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Sugestões de filmes para introdução à Literatura

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Imagem Google

André Gazola no Lendo.org

A Literatura tem muito em comum com o Cinema. Diversos são os filmes cujo roteiro baseia-se em obras literárias de grande — ou nem tanto — sucesso, a fim de levarem para as telas as imagens que estavam apenas na imaginação dos que se aventuraram entre as páginas de um livro.

Sabemos da dificuldade que as escolas têm para introduzir aos alunos, principalmente os de Ensino Médio, obras literárias que exigem mais que apenas a simples absorção passiva das palavras — principalmente por muitas serem realmente difíceis até para leitores experientes. As principais dificuldades têm ocorrido no primeiro ano do Ensino Médio, afinal é nesse estágio que ocorre o primeiro contato dos alunos com esse tipo de leitura. Nesse sentido, vale a pena pensar em diferentes estratégias para atrair a atenção dos estudantes para a leitura, ainda que tenhamos que recorrer a outras mídias para isso.

Pensando dessa forma, o cinema nos chega como aliado, uma vez que está repleto de boas opções, tanto da Literatura Brasileira quanto da Estrangeira. Por essa razão, hoje publico uma lista de sugestões de filmes para professores de Literatura utilizarem em sala de aula como forma de motivarem seus alunos para adentrarem no mundo da leitura. Não é uma lista tão grande, mas pode servir de base para trabalhos riquíssimos. Aproveite e não esqueça de deixar outras sugestões nos comentários.

 

O Leitor

Com direção de Stephen Daldry, esse filme produzido em 2008 é baseado no romance do escritor alemão Bernhard Schlink. Relata a história de amor entre uma mulher de origem humilde e um jovem estudante. O filme foca, especificamente, como a relação entre eles se estabelece por causa do amor pelos livros e como a capacidade de ler modifica a visão de mundo. É importante selecionar os trechos do filme que apresentem essa relação, excluindo outras de cunho sexual que não são adequadas ao espaço de sala de aula.

Troia

Filme do diretor Wolfgang Petersen, de 2004, é baseado no épico Ilíada, de Homero, retratando a viagem dos gregos até Troia e a luta entre gregos e troianos. É uma boa maneira de aguçar o interesse dos alunos para o tema e levá-los a reconhecerem uma série de personagens ilustres do enredo, baseados em um clássico da literatura universal.

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9 autores que odeiam a versão dos seus livros para o cinema

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Máquina de escrever
Rafael Aloi, na Exame.com

Adaptações

São Paulo – Walter Salles lança no dia 13 de julho o filme “Na Estrada”, baseado em um dos livros mais cultuados nos Estados Unidos: “On the Road” (“Pé na Estrada” em português).

O livro foi escrito em 1960 e levou 52 anos até que algum diretor tivesse a coragem de adaptá-lo para os cinemas. Como todo livro que possui muitos fãs, pode acontecer de o filme de Salles receber muitas críticas por parte deles. Mas, pelo menos, ele não terá que lidar com a opinião de Jack Kerouac, autor do livro, que faleceu em 1969.

Outros diretores não tiveram a mesma sorte. Clique nas imagens acima para conferir alguns autores que não gostara das adaptações para o cinema de suas obras.

O Iluminado

O Iluminado
O aclamado filme de Stanley Kubrick, lançado em 1980 e considerado uma das obras-primas do suspense, é um terror para Stephen King, que escreveu o livro em 1977.

Segundo o New York Daily News, King disse não gostar de Jack Nicholson como Jack Torrance, personagem pelo qual o ator é sempre lembrado. Segundo o escritor, Nicholson já interpretava um louco mesmo antes do protagonista se tornar um.

Para King, Stanley Kubrick fez um filme visualmente bonito, mas que não tem nada a ver com o terror e os aspectos sobrenaturais que ele narrou em seu livro. Em entrevista à revista Writers Digest, o autor disse que assistir a um formigueiro por 3 horas é mais emocionante do que o filme de Kubrick e que esta é a única adaptação de seus livros que ele se lembra de ter odiado.

Em 1997, o escritor coproduziu e escreveu uma versão de “O Iluminado” para TV, que foi transmitido pela rede ABC, mas que não chegou aos pés do sucesso do filme de Kubrick.

Watchmen
O quadrinista Alan Moore criou diversos personagens, entre eles os heróis de Watchmen que foram levados para o cinema em 2009. Moore odiou o filme. Em entrevista para o Los Angeles Times, antes de o filme ser lançado ele afirmou que estava colocando uma praga sobre o filme.

