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Livro recomendado por Bill Gates chega ao Brasil

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João Gabriel de Souza, no TecMundo

Título original: Livro sobre busca por um ‘algoritmo mestre’ chega ao Brasil

A Novatec Editora — empresa especializada em livros de tecnologia — anunciou o lançamento de “O Algoritmo Mestre” no Brasil. A obra escrita por Pedro Domingos chega com a proposta de desmistificar o assunto e tornar seu entendimento mais fácil, exemplificando como a busca pelo algoritmo mestre definitivo transformará o mundo e quais serão essas mudanças.

Segundo o autor, os algoritmos estão cada vez mais presentes e influentes em nossas vidas, podendo ser encontrados em filmes, livros e até em nosso cotidiano. Também conhecido como machine learning, o tema do livro pode ser traduzido como a automação da descoberta ou inteligência artificial, ou seja, aquilo que permite que robôs e computadores inteligentes se autoprogramem, por exemplo.

Capa do livro distribuído pela Novatec

Capa do livro distribuído pela Novatec

 

“O Algoritmo Mestre” já está disponível nas livrarias e foi recomendado por Bill Gates para quem deseja entender o que é a inteligência artificial e a forma como atua.

25 maneiras de como perguntar aos seus filhos ‘Como foi a escola hoje?’ sem perguntar ‘como foi a escola hoje’

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Blend Images - JGI/Jamie Grill via Getty Images

Blend Images – JGI/Jamie Grill via Getty Images

Liz Evans, no Brasil Post

Esse ano, Simon está na quarta série e Grace na primeira, e me pego fazendo a mesma pergunta todo dia quando chegam da escola: “Então, como foi a escola hoje?”

E todo dia eu recebo uma resposta tipo “legal” ou “tudo bem”, que não me diz muita coisa.

E EU QUERO SABER BASTANTE COISA!!!

Ou pelo menos ouvir uma frase completa. Então a outra noite, eu sentei e fiz uma lista de perguntas mais estimulantes para fazer aos meus filhos sobre a escola. As perguntas não são perfeitas, mas pelo menos meus filhos respondem com frases completas e algumas até renderam boas conversas… e respostas hilárias… e me fizeram entender melhor como os meus filhos pensam e sentem sobre a escola.

1. Qual foi a melhor coisa que aconteceu na escola hoje? (Qual foi a pior coisa que aconteceu na escola hoje?)

2. Me conte sobre alguma coisa que te fez rir hoje.

3. Se pudesse escolher, do lado de quem gostaria de sentar na classe? (Ao lado de quem NÃO gostaria de sentar? Por quê?

4. Qual é o lugar mais legal na escola?

5. Me diga uma palavra esquisita que você ouviu hoje. (Ou uma coisa estranha que alguém disse hoje.)

6. Se eu ligasse para a sua professora hoje a noite, o que ela me diria sobre você?

7. Como você ajudou alguém hoje?

8. Como alguém lhe ajudou hoje?

9. Me diga uma coisa que você aprendeu hoje.

10. Em que momento você se sentiu mais feliz hoje?

11. Quando ficou com tédio hoje?

12. Se uma espaçonave alienígena chegasse para abduzir alguém da sua sala, quem você gostaria que eles levassem?

13. Com quem você gostaria de brincar no recreio e nunca brincou antes?

14. Conte uma coisa boa que aconteceu hoje.

15. Que palavra a professora mais falou hoje?

16. O que você acha que deveria fazer/aprender mais na escola?

17. O que você acha que deveria fazer/aprender menos na escola?

18. Com quem você poderia ser mais legal na sua classe?

19. Onde você mais gosta de brincar no recreio?

20. Quem é a pessoa mais engraçada na sua classe? E porque ele/ela é tão engraçado(a)?

21. Do que você mais gostou na hora do almoço (ou lanche)?

22. Se você fosse o professor/professora amanhã, o que você faria?

23. Tem alguém na sua classe que precisa ficar de castigo?

24. Se você pudesse trocar de lugar com alguém na classe, com quem trocaria? Por quê?

25. Me conte sobre três vezes diferentes em que você usou o seu lápis hoje na escola.

Até agora, as minhas respostas favoritas foram as das perguntas 12, 15 e 21. Perguntas como a do “alienígena” deixa a criança expressar de forma não-ameaçadora quem eles preferiam não ter na classe e abre o caminho para um diálogo sobre o por quê desse sentimento, possivelmente revelando questões das quais você não fazia ideia antes.

