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Manifesto popular pede mudanças na educação brasileira

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Abaixo-assinado deve ser entregue ao ministro da Educação nesta terça, dia 19 de novembro

Publicado por Terra

Cadeiras enfileiradas em frente ao professor que fala por 50 minutos sem parar. O cenário comum às salas de aula brasileiras já não é mais tão bem aceito por alguns educadores, tampouco pelos alunos. A escola de hoje segue um modelo do século 19, diz Ely Paschoalick. Ela é uma das muitas pessoas insatisfeitas com a educação nacional que resolveram desenvolver o Terceiro Manifesto pela Educação – “Mudar a Escola, Melhorar a Educação: Transformar um País”. A iniciativa lista 19 indicativos de qualidade considerados necessários para se chegar a uma mudança escolar.

“É um manifesto que tem como proposta mudar os paradigmas da escola que está posta no Brasil”, diz Ely. Esta é a terceira tentativa de reformulação do sistema escolar através de um manifesto. O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova está na gaveta há 81 anos; o segundo, de 1959, intitulado Manifesto dos Educadores, teve grande apoio de intelectuais, mas também não foi posto em prática. O atual projeto surge on-line, com uma petição no Avaaz (plataforma que possibilita a criação de abaixo-assinados pela internet), correndo com listas físicas para coleta de assinaturas.

O manifesto indica, por meio de estatísticas oficiais, que a situação da educação brasileira está aquém da desejada. Um relatório da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), de 2010, levantou que R$ 56 bilhões foram desperdiçados por más políticas públicas no setor. Entre os 100 países com melhor Índice de Desenvolvimento Humano do mundo, o Brasil é o terceiro com maior taxa de abandono escolar: 3 milhões de jovens deixam os estudos anualmente e 47% dos universitários desistem no meio do curso.

“O sistema é ultrapassado e tenta perdurar. Não tem mais sentido científico nem legal”, afirma Ely. A divisão etária é um dos pontos considerados antiquados pela educadora. Segundo ela, a separação das crianças pela idade no momento de entrada na escola vem da década de 1930. A medida era necessária para limitar as vagas públicas, devido à grande procura e à pequena oferta. O Estatuto da Criança e do Adolescente tornou obrigatório o oferecimento dessas vagas a crianças e adolescentes e hoje raramente elas faltam, afirma Ely. “O corte etário não é científico. Qual a diferença da criança que nasceu em 30 de maio e 1º de junho? Isso era somente um instrumento para diminuir a quantidade de vagas, assim como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é um instrumento para diminuir a quantidade de vagas na universidade”.

Os períodos de 50 minutos nos quais as aulas são divididas remetem a um período ainda mais distante: são herança da divisão precisa de tempo imposta pela Revolução Industrial. Já do século 19, vem uma divisão cartesiana das disciplinas, que enfraquece o diálogo entre uma disciplina e outra. A consequência, aponta Ely, é a dificuldade no aprendizado. As aulas frontais, com o professor de frente para os alunos, falando ininterruptamente, desestimulam os jovens: apenas 30% da população tem condição de apreensão somente por estímulo oral, afirma.

Para superar este obstáculo, o manifesto ressalta a necessidade de se criar uma experiência sinestésica (que estimule outros sentidos) e um maior vínculo afetivo. “O aprendizado passa por um vínculo afetivo, que só acontece hoje se houver hora-extra com o aluno. O estudante não pode exercer a cidadania dentro da escola, não se relaciona com colegas e professores, não relaciona uma matéria com a outra. Nós propomos uma mudança efetiva nesse comportamento passivo”. Para isso, a grande aposta é a implantação de comunidades de aprendizagem, que pretendem “derrubar muros” e tirar o aluno de sala de aula, levando-o, com o professor, a um contato direto com a comunidade – o modelo é diferente do conceito formal de comunidades de aprendizagem criado pela Universidade de Barcelona e implementado pelo núcleo da Universidade Federal de São Carlos, que busca, além da interação com o entorno, resultados escolares comprovados cientificamente.

A realidade do século 21, com jovens ansiosos por saber de tudo com velocidade, parece não ter sido absorvida pelas políticas de educação. “O atual sistema é um bolo com massa e recheios podres e um lindo glacê branco por cima. Aí vem um sistema de governo e troca o glacê, vem o outro e põe um moranguinho. Nenhum mexeu na massa, como queremos”, acredita Ely.

