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11 livros que Elon Musk quer que você leia

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Natalie Rosa, no Canal Tech

Elon Musk, o sul-africano por trás da Tesla Motors, SpaceX, entre outras empresas, sempre deixou claro em entrevistas que grande parte de sua formação veio da leitura.

Entre ficção científica e fantasia, infelizmente nem todos disponíveis em português, conheça 11 livros que o executivo acha que todos deveriam ler.

O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien

Em entrevista ao The New Yorker em 2009, Musk disse que o livro O Senhor dos Anéis, que também chegou aos cinemas, construiu sua visão de futuro.

“Os heróis dos livros que eu li… sempre senti que eu tinha a missão de salvar o mundo”, contou Musk ao jornal.

O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams

Ao ler a saga d’O Guia do Mochileiro das Galáxias quando ainda era um adolescente, Musk diz que a história “era instrumental ao seu pensamento”, se apaixonando de primeira.

Inclusive, ao lançar um Tesla Roadster ao espaço em fevereiro deste ano, ele inseriu a frase “Don’t panic” (não entre em pânico), que está presente na capa de uma das primeiras edições da saga, no monitor do carro.

Benjamin Franklin: Uma Vida Americana, de Walter Isaacson

Musk sempre comenta que Benjamin Frankin é um de seus heróis. Franklin foi a primeira pessoa a provar que raios são eletricidade com o seu famoso experimento com uma pipa, levando então para a invenção do para-raios. Ele também é o responsável pela criação das lentes bifocais.

Em entrevista, Musk diz que Franklin era um empreendedor que começou do zero.

Structures: Or Why Things Don’t Fall Down (Estruturas: Ou porque as coisas não caem), de J.E. Gordon

Quando Musk deu início à SpaceX, ele reservou um tempo para estudar os fundamentos da ciência dos foguetes, e um dos livros que ajudou o empresário foi Structures: Or Why Things Don’t Fall Down, de J.E. Gordon.

“É muito, muito bom se você quiser uma cartilha sobre projeto estrutural”, comentou Musk em entrevista a uma rádio dos Estados Unidos.

Superintelligence: Paths, Dangers, Strategies (Superinteligência: Caminhos, Perigos, Estratégias), de Nick Bostrom

Musk sempre alertou sobre os perigos de uma inteligência artificial não controlada, afirmando ainda que ela pode ser mais perigosa que armas nucleares. Em documentário sobre o assunto, Do You Trust This Computer, o empresário disse que os humanos podem criar um “ditador imortal do qual nunca poderão escapar”.

Para descobrir quais são esses riscos, Musk recomenda que seja feita a leitura de Superintelligence, de Nick Bostrom, que mostra o que pode acontecer caso a inteligência computacional ultrapasse a inteligência humana.

Ignition: An Informal History of Liquid Rocket Propellants (Ignição: Uma História Informal de Propelentes Líquidos de Foguetes), de John D. Clark

Ignition foi essencial para ajudar Musk a construir foguetes, como conta o próprio executivo. O autor do livro, John D. Clark, foi um químico norte-americano ativo no desenvolvimento de combustível para foguetes entre os anos 1960 e 1970.

Musk diz ter usado as lições da obra quando estava produzindo o sistema do foguete Falcon Heavy, da SpaceX.

Our Final Invention (Nossa Invenção Final), de James Barrat

Our Final Invention é outro livro que reforça sobre os perigos da inteligência artificial, recomendado por Musk em 2014 no Twitter. O autor, James Barrat, conta em seu site oficial que o livro fala sobre desvantagens catastróficas que a IA pode causar, que nunca serão comentadas por empresas como Google, Apple, IBM e Darpa.

“Não precisa ser mau para destruir a humanidade — se a inteligência artificial tivesse um objetivo e a humanidade estivesse no caminho, ela iria destruir a humanidade com certeza, sem nem pensar, sem sentimentos”, concorda Musk em depoimento ao documentário Do You Trust This Computer.