E as respostas que ouvimos são realmente surpreendentes, as vezes. Quando eu fiz a pergunta 3, eu descobri que um dos meus filhos não queria mais sentar do lado de um melhor amigo na classe – não por um desejo de ser maldoso ou chato, mas pela vontade de ter a chance de interagir com outras pessoas.

À medida que os meus filhos ficarem mais velhos, eu sei que vou ter que me esforçar cada vez mais para manter a conexão com eles – mas sei que o meu empenho vai valer a pena.

6 coisas que Aristóteles entendeu errado

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Viking

Viking

Armand Marie Leroi, no Brasil Post

Todo mundo sabe que Aristóteles foi um grande pensador. Ele inventou a lógica, escreveu a Política, a Poética e a Metafísica – livros que os filósofos leem até hoje. Mas pouca gente sabe que também foi um grande cientista – o primeiro. Foi a primeira pessoa a compreender que as teorias sobre o funcionamento do mundo natural têm de ser testadas pela evidência de nossos sentidos: pela realidade empírica. Ele escreveu sobre física, cosmologia e química, mas, principalmente, amava biologia. Ele colecionou milhares de fato sobre animais e plantas e então, em uma dúzia de livros, os explicou. É o maior sistema científico já construído por um homem. Mas até os maiores fãs de Aristóteles – entre os quais me incluo – têm de admitir que ele entendeu algumas coisas errado.

1. As mulheres são monstruosas.

Aristóteles diz que as mulheres têm menos dentes que os homens. Não está claro por que ele pensa nisso. Talvez ele tenha contado os dentes de sua jovem esposa e descobriu que ela não tinha os sisos. Mas os dentes são o menor dos problemas de Aristóteles com as mulheres. Comparadas aos homens, diz ele, elas são “imaturas”, “deficientes”, “deformadas”; são até um pouco “monstruosas”.

Estudiosos feministas levaram isto a sério, como deveriam. Mas tudo está ligado à biologia de Aristóteles. Ele acha que os homens têm sangue mais quente que as mulheres, têm um papel mais importante na reprodução e de modo geral são mais perfeitos. Ele dá algumas evidências para seus comentários. Nota que se você “mutilar” um menino — cortar seus testículos — sua voz nunca engrossará e ele não ficará calvo: ele se tornará feminilizado. A inferência de que as mulheres são naturalmente homens mutilados é razoável, mesmo que não seja exata.

É difícil resistir à conclusão de que as opiniões de Aristóteles sobre a biologia feminina são pelo menos em parte condicionadas pelos costumes patriarcais de sua época. Em Política, ele nem sequer considera a possibilidade de que as mulheres fossem cidadãs. A seu crédito, ele rejeita a sugestão de Platão em A República de que as mulheres deveriam ser partilhadas comunitariamente. Isto, porém, não é uma defesa dos direitos das mulheres: ele apenas pensa que a partilha das mulheres apoiada pelo Estado causará problemas. Provavelmente tinha razão.

2. Algumas pessoas merecem ser escravas.

A Atenas do século 4º funcionava com escravos. Em sua Política, Aristóteles considera a justiça disso. Ele admite que prisioneiros de guerra não merecem ser escravizados: são homens livres que apenas tiveram má sorte. Mas também afirma que algumas pessoas merecem ser escravizadas. Os escravos “naturais” são o tipo de pessoas que têm a capacidade de aceitar ordens, mas não têm inteligência suficiente para pensar por si mesmas. São pessoas mecânicas. Não são muito melhores que os animais.

É uma avaliação bastante dura. Coloque de lado a questão da propriedade, porém, e você poderá ver o que Aristóteles está pretendendo. Ele compreenderia o capitalismo industrial moderno. Ele indicaria que os trabalhadores em um “centro de remessa” do tipo dirigido pelas firmas de encomendas pelo correio, que obedecem roboticamente às ordens de “controladores” ambulantes, são escravos no sentido de que não podem exercer sua razão. Eles são escravos “naturais”? São incapazes de exercitar a razão? Não. Mas é assim que são tratados.

