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“A escola está ultrapassada”

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O jornalista americano Paul Tough é autor do best-seller 'Como as crianças aprendem' (Paul Terefenko/Divulgação)

O jornalista americano Paul Tough é autor do best-seller ‘Como as crianças aprendem’ (Paul Terefenko/Divulgação)

Autor de best-seller americano explica por que desenvolver habilidades emocionais desde cedo é tão essencial para o sucesso na vida adulta

Luisa Bustamante, na Veja

Nas rodas de educação, muito se fala sobre habilidades socioemocionais, que fogem da cartilha do conteúdo propriamente dito, como colaboração, curiosidade e capacidade de resistir às adversidades. Às vezes, o debate é ainda etéreo; noutras, começa a ter feições mais claras, indicando caminhos de como desenvolvê-las. Em sua extensa pesquisa, o jornalista americano Paul Tough, 50 anos, autor do livro Como as Crianças Aprendem (Ed. Intrínseca), vai por esta linha mais objetiva e sem academiquês. Ele foi a escolas e entrevistou economistas, psicólogos e neurocientistas para entender a relevância de tais habilidades no competitivo século XXI. Em visita ao Rio de Janeiro, Tough falará sobre o tema neste sábado (1) em um encontro organizado pelo grupo educacional Eleva. A seguir, os principais trechos da entrevista que concedeu ao site de VEJA.

Seus livros enfatizam a importância das chamadas habilidades socioemocionais no desenvolvimento infantil. Elas podem ser ensinadas?
Sim, em casa e na escola. Um ensino de qualidade, voltado para este século, não deve mais se restringir àquele conjunto limitado de capacidades medidas em testes padronizados. O conhecimento continua, claro, a ser fundamental, mas os especialistas já têm clareza de que há este outro lado do aprendizado que é também determinante para o sucesso na vida. São habilidades que podem soar abstratas: garra, otimismo, curiosidade, trabalho em equipe, resiliência – é possível lapidar todas elas.

O senhor afirma que o melhor momento para as crianças aprenderem tais habilidades é na primeira infância, antes mesmo do primeiro dia de aula. Como os pais podem ajudá-las?
Primeiro, não fazendo com que os filhos se sintam sob pressão. Estudos recentes na área da neurociência mostram que, quando as crianças estão num ambiente altamente estressante, elas têm mais dificuldade de desenvolver essas características que mencionei. A boa notícia é que a melhor defesa contra o estresse infantil está justamente nos pais. A explicação é fisiológica. Se mantêm relação forte e calorosa com os filhos, essas crianças registrarão menores níveis do hormônio do estresse no organismo e estarão em condições melhores para aprender.

O que o senhor observa em comum entre as crianças com mais dificuldade de desenvolver habilidades socioemocionais?
Muitas crescem em um ambiente de adversidades, na extrema pobreza ou submetidas a abuso e negligência. São justamente essas que precisam de mais ajuda. Infelizmente, são também as que costumam receber educação de mais baixa qualidade. Elas precisam ser mais desafiadas. Quando isso ocorre, respondem de forma tão positiva quanto aquelas que vivem em situação mais favorável.

Quais habilidades o senhor considera mais importantes nos dias de hoje?
Sem dúvida, coloco no topo da lista a perseverança e a capacidade de lidar com os obstáculos. Elas são essenciais para a resolução de problemas, para um bom trabalho em equipe e para administrar a frustração diante do fracasso. Cabe aos adultos dar as ferramentas que as crianças precisam para aprender com os erros e se superarem.

Como desenvolver essas habilidades?
Gosto de alguns métodos adotados atualmente. Um deles é trocar a lição tradicional por projetos mais extensos. Em vez de o aluno decorar fórmulas e preencher fichas, ele é forçado a trabalhar em grupo, debruçado sobre vários assuntos e no longo prazo. Esse tipo de tarefa não estimula apenas a perseverança: incentiva também o que a ciência chama de inteligência elástica, capacidade que o aluno tem de se tornar cada vez mais inteligente.