Merchants of Doubt (Comerciantes da Dúvida), de Naomi Oreskes e Erik M. Conway

O livro Merchants of Doubt, que virou documentário, foi recomendado por Elon Musk em uma conferência em 2013, citando algum tempo depois em seu Twitter que as mesmas forças que negaram que o cigarro causa câncer hoje negam os perigos da mudança climática.

Merchants of Doubt trata de casos de cientistas que possuem conexões com a política e a indústria e que têm escondido fatos que envolvem uma série de problemas de saúde pública, como a indústria do tabaco, o uso de pesticidas e buracos na camada de ozônio.

Trilogia Fundação, de Isaac Asimov

Para complementar o conhecimento adquirido em O Senhor dos Anéis, Musk recomenda a leitura da trilogia Fundação, de Isaac Asimov. A ficção teve uma grande influência na trajetória empreendedora de Musk.

O empresário conta que é mais inteligente que as pessoas saibam aproveitar “enquanto uma janela está aberta” e não somente contar com o fato de que ela “estará aberta por um bom tempo”, se referindo ao progresso da tecnologia.

A trilogia Fundação, inclusive, vai se transformar em uma série produzida pela Apple.

The Moon Is a Harsh Mistress (A Lua é uma Senhora de Autoridade), de Robert A. Heinlein

Publicado em 1966, o premiado livro The Moon Is a Harsh Mistress foi recomendado por Musk em 2014 em uma entrevista ao MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). O romance acontece em um futuro distópico, em um mundo de fantasia que é um prato cheio para mentes criativas, como a de Musk.

Life 3.0: Being Human in the Age of Artificial Intelligence, de Max Tegmark

Para finalizar, mais um livro sobre inteligência artificial. Na obra, o professor do MIT Max Tegmark conta como manter a IA de forma a trazer benefícios à vida humana, garantindo que o progresso da tecnologia siga alinhado com os objetivos da humanidade no futuro.

“Guia Politicamente Incorreto”: Escritores se dizem enganados por série

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Publicado no UOL

O jornalista e escritor Lira Neto é um dos que acusa a produção da série "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil" de falta de transparência Imagem: Reprodução

O jornalista e escritor Lira Neto é um dos que acusa a produção da série “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” de falta de transparência Imagem: Reprodução

Historiadores, jornalistas e escritores que deram depoimentos para a série “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”, que estreou no sábado (21) no History Channel, decidiram retirar sua participação no programa alegando que houve falta de transparência nas gravações.

Lira Neto, biógrafo da cantora Maysa e do ex-presidente Getúlio Vargas, foi o primeiro a se manifestar, na sexta-feira, dizendo-se ludibriado por não ter sido informado de que tipo de produção estava participando. Depois dele, também manifestaram o mesmo sentimento o escritor Laurentino Gomes (“1808”) e a antropóloga Lilia Schwarcz, mas a lista não para de crescer.

Baseada nos livros escritos pelo jornalista Leandro Narloch, a série é apresentada pelo youtuber Felipe Castanhari. Em entrevista ao UOL, Castanhari defendeu o ponto de vista dos entrevistados.

“No dia de estreia do programa acabou chegando em mim a questão do Lira Neto. Na mesma hora entrei em contato com o Matheus Ruas, que disse que foi um grande mal-entendido e que iria resolver. Um dia depois vi que outros profissionais também haviam se manifestado a favor do Lira, dizendo terem passado pela mesma situação. E eles estão certos, quem participa precisa saber do que está participando, é de direito do entrevistado saber em qual veículo será veiculado ou para qual propósito sua entrevista será utilizada”, afirmou o youtuber.

“Repito aqui o que o Narlock já disse, eu imaginava que todos os 55 entrevistados sabiam qual era o objetivo das entrevistas, uma vez que as entrevistas exigem aprovação formal, que todos os entrevistados assinaram. De qualquer forma, estou aguardando um retorno do canal e da produtora que conduziu as entrevistas, para saber qual a posição deles. Na minha opinião, o correto seria retirar os depoimentos dos que não se sentiram confortáveis. Tenho certeza que a produtora fará de tudo para manter o nível do programa, que está excelente!”, completou Castanhari,

Segundo novo post de Neto em seu Facebook, o jornalista Thales Guaracy e as historiadoras Mary Del Priore e Isabel Lustosa também não foram informados do formato da série.

