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Conto de Hemingway é publicado pela primeira vez

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Publicado no UOL

Um conto escrito por Ernest Hemingway já nos seus últimos anos de vida e que se passa na Paris recém-libertada da ocupação nazista será publicado pela primeira vez na revista britânica The Strand Magazine, anunciou nesta quinta-feira (02/07) a própria publicação.

“A Room on the Garden Side” (“Um Quarto Que Dá Para o Lado do Jardim”, em tradução livre) foi escrito por Hemingway em 1956 e é pouco conhecido fora dos círculos de estudiosos da obra do escritor, um dos mais populares e influentes do século 20 e que ganhou o Prêmio Nobel em 1954.

“O profundo amor de Hemingway pela sua cidade favorita quando ela está começando a emergir da ocupação nazista está em plena evidência, assim como as marcas distintivas da sua prosa”, afirmou o editor da Strand Magazine, Andrew F. Gulli.

A guerra é um tema recorrente na obra de Hemingway, que trabalhou como motorista de ambulância durante a Primeira Guerra Mundial. Suas experiências foram aproveitadas no clássico “Adeus Às Armas”. Já a Guerra Civil Espanhola é o pano de fundo de “Por Quem os Sinos Dobram”.

O escritor foi correspondente de imprensa durante a Segunda Guerra Mundial e estava em Paris em agosto de 1944, quando a cidade foi finalmente libertada da ocupação nazista.

“A Room on the Garden Side” se passa no hotel Ritz e é narrado em primeira pessoa pelo escritor Robert, um alter-ego de Hemingway que compartilha com este até mesmo o apelido de Papa. Robert e seus amigos bebem vinho, citam Baudelaire e debatem “o negócio sujo da guerra.”

Hemingway deixou várias histórias e relatos não publicados depois de sua morte por suicídio, em 1961, aos 61 anos. O mais conhecido, publicado três anos depois, é “Paris É Uma Festa”, suas memórias de quando viveu na cidade-luz, nos anos 1920.

Em agosto de 1956, ele contou ao editor Charles Scribner Jr. que havia concluído cinco histórias, entre elas “A Room on the Garden Side” e “The Cross Roads”, a única delas até agora publicada, com o título de “Black Ass at the Crossroads”.

Hemingway era um autor de frases curtas, claras e precisas, influenciadas pelo seu trabalho como jornalista. Seu estilo foi melhor definido por ele mesmo na famosa Teoria do Iceberg, segundo a qual o significado profundo de um conto deve ficar oculto e ser apenas insinuado de forma implícita – assim como o topo do iceberg não revela o real tamanho da parte submersa.

Ele também é um dos primeiros escritores cuja vida pessoal é tão venerada e admirada quanto seus livros, devido à sua personalidade impetuosa, seu estilo de vida aventuroso – o que inclui a participação nas duas Grandes Guerras e na Guerra Civil Espanhola – e sua fascinação por caçadas, pescarias, safáris e touradas.

Clássico ‘O velho e mar’, de Hemingway, ganha versão em HQ e chega à 94ª edição

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Ilustração do designer francês Thierry Murat para a novela gráfica adaptada do clássico do escritor americano. (foto: Thierry Murat/Bertrand Brasil/Reprodução)

Lançamentos mostram saga do pescador que se tornou alterego do escritor e sua vida de aventuras

Paulo Nogueira, no UAI

“É uma estupidez não ter esperança”, diz o velho em seu barco com o enorme peixe-espada amarrado e cercado por tubarões. Agora, ele já podia ver as cabeças enormes e as barbatanas brilhando ao sol. Eram tubarões idosos, malcheirosos, assassinos e comedores de carne podre atraídos pelo rastro de sangue. Quando tinham fome, eram capazes de morder os remos ou o leme de um barco e atacar um homem na água. O velho está exausto, à beira do desespero, mas desafia: “Venham”. E vieram. Para tristeza do velho, as feras famintas ignoram sua coragem e começam a abocanhar o espadarte, o gigantesco peixe-espada de meia tonelada. É mais um ataque assustador ao pequeno barco e hora de lutar outra vez até a última gota de suor e de sangue.

Obra mais popular e a última de Ernest Hemingway (1899-1961), O velho e o mar (The old man and the sea) foi publicada em 1952, deu ao escritor norte-americano o Prêmio Pulitzer de 1953 e teve peso decisivo na sua escolha como Nobel de Literatura em 1954. Já teve milhares de edições ao redor do mundo, rendeu dois filmes em Hollywood, em 1958 e 1990, e um curta de animação, que ganhou o Oscar em 2000. Além da 94ª edição no Brasil, chega ao mercado brasileiro uma belíssima adaptação do livro em quadrinhos.

O velho e o mar é uma angustiante novela dramática ambientada em Cuba e no Mar do Caribe, onde Hemingway viveu na década de 1950 e baseou sua história, seja pelas próprias pescarias ou pelas que ouviu. Um libelo contra o abandono e a solidão da velhice e a perseverança em superar forças que parecem invencíveis. Conta a história de Santiago, que está há 84 dias sem pescar nada e, por isso, é motivo de chacota de outros pescadores de Havana. Por causa disso, perdeu também a companhia do garoto Manolin, que sempre o incentiva e ajuda na pescaria em alto-mar, mas é proibido pelo pai de acompanhá-lo porque o velho não consegue pescar mais.

