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5 livros incríveis para ler em julho

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Isabela Moreira, na Galileu

Julho é o mês perfeito para conhecer novos universos e retornar a alguns muito queridos. Na lista abaixo, separo algumas das obras que li e pretendo ler nas próximas semanas. Confira:

1 – Meu Livro Violeta, Ian McEwan (Cia das Letras, R$ 44,90, 128 páginas)

Autor de um dos meus livros favoritos da vida, Reparação, Ian McEwan leva um baita jeito para envolver os leitores em tramas sufocantes e, por vezes, com poucos personagens. É o caso de Meu Livro Violeta, no qual reúne um conto (que leva o nome do livro) sobre um amigo que rouba o romance de outro, e uma peça chamada “Por Você”, que trata de um maestro cuja vida é toda construída por traições.

2 – Mulherzinhas, Louisa May Alcott (L&PM, a partir de R$ 22, 332 páginas)
A obra é considerada um clássico da literatura juvenil norte-americana. Já tinha ouvido falar sobre ela, mas fiquei ainda mais interessada ao descobrir que será adaptada para os cinemas por Greta Gerwig (diretora de Lady Bird) com Emma Stone, Saiorse Ronan e Meryl Streep no elenco. Trata-se de um romance de formação que acompanha um grupo de irmãs e sua mãe crescendo e apoiando umas às outras.

Livros ideais para julho (Foto: Reprodução/Instagram/Emma Roberts)

3 – De Espaços Abandonados, Luisa Geisler (Alfaguara, R$ 59,90, 416 páginas)
Luisa Geisler é gaúcha e uma das escritoras mais promissoras da literatura nacional. Em seu novo romance, ela usa cartas, e-mails e outros tipos de registros para contar a história de Maria Alice, uma jovem que vai para Irlanda em busca da mãe. Por lá, acaba conhecendo vários brasileiros que deixaram seus lares na procura de coisas novas e acabaram se perdendo no meio do caminho.

4 – A Teus Pés, Ana Cristina Cesar (Cia das Letras, R$ 24,90, 144 páginas)
Há tempos queria ler algo da Ana Cristina Cesar e receber esse livro de presente foi um dos indícios de que já passou da hora de começar. Essa foi a única coletânea poética lançada pela escritora em vida e mistura outras obras lançadas por ela de forma independente, como Cenas de Abril, Correspondência Completa e Luvas de Pelica. Imperdível.

5 – Jane Eyre – Edição Comentada e Ilustrada, Charlotte Brontë (Zahar, R$ 79,90, 536 páginas)

Jane Eyre é um desses clássicos que temos que reler de tempos em tempos: a primeira e única vez que o li foi há cinco anos, o que torna o lançamento da edição ilustrada e comentada uma oportunidade perfeita de voltar ao universo criado por Charlotte Brontë. A obra acompanha Jane, uma órfã que, após uma infância difícil, se torna tutora de uma menina em uma casa cheia de mistérios — incluindo seu proprietário, senhor Rochester.

O selo editorial dos anos 1990 que só publicava livros feministas no Brasil está de volta

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Arquivo Pessoal
Rose Marie Muraro autografa seu livro “Os seis meses em que fui homem”, em meados dos anos 2000.

‘Rosa dos Tempos’ foi criado por Rose Marie Muraro e publicou clássicos do movimento feminista brasileiro e mundial em 1990.

Andrea Martineli, no HuffpostBrasil

Duas mulheres importantes para a evolução do feminismo no Brasil, Rose Marie Muraro e Ruth Escobar, há mais de 15 anos, se uniram para ampliar as vozes das mulheres brasileiras por meio da literatura. Ambas acreditavam que com educação era possível transformar um mundo guiado pela opressão às mulheres. Em 1990, juntas, as escritoras fundaram um selo editorial chamado “Rosa dos Tempos”, dedicado exclusivamente à temática feminista que, em 2018, está de volta.