Origem do manifesto
Desde 2008, um grupo chamado Românticos Conspiradores se reúne pela internet para discutir ideias para uma educação democrática. Há um ano, eles começaram a pensar o manifesto, mas, nos últimos cinco meses, a entrada de um grande número de educadores, pais e interessados pela educação em geral impulsionou a elaboração do projeto. O manifesto é público, ressalta Ely, foram quase 200 pessoas contribuindo na produção – entre elas educadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Brasília (UnB) e de outras instituições de Sul a Norte do País. Entre os redatores, está o português José Pacheco, criador da revolucionária Escola da Ponte, e uma das inspirações para o grupo.

Desta vez, diferentemente dos outros dois manifestos, a esperança de efetivação das mudanças reside na democracia. Enquanto o manifesto de 1932 foi redigido durante a Era Vargas, o de 1959 foi proposto em pleno Regime Militar. Outro fator que pode contribuir para a implantação das reformas defendidas é que as estratégias propostas estão dentro da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), criada em 1961 e reformulada em 1996.

Nesta terça, dia 19 de novembro, em Brasília, durante a abertura da Conferência Nacional de Alternativas para uma Nova Educação, o manifesto deve ser entregue ao Ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Ao mesmo tempo, em diversas outras cidades, as Câmaras Municipais receberão cópias. A partir daí, o grupo pretende, em um ano, traduzir o manifesto em três idiomas e divulgá-lo mundialmente.

Manifestos engavetados
Com o apoio de 27 intelectuais como Cecília Meireles e Anísio Teixeira, o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova propunha já em 1932 uma escola pública, obrigatória, laica e gratuita, para além dos limites da classe social. Além disso, enfatizava a necessidade de uma formação qualificada dos professores. Já o Manifesto dos Educadores: Mais uma Vez Convocados, escrito em 1959, contou com a assinatura de 161 nomes – entre eles Florestan Fernandes, Sérgio Buarque de Holanda, Nelson Werneck Sodré e Fernando Henrique Cardoso. Nele, os princípios da educação nova foram ressaltados, e a bandeira da educação como bem público e dever do Estado voltou a ser levantada.

Ex-alunos da USP são homens, têm até 40 anos e atuam no setor público

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Estudo feito pela vice-reitoria analisou 10 mil questionários e traçou perfil.
Egressos da pós-graduação são mais velhos e têm salários maiores.

Publicado por G1

Sala de aula na USP (Foto: Ely Venâncio / EPTV)

Sala de aula na USP (Foto: Ely Venâncio / EPTV)

Pesquisa feita pela vice-reitoria da Universidade de São Paulo (USP) sobre o perfil dos estudantes formados na graduação pela instituição mostra que, em média, eles são homens, têm até 40 anos, ganham entre R$ 3 mil e R$ 6 mil, 49% atuam no setor público e 8% em empreendimentos próprios. O aluno que se forma na pós-graduação tem até 45 anos, recebe de R$ 6 mil a R$ 10 mil e 62% trabalham em órgãos públicos.

O levantamento divulgado nesta semana pela USP foi feito entre os meses de outubro a dezembro do ano passado, por meio de um questionário disponibilizado na internet. Cerca de 12 mil foram respondidos e, após a filtragem dos dados, 10.301 foram selecionados para a análise. Todas as unidades de ensino estavam representadas na pesquisa. Havia questões sobre ano de formação, área de atuação, faixa salarial e avaliações sobre a infraestrutura física e acadêmica da USP.

Perfil dos ex-alunos da USP:

Graduados: Em média, são homens, têm até 40 anos e ganham entre R$ 3 mil e R$ 6 mil

Pós-graduados: Maioria é formada por homens com até 45 anos e salário entre R$ 6 mil e R$ 10 mil

Quanto ao porte da empresa, 60% dos egressos de graduação afirmaram que hoje estão trabalhando em grandes empresas. Na pós-graduação, essa porcentagem chega a 65%. A variação entre o percentual de cada faixa salarial é menos significativa. Na graduação 26% ganham entre R$ 3 mil e R$ 6 mil e, na pós-graduação, entre R$ 6 mil e R$ 10 mil (32%).

Do total, 3.194 entrevistados responderam que fizeram apenas cursos de graduação na USP, enquanto 7.107 fizeram tanto a graduação quanto a pós-graduação na universidade. Nos dois grupos, a maior parte é formada por homens (53% na graduação e 52% na pós-graduação).

A faixa etária de grande parte dos graduados é de até 40 anos, representando 73% da amostra. Na pós-graduação, 74% deles têm até 45 anos. No que se refere à formação no ensino médio, 33% dos egressos o cursaram exclusivamente em escola pública. Em relação ao ensino fundamental, essa porcentagem chega a 38%.