No 85º dia, então, tragado pelo sofrimento e pela força da dignidade, ele parte sozinho para o mar em seu desafio definitivo. Pesca o maior peixe da sua vida, de mais de cinco metros de comprimento, maior que o seu barco. Durante dois dias e duas noites, o longo confronto de Santiago com o imenso espadarte e suas dramáticas consequências em mar aberto constituem a grandeza da obra.

A simplicidade da narrativa em O velho e o mar e outras obras de Hemingway exemplifica sua filosofia para escrever. Ele sempre buscou uma prosa baseada na linguagem jornalística, porque também trabalhou como repórter, sem firulas ou embelezamentos, contundente e econômica, e não em adjetivos ou excessos emotivos, como destaca o escritor Luiz Antonio Aguiar, no prefácio da nova edição em português.

Santiago é um homem muito simples, que mora sozinho numa cabana paupérrima, esquecido pelos pescadores, conta apenas com a solidariedade do pequeno Manolin e notícias do beisebol e seu ídolo máximo, o famoso Joe DiMaggio, que o inspira em sua aventura no mar.

MONÓLOGO DA SOLIDÃO
Acima de todas as dificuldades está sua força de vontade, que o impede de pedir dois dólares emprestados para ver a partida do seu time. “Não quero pedir emprestado a ninguém. Primeiro pede-se emprestado, depois pede-se esmola”, ele diz ao menino. Sua obstinação aparece também no encontro com as grandes forças que enfrenta, principalmente nas conversas com o gigantesco espadarte fisgado. “Peixe, eu gosto muito de você, é como se fosse meu irmão e o respeito muito, mas vou matá-lo”, diz.

Santiago está sozinho no mar. Sobram-lhe os solilóquios. “Em toda a sua grandeza e glória, tenho que matá-lo. Vou mostrar-lhe o que um homem pode fazer o que é capaz de aguentar”, ele diz em outro momento ao peixe, ao qual resta lutar ferozmente pela vida, fazer sangrarem as mãos do velho em meio ao dia e à madrugada, ao frio e ao calor, à fome e ao perigo.

Belos e inquietantes são seus devaneios durante sua luta com o peixe: “Imagine o que seria se um homem tivesse que matar a lua todos os dias. A lua corre depressa. Imagine só se um homem tivesse de matar o sol. Nascemos com sorte. É bom que não tenhamos de tentar matar a lua, o sol ou as estrelas. Já é ruim o bastante viver no mar e ter de matar os nossos verdadeiros irmãos”, filosofa o velho.

Mas o embate com o espadarte é apenas parte da luta. Depois virão os terríveis tubarões. E serão muitos e muitos… E ele está ali, firme, pronto para continuar o combate: “O homem não foi feito para a derrota. Um homem pode ser destruído, mas nunca derrotado”.

Um fator que contribuiu para a popularidade do livro é apontado por Moacy Scliar (1937-2011), um dos maiores escritores brasileiros, em texto publicado em 1999, no qual ele fala da inquietude de Hemingway. Segundo ele, o sucesso de O velho e o mar, tratado como resgate literário de Hemingway, que estava em baixa no fim da vida, sensibilizou os leitores devido ao aspecto simbólico do texto. “O velho era claramente o próprio Hemingway e o peixe com que ele lutou a literatura ou a própria vida. É o laconismo do macho americano, do herói do Oeste”, afirmou Scliar.

HEMINGWAY VIRA PERSONAGEM
O velho e o mar merecia uma bela versão HQ. E ela veio da imaginação e das mãos do ilustrador e designer gráfico francês Thierry Murat, de 52 anos. A crítica do jornal Libération dá o tom da obra: “Thierry Murat escolheu privilegiar a elipse e a sugestão, com uma incrível paleta de cores, um obscuro alaranjado. Um beijo de poesia”. A sofreguidão de Santiago, seus sonhos com a África natal e os “leões brincando como gatinhos” estão muito bem retratados em cor laranja para os dias sofridos e o azul sombrio para as noites estreladas, quando parece que a solidão engole a alma do velho pescador.

Óbvio que a linguagem sucinta dos quadrinhos reduz o apelo dramático da prosa de Hemingway, mas Murat soube dosar o lirismo inerente à realidade de Santiago ao pinçar uma definição tirada do livro: “Sua pele, seu cabelo, suas lembranças, tudo nele era velho. Menos seu olhar, que ainda brilhava como um sol triscando a crista das ondas”.

E a grande surpresa de Murat para o leitor em sua livre adaptação da obra é transformar o próprio Hemingway em personagem. Enquanto o livro começa com o garoto Manolin em primeira pessoa e depois segue um narrador, nos quadrinhos o garoto conta a história para um amigo, que é ninguém menos que o próprio escritor americano. Impressionado com a narrativa do velho pescador, o personagem Ernest se impressiona e segue-se o diálogo: “Sua história é muito bonita, meu filho”. E Manolin responde: “Não é uma história, senhor Hemingway, é a vida”. Ernest retruca: “Sim, e é por isso que é tão bonita”. Triste e choroso, o menino conta: “Mas hoje de manhã ele cuspiu uma coisa esquisita”. E Ernest arremata: “Não chore meu garoto, vai dar tudo certo… Acho que na sua derrota o velho obteve a vitória mais bonita que um homem pode esperar”.

