BKO WAVE SAÚDE

Posts tagged Certo

A escola não me preparou para o ambiente de trabalho (o recreio me ensinou tanto quanto a sala de aula)

3

Renato fala sobre sua experiência em sala de aula

1

Renato Steinberg, no Blog do Empreendedor

O meu colega de blog Marcelo Nakagawa (além de um grande amigo e mentor) escreveu, na semana passada, sobre as várias inteligências e que alguns dos maiores empreendedores do mundo não foram grandes alunos. Eu não quero me comparar com eles, mas acho que vale eu contar um pouco da minha história nesse assunto.

Eu nunca fui um excelente aluno. Passava de ano no limite. O meu problema era a preguiça…

Eu detestava estudar, então, eu prestava atenção (mais ou menos) na aula e depois estudava na véspera da prova só para não fazer muito feio. Deu certo. Eu era o cara que ficava no meio da classe. Eu tinha alguns amigos no fundão, mas me dava bem também com o pessoal da frente, aquele pessoal que copiava toda a lição e ia bem nas provas.

Eu sabia como conversar com esses dois públicos. Uma das coisas que fez eu me destacar quando comecei a trabalhar acho que foi exatamente isso. Eu sabia conversar com o pessoal do front-office e também conseguia falar com o pessoal de tecnologia. Durante muitos anos no banco, esse foi o meu diferencial. O pessoal vinha falar comigo sobre problemas que estavam tendo com a equipe de tecnologia porque era eu quem sabia como traduzir isso para eles.

A escola não me preparou para o que vinha no ambiente de trabalho. Eu achava, de forma inocente, que se eu fosse um bom técnico, ia me dar bem. E eu era um excelente técnico. Aí, o pessoal resolveu colocar uma equipe para eu gerenciar. Adivinha se eu tinha algum preparo para isso?

Essa equipe foi crescendo cada vez mais e eu, que já não tinha preparo para gerenciar uma equipe pequena, tive que aprender na marra a gerenciar um time grande. Gerenciar relacionamentos é outra coisa que a escola não me ensinou.

Como você faz quando uma pessoa da sua equipe briga com a outra? E quando você tem que mandar embora um amigo? Quanto você deve se envolver nos problemas pessoais deles? Além dos meus próprios funcionários, eu comecei a perceber a importância de uma outra rede. As pessoas que trabalhavam em parceiros e em concorrentes. Pessoas que estavam passando pelas mesmas situações que eu em outras empresas. Quando eu botei o nariz para fora da empresa e comecei a falar com eles, até com os concorrentes, meu mundo mudou. Eles me deram as dicas, me ensinaram os caminhos para gerenciar uma equipe melhor.

Hoje eu acho que um dos ativos mais preciosos que você tem é a sua rede de relacionamentos. Na época eu me perguntava: por que eu preciso estudar química? Será que algum dia eu vou precisar saber a equação dos gases perfeitos? Até hoje, 20 anos depois, eu nunca usei. Até entendo que química me ensinou um pouco sobre o universo que a gente vive e que entender o mundo na escala atômica é um exercício para entender um mundo abstrato. Mas existem tantas outras coisas que eu uso no dia-a-dia. Finanças pessoais, por exemplo, não seria uma ótima matéria para o ensino? E empreendedorismo então? Que tal liderança?

Quase todos os problemas na escola tem uma e apenas uma solução. Na vida real os problemas são ambíguos, tem muitas soluções ou as vezes não tem nenhuma. Só tem um jeito de se preparar para isso, vivendo!

Acho que a hora do recreio me ensinou tanto quanto a sala de aula.

Estudante do ensino médio passa em seis faculdades de medicina

1

‘Eu prestei para ver como era, achei que tinha ido mal’, diz estudante. Ação está sendo movida pela família para garantir matrícula em uma delas.

