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Resenhas on-line falsas atrapalham vendas de livros na internet
0David Streitfeld, na Folha de S.Paulo
As resenhas de consumidores na Amazon, a gigante do comércio eletrônico, estão tornando-se armas destinadas a afundar novos livros assim que eles são publicados.
Na maior e mais bem-sucedida dessas campanhas, um grupo de fãs de Michael Jackson usou o Facebook e o Twitter para solicitar resenhas negativas para uma nova biografia do cantor. Eles bombardearam a Amazon com dezenas de avaliações falsas e conseguiram que vários comentários favoráveis ao livro fossem apagados.
“Os livros costumavam morrer ao serem ignorados, no entanto, hoje eles podem ser mortos –e talvez injustamente”, disse Trevor Pinch, sociólogo da Universidade Cornell em Ithaca, em Nova York. “Na teoria, um livro muito bom poderia ser morto por um grupo de pessoas por motivos torpes.”
Em “Untouchable: The Strange Life and Tragic Death of Michael Jackson” [Intocável: A estranha vida e a trágica morte de Michael Jackson], Randall Sullivan escreve que o uso excessivo de cirurgias plásticas por Jackson reduziu seu nariz a pouco mais que duas narinas e que o cantor morreu virgem, apesar de ter se casado duas vezes. Esses pontos enfureceram os fãs de Jackson.
Fora da Amazon, o livro teve uma recepção variada. Mas, no mercado, foi um fracasso.
Os fãs, que se autodenominam Equipe de Reação Rápida de Michael Jackson a Ataques na Mídia, dizem que estão exercendo seu direito à liberdade de expressão quando protestam contra um livro que eles consideram explorador e impreciso. Mas a editora da obra, a Grove Press, disse que o sistema de resenhas da Amazon está sendo alvo de abusos em uma campanha organizada. “Relutamos muito em interferir, mas é preciso haver transparência sobre os motivos das pessoas”, disse Morgan Entrekin, presidente da Grove/Atlantic.
A Amazon disse que as resenhas dos fãs não violaram suas diretrizes, mas não quis tecer outros comentários. A loja on-line, como outros sites que apresentam resenhas dos clientes, enfrentou o problema dos chamados “fantoches”, pessoas secretamente encarregadas por um autor de produzir comentários favoráveis. A Amazon esforça-se para remover resenhas de pessoas que considera próximas ao autor.
Já as resenhas “de ataque” são difíceis de policiar. É difícil detectar a diferença entre uma crítica autêntica e um autor tentando derrubar um colega ou ataques organizados de fãs.
Com “Untouchable”, a Grove esperava um modesto best-seller. O livro foi divulgado pela revista “Vanity Fair”, e Sullivan, que vive em Portland, em Oregon, promoveu a biografia em programas de entrevistas na TV. A Amazon selecionou a obra como um dos melhores livros de novembro.
Nada disso ajudou quando Sullivan fez suas queixas, dizendo que resenhas factualmente falsas dominavam a página. A livraria respondeu com uma mensagem padrão: “Fique tranquilo, leremos cada uma das resenhas e retiraremos qualquer uma que viole nossas diretrizes”. Em uma entrevista, Sullivan perguntou: “As pessoas devem ter a permissão para fazer comentários evidentemente falsos sobre o conteúdo de um livro ou seu autor?”.
Embora a maior parte de “Untouchable” concentre-se nos últimos anos caóticos da vida de Jackson, a obra é um retrato, de modo geral, simpático ao astro. Por exemplo, Sullivan tenta refutar a ideia de que o cantor tinha relacionamentos perturbadores com meninos. Mas, mesmo antes de o livro ser lançado oficialmente, em 13 de novembro, a Equipe de Reação Rápida de Michael Jackson a Ataques na Mídia declarou: “Está na hora de agir!”.
Em duas semanas, o livro tinha quase cem resenhas anônimas negativas. Um administrador do grupo de fãs, que se identificou como Steve Pollard, disse que atacar “Untouchable” era “uma responsabilidade moral”. Pinch disse que “conforme mais abusos vierem à luz, o efeito geral será um lento desgaste do processo”.
A Grove distribuiu 16 mil exemplares do livro. A Nielsen BookScan, que acompanha o comércio, contou somente 3.000 vendas.