DO FRACASSO AO OSCAR
O velho e o mar teve três adaptações para cinema, incluindo um curta de animação. Em 1958, o diretor John Sturges (1910-1992) levou para as telas uma versão bem fiel ao livro com Spencer Tracy (1900-1967), considerado um dos principais atores de Hollywood de todos os tempos. O ator foi indicado nove vezes ao Oscar, inclusive por este filme, e ganhou três. O filme, entretanto, levou a estatueta de melhor trilha sonora.

Apesar do bom desempenho do ator, Ernest Hemingway não gostou. Segundo críticos da época, o escritor americano, que chegou a se envolver na produção do longa em cenas de pesca de marlin na costa do Peru, disse que Tracy parecia mais o homem rico que era do que um pescador cubano. Na verdade, os produtores usaram um peixe-espada de borracha nas principais cenas do peixe-espada e filmagens de que Hemingway não participou.

O ator Humphrey Bogart (1889-1957), famoso por Casablanca, que já havia protagonizado o filme Uma aventura na Martinica, inspirado em outra obra de Hemingway, se identificou com a história e quis interpretar o velho Santiago após comprar os direitos sobre o romance, mas morreu antes do início das filmagens.

A principal crítica ao filme de Sturges foi a lentidão e os longos planos de Santiago no mar em embate com o espadarte, já que os momentos tensos e de ação são poucos se comparados com as divagações filosóficas do protagonista diante do seu incrível adversário. Dessa forma, o ponto alto do livro vira deficiência no longa, mas não compromete sua mensagem de superação humana.

Se a primeira versão teve seus problemas, a segunda, de 1990, dirigida por Jud Taylor (1932-2008), foi uma lástima. Mesmo com o veteraníssimo Anthonny Quinn (1915-2001), que ganhou o Oscar duas vezes e fez mais de 100 filmes, como protagonista, com um desempenho melhor que o de Tracy, o longa de decepciona do início ao fim. O roteiro inclui elementos estranhos ao livro. Primeiro, inventa para Santiago uma filha, que tenta convencê-lo a não voltar ao mar depois de sucessivos fracassos e nada acrescenta à história. No original, a única lembrança de família do velho é uma foto da mulher falecida que ele manteu escondido em sua cabana na praia para enganar a saudade.

Aparecem também na história um jornalista e sua mulher que estão com o carro enguiçado e ficam na aldeia de pescadores acompanhando o drama de Santiago. Mais uma vez, nada acrescenta. Para piorar, de novo, o ponto forte do livro, que é o longo embate no mar, no filme é intercalado com cenas descartáveis na ilha do Caribe, enquanto Santiago se consome em sua batalha. Não é à toa que foi um fiasco e caiu no esquecimento. Passada a decepção dos longas, em 1999, a obra de Hemingway ganhou bela versão no curta de animação do diretor e designer gráfico russo Alexander Petrov, então com 42 anos. A produção em conjunto de Rússia, Canadá e Japão foi consagrada com o Oscar em 2000. A animação de 20 minutos consumiu dois anos de trabalho de Petrov, que pintou a óleo e fotografou cada um dos 29 mil frames em quadros de vidro. The old man and the sea é de grande beleza, literalmente, para encher os olhos, e está disponível no YouTube.

BIOGRAFIA TURBULENTA
A vida épica de Ernest Hemingway se confunde com a de os seus personagens desde O sol também se levanta (1927), seu primeiro livro, até O velho e o mar (1953), o último. Seus livros contam histórias sobre guerras, pescarias em alto-mar, touradas e caçadas, aventuras em que os protagonistas são seu alterego e quase sempre estão envolvidos em batalhas memoráveis e precisam superar intempéries e adversários que parecem invencíveis. Tanto que os seus principais livros, entre os quase 30 que escreveu, foram levados para o cinema.

Ao longo dos 62 anos, o escritor rodou o mundo, se casou quatro vezes, viveu outros romances e teve vários filhos. A popularidade de suas obras, segundo os críticos, vem dessa vida aventuresca e também do estilo seco e conciso dos seus textos que permeia a linguagem jornalística, outro trabalho que marcou profundamente a trajetória do escritor americano.

Filho de um médico e de uma cantora de ópera, Ernest Miller Hemingway nasceu em 21 de julho de 1899, em Oak Park, Illinois (EUA). Foi o quinto de sete irmãos (quatro mulheres e dois homens) e desde cedo teve vocação para a aventura. A infância e adolescência estão em detalhadas na obra O jovem Hemingway (The young Hemingway), de Peter Griffin. Já aos 17 anos se alistou no exército italiano e foi à Primeira Guerra Mundial como motorista de ambulâncias. Foi ferido gravemente, se apaixonou por uma enfermeira, teve baixa e acabou condecorado. Dez anos depois, em 1929, ele lançou Adeus às armas (A farewell to arms), romance autobiográfico sobre um tenente americano que serve como motorista de ambulância e se apaixona por uma enfermeira inglesa.

Ainda durante a guerra, ele iniciou sua carreira como repórter nos EUA e viajou pelo mundo. Sua extensa obra jornalística está relatada nos volumes Tempo de viver e Tempo de morrer, lançados em 1967, após sua morte. As duas obras são encontradas por aqui apenas em sebo, lançadas em 1967 pela editoria Civilização Brasileira.

