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Tronos, castelo e até cinema: editoras transformam seus estandes em atrações na Bienal

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Editoras diversificam montagem de estandes para atrair os leitores - Analice Paron / Agência O Globo

Editoras diversificam montagem de estandes para atrair os leitores – Analice Paron / Agência O Globo

Fãs de sagas de sucesso, como ‘Harry Potter’ e ‘Game of Thrones’, fizeram filas para garantir uma foto nas montagens

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO — As editoras fizeram um investimento pesado nas suas participações na Bienal do Livro do Rio deste ano. Os estandes, que se tornam, a cada ano, uma atração em si, receberam até uma sala de cinema. Um dos mais concorridos no primeiro fim de semana de Bienal foi o da editora Rocco. Casa dos livros do bruxo Harry Potter, a editora aproveitou os 20 anos da série e transformou o estande num castelo de Hogwarts. Do lado de dentro, as estantes de livros dividiam espaços com corujas, baús, vassouras e animais fantásticos do universo de “Harry Potter”. Já do lado de fora, as janelas do “castelo” faziam referência a cada um dos sete livros. Ao longo de todo o fim de semana, uma enorme fila se formou para tirar foto em uma vassoura, como se estivesse voando.

Já a HarperCollins Brasil, que faz sua estreia na Bienal depois de ter se separado do Grupo Ediouro no início deste ano, montou um cinema no Riocentro. As sessões, com início de dez em dez minutos, atraíram uma multidão. Dentro do cinema, o público fica deitado no chão para assistir a um filme sobre a importância da leitura. Na outra ponta do estande da editora, os visitantes podiam tirar foto em uma estação de trem cinematográfica, numa referência ao clássico de Agatha Christie, “Assassinato no Expresso do Oriente”.

O estande da HarperCollins Brasil apostou em uma estação de trem cinematográfica, numa referência ao clássico de Agatha Christie, 'Assassinato no Expresso do Oriente' - Analice Paron / Agência O Globo

O estande da HarperCollins Brasil apostou em uma estação de trem cinematográfica, numa referência ao clássico de Agatha Christie, ‘Assassinato no Expresso do Oriente’ – Analice Paron / Agência O Globo

 

Os estandes da Intrínseca, da do Grupo Editorial Record e da LeYa/Casa da Palavra, a atração era a interatividade. Na Intrínseca, muitas crianças posavam para fotos com o capacete característico do protagonista de “Extraordinário”, de RJ Palacio, portador de uma síndrome genética que provocou uma deformidade facial. Já na Record, havia um “espelho falso” em que o público podia “entrar” para tirar fotos, com o tema do romance “Menina Veneno”, de Carina Rissi. Ao lado, os simpáticos Asterix e Obelix também faziam sucesso com visitantes de todas as idades. No estande da LeYa/Casa da Palavra, o sucesso foi, mais uma vez, a réplica do trono de ferro de “Game of Thrones”, já que a editora publica os livros de George R.R. Martin. Contudo, neste ano, o trono enfrenta a concorrência de outros tronos de ferro espalhados pela Bienal.

Homenagem na Flip faz editoras investirem em relançamentos de obras de Lima Barreto

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Prateleiras com livros de Lima Barreto, e sobre ele, na Livraria da Travessa de Paraty - Mônica Imbuzeiro

Prateleiras com livros de Lima Barreto, e sobre ele, na Livraria da Travessa de Paraty – Mônica Imbuzeiro

 

Romances em folhetim, crônicas e biografias compõem ampla oferta de títulos

Leonardo Cazes, em O Globo

PARATY — Na Livraria da Travessa montada especialmente para a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), as obras de Lima Barreto se multiplicam, num reconhecimento que o autor nunca teve em vida. A razão para a profusão de publicações é simples: toda a obra do autor entrou em domínio público em 2002, 80 anos após a sua morte, de acordo com a legislação brasileira. Em 15 edições da Flip, esta é apenas a segunda em que um autor em domínio público é homenageado. Antes de Lima, só Machado de Assis, reverenciado em Paraty em 2008, podia ser publicado livremente.