“Só existe um editor homem trabalhando com a gente. Todas as demais são mulheres”, conta Ana Lima, editora-executiva da Editora Record, que é uma das responsáveis pelo retorno do selo, em entrevista ao HuffPost Brasil. O time é composto por 3 editoras-executivas, Ana Lima, Ana Paula Costa e Andreia Amaral, 2 gerentes de marketing, Rafaella Machado e Livia Vianna, e Roberta Machado, que é diretora comercial e vice-presidente da empresa.

O projeto de Muraro e Escobar tornou-se realidade, no passado, com o apoio da jornalista Laura Civita, da socióloga Neuma Aguiar e do fundador e então editor da Record, Alfredo Machado. No entanto, depois de 2005, e com 170 livros lançados — que hoje estão de catálogo — , o selo acabou esquecido. Segundo Lima, o fato de ter um time essencialmente feminino trabalhando em conjunto neste momento possibilitou que a ideia de retomar o selo feminista se tornasse realidade.

“Essa conversa [de retomar o Rosa dos Tempos] começou a virar uma constante. Toda hora a gente esbarrava em algum material interessante que seria bom publicar de qualquer forma, mas que, com o selo, teria uma visibilidade diferente”, constata Lima.

E a ideia começou a tomar corpo em outubro do ano passado. Juntas, as editoras começaram a trabalhar em cima do antigo catálogo, o logo foi reformulado, uma seleção de livros que serão reeditados foi feita, assim como a aquisição de publicações inéditas no Brasil. E sim, todos são livros escritos por mulheres e para mulheres.

“A história das mulheres em vários campos foi abafada. Existe toda uma história da medicina de mulheres, de mulheres cientistas e ninguém fala sobre isso porque não há interesse. E não interessa porque não foi priorizado. Assim como foi priorizada uma história branca, foi priorizada uma história masculina”, afirma a editora-executiva.

Para Roberta Machado, vice-presidente e diretora comercial da Record, além de uma demanda de mercado, retomar o selo é contribuir ainda mais para o debate sobre direitos das mulheres: “Ficou bacana, porque montamos um modelo bem ‘feminino’ de gestão. A ‘Rosa’ é totalmente colaborativa, sem hierarquia, com editoras de perfis distintos, todas motivadas e unidas pelo objetivo que é gerar o melhor conteúdo para contribuir pro debate, sempre”.

Feminismo em Comum – Para todas, todes e todos, da filósofa Márcia Tiburi, foi o primeiro livro publicado pelo selo, lançado em janeiro deste ano. Em 2018, serão publicadas oito obras. Para o primeiro semestre, já estão em produção os livros O mito da beleza, de Naomi Wolf; Mamãe&Eu&Mamãe, de Maya Angelou, e A terra das mulheres, de Charlotte Perkins Gilman.

Em parceria com o Instituto Rose Marie Muraro, sediado na Glória, no Rio de Janeiro, cada exemplar publicado pelo selo será enviado à biblioteca mantida pela instituição.

“O relançamento do selo Rosa dos Tempos é importante porque sua criação foi para dar voz as mulheres. Foi a primeira editora dedicada aos diversos temas que são importantes para o desenvolvimento das mulheres e consequentemente para a sociedade. É importante também manter viva a história de duas mulheres guerreiras [Rose e Ruth]”, completa Tonia Muraro, diretora-executiva do Instituto e filha de Rose Marie Muraro, em entrevista ao HuffPost Brasil.

Quem foi Rose Marie Muraro

Arquivo/Instituto Cultural Rose Marie Muraro
A escritora e editora Rose Marie Muraro, uma das líderes do movimento feminista no Brasil.

Uma das maiores representantes do movimento feminista no Brasil, Rose Marie Muraro morreu em junho de 2014, aos 83 anos, após complicações de um câncer na medula óssea que já tratava há dez anos. A autora de Os seis meses em que fui homem (1993) e Por que nada satisfaz as mulheres e os homens não as entendem (2003), escreveu mais de 44 livros ao longo de sua carreira.

Em 1999, ela contou sua história na autobiografia Memórias de uma mulher impossível. Nele, ela conta como aprendeu desde cedo a lutar contra as dificuldades, físicas e sociais, com força e determinação em meio às limitações. Muraro nasceu praticamente cega, e somente aos 66 anos conseguiu recuperar parcialmente a visão com uma cirurgia. Estudou Física, foi escritora e editora de livros, assumindo a responsabilidade por publicações polêmicas e contestadoras.