“Falei com o diretor/entrevistador da série, Matheus Ruas, que enfim reconheceu o erro ético e, para remediar a barbaridade, comprometeu-se a retirar minha participação dos episódios, bem como eliminar qualquer menção a meu nome no material de divulgação”, escreveu Neto. “Falei também com o próprio Leandro Narloch, que se disse ‘revoltado’ com o procedimento do entrevistador, considerou o fato ‘lamentável’, pediu-me desculpas e disse que escreverá pessoalmente a todos os atingidos, ‘concordando com a reclamação e com o pedido’ de retirá-los da série”.

Na publicação original, Neto contava que, à época da gravação, foi informado de forma genérica de que estava participando de uma série sobre a história do Brasil, e que Ruas pediu “explicitamente para responder às questões como se, do outro lado da lente, sentado na poltrona, estivesse o Homer Simpson”. O escritor relata que só soube agora em que série seu depoimento seria veiculado.

“Sinto-me violentado em fazer parte de qualquer produção que recorra à superficialidade e ao polemismo fácil. Neste momento em que se confunde jornalismo com entretenimento, bravata com reflexão, inconsistência com leveza, creio que seja necessário reafirmar o compromisso com a responsabilidade e o rigor da pesquisa histórica”, escreveu.

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Reprodução
O youtuber Felipe Castanhari no programa “Guia Politicamente Incorreto” Imagem: Reprodução

Laurentino Gomes respondeu aos comentários de neto em seu Twitter dizendo que o mesmo ocorrera com ele e que depois recebeu um pedido de desculpas do History. Em entrevista ao jornal “O Globo”, Lilia Schwarcz disse que o canal retirou sua participação. “Eu liguei, conversei com eles e disse que com esse título não seria possível participar. Não é uma abordagem que nos representa. Eu gostei muito da equipe de produção, mas não me disseram qual era o programa. É uma abordagem sensacionalista”, afirmou.

Narloch usou seu Facebook para se manifestar e se disse “bastante frustrado”. “Fiquei muito triste ao saber disso, mas entendo a queixa dos entrevistados e concordo com o pedido [de retirar os depoimentos]. Quem participa precisa saber do que está participando. O entrevistado tem todo o direito de saber com quem está conversando e qual o objetivo da entrevista – não só para decidir se aceita falar, mas para moderar suas opiniões”, escreveu.

“Desde o começo, o History tomou a ótima decisão de ouvir gente com convicções políticas diferentes das minhas e incluir declarações que até contrariavam o que eu afirmo no livro. Adorei essa ideia. Com tanta intolerância à divergência de ideias hoje em dia, nada melhor do que criar um debate elegante sobre temas delicados da história do Brasil. E acredito que esse trabalho foi feito: a série está excelente, divulga muito bem a história do país para os brasileiros mais jovens. Mas eu imaginava, é claro, que todos os 55 entrevistados sabiam qual era o objetivo das entrevistas. Até porque a entrevista exige aprovação formal, que todos os entrevistados assinaram. Como há alguns anos eu insisto em livros e artigos, há verdades que precisam ser ditas. Pedi ao History para acatar o pedido dos entrevistados e retirar os trechos em que aparecem. É uma pena, pois sem as declarações deles o debate empobrece. Apesar dessa mancada, a produtora fez um programa ótimo e acredito que conseguirá reeditar os episódios mantendo a série rica e divertida”, completou.

A reportagem do UOL tentou contato com o diretor Matheus Ruas, mas não teve um retorno até o momento da publicação. Em nota, o History Channel afirmou que está apurando o ocorrido junto à produtora Fly, responsável pela série. Veja a nota:

A série inclui opiniões diferentes, algumas que contrariam as afirmações do livro. O History conseguiu criar um programa jovem, relevante, com mais de sessenta historiadores e jornalistas com argumentos e visões divergentes. O History acredita que a tolerância e o diálogo devem prevalecer. Cortar alguns dos entrevistados certamente empobreceria o debate e o equilíbrio que o canal busca com a série.

