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Crianças são suspeitas de envenenar professora na BA

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Meninos de 7 e 8 anos teriam dado biscoito com chumbinho à vítima, que sobreviveu

Educandário da rede particular fica em Mata Escura (Foto: Lúcio Távora | Ag. A TARDE | 04.11.2014)

Educandário da rede particular fica em Mata Escura (Foto: Lúcio Távora | Ag. A TARDE | 04.11.2014)

Andrezza Moura, em O Globo

Três meninos de 7 e 8 anos, alunos do 2º ano do ensino fundamental de uma escola privada na periferia de Salvador, são suspeitos de envenenar a própria professora. Eles deram a Ednalva Souza, do Educandário Santana Amorim, na Mata Escura, biscoitos recheados com “chumbinho”, um poderoso veneno usado contra ratos.

Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), a professora foi internada depois de se sentir mal. Mas, como a dose foi considerada pequena, ela passou por uma lavagem estomacal e acabou liberada no mesmo dia.

Um aposentado avô de três colegas dos meninos que teriam dado o biscoito à professora disse que os pais das demais crianças da turma estão assustados. Alguns cogitam tirar os filhos da escola.

— Os pais e as mães estão de cabeça quente, não sabem se tiram ou não as crianças — afirma o idoso, que pediu para não ter o nome revelado.

O proprietário da escola, identificado por funcionários apenas como Arlindo, não foi encontrado para comentar o caso. Até a tarde de ontem, agentes da Delegacia de Tancredo Neves, bairro vizinho, não haviam registrado o incidente.

A hora e a vez do ensino fundamental

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José Goldemberg, Estadão

As universidades públicas do Estado de São Paulo – USP, Unicamp e Unesp – passaram nos últimos meses por uma greve e uma crise que se pode chamar de “conjuntural”, mas não pode ser considerada um problema permanente ou “estrutural”. Apesar dos problemas, elas são universidades de Primeiro Mundo, por qualquer critério que se use para medir o seu desempenho: são comparáveis às universidades da Europa e da América do Norte e se encontram entre as 200 melhores universidades do mundo, onde existem 10 mil universidades.

No entretanto, elas custam ao Estado de São Paulo cerca de 10% dos impostos estaduais. O custo por aluno é próximo de R$ 50 mil por ano, que é o custo típico da anuidade dos estudantes nas universidades pagas no exterior. Os salários dos professores das universidades do Estado são também comparáveis aos de seus colegas em muitos países desenvolvidos.

Esses números são extraordinários para um país em desenvolvimento e um testemunho claro da mentalidade esclarecida do governo do nosso Estado desde 1934, quando foi criada a Universidade de São Paulo (USP). São poucos os países onde a elite dirigente decidiu conscientemente investir tão pesadamente no ensino superior.

Apesar desse esforço, só há lugar nas universidades públicas para cerca de 20% dos alunos que completam o ensino médio. Universidades privadas suprem as demais vagas, cobrando anuidades dos estudantes. Apesar de existirem mecanismos de financiamento governamental, como o Programa Universidade para Todos (ProUni), para atenuar esse problema, há ainda muito a fazer. Na França, que é um país rico, os estudantes que concluem o curso secundário têm acesso automático a uma universidade pública.

Em contraste, no ensino fundamental em São Paulo gastam-se cerca de R$ 5 mil por ano por aluno, os salários dos professores são inferiores aos de várias profissões da mesma escolaridade e aproximadamente a metade dos salários correspondentes nas escolas europeias.

Não é de surpreender, portanto, que haja enormes carências em prédios escolares, bibliotecas e laboratórios. Simplesmente não há recursos para atender a todas as demandas, apesar de o Estado gastar cerca de 20% de todo seu orçamento no ensino fundamental e médio.

Existe uma falta de clareza sobre a verdadeira natureza dos problemas da educação no Brasil. A abundância de “reformas do ensino”, de leis e regulamentos baixados teve historicamente muito menos impacto do que o aumento gradativo dos recursos orçamentários aplicados na área – um exemplo foi a criação da Universidade de São Paulo em 1934.

