Passageiro clandestino – Diário de vida

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43% das escolas públicas têm banda larga, contra 80% das privadas

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Nº de escolas públicas equipadas é menor que o das privadas em 2008.
Levantamento do Instituto Ayrton Senna comparou dados do Censo 2014.

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Publicado em G1

Em 2014, só metade das escolas de educação básica no Brasil tinham acesso à internet de banda larga, segundo um estudo feito pelo Instituto Ayrton Senna, ao qual o G1 teve acesso. De acordo com os dados, a porcentagem de escolas públicas nessa situação em 2014 era de 42,7%, taxa menor que a registrada seis anos antes pelas escolas particulares, de 48,8%.

No ano passado, na rede privada, 80,2% das escolas já tinham acesso à internet de alta velocidade. Os dados foram levantados a partir das últimas sete edições do Censo Escolar.

Segundo os números do Censo, o Brasil tinha um total de 149.098 escolas públicas e 39.575 escolas privadas de educação básica em 2014. Embora as escolas privadas representem 20,9% do total de escolas no país, elas respondem por 33,3% do total de escolas brasileiras com internet de banda larga.

É possível notar, a partir do levantamento, que o investimento público em banda larga privilegia os estudantes do ensino médio. Na divisão entre o ensino fundamental e o ensino médio, 79,4% das escolas públicas de ensino médio tinham banda larga em 2014, contra 90,8% das escolas particulares.

Em nota, o Ministério da Educação (MEC) afirmou que considera que o número de alunos atendidos é o melhor indicador. “Ao contrário do que apresenta o estudo, o Brasil já atende 70% do total de alunos do ensino fundamental público, ou seja, mais de 16,8 milhões, e 84% dos estudantes do ensino médio público, o que representa 6,1 milhões de matrículas”, afirma o ministério.

“O governo federal trabalha para ampliar a quantidade de alunos e escolas atendidos pelo Programa Banda Larga nas Escolas, por meio do qual as operadoras de telecomunicações instalam uma conexão em alta velocidade e oferecem a ampliação periódica dessa velocidade para manter a qualidade e a atualidade do serviço durante a vigência da oferta, até 2025. O programa é resultado de uma parceria entre os ministérios da Educação e das Comunicações e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)”, informa o ministério.

Regiões
De acordo com o levantamento, em todos os estados do Brasil, a rede particular apresentou níveis de acesso à banda larga nas escolas mais alto do que as redes públicas. No caso das escolas públicas, em 16 dos 26 estados e do Distrito Federal a porcentagem de escolas públicas com banda larga representa menos da metade do total de escolas.

Já na rede particular, só no Amapá a porcentagem ficou abaixo de 50%. Nesse caso, só 25,4% das escolas privadas tinham banda larga em 2014, contra 6,3% das escolas públicas.

O Distrito Federal tinha, em 2014, a maior porcentagem de escolas públicas com acesso à internet de alta velocidade (88,9%), seguido de São Paulo, com 77%, e Mato Grosso do Sul, com 74,3%.

Investimento em internet móvel
O levantamento também pesquisou a porcentagem das escolas que contam com laboratório de informática para os estudantes. Nesse caso, o número é parecido entre as redes: na pública, 44,7% das escolas têm o equipamento. Na privada, a porcentagem foi de 45,3% em 2014, e caiu pela segunda vez consecutiva (a taxa mais alta de presença desse equipamento nas escolas particulares foi de 47,4%, registrada no Censo de 2012).

Mesmo assim, entre as escolas públicas que têm laboratórios de informática, cerca de um terço não conseguem realizar algumas atividades porque falta a internet de banda larga. De acordo com os dados, em 2014, 21.273 escolas das redes públicas brasileiras estavam nesta situação.

Para Mozart Neves Ramos, diretor de Articulação e Inovação do instituto, os números mostram que o investimento das escolas particulares está mais concentrado no campo dos smartphones e notebooks que podem ser usados dentro da sala de aula. “É um sinal de que a necessidade da banda larga é estratégica para desenvolver a aprendizagem no século 21, que não fica na aula tradicional do professor.” Segundo ele, o professor vai se transformar mais em tutor do que em um instrutor tradicional. “Será um indutor pela busca do conhecimento qualitativo.”

Na rede pública, em 2014 a porcentagem de escolas de ensino médio com laboratórios de informática (89,9% do total) já era maior que o de escolas particulares no mesmo nível de ensino (77,9% do total).

