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Seria irresponsabilidade manter a Fnac, diz presidente da Livraria Cultura

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SÉRGIO HERZ: Presidente da Livraria Cultura aposta em maior inserção no universo digital para conseguir retomar o rumo da empresa / Divulgação (Gabriel Rinaldi/Divulgação)

Sérgio Herz, que comprou operação da Fnac em 2017, diz que marca ficou inviável inclusive na internet e vai aproveitar base de clientes.

Mariana Desidério, na Exame

São Paulo – A Livraria Cultura fechou na semana passada a última loja da rede de livrarias Fnac no Brasil, e encerrou as vendas no site da marca francesa. Segundo o presidente da Cultura, Sérgio Herz, a manutenção das lojas tornou-se inviável.

A operação da Fnac foi comprada pela Cultura em julho do ano passado. A companhia brasileira recebeu 130 milhões de reais para assumir a rede francesa no Brasil, que acumulava prejuízos e estava comprometendo os resultados globais da Fnac Darty, companhia de capital aberto e dona da marca.

A Fnac Darty chegou a dizer em relatório que a Cultura tinha “um ambicioso plano para a Fnac” e iria “construir um nome forte, por meio de um combinação de dois grupos criando valor e sinergias”.

No entanto, com a crise do mercado, a manutenção das lojas seria uma “irresponsabilidade”, disse o presidente da Livraria Cultura.

“Com a deterioração do cenário econômico brasileiro e o encolhimento dramático do mercado editorial como um todo, encolhimento da ordem de 40%, ficou claro para mim que não seria mais possível manter lojas físicas com fraco desempenho, muito menos lojas que trouxessem prejuízos”, afirmou Herz por e-mail.

O empresário detalhou que, pelo acordo firmado na venda, a Cultura precisaria pagar royalties à rede francesa pelo uso da marca Fnac, mesmo com lojas deficitárias, o que também pesou na decisão de encerrar as operações.

“Julgamos que a melhor saída seria otimizar a base expandida de clientes com a vinda da Fnac e incluir, num futuro próximo, novas categorias de produtos nas lojas da Livraria Cultura”, disse.

A Fnac chegou ao Brasil nos anos 1990, e tinha 12 lojas em operação, todas com amplos espaços em pontos comerciais valorizados (e caros) – opção semelhante à da própria Livraria Cultura. A operação tinha necessidade de grande volume de capital de giro, já que, além dos livros, apostava na venda de eletrônicos.

A Fnac Darty reportou faturamento de 7,4 bilhões de euros em 2017, e lucro líquido ajustado de 54 milhões de euros. O Brasil representava menos de 2% do volume de vendas total da companhia.

Veja a seguir os principais trechos da entrevista com Sérgio Herz, presidente da Livraria Cultura:

A Livraria Cultura fechou a última loja da Fnac no Brasil e também encerrou as operações do site. Quais os planos para a marca Fnac no Brasil? Há intenção de abrir novas lojas em outros locais no futuro?

Em 2017 compramos as posições da rede francesa no Brasil, algo que já vinha sendo discutido há muito tempo. Naquele momento, conseguimos fechar um negócio interessante: tivemos a possibilidade de ampliar bastante a nossa base de clientes e a nossa oferta de produtos. Com a deterioração do cenário econômico brasileiro e o encolhimento dramático do mercado editorial como um todo, encolhimento da ordem de 40%, ficou claro para mim que não seria mais possível manter lojas físicas com fraco desempenho, muito menos lojas que trouxessem prejuízos. Seria uma irresponsabilidade minha tentar manter isso no meio de uma recessão como a que vivemos.

Além disso tudo, a marca não nos pertence, ou seja, pelo acordo firmado na venda, em breve teríamos que começar a pagar royalties por uma rede de baixo desempenho. Julgamos que a melhor saída seria otimizar a base expandida de clientes com a vinda da Fnac e incluir, num futuro próximo, novas categorias de produtos nas lojas da Livraria Cultura. Tomadas essas decisões, encerramos não só as lojas físicas, mas o site da Fnac.

