Diário da Maísa

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Vai ser publicado um conto inédito de Mark Twain

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Mark Twain é o nome artístico de Samuel Clemen

Mark Twain é o nome artístico de Samuel Clemens

 

A história foi inventada numa noite para adormecer as filhas. Anotações só foram descobertas em 2011.

Andreia Costa, no NIT

Era uma vez um menino que conseguia falar com animais. Um dia, para encontrar um príncipe que tinha sido raptado, foi até à floresta para lhes pedir ajuda.” A história será, certamente, mil vezes mais bem escrita mas é basicamente isto que se conta em “The Purloining of Prince Oleomargarine”, um livro inédito de Mark Twain que vai chegar às lojas em 2017.

O conto é inédito e foi descoberto em 2011 entre os arquivos do escritor armazenados na Universidade da Califórnia, Estados Unidos. Baseia-se nos apontamentos de Twain de uma história que ele terá contado às filhas numa noite de 1879 em Paris, França. Como todos os pais, o criador de Tom Sawyer e Huckleberry Finn terá inventado inúmeros relatos e personagens fantásticas para adormecer as três crianças mas esta terá sido a única passada para papel.

Às anotações foram agora acrescentadas detalhes e imagens do autor Philip Stead e do ilustrador Erin Stead. De acordo com a editora que vai publicar o livro, a história explora “temas de caridade, bondade e bravura perante a tirania, com uma forte sátira e emoção tocante”.

A Random House Books, responsável pela obra, já garantiu que colocar no mercado uma nova história de Mark Twain é “um acontecimento literário incrível”. “Quando tive a oportunidade de ler esta história inédita pela primeira vez, não conseguia acreditar no que estava a segurar”, explicou Frances Gilbert, responsável pela seção de literatura juvenil da editora, ao “The Guardian”.

A publicação de “The Purloining of Prince Oleomargarine” vai coincidir com a comemoração dos 150 anos da primeira obra de Twain, “The Celebrated Jumping Frog of Calaveras County and Other Sketches”, uma coleção de contos de 1867, o que significa que será preciso esperar até 26 de setembro deste ano.

Livro infantil acusado de machismo foi infelicidade, diz editora

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Livro ‘Piadas Sobre Meninas - Para os Meninos Lerem’ (Reprodução)

Livro ‘Piadas Sobre Meninas – Para os Meninos Lerem’ (Reprodução)

 

‘Piadas sobre Meninas – Para os Meninos Lerem’ virou tema de controvérsia na internet. Livro foi recolhido e teve boa parte de suas cópias destruída

Raquel Carneiro, na Veja

Com cerca de oitenta páginas, o livro infantil Piadas sobre Meninas (para os Meninos Lerem ) se tornou motivo de uma longa discussão nas redes sociais. Acusado de machismo pelo teor de gosto duvidoso, a publicação traz textos curtos de humor que atacam as capacidades femininas. “Como o neurônio de uma menina morre? Sozinho”, ou “Por que a Estátua da Liberdade é mulher? Porque precisavam de uma cabeça oca para colocar o mirante” são algumas das anedotas narradas nas páginas do título, escrito sob o pseudônimo de Paul Hassada, um ghost writer.

Desde 2015, o livreto surge como tema de textos acalorados na internet quando um exemplar é encontrado, como aconteceu nesta semana — uma publicação no Facebook sobre ele foi compartilhada mais de 45.000 vezes em cerca de 24 horas. O “legado” do livro, contudo, é maior que seu tempo de vida oficial. Publicado em 2009 pela V&R Editoras como parte da coleção Risadinhas, a obra foi descontinuada pela empresa um ano depois — juntamente com sua versão contrária, um livro com piadas sobre meninos para meninas.

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“Os dois livros foram uma infelicidade, uma ingenuidade”, diz Sevani Matos, diretora-geral da V&R. “É uma repercussão tardia, mas entendo a indignação. A editora deve, sim, se desculpar por ter publicado esse livro um dia, mas teve a boa-fé de tirá-lo do catálogo”.

Sob a luz da primeira polêmica, no ano passado, a V&R fez uma varredura nas livrarias e distribuidoras, pedindo pelos títulos ainda em estoque. Com tiragem de 6.000 exemplares e vendas pífias, o livro teve boa parte de suas cópias recolhida e destruída.

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“É uma dinâmica complicada retirar todos os livros de circulação”, diz Sevani. “Algumas livrarias que não trabalham com consignação se recusaram a devolver títulos comprados, enquanto outras não têm sequer um sistema para isso. Logo, um livro ou outro pode ser encontrado de vez em quando”.

