Uma Sombra na Escuridão

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Brian Murray, CEO da HarperCollins, defende livrarias independentes e aposta no Brasil

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SC São Paulo ( SP ) , 29/03/2017 , Entrevista com o CEO da HarperCollins mundial, Brian Murray. Foto: Edilson Dantas / Agencia O Globo - Edilson Dantas / Edilson Dantas

SC São Paulo ( SP ) , 29/03/2017 , Entrevista com o CEO da HarperCollins mundial, Brian Murray. Foto: Edilson Dantas / Agencia O Globo – Edilson Dantas / Edilson Dantas

 

Grupo editorial, que comemora 200 anos, assume de vez sua operação no país

Leonardo Cazes, em O Globo

SÃO PAULO – O anúncio surpreendeu no início do ano: a gigante anglo-americana HarperCollins ia assumir integralmente a sua operação brasileira, antes uma joint-venture com o Grupo Ediouro. No ano em que completa dois séculos, o grupo entra de vez no mercado brasileiro. Em entrevista ao GLOBO, em São Paulo, o CEO global Brian Murray diz ver boas perspectivas para o país no longo prazo, comenta a relação difícil com a Amazon, analisa a desaceleração da venda de e-books e comemora o renascimento das pequenas livrarias.

Por que a HarperCollins decidiu investir no Brasil agora, com o país em crise?

Nos nossos primeiros 200 anos, fomos basicamente uma editora de língua inglesa. Com as aquisições da Thomas Nelson, de livros cristãos, e da Harlequin, cujo foco é na ficção para o público feminino, ganhamos escala global, e queremos crescer em países que falam outras línguas. Nossa estratégia é identificar as oportunidades. O Brasil é muito atraente, único de muitas maneiras. É um mercado muito forte em publicações cristãs e também em rápido crescimento. É claro que tem seus altos e baixos, mas, no longo prazo, acreditamos que o Brasil possa ser um dos nossos maiores mercados. Sermos 100% donos da empresa aqui permite que façamos investimentos na nossa estratégia de longo prazo mais facilmente. Vejo um grande futuro para o mercado editorial brasileiro nas décadas vindouras.

Quais os perfis de livros e autores que vocês pretendem publicar no Brasil?

Vamos publicar livros de origens muito diferentes. Alguns virão das nossas operações nos Estados Unidos e no Reino Unido, mas também podem ser de outros países. Nós temos editores em todo o mundo e compartilhamos os nossos projetos em andamento. Podemos publicar também autores cujos direitos são negociados país a país. E é claro que vamos investir em autores brasileiros. Esse é um componente chave da nossa estratégia.

Há alguns anos, as editoras tiveram embates com a Amazon. Como está hoje a relação não só com a Amazon, mas com Apple e Google?

Costumo dizer que essas empresas são nossas amigas e inimigas ao mesmo tempo. Temos uma relação complexa. Elas são muito importantes para nós e os nossos autores. Trabalhamos bem com elas, procuramos áreas onde concordamos e podemos crescer juntos, mas há outras em que temos nossas discórdias. Essa é a maneira como o negócio é hoje. Fazemos o máximo onde concordamos, e concordamos em discordar no resto.

No mundo, as vendas de e-books estão estagnadas. Houve uma euforia exagerada?

Cinco anos atrás, os e-books estavam crescendo muito, muito rápido. E ninguém sabia onde esse crescimento ia parar. Houve mudanças no modelo de negócio dos livros digitais, com menos descontos, e as vendas estabilizaram. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, teremos um crescimento modesto dos e-books. Mas nós vemos um crescimento forte dos audiolivros. Acho que é porque todo mundo está acostumado a ouvir música no celular. Provavelmente surgirão novos serviços de streaming de livros no próximo ano. Hoje, vejo um equilíbrio entre o consumo de livros impressos e digitais. O equilíbrio é bom porque permite aos livreiros terem confiança nos seus negócios.

As livrarias independentes vêm registrando um crescimento no mercado americano.

