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‘Pintei dessa cor, tá?’, diz aluno cansado de ver desenhos padronizados

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Estudante do 5º ano de Nova Iguaçu coloriu personagens da Turma da Mônica de modo que ficassem parecidos consigo

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Publicado no O Globo

RIO – Ao receber mais uma leva de provas de fim do bimestre em uma escola municipal de Nova Iguaçu, a professora Joice Oliveira Nunes teve uma surpresa muito agradável. A cada dois meses, os alunos do 5º ano do ensino fundamental fazem uma votação para eleger qual desenho ilustrará a capa das avaliações.

Desta vez, foram escolhidos os inconfundíveis personagens da Turma da Mônica. No entanto, percebendo que nenhum deles se parecia consigo, o aluno identificado apenas como Cleidison resolveu pintá-lo a sua imagem e semelhança. E ele ainda avisou a professora porque fez isso:

– Pintei da minha cor, tá? Cansei desses desenhos diferentes de mim.

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Surpresa com a atitude, Joice abraçou a causa de seu aluno e postou a imagem do desenho no Facebook. Até este sábado, a foto já tinha mais de 3,5 mil compartilhamentos.

Professora com mais de 40 anos de experiência explica o segredo de como ensinar uma criança

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Vicente Carvalho, no Hypeness

Rita F. Pierson, professora há 40 anos, uma vez ouviu um colega dizer: “Eles não me pagam para gostar das crianças, eles me pagam para ensinar as lições”. Sua resposta foi: “As crianças não aprendem com as pessoas de quem não gostam”.

Rita passou a sua vida inteira dedicada a lecionar, seguindo os seus pais e avós em uma carreira como educadora no ensino fundamental, especial e júnior. Ela traz uma energia especial para o papel em sala de aula: um desejo de conhecer seus alunos, uma conexão humana, mostrando a eles o quanto eles são importantes e os apoiando no seu crescimento, mesmo que modesto. Aqui o tamanho da vitória não importa, e sim a celebração por ela.

Em sua palestra no TED Talks Education, ela faz os educadores refletir sobre a importância do relacionamento, de acreditarem em seus alunos e de realmente se conectarem com cada um. “Toda criança merece um campeão – um adulto que nunca vai desistir deles, que compreende o poder de conexão, e insiste para que eles se tornem o melhor que podem ser“.

Seja professor ou não, vale a pena apertar o play:

Imagem de Amostra do You Tube

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Fotos do TED © Ryan Lash

Brasil abandona programa para reduzir atraso nas escolas

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Érica Braga, no Folha de S.Paulo

Uma das principais políticas de combate ao atraso escolar tem sido gradualmente abandonada no Brasil.

Moda no fim dos anos 90 e no início da década passada, os programas chamados de correção de fluxo sofreram uma sangria de matrículas.

Em 2000, havia 1,2 milhão de estudantes do ensino fundamental frequentando esse tipo de curso. No ano passado, esse número tinha despencado para 172 mil, uma queda de 86%.

Os alunos em correção de fluxo são organizados em salas de aulas separadas. O objetivo é recuperar o conteúdo não aprendido por eles e depois devolvê-los para o ensino regular na série certa.

No Brasil, 21% das crianças do ensino fundamental não estão na série adequada à sua idade -geralmente, porque repetiram de ano ou ficaram um período fora da escola. Em 2006, esse índice era maior (28,6%), mas, para especialistas, é cedo para enxugar os programas.

Editoria de Arte/Folhapress

Ainda existem cerca de seis milhões de alunos com atraso de dois anos ou mais no ensino fundamental no país.

“Os programas de correção de fluxo estão morrendo precocemente” afirma João Batista Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto.

Segundo ele, esses programas precisam ser acompanhados por um foco na alfabetização para garantir que o número de novos alunos atrasados diminua.

“Sozinhos, eles são como enxugar gelo. Mas um número grande de alunos já atrasados ainda precisa deles.”

O MEC (Ministério da Educação) afirma que não reduziu os recursos para financiar os programas, mas ressalta que a demanda deve partir de Estados e municípios.

Para Clarice Traversini, diretora de currículos da Secretaria de Educação Básica do MEC, uma das explicações para o encolhimento dos programas de correção de fluxo é o envio precoce de adolescentes para a EJA (Educação de Jovens e Adultos), como é chamado o antigo supletivo.

Os alunos que vão para a EJA saem do ensino regular, deixando de contar nas estatísticas de atraso escolar.

O aumento do número de estudantes de 15 a 17 anos na EJA foi revelado em reportagem da Folha e se tornou um tema prioritário para o MEC (leia na pág. C3).

Especialistas que defendem os programas de correção de fluxo dizem que sua metodologia, além de focar na aprendizagem, tenta recuperar a autoestima do aluno.

“Esses programas são um resgate do aluno que, por estar defasado, tem a autoestima baixa”, diz Ricardo Dantas, secretário estadual de Educação de Pernambuco.

