acontecendo. Relacionei o tema em aula com manifestações que aconteceram na Europa no século 18”, conta.

A Folha acompanhou uma aula de sociologia no 2º ano do ensino médio no colégio Santa Maria para ver como as manifestações estão sendo tratadas em classe e quais são as questões dos estudantes.

De acordo com o professor e antropólogo Bernardo Fonseca Machado -que escrevia na lousa palavras como “alfabetização política”, “transporte” e “partidos”-, o interesse dos alunos é crescente.

“Quando comecei a lecionar aqui, os alunos nunca tinham participado de nenhuma manifestação. Hoje isso mudou.” Da turma do 2º ano, 10% dos alunos estiveram nos protestos recentes.

Alguns até reclamam por não terem estudado o tema mais cedo. “Deveríamos ter discutido essas questões [como alfabetização política] antes de as manifestações começarem”, disse João Pedro Martins, 16. Os alunos concordaram com a cabeça.

REFLEXÃO POSITIVA

Para a psicopedagoga Neide Barbosa Saisi, da PUC-SP, essa reflexão nas escolas e em casa é “bastante positiva”.

“O que é democracia? O que é participar? Qual é a função da PM na sociedade? Essas questões podem ser debatidas em aula”, explica.

Os alunos, especialmente do ensino médio, relatam os professores, são os mais ansiosos por informações.

“Muitos deles trazem a opinião dos pais”, conta a professora de redação Roberta Baradel. Ela dá aula no Arbos, da rede Uno Internacional, e na escola municipal Oscar Niemeyer, entre outras escolas de São Caetanos do Sul. “Depois do debate, muitos mudam de ponto de vista.”

Mas o assunto não está apenas na sala de aula. Na Escola Internacional Alphaville, por exemplo, os alunos têm se reunido em uma espécie de assembleia, no horário de aula, para discutir o tema.

E fora da escola? Pais e professores devem incentivar os estudantes a participarem dos protestos nas ruas?

“Como mãe, teria medo. É preciso mostrar que há um risco”, diz Saisi, da PUC-SP.

‘Quero atuar na Nasa’, diz aluno de 10 anos que já dá aulas de astronomia

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Menino começou a se interessar pelo assunto aos cinco anos de idade.
Atualmente, ele faz pesquisas diárias sobre o assunto e dá palestras.

Adriana Justi, no G1

Lucas tem 10 anos e começou a se interessar pelo assunto aos cinco (Foto: Adriana Justi / G1)

Lucas tem 10 anos e começou a se interessar pelo
assunto aos cinco (Foto: Adriana Justi / G1)

“Eu sempre fui muito curioso e sempre quis saber coisas novas”. A afirmação é do menino Lucas Varella, de 10 anos, estudante do quarto ano do ensino fundamental de um colégio particular de Curitiba. Fanático por astronomia, ele divide os conhecimentos com outros alunos e até com professores. A paixão é tanta pelo tema que o garoto já começou até a escrever um livro.

“Eu gosto e sempre gostei da astronomia em geral, mas o que eu mais gosto de falar é sobre Astrofísica, que lida com a Física do Universo e sobre a Agência Espacial Brasileira (AEB). Os colegas gostam quando eu explico e conto sobre o assunto. É muito legal”, comemora.

O dia da palestra com os educadores, que segundo a coordenadora da escola, Vera Cristina Kussek, reuniu mais de 200 pessoas, foi marcante para a vida de Lucas. “Tenho certeza que foi um dos mais felizes que já vivi. Eu fiquei emocionado em passar conhecimento para pessoas muito mais velhas e mais sábias que eu. Tanto que nem acreditei quando todo mundo me aplaudiu”, relata Lucas.

Lucas conta que ficou famoso na escola após as palestras (Foto: Adriana Justi / G1)

Lucas conta que ficou famoso na escola após as palestras (Foto: Adriana Justi / G1)

“Para nós é orgulho imenso ter o Lucas como nosso aluno. Além de ele ser estudioso na área dessa ciência desde muito cedo, ele também tem uma facilidade para passar isso adiante. É natural nele uma habilidade de falar com muita fluência e uma facilidade de colocar começo, meio e fim na fala e transmitir o conteúdo de maneira bem dinâmica e objetiva”, avalia a coordenadora. “Eu acredito e torço para que ele vá longe nesse sonho”, complementa a educadora.

Livro está 50% concluído, segundo Lucas (Foto: Adriana Justi / G1)

Livro está 50% concluído, segundo Lucas
(Foto: Adriana Justi / G1)

O livro – Guia Prático do Universo – tem 39 páginas concluídas. Segundo Lucas, o conteúdo deve ter em média 80 páginas. “Eu começo explicando sobre a Via Láctea e não sei ainda onde vou terminar”, afirma. “Eu tive que dar uma pausa porque os meus gatos estão doentes e que tenho que ajudar a cuidar. Mas depois que eles melhorarem, eu pretendo terminar logo a minha publicação, que deve ser a primeira de muitas”. No rascunho, o garoto chegou a até estipular um preço para venda – R$ 20,90.

Futuro

Ainda longe de se concretizar, mas muito bem planejado, o futuro do garoto parece estar mais próximo do que ele imagina. O sonho de ser um astrônomo começa com a conclusão do curso no Rio de Janeiro. Depois, o garoto pretende atuar no observatório Gêmeos Keck, parceiro na Nasa e que comporta dois telescópios operando no espectro visível e infravermelho próximo. O observatório está localizado no cume do monte Mauna Kea, no Havai, nos Estados Unidos.

Depois, quando já tiver mais adquirido experiência, Lucas conta que pretende trabalhar na Nasa. “Esse é mesmo o meu sonho. A única coisa ruim nisso tudo é que eu vou ter que morar longe dos meus pais. Mas isso a gente resolve, eu dou um jeito”, argumenta.

Telescópio do Papai Noel

Um dos presentes do Natal passado surpreendeu Lucas, já que ele tinha feito o pedido desde quando começou a se interessar por astronomia. “Sempre quando chegava perto no Natal eu olhava pelos cantos do meu pinheirinho, atrás da cortina e nada. Até que o ano passado eu vi um embrulho bem grande. Eu peguei aquele negócio pesado, coloquei no sofá e não acreditei quando vi que era um telescópio. Eu chorei muito de felicidade e queria agradecer ao Papai Noel pessoalmente, mas sei que ele não costuma aparecer pra gente”, conta.

“Eu tenho certeza que demorou pra chegar porque não é um presente simples e também não é fácil de mexer. Hoje é muito difícil de visualizar o céu porque tem muita poluição e muitas nuvens, me especial, aqui em Curitiba’, acrescenta.

Neil Armstrong foi o primeiro astronauta a pisar na Lua e morreu em 2012 (Foto: Reprodução)

Neil Armstrong foi o primeiro astronauta a pisar na
Lua e morreu em 2012 (Foto: Reprodução)

Admirações

Lucas lamenta a morte do astronauta Neil Alden Armstrong em agosto de 2012, aos 82 anos. “Desde que eu comecei a me interessar pelo assunto eu o admirava e pesquisava muitas coisas sobre ele. Fiquei muito triste”. Armstrong foi piloto de testes e aviador naval na história do século XX e da humanidade ao ser o primeiro homem a pisar na Lua, como comandante da missão Apollo 11, em 20 de julho de 1969.

“Mas eu também gosto e admiro muito o Nicolau Copérnico, que desenvolveu a teoria do Sistema Solar e o físico alemão Albert Einstein”, finaliza.

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