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Os livros de cabeceira de Bruce Springsteen

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André Barcinski, no R7

Um amigo mandou o link de uma entrevista de Bruce Springsteen para a seção de livros do “The New York Times”.

O papo revela bastante das influências literárias de Bruce e sobre como certos autores ajudaram a moldar suas letras. Gostei especialmente de saber que Cormac McCarthy e Jim Thompson fazem a cabeça do “Boss”.

Para quem lê inglês, a entrevista está aqui, na íntegra. E aqui vão os melhores momentos, traduzidos:

Que livros estão atualmente em sua cabeceira?

Acabei de ler “Moby Dick”, que me assustou por um bom tempo por causa do hype sobre sua complexidade. Mas achei o livro uma linda história de aventura, e nada difícil de ler. Um aviso: você terminará o livro sabendo mais sobre baleias do que sempre quis saber. Por outro lado, eu não queria que o livro acabasse. Também li “O Amor nos Tempos do Cólera”, de Gabriel García Márquez, que simplesmente toca em tantos aspectos do amor humano.

Qual o seu romancista favorito de todos os tempos, e o escritor favorito em atividade?

Gosto dos russos, das histórias curtas de Chekhov, de Tolstoy e Dostoyevsky. Nunca li nenhum deles até quatro anos atrás, e os achei psicologicamente modernos. Meus favoritos são “Os Irmãos Karamazov” e, claro, “Anna Karenina”.

Meus favoritos atuais: Philip Roth, Cormac McCarthy e Richard Ford. É difícil superar “Pastoral Americana”, “Casei Com um Comunista” e “O Teatro de Sabbath”. “Meridiano de Sangue”, de Cormac McCarthy, é um marco de minha vida de leitor. Para mim, é a combinação de Faulker com os faroestes spaghetti de Sergio Leone que dão vida ao livro. E adoro a maneira como Richard Ford escreve sobre New Jersey.

Que livros influenciaram sua decisão de se tornar um compositor ou contribuíram para seu desenvolvimento artístico?

Larguei a faculdade para virar músico, então não comecei a ler seriamente até os 28 ou 29 anos. Dali, comecei a ler Flannery O’Connor, James M. Cain, John Cheever, Sherwood Anderson e Jim Thompson, o grande autor noir. Esses autores contribuíram muito para mudar minha música entre 1978 e 82. Eles deram um senso de geografia e uma aura escura à minha escrita, ampliaram meus horizontes sobre o que se poderia fazer com uma canção pop e ainda são o modelo que tento seguir hoje.

Quem são seus músicos-autores favoritos?

No caso de livro de memórias, é difícil superar o amor pela música que brilha em “Vida”, de Keith Richards. Também achei a autobiografia de Eric Clapton surpreendentemente reveladora e tocante. E, claro, amei “Chronicles”, de Bob Dylan. Me fez orgulhoso de ser músico.

Quais os melhores livros sobre música que você leu?

No topo da minha lista permanecem “Mystery Train”, de Greil Marcus, seguido de perto por “Last Train to Memphis”, de Peter Guralnick. Também incluiria “Chronicles”, de Dylan, e um livro recente de Daniel Lanois, “Soul Mining”, que tem revelações sobre a produção de música que achei diferentes de qualquer outro livro.

Qual o último livro que te fez rir?

“The Lay of the Land”, de Richard Ford;

E o último livro que te fez chorar?

“A Estrada”, de Cormac McCarthy.

Se você tivesse de escolher um livro que te fez o que você é hoje, qual seria?

Escolher um só seria difícil, mas acho que as histórias de Flannery O’Connor caíram como uma bomba em cima de mim. Dá para sentir nelas a incapacidade de conhecer Deus, os mistérios intangíveis da vida que encontro todos os dias. Elas contêm o gótico sombrio de minha infância, mas me deixaram feliz por estar no centro desse quebra-cabeça negro, estrelas brilhando no céu, a Terra embaixo de nós – ou quase.

Você organiza um jantar para três escritores. Quem seria convidado?

Philip Roth, Keith Richards e Tolstoy — e um extra, Bob Dylan. Muita experiência de vida ali, e o papo em diferentes idiomas seria maravilhoso.

Que livros você relê de vez em quando?

Não costumo ler livros mais de uma vez, mas os romances de Jim Thompson, devido à concisão, força, violência e pureza, são capazes de me atrair de novo. São alguns dos melhores livros sobre crime já escritos. Amo James M. Cain e Elmore Leonard, mas Jim Thompson tem um lugar especial no meu coração.

O fim do mundo em 10 livros

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Veja como o apocalipse foi retratado na literatura por autores como Stephen King, José Saramago e Cormac McCarthy

Publicado no IG

Se a profecia se confirmar e o mundo realmente acabar nesta sexta-feira (21), quantos livros você terá deixado fechados na estante ou empilhados na mesa de cabeceira? Um número considerável, talvez, mas não desanime: se o apocalipse da vida real for minimamente semelhante aos narrados na literatura, há uma chance de você ser o único ou um dos poucos sobreviventes.

