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Saga quixotesca de um recém-formado à procura de emprego na Pauliceia

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Eliane Trindade na Folha de S.Paulo

Ele desembarcou em São Paulo em 1º de agosto após 18 horas de viagem desde Foz do Iguaçu em um ônibus de sacoleiros. Trazia na bagagem o diploma em Letras pela Unila (Universidade Federal de Integração Latino Americana ) e os sonhos, definidos como “fumaça na penumbra, belos e efêmeros”.

Bruno Eliezer Melo Martins, 27, logo descobriu que sonhar na Pauliceia, para um rapaz “latino americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior” como ele, é tarefa quixotesca.

Tal qual Dom Quixote de la Mancha, do romance de 1605 de Miguel de Cervantes, o mineiro de Poços de Caldas tenta vencer seus moinhos de ventos, enquanto busca emprego como mediador cultural, tradutor (de espanhol e francês), revisor ou educador.

Nas entrevistas de emprego, ele usa o terno comprado no Paraguai com dinheiro emprestado por um amigo para fazer bonito na cerimônia de colação de grau em julho.

Um outro amigo descolou a casa na qual ficou alojado nos primeiros 20 dias em Sampa. A aclimatação à metrópole inóspita foi em meio aos livros da sortida biblioteca da família em viagem aos Estados Unidos.

“Creio que nesse período li uns 15 livros. Tenho uma meta de, copiando o exemplo de José Mindlin [bibliófilo], ler ao menos dois por semana”, diz o recém-formado bacharel, filho de um serralheiro e de uma dona de casa.

Leu tanto (de Samuel Beckett a Julio Cortázar, passando por José Lezama Lima, autor pelo qual se apaixonou na graduação), que “na solidão de uma casa de artista até pensei que poderia ser feliz ali.”

Com a volta dos donos, Bruno foi parar numa ocupação do Movimento dos Sem-Teto no centro de São Paulo. Pesadelo que durou dez dias.

“Não gosto nem de lembrar, fiquei doente, vi gente passando fome, tentei organizar qualquer coisa e não consegui diálogo, assembleias todos os dias, vi gente usando muita droga, pessoas enfermas e em estado degradante. Ainda é difícil falar de tudo que vi e vivi ali. Foi duro, triste.”

De lá saiu para um quartinho, com um beliche e uma cama, sobre a qual abriga seus livros, um guarda-roupa e uma pequena mesa. Aluga o cômodo no apartamento de uma senhora simpática, que o faz lembrar da dona de pensão do conto “As Formigas”, de Lygia Fagundes Telles.

É dali que pesquisa sobre possibilidades de empregos, envia currículos. “Não para poetas, mas qualquer vaga.” Ele conta que dia desses foi à avenida Paulista ler poemas de Manuel Bandeira: Estrela da Manhã, Pasárgada.

“Mas os pedintes pareciam receber mais moedas que eu. Percebi que recitar Bandeira e não ser escutado era um desrespeito com o próprio. Poesia não pede esmola, tampouco a literatura precisa disso.”

O recém-formado também desbrava a riqueza cultural de uma São Paulo cosmopolita e cara. “A cidade oferece muitas opções e dentro das minhas possibilidades tenho participado, algumas (a maioria, na verdade) são pagas, os cursos são caríssimos e nem todos oferecem bolsas ou descontos”, lamenta, mas se joga nas bibliotecas públicas e em cursos gratuitos que garimpa.

Sua preocupação maior, admite, é a absoluta falta de recursos financeiros. “Meu salário é o pouco do cheque especial que ainda tenho. A situação é de completa pindaíba, as contas chegam, sei que em breve conseguirei algo, mas penso quase com desespero neste momento.”

Em meio ao “ciclo vicioso dos desprovidos de recursos”, Bruno relata como é duro saber que sem um tostão não se pode nada. “Porém sigo como um Quixote inabalável em busca do literário, da paixão, da vida, dessa busca pela dignidade através do poema, da cultura, da beleza.”

“Não sou um sujeito revoltado, mas a minha intensidade da busca pela cultura é uma grande forma de protesto frente ao capital agressivo, ao imediato, à causa e ao efeito.”