Para Ramos, nos próximos dois anos a rede pública deve ultrapassar a particular em número de laboratórios em todos os níveis. Porém, segundo ele, é fundamental investir no acesso à banda larga, pois em muitos locais a velocidade da internet é um limitante para o uso dos computadores.

“O laboratório ainda é importante, mas é necessário lembrar que a sala de aula mudou e a tendência do século 21 é um modelo híbrido de aprendizagem. A banda larga não é luxo, é a democratização do conhecimento. O notebook é o lápis do século 21”, disse Ramos.

‘Preta, pobre e periférica, não imaginei estar numa galeria de arte’, diz artista

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Publicado em Folha de S.Paulo

Jennifer Borges, 28, ou simplesmente J. Lo, nasceu e cresceu em Irajá, zona norte do Rio de Janeiro, querendo ser “artista de galeria”, mas achava que essa realidade estava longe de ser a sua.

Inspirada pela mãe, psicopedagoga, que abriu caminhos e foi a primeira da família a ter ensino superior, Jennifer seguiu caminhos paralelos à arte até os 27 anos: se graduou em história pela UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), onde hoje cursa letras.

A jovem resolveu se aventurar no grafite há um ano, após um empurrão de uma amiga. Acabou virando professora, mas de grafite em escolas municipais cariocas.

Foi quando Jennifer conheceu a Rede Nami, associação feminista de grafiteiras e militantes que usam artes urbanas para promover os direitos das mulheres, fundada pela artista plástica Panmela Castro, 34, finalista do Prêmio Empreendedor Social 2015. Por meio da organização, J.Lo e sua arte chegaram à Galeria Scenarium, no centro do Rio, em setembro de 2015.

“Foi surreal. Nunca imaginei que uma menina preta, pobre, periférica e sapatão conseguiria um dia estar em uma galeria de arte”, conta.

A carioca participou do projeto Afrografiteiras, um programa de formação em arte urbana voltado para mulheres afrobrasileiras.

Leia a seguir o depoimento de Jennifer Borges à Folha.

Meu nome é Jennifer Borges, mas sou conhecida como J. Lo.

Comecei a grafitar há um ano. Uma amiga de São Paulo estava aprendendo as técnicas e fez um desenho na parede da minha sala, fiquei observando e resolvi que iria aprender.

Eu já tinha noção de desenho e arte, sou tatuadora, mas não de grafite.

Comecei a dar oficinas de grafite em uma escola municipal do Rio para crianças e jovens do ensino fundamental 1 e 2. Lá, eu não só ensinei, mas aprendi, foi onde fiz meu primeiro grafite, retratei Nelson Mandela. A paixão pelo grafite foi instantânea.

Virei arte educadora e hoje dou aula de grafite em três escolas municipais por meio do Programa Mais Educação, do governo federal.

Primeiro, ensino dentro da sala de aula aos meus alunos, que têm em média de 7 a 14 anos, técnicas e estilos de desenho de grafite. Depois, eles começam a trabalhar o desenho e quando já está maduro, passo as técnicas de ampliação e finalmente vamos para a prática na parede.

Depois das aulas de grafite, as professoras dos meus alunos falam que as notas deles subiram, que aprenderam a ter disciplina.

O grafite me traz paz, me sinto muito livre, mais do que poderia ser. A arte é uma terapia e é o que me faz feliz e me dá orgulho de mim mesma.

No final de 2014, saiu uma convocatória que selecionaria 30 meninas afrobrasileiras para fazer um curso de formação em arte urbana, empreendedorismo social, gestões de gênero e de negritude voltado ao grafite. Me inscrevi e fui selecionada.

Estava esperando por um curso no qual eu fosse aprender o beabá do grafite. No entanto, as aulas foram muito além do que imaginava.

As meninas grafiteiras, que orientaram a formação, eram muito preocupadas com o nosso aprendizado e que nós expressássemos nossa política, negritude e outras questões pessoais na arte.

A intenção da formação também era que nós soubéssemos multiplicar esse conhecimento para passar para outras pessoas.

NA GALERIA

Recebemos a notícia de que as meninas que concluíssem o curso teriam suas artes expostas em uma galeria. Eu enlouqueci. Larguei o emprego e tranquei a faculdade por um período para poder me dedicar mais.

Eu sou historiadora, com foco de pesquisa em mulheres na inquisição. Fiz um estudo sobre bruxaria. Então, quis levar esses conceitos para dentro da galeria.

Elaborei uma obra que representa as bruxas, que foram mortas pela igreja por causa de uma hiperssexualização. A arte que criei é uma vagina, feita com madeira, massa modeladora e instalações elétricas.