O que o fim das lojas Fnac expõe sobre o mercado de livrarias no Brasil e como a Livraria Cultura tem lidado com esse cenário?

Estamos, todos nós, profissionais do setor, atravessando um momento difícil. Além dessa crise econômica profunda, cercada de incertezas e sem diretrizes claras, temos também a mudança de comportamento bem visível da parte do cliente, que está comprando cada vez mais pela internet. Há também as mudanças no varejo como um todo. Cada vez mais as pessoas estão indo para ambientes de compra digitais, essa é a verdade.

O preço do livro no Brasil está defasado há muitos anos. De 2014 até o fim de 2017, a inflação acumulada foi de aproximadamente 32%, enquanto o preço do livro subiu somente 7%. Como se vê, houve um aumento claro de custos e uma forte queda nas receitas. Enfim, a soma de todos esses fatores traz muita insegurança não apenas para as livrarias, mas para toda a cadeia de produção do livro. Estamos todos implicados e precisamos encontrar soluções sensatas, negociadas.

Quais os planos da companhia para as lojas físicas da Livraria Cultura?

Quero trabalhar com poucas, mas ótima lojas. Estamos, atualmente, com 15 pontos físicos na Livraria Cultura. Me parece um bom tamanho para o momento. Iremos transformar a antiga Fnac Goiânia numa nova Livraria Cultura, no primeiro semestre de 2019. Assim estamos nos preparando para ser uma rede mais enxuta, mais dinâmica, mais atraente para os clientes.

A Cultura inovou ao criar teatros em suas livrarias, estimulando eventos e temporadas de qualidade. Levamos gastronomia para nossas lojas. Em 2015, abrimos o estrelado restaurante Manioca na nossa loja do Shopping Iguatemi, na capital paulista. Recentemente, inauguramos um laboratório de criatividade e inovação, numa parceria com a Faber Castell, dentro da nossa loja do Shopping Market Place, também São Paulo. Iremos inaugurar em novembro mais um restaurante na loja do shopping Bourbon de São Paulo, no bairro da Pompéia. Acreditamos nessa forma de atrair o cliente para o mundo físico, oferecendo a ele algo que é muito mais do que apenas passar pelo caixa e colocar um produto na sacola.

Nossos consumidores vão continuar a ter ótimos motivos para frequentar nossas lojas físicas: um acervo maravilhoso, um serviço ao cliente melhor ainda, uma programação cultural de alto nível, um ponto para um bom café ou um drink, uma mesa para uma refeição leve e transada, espaços divertidos para crianças, até porque leitores são formados desde pequeninos… enfim, estes são os nossos planos.

Quais os planos da Cultura para reforçar sua operação online?

Esperamos crescer em média 20% nos próximos anos. Estamos concentrando esforços para construir um site muito mais moderno, atraente, dinâmico, integrando operações com a Estante Virtual, que é o maior marketplace de livros usados da América Latina. A Estante Virtual, empresa hoje no nosso grupo, é o exemplo de que acreditamos muito no reuso de produtos e na economia compartilhada. Criamos um laboratório de inovação digital, o Eva Labs, sediado no Rio, dentro da Estante Virtual, cuja missão é exatamente a de construir novas soluções para os desafios do varejo na era do e-commerce. Nossos engenheiros estão trabalhando a todo vapor.

A Livraria Cultura tem atrasado pagamentos a editoras. Quais os planos da companhia para regularizar a situação?

Infelizmente, é verdade. Por sete décadas, a Livraria Cultura teve um histórico de honrar seus compromissos. Mas, ao navegar essa crise horrível, tivemos que atrasar pagamentos, sim. Tem sido uma situação muito dolorosa para a empresa, mas temos planos consistentes para voltar à situação normal.

Ex-funcionários da Fnac fizeram um protesto e reclamam que não receberam multa rescisória. O que a empresa diz sobre isso?

Entendo e respeito o protesto, mas, como já disse, estamos no caminho da normalização de todos os nossos compromissos com fornecedores e, claro, ex-funcionários. Serão indenizados.