O que mais a escola pode fazer?
Há um senso comum de que devemos dar tarefas fáceis para crianças que enfrentam dificuldades porque assim elas terão uma sensação de realização. Mas isso, na realidade, provoca o efeito contrário. Quando não as instigamos a concluir tarefas complexas, a mensagem é de que o professor não acredita em sua capacidade. Por outro lado, com trabalhos desafiadores e apoio adequado, elas não só aprendem matemática ou ciências como consolidam a autoestima, porque entendem que podem ser bem-sucedidas, que podem se superar. Cito em um de meus livros o trabalho de uma professora de um colégio no Brooklyn, em Nova York, que fazia críticas minuciosas e muito duras a alunos que praticavam xadrez. Assim os ajudou a analisar e a entender seus erros sem que se sentissem derrotados e a desenvolver autocontrole e motivação.

Que países estão fazendo a lição certa?
Ainda não encontrei um país que tenha um bom sistema para ensinar essas habilidades tão requeridas no século XXI. Vejo em muitos deles grupos de educadores atentos a essa questão, em um esforço para encontrar uma maneira de reformar as velhas escolas. Todo mundo se queixa da dificuldade para mudar o ensino. Há barreiras institucionais que precisam ser rompidas para que essa ideia seja disseminada.

Como medir o desenvolvimento de algo tão abstrato como garra ou curiosidade?
Essa medição ainda é um desafio e muitos pesquisadores sérios estão concentrados nisso. Qualquer pai ou professor é capaz de perceber quando um aluno está determinado. Se ele se esforça, está motivado e se envolve nas atividades propostas, é sinal de que a escola está no caminho certo.

Existe um relação entre habilidades emocionais e cognitivas?
Existe. O aluno que vai bem no lado socioemocional tende a se sair melhor nas provas.

A escola é uma instituição ultrapassada?
De modo geral, sim. Deveríamos preparar nossos jovens para carreiras que exigem um nível muito maior de criatividade, colaboração e flexibilidade do que as de trinta anos atrás. No passado, havia muitas profissões em que bastava o funcionário bater ponto, obedecer ordens e executar tarefas repetitivas. Hoje não funciona mais assim, mas as escolas não acompanharam as mudanças do mercado de trabalho.

Que escolas vêm fazendo um bom trabalho?
Gosto do trabalho da Expeditionary Learning Schools, uma rede de 150 escolas nos Estados Unidos. Um dos métodos que aplicam é chamado crew: consiste em formar grupos de dez a vinte alunos que são reunidos no primeiro dia de aula e que fazem encontros todas as manhãs — isso até o fim da carreira escolar. Esses estudantes desenvolvem senso de pertencimento e capacidade impressionante de produzir em equipe. Acho que esse modelo poderia ser replicado.

Como reconhecer uma boa escola?
São aquelas que, por meio de diferentes métodos, não importa, conseguem estimular os alunos a deixar a superfície e a fazer perguntas mais densas. O ensino baseado em projetos e na investigação são mais eficientes do que aquele que incentiva a memorizar fórmulas, como ainda é tão comum. Por serem curiosas, crianças são genuínos cientistas, mas a escola tira isso delas.

Sem aulas e de graça: assim é a escola de programação mais revolucionária do mundo

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William Beaucardet

William Beaucardet

50.000 candidatos se inscrevem todos os anos para entrar na 42, uma escola vanguardista de Paris que não exige nem o ensino médio e onde não existem professores

Jacobo Pedraza, no El País

Duas instituições acadêmicas convivem no Boulevard Bessières de Paris, no 17º distrito, limite entre a cidade e os subúrbios. Uma é o Liceu-Colégio Internacional Honoré de Balzac, o maior colégio público da capital francesa: cinco hectares consagrados ao criador de A Comédia Humana, cuja assinatura se vê estampada na grade de entrada do local. A outra se chama 42. Uma escola de programação que a partir do próprio nome já encarna uma mudança em relação à totalidade do sistema educacional francês ou, o que é a mesma coisa, ao conceito de formação que impera há pelo menos três séculos. Para começar, porque não exige nenhum título acadêmico aos seus alunos. E porque é gratuita.

A 42 é uma fundação privada sem fins lucrativos, sustentada principalmente pelo magnata francês da tecnologia Xavier Niel, coproprietário do Le Monde (e dos direitos de My Way de Sinatra) e, além disso, incentivador do que será a maior incubadora do mundo, a também parisiense Station F. O modelo acadêmico foi concebido pelo próprio Niel e por Nicolas Sadirac, fundador e ex-diretor executivo da rede de escolas particulares de código Epitech, de excelente reputação no cenário tecnológico francês, mas com preços a partir dos 7.000 euros (25.800 reais) anuais. Ambos acreditam que a genialidade não surge somente entre os que podem pagar uma instituição desse tipo, e pensam que a universidade pública se asfixia por seu próprio tamanho e falha na hora de proporcionar o salto entre a formação e a empresa. Criaram uma escola que qualquer um “nascido para o código” (o lema da escola) possa ter acesso, em permanente contato com o ambiente empresarial e um com um conceito pedagógico que faz da gamificação sua essência.