Sim, nos últimos três anos. Esse é um ótimo sinal. A Amazon está planejando abrir uma livraria também, então deve ser um bom negócio (risos). O investimento em pequenas livrarias é muito saudável. Esses vendedores podem ser pequenos, num plano geral, mas eles têm muita influência porque escolhem e vendem pessoalmente os livros aos seus consumidores. Eles promovem essa incrível divulgação boca a boca. Queremos ter mais disso. Menos algoritmos e mais pessoas vendendo livros seria bom para nós.

A autopublicação é um fenômeno que vem crescendo. É uma ameaça?

A autopublicação é uma grande oportunidade para inspirar autores. Nós assinamos com muitos escritores que começaram nas plataformas de autopublicação e formaram um público. Se vemos um público e acreditamos que podemos ajudar, vamos fazer uma oferta. A autopublicação também é boa para os editores porque podemos identificar novos talentos. Ao invés do velho mundo, onde a gente recebia um original que ninguém leu antes, nas plataformas você pode testar seus textos com os leitores.

O consumo digital gera uma enorme quantidade de dados, cada vez mais explorados por serviços de streaming. Essa tendência vai chegar à indústria do livro?

Eu uso muito esses dados para auxiliar a tomada de decisões. Hoje temos mais dados para análise do que jamais tivemos. Mas os dados nunca vão tomar a decisão de publicar ou não um livro para você. Eu fico mais confortável em tomar essa decisão com mais informações sobre mercado, consumidor, vendas de livros semelhantes. Mas publicar ou não um original sempre será uma decisão instintiva. Esse é um autor em que nós acreditamos, essa é uma história em que nós acreditamos, vamos publicar.

Você comanda um grupo que comemora 200 anos. Como sobreviver por mais 200?

Inovação, criatividade, bons autores e bons profissionais. Histórias são contadas desde muito antes de a HarperCollins ser criada. A forma pode mudar, vieram o áudio, o vídeo. Mas o texto sempre vai permanecer. O modelo de negócios também pode mudar, a distribuição pode mudar. Cabe a nós mudar junto com o tempo.

*Leonardo Cazes viajou a convite da HarperCollins Brasil

Vai ser publicado um conto inédito de Mark Twain

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Mark Twain é o nome artístico de Samuel Clemen

Mark Twain é o nome artístico de Samuel Clemens

 

A história foi inventada numa noite para adormecer as filhas. Anotações só foram descobertas em 2011.

Andreia Costa, no NIT

Era uma vez um menino que conseguia falar com animais. Um dia, para encontrar um príncipe que tinha sido raptado, foi até à floresta para lhes pedir ajuda.” A história será, certamente, mil vezes mais bem escrita mas é basicamente isto que se conta em “The Purloining of Prince Oleomargarine”, um livro inédito de Mark Twain que vai chegar às lojas em 2017.

O conto é inédito e foi descoberto em 2011 entre os arquivos do escritor armazenados na Universidade da Califórnia, Estados Unidos. Baseia-se nos apontamentos de Twain de uma história que ele terá contado às filhas numa noite de 1879 em Paris, França. Como todos os pais, o criador de Tom Sawyer e Huckleberry Finn terá inventado inúmeros relatos e personagens fantásticas para adormecer as três crianças mas esta terá sido a única passada para papel.

Às anotações foram agora acrescentadas detalhes e imagens do autor Philip Stead e do ilustrador Erin Stead. De acordo com a editora que vai publicar o livro, a história explora “temas de caridade, bondade e bravura perante a tirania, com uma forte sátira e emoção tocante”.

A Random House Books, responsável pela obra, já garantiu que colocar no mercado uma nova história de Mark Twain é “um acontecimento literário incrível”. “Quando tive a oportunidade de ler esta história inédita pela primeira vez, não conseguia acreditar no que estava a segurar”, explicou Frances Gilbert, responsável pela seção de literatura juvenil da editora, ao “The Guardian”.

