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9 livros que estão em alta para incluir na sua lista de leitura

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De autobiografias a crônicas, poemas e obras que viraram filme

Juliane Romanini, no UOL

O mercado literário não para de lançar novidades para os apaixonados por narrativas reais ou fictícias. São dezenas de obras que tomam conta das prateleiras das livrarias e catálogos online, mas há sempre algumas que se sobressaem e conquistam a atenção do público – seja por seus personagens, história, autor ou assunto discutido .

Pra aqueles que procuram boas sugestões para passar o tempo ou simplesmente agregar conhecimento, veja 9 livros que estão em alta em 2018 :

Fome


Foto: Reprodução/Instagram @1livronovo | Reprodução/Instagram @globolivros / ObaOba

Roxane Gay sofreu abuso sexual aos 12 anos de idade e manteve esse segredo por muito tempo, um acontecimento que impactou (e impacta até hoje) sua vida. Após o ocorrido, a autora começou a lidar com vários problemas em relação ao seu corpo, e é neste livro autobiográfico intitulado ‘Fome’ que ela se abre de uma maneira profunda e sincera. Ao longo das páginas, Gay conta um pouco sobre sua batalha com a comida e julgamento alheio a fim de ajudar mulheres que estão em uma briga constante com si mesmas.

A Sutil Arte de Ligar o F*da-Se


Foto: Reprodução/Site Livraria Cultura / ObaOba

Há quem diga que praticar o otimismo 24 horas por dia não é a melhor opção para ser bem sucedido na vida – e aliás, uma dessas pessoas é Mark Manson . No livro ‘A Sutil Arte de Ligar o F*da-Se’ , o autor tenta aconselhar seus leitores sobre prioridades, estresse diário, angústias da vida moderna e até mesmo sobre inveja de um jeito descontraído. Para Manson, uma das maiores questões da vida é saber entender os seus limites e trabalhar de um jeito criativo uma verdade universal: você não é tão especial quanto pensa. A obra é uma ótima bíblia para lidar com fracassos, decepções e expectativas.

Outros Jeitos de Usar a Boca


Foto: Reprodução/Instagram @planetadelivrosbrasil | Reprodução/Instagram @planetadelivrosbrasil / ObaOba

Fenômeno mundial, Rupi Kaur já provou que seu dom mais natural de todos é se expressar através da poesia. A escritora, que é feminista assumida, fala sobre traumas, cura e abusos – assuntos que antes não eram tratados com a devida importância pelo mercado de livros . Kaur se torna uma amiga próxima através de suas palavras e toca profundamente até mesmo quem não tem um lado sentimental aguçado. A canadense, que nasceu na Índia, já tem dois livros lançados: ‘Outros Jeitos de Usar a Boca’ e ‘O Que o Sol Faz com as Flores’.

Textos Cruéis Demais para Serem Lidos Rapidamente


Foto: Reprodução/Instagram @textoscrueisdemais / ObaOba

Enquanto o imediatismo e a predominância de textos curtos aumenta entre as preferências da sociedade, o coletivo Textos Cruéis Demais para Serem Lidos Rapidamente luta contra isso. Conteúdos extensos, assuntos complexos e cutucadas em sentimentos frágeis são as principais características do grupo e do livro lançado por eles. É com calma e paciência que você irá digerir os textos cheios de alma e atitude da obra.

Na Minha Pele


Foto: Reprodução/Site Companhia das Letras | Reprodução/Instagram @olazaroramos / ObaOba

Movido pelo desejo de viver num mundo em que a pluralidade cultural, racial, étnica e social seja vista como um valor positivo, e não uma ameaça, Lázaro Ramos divide com o leitor suas reflexões sobre temas como ações afirmativas, gênero, família, empoderamento, afetividade e discriminação. Ainda que não seja uma biografia, em ‘Na minha pele’ Lázaro compartilha episódios íntimos e também suas dúvidas, descobertas e conquistas. Ao rejeitar qualquer tipo de segregação ou radicalismo, Lázaro nos fala da importância do diálogo. Não se pode abraçar a diferença pela diferença, mas lutar pela sua aceitação num mundo ainda tão cheio de preconceitos. Um livro sincero e revelador, que propõe uma mudança de conduta e nos convoca a ser mais vigilantes e atentos ao outro.