O Brasil gasta hoje cerca de 5% do seu produto interno bruto (PIB) em educação, que é aproximadamente o mesmo nível de dispêndio da maioria dos países industrializados da Europa e também dos Estados Unidos. Uma das razões pelas quais o ensino fundamental é bom nesses países é que neles o produto bruto nacional é muito maior que o do Brasil, de modo que os mesmos 5% representam muito mais recursos. Só para dar um exemplo, enquanto o Brasil gasta cerca de R$ 5 mil por aluno por ano em educação fundamental, países da Europa gastam cerca de R$ 20 mil, isto é, quatro vezes mais.

Não é de surpreender, portanto, que tenhamos problemas sérios no País nessa área e, do ponto de vista financeiro, só existem duas soluções para eles: ou aumentar o produto bruto nacional ou a fração dedicada à educação acima de 5%. Para fazer isso seria necessário retirar recursos de outras áreas que são tão ou mais carentes do que a educação, como saúde e segurança pública.

É bem verdade, contudo, que não são apenas considerações econômicas que definem a qualidade do ensino. Tradições culturais arraigadas, como as que existem em certos países ou grupos sociais, levam a uma valorização da educação muito maior do que em outros. Este é o caso da Finlândia, onde os gastos com a educação não são muito elevados, mas o desempenho escolar é um dos melhores do mundo.

Já no nosso país, apesar de as escolas públicas serem gratuitas, muitos jovens precisam abandoná-las para trabalhar e ajudar sua família. No Brasil como um todo, a taxa de evasão do ensino fundamental é de 25%, isto é, um de cada quatro alunos que iniciam o ensino fundamental não chega ao fim desse ciclo.

É por essa razão que apenas cerca de 50% da população do País tem ensino médio completo. Na Alemanha, por exemplo, a taxa de evasão é baixa e 96% da população completa o ensino fundamental. A escolaridade média dos brasileiros é de aproximadamente 7,2 anos, quando idealmente seriam 15. O Chile e a Argentina têm mais de 9 anos de escolaridade.

É difícil imaginar a quantidade de talento e de esperanças que se perde todos os anos quando milhões de jovens abandonam a escola e nem chegam às portas da universidade, que lhes daria oportunidades para um futuro melhor. Essa evasão é muito mais perversa que os vestibulares das universidades públicas, que simplesmente selecionam os mais preparados que batem às suas portas dando a todos igual oportunidade.

A inexistência de cotas que garantam o acesso dos menos privilegiados economicamente à universidade não se compara com os milhões de estudantes que são eliminados antes disso por questões socioeconômicas. Não há sistema de cotas que possa corrigir a discriminação econômica que é a causa básica da evasão no ensino fundamental. O que as universidades estaduais de São Paulo têm feito é introduzir bônus para os candidatos mais carentes que concorrem aos vestibulares, tentando corrigir em parte esses problemas.

É por essa razão que esta seria uma boa hora para dedicar ao ensino fundamental a atenção que as elites dirigentes do Estado de São Paulo deram 80 anos atrás à criação das universidades públicas.

‘Pintei dessa cor, tá?’, diz aluno cansado de ver desenhos padronizados

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Estudante do 5º ano de Nova Iguaçu coloriu personagens da Turma da Mônica de modo que ficassem parecidos consigo

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Publicado no O Globo

RIO – Ao receber mais uma leva de provas de fim do bimestre em uma escola municipal de Nova Iguaçu, a professora Joice Oliveira Nunes teve uma surpresa muito agradável. A cada dois meses, os alunos do 5º ano do ensino fundamental fazem uma votação para eleger qual desenho ilustrará a capa das avaliações.

Desta vez, foram escolhidos os inconfundíveis personagens da Turma da Mônica. No entanto, percebendo que nenhum deles se parecia consigo, o aluno identificado apenas como Cleidison resolveu pintá-lo a sua imagem e semelhança. E ele ainda avisou a professora porque fez isso:

– Pintei da minha cor, tá? Cansei desses desenhos diferentes de mim.