A Saraiva, também em crise, iniciou um processo de reestruturação operacional. A Cultura pensa em fazer o mesmo?

Já fizemos nossa reestruturação com a ajuda da consultoria Heartman House. Agora estamos trabalhando na estrutura de capital para normalizar nossas operações.

Qual foi o faturamento da Cultura em 2017 e previsão para 2018? Qual o tamanho da dívida da companhia? E números de lucro/prejuízo?

Não informamos esses números.

A Cultura recentemente comprou a Estante Virtual. Há intenção de fazer novas aquisições?

A compra da Estante foi estratégica, pois estávamos querendo muito entrar no mercado do livro usado. É uma empresa enxuta, opera como uma plataforma, portanto, com custo operacional muito baixo, e é rentável. No momento, não temos intenção de novas aquisições. A hora é de arrumar a casa para os nossos clientes.

Financiamentos afundam os estudantes nos EUA: dívidas superam 5,9 trilhões de reais

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Cerimônia de graduação em uma instituição educacional do Texas. Chelsey Cox AP

Carga financeira para cursar a universidade obriga os recém-formados a adiar por vários anos investimentos como a compra da casa própria

Sandro Pozzi, no El País

A geração Y, a que nasceu entre meados dos anos 1990 e começo do novo milênio, está afundada em dívidas nos Estados Unidos. O dado do Federal Reserve sobre a situação financeira das famílias é preocupante. Quatro de cada dez pessoas que concluíram os estudos universitários têm de devolver algum tipo de empréstimo. O total acaba de superar 1,5 trilhão de dólares (5,9 trilhões de reais), um montante que ultrapassa a riqueza de uma economia avançada como a da Espanha.

A dívida universitária supera tranquilamente o 1,1 trilhão (4,3 trilhão de reais) em financiamentos para a compra de automóvel. Também a que se acumula nos cartões de crédito, que se aproxima do trilhão. O problema, como mostram as estatísticas do banco central dos Estados Unidos, é que esses empréstimos se combinam. A dívida média do recém-formado chega a 28.400 dólares (cerca de 112.000 reais), segundo The College Board. A cifra é maior para os estudantes que vão para universidades privadas.

As mulheres devem dois terços do total, de acordo com cálculos que utilizam como referência o relatório do Fed correspondente ao primeiro trimestre e outras instituições. A American Association of University Women (AAUW), uma organização que promove a educação entre as adolescentes, explica que a predominância feminina se deve em parte ao fato de haver mais mulheres matriculadas do que homens. Elas representavam 56% do total em 2016. E também porque pedem mais empréstimos.

A brecha de gênero na dívida estudantil explica por que uma recém-formada deve em média 2.740 dólares (10.700 reais) a mais do que um homem. Os dados também mostram que elas devolvem o valor mais lentamente, o que significa que acabam pagando mais em juros. “É um problema ao qual não se presta atenção”, afirma a AAUW, que o atribui à menor renda disponível das mulheres para quitar a dívida.

O custo médio da matrícula em uma instituição pública é de 14.210 dólares (55.700 reais) se o estudante permanecer em seu Estado. Essa cifra sobe para 20.090 dólares (78.800 reais) quando se inclui o gasto com acomodação. A diferença também se explica pelas bolsas disponíveis conforme a origem do aluno. Os preços sobem mais rápido que a inflação, a um ritmo superior a 10% nos últimos cinco anos.

Atrasos nos pagamentos

Há mais de 44 milhões de norte-americanos que carregam algum tipo de dívida desde o período de estudos. O volume total cresce a um ritmo vertiginoso. Há dez anos beirava 640 bilhões de dólares (2,5 trilhões de reais). Duplicou em 2012, e os fatores que impulsionaram essa escalada não vão desaparecer com o Fed elevando as taxas de juros, a ponto de os especialistas verem aí uma bolha como a hipotecária de 2008.