A publicação de “The Purloining of Prince Oleomargarine” vai coincidir com a comemoração dos 150 anos da primeira obra de Twain, “The Celebrated Jumping Frog of Calaveras County and Other Sketches”, uma coleção de contos de 1867, o que significa que será preciso esperar até 26 de setembro deste ano.

Livro infantil acusado de machismo foi infelicidade, diz editora

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Livro ‘Piadas Sobre Meninas - Para os Meninos Lerem’ (Reprodução)

Livro ‘Piadas Sobre Meninas – Para os Meninos Lerem’ (Reprodução)

 

‘Piadas sobre Meninas – Para os Meninos Lerem’ virou tema de controvérsia na internet. Livro foi recolhido e teve boa parte de suas cópias destruída

Raquel Carneiro, na Veja

Com cerca de oitenta páginas, o livro infantil Piadas sobre Meninas (para os Meninos Lerem ) se tornou motivo de uma longa discussão nas redes sociais. Acusado de machismo pelo teor de gosto duvidoso, a publicação traz textos curtos de humor que atacam as capacidades femininas. “Como o neurônio de uma menina morre? Sozinho”, ou “Por que a Estátua da Liberdade é mulher? Porque precisavam de uma cabeça oca para colocar o mirante” são algumas das anedotas narradas nas páginas do título, escrito sob o pseudônimo de Paul Hassada, um ghost writer.

Desde 2015, o livreto surge como tema de textos acalorados na internet quando um exemplar é encontrado, como aconteceu nesta semana — uma publicação no Facebook sobre ele foi compartilhada mais de 45.000 vezes em cerca de 24 horas. O “legado” do livro, contudo, é maior que seu tempo de vida oficial. Publicado em 2009 pela V&R Editoras como parte da coleção Risadinhas, a obra foi descontinuada pela empresa um ano depois — juntamente com sua versão contrária, um livro com piadas sobre meninos para meninas.

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“Os dois livros foram uma infelicidade, uma ingenuidade”, diz Sevani Matos, diretora-geral da V&R. “É uma repercussão tardia, mas entendo a indignação. A editora deve, sim, se desculpar por ter publicado esse livro um dia, mas teve a boa-fé de tirá-lo do catálogo”.

Sob a luz da primeira polêmica, no ano passado, a V&R fez uma varredura nas livrarias e distribuidoras, pedindo pelos títulos ainda em estoque. Com tiragem de 6.000 exemplares e vendas pífias, o livro teve boa parte de suas cópias recolhida e destruída.

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“É uma dinâmica complicada retirar todos os livros de circulação”, diz Sevani. “Algumas livrarias que não trabalham com consignação se recusaram a devolver títulos comprados, enquanto outras não têm sequer um sistema para isso. Logo, um livro ou outro pode ser encontrado de vez em quando”.

Crianças machistas? Para Telma Vinha, professora de psicologia educacional da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um livro sozinho, como o citado, não teria a capacidade de formar o pensamento de uma criança. “Outras interações e experiências são essenciais. A criança observa como a mãe é tratada em casa, quais os papéis desempenhados pelas mulheres na sociedade em que ela está. O livro não será determinante”, diz.

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Telma sugere que episódios como esse deveriam ser vistos pelo lado positivo, em vez de desencadear apenas uma longa discussão on-line amparada no rigor do politicamente correto. “Esse tipo de material serve para que a gente problematize o tema com as crianças. O livro é ridículo, mas pode ser usado em uma conversa na escola, ou entre pais e filhos, para que a criança elabore a ideia por trás do texto. É o momento de ensinar princípios”, diz.

Trecho do livro “Piadas sobre Meninas (para os Meninos Lerem)” (Reprodução)

Trecho do livro “Piadas sobre Meninas (para os Meninos Lerem)” (Reprodução)

 

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As Aventuras do Capitão Cueca vira filme

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Caio Soares, no Omelete

A adaptação para os cinemas de As Aventuras do Capitão Cueca – série de livros infantis criada pelo escritor estadunidense Dav Pilkey – ganhou sua primeira imagem, via EW.