Ida de adolescentes para supletivo ‘melhora’ escola

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Érica Fraga, na Folha de S.Paulo

O número de adolescentes cursando o antigo supletivo, modalidade de ensino mais rápida destinada a alunos atrasados, cresceu entre 2007 e 2013, na contramão do ocorrido nas outras faixas etárias.

As matrículas de alunos de 15 a 17 anos nos anos finais do ensino fundamental da EJA (Educação para Jovens e Adultos) subiram 6% no período, para 466 mil. Todas as outras faixas etárias nas diferentes etapas encolheram.

Com isso, a fatia dos adolescentes nos anos finais do ensino fundamental da EJA saltou de 22,3% para 30%.

Essa migração firme reflete a dificuldade das escolas em manter os adolescentes na série certa. Embora seja o espelho de um retrato educacional falho, a ida dos adolescentes para a EJA melhora as estatísticas escolares.

Os alunos atrasados transferidos deixam de ser contabilizados em indicadores do ensino regular, como a distorção entre idade e série cursada, que vem caindo no país.

Além disso, esses alunos –que são os que apresentam pior desempenho escolar– deixam de participar de avaliações externas.

Victor Lima,15, e a mãe, Juscilene; ele foi encaminhado ao Cieja do Campo Limpo - Davi Ribeiro/Folhapress

Victor Lima,15, e a mãe, Juscilene; ele foi encaminhado ao Cieja do Campo Limpo – Davi Ribeiro/Folhapress

Êda Luiz, diretora do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (Cieja) do Campo Limpo (em São Paulo), notou que muitas escolas não têm esperado nem mais o fim do ano letivo para encaminhar alunos para a EJA.

“Nos últimos dois anos, tenho recebido um número crescente de alunos já no fim do primeiro bimestre letivo.”

Foi o que aconteceu com Victor Eduardo Lima, 15, que tinha dois anos de atraso e foi encaminhado por uma escola estadual há algumas semanas para o Cieja do Campo Limpo (zona sul de São Paulo), que é referência em ensino de jovens e adultos.

“Fui chamada e falaram que ele não tinha mais jeito e que era melhor transferi-lo logo”, diz Juscilene Maria de Lima, mãe de Victor.

Segundo especialistas, essa tendência parece ser fruto de tentativas das escolas para melhorar seu desempenho.

“Existe um movimento, ao que tudo indica intencional, de levar esse aluno para a EJA”, afirma Roberto Catelli, da ONG Ação Educativa.

Bruno Novelli, da ONG AlfaSol, concorda: “Cai a distorção entre idade e série e melhoram as notas no Ideb”.

Em um primeiro momento, a escola que transfere um aluno para a EJA após reprová-lo é penalizada no Ideb, indicador de qualidade do ensino básico calculado a partir da Prova Brasil. Isso porque, além do
desempenho, o exame considera a taxa de aprovação geral da escola.

Mas se a transferência ocorre antes da realização do censo escolar em maio, o aluno não conta para o desempenho da escola, pois deixa de ser vinculado a ela.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

Para alguns especialistas, mesmo que a escola já tenha sido punida pela reprovação de um aluno, as perspectivas de melhora em avaliações futuras aumentam depois de encaminhá-lo para o supletivo. A lógica, argumentam, é tentar reduzir o número de estudantes com desempenho consistentemente ruim.

A diretora de EJA da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, Lívia Maria Antongiovanni, relativiza a interpretação: “Isso pode ocorrer, mas a escola também pode receber um aluno tão problemático quanto o que saiu”.

Estudar é uma realidade impensável para meninas do Norte da Nigéria, diz imigrante

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Segundo a nigeriana Angela, seu País ainda tem escolas só para meninas no Oeste e no Sul

Mariana Queen, no R7

 Angela é contadora e professora no Brasil (Foto: Reprodução/ Facebook)

Angela é contadora e professora no Brasil (Foto: Reprodução/ Facebook)

Originária da região Oeste da Nigéria, Agela Apunike, 47 anos, estudou contabilidade em seu País na Imo State University. Apesar de ter tido a oportunidade de finalizar o ensino superior, a professora de inglês e assistente financeira, que hoje mora no Brasil, conta que estudar é uma realidade impensável para as nigerianas do Norte.

— Muitos pais de meninas que vivem no Norte da Nigéria não mandam suas filhas para a escola, porque acreditam que as mulheres só servem para procriar e cuidar de casa. Consideram a mulher como um segundo cidadão, e que quem tem que estudar e ganhar a vida é o homem, diz.

Angela passou a infância no estado de Anambra, área onde, como no Sul do País, predominam religiões cristãs. As ideias democráticas que surgiram após a independência da Nigéria, em 1960, influenciaram as famílias dessas regiões para que garantissem às meninas e às mulheres acesso aos estudos. Mas, segundo Angela, mesmo nessas áreas, a situação nem sempre foi assim.