Na verdade, Moore odeia Hollywood. Ele considera os milhões de dólares gastos nas superproduções como dinheiro jogado fora e que seria muito melhor aplicar a grana para recuperar o Haiti. Para Moore, os filmes nunca chegarão perto do poder de qualquer livro existente.

Outras obras de Alan Moore já foram adaptadas para o cinema (e todas ele odeia), como “A Liga Extraordinária” e “V de Vingança”. Este último ele pediu para ter seu nome retirado dos créditos.

Forrest Gump
O filme de 1994 ganhou seis estatuetas do Oscar, incluindo os de melhor filme e melhor ator. Mas o autor do livro Winston Groom não ficou muito satisfeito com o resultado final.

Groom não gosta da interpretação de Tom Hanks e, segundo o New York Times, preferia que o ator John Goodman interpretasse Forrest nos cinemas. O autor ainda disse que a adaptação poliu o personagem, retirando as partes mais profanas do livro para deixá-lo mais aceitável aos olhos do público.

Em 1995, Groom escreveu a continuação do livro Gump & Co. A primeira frase desta segunda obra é: “Nunca deixe alguém fazer um filme sobre a sua história”.

Mary Poppins
O clássico da Disney que mistura animação e atores reais ganhou dois Oscars em 1965: melhor atriz (Julie Andrews) e melhor direção de arte. Mas o que poucas pessoas sabem é que Pamela Travers, a autora da série sobre Mary Poppins, chorava de decepção na première do filme.

Segundo o jornal britânico Telegraph, durante a produção do filme, Pamela pediu várias alterações no roteiro. Ela odiava as sequências de animação e queria que fossem retiradas.

A autora considerava Julie Andrews muito bonita para interpretar Poppins e disse também que a atriz tinha toda a capacidade para fazer o papel, mas foi completamente mal dirigida.

Segundo o jornal, Walt Disney não convidou Pamela para a première do filme, mas ela conseguiu um ingresso e foi do mesmo jeito. Ela disse que sua personagem foi completamente traída por Walt Disney e que o “filme trazia muita fantasia e pouca mágica”.

Eu Sou a Lenda
O livro de Richard Matheson lançado em 1954 já foi adaptado três vezes para o cinema. E nenhuma delas foi de seu agrado.

O primeiro filme, de 1964, foi chamado de “Mortos que Matam” no Brasil e foi coescrito pelo próprio Matheson. Porém o autor não gostou do resultado final e pediu para que seu nome fosse retirado dos créditos. No lugar, entrou seu pseudônimo, Logan Swanson.

O último filme foi lançado em 2007 com Will Smith no papel principal e, diferente do livro, a história se passa em Nova York e não mais em Los Angeles.

Segundo a revista Mental Floss, Matheson disse na época do lançamento do filme que não entendia porque Hollywood ainda era fascinada com o seu livro já que “eles nunca se importaram em filmá-lo da maneira como foi escrito.”

Cena do filme Bússola de Ouro com Nicole Kidman e Dakota Blue Richards

Bússola de Ouro
Impulsionado pelo grande sucesso da série Harry Potter e da trilogia do Senhor dos Anéis, em 2007, foi lançado o primeiro filme da trilogia Fronteiras do Universo escrita por Philip Pullman.

No começo, Pullman ficou feliz de saber que seus livros seriam transformados em filmes, mas após o lançamento do primeiro filme, veio a decepção. O filme se encerra antes de muitos eventos importantes do livro. Em uma entrevista para o Guardian, o escritor afirmou que os produtores o informaram que usariam as cenas que faltaram no primeiro filme como o começo do segundo.

Aí veio mais uma decepção para o autor. “A Faca Sutil” e “A Luneta Ambar”, segundo e terceiros livros respectivamente, não tem previsão de produção.

A produtora diz que não sabe se será possível continuar a série devido ao boicote da comunidade cristã americana ao primeiro filme, o que fez com que a bilheteria dentro do país fosse baixa. A Liga Católica dos EUA acusa a série de Philip Pullman de atrair as crianças para o ateísmo.

A Fantástica Fábrica de Chocolate
Roald Dahl, o autor da história de Charlie e Willy Wonka, chegou a escrever partes do roteiro para o primeiro filme lançado em 1971. Mas o escritor não gostou nem um pouco da versão final.