A animação, que chega aos cinemas dos EUA em junho de 2017, conta a história de dois amigos, George e Harold, que conseguem hipnotizar o terrível diretor Sr Krupp e o transformar em um irreverente super-herói. Kevin Hart e Thomas Middleditch são os dubladores, e Ed Helms faz a voz do Capitão Cueca. David Soren (Turbo) é o diretor.

No Brasil, nove livros do Capitão Cueca foram publicados pela Cosac Naify. Com o anúncio do encerramento das atividades da editora no fim de 2015, ainda não foi decidido qual editora irá herdar os livros e publicar novas aventuras.

Amazon vai comprar o estoque remanescente da editora Cosac Naify

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Impressão. Edição do livro 'Peter e Wendy', em 2012.    FOTO: CLAYTON DE SOUZA/AE

Impressão. Edição do livro ‘Peter e Wendy’, em 2012. FOTO: CLAYTON DE SOUZA/AE

Varejista online já vendia com exclusividade os livros da casa, que anunciou seu fechamento de forma repentina em novembro de 2015

Guilherme Sobota, no Estadão

A Amazon vai comprar o estoque remanescente da Cosac Naify – cerca de 230 mil exemplares que permanecem no estoque em Barueri serão adquiridos pela varejista, praticamente encerrando o problema que a editora tinha sobre a destinação final dos livros restantes desde que anunciou seu fechamento em novembro de 2015. A negociação foi concluída nesta semana.

Desde o início deste ano, a Amazon tinha exclusividade para adquirir os livros da Cosac e vendê-los em seu site – foram cerca de um milhão de exemplares vendidos em doze meses de 1,2 mil títulos que a editora tinha em catálogo. As informações foram confirmadas pela direção da Cosac Naify e pela Amazon ao Estado.

Agora, restam cerca de 600 títulos no estoque em Barueri. O acordo final já foi selado – nenhuma das empresas fala em cifras totais – e agora está em processo a efetivação da venda e o acerto dos detalhes da operação, o que deve acontecer na próxima semana. A Cosac Naify vai então apurar todas as informações e passar à fase final de encerramento da empresa, que começou no final do ano passado após uma decisão de Charles Cosac.

Essa próxima fase diz respeito à prestação de contas de direitos autorais do segundo semestre de 2016 e outras obrigações fiscais da empresa, que mantém um escritório no bairro de Santa Cecília com seis funcionários. A diretoria da editora diz estar tranquila e satisfeita com os rumos finais do encerramento do negócio.

Em setembro, a notícia de que a Cosac poderia transformar os livros remanescentes em aparas até o fim de 2016 repercutiu no mercado editorial, com muitos profissionais questionando por que a editora não buscaria outra forma de encaminhar o estoque. Em entrevista à revista Veja no início de dezembro, porém, o próprio Charles Cosac indicou que os livros não seriam picotados.

“Foi uma parceria bastante produtiva durante o ano”, diz o gerente geral para livros físicos da Amazon.com.br, Daniel Mazini. “Desde o início de 2016, vínhamos com a ideia de vender o máximo possível dos livros da Cosac, a demanda continuou sempre grande, e deu tão certo que esse máximo possível virou tudo”, comentou, apontando para as promoções agressivas que a varejista faz com os livros da editora no site.

Entre os livros mais vendidos pela loja desde o início do ano, estão Contos Completos e Guerra e Paz, de Tolstoi, e Os Miseráveis, de Victor Hugo, os três títulos ainda disponíveis. Diferente da prática mais comum no mercado, a Amazon não costuma consignar livros, preferindo a opção de compra, o que nesse caso casou com a necessidade da editora em fase de encerramento.

NÚMEROS

* 1,2 milhão de exemplares estavam no estoque da Cosac Naify em Barueri quando o acordo com a Amazon foi feito em janeiro de 2016, de cerca de 1,2 mil títulos.

* 230 mil livros ainda estão lá e agora serão adquiridos pela varejista na sua totalidade. Restam cerca de 600 títulos, que formam agora o “legado final” da casa.

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