Atenção Plena


Foto: Reprodução/Site Saraiva / ObaOba

Ansiedade, estresse e exaustão são apenas algumas das características que impactam diretamente no foco e qualidade de vida do ser humano. Através do livro e o CD com meditações, o leitor terá a oportunidade de se libertar da pressão cotidiana e lidar com os problemas e dificuldades de uma maneira mais leve e menos torturante. Além disso, a obra ‘Atenção Plena’ explica de uma forma consistente o porquê da técnica mindfulness, que muitos consideram um estilo de vida, ser tão vantajosa e eficiente para os tempos atuais.

Propósito


Foto: Reprodução/Site Saraiva | Reprodução/Instagram @sriprembaba / ObaOba

Entre as diversas indagações mundanas do ser, a dúvida da existência terrena é uma das que mais fomentam sentimentos nas pessoas. Afinal, o crescimento individual de cada um é um caminho que precisa ser percorrido exatamente para quê? Em ‘Propósito’, Sri Prem Baba acalma a alma do leitor através de seus ensinamentos e dons naturais de enxergar a vida de uma forma ‘fora da caixa’. Ao longo dos capítulos, o mestre espiritual explica a essência do amor e porque é preciso cultivá-lo acima de tudo.

A Parte que Falta


Foto: Reprodução/Instagram @companhiadasletras / ObaOba

O livro ‘A Parte que Falta’ busca por completude e faz o leitor refletir sobre relacionamentos com a poesia singela de Shel Silverstein. O protagonista desta história é um ser circular que visivelmente não está completo: falta-lhe uma parte. Ao sair à procura do pedaço que lhe falta pelo mundo, ele acaba percebendo que a felicidade não está no outro, mas em nós mesmos.

O Conto da Aia


Foto: Reprodução/Site Saraiva / ObaOba

Escrito em 1985, o romance distópico ‘O conto da Aia’ , da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão (tornando-se propriedade do governo) e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump.

Edição 2016 do Pauliceia Literária aposta na crônica, diz curador

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Manuel da Costa Pinto, curador do Pauliceia Literária. Foto: Reprodução / Divulgação

Manuel da Costa Pinto, curador do Pauliceia Literária. Foto: Reprodução / Divulgação

 

Evento, com início nesta quinta-feira (15), homenageia Luis Fernando Veríssimo e reunirá, entre outros, Marcelo Rubens Paiva, Humberto Werneck e Fernando Bonassi

Daniel Benevides, na Brasileiros

Depois de um ciclo sobre a obra do cineasta Hector Babenco, morto recentemente, a Associação dos Advogados de São Paulo (AASP) abre suas portas para a terceira edição do Pauliceia Literária nessa quinta (15), a partir das 11 horas, com entrada gratuita (confira a programação). A primeira mesa será com o homenageado Luis Fernando Veríssimo, num bate-papo com outro cronista, Humberto Werneck. Para o curador Manuel da Costa Pinto, em conversa com CULTURA!Brasileiros, “a crônica é o gênero brasileiro por excelência”.

Animado com o evento, que expandiu bastante os temas debatidos desde um início mais ligado à literatura policial, Manuel tem uma teoria curiosa – e não menos pertinente – sobre a crônica, gênero bem representado no Pauliceia: “a crônica realizou melhor que a poesia modernista de 1922 a aproximação da literatura com a linguagem coloquial, esse sentido de anotação do pequeno no dia a dia, que casa muito bem com um país que tem a sensação permanente de deslocamento, entre a experiência europeia e o sentimento marginal, por assim dizer.”