A seguir, trechos das “Quixotadas Paulistanas”, o diário que o bacharel em letras, está escrevendo sobre suas vivências na Pauliceia, embrião do primeiro romance de um jovem sonhador.

“O que quero mesmo é escrever não sobre o que me passa, mas sobre a ficção prazerosa da própria vida. Não sei que será do futuro, como se dará minha vida. Às vezes, a única certeza é a incerteza. Mas nessa incerteza há também um prazer incontido de estar vivo e acreditar, por mais que digam o contrário, que o sonho é o caminho mais belo para a realidade.”

QUIXOTADAS PAULISTANAS

Prestes a completar dois meses em São Paulo e na antevéspera de seus 27 anos, nosso personagem vai a uma reunião que definiria seus rumos.

Na verdade, sua reunião era mais do que uma simples entrevista de emprego marcada pela recrutadora para cumprir sua meta diária de entrevistas, era a primeira vez em todo o período de sua estada em São Paulo que lhe convocavam para uma reunião/entrevista.

O dia de nosso personagem e candidato começou com uma parcimoniosa preparação com o requinte de um primeiro dia de trabalho, colocando aquele seu melhor terno e chamuscando a si com o restinho do perfume almiscarado, presente de tantos anos, de um amigo rico.

Nosso personagem tinha certeza de que a vaga seria sua, tinha confiança e pensava que seria um presente do céu que viria para sanar suas relações com cruéis credores e mercenários bancos.

Não viu problema em tomar um café numa boa cafeteria, comer dois croissants, pedir geleia de damasco e mais um expresso, para pagar, usou elegantemente seu cartão de crédito cujo limite foi atingido com aquela última compra.

Marcada para às 10h da manhã, lá vai o nosso candidato à vaga de professor em uma escola particular.

No prédio em que fica o escritório da agência de empregos, na rua Sete de Abril, é muito cordialmente recebido pelo porteiro que lhe indicou o sétimo andar na sala 107.

Por alguma razão, nosso candidato se sentiu oprimido por tantos setes e até se lembrou do sétimo pecado na lista dos dez melhores mandamentos, não roubarás, lembrou-se então de que não cometeria nenhum deslize e jamais mentiria em uma entrevista.

A sala 107 estava repleta de todas as pessoas, na recepção após pedirem-lhe a carteira de identidade, mandaram-no aguardar. Sentiu-se um pouco incomodado por ter um tratamento tão padrão, mas não deu muita importância a isso. Queria mesmo é falar de literatura e dos romances que já lera.

Possivelmente o candidato observou todas as outras pessoas e imaginou histórias, todos eles estavam como ele, desempregados e inservíveis, fora das engrenagens, nas margens da população economicamente ativa, sem dinheiro para pagar as contas mais básicas e comendo no crédito.

Nosso candidato pensou na dureza da vida e nos nãos que todos aqueles poderiam ouvir, mas para si, visualizava em sua primeira entrevista um glorioso sim e começaria a trabalhar como professor de literatura com um modesto salário, mas que seria o suficiente para vida digna, isto é, com as contas pagas.

Quando foi chamado, nosso candidato falou muitas coisas interessantes e que serviam para a vida, falou até de Dom Quixote resumindo a história para a entrevistadora que disse não conhecer, um cúmulo para o entrevistado.

Em resumo, disse a ela, Dom Quixote é a aventura de um leitor fascinado.

No final, a entrevistadora agradeceu muito a disponibilidade do candidato, mas não poderia dar prosseguimento ao processo seletivo, sem explicar o porquê, ela desejou-lhe boa sorte.

Nosso candidato não exigiu explicações, preferiu aceitar dignamente seu primeiro não e sair de cabeça bem erguida e também sorrindo para disfarçar que bem dentro de si ocorria uma tormenta que faziam os olhos marejar daquilo que chamam de decepção.

QUIXOTADAS NÚMERO 2

Nosso candidato, ao sair de seu primeiro e sonoro não, caminhou pelas ruas desconhecidas até uma casa de velas.