Durante algum tempo em janeiro, “Untouchable” foi superado na Amazon por um livro sobre a linguagem corporal de Jackson, “Behind the Mask” [Por trás da
máscara]. Esse livro tinha algo a seu favor: o endosso dos fãs. “Michael Jackson ficaria contente por terem escrito um livro tão objetivo sobre ele”, escreveu um leitor na Amazon.
Johnnie Walker cria embalagem com participação dos fãs
0Bruno Garcia, no Exame
Nomes de escritores como Clarice Lispector, Ferreira Gullar, Monteiro Lobato, e de brasileiros comuns estarão juntos na edição limitada que chega às lojas em abril

Johnnie Walker: internautas podem acessar a fanpage da empresa e votar em frases e imagens de autores e artistas consagrados, como Clarice Lispector e Ferreira Gullar (Divulgação)
A Johnnie Walker cria uma edição especial em homenagem ao Brasil e convida os fãs da marca a co-criarem a nova embalagem. Os internautas podem acessar a fanpage da empresa e votar em frases e imagens de autores e artistas consagrados, como Clarice Lispector, Ferreira Gullar, Monteiro Lobato, entre outros.
As mensagens estão divididas em três temas, escolhidos para representar a alma do brasileiro: paixão, criatividade e beleza. Os participantes também serão convidados a votar em autores contemporâneos, que vão criar frases que dialoguem com os temas propostos.
A votação prossegue até o dia 14 de fevereiro e os primeiros 10 mil consumidores que participarem terão os nomes impressos na embalagem, juntamente com os artistas homenageados pela empresa. A edição especial chegará aos supermercados em abril.
dica da Luciana Leitão
À luz da preferência, livro digital tenta conquistar mercado no Brasil
0Cadu Caldas, no Zero Horas
Poucos títulos, acesso precário à internet e tributação fazem do e-book um produto ainda caro no país

Professora de inglês, Juliane vê no e-reader facilidade de ter obras estrangeiras que não encontra impressas no Brasil
Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS
Era imensa a expectativa dos consumidores com o lançamento no Brasil dos e-readers – aparelhos para leitura de livros digitais – Kobo Touch, pela Livraria Cultura, no começo de dezembro, e Kindle, da Amazon, poucos dias depois. A concorrência entre grandes livrarias prometia acirrar a disputa, aquecer o mercado e derrubar preços.
Quase um mês mais tarde, não foi o que ocorreu. Por enquanto, os leitores estão sendo mais atraídos pela novidade do produto do que pela economia que pode proporcionar.
É o caso da professora de inglês Juliane Garcia, 28 anos, que se reúne uma vez por mês com seus alunos em um clube de leitura, onde a regra é ler na plataforma digital.
– Às vezes, é complicado achar obras impressas em inglês. Com um e-reader eu acho qualquer exemplar, de maneira quase instantânea – comenta.
Juliane também encontra outras facilidades:
– Posso levar um monte de livros para a praia sem ocupar espaço na mala. Nem sinto falta do cheirinho do papel.
O preço não tão atrativo de um livro digital – além do custo do próprio e-reader – é apontado como um dos motivos para a opção eletrônica não deslanchar no país.
Se depender da situação atual do mercado, vai demorar para que ocorra uma mudança. Levantamento feito por ZH mostra que, para comprar oito dos 10 títulos de ficção mais vendidos do país na versão para o Kindle, o brasileiro economizaria apenas 0,42% em comparação ao que gastaria com livros de papel. Nos Estados Unidos, a economia seria de 44,4%.
A pesquisa foi realizada verificando o custo dos livros digitais em duas grandes redes de livrarias e o valor das edições em papel divulgados em sites de comparação de preços. Quando a cotação é feita com o Kobo, da Livraria Cultura, o resultado é ainda pior: o livro digital vendido pela rede é 10,6% mais caro do que o livro de papel.
No caso dos leitores digitais, os e-readers, a constatação é a mesma: o leitor brasileiro paga bem mais caro pelo mesmo produto. O Kindle custa R$ 299 no Brasil, mais do que o dobro que os americanos pagam: US$ 69 (cerca de R$ 140), em média.