Todos os entrevistados assinaram a autorização de uso de imagem. Ainda assim, o History está esclarecendo a situação com a produtora Studio Fly e se manifestará oportunamente.

Crianças alemãs preferem livros a YouTube

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Mais da metade das crianças entre 6 e 13 anos leem livros, revistas infantis e quadrinhos todas as semanas, afirma pesquisa, e só um terço diz assistir a vídeos no YouTube.

Publicado no DW

Na Alemanha, onde nasceu a imprensa, o futuro de livros e revistas parece estar garantido. De acordo com um estudo publicado nesta terça-feira (08/08), 61% das crianças alemãs entre 6 e 13 anos afirmaram ler livros mais de uma vez por semana, e mais da metade delas (55%) disse ler revistas infantis e histórias em quadrinhos várias vezes por semana.

O estudo foi encomendado por um grupo de seis editoras, incluindo Panini, Gruner + Jahr, Egmont Ehapa Media, Spiegel e Zeit. Para a pesquisa foram realizadas por volta de 2 mil entrevistas com crianças e seus responsáveis.

Enquanto 62% das crianças entre 6 e 13 anos afirmaram usar internet e aplicativos, somente 34% dos entrevistados disseram assistir regularmente a vídeos no YouTube. Uma parcela ainda menor (28%) respondeu que jogava videogames.

Somente a TV bate a mídia impressa quando se trata de chamar a atenção dos pequenos: 93% das crianças entre 4 e 5 anos disseram que assistiam à televisão várias vezes por semana, enquanto 97% de meninos e meninas entre 10 e 13 anos responderam que se sentavam regularmente diante da tela.

Não foi surpreendente, no entanto, a constatação de que DVDs e Blu-rays não desempenham um papel importante na vida de crianças alemãs: somente 15% dos guris e gurias de 6 a 13 anos disseram que os usavam com frequência.

Celulares são comuns

Só porque muitos gostam da leitura não significa que as crianças do país não estejam por dentro das novas tecnologias. Na faixa etária entre 6 a 9 anos, 37% delas disseram possuir celular ou smartphone próprio. Entre aquelas de 10 a 13 anos, essa cifra pulou para 84%.

Nessa última faixa etária, o serviço de mensagens WhatsApp ultrapassou as mensagens de texto à moda antiga – 68% disseram utilizar WhatsApp e 61%, mensagens de SMS. E somente pouco mais de um quarto (25%) afirmou usar o Facebook.

Mais de 80% dos entrevistados entre 6 e 13 anos afirmaram, no entanto, que a sua principal forma de comunicação é telefonar.

CA/afp/epd/dw

Em rara entrevista, Elena Ferrante fala sobre a série baseada em seu livro ‘A Amiga Genial’

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Vida real. 'Não tem nada a ver com leitura. As crianças estão aqui para fazer parte do show business', diz Ferrante Foto: Nadia Shira Cohen/The New York Times

Vida real. ‘Não tem nada a ver com leitura. As crianças estão aqui para fazer parte do show business’, diz Ferrante Foto: Nadia Shira Cohen/The New York Times

 

Escritora demorou dias para conversar com a reportagem do ‘The New York Times’

Jason Horowitz, no Estadão [via New York Times]

Contatei a escritora Elena Ferrante, que prefere permanecer anônima e escrever sob pseudônimo, para uma reportagem que fiz para o NYT sobre a seleção de crianças de Nápoles para protagonistas de uma minissérie baseada em seu romance A Amiga Genial – no Brasil, acaba de sair o último volume da tetralogia napolitana, A História da Menina Perdida.

Elena demorou dias para falar comigo, mas o que ela disse compensou. Ela falou sobre o que significa para uma escritora ter sua principal obra adaptada para a tela, ver crianças comuns representando seus personagens, qual foi sua contribuição para a produção e se ela acha que a série vai decolar como Game of Thrones.