Na corrida para aproveitar o burburinho gerado pela festa em torno da obra do escritor, cada editora apostou numa leitura diferente de sua obra. A Carambaia, casa paulista que há dois anos vem se destacando por publicar edições caprichadas de obras em domínio público, decidiu investir na reedição de dois romances menos lembrados de Lima: “Os bruzundangas” e “Numa e a ninfa”.

Ambos foram publicados originalmente como folhetins, em jornais da época. Suas edições originais eram muito simples e basicamente aproveitavam as chapas montadas para imprimir os textos no jornal. A editora Graziella Beting, da Carambaia, explica que os jornais foram a inspiração do projeto gráfico concebido pelo designer Fernando Vilela, que fala hoje na Casa do Papel, (Av. Otávio Gama 142) às 13h30m.

— O Fernando enlouqueceu com essa história de ter saído no jornal e foi à Biblioteca Nacional ver os originais onde foram publicados — conta ela.

Graziella explica que o fato de a obra ser de domínio público não torna a edição mais fácil. A própria fixação do texto é difícil, já que os jornais do início do século XX vinham com muitos erros, as chamadas “gralhas”. Na Biblioteca Nacional, onde está depositado o arquivo de Lima Barreto, ficam os originais anotados dos dois romances. Mas mesmo isso provoca discussões. A solução encontrada foi recorrer a uma especialista, a crítica Beatriz Resende, que assina a organização e posfácio.

— O processo de edição é também uma forma de interpretação da obra — diz Graziella. — Agora, esses textos estão sendo editados como clássicos.

Já a Autêntica preparou a edição de uma seleção de crônicas de Lima Barreto sobre o Rio de Janeiro, também organizada por Beatriz Resende, “Lima Barreto — Cronista do Rio”. A editora Maria Amélia Mello conta que a casa já preparava a reedição da biografia “A vida de Lima Barreto”, de Francisco de Assis Barbosa, e queria fazer algo especial para a Flip. A proposta do livro surgiu a partir da própria Beatriz.

— Já tínhamos reeditado o “Lima Barreto e o Rio de Janeiro em fragmentos” e estávamos pensando em algo para a Flip. Ganhamos um edital da Biblioteca Nacional e fizemos essa parceria para publicar fotografias históricas da cidade que estão no acervo da instituição — conta Maria Amélia.

Já a Global Editora aproveitou a homenagem a Lima na Flip para colocar na rua “Lima Barreto para jovens”, uma seleção de crônicas destinados a adolescentes. A série “para jovens” já publicou vários autores, como Marina Colasanti e Ignácio de Loyola Brandão. O editor Gustavo Henrique Tuna explica que, para selecionar os 29 textos, o critério foi buscar os que ainda soam atuais.

— Há crônicas sobre política e sobre as reformas urbanas que podem ser lidas hoje tranquilamente, mantêm uma atemporalidade. Por exemplo, quando o Lima fala das mudanças no Rio de Janeiro. A cidade passou por outra reforma urbana recentemente. O jovem pode se surpreender — afirma Tuna.

Já a Penguin-Companhia, que vem reeditando toda a obra do escritor há alguns anos, preparou para a Flip novas edições de “Numa e a ninfa” e “Impressões de leitura e outros textos críticos”, todas comentadas. Tem-se, assim, um múltiplo Lima nas livrarias: do cronista do Rio ao autor que ganha um tratamento editorial destinado aos clássicos de capa dura. As novas edições dos seus romances ganham prefácios, ensaios e comentários inéditos, gerando um movimento de renovação na recepção de sua obra. Mais de cinco décadas após Francisco de Assis Barbosa fazê-lo renascer com a edição de suas obras completas, as leituras de Lima vivem, em 2017, um recomeço.