Depois da guerra, Hemingway foi viver em Paris como correspondente, entre 1921 e 1926. Foi um dos expoentes da chamada Geração perdida, que reuniu principalmente artistas e intelectuais que se autoexilaram na capital francesa. Ali conheceu personalidades como James Joyce, Gertrude Stein, F. Scott Fitzgerald, Pablo Picasso, Luís Buñuel, Salvador Dalí, Ezra Pound e Cole Porter, entre outros. Relatos da época estão em O sol também se levanta (The sun also rises), obra vigorosa, em estilo direto e despojado, que mostra relações e conflitos de americanos e ingleses na Paris pós-guerra. Sobre esta época, seria lançado postumamente em 1964 Paris é uma festa (A moveable feast). Hemingway escreveu o livro entre 1957 e 1960, contando sua convivência ao mesmo tempo gratificante e cruel com intelectuais e como conheceu clássicos de Dostoievski, Tolstói e Stendhal. “Se você quando jovem teve a sorte de viver em Paris, então a lembrança o acompanhará pelo resto da vida, onde quer que você esteja, porque Paris é uma festa ambulante”, afirmou o escritor.

Nos anos 1940, Hemingway se alistou nas Brigadas Internacionais e foi lutar contra a ditadura de Franco na guerra civil espanhola. Desta época, surgiu sua grande obra-prima, Por quem os sinos dobram, For Whom the Bell Tolls, a história de um jovem americano que tem a missão de explodir uma ponte para barrar franquistas e se apaixona por uma bela e enigmática mulher. Nos anos 1940 e 1950, Hemingway morou em Cuba, onde se aventurou nas grandes pescarias.

Em 1961, de volta aos EUA, Hemingway, aos 62 anos, estava com depressão, hipertensão, diabetes e início de demência. Em 2 de junho, em sua casa em Idaho, ele se matou com um tiro de espingarda, seguindo o exemplo de seu pai. Críticos de sua obra dizem que ele representava apenas o protótipo do macho americano, heroico e viril. Má vontade à parte, ele foi um homem do seu tempo, que desafiou o mundo e venceu. Como todos, perdeu apenas a derradeira batalha, a da morte.

Casas em que viveram grandes 14 escritores hoje são museus

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Quem é apaixonado por livros não pode perder esse rolê literário, de Cora Coralina a Ernest Hemingway

Ludmila Balduino, no Viagem e Turismo

Livros de grandes escritores nos levam a viajar. E nos fazem pensar sobre o contexto em que foram escritos. Para um leitor-viajante, nada é mais satisfatório do que descobrir detalhes sobre o seu autor favorito e a sua história de vida. Entender as motivações que o levaram a escrever obras tão fascinantes.

E quem é um verdadeiro leitor-viajante vai adorar passear por essas 15 casas de grandes escritores da história da humanidade. Nem que seja apenas admirando as fotos dos casarões abaixo.

1. Casa e museu de Mark Twain em Hartford, Connecticut, nos Estados Unidos


Mark Twain (Hartford, Connecticut, Estados Unidos) O autor de “As Aventuras de Tom Sawyer” nasceu no Mississippi e passou a viver em Hartford em 1874, após se casar com Olivia Clemens. Com ajuda de um arquiteto, os dois planejaram todos os detalhes da casa, que demorou três anos para ficar pronta – e, segundo o próprio Twain, perfeita para abrigar a família do escritor norte-americano. Apesar de parte da história de Sawyer se passar na terra natal de Twain, foi nessa casa em Connecticut que ele escreveu a obra que o tornou famoso no mundo inteiro

Mark Twain (Hartford, Connecticut, Estados Unidos) O autor de “As Aventuras de Tom Sawyer” nasceu no Mississippi e passou a viver em Hartford em 1874, após se casar com Olivia Clemens. Com ajuda de um arquiteto, os dois planejaram todos os detalhes da casa, que demorou três anos para ficar pronta – e, segundo o próprio Twain, perfeita para abrigar a família do escritor norte-americano. Apesar de parte da história de Sawyer se passar na terra natal de Twain, foi nessa casa em Connecticut que ele escreveu a obra que o tornou famoso no mundo inteiro

2. La Sebastiana, casa de Pablo Neruda em Valparaíso, Chile


Pablo Neruda (Valparaíso, Chile) O poeta chileno, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1971, mantinha três casas em seu país de origem: La Chascona, em Santiago; Isla Negra, na cidade costeira homônima, a 96 km de Santiago; e La Sebastiana (foto), em Valparaíso. As três construções têm arquiteturas interessantíssimas, dignas de um poeta tão criativo como ele foi – e são obrigatórias para quem é apaixonado pelos versos sonoros e que relatam tão profundamente a sociedade e a natureza do Chile

Pablo Neruda (Valparaíso, Chile) O poeta chileno, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1971, mantinha três casas em seu país de origem: La Chascona, em Santiago; Isla Negra, na cidade costeira homônima, a 96 km de Santiago; e La Sebastiana (foto), em Valparaíso. As três construções têm arquiteturas interessantíssimas, dignas de um poeta tão criativo como ele foi – e são obrigatórias para quem é apaixonado pelos versos sonoros e que relatam tão profundamente a sociedade e a natureza do Chile