Nesse caso, você ainda terá tempo para ler, e personagens criados por autores como Richard Matheson e Cormac McCarthy poderão dar algumas dicas sobre como encontrar alimentos e combater canibais em um planeta destruído.

 

Reprodução

“O Último Homem”, de Mary Shelley

 

 

Pensando nisso, o iG separou uma lista de livros sobre o fim do mundo – que também valem a leitura mesmo se nada acontecer.

“Apocalipse”, livro final do Novo Testamento (45 e 90 d.C.): É intitulado e iniciado pela palavra “apocalipse” que, no grego, significa “revelação”, “descoberta”. O autor, identificado como o apóstolo João, descreve eventos futuros que foram revelados a Jesus Cristo, que passou tal conhecimento aos seus discípulos.

“O primeiro anjo tocou a trombeta. Granizo e fogo misturados de sangue foram jogados sobre a terra. A terça parte da terra virou brasa, a terça parte das árvores e toda erva verde. O segundo anjo tocou a trombeta. Foi lançada no mar como que uma grande montanha ardendo em chamas e a terça parte do mar se converteu em sangue. Morreu a terça parte das criaturas que vivem no mar e foi destruída a terça parte dos navios.”

“O Último Homem”, de Mary Shelley (1826):Da mesma autora de “Frankenstein”, o livro se passa no ano 2100. Lionel Verney, filho de uma família nobre lançada à pobreza, é o único sobrevivente de uma praga que, gradualmente, destruiu a humanidade.

“Enquanto isso, meu pai, esquecido, não conseguia esquecer. Ele lamentava a perda daqueilo que para ele era mais necessário do que ar ou comida – a excitação do prazer, a admiração dos nobres, a vida luxuosa e polida dos grandes. A consequência foi uma febre nervosa, durante a qual ele recebeu os cuidados da filha de um camponês pobre, que lhe ofereceu abrigo.”

“Eu Sou a Lenda”, de Richard Matheson (1954): Adaptado três vezes para o cinema, conta a história do único sobrevivente de uma epidemia de um vírus. Em Nova York, ele continua lutando por sua vida, ameaçada por humanos infectados que se transformaram em criaturas semelhantes a vampiros.

“Ele se deitou na cama e respirou a escuridão, torcendo para conseguir dormir. Mas o silêncio não ajudou muito. Ele ainda podia vê-los lá fora, os homens de rosto branco rondando sua casa, incessantemente procurando um jeito de entrar e chegar até ele. Alguns deles, provavelmente, agachados como cães, os olhos vidrados na casa, os dentes se mexendo devagar; indo e vindo, indo e vindo.”

“Na Praia”, de Nevil Shute (1957): Depois de a Terceira Guerra Mundial devastar a maior parte do planeta com ataques nucleares, alguns sobreviventes na Austrália são ameaçados por nuvens radioativas que se movimentam em sua direção. Quando um capitão de um submarino detecta um sinal vindo da região onde antes se encontrava uma cidade americana, tem início uma busca por possíveis sobreviventes.

“O tenente-comandante Peter Holmes, da Marinha australiana, acordou pouco depois do amanhecer. Ele ficou deitado, sonolento, por um tempo, embalado pelo quente conforto de Mary, que dormia a seu lado. Ele sabia, pelos raios de sol, que era por volta de 5h: muito em breve a luz iria acordar sua filha Jennifer, no berço, e eles teriam de levantar e começar os afazeres. Não havia motivo para começar antes disso; ele podia ficar deitado um pouco mais.”

 

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J.G. Ballard, autor de “O Mundo Submerso”

 

“Um Cântico para Leibowitz”, de Walter M. Miller Jr. (1960): Centenas de anos após uma guerra nuclear acabar com a maior parte da Terra, monges em um monastério no deserto americano tentam preservar livros que podem salvar o que sobrou da humanidade.

“Fervorosamente, Paulo rezara para que esse momento fosse como uma ponte sobre o abismo de doze séculos – e para que, através dele, o último cientista martirizado de uma era remota pudesse dar a mão ao porvir. Havia, na verdade, um abismo. Isso era claro. O abade sentiu de repente que não pertencia à era presente, que ficara encalhado num banco de areia ao longo do rio do Tempo, e que nunca houvera uma ponte.”

“O Mundo Submerso”, de J.G. Ballard (1962): A sacada do escritor britânico foi criar um protagonista que, ao contrário dos presentes na maioria dos livros sobre o apocalipse, não se sente perturbado, mas, sim, fascinado pelo caos que se instaurou sobre a Terra após uma catástrofe ambiental.

“Do balcão do hotel pouco após as oito horas, Kerans viu o sol despontar além das densas matas de gigantescas gimnospermas crescendo sobre os telhados das lojas de departamento abandonadas, a quatrocentos metros dali, do lado leste da lagoa.(…) O disco solar já não era há muito uma esfera bem definida, mas uma elipse, saltando no horizonte ocidental como uma colossal bola de fogo, seu reflexo tornava a superfície morta do lago em um escudo brilhante de cobre.”

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