Como você se sente vendo essas crianças de Nápoles, muitas delas de bairros pobres, fazendo fila na esperança de ser Lila e Lenù? Ao ver seu trabalho entrar na vida de crianças não muito diferentes daquelas de que você fala?

Para mim, é uma mudança radical. Os personagens, seus bairros, foram criados em palavras, mas acabaram saindo da literatura para a tela. Deixam o mundo dos leitores para ingressar no mundo muito maior dos espectadores. Encontram pessoas que nunca leram sobre eles, e outras que nunca lerão. É um processo que me intriga. A substância dos livros é retrabalhada segundo outras regras e prioridades, e sua natureza muda. As crianças que aparecem para entrevistas são o primeiro indício disso. Elas sabem pouco, ou nada, de livros. São espectadores que esperam tornar-se atores, por diversão ou esperança de sucesso.

Você descreve com precisão os personagens, e assim o diretor de elenco, o diretor e os produtores do filme têm uma ideia clara do que procurar. E eles acham que meninos e meninas criados em ambientes hostis são mais aptos a captar o espírito dos personagens. E você, o que acha? Prefere crianças que nunca tenham atuado (há algum risco nisso!) ou crianças com alguma prática de atuação?

Crianças que atuam representam a imagem que adultos têm de crianças. As que nunca atuaram têm mais chances de fugir de estereótipos, especialmente se o diretor encontrar o equilíbrio entre verdade e ficção.

Muitas dessas crianças, vamos ser claros, nunca ouviram falar de Elena Ferrante ou de romances napolitanos. A maioria pensa em TV como estrelato. Você, que evita cuidadosamente o caminho do estrelato, está preocupada com que a histeria em torno da seleção de elenco possa alimentar essa obsessão por celebridade hoje comum a tantos jovens?

Elas são crianças que se espelham nos mitos do cinema, da televisão, não no mundo da escrita. Querem estar nas telas, no palco, ser estrelas. Não é culpa delas. É do ar que respiram do mundo adulto. Fazer parte da televisão é uma das maiores aspirações das massas. Qualquer um, pobre ou rico, culto ou inculto, vê numa seleção de elenco como essa uma oportunidade extraordinária.

E você, vê aí uma oportunidade de apresentar a essas crianças os prazeres da leitura? Não falo só de seus livros, mas de livros em geral.

Gostaria, claro, que isso acontecesse. Mas a oportunidade de que estamos falando tem pouco a ver com leitura, se é que tem alguma coisa. As crianças estão aqui para fazer parte do show business. Isso não significa que algumas não venham a descobrir que tudo começou com um livro, que por trás do mundo do show business, com seus meandros e seu dinheiro, sempre existe, embora em posição secundária, o poder da escrita e da leitura.

Qual será o impacto dessa produção sobre a imagem de Nápoles, depois da abordagem nada lisonjeira da cidade na popular série de TV Gomorra?

Cidades não têm energia própria. A energia deriva de sua história, do poder de sua literatura e arte, da riqueza emocional de eventos que nela ocorram. Espero que essa narrativa visual desperte emoções autênticas, sentimentos complexos e até contraditórios. São essas coisas que nos fazem amar as cidades.

Você pretende avaliar as crianças antes de elas entrarem oficialmente para o elenco? Assegurar que correspondam mesmo a seus personagens?

Não tenho essa aptidão. Gostaria, claro, de influenciar, mas teria de fazer isso com muito cuidado e sabendo que não adianta nada eu dizer que “Lila tem pouco ou nada a ver com esse corpo, esse rosto, esse jeito de movimentar-se”, etc. Nenhuma pessoa de verdade vai preencher exatamente a imagem que eu ou um leitor tenha na cabeça. Isso acontece porque o mundo do texto, embora defina as coisas, por sua própria natureza deixa muito para a imaginação do leitor. A imagem visual, ao contrário, diminui esse espaço de imaginação. Deixa sempre de fora alguma coisa que as palavras inspiram, alguma coisa que conta.