Velas e alfazema, mesmo sem ter o que comemorar não resistiu e comprou um robusto, se não para fumar, ao menos para guardar, marcando esse dia. Pagou o charuto com as moedas e as notinhas amassadas que ainda restavam em seus bolsos.

Sentiu as alfazemas como um perfume que lhe traria boas notícias, fechou os olhos e respirou profundamente o ar a loja de produtos esotéricos e saiu com o havano no bolso e ainda sem rumo.

É muito difícil saber o que realmente se passa com nosso candidato, um sujeito de tanto maravilhamento, mas também meio triste com a vida, com as coisas e com os sem rumos de seu itinerário.

Seus pés querem leva-lo em várias direções e por isso, parado espera para pensar para onde poderia ir. Vê uma banca de doces, se pudesse compraria um pé-de-moleque, já não há dinheiro.

Vê um viaduto, e do outro lado da calçada, um antiquário. Resolve caminhar até lá para conhecer um pouco das histórias de pessoas tão desconhecidas que um dia usaram aquelas quinquilharias.

O candidato viu um divã e ficou impressionado com seu formato, nada que fugisse as regras de um divã convencional, mas os pés eram dourados e era revestido por couro branco. Se possuísse um studio poderia comprar aquele divã e nele leria as obras completas de Freud e Lacan.

A dona do antiquário acompanhada de sua cadeira giratória observa todos os passos do candidato, muito provavelmente sabendo que não conseguirá dele nenhum tostão.

O candidato sai, continua sem rumo, mas, mesmo sem querer encontra um caminho conhecido, seus pés que o querem em todas as direções encaminha-o para o quarto alugado.

Sem pretensões entra no quarto, tira o calçado, deita e olha a luminária de duas lâmpadas, mas que só tem uma. Não sabemos que pensa o candidato. Mas é possível perceber que ele ainda sonha em trabalhar, talvez como poeta.

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De como passou o candidato uma manhã fria, sem ter onde ir.

É na brisa empoeirada da manhã que nosso candidato se debate em pensamentos de ternura para com seu primeiro emprego imaginário.

Sonha acordar cedo, preparar a valise com cadernos e canetas, tomar o café preparado por ele mesmo e sair para labutar os versos da vida.

Pensar na vida enquanto lavra as réstias de um equilibrado poema sobre a desventura de viver nesse tempo….

Nosso candidato caminha ainda com o comércio fechado, observando os pictogramas nas portas sem identificar qualquer coisa de compreensível…

Caminhava olhando atentamente o chão com a sujeira e os paralelepípedos semi soltos, fixava o olhar em bitucas de cigarro procurando identificar a marca, recolhia algum pedaço de papel para ler, pensando ser um trecho de algum poema.

Nosso preocupado candidato corria os olhos nas placas, nos stands, nos vendedores de bolos e cafés que se acumulam nas calçadas. Pensou que poderia fumar, mas não havia cigarros e se lembrou que havia deixado de fumar.

O sal do suor frio que lhe descia nas pestanas e a respiração ofegante de uma manhã de caminhos apressados para lugar algum conferiam ao nosso candidato o sono do desalento de suas aventuras.

Não poderia ser diferente, a busca por emprego era um segredo só seu e permitir que os outros soubessem de sua falta de ocupação corresponderia a reconhecer o fracasso de tantos anos.

Por isso, nosso candidato mantém uma série atividades como sair apressado pela segunda-feira e procurar em todos os lugares, inclusive embaixo das pedras e nos bancos indicativas de empregos quaisquer.

Nesse momento o candidato pensou até na vaga de pedinte, porém, sabemos que nosso candidato tem muito orgulho e, caso recebesse essa oferta, recusaria tal vaga.

O varredor, que varria a rua pela qual passava o candidato, sorria cantando uma trova muito alegre, mas o cantante não fez mais que aumentar a tristeza de nosso candidato.

Nesse meio tempo já se passara mais da metade da manhã e muito cansado o candidato resolveu se sentar próximo a uma praça. Sem querer adormeceu e não teve nenhum sonho. Mas foi acordado por um carinhoso vendedor de amendoim.

