Vitrali Moema

Posts tagged editorial

Fenômeno editorial planetário, ‘A amiga genial’ enfim chega à TV no domingo

0

Atrizes escolhidas para viverem Lila e Lenù em ‘A amiga genial’ Foto: Divulgação

Série contará as primeiras histórias da saga napolitana de Elena Ferrante que já vendeu 10 milhões de cópias

Carlos Heli de Almeida, em O Globo

RIO — Saverio Costanzo andou cortejando a misteriosa escritora Elena Ferrante muito antes do sucesso planetário de “A amiga genial”. Lançado na Itália no fim de 2011, o livro e suas três sequências venderam, até aqui, mais de 10 milhões de cópias em cerca de 40 países (no Brasil, a série é publicada pela Biblioteca Azul/Globo Livros). Mas era 2007, e o cineasta estava de olho no romance “A filha perdida”, que Ferrante publicara um ano antes e ele queria adaptar para as telas. Decepcionada com propostas anteriores, ela não deu sinal verde.

Daí a surpresa de Costanzo quando foi informado de que havia sido escolhido pela própria escritora para dirigir a série de TV “My brilliant friend”, que estreia neste domingo, às 22h, na HBO. Os dois nunca se viram — mesmo consagrada mundialmente, a autora mantém até hoje sua identidade em segredo e concede poucas entrevistas (sempre por escrito).

— Adoro os livros, mas não me via à frente de uma superprodução desse porte, que cobre décadas da relação entre duas personagens — reconheceu o realizador romano de 43 anos durante o Festival de Veneza, em setembro, onde exibiu os dois primeiros capítulos de “My brilliant friend” em première mundial. — Mas o convite me deixou mais animado do que tenso, porque compartilhávamos do mesmo imaginário e, portanto, sabia qual caminho tomar. Os livros são muito precisos.

A temporada tem apenas oito episódios. Como no livro inicial, eles cobrem a infância de Elena (a Lenu) e Lila, duas amigas que crescem num pobre subúrbio de Nápoles, no Sul da Itália, nos anos 1950. Vizinhas no mesmo bairro operário da cidade costeira italiana, elas vivem os percalços de uma infância cheia de violência e limitações financeiras, as descobertas da adolescência e os primeiros contatos com o mundo adulto. É uma história de uma amizade de uma vida inteira, que sobrevive não só a imposições externas mas também a sentimentos pessoais — nem todos necessariamente edificantes, como inveja e repulsa.

Elisa Del Genio, ou ‘Lenú’, vive ‘Elena Greco’ criança. A personagem é protagonista e narra o romance. Lenu, como é chamada, cresce na pobreza em Nápoles. Divulgação / Divulgação

— Ferrante fala de amizade de um jeito perigoso, tocando em assuntos espinhosos e investigando a verdade do ser humano — argumenta o diretor, que chama Ferrante de escritora “de culhões”. — Digo perigoso porque suas histórias iluminam aspectos obscuros de nós mesmos, com que, por mais pesados e grotescos que sejam, somos capazes de nos identificar. O apelo universal de seus livros vem daí. Ela confronta o leitor com o que ele realmente é, dando-lhe a chance de se aprimorar. É o que a arte costuma fazer.

A série de TV é fiel ao espírito dos livros, mas faz pequenas mudanças na estrutura e na cronologia dos eventos. O roteiro foi desenvolvido pelo diretor, em colaboração com os roteiristas Francesco Piccolo e Laura Paolucci, e a própria Ferrante. Mesmo após tudo isso, o diretor jura que nunca viu a escritora pessoalmente e que as trocas entre os dois aconteceram por email.

Ludovica Nasti é ‘Lila’, ou ‘Raffaella Cerullo’, a amiga genial do título, em sua infância. Filha de um sapateiro, bonita e carismática, ela é uma personagem manipuladora e imprevisível. Divulgação

Ferrante acompanhou todo o processo de escrita, fez sugestões e até escreveu algumas cenas. Foi uma espécie de guia pela trama. Produção da HBO em parceria com a RAI italiana, “My brilliant friend” tem Paolo Sorrentino (de “A grande beleza”) como produtor associado. Principal cenário dos primeiros capítulos da série, o conjunto habitacional onde moram as protagonistas foi construído no terreno de uma antiga fábrica de vidro a 37km de Nápoles. Elisa Del Genio e Margherita Mazzucco vivem Lenu criança e adolescente, e Ludovica Nasti e Gaia Girace encarnam Lila nas duas fases. O elenco foi selecionado entre atores da região.