“O homem também tem que se rever. É natural, com a mulher se liberando, que o homem tenha ficado perdido, entregado os pontos. Mas mulher autoritária é o mesmo que mulher submissa. O objetivo (do feminismo) é integrar homem e mulher, e só se pode integrar dois sujeitos”, disse Rose Marie Muraro em entrevista à Folha de S. Paulo, em 1999.

Após a morte da intelectual, o Instituto Cultural Rose Marie Muraro foi criado para resguardar o legado dela e garantir às futuras gerações o direito de conhecer sua história. Enquanto viva, ela trabalhou arduamente para abrir espaço para “cabeças pensantes se reunirem e se aliarem em um objetivo comum para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa”.

“Nossa missão hoje é continuar proporcionando este espaço principalmente para as mulheres, mas homens também, que tenham como objetivo uma sociedade mais humana e menos desigual”, afirma Tonia que, também afirma que, no momento, a Instituição busca novas possibilidades de gestão para conservar o espaço e o acervo daprimeira biblioteca especializada em estudos de gênero do Brasil.

Segundo Tonia, sua mãe finalizou sua última obra pouco antes de falecer, em que retrata sua “impossível história de amor”. “Tenho uma vontade muito grande de lançar este livro inédito pelo ICRM e agora, se for possível, com o selo da Rosa dos Tempos. Acho que Rose e Ruth estão conspirando a nosso favor”.

10 autores que odiaram os filmes baseados em seus livros

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Alguns dos filmes são verdadeiros clássicos do cinema

Luiz Carlos, no Meio Norte

1. P.L. Travers – “Mary Poppins”

A autora até tinha uma suposta influência no roteiro do longa-metragem, mas várias de suas anotações foram sumariamente ignoradas. Uma das coisas que Pamela Lyndon mais odiava era a insistência dos estúdios Disney em manter as cenas de animação de “Mary Poppins”. Ela passou a maior parte da estreia chorando e não deixou que outros filmes com a personagem fossem adaptados para a telona.

2. Stephen King – “O Iluminado”

Apesar de ser idolatrado por muitos cinéfilos, “O Iluminado” desagradou seu autor. Stephen King disse que apesar de admirar demais o diretor Stanley Kubrick, ele não conseguiu captar a essência sobrenatural e maquiavélica do próprio Hotel Overlook. Ao invés disso, preferiu apostar na maldade humana dos personagens. Nem mesmo Jack Nicholson escapou das críticas: seu papel não era para ser o de um lunático, como aconteceu no longa-metragem.

3. Anne Rice – “Entrevista com o Vampiro”

O filme juntou alguns dos maiores galãs dos anos 90, como Tom Cruise, Brad Pitt e Antonio Banderas, mas Anne Rice disse que não haveria elenco mais bizarro para sua obra. Apesar disso, ela mordeu a língua e aceitou que Cruise teve uma boa atuação como o vampiro Lestat. Já “A Rainha dos Condenados” foi odiado pela autora, que pediu para seus fãs não assistirem ao filme.

4. Winston Groom – “Forrest Gump”

É com a frase “Nunca deixe ninguém fazer um filme sobre a história de sua vida” que o segundo livro de “Forrest Gump” começa. A revolta do autor é porque os produtores do filme teriam alterado demais a sua obra original. Para piorar a relação de Groom e Hollywood, ele não recebeu os 3% sobre os lucros do filme e sequer foi citado nos discursos de agradecimento do Oscar – “Forrest Gump” arrecadou US$ 677 milhões ao redor do mundo e ganhou seis estatuetas.

5. J.D. Salinger – “Meu Maior Amor”

Você ainda sonha com uma versão cinematográfica de “O Apanhador no Campo de Centeio”? Então pode ir tirando seu cavalinho de chuva: depois de “Meu Maior Amor”, o escritor prometeu que nunca mais permitiria que outra obra sua fosse adaptada para as telonas.