Fnac vai investir em lojas antes de repassar operação no País à Cultura

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Um dos desafios da Cultura será incorporar o segmento de eletroeletrônicos, que é o carro-chefe da Fnac. Foto: REUTERS/Jacky Naegelen

Um dos desafios da Cultura será incorporar o segmento de eletroeletrônicos, que é o carro-chefe da Fnac. Foto: REUTERS/Jacky Naegelen

Notícia pegou o mercado editorial de surpresa, uma vez que o grupo Cultura passa por um momento financeiro difícil, com atraso de pagamento às editoras

Fernando Scheller, Luciana Dyniewicz e Mônica Scaramuzzo no Estadão

A varejista francesa de livros e eletrônicos Fnac está deixando o País após 18 anos. Oficialmente em busca de um parceiro para o negócio brasileiro desde fevereiro deste ano, a companhia anunciou nesta quarta-feira, 19, um acordo com a Livraria Cultura, controlada pela família Herz. Segundo apurou o Estado, antes de repassar o negócio por um valor simbólico para o grupo nacional, a Fnac também se comprometeu a investir cerca de R$ 150 milhões no negócio.

A marca Fnac será usada pela Cultura em um primeiro momento, dizem fontes, mas não está definida como será a relação comercial no longo prazo.

Dificuldades. O anúncio pegou o mercado de livros de surpresa, até porque a Cultura passa por dificuldades no momento, inclusive com atrasos de repasses de pagamento a editoras. O atraso, que é de cerca de seis meses, segundo fontes de mercado, está em fase de renegociação neste momento e a expectativa é que a situação não deva ser solucionada antes de 2018. Uma fonte do setor diz que as editoras só foram avisadas da união entre Cultura e Fnac na manhã de quarta-feira.

Depois de atingir a marca de R$ 440 milhões em 2014, a empresa viu sua receita cair cerca de 17% nos últimos dois anos, atingindo R$ 380 milhões em 2016. Além disso, os últimos dois anos foram de cortes no setor administrativo – a companhia cortou 800 funcionários no período, reduzindo seu efetivo em 40% desde 2014.

Em sua conta no LinkedIn, no entanto, o presidente da Livraria Cultura, Sergio Herz, comemorou o acordo com a Fnac. Segundo ele, trata-se de um passo que vem para transformar o negócio da companhia, fundado há 70 anos. Procurada pelo Estado para explicar as condições do acordo, Cultura e Fnac não quiseram se pronunciar.

Em entrevista ao jornal em março, Herz havia minimizado o atraso do repasse às editoras, dizendo que se tratava de um processo “normal” diante da crise do varejo. Em fevereiro, chegou a circular no mercado a informação de que a Cultura estava à venda e que a concorrente Saraiva analisava a aquisição – informação que foi negada pelo empresário.

Na época, Sergio acrescentou que os custos de manutenção de lojas físicas vinham pressionando a operação – por isso, um de seus projetos era reforçar o e-commerce da Cultura. Agora, entretanto, com a incorporação da Fnac, a rede de unidades deverá ser ampliada para 29 lojas, agora de maior porte.

Outro desafio da Cultura será incorporar o segmento de eletroeletrônicos, que é o carro-chefe da Fnac. Segundo uma fonte do setor, a francesa havia desistido de livros nos últimos meses, reduzindo drasticamente novos pedidos.

A Fnac foi assessorada pelo Santander e pela Veirano Advogados. A Cultura teve assessoria do Souza Cescon Advogados.

Imagine criar livros em braille, mas com texturas, aromas e sensações? Este é o propósito da WG

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A designer Wanda Gomes não tem nenhuma pessoa próxima com deficiência visual. Mesmo assim dedica seu conhecimento à criação de livros inclusivos - e bonitos (foto: Fabio Brazil)

A designer Wanda Gomes não tem nenhuma pessoa próxima com deficiência visual. Mesmo assim dedica seu conhecimento à criação de livros inclusivos – e bonitos (foto: Fabio Brazil)

 

Cecilia Valenza, no Draft

Ao longo dos últimos 15 anos, a pergunta que a designer Wanda Gomes, 63, mais ouviu foi “Mas você tem algum cego na família?”. Bom, a resposta é não, ela não tem. Ainda assim, decidiu dedicar seu conhecimento gráfico e estético para criar livros inclusivos para deficientes visuais. Ela acabou fazendo ainda mais que belos livros: desenvolveu uma nova versão para o sistema de leitura para cegos, criado por Louis Braille há mais de 100 anos, e com ela vem mudando a experiência de leitura desse público.