Nota baixa para equipamentos
O questionário também reuniu perguntas sobre a qualidade da USP. Os ex-estudantes tiveram a oportunidade de avaliar, em uma escala de um a cinco (péssimo a excelente), itens sobre adequação do currículo, biblioteca e infraestrutura, entre outros.

O resultado das análises, que tiveram valores ligeiramente elevados na pós-graduação, mostrou que os sete itens pesquisados foram avaliados como ótimos. Entretanto, a questão da qualidade dos equipamentos foi a que teve pior avaliação, com média de 3,6. A qualidade docente ficou com a maior média entre os grupos (4,1).

Com cruzes e roupas pretas, alunos de medicina da UFSCar protestam

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Estudantes simbolizaram o luto pelo fim do sonho de formação em medicina.
Eles reclamam da falta estrutura no curso e da indefinição sobre estágios.

Estudantes de medicina da UFSCar fazem protesto de luto em São Carlos (Foto: Ely Venâncio/EPTV)

Estudantes de medicina da UFSCar fazem protesto de luto em São Carlos (Foto: Ely Venâncio/EPTV)

Publicado por G1

Cruzes e roupas pretas simbolizando luto marcaram um protesto realizado, na tarde desta quarta-feira (24), pelos estudantes do curso de medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que estão completando 40 dias em greve. Eles reclamaram da falta de estrutura do curso e da demora para a aprovação do acordo de estágios nas unidades de saúde da cidade. Em nota, a Prefeitura afirmou que o anteprojeto está sendo elaborado pelo setor jurídico e deve ser encaminhado aos vereadores na próxima semana.

A manifestação aconteceu nas ruas do campus. Os alunos caminharam vestidos de preto e com cruzes representando o fim do sonho de formação em medicina. Eles também levaram uma faixa criticando o Ministério da Educação (MEC) pela situação do curso.

Estudantes de medicina da UFSCar fazem protesto de luto em São Carlos (Foto: Ely Venâncio/EPTV)

Estudantes de medicina da UFSCar fazem protesto
de luto em São Carlos (Foto: Ely Venâncio/EPTV)

Também houve a leitura de um obituário simbólico sobre os projetos ideais da educação médica no país. Em seguida, as cruzes foram colocadas no terreno da Praça da Bandeira.

O MEC informou, em nota, que a pauta de reivindicações dos estudantes foi debatida com a universidade e os pontos já foram equacionados. “O entendimento sobre a realização de estágios na rede municipal, porém, depende da ultimação de tratativas entre o executivo municipal e a Câmara dos Vereadores”, dizia um trecho do comunicado.

A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que o anteprojeto ainda está sendo elaborado pelo setor Jurídico para ser enviado à Câmara, já que o acordo com a UFSCar prevê mudança na jornada de trabalho dos médicos.

“Para isso, é necessário uma análise do plano de carreira dos profissionais para que não haja nenhum entrave”, informou a assessoria. A previsão é que o projeto seja enviado na próxima semana para votação dos vereadores.

Estudantes de medicina da UFSCar fazem protesto de luto em São Carlos (Foto: Ely Venâncio/EPTV)

Estudantes de medicina da UFSCar fazem protesto de luto em São Carlos (Foto: Ely Venâncio/EPTV)

Greve
Os estudantes de medicina da UFSCar entraram em greve no dia 15 de março, já que havia falta de estrutura para continuarem estudando. Estágios paralisados nos postos da cidade, falta de professores, atraso na entrega de laboratórios e internatos em outras cidades foram os principais problemas apresentados.

No dia 5 de abril, a Prefeitura e a universidade entraram em um acordo para o novo contrato para o credenciamento de médicos preceptores, que orientam os alunos nos postos de saúde. Porém, 19 dias depois, o projeto ainda não foi aprovado pela Câmara de Vereadores, o que gerou reclamações dos estudantes..

Eles também cobram um posicionamento do Ministério da Educação (MEC) sobre os problemas do curso, que não teria estrutura. Segundo eles, faltam professores e a entrega do 2º departamento de medicina, que vai abrigar alguns laboratórios, está atrasado.

Em entrevista o Jornal Regional do dia 1º de abril, o reitor da UFSCar, Targino de Araújo Filho, disse que seis vagas para professores em aberto e que novos concursos serão feitos. Ainda explicou que outros professores podem assumir o lugar dos que estão faltando. Sobre o 2º Departamento, ele admitiu que houve atraso por problemas com a empresa responsável pela obra e que a primeira parte será entregue até o final de abril.

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