A escola surpreende já na entrada. A primeira coisa que o aluno escuta é a própria porta, que o cumprimenta pelo nome: “Bonjour, Gilles”. A recepção tem um móvel para guardar o patinete, o meio de transporte favorito de muitos. Mas o que fascinam são as primeiras amostras da enorme coleção de arte urbana que decora a escola, e que se mistura à perfeição com os alunos e com o espírito desse espaço: mais de 150 pinturas e esculturas subversivas, rebeldes, jovens. “Temos até mesmo um Banksy”, confessa lá mesmo Catherine Madinier, ex-aluna dessa escola fundada em 2013 e membro do corpo docente, que por fim confirma a suspeita que todo bom freak já tinha sobre o nome da escola: “É pelo Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams”. A 42 é – nessa série de rádio, romance e filme – a resposta absurda e confusa que dá um monumental supercomputador à “pergunta definitiva sobre a vida, o universo e tudo”. Até a calculadora do Google conhece essa referência.

Sem aulas, sem professores

Madinier avança até a primeira colmeia de computadores, no térreo do edifício. Uma sala gigante com mais de 300 desktops com a inconfundível maçã da Apple: “Os macs consomem menos energia. Quando se usam mais de 1.000 por dia, a economia é considerável”, diz esta nativa de Nice, de 31 anos, que se define frequentemente como professora, embora saliente que seu papel é mais de tutora ou mediadora. “Não existem professores. Não há aulas. Não há lições ou livros de estudo”. “Isso é uma grande diferença em relação a outras escolas como a Epitech”, destaca David Giron, diretor de estudos da 42, que desempenhou a mesma função na própria Epitech, que acrescenta. “Os professores e as lições não têm sentido hoje em dia. Todo o material está na Internet, e queremos sejam capazes de procurá-lo, classificá-lo e filtrá-lo”.

Os mais de 2.000 alunos da escola deixam de lado o modelo de formação que conheceram em favor de uma educação a partir de uma perspectiva que, na realidade, conhecem muito melhor: a dos vídeogames.

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Níveis, títulos e recompensas

Gilles Potte tem vinte anos e está muito distante da imagem normalmente associada ao estudante de engenharia da computação: cobre seu cabelo longo com uma boina, ostenta um piercing na orelha, uma tatuagem nas costas e usa calças corsário e camiseta. Ao seu redor há alunos que escrevem linhas de código em velocidade de cruzeiro, enquanto outros socializam entre vídeos do YouTube e algum fica absorto jogando uma partida. “Podem fazer mais coisas, gostamos que façam mais coisas, mas na maior parte do tempo devem estar programado”, diz Madinier.

Gilles inicia a sessão na intranet da 42. É como carregar uma partida salva de um videogame. No menu principal se pode observar que ele está no nível 2, faltam poucos pontos de experiência para alcançar o 3. “No total, são 21 níveis [não é um número ao acaso, é a metade de 42], a partir do 21º se considera que o aluno está capacitado para sair para o mundo do trabalho”, diz Catherine Madinier. Frequentemente, segundo ela, os alunos conseguem um emprego em tempo integral que os faz deixar a escola antes de completar os três anos, duração média do programa.

A gamificação é aplicada em todos os campos da 42. Gilles ganhou dois títulos, algo como um tratamento oficial (senhor, doutor, excelentíssimo) muito comum no mundo dos videogames, que são dados como recompensa ou punição de acordo com as ações realizadas pelo jogador. “Tenho os títulos de troll e o de altruísta”, proclama o aluno, rindo. O primeiro é por fazer comentários demais e com ânsia de incomodar nos fóruns da escola. O segundo é por ser um grande corretor desinteressado dos exercícios dos colegas. Sim, na 42 os exercícios não são corrigidos pelos tutores, mas pelos próprios alunos: “É uma maneira de aprender com o trabalho dos outros, com suas formas, seus métodos para chegar a uma solução de um problema e com seus erros”, explica Madinier. O erro também é recompensado: o título de errão é assumido com orgulho porque implica em perseverança e desejo de superação de si mesmo.

