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Nine Lives | Atores Common e Jonny Lee Miller estrelarão adaptação de ficção científica

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Longa será baseado em livro de comédia sci-fi da autora Ursula K. Le Guin.

Tiago Fizbejn, no Cinema com Rapadura

Segundo o Deadline, os atores Common (“Fúria em Alto Mar”) e Jonny Lee Miller (da série “Elementary”) serão as estrelas de “Nine Lives”, longa baseado em livro homônimo da autora Ursula K Le Guin, publicado em 1969.

A autora, considerada uma das maiores da ficção científica do século XX e que faleceu no início de 2018, era conhecida por não permitir adaptações da maior parte de suas obras. A última versão para o cinema de um de seus livros foi feita em 2006, quando o Studio Ghibli recebeu o direito de adaptar a série de livros “Contos de Terramar” em forma de anime.

O filme, que será escrito e dirigido por Siri Rodnes (da série “River City”) seguirá a dupla de astronautas interpretados por Common e Miller em uma base lunar de perfuração supervisionada por eles. Os dois sentem-se profundamente animados com a ideia de novas companhias quando descobrem que uma nave humana está a caminho, mas acabam se decepcionando ao perceberem que a nave era tripulada por dez clones.

As filmagens estão programadas para começar no meio do ano que vem, mas o filme ainda não tem data de estreia prevista.

30 citações de grandes autores e suas razões para escrever – E você, por que escreve?

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Amanda Leonardi, no Literatortura

Escrever sempre foi algo bem peculiar e muitos se perguntam e repetidamente tentam responder a si mesmos de diversas formas o porquê da escrita literária. Afinal, por que escrevemos? A resposta para tal questão sempre pode mudar, talvez por poder ser várias respostas, talvez por ser uma razão viva, em constante desenvolvimento, portanto nunca determinada. Por que se escreve então? Para contar histórias? Talvez, também por isso. Para expressar nossa visão política, teorias filosóficas, reflexões metafísicas? Também, claro! Entretanto, nem toda escrita é igual, assim como nem todo escritor é igual – nenhum é igual, na verdade. Sim, isso é um pouco óbvio, mas é preciso relembrar que, apesar de escritores poderem ter estilos semelhantes (escritores de teatro, comédia, drama, romance, terror, suspense, poesia romântica, poesia parnasiana, etc), cada um escreve de um jeito próprio. Sim, no começo podemos absorver algo do estilo daqueles que mais lemos, de forma que nossa voz soe um pouco semelhante às de nossos autores mais lidos, assim como a voz de um jovem pode começar a soar como as vozes de seus pais.

Porém, depois de muita leitura e escrita, o escritor consegue encontrar a própria voz. E tal voz nunca é a mesma – mudamos sempre, portanto, não funciona assim: “hoje encontrei o meu estilo de escrita e vou escrever sempre dessa forma, agora resolvi que vai ser assim”, não! Escrever é como respirar, como sangrar, como nascer ou morrer dentro das palavras. A escrita é algo vivo que corre nas veias como sangue. O escritor renasce a cada palavra escrita, a cada texto encontra uma nova versão de si, um ângulo novo de sua alma. Por isso escrever é tão único – é o que nos torna o que somos, pois nos transforma à medida que nos descobrimos nas palavras. É um reflexo da essência do subconsciente que se joga no papel quando escrevemos. É construir um espelho com as palavras, ou uma estrada que leve a algum lugar antes invisível. Escrever pode ser muitas coisas, tudo ao mesmo tempo. Pode ser uma forma de se perder, de esquecer-se de si mesmo, de seus dilemas e apreensões, ao mesmo tempo em que pode ser a melhor forma de tentar resolvê-los, tentando encontrar a si mesmo em meio às letras que surgem no papel pelo impulso da escrita.

Palavras podem funcionar como sóis em formas linguísticas, estrelas feitas de letras que clareiam os cantos mais obscuros dos universos de nossos pensamentos. Algumas vezes tornam tudo tão perfeitamente visível que é como se o abstrato fosse sólido; palavras têm o poder de tornar a existência mais real, de tornar o efêmero algo que se pode visualizar, apesar de cada um acabar sempre o visualizando de forma distinta. É poder se guardar em palavras e depois se reencontrar, lembrar como pensava antes, repensar textos antigos, para que o escritor possa desenhar sua visão de mundo, talvez. Desenhar a alma com letras – ou algo da essência da mente humana que chamo de alma – uma forma de encontrar a própria alma, ou ir construindo-a letra por letra. Escreve-se para existir, para desenvolver os pensamentos e conversar com o próprio texto, de forma que ele vai se desenrolando, vindo de um infinito de ideias o qual nem era visível antes de se iniciar um texto. É uma forma de conversar consigo mesmo, talvez, de se usar palavras como lanternas para iluminar os labirintos da própria existência – ou construir o caminho desta.