3. The Fitzgerald Museum, casa dos Fitzgerald, em Montgomery, Alabama, Estados Unidos


F. Scott Fitzgerald (Montgomery, Alabama, Estados Unidos) O autor do clássico “O Grande Gatsby” viveu nessa casa no Alabama, Estados Unidos, com a esposa Zelda, entre o outono de 1931 e a primavera de 1932. Apesar de ficarem ali por pouco tempo (principalmente por causa da vida boêmia de Scott e da internação de Zelda em um hospício), o museu que a casa abriga conta a história completa do casal, da época em que viviam, e mostram aos fãs como os escritos de Fitzgerald reproduziram tão fielmente a cultura norte-americana do momento

F. Scott Fitzgerald (Montgomery, Alabama, Estados Unidos) O autor do clássico “O Grande Gatsby” viveu nessa casa no Alabama, Estados Unidos, com a esposa Zelda, entre o outono de 1931 e a primavera de 1932. Apesar de ficarem ali por pouco tempo (principalmente por causa da vida boêmia de Scott e da internação de Zelda em um hospício), o museu que a casa abriga conta a história completa do casal, da época em que viviam, e mostram aos fãs como os escritos de Fitzgerald reproduziram tão fielmente a cultura norte-americana do momento

4. Casa de William Faulkner em Oxford, Mississippi, Estados Unidos


William Faulkner (Oxford, Mississippi, Estados Unidos) Construída em 1844, a casa – que fica em uma fazenda e é cercada por carvalhos gigantescos – foi o local preferido de Faulkner para escrever sua extensa obra que o levou a receber o Prêmio Nobel de Literatura em 1949. Ele e sua família mudaram-se para esse casarão em 1930, e ali Faulkner viveu até o fim de sua vida, em 1962

William Faulkner (Oxford, Mississippi, Estados Unidos) Construída em 1844, a casa – que fica em uma fazenda e é cercada por carvalhos gigantescos – foi o local preferido de Faulkner para escrever sua extensa obra que o levou a receber o Prêmio Nobel de Literatura em 1949. Ele e sua família mudaram-se para esse casarão em 1930, e ali Faulkner viveu até o fim de sua vida, em 1962

5. Casa da escritora Pearl S. Buck, na Pensilvânia, Estados Unidos


Pearl S. Buck (Dublin, Pensilvânia, Estados Unidos) Foi nessa casa no subúrbio da Filadélfia que a escritora Pearl S. Buck criou um de seus livros mais famosos, “A Boa Terra”, que relata o dia-a-dia de uma família na China rural. A norte-americana conquistou o Prêmio Nobel de literatura em 1938 e foi uma grande ativista sobre os direitos das mulheres e dos descendentes de asiáticos nos Estados Unidos. No casarão em que viveu por 40 anos, é possível encontrar objetos da época em que morou na China, e até presentes de Dalai Lama e do ex-presidente dos EUA, Richard Nixon. Seu túmulo fica no terreno da casa, e também é muito visitado

Pearl S. Buck (Dublin, Pensilvânia, Estados Unidos) Foi nessa casa no subúrbio da Filadélfia que a escritora Pearl S. Buck criou um de seus livros mais famosos, “A Boa Terra”, que relata o dia-a-dia de uma família na China rural. A norte-americana conquistou o Prêmio Nobel de literatura em 1938 e foi uma grande ativista sobre os direitos das mulheres e dos descendentes de asiáticos nos Estados Unidos. No casarão em que viveu por 40 anos, é possível encontrar objetos da época em que morou na China, e até presentes de Dalai Lama e do ex-presidente dos EUA, Richard Nixon. Seu túmulo fica no terreno da casa, e também é muito visitado

6. Casa de Fernando Pessoa em Lisboa, Portugal


Fernando Pessoa (Lisboa, Portugal) É nesta casa em Campo de Ourique que o poeta português passou os últimos 15 anos de sua vida. Além de atividades culturais, a Casa Fernando Pessoa expõe o quarto em que ele morou, decorado como se ele ainda vivesse ali, junto com algumas relíquias, como o óculos de armação arrendodada, o bloco de anotações, e a máquina de escrever. Diz a lenda que foi naquele quartinho que ele escreveu, na noite de 8 de março de 1914, três dos seus poemas mais famosos: “O Guardador de Rebanhos”, “A Chuva Oblíqua” e “Ode Triunfal”

Fernando Pessoa (Lisboa, Portugal) É nesta casa em Campo de Ourique que o poeta português passou os últimos 15 anos de sua vida. Além de atividades culturais, a Casa Fernando Pessoa expõe o quarto em que ele morou, decorado como se ele ainda vivesse ali, junto com algumas relíquias, como o óculos de armação arredondada, o bloco de anotações, e a máquina de escrever. Diz a lenda que foi naquele quartinho que ele escreveu, na noite de 8 de março de 1914, três dos seus poemas mais famosos: “O Guardador de Rebanhos”, “A Chuva Oblíqua” e “Ode Triunfal”