Economia bem menor no Brasil
O Kobo custa por aqui R$ 399 ante US$ 149 (cerca de R$ 300) nos Estados Unidos. Assim, basta um leitor americano comprar os seis primeiros livros da lista de mais vendidos para o investimento no equipamento valer a pena. A partir do sétimo livro, já está economizando. No Brasil, o cálculo semelhante aponta uma economia bem menor. Seria preciso ler 369 obras para a compra do e-reader valer a pena.
Mesmo alheia a esses cálculos, Juliane percebeu na prática que os títulos nacionais não são muito baratos.
O preço alto no Brasil é pressionado em grande parte pelas editoras, responsáveis por estipular o valor de capa no país. Nos Estados Unidos, a redução do preço veio graças à força de um outro personagem na história: o escritor, que, em certos casos, pode negociar a exposição de sua obra diretamente com as livrarias virtuais.
– O mercado americano é muito mais maduro que o nosso. Lá essa negociação direta empurrou o preço do livro para baixo, obrigando as editoras a fazerem o mesmo – explica Ednei Procópio, integrante da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro e dono da editora Livrus.
dica do Jarbas Aragão
A briga pelo futuro dos livros
0Com a entrada de Amazon e Livraria Cultura na disputa por e-books, o mundo livreiro pode mudar radicalmente
Pedro Doria, em O Globo
Faz meses, já, que o mercado brasileiro vinha sendo aquecido para a chegada dos e-books. E, aí, tanto Livraria Cultura quanto Amazon se lançaram ao jogo no mesmo dia. Foi na última quarta-feira que o site da americana foi ao ar e que a brasileira fez uma festa em sua matriz, no Conjunto Nacional da Avenida Paulista, para lançar no mercado seu leitor de livros eletrônicos, o Kobo. Alguns dos acordos com editoras foram fechados em cima da hora. E, isso desaponta por certo os consumidores, os preços não são tão mais baixos assim. De cara, parece injusto. Mas é tudo resultado de uma dança complexa.
Hoje, o leitor que quiser comprar a edição eletrônica de uma obra tem algumas opções. Já existiam a livraria virtual Gato Sabido e a Saraiva. A Apple também estava no mercado. Com Amazon e Cultura, fecham em cinco os principais fornecedores. Os interesses de cada um destes atores, porém, são distintos.
Não raro, descrevemos na imprensa a Amazon como a maior livraria virtual do planeta. É verdade. Mas o negócio da Amazon não é vender Kindle ou livro. Pelo contrário. Tanto o leitor eletrônico Kindle, quanto os livros de papel, quanto os livros eletrônicos dão prejuízo. E o algoritmo da Amazon, o programinha por trás do site, é inteligente. Ele muda o preço a cada visita, fazendo minúsculos ajustes. Ele conhece o comportamento de cada cliente. A Amazon é uma máquina de seduzir. E seu truque é simples: ela ganha dinheiro vendendo outras coisas.
Por enquanto, a loja brasileira está apenas no ramo de e-books. O Kindle, cujo preço do modelo mais simples será R$ 299, é um chamariz. Ele só lê livros comprados na própria Amazon. A ideia é prender mesmo o consumidor, cultivar seus hábitos de contínuo retorno, para que um dia ele compre também um aparelho de TV ou qualquer outra coisa cara e lucrativa. Livros são a isca. (Também é possível ler livros da Amazon no iPad e tablets Android.)
A Apple está no ramo de livros eletrônicos por um segundo motivo. Ela deseja que seu tablet seja o mais completo possível. Se dispor de uma biblioteca bem fornida para venda incentivar a compra de iPads, está no ramo. Mas, para ela, é um negócio secundário.
Livrarias como a Barnes & Noble, nos EUA, e a Cultura, no Brasil, entram no jogo numa posição defensiva. Se o mercado da literatura digital é inevitável, melhor estar nele do que ver um concorrente novo ocupando o espaço abandonado.
O raciocínio natural seria, portanto, de que o consumidor ganha. Mas esta é uma equação arriscada. Do outro lado do negócio estão as editoras. Mesmo quando vende livros por preços muito abaixo do mercado, a Amazon repassa às editoras o mesmo valor combinado. Então, a princípio, não há prejuízo. O receio é que lentamente a gigante multinacional vá exterminando seus concorrentes ao mesmo passo em que habitua o consumidor a preços mais baixos. Concorrência predatória. Após alguns anos, as editoras se vêem forçadas a abaixar seus preços. Ficam menores.