Enfim, escrever pode ser um jeito de existir mais, uma forma de se salvar, de registrar pensamentos que transbordam de uma mente em chamas ou de tentar quebrar o gelo de uma alma congelada. As letras são habitações de almas humanas, ou podem ser. São cores linguísticas para dar vida a pensamentos sonâmbulos, para preencher o silêncio, o vazio das horas. As palavras podem ser remédios para curar certas sombras nocivas à mente, dificilmente perceptíveis por psicólogos ou qualquer outro profissional da área. Escrever pode aliviar dores invisíveis, é uma forma de sangrar sem morrer ou ficar com cicatrizes, pois, sim, as palavras são mágicas e podem virar um caminho de volta à vida, como diz uma das citações que veremos abaixo.

E, claro, palavras também são meios de contar histórias e construir mundos e seres novos, feitos de letras, vírgulas e memórias. A escrita, como muitos escritores dizem, é mágica, talvez por isso tantos que adquirem o hábito de tecer pensamentos com letras nunca mais param. E talvez por isso mesmo muitos tenham até chegado a escrever diversas vezes sobre o ato de escrever e o que os motiva a tal prática, que é um dos maiores e melhores vícios de suas vidas. E o que já escreveram sobre isso? Leia abaixo 30 citações de grandes escritores sobre as razões da escrita. E, se encontrar nas citações qualquer semelhança com as idéias deste texto aqui, é porque tais palavras são, sim, inspiradas nas palavras dos grandes mestres listados abaixo. E também porque algumas das razões para escrever são universais, assim como as razões para respirar.

1. Escrever é mágico, é tanto a água da vida quanto qualquer outra arte. A água é grátis. Então beba. Beba e preencha-se -Stephen King

2. Escrever não é vida, mas acho que às vezes pode ser um caminho de volta à vida. – Stephen King

3. A vida não é um suporte para a arte. É ao contrário. – Stephen King

4. Se não escrevo para esvaziar minha mente, eu enlouqueço. – Lord Byron

5. Eu crio arte. Às vezes, arte verdadeira. E, às vezes, isso preenche os espaços vazios na minha vida. Alguns deles. Não todos. – Neil Gaiman

6. Amanhã pode ser tudo um inferno, mas hoje foi um bom dia de escrita, e em bons dias de escrita, nada mais importa. – Neil Gaiman

7. O mundo sempre parece mais interessante quando você acaba de criar algo que não existia antes. – Neil Gaiman

8. Escrever é fazer com que a vida faça sentido. Você trabalha a vida toda e talvez tenha conseguido encontrar sentido em uma pequena área dela. – Nadine Gordimer

9. Eu devo escrever tudo, a qualquer custo. Escrever é pensar. É mais do que viver, é viver conscientemente. – Anne Morrow Lindbergh

10. Não se escreve por se querer dizer alguma coisa, escreve-se porque se tem alguma coisa para dizer. – Scott Fitzgerald

11. Escreva o que não deve ser esquecido. – Isabel Allende

12. Escrever é quando vôo, escrever é quando começo incêndios. Escrever é quando tiro a morte do meu bolso esquerdo, atiro-a contra a parede e a pego de volta no rebate.- CharlesBukowski

13. Essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura. – CharlesBukowski

14. Escrever é uma maneira de falar sem ser interrompido. – Jules Renard

15. Escrevemos porque não queremos morrer. É esta a razão profunda do ato de escrever. – José Saramago

16. No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e o que é que estamos a fazer e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade. –José Saramago

17. Eu nem sequer gosto de escrever. Acontece-me às vezes estar tão desesperado que me refugio no papel como quem se esconde para chorar. E o mais estranho é arrancar da minha angústia palavras de profunda reconciliação com a vida.– Eugénio Andrade

18. Escrever é ter a companhia do outro de nós que escreve. – Vergílio Ferreira

19. Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada… Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro… – Clarice Lispector