 Quem sonha em ter curso superior sabe a dificuldade que é ser aprovado no vestibular e conseguir uma vaga. Agora imagine a situação de um estudante de São José do Rio Preto (SP) que passou em seis faculdades de medicina e não pode cursar porque ainda não terminou o Ensino Médio. Para tentar resolver esse "problema", a família entrou com uma ação na Justiça. O estudante Leandro Bertolo, de 17 anos, prestou e foi "aprovado" em duas universidades estaduais e quatro federais. São elas: UFSCar, em São Carlos, interior de São Paulo; UFCSPA, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre; Unifesp, Escola Paulista de Medicina e Universidade Federal de Santa Catarina. O estudante ainda prestou como treineiro – e passou – na Unicamp e USP. “Eu prestei para ver como era, todo mundo dizia que era difícil. Até achei que tinha ido mal, mas fiquei surpreso com os resultados, deu certo”, comenta o estudante. Para a família não teria como ser diferente. A mãe, Eny Bertolo, conta que desde pequeno Leandro nunca tirou uma nota abaixo de 9. "Ele sempre foi disciplinado para estudar, sempre quis prestar medicina, sabia que era difícil e se dedicou”, comenta Eny. saiba mais     Cursar faculdade sem concluir ensino médio é 'queimar etapas', diz doutora     Aluno consegue liminar para estudar na USP sem concluir o ensino médio     Jovem de 14 anos passa em 5º na UFMS e Justiça autoriza matrícula     Jovem de MS vai cursar medicina sem ter concluído o ensino médio     Estudante de 16 anos é aprovada em nove vestibulares para medicina Entre tantas opções, como fazer a matrícula sem ter concluído o ensino médio? A família quer garantir que o filho tenha na Justiça esse direito mesmo sem ter concluído o Ensino Médio. Para isso, uma ação foi iniciada para garantir os direitos do jovem. O pedido se baseia em uma lei federal que assegura ao aluno o direito de frequentar o curso, mesmo sem ter concluído os estudos do colegial. A ação está sendo movida para a vaga para a Unifesp, a Escola Paulista de Medicina. “Infelizmente a primeira avaliação não foi positiva, mas vamos entrar no Tribunal Superior Eleitoral para uma nova ação", comenta a mãe. Até que o resultado saia, Leandro continua focado nos estudos. “Se não der certo eu tento ano que vem”, diz o estudante. O G1 entrou em contato com o Ministério da Educação sobre o caso. Por nota, disseram que é obrigatório concluir o ensino médio para poder cursar uma faculdade, mas que, em alguns casos semelhantes, é possível tentar um recurso com os conselhos estaduais de educação e as próprias universidades.

Leandro aguarda decisão da Justiça para tentar se matricular (Foto: Reprodução / TV Tem)

Publicado no G1

Quem sonha em ter curso superior sabe a dificuldade que é ser aprovado no vestibular e conseguir uma vaga. Agora imagine a situação de um estudante de São José do Rio Preto (SP) que passou em seis faculdades de medicina e não pode cursar porque ainda não terminou o Ensino Médio. Para tentar resolver esse “problema”, a família entrou com uma ação na Justiça.

O estudante Leandro Bertolo, de 17 anos, prestou e foi “aprovado” em duas universidades estaduais e quatro federais. São elas: UFSCar, em São Carlos, interior de São Paulo; UFCSPA, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre; Unifesp, Escola Paulista de Medicina e Universidade Federal de Santa Catarina. O estudante ainda prestou como treineiro – e passou – na Unicamp e USP. “Eu prestei para ver como era, todo mundo dizia que era difícil. Até achei que tinha ido mal, mas fiquei surpreso com os resultados, deu certo”, comenta o estudante.

Para a família não teria como ser diferente. A mãe, Eny Bertolo, conta que desde pequeno Leandro nunca tirou uma nota abaixo de 9. “Ele sempre foi disciplinado para estudar, sempre quis prestar medicina, sabia que era difícil e se dedicou”, comenta Eny.

Entre tantas opções, como fazer a matrícula sem ter concluído o ensino médio? A família quer garantir que o filho tenha na Justiça esse direito mesmo sem ter concluído o Ensino Médio. Para isso, uma ação foi iniciada para garantir os direitos do jovem. O pedido se baseia em uma lei federal que assegura ao aluno o direito de frequentar o curso, mesmo sem ter concluído os estudos do colegial.