O pagamento mensal médio do financiamento se aproxima dos 400 dólares (1.570 reais), estima o Fed. Em termos gerais, 20% o fazem com o atraso. Os que têm mais problemas são os que optaram por não concluir os estudos. Esta carga, por sua vez, ameaça retardar investimentos para o futuro, como a compra da casa própria. O índice de propriedade está em 21%, em comparação com 32% antes da recessão.

O salário médio para os novos recém-formados beira os 50.000 dólares anuais (196.000 reais), segundo um estudo da empresa Korn Ferry. É 14% maior do que para o grupo que terminou antes da recessão. Mas, como observa a National Association of Realtors, a compra da casa própria está sendo adiada em sete anos por causa da dívida. Em paralelo, indica o Fed, aumentou em 45% o número de jovens que permanecem na casa dos pais.

Aliviar a dívida

O aumento das matrículas, a estagnação dos salários e o corte dos investimentos públicos em educação superior fazem com que as famílias norte-americanas dependam mais dos financiamentos. A American Student Assistance acrescenta que essa situação leva muitos a optarem por adiar sua formação. Por isso, pede aos congressistas que reduzam a carga financeira dos estudantes.

O Institute for Higher Education Policy afirma que esse nível de endividamento representa um fracasso na hora de enfrentar a desigualdade que domina o sistema educacional dos Estados Unidos.Uma mudança legislativa que permita aliviar a situação cancelando parte da dívida, segundo cálculos do Levy Economics Institute, resultará em cerca de 100 bilhões de dólares para o crescimento econômico a cada ano.

Ex-interna e prestes a se formar na Universidade, hoje ela dá aulas a jovens infratores

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Ravena Carmo, de 27 anos, é ex-interna do Centro de Atendimento Juvenil Especializado, em Planaltina (DF).

Ravena Carmo, de 27 anos, é ex-interna do Centro de Atendimento Juvenil Especializado, em Planaltina (DF).

“É uma dívida que eu tenho com a educação”, disse a estudante.

Publicado no Razões para Acreditar

A ex-interna do Centro de Atendimento Juvenil Especializado foi presa aos 14 anos por tentativa de homicídio. Felizmente, o tiro que ela disparou contra a vítima não foi fatal.

Antes de cumprir a pena máxima de três anos, ela já tinha passagem por falsidade ideológica, porque havia usado documentos falsos. E tudo isso por causa do envolvimento com o tráfico de drogas. “No começo da adolescência, eu não tive apoio da minha família e ainda sofria bullying por ser gordinha. Então, de uma certa forma, o crime me seduziu, me empoderou”, disse ela.

Ravena reconhece que não achava que sua vida sofreria uma reviravolta: “Eu não achava que minha vida ia mudar da forma que mudou”. Perto de completar 18 anos, ela ainda flertava com as drogas. Até o dia em que ela resolveu procurar emprego e passou a ser vendedora de loja.

Ela trabalhou por dois anos e juntou o dinheiro da rescisão do emprego para pagar aulas de reforço escolar e estudar para o vestibular. “O dinheiro acabou e eu não passei na primeira tentativa. Mas aí recorri a videoaulas no YouTube e estudei em casa, com muito empenho”, lembra.

O resultado da segunda prova a pegou de surpresa: um primeiro lugar no curso de Matemática da Universidade de Brasília (UnB). Mesmo com todas as dificuldades, Ravena, que é mãe de Miguel, de cinco anos, alcançou o seu objetivo.

Mas, o começo não foi fácil. Ela pensou em desistir várias vezes por não conseguir acompanhar as aulas. “Chorava no banheiro porque não conseguia acompanhar. Pensei em desistir várias vezes”, admitiu.

A ex-interna superou as dificuldades e se inscreveu em um programa da UnB, para aulas no sistema socioeducativo. Há quatro anos, Ravena ensina jovens que a fazem lembrar de como ela era dez anos atrás. “Eles não acreditam em como consegui sair do crime. Quando falo que estive no lugar deles, todos se surpreendem”, conta.