20. Escrever te dá a ilusão do controle, até que você percebe que é só uma ilusão, que as pessoas irão trazer suas próprias impressões para dentro do que você escreveu. – David Sedaris

21. Escrever é uma forma socialmente aceitável de esquizofrenia. – E.L. Doctorow

22. O papel de um escritor não é dizer aquilo que todos somos capazes de dizer, mas sim aquilo que não somos capazes de dizer.- AnaïsNin

23. Escrevemos para saborear a vida duas vezes – no momento e em retrospetiva.- AnaïsNin

24. Enquanto escritor, as palavras são a sua tinta. Utilize todas as cores.- Rhys Alexander

25. Escreva sobre aquilo que sabe e aquilo que adora. Quando nos conseguimos expor no papel, chama-se a isso boa escrita.- Joel Chandler Harris

26. Escrever é a única coisa que, quando o faço, não sinto que deveria de estar a fazer outra coisa.- Gloria Steinem

27. Se não quer ser esquecido quando morrer, deve escrever algo que valha a pena ler ou fazer alguma coisa sobre a qual vale a pena escrever.- Benjamin Franklin

28. Qualquer pessoa pode fazer história. Mas apenas um grande homem pode escrevê-la. – Oscar Wilde

29. Se tem um livro que você quer ler, mas ainda não foi escrito, então você deve escrevê-lo – Toni Morrison

30. Não há maior agonia do que carregar uma história não contada dentro de você – Maya Angelou

E você, leitor, por que escreve? Concorda com os autores citados? Não? Comente nos dizendo o que o/a leva a escrever!

12 adaptações literárias estreladas por Robin Williams

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Augusto Assis, no Cabine Literária

No último dia 11, o cinema perdeu um de seus maiores atros. Robin Williams tinha 63 anos e sofria de depressão, o que o levou a cometer suicídio. Em homenagem à sua brilhante carreira, separamos alguns de seus trabalhos que foram adaptações de obras literárias. Robin Williams incorporou muitos personagens da literatura, de comédias a livros cult.

Imagem: Reprodução / Patch Adams.

Imagem: Reprodução / Patch Adams.

1 – Popeye
A começar pelo filme do Popeye (1980) que era originalmente um personagem dos quadrinhos Thimble Theatre, apesar de ser mais conhecido pelo cartoon. Robin Willians interpretava o próprio marinheiro na comédia musical.

2 – Tempo de Despertar
O drama Tempos de Despertar (1990) trata sobre um hospital psiquiátrico onde todos os pacientes estão “adormecidos”. O doutor Malcolm Sayer, interpretado por Robin Williams, consegue o emprego para cuidar desses pacientes e acredita que pode reanimá-los. O filme é baseado na obra de mesmo nome do autor Oliver Sacks.

3 – Teatro dos Contos de Fada: Princesa e o Sapo
A série, exibida no Brasil pela TV Cultura, fez parte da infância da geração de 1990. Cada episódio era dedicado a um clássico da literatura infantil e, logo na primeira temporada, tivemos a história da princesa e seu príncipe sapo, cuja atuação do príncipe foi feita por Robin Williams

4 – Sociedade dos Poetas Mortos
Em 1959 na Welton Academy, uma tradicional escola preparatória, um ex-aluno (Robin Williams) se torna o novo professor de literatura, mas logo seus métodos de incentivar os alunos a pensarem por si mesmos cria um choque com a ortodoxa direção do colégio, principalmente quando ele fala aos seus alunos sobre a “Sociedade dos Poetas Mortos”.

5 – O Pescador de Ilusões
O filme de 1991 é uma comédia dramática sobre um radialista que desilude um ouvinte sobre uma mulher que ele conheceu em um bar. O ouvinte, por sua vez, vai até esse bar e mata seis pessoas. Após isso o radialista larga a carreira e se torna alcoólatra. Anos depois, ele conhece um mendigo que teve sua esposa assassinada no mesmo bar no mesmo dia e enlouqueceu após isso. Robin assume o papel do mendigo nesse longa baseado no livro de Anthony Powell.

6 – Hook – A Volta do Capitão Gancho
Aos quarenta anos Peter Banning (Robin Williams), que um dia já foi Peter Pan, é um homem tão envolvido com o trabalho que deixou de dar atenção à família e esqueceu a sua origem. Mas o Capitão Gancho (Dustin Hoffman) seqüestra seus filhos, obrigando-o a retornar a Terra do Nunca.