A ação está sendo movida para a vaga para a Unifesp, a Escola Paulista de Medicina. “Infelizmente a primeira avaliação não foi positiva, mas vamos entrar no Tribunal Superior Eleitoral para uma nova ação”, comenta a mãe. Até que o resultado saia, Leandro continua focado nos estudos. “Se não der certo eu tento ano que vem”, diz o estudante.

O G1 entrou em contato com o Ministério da Educação sobre o caso. Por nota, disseram que é obrigatório concluir o ensino médio para poder cursar uma faculdade, mas que, em alguns casos semelhantes, é possível tentar um recurso com os conselhos estaduais de educação e as próprias universidades.

Livros baseados em games cativam jovens leitores

0

Renata Honorato, na Veja

Professora americana que estudou o assunto afirma que obras sobre jogos eletrônicos podem transformar alunos relutantes em leitores ávidos

(Thinkstock)

(Thinkstock)

“No momento em os estudantes foram apresentados aos livros inspirados em games, houve uma mudança na percepção deles sobre literatura. Ler não era mais uma tarefa obrigatória, mas sim divertida.”

A professora e pesquisadora americana Kristie Jolley, de 30 anos, é uma entusiasta dos livros baseados em games. Em um estudo publicado nos Estados Unidos em 2008, ela mostrou como essas obras podem despertar o interesse de pré-adolescentes pela literatura de forma geral. A pesquisa foi feita com 250 estudantes com idades entre 13 e 14 anos da Springville Junior High School, em Springville, no estado americano de Utah. Segundo Kristie, oferecer aos jovens obras sobre um assunto familiar é o caminho certo para cativar futuros leitores. VEJA.com conversou com a professora por e-mail. Confira a entrevista a seguir:

Por que a senhora decidiu explorar o potencial dos livros baseados em games em suas aulas? Eu já dei aulas para alunos pouco habituados à prática da leitura e outros relutantes. Sempre soube o quão importante é para eles ler textos sobre assuntos que lhes sejam familiares. Utilizar um conhecimento pré-adquirido é a chave para a compreensão de um texto. Na época do meu estudo, muitos alunos estavam jogando Halo, da Bungie. As crianças amavam esse game e falavam sobre ele o tempo todo. Foi natural começar a pesquisar maneiras de envolver aspectos da vida dos alunos em uma rotina de leitura. Pesquisei e encontrei uma série de três livros baseados em Halo. Isso coincidiu com o fato de os alunos pedirem para ler textos baseados em games.

Como a senhora escolheu os melhores livros para as aulas? Meus estudantes estavam jogando títulos que possuíam versões literárias e sugeriram a inclusão dessas obras na nossa biblioteca da sala de aula. Também contei com a colaboração de um colega para encontrar outros textos baseados em games. Pedi algumas referências a professores de uma universidade local especializados em literatura juvenil. Conversei com os pais de cada aluno para explicar a razão pela qual estava utilizando esse tipo de material e pedir a autorização deles para indicar essas obras a seus filhos.

O que os outros professores acharam da sua iniciativa? Uma amiga também professora me apoiou muito. Ela me ajudou a obter recursos para a compra de novos livros para a biblioteca da escola pública e também me auxiliou a nutrir o interesse dos alunos pelos livros baseados em games, já que esse tipo de material é raro nas bibliotecas públicas. Sempre estávamos à disposição para ajudar esses estudantes. Descobrimos também que essa é uma boa ferramenta para que alunos que têm o inglês como segunda língua se familiarizem com o novo idioma. Esses alunos carregavam uma bagagem sobre o game: ler uma história baseada na história os ajudava a ampliar o vocabulário.

