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Série ‘Carcereiros’, que adapta livro de Drauzio Varela, busca entender o bem e o mal

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Rodrigo Lombardi interpreta o agente penitenciário Adriano na série ‘Carceireiros’ Foto: Ramón Vasconcelos/Globo

Luiz Carlos Merten, no Estadão

Tiradentes, no interior de Minas Gerais, abriga em janeiro a Mostra Aurora, principal vitrine da produção autoral e independente de cinema do País. Em 2018, ampliando um pouco o leque, Tiradentes abriu espaço para discutir a relação da teledramaturgia com a literatura.

E o foco foi a série Carcereiros, de José Eduardo Belmonte, adaptada – por dois craques, Fernando Bonassi e Marçal Aquino – do livro de Drauzio Varela. Série estreou na quinta, 26, na TV Globo – e segue sempre às quintas, na mesma emissora.

De cara, Aquino e Bonassi disseram aquilo que qualquer pessoa que acompanhe minimamente o noticiário está cansada de saber – o sistema carcerário brasileiro é cruel, desumano. E o diretor Belmonte – seu filme que mais se aproxima do universo da série é Alemão.

Rodrigo Lombardi faz o protagonista. É um agente penitenciário, personagem que o sistema tenta manter no anonimato, mas que volta e meia vai parar nos jornais e na TV – como refém, quando as penitenciárias explodem, e isso ocorre com frequência.

Em casa, Othon Bastos adverte o filho/Lombardi.

Por que ele insiste em trazer para o ambiente familiar a pressão do trabalho? Quem responde é a chamada da série – o carcereiro pode sair da penitenciária, mas a penitenciária não sai de dentro dele. Como diretor, Belmonte gosta de retratar pessoas diante de problemas grandes demais – que as ultrapassam.

Os carcereiros vivem nesse limite. São servidores de um Estado que não lhes fornece ferramentas para enfrentar situações graves diante de gangues criminosas. E vivem expostos à violência.

Além do texto e da interpretação sólidos, Carcereiros beneficia-se daquilo que Daniel Filho gosta de chamar de “plus a mais”. A série funciona em dois registros, incorporando imagens de um documentário por Fernando Grostein, Pedro Bial e Claudia Calabi sobre a violência, incluindo motins, em presídios.

Carcereiros (reais) dão seus depoimentos, costurando a trama. Desde quinta, 26, a Globo soma à ficção de Onde Nascem os Fortes o docudrama de Carcereiros. Se você não reza na cartilha do bandido bom é bandido morto, a série vai ajudar a iluminar a realidade (e entender o Brasil).

Nada da simplificação de mocinhos versus bandidos. Carcereiros busca o humano para entender o bem e o mal de cada figura em cena.

Expecto Patronum! Existe um curso em SP pra você entender a magia de ‘Harry Potter’

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Getty Images

‘Harry Potter – Uma História de Magia’ será ministrado no MIS-SP.

Amauri Terto, no HuffpostBrasil

Por que a saga Harry Potter se tornou um fenômeno mundial na literatura e no cinema? Por que a obra de J.K. Rowling conquistou tantos fãs ao redor do mundo tornando-se um clássico instantâneo? Por que crianças e adultos ainda discutem as tramas presentes nos sete livros com tanto empolgação e carinho?

Essas e outras perguntas serão discutidas no curso Harry Potter – Uma História de Magia, ministrado pela pesquisadora Cláudia Fusco – entre os dias 19 de fevereiro e 15 de março – no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo.

Voltado para fãs bruxinho e interessados em literatura no geral, o programa é composto por cinco encontros de duas horas e meia de duração cada. “Irei abordar aspectos que muitas vezes ficam de fora de uma primeira leitura sobre os livros de Rowlling: os aspectos sociais, culturais, políticos e filosóficos em Harry Potter”, conta Cláudia ao HuffPost Brasil.

Getty Images

Jornalista e mestre em Science Fiction Studies pela Universidade de Liverpool, Inglaterra, Cláudia defende que a obra de J.K. Rowlling vai além de entretenimento para o público infantojuvenil. Essa aspecto mais profundo se dá na forma como a autora “desmancha” e “questiona” a ideia do que é ser um bruxo.

Para a pesquisadora, essa abordagem da autora britânica é “revolucionária”, uma vez que a sociedade ocidental ainda lida com o conceito de magia de forma estigmatizada.

“O que a Rowling faz é depositar a magia em um contexto diferente do qual estamos habituados: enquanto muitas histórias tradicionais trazem bruxos e bruxas completamente isolados, em Harry Potter enxergamos a magia como uma função social, um termômetro moral da sociedade. Isso levanta debates fantásticos”, explica.