Há quem diga que tirar poder das editoras é bom. Nos EUA, a facilidade de distribuir e-books permitiu o surgimento de inúmeros títulos que sequer passam por editoras tradicionais. Mas um detalhe: os best-sellers independentes costumam ser ficção de gênero. Thrillers, romances eróticos para mulheres, histórias de detetive. O que estiver na moda vende, o que não estiver é ignorado.
O argumento em prol das editoras é o da curadoria. Editores pescam boa literatura que talvez jamais tivesse chance e os colocam nas livrarias com um selo que garante qualidade. Equilibram estes custos, altos, com best-sellers. Mas, mesmo nestes casos, é preciso apostar. Mike Shatzkin, do New York Times, gosta de usar o exemplo de “Steve Jobs”, a biografia de Walter Isaacson. Custa mais de US$ 500 mil colocar um jornalista experiente para viajar por toda parte durante mais de um ano dedicado a pesquisa. Uma grande editora paga para que livros venham à vida. Num mercado de editoras encolhidas, isto não mais ocorre pois o risco é muito e o dinheiro, pouco.
É cedo para dizer quem tem razão. Mas o preço mais baixo agora não é, necessariamente, o melhor para quem gosta de livros.
Foto: Kobo / Divulgação
Livraria Cultura lança leitor eletrônico Kobo Touch no Brasil por R$ 399
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Kobo Touch, fabricado pela canadense Kobo, é visto em evento em Tóquio; aparelho custará R$ 399 no Brasil
Emerson Kimura, na Folha de S.Paulo
A Livraria Cultura anunciou nesta segunda (26) que venderá por R$ 399 o leitor de livros digitais Kobo Touch, trazido ao país em parceria com a fabricante do aparelho.
Consumidores que adquirirem o e-reader por meio da pré-venda, que começa nesta terça-feira (27), à 0h, por meio do site da livraria, receberão o aparelho no próximo dia 5 –quando o Kobo também chegará às lojas físicas da empresa.
Segundo a companhia, 12 mil títulos em português estarão disponíveis para aquisição e download para o dispositivo, entre os cerca de 1 milhão em outras línguas.
O aparelho tem memória interna de 2 Gbytes –expansíveis por meio de cartão SD– e suporta os formatos PDF, Mobi e ePub, além de imagens, textos em TXT, HTML e RTF e quadrinhos em CBZ ou CBR.
AMAZON
A Amazon, gigante norte-americana que fabrica os leitores Kindle, foi mencionada algumas vezes durante o evento de lançamento para a imprensa.
“Nós competimos com a Amazon globalmente, em vários países do mundo”, disse Todd Humphrey, vice-presidente executivo de desenvolvimento de negócios da Kobo.
A estratégia da Kobo é ter um parceiro forte em cada país, afirmou Humprhey. No Brasil, é a Livraria Cultura.
Sergio Herz, executivo-chefe da Livraria Cultura, reforçou o conceito de “read freely” (leia de maneira livre), que permite a leitura em aparelhos Kobo de livros comprados em outros dispositivos e plataformas. “E o livro é seu, você pode copiá-lo para outros aparelhos”, acrescentou, numa crítica implícita à Amazon, que tem uma política mais fechada –títulos comprados na loja virutal para o Kindle costumam ser compatíveis apenas com o próprio Kindle.
FUTUROS LANÇAMENTOS
Sobre a disponibilização de periódicos, Pedro Herz, presidente do conselho de administração da Livraria Cultura, disse: “Cabe aos jornais e revistas, não a nós, tomar a iniciativa de disponibilizar seus produtos em formatos eletrônicos”.
Sergo Herz revelou que a Cultura pretende lançar o tablet Kobo Arc, que diz ser mais adequado para a leitura de periódicos, no primeiro trimestre do ano que vem.
No mesmo período, devem ser lançados também o Kobo Mini, modelo de e-reader mais compacto, e o Kobo Glo, leitor com iluminação embutida.
Ainda não há previsão de data e preço para o Arc, o Mini ou o Glo.
foto: Yoshikazu Tsuno/France Presse



