O progresso nos estudos é observado no gráfico de exercícios, que lembra claramente os diagramas de habilidades aprendidas em videogames como Final Fantasy. O aluno começa no centro de vários círculos concêntricos e seu avanço o leva para a parte externa, prova a prova, escolhendo um ou outro caminho em função da parcela de todo o mundo da informática que mais lhe interesse.

O percurso começa focado no desenvolvimento do ambiente Unix com linguagem de programação C, no final os alunos poderão usar praticamente qualquer linguagem fluentemente. As quatro matérias principais são Unix, algoritmos, gráficos e web. Aos poucos vãos e especializando: celular, cibersegurança, hardware, design, videogames. “Não chegam a completar todos os exercícios de todos os caminhos, isso é quase impossível. Pense que existem trabalhos tão complexos como criar seu próprio sistema operacional ou o motor de um vídeo game online do zero”, revela Catherine Madinier. “Eu ainda não decidi. Estou entre design, vídeo games, ou inteligência artificial”, diz Gilles, fã de fotografia e edição gráfica.

O programa de estudos é elaborado e atualizado constantemente pela equipe docente, formada por cerca de 15 tutores dirigidos por David Giron. Há exercícios de todo tipo: elaborar periféricos para substituir o mouse do computador, dar forma a um videogame de tiros em primeira pessoa, criar um aplicativo de calendário que depois o próprio aluno utilizará ou pequenas ferramentas para o site da 42. Cada prática é avaliada pelos colegas e os resultados podem ser verificados e alterados a partir da intranet da escola.

Se um estudante é reprovado ou aprovado (mas não está satisfeito com seu desempenho) pode repetir o exercício quantas vezes quiser. “A escola fica aberta todos os dias do ano, 24 horas por dia, de modo que os alunos chegam a passar mais de 90 horas por semana nela”, diz Giron. Ser aprovado com boas notas ou com especial esmero em alguns pontos dá direito a medalhas e recompensas, um sistema amplamente desenvolvido em qualquer vídeo game da plataforma online Steam.

“As recompensas podem ser trocadas por produtos do refeitório ou, por exemplo, por banhos na Jacuzzi”, diz Madinier enquanto continua mostrando as instalações da 42. O refeitório e a varanda estão inusualmente cheios por causa do sol. É possível perceber estéticas e padrões: geeks que poderiam muito bem ser membros de qualquer equipe profissional de esports, alguns com roupas escuras e estética mangá, e outros com calças jeans largas e tênis de skate. Todos coexistem, se misturam e desfrutam da música, desta vez um rap francês, o gênero favorito do banlieue (subúrbio).

A piscina

Ao lado do refeitório fica a piscina. Não há piscina ou água. É uma enorme sala onde podem ser vistas malas, pessoas deitadas, gente descansando em colchões infláveis e sacos de dormir. A piscina é o nome do espaço e da época que definem se um aluno tem ou não futuro na 42. Quase um mês de intensidade máxima que representa o único veículo para ser admitido na escola.

Chega-se à piscina depois de duas provas online, dois jogos que, além disso, não são os mesmos para todos. Um dura 10 minutos e é um exercício de memória. O outro dura mais de duas horas e testa a capacidade lógica do candidato. Começam sendo simples, mas à medida que os níveis são concluídos tornam-se mais e mais complicados. Com eles é feita a seleção dos pretendentes que terão acesso à piscina: de cerca de 50.000, apenas 3.000 sobrevivem.

“Para a inscrição só pedimos nome, sobrenome e data de nascimento. Não queremos saber de mais nada”, afirma Madinier. “Nem o que estudaram. Ou de onde vêm. Ou se são pobres ou ricos”. Chegam à 42 muitos candidatos de classe baixa, dos subúrbios das cidades ou pessoas sem recursos de outros países, que dificilmente poderiam entrar em qualquer outra escola de programação. Durante o mês de provas, nas quais os alunos passam uma média de 15 horas por dia trabalhando, são autorizados a se alojar nas instalações da escola (no recinto da piscina), usar os chuveiros e os vestiários e comer no refeitório, com preços muito menores que os de estabelecimentos próximos e ainda mais baratos quando comparados aos do centro de Paris.