Qual foi seu envolvimento com a produção? O diretor e produtores me disseram que você acrescentou coisas ao roteiro e os ajudou a desenhar o cenário perto de Caserta. Como é esse cenário?

O bairro em questão é um amálgama de diferentes lugares de Nápoles que conheço bem. É sempre esse o caso quando escrevo sobre pessoas ou coisas. Não sei o que acontecerá na tela. Por enquanto, minha contribuição para o cenário limitou-se a algumas observações sobre a fidelidade do visual. Quanto à colaboração com o roteiro, não sei escrever roteiros, não tenho a técnica, mas leio tudo e mando notas detalhadas. Não sei se eles vão levar em conta. É muito mais provável que minhas notas sejam usadas mais tarde, na redação do texto final.

Eles também me disseram que você imagina visualmente a série como um conto de fadas, dando a entender que não precisam ter medo de ir além do livro e apresentar vilões como monstros, etc. Que grau de fidelidade você espera?

Não, não, trata-se de um conto realista. É a infância colorida por elementos fantásticos – Lila, seguramente, é mostrada assim. Quanto à fidelidade ao livro, espero que seja compatível com as necessidades da narrativa visual, que usa recursos diferentes daqueles da escrita para obter os mesmos efeitos.

A HBO está envolvida na produção. Você espera, ou teme, que a série se torne o próximo fenômeno global, um Game of Thrones italiano?

Infelizmente, A Amiga Genial não tem esse tipo de trama.

TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

5 livros para quem gosta de pensar “fora da caixa”

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Josie Conti, no Conti Outra

As convenções sociais e obrigações diárias te deixam entediado (a)? Nem todas as pessoas são capazes de entender as suas piadas? Você é aquele tipo de pessoa que sempre enxerga a realidade por um terceiro e quarto ângulo?

Os livros e escritores mencionados abaixo oferecem diferentes olhares sobre as realidades com as quais estamos acostumados. Confesso que eles fizeram parte de horas muito interessantes dentre as minhas leituras dos últimos anos. Tente acompanhá-los!

1Fora de Série – Outliers

Malcom Gladwell

O que torna algumas pessoas capazes de atingir um sucesso tão extraordinário e peculiar a ponto de serem chamadas de ‘fora de série’? Costumamos acreditar que trajetórias excepcionais, como a dos gênios que revolucionam o mundo dos negócios, das artes, das ciências e dos esportes, devem-se unicamente ao talento. Mas neste livro você verá que o universo das personalidades brilhantes esconde uma lógica muito mais fascinante e complexa do que aparenta.

Baseando-se na história de celebridades como Bill Gates, os Beatles e Mozart, Malcolm Gladwell mostra que ninguém ‘se faz sozinho’. Todos os que se destacam por uma atuação fenomenal são, invariavelmente, pessoas que se beneficiaram de oportunidades incríveis, vantagens ocultas e heranças culturais. Tiveram a chance de aprender, trabalhar duro e interagir com o mundo de uma forma singular. Esses são os indivíduos fora de série – os outliers.

Para Gladwell, mais importante do que entender como são essas pessoas é saber qual é sua cultura, a época em que nasceram, quem são seus amigos, sua família e o local de origem de seus antepassados, pois tudo isso exerce um impacto fundamental no padrão de qualidade das realizações humanas. E ele menciona a história de sua própria família como exemplo disso. Outro dado surpreendente apontado pelo autor é o fato de que, para se alcançar o nível de excelência em qualquer atividade e se tornar alguém altamente bem-sucedido, são necessárias nada menos do que 10 mil horas de prática – o equivalente a três horas por dia (ou 20 horas por semana) de treinamento durante 10 anos. Aqui você saberá também de que maneira os legados culturais explicam questões interessantes, como o espantoso domínio que os asiáticos têm da matemática e o fato de o número de acidentes aéreos ser significativamente mais alto nos países onde as pessoas se encontram a uma distância muito grande do poder.

1Freakonomics – O Lado Oculto e Inesperado de Tudo que nos Afeta

Stephen J. Dubner; Steven D. Levitt

O livro-destaque do ano, segundo o New York Times.