6. Anthony Burgess – “Laranja Mecânica”

Sejamos justos: Burgess não odiou apenas a versão cinematográfica de “Laranja Mecânica”, já que ele também se arrependeu de ter escrito o livro no qual o filme foi baseado. Apesar de pensar em um jogo mental para suas escritas, Anthony Burgess diz que o longa-metragem glorificou a parte violenta e sexual de sua obra. “Isso vai me perseguir até eu morrer”, reclamou.

7. Bret Easton Ellis – “Psicopata Americano”

A reclamação principal do autor é que “Psicopata Americano” foi pensado para ser um livro em que o narrador é o centro de tudo – algo que não funcionou muito bem nas telonas. No longa-metragem, como a narrativa é mais visual, gera pouco espaço para sabermos se aquilo que o protagonista faz é real ou fruto de sua imaginação.

8. Roald Dahl – “A Fantástica Fábrica de Chocolates”

O autor odiou tanto o Willy Wonka interpretado por Gene Wilder que prometeu que nunca iriam fazer um filme da continuação de sua obra, intitulada “Charlie e o Grande Elevador de Vidro”. Isso não impediu que outros filmes baseados em livros de Dahl chegassem aos cinemas, como “James e o Pêssego Gigante”, “Matilda” e “O Fantástico Sr. Raposo”.

9. Ken Kesey – “Um Estranho no Ninho”

O filme é um dos três únicos a levar os cinco Oscars principais (filme, diretor, ator, atriz e roteiro), mas mesmo assim não agradou o escritor original da obra. A principal reclamação foi a mudança de narradora, que no livro ficava a cargo de Chefe Bromden, uma índia norte-americana que estava, desde a Segunda Guerra Mundial, internada no hospital psiquiátrico em que ocorre os eventos de “Um Estranho no Ninho”.

10. Richard Mateson – “Eu Sou a Lenda”

Não basta uma e nem duas adaptações ruins: Mateson detesta as três adaptações do livro “Eu Sou a Lenda”. O filme “Mortos que Matam” (1964) é o que mais segue a história do autor, mas falhas de direção e elenco fizeram com que ele se decepcionasse. Já “A Última Esperança da Terra” (1971) é o que menos incomoda, justamente por ter mudado praticamente tudo que Mateson escreveu. Por fim, o filme “Eu Sou a Lenda” (2007) destruiu completamente o final criado pelo escritor. Que sina, hein?

Fonte: Com informações do Megacurioso

Marina Colasanti: “Não perco tempo com leituras insignificantes”

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Escritora ítalo-brasileira ganhou na FIL de Guadalajara o Prêmio SM de Literatura Infantil e Juvenil

Publicado no El País

Os livros ajudaram a pequena Marina Colasanti (Asmara, Eritreia, 1937) a esquecer que vivia sob o cerco da Segunda Guerra Mundial. Desde então, publicou mais de 60 obras para crianças e adultos. Antes, estudou Belas Artes no Rio de Janeiro. Foi jornalista do Jornal do Brasil. Traduziu Roland Barthes e Yasunari Kawabata para o português. Agora, acaba de receber na Feira Internacional do Livro de Guadalajara (México) o Prêmio Ibero-americano SM de Literatura Infantil e juvenil.

 A escritora Marina Colasanti setanta

A escritora Marina Colasanti setanta

Como teria sido a guerra para você sem os livros? Totalmente sem graça. E sem exemplos de sobrevivências significativos. A literatura é construída em torno de conflitos ou perigos que ameaçam os personagens e que precisam ser superados. É o que acontece com Ulisses ou nos contos de fadas, com Peter Pan e os Três Mosqueteiros. É a mesma coisa para quem vive uma guerra. Como teria sido pobre e monótono crescer sob a Segunda Guerra Mundial alimentada apenas pelos slogans e as imposições do regime fascista.

Considerando os seus diversos interesses, como faz para organizar suas leituras?
É bastante caótico. Adoro ler em aeroportos e nos voos. Posso ler de pé em uma livraria apenas para ter uma ideia do que o autor está falando ou abandonar um livro depois de poucas páginas. Fiz 80 anos de idade este ano, e o tempo se tornou algo extremamente valioso. Não posso perdê-lo com leituras insignificantes.