As provas terminam a cada dia exatamente às 23h42. Seu foco é o desenvolvimento de habilidades em linguagem C, um pilar básico para adaptar os conceitos e a mentalidade ao mundo da programação. “Muitos pré-inscritos chegam sem saber programar. Eu mesma vim do setor de negócios e não tinha a menor ideia”, revela Madinier. Gilles vem do mundo da restauração: “Eu me matriculei num curso técnico de hotelaria perto daqui, no 18º distrito, mas esse futuro não me convenceu. Descobri que era isso que eu gostava, então eu decidi tentar”, lembra o aluno parisiense, que também não sabia muito de código antes de entrar, apesar de reconhecer que se preparou antes da piscina.

Os exercícios da piscina são corrigidos entre os próprios alunos, que vão aprendendo com isso, e também por uma inteligência artificial conhecida como moedora. Nessa altura, são incentivados a trabalhar em conjunto e a ajudar uns aos outros “algo que em outros lugares significa fazer trapaça e que nós pensamos que é essencial”, argumenta David Giron. No fim da primeira semana de cada processo seletivo mais de uma centena de candidatos (entre 800 e 1.000 para cada uma das três piscinas anuais, que são realizadas no verão) terá desistido. “É um processo muito difícil e a maneira de encará-lo também é importante para nós. As notas são uma indicação, mas no final os selecionados são escolhidos pelo corpo docente para além dos seus resultados. O critério varia e o número de admitidos, também”, afirma Madinier. A 42 não costuma aceitar alunos menores de 18 anos ou maiores de 30: não quer que deixem o ensino médio para entrar em um processo muito difícil de aprendizagem porque perderiam muitas oportunidades de futuro, e tampouco acreditam que aqueles que já passaram dos trinta possam absorver a quantidade de conceitos que precisam assimilar. A intenção também é ter um corpo discente coeso.

 Uma das colmeias de computadores da escola. William Beaucardet

Uma das colmeias de computadores da escola. William Beaucardet

A escola estima que 40% dos alunos não têm o ensino médio completo. Uma porcentagem um pouco menor vem de meios desfavorecidos. Cerca de 20% vêm de fora da França. Poderia ser um ambiente complicado, mas é completamente o oposto. “Eu estou aqui faz pouco tempo, mas desde o início você percebe que este é o seu lugar. Na piscina todos ajudamos uns aos outros e agora continua sendo assim. Não importa de onde você vem. Somos todos amigos”, diz Gilles.

Como diretor de estudos, David Giron viveu histórias que destacam as oportunidades que a escola deu para muitos alunos: “Poderia mencionar um ex-pequeno traficante de drogas que veio para cá depois de escapar por pouco da cadeia e hoje dirige sua própria empresa e contrata nossos alunos. Ou um montador da ópera que não via sentido na vida e hoje é feliz como desenvolvedor de aplicativos para celular. Ou até mesmo um doutor em filosofia italiano que agora é diretor de tecnologia de uma grande empresa”. “A melhor coisa de trabalhar aqui é ver florescer alguns. Sua mudança dentro da 42 ao encontrar um lugar e colegas com os que se sentem realmente bem e envolvidos. Muitos encontram aqui pela primeira vez uma motivação, um modo de vida e uma oportunidade única “ diz sorrindo Catherine Madinier, que cumprimenta muitos alunos com dois beijos.

Trabalho

Os que foram aprovados também podem comer no refeitório e até mesmo trabalhar nele. Também podem ser remunerados com dinheiro para uso interno por fazer visitas guiadas para os turistas. Podem descansar, mas ao contrário dos candidatos, não estão autorizados a dormir nas instalações: em troca, a escola oferece alojamentos baratos e os apoia para obter empréstimos.

No primeiro andar da 42 fica a segunda colmeia de computadores, conhecida como Terra Média. Outros 300 computadores, onde o ambiente de trabalho é mais profissional. “Temos um fórum onde colocamos ofertas de emprego que chegam a nós”, diz Madinier. Estágios, contratos por tarefa, por tempo indeterminado ou até para cargos de diretor e tecnologia em algumas das startups do poderoso ecossistema parisiense. O centro é muito bem relacionado graças ao apoio de Xavier Niel e ao prestígio que adquiriu desde sua criação. É comum que os alunos colaborem com escolas de design e de negócios, muitas vezes através de hackathones: maratonas de programação para concluir um projeto específico. Muitos dos trabalhos que aparecem no fórum não requerem estar fisicamente presente, por isso chegam anúncios de qualquer lugar do planeta.