UM PEQUENO ROMANCE

Conheci o autor das “Quixotadas” por indicação de um amigo comum, que vive na Espanha, e pediu que o recebesse para uma conversa, na qual sugeri que Bruno escrevesse crônicas sobre as tantas histórias relatadas no almoço.

Dois dias depois, ele me enviava os primeiros textos, transcritos em parte acima. Neste domingo, o recém-formado candidato ao primeiro emprego enviou também o primeiro capítulo do que chama de “romanceto”.

“Estou escrevendo um livro novo, minha amiga desconhecida. O título provisório é ‘São Paulo, me Abrace’. Estou me sentindo afogado pela fumaça desse elegante tabaco que me consome a vida. Estou me sentindo perdido e imóvel, estou vendo minha vida passar nas gretas do vazio.”

Professor que pedia emprego em semáforo é contratado com ajuda das redes sociais

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Jair da Silva ganhou notoriedade no Facebook e no LinkedIn por distribuir cartões de visita no trânsito

José Paulo Lanyi, no UOL

Menos de um mês após ter distribuído centenas de cartões de visita no trânsito de São Paulo em busca de emprego, o analista de sistemas Jair da Silva, 61, conseguiu voltar ao mercado de trabalho.

Ele começará na segunda-feira (3) como gerente-geral em uma pequena empresa da área de saúde do bairro de Pinheiros, zona oeste da cidade.

Silva ficou seis meses desempregado. No dia 28 de agosto, decidiu pedir uma oportunidade a motoristas que trafegavam pelo Largo da Batata e pela avenida Faria Lima, na zona oeste, e, dias depois, em um cruzamento próximo à sua casa no Jardim São Paulo, bairro de classe média da zona norte.

Seus cartões de visita traziam, na frente, seu nome, telefone, e-mail e a frase “Solicito uma oportunidade profissional”. No verso, as atividades que exerceu como professor universitário, gerente administrativo e de negócios.

A iniciativa repercutiu no Facebook e no LinkedIn (rede social voltada a contatos profissionais).

Na última terça-feira (27), a BBC Brasil publicou reportagem com a história, que também despertou grande atenção no Facebook: até esta sexta-feira (30), havia 14 mil reações, 2.800 compartilhamentos e centenas de comentários na postagem sobre a situação do professor universitário.

“O diretor da empresa não quer publicidade. Mas ele me disse que me chamou para a vaga depois de ler a reportagem”, afirma Silva.

Silva será responsável pelas áreas administrativa e financeira da empresa, “com um dedo no comercial”, como explica à BBC Brasil. “Também vou atualizar o sistema de informática. Enfim, tudo dentro do que sei.”
Treinamento

Dias antes, quando soube da atitude do professor por meio da rede LinkedIn, a especialista em coaching Madalena Feliciano, da empresa Outliers Careers, havia oferecido a Silva um treinamento para uma nova carreira, com técnicas de recolocação profissional.

“Acredito que a garra, a determinação e a ousadia do Jair, unidos ao poder da internet, foram essenciais para a sua contratação”, diz ela, ao saber do novo emprego.

“Isso mostra que a criatividade, a resiliência para lidar com as adversidades e focar na solução, e não no problema, são os caminhos para o sucesso.”

Silva contou à BBC Brasil que já estava “batendo o desespero” pela dificuldade em encontrar emprego, sobretudo por conta de sua idade. “Já houve casos em que a empresa me disse: ‘O senhor tem um currículo maravilhoso, mas só estamos contratando até 38 anos’.”

Agora, ele agradece o papel que as redes sociais tiveram no desfecho positivo de sua história e aconselha a quem estiver procurando emprego: “Não desistam, procurem uma forma honesta de solucionar seus problemas. Espero que a minha ideia sirva de incentivo para todos. Não tenham vergonha”.
‘Atitude positiva’

A atitude de Silva já vinha inspirando outras pessoas, como a engenheira de produção gaúcha Noélle de Melo, que mora no Rio e estava desempregada há quatro meses.