Divulgação/Arquivo pessoal - Professora americana Kristie Jolley

Divulgação/Arquivo pessoal – Professora americana Kristie Jolley

Segundo seu estudo, qual o potencial dos livros baseados em games? A conclusão dessa pesquisa reforça a constatação de que estudantes são bem sucedidos quando se sentem confiantes. Quando comecei a avaliar os livros baseados em jogos estava ciente de que encontraria um nicho de alunos que poderia se interessar por essas obras mesmo sem saber da existência delas. No momento em que foram apresentados aos livros, houve uma mudança na percepção deles sobre literatura. Ler não era mais uma tarefa obrigatória, mas sim divertida. Assim, esses livros são uma espécie de retrato do interesse dos estudantes. Quando uma criança pega um livro por iniciativa própria e se diverte com ele, uma porta é aberta para que ela escolha outro e se torne um leitor independente.

Como outros professores podem usar esses livros em sala de aula? Usei esses livros como ponto de partida. Quando percebia que havia um aluno desinteressado ou relutante em ler qualquer coisa, mas que gostava de videogames, eu o apresentava a uma das obras sobre jogos. Um professor deve conhecer seus alunos individualmente antes de sugerir uma leitura. Eu conhecia os meus. Sabia que esse tipo de livro poderia abrir portas. Porém, se um professor apenas recomenda a leitura e, em seguida, se acomoda, não está executando bem seu trabalho. O próximo passo é ajudar os estudantes a enxergar adiante. Se um livro do gênero explora a sobrevivência e a bravura, deve-se em seguida recomendar uma obra que aborde esses temas. O professor deve se comunicar com o aluno para entender a variedade de textos que pode lhe recomendar, a fim de transformá-lo em um leitor confiante a ponto de buscar seus próprios textos. Isso fará com que ele se transforme em um leitor e aprendiz ao longo de toda a vida.

A senhora continua usando esses livros em classe? A idade dos meus alunos mudou. Ao invés de ensinar adolescentes, hoje trabalho com crianças mais jovens. Nesse caso, não é apropriado sugerir esse tipo de leitura. De qualquer forma, sempre vou sugerir livros para meus estudantes com base em seus interesses. Conhecer um assunto é imprescindível para a compreensão de um texto. Se meus alunos estiverem interessados em pássaros, vou lhes oferecer textos que explorem o assunto: só assim, constrói-se uma relação de confiança que me possibilita indicar outras obras. A chave é começar com o que os estudantes já conhecem e, então, construir algo a partir dali.

A senhora joga videogames? Sim, especialmente no iPhone. Gosto de puzzles como Tetris ou Dr. Mario. Se um dia alguém escrever um livro baseado em Tetris, ficarei interessada em saber como a questão do enredo será resolvida em um caso como esse.

Enem 2012: preso passa em 1º lugar e tenta frequentar faculdade no Piauí

0
Imagem: Google

Imagem: Google

Aliny Gama, no UOL

Um homem que cumpre pena de 34 anos de prisão por homicídio qualificado foi aprovado em primeiro lugar no Sisu (Sistema de Seleção Unificada) para uma vaga no curso de análise e desenvolvimento de sistemas do IFPI (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí).

O encarcerado, que teve apenas suas iniciais divulgadas, L.S.R.J., tem 45 anos e foi classificado após prestar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) no ano passado. Ele está preso na Penitenciária Regional José de Deus Barros, localizada no município de Picos (a 308 km de Teresina).

Nesta semana, a Sejus (Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania do Piauí) efetuou por meio de procuração a matrícula do detento, mas ainda não é certo se ele poderá frequentar o curso. A secretaria notificou o Ministério Público sobre o pedido para ele estudar fora da prisão.

Caberá ao juiz de execução penal decidir se o homem tem ou não condições de estudar fora do sistema prisional, uma vez que ele recebeu condenação por crime hediondo.

“Pode ser que o juiz determine a escolta de agentes penitenciários ou que o reeducando vá sozinho e volte no horário estipulado”, disse a diretora de humanização da Sejus, Rosângela Queiroz. “Ele tem um bom comportamento. Nunca se meteu em confusão na unidade prisional. É dedicado no que faz e a prova disso está no resultado do Enem”, ressaltou Queiroz.