Ele também acha que a crônica, com sua “retórica desinflada”, mudou, está hoje mais próxima da realidade imediata, menos ligada à banalidade do cotidiano, como era com Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e outros. “Agora há um grande interesse por análises da situação política, social e cultural, face à selvageria de opiniões na internet, por assim dizer.”

Além do espaço dedicado à crônica, Manuel destaca a discussão sobre desaparecidos políticos, presente principalmente na mesa que reúne os escritores Bernardo Kucinski e Julián Fuks, mas também com Marcelo Rubens Paiva, que recentemente laçou o livro Ainda Estou Aqui, sobre, entre outras coisas, o sequestro e assassinato de seu pai, o deputado Rubens Paiva, durante a ditadura.

O curador ainda ressalta a importância da participação de autores como Alan Pauls, para ele, “melhor escritor argentino em atividade”, que veio de Berlim, onde está escrevendo livro novo; e de Cristóvão Tezza, “escritor de obra muito consistente, nem sempre prestigiado como merecia”, cujo livro de ensaios Espírito de Prosa, “espécie de autobiografia intelectual, infelizmente pouco comentado”, considera genial.

Duas mesas chamam atenção pelo aspecto menos habitual. Em uma delas o poeta sul-coreano Oh Sae-Young, trazido em parceria com o Instituto Coreano de Tradução Literária, não publicado no Brasil, conversa com Moacir Amâncio, que se tornou um especialista em cultura judaica. “Ambos têm uma percepção da vida moderna, mas ao mesmo tempo um pé em tradições religiosas.” A outra junta duas escritoras com grande experiência no mercado editorial, Ana Luisa Escorel, designer e publisher da Ouro sobre Azul, que publica, entre outras, a obra de seu pai, Antonio Candido, e Milena Busquets, escritora catalã que trabalhou por muitos anos na editora Lumen, fundada nos anos 1960 por sua mãe, a também escritora Esther Tusquets Guillén.

Sobre a proliferação de festivais literários num país que lê pouco, Manuel considera que o público leitor é ainda proporcionalmente grande, dado o tamanho continental do Brasil. Mas reconhece que, com o formato proposto pela Flip, mais informal que os antigos eventos acadêmicos e menos comercial que as feiras de livros, o interesse do público “acaba mais voltado para o escritor enquanto personagem do que para a obra em si. É um fenômeno que revela um pouco o espírito do tempo, a maneira como as pessoas lidam com a cultura.”

Elvira Vigna, autora cultuada, que acaba de lançar o romance Como se Estivéssemos em Palimpsestos de Putas, cancelou sua participação no evento. Veronica Stigger, também uma escritora extremamente interessante, fará a mesa com o próprio Manuel como mediador. Complementam a ótima escalação do Pauliceia Literária Ana Miranda, Ana Cássia Rebelo, José Luís Peixoto e Raimundo Carrero.

10 livros incríveis para quem gosta de crônicas

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Obras são opções certeiras para quem gosta de leituras leves e pausadas

Publicado no Guia da Semana

Os livros, sem dúvidas, são portas que nos levam a mundos únicos dentro de nós mesmos. Por eles, conseguimos ir a diferentes países, conhecer diferentes culturas e, principalmente, entrar em contato com os aspectos mais profundos de nós mesmos.

Entretanto, nem todas as pessoas gostam de obras longas e densas, preferindo a leitura mais leve e curta, mas, ao mesmo tempo, intensa. Para essas, a dica são os livros de crônicas, que nos dão respiros entre uma e outra e nos colocam em um universo novo a cada uma delas.

Assim, o Guia da Semana lista 10 livros de crônicas incríveis que você deveria ler. Confira:

PARA ONDE VAI O AMOR?

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No livro “Para onde vai o amor?”, Carpinejar apresenta 42 textos sobre amor, desilusão amorosa, casamento, divórcio, saudade e outros sentimentos que compõem os relacionamentos. Gosta desses tipo de assunto? Então você não pode deixar de ler este livro.