Também citada na reportagem da BBC Brasil, ela distribuía “minicurrículos” em forma de cartão no centro da cidade e diante de condomínios de empresas na Barra da Tijuca.

E, assim como Silva, ela também tem uma boa notícia para contar: conseguiu emprego e começará a trabalhar na segunda-feira.

“Uma moça compartilhou meu cartão no Facebook. Essa publicação chegou a um empresário, que me ligou e me entrevistou. Agora recebi a resposta de que fui selecionada. Estou muito feliz”, conta.

Noélle trabalhará como gerente de planejamento em uma empresa da Barra da Tijuca especializada em e-commerce. “Neste período de crise, precisamos ter uma atitude positiva para conseguir os resultados, e o networking foi fundamental para a minha recolocação”, conclui.

Como estudar com um emprego de tempo integral

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Fonte: Shutterstock

Fonte: Shutterstock

 

Saber conciliar trabalho e estudo é difícil, mas é necessário se você quer avançar na carreira

Publicado no Universia Brasil

A educação é fundamental se você quer avançar na sua carreira, mas é difícil pensar em voltar a estudar quando já se trabalha. Mesmo que seja difícil conciliar as duas coisas, não é impossível. Leia agora cinco dicas de como conseguir um diploma para dar um impulso na sua carreira. Aviso: essas dicas presumem que o seu curso exija que todos os trabalhos sejam completados independentemente e que no fim haja uma prova.

1- Organize a leitura
Assim que você receber o material de leitura, divida-o em semanas. Veja quantas páginas você precisa ler e quantos dias você tem para lê-las. É uma boa ideia dividir a leitura em semanas para que a tarefa não pareça muito difícil. Assim, você evita ter uma prova se aproximando e 500 páginas para ler.

2- Aproveite seu tempo de transporte
O brasileiro costuma passar, em média, 1 hora por dia se transportando de um lugar para o outro. Você pode aproveitar esse tempo para colocar seus estudos em dia, e isso não significa estudar e dirigir. A maioria dos livros vem com CDs que podem ser ouvidos no carro. Se o seu material é digital, há aplicativos como o Play Books são capazes de lê-los em voz alta. Existem também programas para transformar textos em áudios.

3- Mantenha o conteúdo próximo
Tente ter conteúdo perto de você sempre. Mesmo algo simples como uma notinha para revisão já serve. Existem vários pequenos momentos no dia-a-dia em que você pode usa-los (esperando no médico, esperando na fila de uma loja). Quanto mais tempo de estudo você conseguir encaixar no seu dia, menos tempo será gasto estudando a noite, quando você poderia estar com a sua família ou fazendo coisas mais interessantes.

4- Faça um sacrifício por dia

Para completar seu curso você terá que fazer sacrifícios. A dica é sacrificar atividades que afetam apenas a você, como assistir à televisão, ao invés de deixar de passar tempo com família e amigos. Com uma hora por dia que você usaria para assistir TV, é possível terminar com calma as leituras do ano.

5- Planeje um dia de estudo antes da prova
No dia (ou semana) da prova, todo mundo fica um pouco mais estressado. Se você puder, tire um dia de folga antes da prova. Mesmo se você estiver confiante nos seus estudos, tirar um dia de folga ajuda a manter os níveis de estresse baixos e abre a chance de revisar algum livro. Na pior das hipóteses, você terá tempo de ler 500 páginas que ficaram para trás.

Bem-formada, nova geração chega mal-educada às empresas, diz filósofo

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Cortella lança o livro "Por que fazemos o que fazemos?" sobre a busca de propósito no trabalho

Cortella lança o livro “Por que fazemos o que fazemos?” sobre a busca de propósito no trabalho

 

Segunda-feira, seis da manhã. O despertador toca e você não quer sair da cama. Está cansado? Ou não vê sentido no que faz?

na BBC Brasil

Na introdução de seu novo livro, o filósofo e escritor Mario Sergio Cortella coloca em poucas palavras o questionamento central da obra Por que fazemos o que fazemos?. Lançada em julho, ela trata da busca por um propósito no trabalho, uma das maiores aflições contemporâneas.