3. As enguias não se reproduzem.

As enguias são um problema para Aristóteles. O problema é que elas não têm gônadas. Abra o corpo de uma enguia e você não encontrará os espermatozoides e os óvulos que encontra dentro de outros peixes. Como então elas se reproduzem? A solução de Aristóteles é que elas não se reproduzem: apenas são geradas espontaneamente da lama. É claro, Aristóteles não poderia saber sobre a bizarra história de vida da enguia europeia: como ela só desenvolve suas gônadas quando faz uma viagem de 10 mil quilômetros dos rios da Grécia até o mar de Sargaços, nas Bermudas; como ela desova na profundidade, morre, e os filhotes fazem a longa viagem de volta. Mas sua solução para o problema da enguia foi excessivamente radical. Na verdade, ele pensa que muitos animais — moscas, percevejos, sanguessugas, ostras, moluscos — também são gerados espontaneamente de matéria-prima inanimada. A teoria da geração espontânea foi extremamente influente. Foi somente em 1668 que o cientista italiano Francesco Redi mostrou que para que surjam moscas na carne podre outras moscas primeiro têm de depositar ovos nela. O experimento de Redi era simples. Aristóteles poderia tê-lo feito. Mas não fez.

4. A eternidade do mundo.

Aristóteles, um maravilhoso naturalista, tem muitas evidências da evolução à sua frente. Ele vê que as espécies podem ser agrupadas em famílias; ele vê como elas são adaptadas a seus ambientes, e tem uma teoria sobre hereditariedade – a mais sofisticada que existia até que Mendel publicou a sua em 1866. Alguns de seus antecessores, os filósofos pré-socráticos, tinham teorias quase evolucionárias para explicar a origem da vida. Aristóteles avalia, e rejeita, todas elas.

5. Existe vida lá fora.

Aristóteles era um geocêntrico. Ele pensava que a terra se situa no centro do cosmo: o sol, a lua, planetas e estrelas, embutidos em esferas cristalinas, giram ao redor dela. Copérnico, Galileu e Kepler mostraram que ele estava errado. O aspecto mais estranho da cosmologia de Aristóteles, porém, não é seu geocentrismo, mas sua convicção de que os objetos celestes são vivos. Eles são, na verdade, as coisas vivas mais perfeitas; são quase deuses. Ele se pergunta por que a lua não tem asas, e conclui que não precisa delas; tem uma maneira melhor de se deslocar. Tudo faz parte de sua convicção de que o cosmo, em toda a sua reluzente perfeição, tem um objetivo. Nós não; simplesmente pensamos que ele apenas é.

Essa é a astroteologia de Aristóteles. Seu Deus definitivo é o Primeiro Movedor; uma entidade imaterial que vive além das estrelas, e, indiferente à vida na terra, passa seu tempo pensando sobre pensar. As estrelas e os planetas desejam ser como ele e por isso giram eternamente. É por isso que as coisas vivas se reproduzem: elas querem ser como Deus, eternas. Para Aristóteles, o amor literalmente faz o mundo girar.

6. Como as abelhas se reproduzem.

Aristóteles tenta decifrar como as abelhas se reproduzem. A maioria dos animais (com exceção dos geradores espontâneos) tem machos e fêmeas, e é fácil identificá-los. Mas existem três tipos de abelhas: as operárias, os zangões e as abelhas “líderes”, ou rainhas. Ele reúne todos os dados que consegue, os analisa e dá um ciclo de vida para as abelhas que, embora engenhoso, é errado. Mas é o que ele diz no final de seu capítulo sobre as abelhas que importa:

Então esta, pelo menos até onde vai a teoria, parece ser a situação sobre a geração das abelhas — em conjunto, isto é, com o que as pessoas acreditam ser os fatos sobre seu comportamento. Não que haja atualmente qualquer compreensão adequada do que são esses fatos. Se no futuro eles forem compreendidos, será quando a evidência dos sentidos depender mais que de teorias, embora as teorias tenham uma participação, desde que o que elas indicam concorde com os fatos.

Isto é o que eu penso que está acontecendo, mas realmente não sei. Quando tentamos compreender o mundo, devemos considerar as teorias. Mas na verdade são os fatos que importam; e, se os fatos mudam, nossas teorias também devem mudar. É uma declaração sobre como fazer ciência, feita 23 séculos atrás, a primeira. É por isso que, como cientista, posso compreender o que Aristóteles diz. É por isso que gosto tanto dele.

O livro de Armand Marie Leroi, “The Lagoon: How Aristotle Invented Science“, é publicado pela Viking (US$ 29.95).

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