— Grande parte dos diálogos é em dialeto napolitano, como nos livros. Claro que poderíamos escalar atores de outras regiões, que aprenderiam o dialeto, mas não soaria autêntico — explica o diretor. — Ferrante fez uma tetralogia sobre a alma napolitana, que acredito ser a matriz da identidade italiana.

As jovens que encarnam Lenu e Lila não tinham qualquer experiência anterior com atuação. Elisa entrou para o seriado quase por acaso, porque foi acompanhar o irmão mais velho, de 15 anos, numa sessão de testes. O rapaz não conseguiu um lugar no elenco, mas a irmã chamou a atenção dos produtores, foi convidada a participar das audições e acabou com o papel de Lenu.

— Comecei a fazer os testes a dois meses do fim da seleção, os outros candidatos estavam no processo há sete. Então, fui descoberta nos últimos momentos da fase de casting — lembra a pequena Elisa, de 11 anos. — Tenho alguma experiência como modelo infantil, mas só fiz dois trabalhos até agora.

Ludovica, de 12 anos, também posa para fotos de propaganda. Conhecia pouco — ou quase nada — sobre a tetralogia de Ferrante: até entrar para a série de TV, só havia lido “as três primeiras páginas do primeiro livro da série”. Terminou de ler a obra porque sentiu “curiosidade para saber o que acontecia” com sua personagem”, mas diz que não havia necessidade d isso:

—Minha avó me contou como era viver na Nápoles dos anos 1950. Até o dialeto napolitano, que naquela época era diferente do de hoje, eu aprendi com ela.

Elisa Del Genio e Ludovica Nasti vivem as protagonistas mais velhas Foto: Divulgação

Das quatro, Gaia Girace, 15 anos, a Lila adolescente, é a única que tinha planos de se tornar atriz. Entrou recentemente para uma escola de cinema em Nápoles e aposta no sucesso da série de TV, que impulsionará “a carreira internacional” que almeja.

A tímida Margherita Mancuzzo, que interpreta a Elena teen, só se apresentou para os testes porque vários colegas de colégio foram. Foi escalada no último dia, e diz que se apaixonou pela série:

— Gosto de como as personagens de Elena e Lila se equilibram no primeiro livro, uma apoiando a outra. São livros mágicos, especialmente no jeito como as personagens são descritas, física e psicologicamente.

Penguin Random House assume controle majoritário da Companhia das Letras

0

Luiz Schwarcz, fundador e dono da Companhia das Letras, uma das principais editoras brasileiras (Gabriel Rinaldi/Dedoc)

Em 2012, o grupo já havia comprado 45% das ações da casa editorial fundada por Luiz e Lilia Moritz Schwarcz

Publicado na Veja

A Companhia das Letras anunciou nesta terça-feira que a Penguin Random House assumirá a maior parte do controle acionário da editora brasileira. Em 2012, o grupo já havia comprado 45% das ações da casa editorial fundada por Luiz e Lilia Moritz Schwarcz – uma cláusula nesse contrato já previa que a empresa estrangeira assumisse o controle da editora.

Luiz continuará como o CEO da Companhia das Letras e Lilia, como diretora. Eles continuarão como sócios minoritários. A família Moreira Salles, que era sócia minoritária na editora desde sua fundação, vai se retirar da sociedade.

Em comunicado enviado à imprensa, Luiz Schwarcz disse que “a vida na Companhia das Letras não muda”. O editor afirmou que a casa editorial ganhará “mais apoio para iniciativas importantes, como o acompanhamento em novas formas de distribuição do conteúdo literário”.

Markus Dohle, CEO da Penguin Random House, disse acreditar que a situação econômica no Brasil vai melhorar. “Agora, juntos, continuaremos a expandir ainda mais a Companhia, celebrando a força de nossos times locais e certificando a conciliação das dinâmicas do mercado local com o objetivo compartilhado de conectar nossos autores com a mais rica rede de leitores brasileiros e além”, disse.