Segundo a BBC, Dahl não gostou que o foco da história passou para Willy Wonka ao invés do garoto Charlie, o verdadeiro protagonista do livro. Até o título original do filme foi alterado de “Charlie and the Chocolate Factory” para “Willy Wonka and the Chocolate Factory”.

Segundo a BBC, o filme foi patrocinado pela Quaker que estava lançando os chocolates Wonka na época.

A decepção de Dahl foi tão grande que ele não deixou que a continuação da história, “Charlie e o Grande Elevador de Vidro”, virasse outro filme. O autor também proibiu outras versões da Fantástica Fábrica de Chocolate. Somente após sua morte, em 1990, é que começaram as negociações para um novo filme, que foi lançado em 2005 e produzido por Tim Burton.

Laranja Mecânica
Stanley Kubrick parece não ter uma relação amigável com os autores dos livros que adapta para o cinema. Anthony Burgess que escreveu o livro “Laranja Mecânica” também não ficou nada satisfeito com o filme feito pelo diretor em 1971.

Segundo a revista Mental Floss, Burgess disse o seguinte sobre o filme: “O livro pelo qual eu sou mais conhecido, ou conhecido apenas por ele, foi reduzido a uma glorificação da violência e do sexo. O filme tornou fácil para as pessoas não entenderem sobre o que o livro se trata, e este mal-entendido vai me perseguir até a minha morte”.

Solaris
O livro de Stanislaw Lem já foi adaptado duas vezes para o cinema. A primeira foi em 1972 e a segunda em 2002.

Lem não ficou satisfeito com nenhuma das duas versões . Para ele, nenhuma conseguiu reproduzir de forma decente a história sobre uma inteligência alienígena tão grande que chega a ser classificada como um planeta.

Em seu site oficial, Lem fez algumas críticas sobre a última versão nos cinemas, ele disse que: “Não se lembra do livro ser sobre problemas sexuais de pessoas no espaço sideral” e que o único objetivo com o seu livro era “criar um encontro humano com alguma outra forma de vida que realmente existe, mas que não pode ser reduzida a conceitos humanos, imagens ou formas. Por isso o livro se chama Solaris e não Amor no Espaço Sideral”.

Último livro de ‘Jogos Vorazes’ será dividido em dois filmes

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Jennifer Lawrence é a estrela de  Jogos Vorazes. Foto: Divulgação

Jennifer Lawrence é a estrela de Jogos Vorazes
Foto: Divulgação

Publicado originalmente no Terra.com

O terceiro livro da série Jogos Vorazes será dividido em dois filmes, cujos lançamentos acontecerão em 21 de novembro de 2014 e 20 de novembro de 2015. No entanto, ainda não se sabe quem será o diretor dos longas, depois de Francis Lawrence ter pego o lugar de Gary Ross no segundo filme da série, Jogos Vorazes: Em Chamas.

O último livro da trilogia de Suzanne Collins vê Katniss – interpretada por Jennifer Lawrence – levando um empurrão contra o governo do país inventado e está previsto para ser lançado em 22 de novembro de 2013.

O primeiro filme arrecadou US$ 678,2 milhões em todo o mundo. Philip Seymour Hoffman estará no segundo filme, como Plutarco Heavensbee, o líder de uma rebelião no subsolo do Distrito 13.

Jennifer voltará a interpretar Katniss, enquanto Josh Hutcherson e Liam Hemsworth também vão repetir os papéis de Peeta Mellark e Gale Hawthorne, respectivamente.

Acreditar que filmes substituem livros é um erro gigantesco, diz escritor espanhol

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Flip/Divulgação

Publicado originalmente no Opera Mundi

Javier Cercas conversou com o Opera Mundi após uma exaustiva sessão de autógrafos, na qual foi necessária até mesmo a intervenção de seguranças para acalmar os ânimos de fãs que brigavam entre si por lugares na fila. Aclamado pela crítica literária dentro e fora da Espanha, seus livros já foram traduzidos para mais de 20 idiomas.

Soldados de Salamina, da Editora Globo, foi o que atingiu maior repercussão. Do ponto de vista político, tornou-se obra respeitada por revelar como temas dados como encerrados e resolvidos no imaginário comum espanhol encontravam-se, na realidade, apenas latentes, prontos para eclodirem na forma de intensos debates públicos. No que toca sua estética, brinca com o conceito de narrativa real, uma quase-crônica que institui para narrar a peculiar história do poeta falangista Rafael Sánchez Mazas, sobrevivente de um fuzilamento ordenado pelo partido ultranacionalista que ajudou a fundar na década de 1930.