Formada em desenho industrial pela FAAP, Wanda sempre trabalhou como designer, mas em 1997 decidiu mudar de foco de atuação e lançou a WG Produto, que é o seu projeto e também uma empresa social, que já nasceu com a missão de trabalhar com design inclusivo. Ela conta que já vinha pesquisando o papel do design na inclusão das pessoas com deficiência, principalmente a visual, e que ao contrário do que perguntam, a motivação foi estritamente profissional:

Ela precisou de cinco anos até conseguir, com o apoio de outros designers, produtores gráficos e de uma gráfica parceira, criar essa nova forma de escrever em braille, que ela chamou de Braille.BR. Trata-se de uma nova tecnologia para imprimir os pontinhos que são uma versão do alfabeto, lido com as pontas dos dedos. “Podemos dizer que ele é uma nova fonte. Assim como um designer pode criar uma nova fonte tipográfica para um alfabeto, fizemos isso com o braille”, conta.

Entre as vantagens em comparação com o sistema convencional, Wanda conta que o Braille.BR tem uma cobertura de verniz que protege os sinais (em relevo) contra o desgaste causado pelo toque das mãos, e que a impressão dos sinais pode ser feita frente e verso sem ficar “negativa” no verso. Além disso, o Braille.BR pode ser impresso por cima de um texto em tinta comum, transformando um livro convencional em um livro acessível sem nenhum prejuízo para quem enxerga ou para o deficiente visual.

MESMO AS COISAS LEGAIS SÃO DIFÍCEIS DE VIRAR

Apesar de trazer todas essas melhorias, Wanda conta que sua tecnologia enfrentou muita resistência, tanto por parte das instituições (que precisariam validar o novo sistema), como por parte das editoras. Isso a levou a reagir, em vez de retrair-se. “Eu não tinha intenção de ser uma editora. Meu plano era continuar com o design e oferecer projetos de livros inclusivos para as editoras. Mas fiquei bastante surpresa delas não terem a menor noção de que o deficiente visual é um público com um potencial muito grande como consumidor. E um público extremamente carente de produtos inclusivos, e principalmente livros”, conta.

Como as editoras não estavam interessadas ou se mostraram inseguras em relação ao projeto, Wanda procurou outros caminhos. Foi atrás de entender como funcionava a Lei Rouanet. “Eu já tinha tudo em mãos, tinha encontrado uma escritora, a Lia Zatz, e uma ilustradora, a Luise Weiss, que haviam topado o projeto do primeiro livro em Braille.BR. Fiz, então, uma lista de empresas para quais eu tentaria vender a proposta, e fui bater de porta em porta.”

Quem bancou a ideia foi a IBM, patrocinando o lançamento do infantil Adélia Cozinheira, lançado em 2010. Foram impressas 3 000 cópias, posteriormente distribuídas em escolas, universidades e bibliotecas públicas.

A coleção Adelia, voltada ao público infantil, é o primeiro projeto autoral da WG e em breve terá versão em espanhol.

A coleção Adelia, voltada ao público infantil, é o primeiro projeto autoral da WG e em breve terá versão em espanhol.

 

Wanda conta que após o lançamento, para sua surpresa, começaram a surgir muitos pedidos de pessoas querendo comprar o livro. Mas não havia tiragem para a comercialização. Ficou a lição. E por conta disso os dois títulos seguintes tiveram uma parte reservada para a venda avulsa. Em 2011, veio o segundo volume da coleção, Adélia esquecida, e em 2012 o terceiro, Adélia Sonhadora. Todos com o patrocínio da IBM.

Hoje é possível comprar os livros direto com a WG, fazendo o pedido por email ou telefone, ou em algumas galerias parceiras. Cada exemplar custa 25 reais. Senão tivessem o patrocínio, Wanda afirma que teriam um custo unitário de cerca de 50 reais, isso porque a produção de um livro inclusivo com a tecnologia Braille.BR é de 20% a 40% mais cara do que com o sistema convencional.