Penguin compra a editora Objetiva

0

O grupo adquiriu todos os selos de interesse geral da espanhola Santillana, que inclui 45% da Companhia das Letras e a Objetiva

Livros: no Brasil, a Santillana manterá apenas seu selo de livros didáticos, a Editora Moderna / Getty Images

Livros: no Brasil, a Santillana manterá apenas seu selo de livros didáticos, a Editora Moderna / Getty Images

Publicado por Época

São Paulo – Maior grupo editorial do mundo, a Penguin Random House adquiriu todos os selos de interesse geral da espanhola Santillana. No Brasil, a primeira detém 45% da Companhia das Letras e a segunda havia incorporado a Objetiva em 2005, o que significa que as duas concorrentes nacionais agora fazem parte do mesmo conglomerado.

Com o negócio, devem se tornar a segunda ou a terceira editora no Brasil – os dados não são precisos uma vez que resultados financeiros não são divulgados.

O anúncio foi feito na quarta-feira, 19, em Madri. Pelo acordo, a nova empresa Penguin Random House Brasil adquire a totalidade do controle da Editora Objetiva, incluindo os selos Alfaguara, Suma, Fontanar, Ponto de Leitura e Foglio.

O acordo inclui também os selos editoriais da Santillana da Espanha, Portugal e América de língua espanhola. No Brasil, a Santillana manterá apenas seu selo de livros didáticos, a Editora Moderna.

No Rio, os diretores da carioca Objetiva e da paulistana Companhia das Letras deram entrevista garantindo que nada mudará no dia a dia das casas, que se mantêm independentes.

“O editor é a matriz, tem a sensibilidade, a criatividade. Isso é o que move o desenvolvimento editorial de cada selo, isso não muda. Fala-se muito da questão global, mas se perde essa questão de vista”, disse Roberto Feith, fundador e diretor geral da Objetiva.

“Se, por um lado, existe o processo de consolidação, por outro, o DNA do trabalho editorial, a prática do dia a dia, não é afeito a isso, pois é totalmente individualizado. Na fusão da Penguin com a Random House, vimos uma união na área operacional, mas manutenção da área editorial absolutamente igual”, explicou Luiz Schwarcz, diretor geral da Companhia.

Segundo Feith, as conversas da Santillana com a Random House começaram em 2012, antes da fusão com a Penguin. “A união com a Companhia é bem-vinda pois se trata de uma editora-referência no mercado”, com um espírito parecido com o da Objetiva. Quanto à concentração do mercado, ele destacou que esta é uma tendência geral, “que se aplica ao mercado de telefonia ou de cerveja”.

Os dois editores continuam nas suas funções; a diferença é que Schwarcz (com sócios) ainda tem 55% da Companhia e Feith não é mais acionista da Objetiva. “Estou confortável. O acordo garante a perpetuação da editora”, afirmou Feith.

Com um volume de negócios da ordem de € 3 bilhões e alguns dos maiores best-sellers do mundo, como Dan Brown e John Grisham, a gigante Penguin Random House nasceu em julho de 2013, com a união das empresas de origem britânica e alemã, respectivamente, e controla um quarto da distribuição de livros no mundo. Quando do anúncio, foi divulgado que o Brasil estava na mira.

A Companhia das Letras e a Objetiva detêm, juntas, 10% do mercado brasileiro. As duas acreditam que a aquisição trará novas oportunidades para os autores nacionais e dará gás à comercialização de e-books no País, cujo faturamento hoje responde apenas por cerca de R$ 1 milhão de um total de R$ 5 bilhões em negócios.