Segundo a funcionária, o aprovado já tinha concluído o ensino médio quando foi preso e, para ocupar o tempo ocioso, foi convencido pelas assistentes sociais a assistir as aulas do curso preparatório para o Enem.

Além dele, outros três detentos tiveram boas notas e podem, conforme a Sejus, ser remanejados após encerramento da segunda chamada de matrículas do Sisu, que vai ocorrer entre os dias 1º e 5 de fevereiro.

Estudo diminui pena
De acordo com dados da Sejus, a cada 12 horas estudadas o preso recebe o direito de diminuir três dias do tempo de reclusão.

Dados da Sejus apontam que 10,2% da massa carcerária masculina e 49% da feminina estão em sala de aula nas penitenciárias. São oferecidos cursos profissionalizantes, além de séries desde a alfabetização ao 5º ano do ensino fundamental e médio. O sistema prisional conta com o trabalho de cerca de 60 professores.

Devido ao resultado positivo do curso preparatório para o Enem, a Sejus em parceria com a Seduc (Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Piauí) vão abrir novas salas e vagas para outros encarcerados se interessem em estudar para prestar o exame e ingressar no ensino superior.

“Pretendemos ampliar o número de salas de aula na Colônia Agrícola Penal Major Cesar Oliveira, em Altos, Penitenciária Regional Irmão Guido, em Teresina, e Casa de Detenção Provisória Dom Inocêncio Santana, em São Raimundo Nonato”, destacou o secretário de Justiça e Cidadania do Estado do Piauí, Henrique Rebêllo.

O Enem 2012 foi aplicado na Penitenciária Feminina de Teresina e na Penitenciaria Feminina Adalberto de Moura Santos, localizada em Picos, além da Penitenciária Regional José de Deus Barros, também em Picos, e na Penitenciária Gonçalo de Castro Lima, em Floriano (a 234km de Teresina).

Nestas unidades prisionais, 47 internos se submeteram as provas do exame, aplicadas nos dias 4 e 5 de dezembro. As regras das provas aplicadas para os detentos foram as mesmas exigidas para os demais participantes do Enem 2012.

‘E-books são primeiro passo de uma grande revolução’

0

(Thinkstock)

Publicado originalmente na Veja.com

Garret Kiely comanda a maior editora universitária dos Estados Unidos, a da Universidade de Chicago, que publica em média 300 títulos por ano, edita 60 periódicos especializados e emprega 250 pessoas. À frente de seus concorrentes, Kiely aceitou prontamente o desafio de incorporar aos negócios os avanços tecnológicos dos últimos anos. Praticamente todos os lançamentos da editora podem ser adquiridos no formato tradicional, o papel, ou no digital, o e-book. Além disso, a comunidade da editora nas redes sociais é fiel e ativa. “Hoje, esse é o meio mais eficaz de alcançar nossos consumidores”, diz Kiely. Ele compara a atual mudança à revolução protagonizada pelos tipos móveis de Gutenberg, que no século XV permitiram que os livros fossem produzidos em larga escala, ampliando o acesso de homens e mulheres à cultura escrita. “O desenvolvimento dos e-books é apenas o primeiro passo desse processo. O público consumidor está sedento por novas formas de descobrir e empregar conhecimento.” Nesta semana, Kiely visita o Brasil pela primeira vez. Ele participa em São Paulo do Simpósio Internacional de Livros e Universidades, organizado pela Editora da Universidade de São Paulo (Edusp) para celebrar os 50 anos da instituição, a maior do gênero no país. Confira a entrevista que o americano concedeu ao site de VEJA:

A digitalização reduz os custos de produção dos livros, tornando-os mais acessíveis aos leitores. Isso também acontece com os livros das editoras universitárias? De certo modo, não. Diferentemente das outras editoras, as universitárias têm um foco muito claro na qualidade do material que é editado. Aqui em Chicago, por exemplo, todos os nossos livros são revisados pelo corpo docente da universidade. Esse tipo de investimento em qualidade custa muito caro e ele não ficará mais barato com as novas tecnologias porque, de certo modo, não dependente delas. De qualquer forma, nossa meta é oferecer preços que possam ampliar o acesso aos nossos livros.