Sobre o estrondoso sucesso da saga – que vendeu mais de 400 milhões exemplares em todo o mundo (3 milhões deles só no Brasil) -, Cláudia diz que a explicação mora numa “combinação enorme de fatores”.

“Sorte e talento com as palavras sem dúvida estão nele, mas também a criação de um ambiente mágico, onde liberdade e amizade são valorizados em níveis iguais, é o sonho de qualquer sociedade”, comenta.

“É por isso que mergulhamos na fantasia, para início de conversa: não necessariamente como um escape, mas um vislumbre de realidades melhores, ou pelo menos diferentes. Enquanto pudermos imaginar mundos melhores, seremos capazes de construí-los, a muitas mãos”, finaliza.

WireImage

O quinto e último encontro do curso tem um título curioso: Harry Potter e os Segredos da Morte.

Cláudia explica que esse módulo surgiu por conta da forma especial e delicada que a saga aborda a questão questão da morte. “Isso vem muito da autora, que construiu essa história motivada pelo amor à mãe que faleceu enquanto ela escrevia, e traz reflexões que estão muito em voga a discussões sobre o significado da morte”, diz.

Para quem acha que nessa aula haverá especulações sobre o que acontece depois da que se bate as botas, a pesquisadora alerta: “Acredito que os alunos podem esperar mais discussões sobre o que é viver, afinal (e o que faz a vida valer a pena, segundo Harry Potter) do que teorias sobre o que aguarda do outro lado”.

5 livros para entender o Brasil por autores negros

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Foto: Arquivo Pessoal

Publicado no Nexo

O professor de sociologia da Unicamp Mário Medeiros faz uma seleção de 5 autores negros contemporâneos que, à sua maneira, explicam o Brasil

Como todas as listas, essa é igualmente difícil e problemática. Trata-se de uma seleção em que a dificuldade maior foi selecionar excelentes trabalhos para ficarem de fora. Livros de intelectuais negras e negros que tratem do Brasil existem há muito tempo em nossa história social e literária, mesmo que ignorados sistematicamente ou conhecidos apenas de um público especializado. Assim, selecionei trabalhos de intelectuais negras e negros contemporâneos, fáceis de encontrar em livrarias ou sebos, que se encontram em atividade de pesquisa e/ou que produziram há poucos anos resultados de pesquisas que eu considero como referências importantes para compreender aspectos da história social do Brasil, rever temas sobre o múltiplo mundo negro no Brasil e no exterior, que permitam revisitar trabalhos clássicos de autores negros e não negros, que avancem nas e tensionem criticamente as interpretações sobre o Brasil e sobre os negros em nosso país.

O mundo negro: relações raciais e a constituição do movimento negro contemporâneo no Brasil

Amílcar Araújo Pereira

O historiador Amílcar Pereira publicou sua tese de doutoramento defendida na Universidade Federal Fluminense, uma rigorosa pesquisa que revisita os estudos sobre relações raciais no Brasil. Ele faz um debate sobre a ideia de democracia racial, propondo interpretações alternativas em que intelectuais, ativistas e movimentos negros brasileiros aparecem como protagonistas, articulados com um complexo mundo negro nos Estados Unidos e em países africanos. Além disso, aproveitando os dados e as entrevistas de pesquisa anterior realizada em parceria com Verena Alberti (“Histórias do movimento negro no Brasil”, citada na lista de ‘Favoritos’ do próprio Amilcar, aqui no Nexo), o autor analisa a atuação de homens e mulheres negros na constituição dos movimentos negros no Brasil dos últimos 40 anos, importantes para a luta antirracista, mas também para a luta pela democracia política, contra a ditadura civil-militar, pela ampliação dos sentidos da cidadania contemporânea, com a valorização histórica e cultural da população negra, pelas leis de ensino de história afro-brasileira e contra o racismo, num debate que interessa a todos aqueles que lutam pela igualdade de direitos.

Imprensa negra no Brasil do século XIX

Ana Flávia Magalhães Pinto

A historiadora Ana Flávia M. Pinto realizou, em sua dissertação de mestrado defendida na Universidade de Brasília (UnB), uma pesquisa de fôlego. Que se tornou um livro de enorme importância, tanto por publicizar a existência de jornais negros em cidades como Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo ainda no século 19, como também por colocar em xeque, para os especialistas no assunto, questões como a cronologia da imprensa negra no Brasil, os lugares onde ela existiu, os sentidos da associação de ativistas, intelectuais negros em meio à escravidão e após a abolição. Seu livro ainda tem a qualidade da fluidez da linguagem, tornando-o bastante acessível para iniciantes no assunto, permitindo rever percepções do senso comum acerca da história brasileira e ação de homens e mulheres negros nela, nos primórdios da luta por igualdade de direitos entre as pessoas em nosso país, em que os negros, com suas demandas, são protagonistas.