Em entrevista à BBC Brasil, Cortella, também doutor em Educação e professor, fala como um mundo de múltiplas possibilidades levou as pessoas a negarem ser apenas uma peça na engrenagem.

O filósofo explica como a combinação de um cenário imediatista, anos de bonança e pais protetores fez com que a “busca por propósito” dos jovens seja muitas vezes incompatível com a realidade.

“No dia a dia, eles se colocam como alguém que vai ter um grande legado, mas ficam imaginando o legado como algo imediato.”

Essa visão “idílica”, afirma, transforma escritórios e salas de aula em palcos de confronto entre gerações.

“Parte da nova geração chega nas empresas mal-educada. Ela não chega mal-escolarizada, chega mal-educada. Não tem noção de hierarquia, de metas e prazos e acha que você é o pai dela.”

Leia os principais trechos da entrevista abaixo:

BBC Brasil – O que desencadeou a volta da busca pelo propósito?

Mario Sergio Cortella – A primeira coisa que desencadeou foi um tsunami tecnológico, que nos colocou tantas variáveis de convivência que a gente fica atordoado.

A lógica para minha geração foi mais fácil. Qual era a lógica? Crescer, estudar. Era escola, e dependendo da tua condição, faculdade. Não era comunicação em artes do corpo. Era direito, engenharia, tinha uma restrição.

Essa overdose de variáveis gerou dificuldade de fazer escolhas. Isso produz angústia em relação a esse polo do propósito. Por que faço o que estou fazendo? Faço por que me mandam ou por que desejo fazer? Tem uma série de questões que não existiam num mundo menos complexo.

Não foi à toa que a filosofia veio com força nos últimos vinte anos. Ela voltou porque grandes questões do tipo “para onde eu vou?”, “quem sou eu?”, vieram à tona.

Livro de Cortella foi lançado em julho e traz reflexão sobre trabalho

Livro de Cortella foi lançado em julho e traz reflexão sobre trabalho

 

BBC Brasil – Podemos dizer que nesse contexto vai ser cada vez menor o número de pessoas que não tem esses questionamentos?

Mario Sergio Cortella – Cada vez menor será o número de pessoas que não se incomoda com isso. O próprio mundo digital traz o tempo todo, nas redes sociais, a pergunta: “por que faço o que faço?”, “por que tomo essa posição?”. E aquilo que os blogs e os youtubers estão fazendo é uma provocação: seja inteiro, autêntico. É a expressão “seja você mesmo”, evite a vida de gado.


BBC Brasil – No seu livro, você fala da importância do reconhecimento no trabalho. Qual é ela?

Mario Sergio Cortella – O sentir-se reconhecido é sentir-se gostado. Esse reconhecimento é decisivo. A gente não pode imaginar que as pessoas se satisfaçam com a ideia de um sucesso avaliado pela conquista material. O reconhecimento faz com que você perca o anonimato em meio à vida em multidão.

No fundo, cada um de nós não deseja ser exclusivo, único, mas não quer ser apenas um. Eu sou um que importa. E sou assim porque é importante fazer o que faço e as pessoas gostam.

BBC Brasil – Pelo que vemos nas redes sociais, os jovens estão trazendo essa discussão de forma mais intensa. Você percebeu isso?

Mario Sergio Cortella – Há algum tempo tenho tido leitores cada vez mais jovens. Como me tornei meio pop, é comum estar andando num shopping e um grupo de adolescentes pedir para tirar foto.

Uma parcela dessa nova geração tem uma perturbação muito forte, em relação a não seguir uma rota. E não é uma recuperação do movimento hippie, que era a recusa à massificação e à destruição, ao mundo industrial.

Hoje é (a busca por) uma vida que não seja banal, em que eu faça sentido. É o que muitos falam de ‘deixar a minha marca na trajetória’. Isso é pré-renascentista. Aquela ideia do herói, de você deixar a sua marca, que antes, na idade média, era pelo combate.

O destaque agora é fazer bem a si e aos outros. Não é uma lógica franciscana, o “vamos sofrer sem reclamar”. É o contrário. Não sofrer, se não for necessário.