7 – Uma Babá Quase Perfeita
Daniel Hillard (Robin Williams), um homem separado, se disfarça de mulher e vai trabalhar como babá de seus filhos, se utilizando do nome de Sra. Euphegenia Doubtfire, com a intenção de participar mais intensamente na vida deles. Uma das comédias mais queridas do ator foi baseada num livro (sabia disso? pois é) com o mesmo nome pela autora Anne Fine.

8 – Jumanji
Jumanji é um filme americano de 1995 baseado no livro de mesmo nome, um livro infantil de 1982 escrito e ilustrado por Chris Van Allsburg. A história descreve um jogo de tabuleiro com temática da selva, onde animais reais e outros elementos aparecem magicamente assim que um jogador joga os dados. No filme, Robin faz o papel do personagem principal, Alan, que fica preso durante anos dentro do jogo.

9 – Hamlet
Robin Williams interpretou o nobre Orisco no filme de 1996 adaptado da obra de William Shakespeare.

10 – A Gaiola das Loucas
A Gaiola das Loucas é uma comédia estadunidense de 1996 dirigido por Mike Nichols e estrelado por Robin Williams com roteiro baseado em peça teatral de Jean Poiret.

11 – Patch Adams – O Amor é Contagioso
O filme estadunidense do gênero comédia dramática, dirigido por Tom Shadyac é baseado em livros e na vida de Patch Adams e Maureen Mylander. Após uma tentativa de suicídio e voluntariamente ser internado em um hospital psiquiátrico, Hunter “Patch” Adams descobre um belo dom de poder ajudar as pessoas usando o bom humor. O filme, de 1998, é estrelado por Robin Williams e Nathan Lane.

12 – O Homem Bicentenário
O roteiro do filme é baseado num conto de Isaac Asimov e Robert Silverberg, do livro “The Bicentennial Man and Other Stories”, que mostra a trajetória de um robô em busca da liberdade. O filme tem como protagonista o robô Andrew (Robin Williams) em busca de liberdade e de se tornar, na medida do possível, um ser humano.

Nossa lista fica por aqui. Fica a indicação dos filmes (e dos livros também) para matar a saudade do ator e conhecer mais sobre seu trabalho. A equipe Cabine Literária sente muito a perda desse grande ator.

5 peças de Shakespeare que devemos ler

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O mundo criado por William Shakespeare em suas peças é imenso e denso, por vezes sendo difícil saber por onde adentrá-lo. Para isso, escolhemos as cinco melhores peças do bardo para quem quiser adentrar no seu mundo de loucura, vingança e sangue.

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José Figueiredo, no Homo Literatus

Shakespeare é o máximo e poucos são os que discutem tal afirmação. O homem (ou os vários, dependendo da teoria conspiratória que você acredite) foi capaz de criar um mundo de personagens fortes, complexos, engraçados e modernos.

Pessoas que se deixam levar pelas emoções, hesitantes, altamente manipuláveis estão no leque de criações do bardo inglês. O nível de complexidade – e de loucura – de alguns personagens é tamanho que ainda hoje são referência para a criação de personagens modernos.

Mesmo a crítica, feroz como só ela pode ser, tem a firme convicção de que ele, ainda hoje, é um dos nomes essências da Literatura Universal – ao ponto que Harold Bloom, professor de Yale e crítico literário, dizer que Shakespeare é centro de todo cânone ocidental.

Mas as peças são muitas e há Ricardos e Henriques demais, ficando difícil a escolha de uma peça. Para tanto, escolhemos cinco das melhores peças para quem quer adentrar no mundo shakespeariano. (Confesso que a lista é um tanto quanto pessoal da parte desse que vos escreve, porém não há lista de peças de Shakespeare que não o seja).

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A Megera Domada

Comecemos por uma comédia. Essa história é provavelmente a mais conhecida de forma indireta hoje. Há pelo menos duas grandes referências a ela para quem mora no Brasil: o filme 10 coisas que eu odeio em você, com Heath Ledger e Julia Stiles e a novela (sim, uma novela) O Cravo e a Rosa. Mesmo que não saiba, você conhece muito bem a história de Bianca, obrigada pelo seu pai, Batista, a casar-se apenas depois que sua irmã mais velha, Catarina, casar-se. No meio desse casamento impedido e do desespero de Lucêncio em casar com Bianca surge Petrúquio, alguém disposto a encarar um casamento com a megera do título para ter o volumoso dote que acompanha a esposa. Em meio a toda situação, damos muitas risadas das tentativas de Petrúquio em conquistar e convencer a perversa Catarina. Uma boa forma de se entrar no mundo do bardo com leveza, contudo sem negar a complexidade subjacente que pode haver por trás de uma história tão inocente.