7. Casa de Ernest Hemingway na Flórida, Estados Unidos


Ernest Hemingway (Key West, Flórida, Estados Unidos) O casarão ensolarado, de janelas amplas e piscina, fica na pontinha sul da Flórida. A casa em que o norte-americano viveu entre 1931 e 1940 com a ex-mulher, Pauline, e dois filhos, mantém a mobília original e objetos que Pauline trouxe da França. As dezenas de gatos que vivem por ali também são uma atração: dizem que eles são descendentes dos gatos que Hemingway e a família criaram. O autor ficou famoso por obras como “O Velho e o Mar”, “O Sol Também se Levanta” e “Por Quem os Sinos Dobram”

Ernest Hemingway (Key West, Flórida, Estados Unidos) O casarão ensolarado, de janelas amplas e piscina, fica na pontinha sul da Flórida. A casa em que o norte-americano viveu entre 1931 e 1940 com a ex-mulher, Pauline, e dois filhos, mantém a mobília original e objetos que Pauline trouxe da França. As dezenas de gatos que vivem por ali também são uma atração: dizem que eles são descendentes dos gatos que Hemingway e a família criaram. O autor ficou famoso por obras como “O Velho e o Mar”, “O Sol Também se Levanta” e “Por Quem os Sinos Dobram”

8. Casa de Shakespeare no Reino Unido


William Shakespeare (Stratford-upon-Avon, Reino Unido) Há cinco casas no Reino Unido que contam a história do maior escritor inglês de todos os tempos. Uma delas é a da foto acima: foi nessa casa que ele nasceu e viveu até por volta dos seus 20 anos, quando casou-se e mudou-se para o seu segundo lar (que também pode ser visitado). Dentro da casa, é possível descobrir detalhes sobre como a personalidade do escritor foi moldada – o local era agitado, sempre cheio de gente (Foto: David Iliff) + Doze melhores destinos no Reino Unido, a partir de Londres

William Shakespeare (Stratford-upon-Avon, Reino Unido) Há cinco casas no Reino Unido que contam a história do maior escritor inglês de todos os tempos. Uma delas é a da foto acima: foi nessa casa que ele nasceu e viveu até por volta dos seus 20 anos, quando casou-se e mudou-se para o seu segundo lar (que também pode ser visitado). Dentro da casa, é possível descobrir detalhes sobre como a personalidade do escritor foi moldada – o local era agitado, sempre cheio de gente (Foto: David Iliff) + Doze melhores destinos no Reino Unido, a partir de Londres

9. Casa de Carlos Drummond de Andrade em Itabira, Minas Gerais


Carlos Drummond de Andrade (Itabira, Minas Gerais)Foi neste sobrado do século 19 que Carlos Drummond de Andrade morou dos 2 aos 13 anos. Foi um período marcante na vida e na obra do poeta: vários poemas escritos por Drummond relembram o tempo em que ele morou no casarão. Depois que foi transformada em museu, a casa expõe objetos pessoais do brasileiro, como a sua primeira máquina de escrever, cartas, fotografias e prêmios literários

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, Minas Gerais)Foi neste sobrado do século 19 que Carlos Drummond de Andrade morou dos 2 aos 13 anos. Foi um período marcante na vida e na obra do poeta: vários poemas escritos por Drummond relembram o tempo em que ele morou no casarão. Depois que foi transformada em museu, a casa expõe objetos pessoais do brasileiro, como a sua primeira máquina de escrever, cartas, fotografias e prêmios literários (Divulgação/Divulgação)

10. Casa do escritor Victor Hugo em Paris, França


Victor Hugo (Paris, França) Foi neste apartamento, hoje localizado na Place des Vosges, que o escritor francês viveu entre 1832 e 1848. A decoração atual tem vários objetos que pertenciam ao autor de “Os Miseráveis” e “O Corcunda de Notre Dame”, mas os cômodos também contam a história de sua vida. A foto acima, por exemplo, é do quarto chinês, que expõe o período em que ele ficou em exílio, em Guernsey, na Costa da Normandia. A estante de pratos na parede foi uma ideia criativa do escritor, que adorava decoração

Victor Hugo (Paris, França) Foi neste apartamento, hoje localizado na Place des Vosges, que o escritor francês viveu entre 1832 e 1848. A decoração atual tem vários objetos que pertenciam ao autor de “Os Miseráveis” e “O Corcunda de Notre Dame”, mas os cômodos também contam a história de sua vida. A foto acima, por exemplo, é do quarto chinês, que expõe o período em que ele ficou em exílio, em Guernsey, na Costa da Normandia. A estante de pratos na parede foi uma ideia criativa do escritor, que adorava decoração

11. Casa da escritora Agatha Christie, na Inglaterra


Agatha Christie (Devon, Reino Unido) Depois de ficar rica e famosa por causa de sua série de livros de mistério, em 1938 a inglesa Agatha Christie comprou essa casa construída entre os anos 1780 e 1790. Aberta ao público desde 2000, o casarão e seu extenso jardim serviam como refúgio da família da escritora nos feriados. Eles costumavam passar a primavera, o fim do verão e os Natais na tranquilidade do lugar. Durante a visita, é possível encontrar jogos de tabuleiro em frente à lareira, o piano de cauda da escritora, além de de áudios que contam a história de como o lugar é querido pela família