UMA INOVAÇÃO: LIVROS QUE DESPERTAM OUTROS SENTIDOS

A coleção Adélia foi pensada para o público infantil, ou seja, crianças de 3 a 10 anos, incluindo aquelas com deficiência visual com grau de limitação de 10 a 100%. “É importante lembrar que 90% dos deficientes visuais têm algum grau de visão. Pode ser que eles sejam capazes de diferenciar luzes, contrastes ou até mesmo consigam ler letras maiores”, diz Wanda. Por isso ela cria livros que permitem uma legibilidade perfeita do texto em braille, mas também despertam outros sentidos “por meio da percepção de cores, contrastes, de sensações táteis e olfativas com texturas e aromas”. Além do Braille.BR, os livros têm também o conteúdo em texto normal. E são bem cuidados:

E também há o diferencial dos aromas, que impactam qualquer leitor. No Adelia Cozinheira, conta Wanda, a personagem prepara um café da manhã surpresa para os pais: “Imagine… ela vai preparando as coisas, pica uma banana, prepara torradas, pega o suco na geladeira. A última coisa que ela pega são flores para enfeitar a mesa, e essa ilustração tem um cheiro suave de flor”. Nem todas as páginas têm o diferencial, mas a empreendedora conta que o texto é feito de forma a levar o leitor para uma viagem sensorial que também é feita de lembranças. “Este volume estabelece uma relação muito especial com os sentidos olfato, visão e tato, pois ao imaginar que ela está preparando uma refeição isso remete também às lembranças e ao imaginário do leitor, e não somente aos cheirinhos que estão ali aplicados”, conta.

Além da coleção Adélia, a WG criou também um livro inclusivo para o Museu Lasar Segall, de São Paulo. Intitulado Segall portátil, o livro traz as obras do artista em versões com relevo e textura. “O projeto deste livro foi um dos maiores desafios que já recebemos, com concepção e coordenação do setor educativo do museu, foi uma oportunidade de aproximar deficiência visual e arte. É uma publicação experimental que propõe, com base na obra de Lasar Segall, diálogos entre estímulos táteis, visuais, escritos e sonoros”, conta.

EM BUSCA DE GRANA PARA SEGUIR

Hoje a WG trabalha com três frentes: projetos culturais com empresas e instituições (que representam 40% do faturamento), projetos próprios (50%) e consultoria para editoras (10%). Entre as iniciativas próprias, está o lançamento do primeiro volume da coleção Adélia em espanhol. Para isso, Wanda espera conseguir arrecadar cerca de 56 mil reais em uma campanha de financiamento coletivo no Catarse. A ideia é imprimir uma tiragem pequena, 500 exemplares, e levar a obra para países da América Latina. “Participamos dois anos da Feira do Livro de Guadalajara e a aceitação, mesmo com o livro em português, foi surpreendente”, diz ela, que também contratou uma consultoria para orientá-la a respeito de exportações.

Nos últimos cinco anos, a WG publicou ao todo 12.000 exemplares de suas criações, sendo 9.000 de projetos próprios. Para os próximos dois anos, a meta é atingir 18.000 exemplares de projetos próprios, tanto no mercado nacional como no de língua hispânica. Aliás, a expansão para o mercado externo é algo que Wanda lamenta não ter realizado antes. Ela reflete sobre como recebeu o baque inicial de ver que sua ideia não comoveu tanto as editoras quanto ela esperava:

Sobre investidores, ela apresenta outro retrato preciso das dificuldades: “O mercado exige um impulsionamento do negócio, investimentos financeiros para seguir com as pesquisas e novos lançamento. A inovação por si só não garante a atenção das empresas já que estamos falando de um público consumidor que até então não era levado em conta, a pessoa com deficiência”.