Essa composição é para representar a mulher que dá a vida e o único órgão que existe no corpo feminino para proporcionar prazer.

A outra obra é uma aplicação em stencil e retrata uma mulher negra espelhada com a língua para fora, que simboliza o antiamor e a lesbiandade.

Foi a coisa mais maravilhosa do mundo poder estar na galeria ao lado das outras afrografiteiras. É surreal.

Eu sempre quis ser artista desde pequena, mas nunca imaginei que uma menina preta, pobre, periférica e sapatão conseguiria um dia estar em uma galeria de arte.

Quando estreou a exposição, chorei muito. Foi uma emoção gigante. Não tenho como agradecer a Rede Nami e a Panmela Castro por causa disso.

O que eu aprendi nas aulas melhorou minha arte em tudo, no grafite, na tatuagem e na ilustração.

REPRESENTATIVIDADE NEGRA

Depois disso, tive uma oportunidade de fazer um grafite para a Anistia Internacional e retratei minha avó.

Ela foi uma mulher negra que sofreu muito, antes de morrer, em 2008. Minha avó era muito pobre e se casou com um homem branco na tentativa de embranquecer as filhas, para que elas não sofressem tanto racismo.

Para mim, minha avó é uma fênix, símbolo da ressurreição e da força. Representá-la de forma artística e em lugares onde passam pessoas é muito importante.

A figura de uma mulher negra é subversiva pela representatividade. Temos uma mídia que é sempre branca. As mulheres que aparecem são sempre brancas, seguem um padrão estético, higienizado e europeu.

Quando você passa na rua e se reconhece em uma imagem, se sente mais forte e encorajada para ser quem é. Não só se assumir sua negritude, seu cabelo, mas enfrentar o racismo e se empoderar.

A simbologia de ter diversas mulheres negras em uma galeria pode ser um estímulo para outras mulheres negras.

Agora, tento não projetar muita expectativa no grafite, porque tenho medo de me decepcionar.

Quero passar uma mensagem positiva de empoderamento negro, lésbico e feminino pelas ruas e ensinar as pessoas, que não têm a oportunidade de pagar um curso, a se expressar.

O que vier é lucro, eu não esperava chegar até aqui.

Com apenas 15 anos, potiguar é aprovado no vestibular do ITA

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Publicado em UOL

Aos 15 anos, o jovem potiguar Victor Ranyere será, a partir do primeiro semestre de 2016, o novo aluno do curso de engenharia mecânica aeronáutica do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). A lista de aprovados foi divulgada nesta quarta-feira (30).

Esse sempre foi o sonho de Ranyere desde criança. O jovem era um aluno diferenciado na escola. “Ele fazia perguntas tão atípicas que um dia chamei ele e disse: ‘se quiser perguntar, pode, mas vamos evitar durante a aula porque complica para os outros alunos. Chame depois da aula, que a gente fica e tira a dúvida'”, contou o professor de física e diretor do Over Curso e Colégio (onde Ranyer se formou no ensino médio), Caros André Cavalcante.

“É, tinha isso [risos]. Eu procurava então estudar e buscar a resposta só e procurava confirmar com o professor, mas só depois da aula”, brincou o estudante, ao lembrar a “reclamação” que levou do professor.

Formado no ensino médio este ano, a história de intimidade de Ranyere com o aprendizado já vem de longe. “Aos três ele já lia algumas coisas, era muito bom em cálculo. Ele sempre foi aluno destaque por onde passou”, conta o orgulhoso pai, o assessor jurídico Volney Teixeira de Holanda, 52.

Quando estava no 8º ano do ensino fundamental, Ranyere foi aprovado no IFRN (Instituto Federal do Rio Grande do Norte). O pai decidiu entrar então na justiça, e o menor de 12 anos fez uma prova equivalência e foi aprovado, ganhando o direito de pular o 9º ano e entrar no ensino médio.

Foi quando Ranyere foi matriculado na escola onde se formou. A partir dali, a rotina de estudos sempre foi puxada.

“Quando a gente recebeu ele, o pai chegou falando que era um aluno muito bom. Só que a gente recebe alunos que muitos pais chegam contando histórias parecidas. Temos então um filtro para evitar criar expectativa. Mas desde pequeno ele já sabia o que queria, e como ele estava muito focado, colocamos ele numa turma de curso preparatório de medicina. Era um teste para ver se ele podia entrar no curso que temos para área militar”, lembra Carlos André.