A formatura está programada para o ano que vem. Ravena já sonha com o mestrado e o futuro trabalhando nas salas de aula. “É uma dívida que eu tenho coma educação”, revelou.

Alunos buscam alternativas para não sair da faculdade

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De trocar de curso a encarar uma dívida, histórias de quem não pensa em desistir de estudar

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Publicado em Estadão

A estudante de Direito Camila Macedo, de 26 anos, estava com a mensalidade atrasada havia três meses quando a própria faculdade sugeriu um financiamento privado. Gabriel Amaral, de 18, trocou o curso de Veterinária pelo de Ciências Contábeis, apostando que assim vai poder entrar no mercado de trabalho mais rápido. Histórias de estudantes que buscam alternativas para não ter de abrir mão do diploma mesmo em tempos de crise.

Alguns universitários estão trilhando o caminho do endividamento – no ensino superior, o índice de inadimplência chegou a 11,5% no primeiro semestre. Outros tentam mudar de estratégia para esse débito não crescer mais.

Quando percebeu que não teria como arcar com as mensalidades da FMU e os custos de viver em São Paulo, o baiano Gabriel resolveu voltar para a casa dos pais, em Ilhéus. O montante do débito universitário soma R$ 2 mil, que ele pretende negociar com a instituição.

Com a estrutura de morar com os pais e um curso mais em conta, o ensino superior vai caber no orçamento. “Primeiro, farei algo que posso pagar, depois realizo meu sonho.” O plano é juntar dinheiro para, no futuro, fazer Veterinária.

Fies. As recentes mudanças no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), fruto dos cortes de gastos públicos, pegaram de surpresa outra parcela de estudantes. Thayná Dias, de 20, dá rosto ao dado bruto: a redução de 42,81% no número total de novos contratos, segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Ela tentou o Fies pela Faculdade Maurício de Nassau, no Recife. Mas não havia vagas suficientes de financiamento pelo programa governamental. O curso superior de Enfermagem, que custaria cerca de R$ 800 por mês, foi substituído por um técnico na mesma área, para o qual ganhou bolsa de 50%. Com isso, ela paga R$ 120. “A faculdade abriria mais portas”, afirma Thayná. “Um dia eu chego lá.”

Financiamento privado. Com menos vagas no Fies, que agora subiu os juros de 3,4% para 6,5% ao ano em novos contratos, a alternativa usada por alguns alunos é recorrer ao financiamento privado. No principal programa de crédito universitário, o Pravaler, da Ideal Invest, o volume de contratos aumentou 7,5 vezes entre abril e julho em comparação com o mesmo período do ano anterior. Isso apesar dos juros anuais que chegam a 29,7%.

Seguindo a recomendação da própria universidade, a Estácio de Sá, Camila Macedo buscou o Pravaler para se manter no curso de Direito. No quarto e penúltimo ano da faculdade, desistir não era uma opção.

As dívidas da universitária começaram a se acumular depois de ela trocar um emprego no segmento de turismo por outro em sua área de estudos. Três mensalidades de R$ 760 estavam em aberto. Com ajuda do crédito, conseguiu quitar a dívida e vai ter o dobro do tempo para pagar a faculdade. “Mesmo com os juros, o crédito era minha única alternativa”, diz Camila. “Sempre sonhei em fazer Direito e, sem o financiamento, não teria conseguido.”

O crédito por meio do Pravaler deve aumentar já no segundo semestre. Isso porque a Ideal Invest assinou contrato com a Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), garantindo às instituições de pequeno e médio porte as opções que antes só chegavam às universidades com mais de 5 mil alunos. As instituições atendidas devem passar de 200 para 350. “Todos os setores estão se organizando. A maneira que encontramos foi chamar a iniciativa privada para o crédito educativo”, diz a presidente da Fenep, Amábile Pácios.

Apesar dessa previsão de avanço, a escala de financiamentos públicos e privados é muito diferente. Para se ter uma ideia, de 2010 a 2014, o Fies alcançou 1,9 milhão de alunos, enquanto o Pravaler concedeu crédito a 50 mil desde sua criação, em 2006.