Vozes marginais na literatura

Érica Peçanha do Nascimento

A antropóloga Érica Peçanha do Nascimento foi a pesquisadora pioneira nos estudos sobre a literatura marginal e periférica dos anos 2000 (estética e movimentos criados em torno do escritor Ferréz e suas obras, das edições Caros Amigos: Literatura Marginal e de saraus pioneiros, como a Cooperifa). “Vozes marginais” é resultado de sua dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade de São Paulo, mapeando a produção cultural de intelectuais e ativistas periféricos nas periferias paulistanas, seus projetos coletivos, entrevistando protagonistas de uma cena cultural e política iniciada em São Paulo e que hoje é uma realidade incontornável para a compreensão da história cultural, política e literária brasileira contemporânea para qualquer interessado ou pesquisador comprometido com o assunto. Livro igualmente incontornável como referência do assunto.

A negação do Brasil: o negro na telenovela brasileira

Joel Zito Araújo

Para além de um produto comercial, a telenovela tem sido importante, desde a segunda metade do século 20, na construção de uma imagem de si para o Brasil, por meio de personagens e narrativas que procuram espelhar o cotidiano urbano e rural, do passado e do presente, de valores e costumes tradicionais ou em mudança. O livro do cineasta Joel Zito Araújo, originado de pesquisa na Universidade de São Paulo e que também gerou um documentário homônimo, enfrenta a discussão dessa mídia como produtora de identidade nacional, seu papel na construção e explicitação de hábitos de diferentes classes sociais e também da manutenção de preconceitos e discriminações, em particular sobre os negros. Num minucioso trabalho de pesquisa em arquivos de redes de televisão (como Tupi e Globo), além de uma bela publicização de cenas de telenovelas e de personagens vividos por atores negros e não negros em nossas telas, o autor coloca em discussão um tema contemporâneo da realidade de milhares de telespectadores e os sentidos atribuídos e construídos de sua autopercepção como brasileiros.

Angola Janga: uma história de Palmares

Marcelo d’Salete

“Angola Janga” é um ponto alto em muitos sentidos. Alto numa carreira cheia de cumes, do desenhista de “Noite Luz, Encruzilhada e Cumbe”. Alto na construção de uma história coletiva com protagonistas negros e suas vidas cheias de emoção, desejos, heroísmos, fracassos e lutas pela liberdade humana. Marcelo D’ Salete, mestre em história da arte pela Universidade de São Paulo e professor da Escola de Aplicação da USP, enfrentou o desafio de construir graficamente uma história de Palmares, alicerçada em pesquisa de fontes históricas, ainda disputáveis nos dias correntes. O processo de construção da história é também reconstrução, nos lembra o autor. Palmares vive como memória coletiva negra e uma história de complexa resistência na experiência brasileira. D’Salete interpreta essas memórias e histórias, tão acionadas em diferentes momentos do século 20 para o século 21, para uma nova geração de leitores, com a beleza, rigor e dignidade que ela requer.

Mário Medeiros é professor e pesquisador do departamento de sociologia do IFCH-Unicamp. Autor do livro “A descoberta do insólito: literatura negra e literatura marginal no Brasil (1960-2000)”, publicado pela Aeroplano Editora em 2013.

Os 11 livros que Antonio Candido considerava fundamentais para entender o Brasil

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Rodrigo Casarin, no Página Cinco

Em setembro de 2000, Antonio Candido publicou na revista “Teoria e Debate” uma lista com os 11 livros que ele considerava incontornáveis para quem deseja conhecer o Brasil. Mesmo reconhecendo que a tarefa era um tanto ingrata e que deixaria muita coisa boa de fora, se propôs a apontar aqueles que, na sua visão, abordam aspectos fundamentais sobre o país para quem deseja “adquirir boa informação a fim de poder fazer reflexões pertinentes, mas sabendo que se trata de amostra”.
Eis os títulos:

“O Povo Brasileiro”, de Darcy Ribeiro – “livro trepidante, cheio de ideias originais, que esclarece num estilo movimentado e atraente o objetivo expresso no subtítulo”.

“Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda – “análise inspirada e profunda do que se poderia chamar a natureza do brasileiro e da sociedade brasileira a partir da herança portuguesa, indo desde o traçado das cidades e a atitude em face do trabalho até a organização política e o modo de ser”.

“História dos Índios do Brasil”, organizada por Manuela Carneiro da Cunha – “redigida por numerosos especialistas, que nos iniciam no passado remoto por meio da arqueologia, discriminam os grupos linguísticos, mostram o índio ao longo da sua história e em nossos dias, resultando uma introdução sólida e abrangente”.

“Ser Escravo no Brasil”, de Kátia de Queirós Mattoso – “uma excelente visão geral desprovida de aparato erudito, que começa pela raiz africana, passa à escravização e ao tráfico para terminar pelas reações do escravo, desde as tentativas de alforria até a fuga e a rebelião”.

“Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre – “Verdadeiro acontecimento na história da cultura brasileira, ele veio revolucionar a visão predominante, completando a noção de raça (que vinha norteando até então os estudos sobre a nossa sociedade) pela de cultura; mostrando o papel do negro no tecido mais íntimo da vida familiar e do caráter do brasileiro; dissecando o relacionamento das três raças e dando ao fato da mestiçagem uma significação inédita”.

“Formação do Brasil Contemporâneo, Colônia”, de Caio Prado Júnior – “É admirável, neste outro clássico, o estudo da expansão demográfica que foi configurando o perfil do território – estudo feito com percepção de geógrafo, que serve de base física para a análise das atividades econômicas (regidas pelo fornecimento de gêneros requeridos pela Europa), sobre as quais Caio Prado Júnior engasta a organização política e social, com articulação muito coerente, que privilegia a dimensão material”.

“A América Latina, Males de Origem”, de Manuel Bonfim – “depois de analisar a brutalidade das classes dominantes, parasitas do trabalho escravo, mostra como elas promoveram a separação política para conservar as coisas como eram e prolongar o seu domínio”.

“Do Império à República”, de Sérgio Buarque de Holanda – “expõe o funcionamento da administração e da vida política, com os dilemas do poder e a natureza peculiar do parlamentarismo brasileiro, regido pela figura-chave de Pedro II”.

“Os Sertões”, de Euclides da Cunha – “livro que se impôs desde a publicação e revelou ao homem das cidades um Brasil desconhecido, que Euclides tornou presente à consciência do leitor graças à ênfase do seu estilo e à imaginação ardente com que acentuou os traços da realidade, lendo-a, por assim dizer, na craveira da tragédia”.

“Coronelismo, Enxada e Voto”, de Vitor Nunes Leal – “análise e interpretação muito segura dos mecanismos políticos da chamada República Velha”.

“A Revolução Burguesa no Brasil”, de Florestan Fernandes – “uma obra de escrita densa e raciocínio cerrado, construída sobre o cruzamento da dimensão histórica com os tipos sociais, para caracterizar uma nova modalidade de liderança econômica e política”.

Concurso Cultural Literário (84)

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capa manual do bebê

LEIA UM TRECHO

Engana-se quem acha que criar filhos não requer qualificações tão ou mais exigentes que as do mercado de trabalho. Hoje, para ter sucesso na profissão, são necessárias habilidades tanto “masculinas” quanto “femininas” para ambos os sexos. E adivinhe? Para cuidar de filhos também. Por isso, com este manual útil e divertido, escrito em uma linguagem que os homens entendem e gostam, você poderá encarar a função de ser pai como um novo trabalho, e ainda por cima desenvolverá qualidades que serão também muito úteis na sua profissão:

Administração financeira: quanto custa criar um filho?
Gestão de crise: como trocar fraldas?
Redução de estresse: o que dar de comer à criança?
Gerenciamento de tempo: como equilibrar trabalho e paternidade?
Inteligência emocional: como entender o significado do choro do bebê?
Trabalho em equipe: como dividir tarefas com a mãe?
Motivação e liderança: o que fazer para ter um filho feliz?

Vamos sortear 3 exemplares de “Manual de instruções do bebê para quem acaba de ser promovido a pai“, lançamento da Gutenberg.

Para participar, mencione na área de comentários o nome de um amigo ou parente que recentemente tornou-se pai ou que está próximo de ter essa alegria.

Se usar o Facebook, por gentileza informe seu email de contato.

O resultado será divulgado dia 28/8 neste post.

Boa sorte! 😉

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Parabéns aos ganhadores: Alvino RodriguesJoão Carlos ViannaCarliane Sousa Silva. \o/

Por gentileza enviar seus dados completos para livrosepessoas@gmail.com em até 48 horas.

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