Existe poesia na literatura infantil? Apenas quando ela é excelente.

E literatura infantil na poesia? Se não for poesias para crianças, não. Até mesmo quando o poeta fala sobre sua infância, não estamos no campo da literatura infantil. A poesia é mais vertical e mais codificada.

Continua a acreditar em fadas? Nunca acreditei em fadas, tampouco trabalho com elas. Acredito em símbolos.

Walt Disney está para a literatura infantil assim como uma marcha militar está para a música? Boa frase! Mas uma marcha militar pode se aproximar da música e existem muitos toques militares na grande música clássica, bem como na ópera. Disney, ao contrário, troca o simbólico pelo óbvio, transforma contos milenares em musicais esvaziando-os de seu conteúdo. Sua única finalidade é de caráter mercantilista.

Quais livros infantis atuais serão os clássicos de amanhã?
Gostaria de dizer: os melhores. Mas sabemos que, além da qualidade, também as circunstâncias desempenham um papel importante na construção de um clássico.

O que você gostaria de ser se não fosse aquilo que é? Teria sido artista plástica. Foi para isso que estudei.

O que acha que está sendo socialmente supervalorizado hoje em dia? O desejo individual e o ego.

Que tipo de tarefa você jamais aceitaria fazer?

Qualquer uma que implicasse maltratar seres vivos. Ou em que eu tivesse de mentir.

Cinco sebos para desbravar em Fortaleza

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Geraldo Duarte com a família, que herdou o "dom" para o negócio com livros. No sebo de Geraldo, cerca de 120 mil títulos estão disponíveis. Uma "atração" para os frequentadores TATIANA FORTES

Geraldo Duarte com a família, que herdou o “dom” para o negócio com livros. No sebo de Geraldo, cerca de 120 mil títulos estão disponíveis. Uma “atração” para os frequentadores TATIANA FORTES

O V&A mapeou espaços na Capital que abrigam raridades da literatura regional, quadrinhos, volumes clássicos, além de muitas memórias afetivas

Bruna Damasceno, em O Povo

“Lamentei muito não ter falado contigo na quinta”. É assim que começa a carta escrita à mão, com caneta de ponta porosa e tinta de cor preta, numa folha de caderno amarelada – datada de 26 de dezembro de 1993. Esquecida entre as folhas de um livro, hoje sob os cuidados do livreiro Geraldo, a missiva virou mais uma história entre tantas, descobertas entre aproximadamente 120 mil livros amontoados no sebo localizado na rua 24 de Maio, 950.

“Sebo é bom porque você vem procurar um livro, ele te obriga a remexer e procurar.Você acaba indo atrás de um livro e leva outro”

O endereço no centro de Fortaleza, que resiste há 17 anos, é o lugar mais tradicional procurado por quem busca por obras raras ou que saíram de circulação. Espaço de infinitas possibilidades, os sebos mantêm viva a tradição literária em tempos de tantas tecnologias. O acervo de Geraldo Duarte, 76, é o maior da Capital, seguido da Livraria Arte&Ciência, com aproximadamente 50 mil volumes. Segundo ele, o público que frequenta o brechó de livros é formado principalmente por escritores e estudantes, que fazem do lugar um ponto cultural. “Vem gente de toda espécie: velha, jovem”, enumera. “Têm clientes que vem só namorar”, brinca.

Preço acessível, títulos esgotados em livrarias comerciais ou volumes raros, e o contato com histórias pulsantes, são os principais motivos que levam os leitores assíduos à garimpagem nos alfarrabistas. É o que destaca o contista e colunista do O POVO, Pedro Salgueiro, 50, que desbravava o sebo enquanto Sr. Geraldo era entrevistado por telefone.

“Fale aqui”, disse, sem cerimônia, o livreiro.

“Sebo é bom porque você vem procurar um livro, ele te obriga a remexer e procurar”, explica o escritor, cliente do brechó há mais de duas décadas. “Você acaba indo atrás de um livro e leva outro. É a grande vantagem além do preço”.