Uma das coisas que coloco no livro é que não há possibilidade de se conseguir algumas coisas sem esforço. Mas uma das frases que mais ouço dos jovens, e que para mim é muito estranha, é: quero fazer o que eu gosto.

'Tsunami tecnológico' gerou volta da busca por um propósito, diz Cortella

‘Tsunami tecnológico’ gerou volta da busca por um propósito, diz Cortella

 

BBC Brasil – Esse é um pensamento comum entre os jovens quando se fala em carreira.

Mario Sergio Cortella – Muito comum, mas está equivocado. Para fazer o que se gosta é necessário fazer várias coisas das quais não se gosta. Faz parte do processo.

Adoro dar aulas, sou professor há 42 anos, mas detesto corrigir provas. Não posso terceirizar a correção, porque a prova me mostra como estou ensinando.

Não é nem a retomada do ‘no pain, no gain’ (‘sem dor, não há ganho’). Mas é a lógica de que não dá para ter essa visão hedonista, idílica, do puro prazer. Isso é ilusório e gera sofrimento.

BBC Brasil – O sofrimento seria o choque da visão idílica com o que o mundo oferece?

Mario Sergio Cortella – A perturbação vem de um sonho que se distancia no cotidiano. No dia a dia, a pessoa se coloca como alguém que vai ter um grande legado, mas fica imaginando o legado como algo imediato.

Gosto de lembrar uma história com o Arthur Moreira Lima, o grande pianista. Ao terminar uma apresentação, um jovem chegou a ele e disse ‘adorei o concerto, daria a vida para tocar piano como você’. Ele respondeu: ‘eu dei’.

Há uma rarefação da ideia de esforço na nova geração. E falo no geral, não só da classe média. Tivemos uma facilitação da vida no país nos últimos 50 anos – nos tornamos muito mais ricos. Isso gerou nas crianças e jovens uma percepção imediatizada da satisfação das necessidades. Nas classes B e C têm menino de 20 anos que nunca lavou uma louça.

BBC Brasil – Quais as consequências dessa visão idealizada?

Mario Sergio Cortella – Uma parte da nova geração perde uma visão histórica desse processo. É tudo ‘já, ao mesmo tempo’. De nada adianta, numa segunda-feira, castigar uma criança de cinco anos dizendo: sábado você não vai ao cinema. A noção de tempo exige maturidade.

Vejo na convivência que essa geração tem uma visão mais imediatista. Vou mochilar e daí chego, me hospedo, consigo, e uma parte disso é possível pelo modo que a tecnologia favorece, mas não se sustenta por muito tempo.

Quando alguns colocam para si um objetivo que está muito abstrato, sofrem muito. Eu faço uma distinção sempre entre sonho e delírio. O sonho é um desejo factível. O delírio é um desejo que não tem factibilidade.

Muitos jovens querem deixar grande legado, mas não tem noção de esforço, diz filósofo

Muitos jovens querem deixar grande legado, mas não tem noção de esforço, diz filósofo

 

BBC Brasil – Muitos deliram nas suas aspirações?

Mario Sergio Cortella – Uma parte das pessoas delira. Ela delira imaginando o que pode ser sem construir os passos para que isso seja possível. Por que no campo do empreendedorismo existe um nível de fracasso muito forte? Porque se colocou mais o delírio do que a ideia de um sonho.

O sonho é aquilo que você constrói como um lugar onde quer conquistar e que exige etapas para chegar até lá, ferramentas, condições estruturais. O delírio enfeitiça.

BBC Brasil – Qual é o papel dos pais para que a busca pelo propósito dos jovens seja mais realista?

Mario Sergio Cortella – Alguns pais e mães usam uma expressão que é “quero poupar meus filhos daquilo que eu passei”. Sempre fico pensando: mas o que você passou? Você teve que lavar louça? Ou está falando de cortar lenha? Você está poupando ou está enfraquecendo? Há uma diferença. Quando você poupa alguém é de algo que não é necessário que ele faça.