Agatha Christie (Devon, Reino Unido) Depois de ficar rica e famosa por causa de sua série de livros de mistério, em 1938 a inglesa Agatha Christie comprou essa casa construída entre os anos 1780 e 1790. Aberta ao público desde 2000, o casarão e seu extenso jardim serviam como refúgio da família da escritora nos feriados. Eles costumavam passar a primavera, o fim do verão e os Natais na tranquilidade do lugar. Durante a visita, é possível encontrar jogos de tabuleiro em frente à lareira, o piano de cauda da escritora, além de de áudios que contam a história de como o lugar é querido pela família

12. A Casa do Rio Vermelho – Jorge Amado e Zélia Gattai


Jorge Amado (Salvador, Bahia) Além da Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho, a cidade de Salvador presta outra grande homenagem ao seu maior escritor: a casa em que ele morou, no bairro do Rio Vermelho, também foi transformada em museu – e tem mais objetos pessoais do baiano que gostava de usar camisas floridas do que em qualquer outro lugar. Ali, é possível voltar ao passado e quase sentir a presença dele e de sua companheira inseparável, Zélia Gattai. Principalmente ao ouvir a voz dele ecoando pelos cômodos cheios de referências aos livros que ele escreveu

Jorge Amado (Salvador, Bahia) Além da Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho, a cidade de Salvador presta outra grande homenagem ao seu maior escritor: a casa em que ele morou, no bairro do Rio Vermelho, também foi transformada em museu – e tem mais objetos pessoais do baiano que gostava de usar camisas floridas do que em qualquer outro lugar. Ali, é possível voltar ao passado e quase sentir a presença dele e de sua companheira inseparável, Zélia Gattai. Principalmente ao ouvir a voz dele ecoando pelos cômodos cheios de referências aos livros que ele escreveu (Divulgação/Divulgação)

13. Museu Casa de Cora Coralina, Goiás (GO)


Cora Coralina (Goiás, Goiás) A senhorinha que encantou o Brasil e o mundo com seus poemas singelos, e ao mesmo tempo extremamente fortes, que relatavam o dia a dia de uma menina que morava na casa da ponte, vivia mesmo em um casarão à beira da ponte sobre o Rio Vermelho, em Goiás. Uma das representantes mais famosas da cidade histórica rodeada pela Serra Dourada, no meio do estado de mesmo nome, Cora Coralina precisou fazer doces para vender nos últimos anos de sua vida. Por isso, a cozinha é um dos pontos altos da visita. A casa da ponte – como é carinhosamente chamada pelos visitantes – ainda tem um jardim enorme e florido (tem até uma bica de água fresquinha), conserva as roupas que ela usou, a cama em que dormiu e a sua poltrona preferida, de onde recebia visitas ilustres

Cora Coralina (Goiás, Goiás) A senhorinha que encantou o Brasil e o mundo com seus poemas singelos, e ao mesmo tempo extremamente fortes, que relatavam o dia a dia de uma menina que morava na casa da ponte, vivia mesmo em um casarão à beira da ponte sobre o Rio Vermelho, em Goiás. Uma das representantes mais famosas da cidade histórica rodeada pela Serra Dourada, no meio do estado de mesmo nome, Cora Coralina precisou fazer doces para vender nos últimos anos de sua vida. Por isso, a cozinha é um dos pontos altos da visita. A casa da ponte – como é carinhosamente chamada pelos visitantes – ainda tem um jardim enorme e florido (tem até uma bica de água fresquinha), conserva as roupas que ela usou, a cama em que dormiu e a sua poltrona preferida, de onde recebia visitas ilustres

14. Casa de Vladimir Nabokov em São Petersburgo, na Rússia


Vladimir Nabokov (São Petersburgo, Rússia) Foi aqui que o escritor russo nasceu, em 1899, e viveu até a adolescência, em 1917. A família fugiu da revolução Russa, esperando passar poucos meses fora do país, mas nunca mais voltou à casa. Nos anos 1990, o térreo foi aberto para expor os objetos pessoais da família, como a extensa coleção de livros – são mais de 10 mil volumes. Também dá para se ter uma ideia da fascinação que Nabokov tinha por borboletas – suas coleções de desenhos de borboletas, e de borboletas que ele caçou, estão entre os pontos altos do museu

Vladimir Nabokov (São Petersburgo, Rússia) Foi aqui que o escritor russo nasceu, em 1899, e viveu até a adolescência, em 1917. A família fugiu da revolução Russa, esperando passar poucos meses fora do país, mas nunca mais voltou à casa. Nos anos 1990, o térreo foi aberto para expor os objetos pessoais da família, como a extensa coleção de livros – são mais de 10 mil volumes. Também dá para se ter uma ideia da fascinação que Nabokov tinha por borboletas – suas coleções de desenhos de borboletas, e de borboletas que ele caçou, estão entre os pontos altos do museu

Por quem os sinos dobram: as lições do melhor livro de Hemingway

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Rafael Sette Câmara, no 360 Meridianos

“A morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”. É com essa citação, tirada de um poema de John Donne, poeta inglês do século 17, que Ernest Hemingway marcou o começo de uma de suas obras mais importantes.

A linguagem dos sinos, como aprendi em várias passagens por cidades históricas repletas de igrejas, é cheia de nunces. Um sino pode tocar para marcar o horário de uma missa. Mas também pode fazê-lo para avisar de uma emergência, como um incêndio, chamar para um dia de procissões, avisar de um nascimento ou relatar uma morte. Nos repiques dos sinos há informações que hoje poucos conhecem. Quando os sinos começam uma canção fúnebre é possível saber se quem morreu era homem ou mulher e até a hora que será o velório.