Caminhando pelas ruas tortuosas de Paraty, se dando ao direito de inclusive parar por alguns instantes, desviar de assunto, e comentar sobre a luz da lua cheia, ele falou das fontes de que bebeu a vida inteira para escrever sua obra e do valor que assume um texto a partir do momento que é fabricado para jornais. Com Soldados de Salamina adaptado para o cinema, também tentou avaliar a hipótese do impacto das releituras de longa-metragens sobre o enredo de obras originalmente publicadas em livros.
* * *
Opera Mundi – O que significa Jorge Luis Borges em sua vida?
Javier Cercas – Muito. A Wikipédia diz que me tornei escritor depois de ler Borges. Isso não é verdade. Na realidade, comecei a ler Borges com 15 anos e achei tão bom que não consegui fazer mais nada a não ser continuar a lê-lo. O resultado foi que comecei a escrever muito mais tarde do que imaginava. É um escritor importantíssimo, talvez ainda mais importante para nós que escrevemos em espanhol. Não se pode escrever em espanhol sem ler, ou melhor, sem ter assimilado Borges.

OM – Susan Sontag e Mario Vargas Llosa elogiaram muito seu Soldados de Salamina. De todos os romances que produziu, esse é também o que você mais gosta?
JC
– Essa é uma pergunta muito difícil. Soldados de Salamina não me parece ruim. Eu deveria odiá-lo, porque todos só falam dele. Mas não o odeio. Continuo me sentindo confortável com ele, não me incomoda. Às vezes um escritor consegue muito sucesso com um livro, todos começam a falar só dele e aí acaba o odiando. É um livro raro, mas tudo o que escrevo é raro. Estou bem feliz com ele.
Um pouco do êxito de Soldados de Salamina foi reabrir a história da Espanha. Lá a história é muito fechada. Em seu êxito brutal e inesperado, o livro contribuiu ao menos para reabri-la. Certamente.

OM – Estive certa vez em uma livraria e uma senhora deixou de comprar um dos livros do sueco Stieg Laarson somente porque a mesma história estava sendo exibida nos cinemas. A transformação de livros em filmes representa um prejuízo para a literatura?
JC
– Um filme é um filme e um livro é um livro. São coisas totalmente distintas. É um erro gigantesco e evidente acreditar que um filme substitui um livro. O filme de Soldados de Salamina, por exemplo, é totalmente diferente do livro. Trata-se de uma interpretação do livro. Cada leitor interpreta a obra de um maneira e o diretor faz o mesmo. Obviamente não pode substituir o livro porque o livro acontece na cabeça de cada pessoa.
Também não penso que seja um prejuízo para a literatura [transformar livros em filmes]. Pode ser inclusive um benefício. Traduzir um livro em imagens é uma leitura e essa leitura pode ser boa ou má.

OM – Você menciona várias vezes as narrativas reais em seus livros. Qual a diferença entre narrativa real e jornalismo?
JC
– O momento real é mais uma espécie de crônica do que de jornalismo. Mas Soldados de Salamina não é uma narrativa real. Seu narrador diz que é, mas jamais podemos acreditar no narrador, essa é a primeira regra da literatura.
Ainda que a crônica e o jornalismo persigam a verdade, temos de ter a consciência de que não é possível alcançá-la. Só se pode tentar alcançá-la. Quem pensa que fazendo jornalismo está dizendo a verdade ou é louco, ou é um fanático, ou é um tonto, ou é um canalha, o que é mais provável.

OM – Em seu livro, há uma personagem chamada Aguirre que diz que “escrever em jornais não é escrever”. Você concorda com isso?
JC
– Não. Isso quem disse foi o Javier Cercas do romance. Na realidade eu acredito que pode-se escrever tão bem ou tão mal em jornais quanto em romances. Não acredito que há gêneros literários melhores ou piores. Há, sim, melhores ou piores formas de se usar os gêneros literários. Há opções e capacidades. Boa parte da melhor literatura que já se escreveu em espanhol no século XX é a literatura que está nos jornais. As coisas que digo no livro têm sentido dentro do livro. Não sempre para toda a minha vida.

OM – Há um momento no qual o narrador de Soldados de Salamina diz não saber ao certo diferenciar um bom escritor de um grande escritor. Você consegue estabelecer essa diferença?
JC – Essa é uma boa questão. Sei apenas que há poucos grandes escritores no mundo. Cervantes, Kafka, Proust, Conrad são grandes escritores. Borges, como estávamos falando. Gosto muito de Hemingway.

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