Em Madri, Markus Dohle, diretor geral da Penguin Random House, disse que “a operação atende aos nossos dois principais objetivos estratégicos: fortalecer nosso compromisso com a publicação de livros em língua espanhola, incrementando nosso potencial comercial e literário em um dos mercados linguísticos mais dinâmicos do mundo, e estabelecer uma forte presença no Brasil”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autores argentinos discutem as dificuldades de penetração no mercado editorial brasileiro

0

Federico Lamas, Andrés Neuman e Fabián Casas têm obras recém-lançadas no país

O escritor argentino Andrés Neuman Divulgação

O escritor argentino Andrés Neuman Divulgação

Mariana Filgueiras em O Globo

RIO – No fim do ano passado, o descabelado ilustrador argentino Federico Lamas, 34 anos, tomou um avião em Buenos Aires, desceu no Galeão e foi direto para a antiga fábrica da Bhering, onde acontecia a festa de lançamento da segunda edição de seu primeiro livro, “Vá para o diabo!”, uma espécie de romance ácido em 3D. Lançada no Brasil pela Bolha Editora — que tem por perfil lançar títulos tão “despenteados” quanto Lamas —, a obra tinha esgotado sua primeira edição, de mil exemplares, só com a venda em feiras alternativas.

Se o feito já seria raro para romances nacionais (e tradicionais), é ainda mais fortuito para um livro de narrativa essencialmente visual — quase não há texto, só ilustrações — e de um autor argentino independente. Lamas ficou tão surpreso com o resultado que aproveitou para trazer na mala um novo título, “Picante de língua”, um ensaio em forma de zine que mistura gastronomia punk, política e erotismo.

Na mesma época, outro autor argentino, também independente, teve seu primeiro livro lançado no Brasil, apesar de ser velho conhecido das feiras literárias latino-americanas: o poeta Fabián Casas, 48 anos. O volume de contos “Os Lemmings e outros”, publicado na Argentina em 2006, foi pinçado pelo curador paulistano Joca Reiners Terron para ser um dos destaques da coleção Otra Língua, da editora Rocco, que desde meados do ano passado vem publicando títulos de autores latinos pouco conhecidos por aqui.

“O Brasil intimida o resto da América Latina”

Enquanto isso, a Alfaguara aposta no lançamento de “Falar sozinhos”, novo romance do também argentino (e premiado) Andrés Neuman, 36 anos, um dos selecionados pela revista inglesa Granta como um dos 22 melhores jovens escritores latino-americanos em 2012. Para um mercado editorial que demonstra pouco interesse nas novidades hermanas, a presença de nomes como esses nas prateleiras das livrarias brasileiras chama a atenção dos próprios autores:

— O Brasil intimida um pouco o resto da América Latina. É um país grande, que tem produção editorial para se abastecer, há a diferença de idioma, além de uma falsa ideia de que parece não se interessar pelo resto. Mas aos poucos está havendo uma mudança, não só com autores do mainstream. Acredito que no mercado independente um autor possa ser mais preciso. Se eu vender, vamos dizer, três mil livros, mas distribuídos de maneira mais precisa, onde há público para este livro, é, para mim, o equivalente a vender 20 mil em muitas livrarias — diz Lamas, que, por causa das ilustrações quase alucinógenas de sua obra, chamou a atenção do grupo Bonde do Rolê, que o convidou para fazer a arte da capa do álbum “Tropical bacanal”, a ser lançado neste ano.

Ilustrado com uma técnica que dá a ilusão de 3D, “Vá para o diabo!” é o hit da Bolha Editora. O livro conta a história de um casal em crise, que pode ser lida da forma tradicional, correndo os olhos pelas páginas, ou de outra completamente diferente, usando a pequena lente vermelha que acompanha o volume, chamada pelo autor de “visão infernal”. Através dela, a trama ganha novos personagens, sensações e acabamentos.

— O livro tem um efeito infernal bastante universal, pode ser só algo gracioso, mas também obscuro. As pessoas descobrem sozinhas como acontece a leitura, é quase um jogo. Já estou na quarta edição na Argentina, publicadas por mim mesmo, e comecei a distribuir pouco a pouco em outros países. Este que trouxe, “Picante de língua”, é uma investigação: eu fazia residência artística na Bolívia em 2012 quando descobri um prato típico que leva esse nome gracioso. Pesquisei a expressão e vi que também era um eufemismo para sexo oral, e fui descobrindo histórias correlatas. Compilei tudo de maneira enciclopédica e editei como um zine — detalha Lamas.