Tem coisas que não são obrigatórias, mas são necessárias. Parte das crianças hoje considera a tarefa escolar uma ofensa, porque é um trabalho a ser feito. Ela se sente agredida que você passe uma tarefa.

Parte das famílias quer poupar e, em vez de poupar, enfraquece. Estamos formando uma geração um pouco mais fraca, que pega menos no serviço. Não estou usando a rabugice dos idosos, ‘ah, porque no meu tempo’. Não é isso, é o meu temor de uma geração que, ao ser colocada nessa condição, está sendo fragilizada.

BBC Brasil – Sempre lemos e ouvimos relatos de conflitos entre chefes e subordinados, alunos e professores. Como se explicam esses choques?

Mario Sergio Cortella – Criou-se um fosso pelo seguinte: crianças e jovens são criados por adultos, que são seus pais e mantêm com eles uma relação estranha de subordinação. A geração anterior sempre teve que cuidar da geração subsequente e essa vivia sob suas ordens.

A atual geração de pais e mães que têm filhos na faixa dos dez, doze anos, é extremamente subordinada. Como há por parte dos pais uma ausência grande de convivência, no tempo de convivência eles querem agradar. É a inversão da lógica. Eu queria ir bem na escola para os meus pais gostarem, não era só uma obrigação.

Essa lógica faz com que, quando o jovem vai conviver com um adulto que sobre ele terá uma tarefa de subordinação, na escola ou trabalho, haja um choque. Parte da nova geração chega nas empresas mal-educada. Ela não chega mal-escolarizada, chega mal-educada.

Não tem noção de hierarquia, de metas e prazos e acha que você é o pai dela. Obviamente que ela também chega com uma condição magnífica, que é percepção digital, um preparo maior em relação à tecnologia.

Empresário usa horário do almoço para ensinar moradora de rua a ler

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Kimberly Yam, no Brasil Post [ via Huffington Post US]

“Quero poder ajudar a todos as pessoas, seja doando comida ou roupas.”

Um morador da Flórida provou ter compaixão de sobra.

Greg Smith, de Orlando, recentemente postou no Facebook sobre um almoço que teve com Amy Joe, uma sem-teto de quem ele ficou amigo. Mas a rotina dos dois mudou quando ela contou algumas coisas da sua vida para ele.

“Amy Joe soltou uma bomba”, escreveu Smith, 25, em seu post. “Ela começou a dizer que usa todo o dinheiro que recebe para alugar livros que a ajudem a aprender a ler, em vez de comprar COMIDA.”

Desde então, ele vem a ajudando a ler e também abriu uma página no GoFundMe para criar a Amy Joe Foundation. Ele quer que o grupo ajude outras pessoas necessitadas.

“Quero poder ajudar a todos as pessoas, seja doando comida ou roupas”, disse Smith à ABC News. “Não quero me limitar a ajudar as pessoas a ler, porque há tantas outras pessoas que precisam de mais ajuda.”

Às terças, Smith lê com Amy Joe um livro emprestado da biblioteca. Ela usa os outros dias da semana para estudar por conta própria.

Smith mencionou em seu post que há algumas semanas vem almoçando com Amy Joe todas as terças-feiras. Nesse período, ele diz que a atitude da sem-teto o conquistou.

“Em meia ou uma hora, vejo como ela é uma pessoa positiva, mesmo que não tenha nada.”

Quando Amy Joe disse para Smith que queria aprender a ler, e como o analfabetismo dificultava a procura por um emprego, Smith ficou emocionado.

“Me destruiu!!! Ela prefere ler para talvez arrumar um emprego do que comer!!!”, explicou ele no post. “Fui abençoado com pais incríveis e com uma família que sempre teve recursos para me prover tudo o que eu quis fazer. Não foi assim com Amy Joe.”

Apesar de Smith ajudar Amy Joe com a leitura desde que a conheceu, ele afirma que há outras pessoas que também precisam de ajuda – e é por isso que ele começou a trabalhar em sua fundação. Segundo a ABC News, ele procurou um advogado para estruturar a entidade e decidiu que o slogan será: “Uma pessoa por vez”.

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