Otelo

O ciúme e as conseqüências provocadas por ele são coisas que nos acompanham desde os gregos. No entanto, ninguém soube até hoje criar um homem tão ciumento e cego, capaz de agir sem pensar, do que Shakespeare. Otelo é nada mais do que isso: um homem ciumento em meio hostil (entre o racismo por ser mouro e a inveja por ser bem sucedido na condição de negro/pardo). Tudo, porém, não andaria se não houvesse o pior entre os vilões criados por ele: Iago. Quem traça o destino do mouro e da sua esposa, Desdêmona, é esse ser rancoroso que vai enganando o cego Otelo por meio de artifícios dúbios que apenas um homem cego vê. E para aqueles que se perguntam qual é o estopim para tamanha vingança de Iago, o motivo que surge ao lermos a peça mostra que Shakespeare conhecia a alma humana como poucos. Iago faz tudo e faz por ter sido deixado em segundo plano numa promoção, nada mais do que isso – e cá temos o motivo fútil hoje em dia tão debatido. Uma peça onde a tragédia corre para um desfecho terrível e nada podemos fazer além de acompanhar tudo até o final.

Rei Lear

Podemos dizer que existem histórias tão antigas quanto à própria humanidade, sendo esse o nosso caso em Rei Lear. Era uma vez um rei velho que decide dividir o seu reino entre suas três filhas para que estas e seus respectivos maridos cuidem deles e dele próprio. O resto, como é previsível aos mais lúcidos, é o resultado dessa decisão errada. Pessoas gananciosas não faltam e consequências horripilantes também não. Lear descobre que as pessoas que o amavam, na sua maioria, o faziam devido ao seu poder e descobre quem realmente merece seu amor e apreço – mesmo que para alguns seja tarde demais. Ele perde tudo com o decorrer da peça: seu reino, o respeito, a sanidade e muito mais. Uma linda peça composta com o que há de mais obscuro das ações humanas.

Hamlet

O príncipe da Dinamarca pode é provavelmente um dos personagens de Shakespeare mais conhecidos junto ao casal Romeu e Julieta. É dele, por exemplo, a famosa frase “ser ou não ser, eis a questão”. Entretanto, não podemos resumir o mais complexo dos personagens do bardo em um jargão já um tanto batido devido à complexidade e às múltiplas e por bem dizer infinitas interpretações que a peça gera ainda hoje. Em síntese, o enredo não parece ter nada demais: Hamlet, príncipe da Dinamarca, pretende vingar a morte de seu pai, também Hamlet. Para tanto, ele tem de matar Cláudio, atual rei e seu tio. Mas a coisa não fica por aí. Cláudio, para se tornar rei, casa-se com a rainha, mãe de Hamlet e o resto já se ver que não vai acabar bem. Entre o fantasma do rei morto e Ofélia, noiva do instável Hamlet há mais coisas que supõe nossa vã filosofia – para usar outra das famosas tiradas do personagem-título.

Macbeth

Apesar de não ser a melhor das peças para a maioria, devo admitir que esta é a favorita desse que vos escreve. Não há nada em excesso ou em falta nessa peça que gira em torno da crescente cobiça. Macbeth é um general que junto a Banquo, também general e amigo, acaba de vencer mais uma batalha para o rei Duncan da Escócia. Tudo vai bem até dois acontecimentos virarem a cabeça do nosso protagonista. Três bruxas surgem e fazem duas profecias a Macbeth e Banquo: Macbeth será rei, bem como os filhos de Banquo o serão, mesmo que ele não o seja. Tudo isso já seria o suficiente para esperarmos uma grande situação. Contudo, a grande personagem ainda está por surgir. Lady Macbeth, ao saber da profecia, incita o marido a matar o rei – e aqui a razão de ambos degringola de vez. O que temos depois é muito sangue – digno de um filme de Tarantino –, cobiça, vingança e loucura. Aquela que não deve ter seu nome pronunciado é o melhor exemplo de que todos somos manipulados – e ainda dá vazão ao velho ditado, “por trás de um grande homem há uma grande mulher”. Muito pode ser dito sobre essa peça e o principal seria: Leiam-na!

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