Acompanhado há anos por escritores como Xico Sá e Joca Terron, que não se furtam em citá-lo em entrevistas e conferências, e considerado pelo escritor Carlito Azevedo como um dos mais importantes autores contemporâneos da Argentina, com 12 livros publicados, Fabián Casas não tinha sequer uma obra traduzida para o português até o lançamento de “Os Lemmings e outros” pela Rocco, com contos que passeiam autobiograficamente pelos personagens de seu bairro natal, Boedo. Essa não é, no entanto, uma questão que aflige o autor de versos como “De ese tiempo me queda/ un beso frío en el hígado/ y cierta arqueología/ en la paranoia” (do poema “Comics”, disponível em seu site).

— Durante 20 anos escrevi em silêncio no meu país, sem que ninguém prestasse atenção, e isso foi fundamental para que eu pudesse estudar grandes poemas e me meter embaixo deles como se mete um mecânico debaixo de um automóvel para ver como funcionam. Assim, ainda que eu tivesse leitores no Brasil, entre eles alguns grandes escritores, não me preocupava o tempo que demoraria ter um livro em edição brasileira. Acredito que a literatura, quando tem que aparecer, aparece. Há milhares de pessoas neste momento escrevendo oralmente o Sermão da Montanha em bares, escritórios, pontos de ônibus, favelas e praias. O que é necessário é ter o ouvido atento para escutá-los — atesta o poeta, que prefere ler a escrever.

Um dos que Fabián Casas gosta de ler — e que considera um autor notável — é Andrés Neuman, outro hermano que teve seu último romance recém-publicado no país, “Falar sozinhos”.

Formas de falar sozinhos

Radicado na Espanha, onde dá aulas de literatura latino-americana, Neuman acredita que a falta de interesse pelo mercado editorial latino, como um todo, entre países vizinhos, seja uma mistura de fatores econômicos com culturais: para ele, além de haver pouco interesse em estabelecer pontes de comunicação entre culturas próximas, o continente tardou muito em reconhecer seu próprio potencial:

— Por um lado, o mercado editorial está interessado em best-sellers. Por outro, a América Latina demorou a perceber as infinitas possibilidades que têm uma boa sinergia interna. E isso é mais culpa nossa, de nossos próprios hábitos culturais. Me parece especialmente triste a ignorância que a comunidade de leitores de espanhol tem dos autores em português. Acredito que o contrário ocorra menos, porque o leitor brasileiro já tem consciência de que ao seu redor se fala outra língua — defende Neuman, que retribui o encanto pela literatura de Casas (“Tem poemas extraordinários, bem-humorados e filosóficos”) e que, ainda que não conheça os livros de Federico Lamas, é fascinado por suas ilustrações (“Tem um website lindo”).

Em “Falar sozinhos”, a trama acompanha uma morte por três pontos de vista: o do pai, o da mãe e o do filho de 10 anos. São também três narrativas completamente distintas: a do pai tem a falta de fôlego dos desesperados; a da mãe avança pela intertextualidade — a personagem é professora de literatura, está o tempo todo a citar autores e livros; e a do filho assume o ritmo infantil de uma redação escolar.

— As vozes de Elena, Mario e Lito refletem três intimidades diferentes, mas também as três formas que temos de falar sozinhos: o pensamento, a oralidade, a escrita. De nada serve o fato de os personagens terem experiências diferentes se o autor os faz falar e respirar da mesma maneira — descreve Neuman, animado com os primeiros retornos que o romance teve no Brasil. — Construí cada personagem com temor e muitas dúvidas. Tratando de escutar suas vozes. Averiguando suas sintaxes, a respiração de cada um. Para mim, se não há voz, não há personagem. Me diverte pensar que um romancista é como um detetive particular que trabalha todos os dias seguindo uma gente que não existe. E, por final, por insistência da imaginação, os personagens começam a existir.

Depois de ler, doe

0

Mariana Sanchez, no Orelha do Livro

Uma ONG australiana, em parceria com o selo editorial Random House, criou um projeto interessante para incentivar a doação de livros depois de lidos. A ideia dos “Mailbooks for Good” é bem simples: quando você compra um livro da Random House Austrália, ele já vem com uma contra-capa especial que se transforma em um envelope pré-pago. Aí é só dobrar e postar o livro no correio para uma instituição de caridade. Além de nobre e singelo, o gesto ainda facilita a vida de quem quer se desfazer dos volumes já lidos e abrir caminho para as próximas leituras.

Go to Top