Em pouco tempo, Ranyere mostrou que era diferenciado e chamou a atenção em sala. “Ele estava abaixo da faixa etária, e quando entrou na sala virou até motivo de brincadeiras pelo tamanho. Só que depois de duas semanas ele já tirava dúvidas de pessoas mais velhas. Depois de seis meses colocamos ele no curso de preparação para [concursos] militares”, disse.

Viagem marcada

Ranyere já está arrumando as malas para ir morar em São Paulo. No dia 17 de janeiro, terá de se apresentar para cursar e realizar o sonho que sempre teve. Apesar de sempre tirar boas notas e ir bem em todas as provas, o jovem não esconde que temia uma não aprovação. “Sempre tem uma dúvida enquanto não sai o resultado”, contou.

Para passar no ITA, o aluno estudou sempre os três horários –pela manhã tinha aulas do ensino médio e à tarde e início da noite fazia curso preparatório ou estudava em casa.

Nos dois últimos meses antes da prova, diz que parava os estudos apenas para comer e dormir. “Para passar no ITA tem que estudar pra caramba. Nos dois meses finais dei um gás e estudava até às 21h20”, contou.

Para ele o segredo da aprovação responde por uma palavra: dedicação. “Tem se dedicar muito. O que já ouvi muito no pessoal que passou é que, faltando um, dois meses mês para o teste, começar a fazer provas anteriores para pegar prática com as questões que costumam cair. Pode ser que defina a aprovação, também é importante”, disse.

Além disso, o pai de Raynere lembra que, por diversas vezes, teve que esperar o filho um pouco mais na escola “Ele sempre era o último aluno a sair, tirando dúvida com o professor. E como professor gosta de aluno estudioso, sempre davam atenção a ele”, afirmou.

O professor Carlos André lembra também que Ranyere sempre tirava notas altas na escola. “Nesse período aqui ele foi campeão de olimpíadas. Foram três anos de preparação, e ao longo do tempo ele sempre se destacou, muito focado e estudioso”, pontuou.

Escoteira doa coleção de gibis para incentivar leitura em escola municipal

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Isabela Cardia, de Sorocaba, aprendeu a ler com as revistas em quadrinhos.
Além da coleção, de 400 exemplares, jovem ainda arrecadou mais 200.

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Publicado em G1

Páginas que um dia ensinaram a junção das sílabas a uma jovem de Sorocaba (SP) agora poderão formar novos leitores na cidade. Isabela Cardia, de 17 anos, doou 600 gibis para a escola municipal “Duljara Fernandes de Oliveira”, no Jardim Santo Amaro, para que a unidade pudesse montar uma gibiteca. “Me sinto feliz. Vai dar a chance para as crianças se encantarem e criarem o gosto pela leitura, entrarem nesse mundo assim como eu entrei: através dos gibis”, diz a jovem.

Dos 600 exemplares doados, 400 pertenciam à coleção particular de Isabela. Os outros 200 foram arrecadados pela jovem em menos de dois meses. Ela também teve o cuidado de providenciar um tapete e pintar caixas para armazenar o material.

“Aprendi a ler com os gibis e colecionei-os dos 6 aos 12 anos. Desde então, já tinha a ideia de repassa-los e meus pais incentivaram isso. O único exemplar que guardei foi o primeiro [gibi] que tive.”

A oportunidade de dar um novo uso ao material surgiu de um desafio proposto pelo grupo escoteiro, o qual Isabela participa há oito anos. “Para conseguir o distintivo de escoteiro da pátria, era necessário desenvolver um projeto que beneficiasse a comunidade. Eu já tinha a ideia de doar os gibis para uma instituição de ensino pública, então escolhi essa escola que fica em uma rua próxima da onde eu moro”, conta Isabela.

Gibiteca
A escola “Duljara Fernandes de Oliveira” atende cerca de 900 alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. A inciativa da doação foi bem recebida e a previsão é que os estudantes possam frequentar a Gibiteca já no início do ano que vem. “A equipe não esperava e ficou bastante feliz com a proposta. Quando o espaço for inaugurado, irei conversar com as crianças para incentivá-las sobre a leitura, a doação e apresentar o local”, comemora Isabela.

A jovem conta que não pensa em seguir carreira na área educacional, mas acredita no poder de criar novos leitores. “Leitura é uma coisa que todos deviam ter o hábito, não só pela questão linguística, mas também porque ajuda a formar caráter, a conhecer o mundo e abrir a cabeça para novas possibilidades”, finaliza.