Crianças machistas? Para Telma Vinha, professora de psicologia educacional da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um livro sozinho, como o citado, não teria a capacidade de formar o pensamento de uma criança. “Outras interações e experiências são essenciais. A criança observa como a mãe é tratada em casa, quais os papéis desempenhados pelas mulheres na sociedade em que ela está. O livro não será determinante”, diz.

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Telma sugere que episódios como esse deveriam ser vistos pelo lado positivo, em vez de desencadear apenas uma longa discussão on-line amparada no rigor do politicamente correto. “Esse tipo de material serve para que a gente problematize o tema com as crianças. O livro é ridículo, mas pode ser usado em uma conversa na escola, ou entre pais e filhos, para que a criança elabore a ideia por trás do texto. É o momento de ensinar princípios”, diz.

Trecho do livro “Piadas sobre Meninas (para os Meninos Lerem)” (Reprodução)

Trecho do livro “Piadas sobre Meninas (para os Meninos Lerem)” (Reprodução)

 

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As Aventuras do Capitão Cueca vira filme

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Caio Soares, no Omelete

A adaptação para os cinemas de As Aventuras do Capitão Cueca – série de livros infantis criada pelo escritor estadunidense Dav Pilkey – ganhou sua primeira imagem, via EW.

A animação, que chega aos cinemas dos EUA em junho de 2017, conta a história de dois amigos, George e Harold, que conseguem hipnotizar o terrível diretor Sr Krupp e o transformar em um irreverente super-herói. Kevin Hart e Thomas Middleditch são os dubladores, e Ed Helms faz a voz do Capitão Cueca. David Soren (Turbo) é o diretor.

No Brasil, nove livros do Capitão Cueca foram publicados pela Cosac Naify. Com o anúncio do encerramento das atividades da editora no fim de 2015, ainda não foi decidido qual editora irá herdar os livros e publicar novas aventuras.

Amazon vai comprar o estoque remanescente da editora Cosac Naify

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Impressão. Edição do livro 'Peter e Wendy', em 2012.    FOTO: CLAYTON DE SOUZA/AE

Impressão. Edição do livro ‘Peter e Wendy’, em 2012. FOTO: CLAYTON DE SOUZA/AE

Varejista online já vendia com exclusividade os livros da casa, que anunciou seu fechamento de forma repentina em novembro de 2015

Guilherme Sobota, no Estadão

A Amazon vai comprar o estoque remanescente da Cosac Naify – cerca de 230 mil exemplares que permanecem no estoque em Barueri serão adquiridos pela varejista, praticamente encerrando o problema que a editora tinha sobre a destinação final dos livros restantes desde que anunciou seu fechamento em novembro de 2015. A negociação foi concluída nesta semana.

Desde o início deste ano, a Amazon tinha exclusividade para adquirir os livros da Cosac e vendê-los em seu site – foram cerca de um milhão de exemplares vendidos em doze meses de 1,2 mil títulos que a editora tinha em catálogo. As informações foram confirmadas pela direção da Cosac Naify e pela Amazon ao Estado.

Agora, restam cerca de 600 títulos no estoque em Barueri. O acordo final já foi selado – nenhuma das empresas fala em cifras totais – e agora está em processo a efetivação da venda e o acerto dos detalhes da operação, o que deve acontecer na próxima semana. A Cosac Naify vai então apurar todas as informações e passar à fase final de encerramento da empresa, que começou no final do ano passado após uma decisão de Charles Cosac.

Essa próxima fase diz respeito à prestação de contas de direitos autorais do segundo semestre de 2016 e outras obrigações fiscais da empresa, que mantém um escritório no bairro de Santa Cecília com seis funcionários. A diretoria da editora diz estar tranquila e satisfeita com os rumos finais do encerramento do negócio.

Em setembro, a notícia de que a Cosac poderia transformar os livros remanescentes em aparas até o fim de 2016 repercutiu no mercado editorial, com muitos profissionais questionando por que a editora não buscaria outra forma de encaminhar o estoque. Em entrevista à revista Veja no início de dezembro, porém, o próprio Charles Cosac indicou que os livros não seriam picotados.

“Foi uma parceria bastante produtiva durante o ano”, diz o gerente geral para livros físicos da Amazon.com.br, Daniel Mazini. “Desde o início de 2016, vínhamos com a ideia de vender o máximo possível dos livros da Cosac, a demanda continuou sempre grande, e deu tão certo que esse máximo possível virou tudo”, comentou, apontando para as promoções agressivas que a varejista faz com os livros da editora no site.