PARA TODOS OS AMORES ERRADOS

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Em “Para todos os amores errados”, Clarissa Corrêa escreve sobre as desilusões de um romance avassalador. Entre os altos e baixos do fim de uma relação amorosa, a história é contada e sentida a partir de desabafos escritos em primeira pessoa. Com citações a personalidades do cotidiano atual, o texto pode adquirir um tom de veracidade e aproximação a cada página, criando uma intimidade com quem já sentiu ou passou pela mesma situação, em que o amar e ser amado não é responsabilidade de um só. Registrando todas as fases de um rompimento, a protagonista chora, se arrepende, fica aliviada, triste de novo, sente saudades, tem muita raiva, volta a amar o mesmo amor, se encontra e se desencontra várias vezes. Chega à etapa de se entender e respeitar, para poder, quem sabe, voltar a amar. Escreve crônicas e poemas que expressam seus sentimentos. Conta os detalhes da traumática separação, classifica os tipos de homem e declara independência

TRINTA E OITO E MEIO

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Estas crônicas, reflexões e desabafos, escritos com curiosidade sem fim, mas também com senso de humor, mostram os bastidores da cabeça e do coração de Maria Ribeiro. A atriz, que confessa, neste livro, o seu interesse (se não mesmo obsessão) pelas histórias dos outros, junta, em ‘Trinta e oito e meio’, textos que escreveu nos últimos anos, e que, com as ilustrações de Rita Wainer, formam um inesperado diário e um guia de viagem pela sua vida.

ESPERO ALGUÉM

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Com “Espero alguém”, Carpinejar, mais maduro, tanto profissional quanto emocionalmente, apresenta crônicas escritas após um período difícil de sua vida – o abandono pela mulher amada. O autor busca comprovar que ninguém está preparado para uma separação. ‘Espero alguém’ trabalha as duas separações do autor. Começa triste e, ao longo das paginas, o ânimo vai melhorando. No final, o alívio. As crônicas tratam da retomada – a superação do luto – provando que tudo passa. Um novo amor é quase uma certeza. E, se você não amar esse amor mais do que amou o que veio antes, provavelmente amará mais a si mesmo. Carpinejar mostra também as contradições do relacionamento – o que cada um precisa e pode fazer pelo outro. A importância da sedução mútua e a convivência com as críticas. Além disso, dá conselhos, como – ‘não fale mal até vinte dias após o termino. Se reatar, você estará desacreditado’.

SIMPLES ASSIM

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Por que complicar ainda mais? Acordou mal-humorado? Respire fundo, abra a janela e pense que no final do dia você encontrará seus amigos para um happy e dará boas gargalhadas. O carro quebrou no meio da rua? Sinalize e espere o guincho em segurança. O namoro está mais para morno? Chegou a hora de pôr um fim a relacionamentos que não levam a nada. Convidada frequentemente para (mais…)

56º Prêmio Jabuti: confira os vencedores (e a polêmica) da mais tradicional premiação literária

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Montagem/Facebook/Acervo Pessoal

Montagem/Facebook/Acervo Pessoal

Rodolfo Viana, no Brasil Post

Nesta quinta-feira (16), foram apurados os votos e anunciados os vencedores da 56ª edição do Prêmio Jabuti, a mais tradicional premiação literária no Brasil. E, mais uma vez, a apuração contou com uma polêmica: contrariando o regulamento, o jurado B não deu várias notas às obras das categorias Capa e Artes e fotografia, o que afetou o resultado final. Diante disso, a decisão da curadoria foi dar às obras a nota 8, a nota mínima do Jabuti.

Como é de praxe, a identidade dos três jurados de cada uma das 27 categorias permanece em sigilo até 18 de novembro, dia em que serão anunciados os vencedores do Livro do ano de ficção e Livro do ano de não ficção.

A’O Globo, Marisa Lajolo, presidente do conselho curador, afirmou: “A decisão vira jurisprudência para outros casos nesse ano, que espero que não aconteçam. Nos próximos anos será necessário incluir uma regra a esse respeito no regulamento.”