Considerado o melhor livro do ano pelo The Economist, pela New York Magazine, pela Amazon.com e pela Barnesandnoble.com
Vencedor – Prêmio Quill 2005 para o melhor livro do ano sobre negócios
Finalista ? Prêmio Financial Times/Goldman Sachs para o melhor livro do ano sobre negócios

“Se fosse economista, Indiana Jones seria Steven Levitt… Um caçador de tesouros ímpar, cujo sucesso se deve à sua verve, coragem e ao seu menosprezo pela sabedoria convencional… Freakonomics se parece com uma história de detetive… Fiz força para descobrir nele algo do que reclamar, mas desisti. Criticar Freakonomics seria como falar mal de um sundae de chocolate. A cereja do arremate, Stephen Dubner… nos faz rir num momento e levar um susto em seguida. O senhor Dubner é uma pérola das mais raras”.
(Wall Street Journal)

“Freakonomics é um livro esplêndido, cheio de detalhes históricos improváveis, porém impressionantes, que diferencia o autor da massa de cientistas sociais em voga”.
(New York Times)

“O cara é interessante! Freakonomics cativa e é um livro sempre interessante, rico em sacadas, cheio de surpresas… [e] abarrotado de idéias fascinantes”. Washington Post Book World “Levitt utiliza ferramentas estatísticas simples, mas elegantes. Chega ao âmago da questão e escolhe tópicos fascinantes. Todos os cientistas sociais deveriam indagar de si mesmos se os problemas em que estão trabalhando são tão interessantes ou importantes quanto os abordados neste livro fantástico”.
(Los Angeles Times Book Review)

1A arquitetura da felicidade

Alain de Botton

De Botton acredita que o ambiente afeta as pessoas de tal modo que não seria exagero dizer que a arquitetura é capaz de estragar ou melhorar a vida afetiva ou profissional de alguém. Uma de suas teses é a de que o que buscamos numa obra de arquitetura não está tão longe do que procuramos num amigo.

Ao construir uma casa ou decorar um cômodo, as pessoas querem mostrar quem são, lembrar de si próprias e ter sempre em mente como elas poderiam idealmente ser.

O lar, portanto, não é um refúgio apenas físico, mas também psicológico, o guardião da identidade de seus habitantes. Seguindo esse raciocínio, o autor conclui nesta obra que quando alguém acha bonita determinada construção, é porque a arquitetura reflete os valores de quem a elogia. Pode até mesmo expor as idéias de um governo. Cada obra de arquitetura expõe uma visão de felicidade.

Nota da página: Infelizmente esse livro está esgotado. Esperamos que haja uma nova edição em breve.

1Rápido e devagar: duas formas de pensar

Daniel Kahneman

Eleito um dos melhores livros de 2011 pelo New York Times Book Review.

O vencedor do Nobel de Economia Daniel Kahneman nos mostra as formas que controlam a nossa mente em Rápido e devagar, as duas formas de pensar: o pensamento rápido, intuitivo e emocional e o devagar, lógico e ponderado.

Comportamentos tais como a aversão á perda, o excesso de confiança no momento de escolhas estratégicas, a dificuldade de prever o que vai nos fazer felizes no futuro e os desafios de identificar corretamente os riscos no trabalho e em casa só podem ser compreendidos se soubermos como as duas formas de pensar moldam nossos julgamentos.

Daniel nos mostra a capacidade do pensamento rápido, sua influência persuasiva em nossas decisões e até onde podemos ou não confiar nele. O entendimento do funcionamento dessas duas formas de pensar pode ajudar em nossas decisões pessoais e profissionais.

1Contestadores

Edney Silvestre

A obra reúne entrevistas de grande profundidade com pensadores e celebridades, divididas nas categorias – boxeadores, tempestuosos, cordiais, militantes e visionários. Entre eles Norman Mailer, Camille Paglia, Paulo Francis, Noam Chomsky, Salman Rushdie, Edward Albee, Nan Goldin, Gloria Steinen e Paulo Freire

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