Entre os livros mais vendidos pela loja desde o início do ano, estão Contos Completos e Guerra e Paz, de Tolstoi, e Os Miseráveis, de Victor Hugo, os três títulos ainda disponíveis. Diferente da prática mais comum no mercado, a Amazon não costuma consignar livros, preferindo a opção de compra, o que nesse caso casou com a necessidade da editora em fase de encerramento.

NÚMEROS

* 1,2 milhão de exemplares estavam no estoque da Cosac Naify em Barueri quando o acordo com a Amazon foi feito em janeiro de 2016, de cerca de 1,2 mil títulos.

* 230 mil livros ainda estão lá e agora serão adquiridos pela varejista na sua totalidade. Restam cerca de 600 títulos, que formam agora o “legado final” da casa.

Autores da Cosac Naify lutam para não terem seus livros destruídos

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Vanessa Barbara e João Carrascoza publicaram pela Cosac Naify - Divulgação / Agência O Globo

Vanessa Barbara e João Carrascoza publicaram pela Cosac Naify – Divulgação / Agência O Globo

 

Estoque remanescente da editora será transformado em aparas até o fim do ano

Bolívar Torres, em O Globo

RIO — Se o anúncio do fechamento da Cosac Naify, no fim do ano passado, pegou os autores da casa de surpresa, a notícia de que as sobras de seu estoque podem ser destruídas até 31 de dezembro trouxe um sentimento geral de desolação — mas também uma pressa redobrada. Confirmada na semana passada no site “Publishnews” por Dione Oliveira, diretor financeiro da editora, a informação fez os escritores acelerarem a busca para reaver os últimos exemplares de suas obras e salvá-los da “fogueira”.

Paralelamente à venda pela Amazon de todo o estoque da Cosac a preços reduzidos — a partir de um acordo fechado recentemente —, alguns escritores aproveitam os descontos previstos em seus contratos (que chegam a 70%) para comprar seus próprios títulos com a editora. Outros esperam dela uma proposta de doação. Há, ainda, os que se dizem perdidos, sem saber como proceder, já que não foram procurados pela empresa editorial.

— Estou, no momento, tentando um contato na Cosac para ver se eles terão algum esquema para os autores — conta Vanessa Barbara, que nos últimos dias vem divulgando nas redes sociais o seu “O livro amarelo do terminal” (2008), para “salvá-lo do esquartejamento”. — É uma pena isso tudo, dá vontade de ir ao estoque, se acorrentar aos livros e depois levar todos pra casa.

Desde que Charles Cosac encerrou bruscamente as atividades de sua empresa, as dúvidas sobre o futuro das obras atormentam os autores. Gerente-geral para livros impressos da Amazon, Daniel Mazini informa que a varejista comprou 1.350 títulos — destes, porém, apenas 250 já se esgotaram tanto no estoque dela quanto no da Cosac. Entre os mais vendidos não estão os autores nacionais, mas os clássicos estrangeiros, como “Guerra e paz” e “Os miseráveis”. Os estrangeiros também dominam a lista dos esgotados, como “O clube do suicídio e outras histórias”, de Robert L. Stevenson; “Onde vivem os monstros”, de Maurice Sendak; e “O que é o cinema?”, de André Bazin.

Em março, a Cosac confirmou a transferência de 300 títulos para as editoras do Sesi e do Senai. Parte do catálogo também foi vendida para a Companhia das Letras. O problema é que, para serem reeditadas em suas novas casas, as edições originais não podem continuar circulando a custo baixo no mercado. Por isso, a destruição é vista como uma solução rápida — e até benéfica para os escritores, já que lhes permite se “libertar” da sua antiga empresa.

A prática não é estranha entre as editoras, já que manter livros encalhados custa caro. O que torna o caso da Cosac peculiar, contudo, é que a qualidade de suas edições tem motivado seus autores a mantê-las vivas, mesmo que fora do mercado. Com quatro livros publicados pela Cosac, João Anzanello Carrascoza já negociou a transferência de seu “O volume do silêncio” para a Editora do Sesi e de “Aquela água toda”, “Aos 7 e aos 40” e “Caderno de um ausente” para a Alfaguara. Mesmo assim, o escritor fez questão de comprar da Cosac 20 exemplares da edição original de cada um.

— Acho importante porque são edições excelentes, e que agora vão virar relíquias — conta Carrascoza, destacando a qualidade do papel, da diagramação e da impressão.