Além disso, na avaliação do curador Frederico Barbosa, o jurado B tentou manipular o resultado da categoria Contos e Crônicas, atribuindo nota 8 aos concorrentes mais famosos da categoria — Cristóvão Tezza, Luiz Vilela, Rubem Fonseca e Milton Hatoum. “Há um vício de julgamento. Cheira a manipulação. Mas a regra de limitar notas de 8 a 10 surtiu o efeito desejado pela CBL”, disse Barbosa.

A jornalista Raquel Cozer, da Folha de S.Paulo, afirmou em seu perfil no Twitter que, apesar das notas mínimas, os autores não foram afetados:

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Há um precedente para considerar tentativas de manipulação. Em 2012, o jurado C — mais tarde revelado como o crítico e editor Rodrigo Gurgel — distribuiu notas zero, o que colocou em xeque a legitimidade do resultado. Para que isso não voltasse a ocorrer, a organização limitou a nota mínima para 8.

CONFIRA OS VENCEDORES DAS PRINCIPAIS CATEGORIAS

Romance

1º lugar: ‘Reprodução’, de Bernardo Carvalho (Companhia Das Letras)

2º lugar: ‘A maçã envenenada’, de Michel Laub (Companhia Das Letras)

3º lugar: ‘Opisanie Świata’, de Veronica Stigger (Cosac Naify)

Conto e crônica

1º lugar: ‘Amálgama’, de Rubem Fonseca (Nova Fronteira)

2º lugar: ‘Você verá’, de Luiz Vilela (Editora Record)

3º lugar (empate): ‘Nu, de botas’, de Antonio Prata (Companhia Das Letras)

3º lugar (empate): ‘Um solitário à espreita’, de Milton Hatoum (Companhia Das Letras)

Poesia

1º lugar: ‘Bernini – Poemas 2008-2010’, de Horácio Costa (Demônio Negro)

2º lugar: ‘Ximerix’, de Zuca Sardan (Cosac Naify)

3º lugar: ‘Jardim das delícias’, de Marcus Vinicius Quiroga (Marcus Vinicius Quiroga)

Biografia

1º lugar: ‘Getúlio – Do governo provisório à ditadura do Estado Novo (1930-1945)’, de Lira Neto (Companhia Das Letras)

2º lugar: ‘Wilson Baptista: o samba foi sua glória!’, de Rodrigo Alzuguir (Casa da Palavra)

3º lugar: ‘O castelo de papel’, de Mary del Priore (Rocco)

Reportagem

1º lugar: ‘1889’, de Laurentino Gomes (Editora Globo)

2º lugar: ‘Holocausto Brasileiro’, de Daniela Arbex (Geração Editorial)

3º lugar: ‘Um Gosto Amargo de Bala’, de Vera Gertel (Editora José Olympio)

Infantil

1º lugar: ‘Breve História de um Pequeno Amor’, de Marina Colasanti (FTD)

2º lugar: ‘Da Guerra dos Mares e das Areias: Fábula Sobre as Marés’, de Pedro Veludo (Quatro Cantos)

3º lugar: ‘Poemas que Escolhi para Crianças’, de Ruth Rocha (Editora Moderna)

Juvenil

1º lugar: ‘Fragosas Brenhas do Mataréu’, de Ricardo Azevedo (Ática Editora)

2º lugar: ‘As Gêmeas da Família’, de Stella Maris Rezende (Editora Globo)

3º lugar: ‘Uma Escuridão Bonita’, de Ondjaki (Pallas Editora)

Tradução

1º lugar: ‘A Anatomia da Melancolia’, tradução de Guilherme Gontijo Flores (Editora UFPR)

2º lugar: ‘Antologia da Poesia Clássica Chinesa’, tradução de Ricardo Primo Portugal (Editora Unesp)

3º lugar: ‘O Capital: Crítica da Economia Política, Livro I: O Processo de Produção do Capital’, tradução de Rubens Enderle (Boitempo Editorial)

Raquel Cozer divulgou a lista completa dos vencedores na Folha.