Entre as raridades encontradas na casinha verde no Centro, é possível encontrar alguns livros da coletânea do poeta Olavo Bilac, as obras Baú das Donzelas e as Divinas Damas, do memorialista cearense Marciano Lopes, a primeira edição de A Bagaceira, de José Américo de Almeida, de 1928 – obra considerada um marco inicial do regionalismo brasileiro -, além de Fortaleza de ontem e de hoje, de 1991, de Nirez.

Outros encontros

Bem pertinho dali, na rua Pedro I, 984, os filhos do seu Geraldo, Jarlison, 22, e Janderson Duarte, 23, dão continuidade à tradição da família. Eles transformaram o armarinho da mãe, Albaniza Duarte, 52, em outro sebo. É o Cantinho das Novidades, que conta com cerca de 10 mil obras de diversos estilos literários e que também reforma livros.

Na mesma rua, a loja azul com grafites de super-heróis, de número 583, abriga um acervo com 15 mil exemplares, entre livros e revistas.

Na Gibiteria Fanzine, do sr. Alzir Fernandes, a maioria do acervo é formada por quadrinhos, além de volumes regionais e clássicos da literatura inglesa, espanhola, francesa e alemã. Os quadrinhos de cowboy – da editora Ebal – das décadas de 60 e 70, e os gibis da Editora Bloch estão entres as raridades encontradas por lá.

Ainda no Centro, na rua Major Facundo, 954, pode-se deparar com o acervo do livreiro Vladimir Ilitch Guedes, 40, dono da Livraria Arte&Ciência. Entre as raridades, Memórias de um engrossador, de 1912, do benemérito do Ceará, o escritor Rodolfo Teófilo -que atualmente está na filial do Benfica. Bairro que também abriga, há três anos, o Brechó Literário Rimbaud, da estudante Déborah Maia, 22.

Segundo ela, 6 mil obras das mais diversas áreas do conhecimento estão à disposição para atender a demanda do público universitário predominante nas imediações.

Lá, também é possível encontrar algumas raridades literárias, como a antologia Poesias Eróticas Burlescas e Satíricas, publicada em 1969, de autoria do poeta português Manuel Bocage. O espaço também promove saraus abertos ao público todo último sábado do mês. Eventualmente, a programação pode ser alterada.

Serviço

Brechó Literário Rimbaud

Onde: rua Aratuba, 2142 –Benfica

Horários: de segunda às sextas-feiras, das 8h às 18h30min

Contatos: (85) 3281 9302

Quanto: a partir de R (Crédito, débito e caderneta)

Redes sociais: www.facebook.com/brechorimbaud/ @brecho.literario.rimbaud

Cantinho das Novidades

Onde: Rua Pedro I, 984 – Centro

Horários: segundas às sextas-feiras, de 8h às 17h45min / Sábados: 8h às 15 horas

Contato: (85) 3055.0665

Quanto: a partir de R

Gibiteria Fanzine

Onde: rua Pedro I, 583 – Centro

Horários: de segundas às sextas-feiras, de 8h às 17h30min / Sábados: 8h às 13h30 min

Contatos: 32523660 / 9 9140 8991(WhatsApp)

Quanto: livros a partir de R / Quadrinhos a partir de R (Crédito e débito)

Site: www.gibiteriafanzine.com.br

Redes sociais: www.facebook.com/gibiteriafanz / @fanzinegibiteria

Sebo do Geraldo

Onde: rua 24 de Maio – Centro

Horários: segundas às sextas-feiras, das 7h30 às 17h30 / Sábado: 7h30 às 13h

Contatos: (85) 3226 2557

Quanto: a partir de R

(crédito e débito)

Livraria Arte e Ciência

Onde: rua Major Facundo, 954 – Centro / Avenida 13 de maio, 2400

Horários: segunda às sextas-feiras, de 8h30 a 18h / Sábado: 09h Às 13h

Contatos: (85) 3283 4422 / 9 8762 6851

Quanto: a partir de R (Crédito e débito)

Site: www.arteeeciencia.com.br

Redes sociais: www.facebook.com/arteeciencia / @arteeciencia

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