Trabalhando há alguns anos no meio editorial, o escritor Estevão Azevedo não ficou exatamente surpreso ao descobrir que seu romance “Tempo de espalhar pedras” (2014) poderá virar aparas. Ainda assim, tinha esperança de que o desfecho fosse outro.

— Como a Cosac não faliu e pertencia a um milionário, não se esperava que algo feio como destruir livros fosse feito por questões contábeis — diz. — É difícil crer que, com criatividade e vontade, não exista algo a se fazer com títulos bons como esses.

Estevão, que recebeu a notícia do fechamento da editora pouco depois de ganhar o Prêmio São Paulo por seu livro, conta que vem comprando alguns exemplares na Amazon, mas ainda espera alguma doação por parte da Cosac.

— Seria mais justo, porque eu tive prejuízo com o fim da editora bem no momento em que meu livro ia finalmente vender alguns exemplares, por conta do prêmio — lamenta.

Para a poeta Laura Liuzzi, que em 2014 lançou “Desalinho” pela editora, a possível aniquilação do estoque é “de uma violência simbólica total”.

— Não imaginava que isso ia acontecer, não tenho uma imaginação tão cruel — diz Laura. — A própria notícia de que a editora iria acabar me veio pelos jornais, e jamais por algum comunicado da Cosac. Não fui avisada do que aconteceria com os livros, com os direitos, nada.

Ela acaba de comprar um lote de seu livro com 70 por cento de desconto. O problema é que, com cada exemplar a R$9,60, a compra em grandes quantidades saíria cara demais:

— O ponto pra mim é que os livros foram feitos pra circular. Com certeza inúmeras bibliotecas aceitariam uma doação, e me interessa menos ter uma pilha de meus próprios livros em casa do que imaginá-los espalhados em outras estantes.

Por mais que a destruição do estoque faça sentido economicamente, a imagem ainda é pesada demais para alguns autores.

— É absurdo que destruir encalhe seja a solução mais viável no nosso mercado, que já é tão pobre — diz Natércia Pontes, que negocia com o Sesi uma reedição de seu “Copacabana dreams“, lançado pela Cosac em 2012. — Preferiria uma performance filantrópica: botar o estoque em um trator e jogar uma montanha daqueles livros lindos na Praça da Sé. As pessoas iam pegando e saindo correndo.

A agente literária Lucia Riff, que conta com um bom número de autores publicados pela casa, tenta negociar uma outra solução. Ela propôs à Cosac uma doação de lotes de 300 exemplares da sobra do estoque para bibliotecas de São Paulo. O governo se encarregaria de receber os livros, organizar os lotes e fazer a distribuição. Tudo seria auditado, para evitar que os volumes voltassem ao mercado. Lucia também pediu centenas de exemplares para seus autores, seja por doação, por preço de custo ou abaixo deste.

— Nada apaga o luto pelo fechamento da Cosac da noite para o dia, mas uma doação amenizaria o prejuízo que deu aos autores — explica. — Muitos deles ficaram em choque, porque não sabiam que a destruição era o procedimento nesses casos. A impressão é que essa notícia fez a ficha cair, que agora, sim, é o fim da editora.

Procurada pela reportagem, a Cosac, através de Dione Oliveira, respondeu, por e-mail, que já havia se posicionado sobre o assunto e que não “há mais nada a dizer no momento”. O diretor financeiro já havia declarado em outras reportagens que doações não seriam viáveis, por gerarem um “transtorno contábil”. A comoção em torno da notícia levanta questões pouco faladas no Brasil: o excedente produtivo das editoras e a falta de incentivo para doação, que esbarra nos altos custos de transporte e embalagem.

Para o economista Henrique Farinha, publisher da Editora Évora, a aniquilação do encalhe faz “parte do jogo”. Ele concorda que a Cosac não terá outra saída, mas acredita que, se o país contasse com iniciativas criativas do mercado e uma maior conscientização da sociedade civil, o destino dos livros poderia ser outro.

— A Cosac apenas expôs a situação, que afeta muitas outras editoras. Ela tem uma aura especial em torno do seu catálogo, é vista como uma editora “cult”, com livros extremamente bem produzidos. Daí muitos que nem atentavam para o problema se comoveram. Mas poucos pensam em tudo o que o envolve — observa. — Essa situação é apenas uma prova de que, embora existam soluções possíveis, nunca houve disposição de discuti-las. Por exemplo, o governo poderia transformar as doações de livros em créditos para abatimentos de impostos para toda a cadeia, formada por editores, armazéns e transportadoras.

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