Lya Luft: “Tenho esse olhar de ver o mágico em tudo”

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Novo livro da escritora já figura entre os mais vendidos

Novo livro da escritora já figura entre os mais vendidos

Verena Paranhos, no Portal A Tarde

Aos 75 anos, Lya Luft encontrou uma maneira de contar para si mesma a história da passagem do tempo. Em seu novo livro, O Tempo é um Rio que Corre, que já figura nas listas de mais vendidos do País, a escritora gaúcha apresenta textos curtos e poemas em que fala diretamente ao leitor e resgata histórias e momentos de diversas fases de sua vida. Revirando a memória, Lya passeia pela infância, adolescência e maturidade, fases que “têm momentos encantadores e coisas um pouco mais chatas”. A autora considera o lançamento como o “irmão mais moço” de outros três livros: Rio do Meio, de 1996, Perdas e Ganhos, de 2003, e Múltipla Escolha, de 2010, por abordar o que chama de seus mesmos temas de sempre. Nesta entrevista, concedida por telefone, de Porto Alegre, onde mora, ela fala sobre o novo livro, questões relacionadas ao tempo e ao processo de escrita, além de envelhecimento e morte.

A senhora começou escrevendo poemas, depois contos, romances, ensaios e crônicas. Foi a maturidade de vida ou a literária que lhe trouxe ao formato de O Tempo é um Rio que Corre?
Foi todo um caminho natural, nunca projetei ‘agora vou fazer romance, poesia’ ou esse tipo que eu chamo ensaio não literário. Se me dá prazer, vou e faço. Esse livro é o irmão mais moço de outros anteriores. São os meus mesmos temas de sempre, o drama existencial humano, a passagem do tempo, o amor, a solidão, a morte, o encontro, a fatalidade, enfim, todo o trabalho da existência humana. Só que, desta vez, sem personagens, sem uma trama, um romance. Gosto muito de falar direto ao leitor.

A epígrafe do livro traz: “Nada é banal (a gente é que esquece)”. Que memórias foram reviradas no processo de escrita, que a senhora tinha esquecido inconscientemente ou feito questão de esquecer?
Não houve isso conscientemente. São as histórias da minha infância, que em geral são meio engraçadas, as experiências da adolescência. São memórias com as quais eu convivo sem nostalgia. Fazem parte da minha história, qualquer pessoa tem a sua história. Você é o teu presente, é o teu passado e dentro de tudo isso também está contido o teu futuro.

Se a senhora pudesse voltar a uma fase da vida, qual seria?
Cada uma dessas fases tem momentos encantadores e coisas um pouco mais chatas. Na infância todo mundo manda em você. Na adolescência, você tem que tomar um monte de decisões para as quais ainda não tem maturidade. Na maturidade precisa cumprir uma série de preceitos e deveres. O começo da velhice está sendo um período muito tranquilo. Quando você já teve filhos, fez vestibular, mostrou serviço na profissão, então tem essa água mais mansa, período de mais serenidade, de poder fazer coisas com mais tempo.

A ideia da morte chega a ser um incômodo nessa fase de vida?
Ninguém gosta de morrer. Eu, por mim, não morreria, mas é inevitável. Na velhice você tem que lidar com coisas negativas como ver que as pessoas estão morrendo e que realmente o tempo vai ficando mais curto. Mas eu não fico pensando muito na questão da morte. Acho que, de certa forma, a morte está sempre nos espreitando e isso torna a vida interessante. A morte faz parte de tudo. O que dói e que a gente não quer é a separação. Eu não quero me separar de ninguém, não quero que ninguém vá embora, mas como é uma coisa inevitável, acho que também o amadurecimento e o envelhecimento devem ser uma forma de lidar melhor com isso. Por isso digo que cada um inventa a sua vida e de certa forma inventa sua morte.