Quando eles saem da escola, os alunos têm um amplo leque de opções: “Não levam mais de dois meses para encontrar um emprego. Muitos gostam de cibersegurança, também de videogames e do campo dos gráficos, que agora está tendo muito desenvolvimento com a realidade virtual”, exemplifica Madinier. “Alguns alunos vão para startups, enquanto outros preferem as grandes empresas. Alguns decidem fundar suas próprias empresas e outros vão para o GAFA [acrônimo de Google, Apple, Facebook e Amazon]” explica David Giron.

Existe um elemento em que a 42 se parece com qualquer outra escola de programação: a ausência de mulheres. Catherine Madinier é uma exceção, pois elas representam apenas 8% do corpo discente. “Há muuuuito trabalho a fazer”, admite. Giron insiste que o problema vem de antes, uma vez que o percentual é semelhante ao das mulheres que se candidatam às provas de ingresso: “É uma coisa cultural. A indústria dos videogames, com as personagens femininas que cria, tem muito a ver com isso”. A mentalidade e o espírito divertido da escola fazem dela talvez algo mais atraente, mas em um setor, o do entretenimento eletrônico, em que as mulheres também foram sempre uma minoria muitas vezes esquecida. A 42 não tem quotas de qualquer espécie e se recusa a estabelecer um percentual mínimo de mulheres.

Agora em Silicon Valley

A 42 é o sonho de Xavier Niel, que aos 49 anos é a nona fortuna da França, com cerca de 10 bilhões de dólares, segundo a Forbes. Ele contribuiu com mais de 70 milhões na fundação da 42 para comprar o prédio da escola e mantê-la nos primeiros 10 anos de vida, à razão de cerca de 7 milhões de euros por ano. Niel é um pioneiro que criou uma das primeiras empresas francesas de Internet quanto tinha 19 anos. Alguns dos alunos da escola foram trabalhar em suas empresas, entre elas a Free, a segunda maior fornecedora de serviços de rede do país, e a terceira operadora de telefonia celular. Na incubadora de startups Station F, investiu mais de 100 milhões de euros com o objetivo de continuar impulsionando a criação de empresas de tecnologia em Paris.

Em 2016 Niel decidiu levar o modelo de sua escola ao Silicon Valley, o epicentro da inovação tecnológica, com a abertura de uma sede em Fremont, na Baía de San Francisco, na qual também investiu 100 milhões para garantir sua viabilidade para a próxima década. Ele tem o apoio dos fundadores de empresas tão importantes no mundo da tecnologia como Snapchat, Periscope, Nest Labs, Slack ou a conhecida incubadora YCombinator. Lá, Niel levantou um campus de quase 20.000 metros quadrados com um edifício de dormitórios para 300 alunos, oferecidos gratuitamente aos nascidos para o código que têm menos recursos.

Pesquisa mostra que alunos pobres estão em escolas menos preparadas

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Escolas não têm sido capazes de reduzir desigualdades - Marcos Alves / Agência O Globo

Escolas não têm sido capazes de reduzir desigualdades – Marcos Alves / Agência O Globo

 

Análise da Fundação Lemann revela que instituições têm diretores inexperientes e oferecem menos recursos

Paula Ferreira em O Globo

RIO- Um levantamento feito pela Fundação Lemann divulgado hoje revela um aspecto curioso e ao mesmo tempo preocupante da educação pública brasileira: alunos com menor nível socioeconômico (NSE), que dependeriam ainda mais de um ensino de qualidade para reduzir desigualdades, são aqueles que estão em escolas menos preparadas. De acordo com a análise “As desigualdades na educação no Brasil: o que apontam os diretores das escolas”, que traz respostas de 51.136 gestores escolares ao questionário da Prova Brasil, 10% dos diretores que comandam escolas que atendem alunos com NSE muito baixo dizem não ter concluído os estudos no ensino superior. O índice é de 5,6% entre os gestores de escolas onde o nível socieconômico dos alunos é baixo — já naquelas onde os estudantes têm perfil mais abastado, o índice é de 0%.