O responsável pelas salas de leituras e bebetecas da Secretaria da Educação (Sedu) instaladas na cidade, Pedro Luiz Rodrigues, elogiou a atitude da escoteira e ressaltou a importância do contato das crianças com esse tipo de leitura. “São textos sem o compromisso literário, mas que desenvolvem o hábito da leitura. E isso é o mais importante”, enfatiza.

Fuvest 2016: ‘Paro de estudar só para ver os fogos’, diz aprovada na 1ª fase

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Estudantes mudam planos no fim de ano para se dedicarem ao vestibular.
Provas da segunda etapa acontecerão nos dias 10, 11 e 12 de janeiro.

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Publicado em G1

Os estudantes que foram aprovados para a segunda fase da Fuvest mudaram os planos para o fim de ano. Como foco, não pensam em festejar natal ou ano novo: querem mesmo é comemorar a aprovação para a Universidade de São Paulo no dia 2 de fevereiro, quando a primeira chamada será divulgada.

A lista de convocados para a segunda fase foi publicada na sexta (18). Dos 142.724 inscritos, foram classificados 25.967 candidatos. Do total, 2.192 são treineiros.

Jhesika Pena, de 19 anos, busca uma vaga no curso de geologia. Ela foi convidada para viajar ao Guarujá, no litoral de São Paulo, e aproveitar as férias com uma amiga. Mas preferiu recusar – sua prioridade são os estudos. “Sempre abdiquei da diversão. É só um momento. Prefiro perder o lazer, mas saber que me dediquei ao máximo. É melhor do que, depois, me arrepender de não ter estudado o suficiente”, diz.

Ela garante que no dia 31 de dezembro vai continuar se preparando para a Fuvest. “Só vou parar para ver os fogos por uns cinco minutos. Depois retomo”, conta. “Não posso perder essa chance. Só vou descansar na véspera da segunda fase.”

Candidata a uma vaga em engenharia civil, Thais Perpetuo, de 19 anos, também disse “não” ao namorado, Philip di Simone, quando ele propôs uma viagem. O casal iria a Belo Horizonte, no ano novo, para visitar os parentes. “Decidimos que é melhor ficar aqui em São Paulo para eu me concentrar melhor. Vou ficar estudando, mas paro só nos dias 24, 25 e 31. Já me matei muito, preciso descansar um pouco pelo menos nesses dias”, conta a jovem.

Ela enfrenta uma maratona de vestibulares – além da USP, tenta ser aprovada também na Unicamp, na Unesp e, como última opção, na faculdade privada Mackenzie. Mesmo deixando de lado momentos de lazer, ela conta com o apoio de Philip para estudar. Ele cursa engenharia mecânica na Unicamp. “Ele tem facilidade com exatas, então me ajuda muito”, afirma.

“Saí da escola pública e levei um choque no cursinho”
A mudança nos planos de fim de ano também foi a opção de Denise Ribeiro, de 20 anos. Ela focou no preparo ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), para tentar uma vaga na Ufscar. E se surpreendeu quando viu seu nome na lista de aprovados para a segunda fase da Fuvest.

Desde sexta (18), quando o resultado foi publicado, ela intensificou os estudos.
“Não vou viajar, já sabia que precisaria abrir mão disso. Não estou ligando muito para as datas comemorativas. Tenho pouco tempo para estudar e preciso aproveitar esses dias”, conta.

Denise deseja seguir a área de ciências sociais para trabalhar com projetos de educação. Ela recebe o bônus na nota da Fuvest por ser negra e ter estudado durante o ensino médio inteiro em escolas públicas. Aos 16 anos, começou a trabalhar como instrutora de inglês em uma escola de idiomas – e, com o salário, conseguiu pagar as mensalidades de um cursinho particular.

Ela investiu o dinheiro que ganha no trabalho para comprar livros e um notebook, usado para pesquisa. No dia 31, pelo menos durante o período da manhã, seguirá estudando. Seus pais a apoiam, mas acham que ela deveria descansar mais. “Eles cursaram só até o ensino fundamental, não têm noção de como é difícil passar na faculdade. Eu explico que preciso me esforçar muito para conseguir”, conta.

A jovem percebeu que poderia atuar profissionalmente para diminuir a desigualdade na qualidade de ensino. “Eu saí da escola pública e levei um choque no cursinho, que é mais de elite. Percebi que, realmente, as cotas são necessárias. Estamos em desvantagem, somos marginalizados, querendo ou não. Muitos que estão na USP são brancos e teriam condições de pagar uma faculdade particular. Eu não teria”, conta Denise.

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