— Meninas das regiões cristãs tiveram problemas para estudar entre os anos de 1930 e 1960. Nessa época, as mulheres do Oeste e do Sul não estudavam, porque prevaleciam em todo o País valores da cultura africana no geral, que favorece os filhos homens em muitos aspectos.

Por conta dessa realidade, a mãe de Angela não teve acesso aos estudos, mas durante a vida passou a enxergá-lo como um direito a ser garantido não só aos seus filhos, mas também às suas filhas.

No momento em que a Nigéria virou uma república federativa, em 1964, consolidou-se o acesso às educação para meninas do Sul e do Oeste. Para Angela, nesse período, o “povo nigeriano entendeu a necessidade de se educar as mulheres para se educar a nação”.

— Meus pais compraram a ideia e educaram as cinco filhas deles, além dos três filhos. Pudemos estudar até onde queríamos, conta.

Língua materna

Por ser um País multiétnico, a Nigéria coloca no currículo escolar aulas das línguas das tribos predominantes nas diferentes regiões —são três as principais etnias nigerianas: igbo, ioruba e alsa, porém a população é composta por mais de 200 tribos.

Angela é da etnia igbo. Durante o ensino fundamental e o ensino médio cursados em escolas estaduais, além das línguas oficiais da Nigéria (inglês, devido à colonização britânica, e francês devido à colonização francesa das nações vizinhas), ela teve aulas para aprender a sua língua materna.

— Tínhamos aula de igbo e francês, porque, depois do inglês, o francês é considerado a nossa segunda língua oficial para a comunicação com os países vizinhos.

Escola só para meninas

Apesar de garantirem acesso à educação de maneira universal, até hoje as regiões Oeste e Sul da Nigéria ainda mantêm escolas de ensino médio só para meninos e instituições onde apenas garotas podem estudar. Mixed School é o nome dado à escola que permite que o ensino seja transmitido a alunos de ambos os sexos nas mesmas turmas e classes.

No ensino médio, cursado na década de 1980, Angela estudou em um colégio interno estadual só para meninas. Sobre a experiência, prefere mencionar apenas ter compreensão do porque recebeu uma educação separada dos garotos.

— Essa divisão de sexo nas escolas existe porque Nigéria é um País que preza muito pela educação moral. As famílias nigerianas têm receio de que se misturem meninos e meninas na escola e que isso leve eles a namorarem ou casarem cedo e, assim, a desviarem o foco da educação.

— Os pais escolhiam em que tipo de escola as filhas deveriam estudar e até hoje é assim no País, completa.

Escolhas  

Para se casar, a contadora terminou o ensino médio na Nigéria e veio morar no Brasil em 1991. Antes de embarcar para a América, Angela precisou fazer o WASSCE (West African Senior School Certificate Examination), exame aplicado a todos os países da África ocidental e que, de maneira similar ao Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), serve aos africanos como certificado de conclusão do ensino médio e como vestibular para o ingresso no ensino superior.

Já no Brasil, casada com farmecêutico e também nigeriano Alexcoman Apunike, Angela teve três filhos. Em 1999, aos 30 anos de idade, ela decidiu retornar à África para educá-los e cursar contabilidade na Imo State University, também localizada na região Oeste do País. Angela e os filhos voltaram para o Brasil em 2011.

— Levei os meus filhos para estudar na Nigéria, porque acho que lá o ensino médio é melhor do que o que é oferecido aqui. Tanto que eles voltaram para o Brasil e passaram no vestibular da USP na primeira tentativa, conta.

Educação nigeriana 

Atualmente na Nigéria, os estudantes passam três anos na pré-escola, seis anos no ensino fundamental e mais seis anos no ensino médio. Esta última etapa da educação básica é dividida em duas fases: o secondary junior school (ensino médio junior) e o secondary senior school (ensino médio sênior).

— O secondary junior school  é como um ensino técnico e tem três anos de duração. Após esse período, o aluno presta uma prova e ganha um certificado de conclusão dessa primeira parte dos estudos, explica Angela.

Já no secondary senior school, segundo Angela, os alunos nigerianos aprimorarm o ramo que querem seguir na universidade. As disciplinas cursadas passam a ser apenas aquelas ligadas à carreira profissional escolhida. Depois disso, todos os estudantes fazem a prova WASSCE, e, se aceitos em uma universidade, no primeiro semestre de aulas revisam os conteúdos aprendidos no final do ensino médio.

Para Angela, a forma como a educação básica na Nigéria está estruturada garante aos jovens uma educação de excelência: “Nós, nigerianos, podemos viajar para qualquer canto do mundo e continuar os estudos, porque temos uma base educacional de muito boa qualidade. A única etapa do ensino que fica meio fraca é o ensino superior.”

— Nas áreas de exatas e biológicas, muitas universidades da Nigéria não têm estrutura para aulas práticas. Devido a essa falta de infraestrutura a formação superior em medicina e em indústrias no meu País não é comparável à existente no Brasil. Aqui, um farmacêutico, por exemplo, tem mais laboratórios e, por consequência, mais bagagem para se desenvolver, avalia.

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