Essa linguagem, cheia de mensagens cifradas, leva a pergunta óbvia, assim que os sinos de uma igreja começam um cântico fúnebre: por quem os sinos dobram? Ou, em outras palavras, quem morreu? O poema de John Donne, ao mostrar a conexão entre tudo que existe, deixa claro que quem morreu foi você.

“Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todos são parte do continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa ficará diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio”. Morremos um pouco a cada morte que presenciamos.

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Hemingway não poderia ter escolhido citação melhor para começar seu livro, escrito e publicado no começo da década de 1940. Na obra, que foi listada como um dos 100 melhores livros do século 20 pelo jornal Le Monde, ele conta a história de Robert Jordan, um norte-americano que vive na Espanha durante a Guerra Civil, ocorrida entre 1936 e 1939.

Ele acaba se envolvendo no conflito, do lado dos republicados, e recebe a missão de implodir uma ponte, tarefa considerada fundamental numa batalha contra os nacionalistas, que tinham o apoio do nazifascismo na Itália e na Alemanha. É bom lembrar que pouco depois começou a Segunda Guerra Mundial, conflito em que a Guerra Civil Espanhola se insere e do qual foi praticamente um prelúdio.

Toda a trama se passa ao longo de três dias, enquanto Robert Jordan, um professor que se identifica com os ideais da luta contra o fascismo, aguarda o momento para cumprir sua missão e lida com os desafios para conseguir explodir a ponte, tarefa em que ele conta com a companhia de guerrilheiros, ciganos e camponeses.

Boa parte da história se passa na relação entre essas pessoas durante os dias necessários até que a missão possa ser realizada. Há tempo, inclusive, para um relacionamento entre Robert e uma cigana, Maria, alguns anos mais tarde representados por Gary Cooper e Ingrid Bergman, no filme de 1943 – a atriz sueca foi indicada ao Oscar pela atuação.

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Enquanto isso, o personagem testemunha a selvageria, a violência e as mortes dos dois lados do conflito, seja por seus próprios olhos ou pelos relatos das pessoas que ele conhece, como a cigana Pilar, uma espécie de líder do grupo rebelde. Há momentos de extrema violência, com destaque para a execução de soldados fascistas pelas tropas revolucionárias.

Como em outras obras de Hemingway, o personagem principal é uma espécie de alter-ego do escritor, que também participou da Guerra Civil Espanhola, além de ter servido como motorista de ambulância durante a Primeira Guerra Mundial. Uma grande parte da beleza da obra de Hemingway está na mistura de elementos reais com ficcionais, além, claro, na forma usada para narrar os acontecimentos.

Aos 61 anos e numa manhã de julho, Ernest Hemingway acordou cedo, pegou uma arma que ele usava para caçar pombos, colocou na própria boca e atirou. Aos policiais, sua esposa, Mary, que estava dormindo na hora que ouviu o disparo, disse que a morte teria sido acidental – ela acreditava que Hemingway teria dado um tiro sem querer, enquanto limpava a arma. Só meses depois ela conseguiu aceitar que o marido tinha se suicidado.

Em Por Quem os Sinos Dobram, Robert Jordan se desfaz de uma arma que tinha sido de seu avô, que lutara na Guerra Civil Americana, e com a qual seu pai havia se matado. História parecida com a do autor, que recebeu pelo correio, enviada pela mãe, a arma com que seu pai tinha se matado e que antes pertencera a seu avô, que também lutou numa guerra.

Hemingway sempre escreveu sobre a morte e sobre a vida, mas é em Por Quem os Sinos Dobram que aprendemos que cada perda, mesmo que distante, é uma pequena morte para cada um de nós.

Enrique Cirules, autor cubano de livros sobre Hemingway, morre aos 78 anos

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Enrique Cirules. Foto: Lázaro David Najarro Pujol

Enrique Cirules. Foto: Lázaro David Najarro Pujol

 

Publicado no UOL

Havana, 19 dez (EFE).- O escritor cubano Enrique Cirules, autor de vários ensaios sobre a vida e a obra do escritor americano Ernest Hemingway, morreu aos 78 anos em Havana (Cuba), informaram nesta segunda-feira os veículos de imprensa locais.

Cirules, considerado um dos mais importantes autores e contadores contemporâneos cubanos, conta entre seus livros “Hemingway em Cuba” e “Ernest Hemingway en la cayeria de Romano”, onde aborda espaços pouco estudados do célebre intelectual americano que viveu longas temporadas em Cuba.

Também figuram entre seus títulos os livros testemunhais “O Império de Havana”, vencedor Prêmio Literário Casa das Américas e Prêmio da Crítica Literária em 1994, e “A vida secreta de Meyer Lansky em Havana”, ambos baseados em suas pesquisas sobre a presença da máfia americana em Cuba até o ano de 1959.

Ele publicou vários contos, entre eles os cadernos “Os perseguidos” e “A outra guerra”, assim como os romances “Conversa com o último americano”, “Bluefields”, “A saga da Gloria City”, “Estranha chuva na tempestade” e “Santa Clara Santa”.

Durante vários anos ele atuou como professor de História e Espanhol, e seus livros foram traduzidos para o russo, francês, inglês, alemão e português.

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