Atualmente a equipe da WG conta com mais um designer e um produtor gráfico. Wanda ainda atua como designer e produtora cultural, mas espera que cada vez mais possa se dedicar aos projetos de livros inclusivos. Para ela, hoje a sociedade já entende melhor seu papel em relação a pessoa com deficiência visual, e tanto a população como o mercado vão abrindo portas para projetos inclusivos. “Sempre olhei para os deficientes visuais com curiosidade e como um desafio, me perguntava se de fato as imagens eram algo impossível para eles. Fiz dessa minha inquietação uma forma de utilizar materiais, tecnologias e minha habilidade de criar para gerar a inclusão”, conta. Mulher de visão.

Editoras independentes criam livraria em ônibus escolar e estacionam por SP

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Rizomamóvel, ônibus que funciona como uma loja de livros de editoras independentes Por: Luís Dávila/Folhapress 23/02/2017

Rizomamóvel, ônibus que funciona como uma loja de livros de editoras independentes Por: Luís Dávila/Folhapress 23/02/2017

 

Peri Pane, na Folha de S.Paulo

Um ônibus escolar amarelo, igualzinho aos que aparecem em filmes americanos, chama a atenção de quem passa na rua Rui Barbosa, na Bela Vista, no centro paulistano. Estacionado na altura do número 269, em frente ao restaurante palestino Al Janiah, o veículo teve seu interior transformado em uma livraria colaborativa.

A ideia surgiu do coletivo Rizoma, uma distribuidora independente formada no fim do ano passado pelas editoras Autonomia Literária, Elefante e N-1. A proposta delas é abrir brechas para publicações que não têm espaço em grandes livrarias, funcionando como uma cooperativa, sem fins lucrativos.

“Pensamos em criar uma alternativa de circulação com esse modelo estratégico de guerrilha, chamando uma rede de amigos para ajudar nas vendas com porcentagens mais justas”, diz Cauê S. Ameni, 28, da Autonomia Literária.

O ônibus deve funcionar como um braço cultural da distribuidora para circular livros e ideias. “Pode ser uma plataforma para eventos gratuitos, shows, teatro, contação de histórias, debates e filmes”, diz Bianca Oliveira, 31, da Elefante. Ela projetou o espaço da livraria com a ajuda do pai, que é marceneiro, e do coletivo Piparia.

“Tudo começou com a paixão pelo livro”, afirma o filósofo Peter Pál Pelbart, 60, da N-1. “É uma pena que ele tenha sido reduzido a uma mera mercadoria, quando é um agente de transformação. Livro pode ser uma arma, uma dinamite.”

Além dos livros do coletivo, o Rizomamóvel, como é chamado o ônibus, também traz títulos de outras nove editoras parceiras, como a Lote 42 e a Mino. Ao todo, há cerca de 700 livros.

“A maior parte das editoras independentes trabalha por paixão, não é um mercado que dá muito dinheiro, as tiragens são pequenas e as publicações são muito mais bem-cuidadas”, diz Isabela Sanches, 29, assistente editorial da N-1.

Como um rizoma, raíz que cresce horizontalmente e inspirou o pensamento dos filósofos Félix Guattari e Gilles Deleuze, o coletivo pretende criar uma rede de pequenas editoras que têm as mesmas dificuldades e o desejo comum de circular.

“Hoje, está todo mundo no ‘plim plim’, na telinha. Então, todo espaço aberto para a leitura na rua é muito bem-vindo”, disse a psicóloga Marisa de Melo, 51, ao visitar o Rizomamóvel pela primeira vez.

A estreia do “busão-livraria” foi em frente à Biblioteca Mário de Andrade, no centro, em outubro do ano passado. A segunda parada foi na entrada do centro cultural b_arco, em Pinheiros. Já no começo deste ano, o ônibus estacionou no ponto fixo da Bela Vista. E lá deve permanecer até o fim deste mês.

No futuro, o coletivo deseja botar o ônibus para rodar em bairros da periferia e fazer pequenas viagens. “Temos um custo para se mover, só não rodamos mais por falta de recursos, então apoios são sempre bem-vindos”, diz Tadeu Breda, 32, da Elefante.

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