Kiely: abraçado à tecnologia
PROSE Awards

De que forma, então, o livro digital e as novas tecnologias afetam a sua editora?Desde o surgimento das novas tecnologias, a Editora da Universidade de Chicago abraçou as inovações em todas as áreas do nosso trabalho. Por exemplo: quase todos os nossos novos livros estão disponíveis no formato digital. Apenas os livros que contêm muitas ilustrações ainda não estão na plataforma digital, mas já estamos trabalhando para que isso também seja possível. Todos os nossos periódicos já estão no formato digital e trabalhamos em parceria com uma livraria digital. Além disso, nossos perfis nas redes sociais (Twitter, Facebook e Tumblr) têm centenas de seguidores devotos. Acreditamos que esse é o meio mais eficaz de alcançar nossos consumidores.

Os tipos móveis de Gutenberg permitiram, no século XV, que um livro fosse reproduzido em larga escala, revolucionando o acesso à informação e ao conhecimento. É possível estabelecer um paralelo entre aquele evento e a popularização do livro digital hoje? Eu acredito que estamos perto de uma nova revolução. O desenvolvimento dos e-books é apenas o primeiro passo desse processo. O público consumidor está sedento por novas formas de descobrir e empregar conhecimento. Apesar de todas as recentes invenções e descobertas, ainda fazemos algumas coisas da mesma maneira que fazíamos há 500 anos. Nós, enquanto editoras, precisamos olhar além do livro e do periódico tradicional para que nosso produto tenha mais valor para os consumidores. Se não fizermos isso, outras empresas o farão e perderemos nosso público para a concorrência.

As universidades estão transformando sua maneira de ensinar com a ajuda da internet. Plataformas on-line permitem que estudantes de diversos países tenham acesso a aulas ministradas em Harvard ou Yale. Como essa mudança afeta as editoras universitárias? Concordo que existe uma grande mudança em curso. Essas plataformas são um desafio para a ideia tradicional de universidade que construímos ao longo dos anos. Apesar de ainda ser muito cedo para prever aonde essas mudanças nos levarão, é um bom momento para as editoras identificarem como elas podem usar toda a sua experiência para desenvolver e organizar conteúdos para esse novo meio. É onde temos que focar nossos esforços agora.

Os livros digitais e as publicações on-line incomodam autores pela facilidade com que esses conteúdos podem ser reproduzidos ou modificados. Como os autores acadêmicos têm reagido ao avanço dos meios digitais? Essa é uma questão interessante. Se, por um lado, a internet permitiu que periódicos e livros estivessem mais disponíveis do que nunca, por outro, os direitos autorais são muitas vezes desprezados. Andamos sob uma linha muito tênue porque queremos que nossos livros sejam mais e mais lidos, mas mantemos nossa patrulha para evitar abusos que o meio digital proporciona. Com o tempo, tanto as editoras como os leitores estarão mais educados sobre o que pode e o que não pode na internet. Mas, sem dúvida, vejo grandes desafios – e oportunidades – pela frente.

Com todas essas transformações acontecendo, o papel da editora universidade universitária se altera? As novas mídias permitem que o conhecimento produzido na universidade seja cada vez mais compartilhado e assim alcance mais e mais pessoas. Acredito que o papel das editoras universitárias seja fazer com que, de fato, o conhecimento chegue a essas pessoas.

O senhor trabalha há quase três décadas com a publicação de livros. O que o prende a essa profissão? Para mim, trabalhar em uma editora é mais que uma profissão. É a oportunidade de se conectar ao que está acontecendo no mundo. Eu gosto de pensar que, seja lá o que estiver se passando, nós sempre teremos um livro sobre isso ou veremos o acontecimento como uma oportunidade de publicar um novo livro. Especificamente sobre editoras universitárias, temos a chance de oferecer conhecimento e influenciar estudantes e pesquisadores de diferentes gerações. Isso é algo realmente extraordinário.

Dica do Jarbas Aragão

Go to Top