Um dos sentimentos que o livro deixa é de que a vida é sobretudo efêmera. Como a senhora procura lidar com esta questão no seu cotidiano?
Talvez escrever esse livro tenha sido uma maneira de verbalizar. Sempre dizem, a base da terapia é a palavra. Se você diz o nome do fantasma, ele empalidece. Foi uma maneira de contar para mim mesma essa história da passagem do tempo. Acho que eu lido bem, com muita naturalidade. Me considero uma pessoa sem grande ambição. Vejo as mulheres tão aflitas com a passagem do tempo. Mulheres de 15, de 30, de 40 anos já se atormentando, porque acham que estão envelhecendo, que têm a primeira ruga, que o cabelo está ficando branco. Acho que a gente deve se cuidar, mas esse desespero, esse endeusamento da juventude me dá muita pena, porque no fundo você não consegue curtir seu momento presente

Em algum momento sentiu necessidade de fazer análise?
Fiz alguns anos terapia quando fiquei viúva a primeira vez, aos 49 anos. Era casada com o psicanalista Hélio Pellegrino. Ele morreu de repente e foi um período muito difícil. Voltei para Porto Alegre, onde moro agora. Depois, me casei de novo com o pai de meus filhos e, em seguida, ele teve um acidente vascular cerebral e ficou três anos completamente inválido. De novo foi muito difícil, eu fiz terapia, que me ajudou muito para ter qualidade de vida.

De alguma forma isso está presente na sua escrita?
Não como terapia profissional, mas acho que sim na medida em que meus personagens falam por mim. Eu não tive a vida dos meus personagens, nem aquelas famílias neuróticas, desgraças todas, mas, de certa forma, meus personagens são um pouco vozes minhas, vozes das coisas que observo no mundo, em mim, nos outros.

A infância é uma época que tem bastante peso no novo livro. Como os momentos vividos ainda em um universo meio mágico, onde tudo é possível, podem ser significativos e dar lições para toda a vida?
A minha infância foi muito cheia de magia, tenho esse olhar de ver o mágico em todas as coisas. Até hoje tenho muito isso ainda. Morava numa casa grande, numa cidade pequena, tinha um jardim enorme, que eu povoava de fadas, duendes. Acho que muitos artistas, de qualquer ramo das artes, que têm esse gênero mais intimista como o meu, são pessoas que conservaram um pouco o olhar mágico da infância. Isso é uma característica minha e tenho a impressão que toda a minha obra de certa forma se enraíza nessa visão mágica da infância. Os meus livros têm alguma coisa de misteriosa, portas fechadas, sótãos, porões, vozes, vultos, que de certa forma marcam a literatura mágica.

Nos últimos dez anos a senhora lançou um livro por ano, muitos dos quais figuraram nas listas de mais vendidos por muito tempo. A que atribui esse sucesso editorial?
Um pouco sorte, um livro certo na hora certa, coisas que o leitor gostaria de escutar, uma carreira já longa. Sinceramente não sei, porque é uma coisa imponderável. Acho completamente aleatório, não existe uma explicação porque um livro vende mais, um livro vende menos. Tenho tido muita sorte. Tenho também leitores fiéis. Sai um livro e sei que sempre tem muita gente esperando.

É um ritmo pesado publicar um livro por ano?
Meus livros são breves, são livros pequenos. Eu hoje em dia não trabalho muito, mas já trabalhei. Traduzia ferozmente horas e horas por dia, mas nos últimos anos eu realmente trabalho muito pouco, só quando me dá prazer. Eu só escrevo livro quando ele quer ser escrito. Em geral eu trabalho de manhã. À tarde, fico “preguiçando”, também pinto. Estou numa fase muito tranquila da vida, mas escrever nunca foi pesado para mim. Sempre foi, apesar de ser minha profissão, um prazer, um divertimento, uma coisa muito lúdica. No fundo, eu escrevo primeiro para mim mesma, depois para o leitor. Quando eu era criança, tinha muito amigo imaginário. A essa altura da vida, acho que o leitor é um amigo imaginário. Eu converso com ele, sei o que o leitor sente.

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