Na universidade. As instituições de ensino, por sua vez, voltaram a turbinar a oferta de bolsas e o financiamento próprio, reduzidos em épocas de Fies mais amplo. A Estácio adotou essas medidas e incluiu outra, um seguro educacional que cobre a mensalidade por até seis meses se o aluno perder o emprego.

A universidade passou a seguir de perto os sinais de desistência dos alunos ao longo do semestre. “Essa é a batalha que escolhemos para o início de 2015: diminuir a evasão”, afirma o Diretor Financeiro da Estácio, Virgílio Gibbon.

O grupo Kroton, que inclui gigantes como Anhanguera e Pitágoras, também inaugurou o Parcelamento Especial Privado, que financia o primeiro ano de estudos sem juros. De janeiro a março, o grupo concedeu crédito a mais de 22 mil alunos.

Pai de aluna de medicina carrega cruz por 95 km em ato contra o Fies

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Mesmo com problema cardíaco, produtor saiu de GO para o DF: ‘Desespero’.
Filha não conseguiu contrato e acumula dívida na faculdade de R$ 45 mil.

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Publicado no G1

Pai de uma estudante de medicina, o produtor de hortaliças Francisco Cândido Neto, de 52 anos, caminha de Goiás ao Distrito Federal carregando uma cruz de 60 kg em protesto contra o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Sem conseguir contrato e com dívida de R$ 45 mil em mensalidades atrasadas, ele afirma que a filha terá de deixar a faculdade: “É desesperador, minha filha vai ter que parar de estudar porque sou pobre. É a morte de um sonho”.

Francisco saiu na quinta-feira (30) de Alexânia, no Entorno do Distrito Federal, em direção ao Palácio do Planalto, em Brasília. Mesmo sendo aposentado por invalidez devido a graves problemas cardíacos, ele decidiu arriscar a própria vida e fazer a peregrinação de 95 km carregando o objeto de madeira, com 4,5 metros de altura.

“Espero que a presidente Dilma Rousseff se sensibilize e me ajude a conseguir o financiamento estudantil, que minha filha continue estudando”, disse.

A universitária Bruna Larissa Vitti Cândido, de 21 anos, começou a cursar medicina em agosto de 2014 no Instituto Master de Ensino Presidente Antônio Carlos (Imepac), em Araguari (MG). Desde então, ela tenta ser beneficiada pelo Fies ou pelo Programa Universidade para Todos (Prouni), mas não consegue.

Depois de quatro anos tentando ser aprovada em uma faculdade, Bruna contava que conseguiria ser beneficiada por algum dos programas do governo federal. “A gente lutou muito, tive muitos problemas e, quando consegui entrar, vou ter que parar porque não tenho incentivo nenhum”, lamenta.

Francisco, a mulher e os dois filhos vivem com cerca de R$ 3 mil por mês, dinheiro da aposentadoria do produtor e da produção da horta. No entanto, só a mensalidade da faculdade de Bruna custa R$ 5,3 mil, fora os gastos com estadia, pois a sede da instituição é em outro estado.

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Francisco precisou pedir dinheiro emprestado a um conhecido para quitar o primeiro semestre de faculdade da filha para que ela continuasse a estudar. Agora, além de pagar o amigo, ele precisa quitar o débito de R$ 45 mil com a faculdade.

O produtor explica que vive em uma área de dois hectares, onde também cultiva as hortaliças. Como já fez a dívida com o conhecido, não tem nem como vendar a propriedade ou financiá-la. “Eu vou perder meu pedacinho de chão, minha casa, meu sustento. Vou morar na rua e minha filha não vai conseguir se formar”, disse, emocionado.

Bruna conta que tem até o próximo dia 5 para regularizar a situação. “Eu preciso pagar a dívida para fazer a rematrícula. Se não fizer, não posso nem trancar a faculdade porque devo. Vou ter que tentar passar no vestibular de novo”.

O G1 entrou em contato com o Ministério da Educação. No entanto, não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

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