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Surpresa com a atitude, Joice abraçou a causa de seu aluno e postou a imagem do desenho no Facebook. Até este sábado, a foto já tinha mais de 3,5 mil compartilhamentos.

Professora com mais de 40 anos de experiência explica o segredo de como ensinar uma criança

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Vicente Carvalho, no Hypeness

Rita F. Pierson, professora há 40 anos, uma vez ouviu um colega dizer: “Eles não me pagam para gostar das crianças, eles me pagam para ensinar as lições”. Sua resposta foi: “As crianças não aprendem com as pessoas de quem não gostam”.

Rita passou a sua vida inteira dedicada a lecionar, seguindo os seus pais e avós em uma carreira como educadora no ensino fundamental, especial e júnior. Ela traz uma energia especial para o papel em sala de aula: um desejo de conhecer seus alunos, uma conexão humana, mostrando a eles o quanto eles são importantes e os apoiando no seu crescimento, mesmo que modesto. Aqui o tamanho da vitória não importa, e sim a celebração por ela.

Em sua palestra no TED Talks Education, ela faz os educadores refletir sobre a importância do relacionamento, de acreditarem em seus alunos e de realmente se conectarem com cada um. “Toda criança merece um campeão – um adulto que nunca vai desistir deles, que compreende o poder de conexão, e insiste para que eles se tornem o melhor que podem ser“.

Seja professor ou não, vale a pena apertar o play:

Imagem de Amostra do You Tube

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Fotos do TED © Ryan Lash

Brasil abandona programa para reduzir atraso nas escolas

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Érica Braga, no Folha de S.Paulo

Uma das principais políticas de combate ao atraso escolar tem sido gradualmente abandonada no Brasil.

Moda no fim dos anos 90 e no início da década passada, os programas chamados de correção de fluxo sofreram uma sangria de matrículas.

Em 2000, havia 1,2 milhão de estudantes do ensino fundamental frequentando esse tipo de curso. No ano passado, esse número tinha despencado para 172 mil, uma queda de 86%.

Os alunos em correção de fluxo são organizados em salas de aulas separadas. O objetivo é recuperar o conteúdo não aprendido por eles e depois devolvê-los para o ensino regular na série certa.

No Brasil, 21% das crianças do ensino fundamental não estão na série adequada à sua idade -geralmente, porque repetiram de ano ou ficaram um período fora da escola. Em 2006, esse índice era maior (28,6%), mas, para especialistas, é cedo para enxugar os programas.

Editoria de Arte/Folhapress

Ainda existem cerca de seis milhões de alunos com atraso de dois anos ou mais no ensino fundamental no país.

“Os programas de correção de fluxo estão morrendo precocemente” afirma João Batista Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto.

Segundo ele, esses programas precisam ser acompanhados por um foco na alfabetização para garantir que o número de novos alunos atrasados diminua.

“Sozinhos, eles são como enxugar gelo. Mas um número grande de alunos já atrasados ainda precisa deles.”

O MEC (Ministério da Educação) afirma que não reduziu os recursos para financiar os programas, mas ressalta que a demanda deve partir de Estados e municípios.

Para Clarice Traversini, diretora de currículos da Secretaria de Educação Básica do MEC, uma das explicações para o encolhimento dos programas de correção de fluxo é o envio precoce de adolescentes para a EJA (Educação de Jovens e Adultos), como é chamado o antigo supletivo.

Os alunos que vão para a EJA saem do ensino regular, deixando de contar nas estatísticas de atraso escolar.

O aumento do número de estudantes de 15 a 17 anos na EJA foi revelado em reportagem da Folha e se tornou um tema prioritário para o MEC (leia na pág. C3).

Especialistas que defendem os programas de correção de fluxo dizem que sua metodologia, além de focar na aprendizagem, tenta recuperar a autoestima do aluno.

“Esses programas são um resgate do aluno que, por estar defasado, tem a autoestima baixa”, diz Ricardo Dantas, secretário estadual de Educação de Pernambuco.

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