Mesmo quando os diretores de escolas com perfil socieconômico muito baixo têm o ensino superior, falta experiência. Entre os que dirigiram instituições nesse perfil, 56,4% têm, no máximo, sete anos de formados. A inexperiência também é grande entre os gestores que trabalham em colégios onde os alunos têm nível socioeconômico baixo: 47,1% se formaram nos últimos sete anos. A taxa cai bastante quando analisadas escolas que atendem estudantes com características opostas. Naquelas onde o NSE é alto, 10,1% dos diretores se formaram há sete anos ou menos. Nas de nível muito alto, gestores com esse perfil são apenas 4%.

Para mensurar as diferenças socioeconômicas dos estudantes, o Ministério da Educação (MEC) leva em consideração a posse de bens domésticos, renda e contratação de serviços pela família dos alunos, além do nível de escolaridade de seus pais. Os alunos podem ser distribuídos em seis estratos: muito baixo, baixo, médio baixo, médio, médio alto, alto, muito alto.

O estudo também revela que boa parte dos diretores de escolas mais carentes recebem baixos salários, o índice de docentes com vínculo com essas instituições é menor, entre outros aspectos que demonstram que o padrão de qualidade necessário para minimizar as diferenças entre esses alunos e jovens com melhor condição social não existe.

— As condições das escolas que atendem alunos de baixo nível socieconômico são muito piores. As instituições não estão conseguindo contribuir para reduzir a desigualdade. A infraestrutura é pior, há mais carência em aspectos pedagógicos. É um cenário inadmissível. Os alunos que mais precisam são os de baixa renda, que necessitam que a escola compense as poucas oportunidades que eles têm fora dali, e vemos que está acontecendo o contrário — afirma Ernesto Faria, autor da análise e gerente da Fundação Lemann.

PROFESSORES SEM VÍNCULO

O vínculo de professores com as instituições de ensino que atendem alunos mais carentes também costuma ser mais raro. Segundo a pesquisa, entre as escolas com NSE muito baixo, 30% delas têm no máximo um quarto do corpo docente estável. Entre as instituições com NSE muito alto o índice é de 3,9%. A rotatividade de professores e o fato de muitos diretores estarem no início da carreira demonstram que, quando podem escolher, os educadores costumam ir para escolas com contexto mais favorável.

—Há mais professores temporários nas escolas que atendem alunos de baixa renda. Os professores mais bem formados, os diretores que podem escolher as escolas que vão coordenar não estão indo para aquelas que atendem alunos carentes. Os mais inexperientes, que muitas vezes não têm opção, é que vão. Muitas vezes as instituições com esse perfil ficam em regiões mais violentas, têm um ambiente pior, não são bem vistas pela comunidade, e aí quando o professor e o diretor tem a possibilidade de escolher, ele evita essa escola — explica Faria.

Para contornar a questão, Cesar Callegari, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) defende que os governos definam estratégias para conduzir os bons profissionais até essas escolas.

— O quadro é preocupante, porque reforça a desigualdade social a partir da desigualdade educacional. Todos sabemos que equipes escolares estáveis tendem a produzir um resultado educacional muito melhor, mesmo em condições socioeconômicas mais precárias— afirmou Callegari. — Pelo processo de gestão, é possível criar mecanismos para recrutar equipes mais preparadas para enfrentar problemas mais complexos. É possível dar aos professores e diretores incentivos de carreira e remuneração que atraiam os melhores para lidar com os desafios.

Nas escolas onde as deficiências educacionais dos alunos são mais evidentes paradoxalmente é onde os estudantes encontram menor apoio acadêmico. A análise mostra que entre as instituições com NSE muito baixo, 19% afirmaram não realizar atividades de reforço escolar, como monitorias, aulas extras ou recuperação. Nos colégio de nível socieconômico baixo, o percentual foi de 16%. A falta mecanismos de apoio ao estudo chegou a 10% e 11% nas escolas de NSE alto e muito alto, respectivamente. Todo o contexto, segundo especialistas, explica outro dado da análise: em mais de 80% das escolas mais carentes sobram vagas após a matrícula. Na visão dos educadores, o motivo é simples: as pessoas não querem estudar lá.

Uma brasileira na escola mais verde do mundo

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Neste ano, Janaina tem alunos de 11 diferentes nacionalidades em sua turma

Neste ano, Janaina tem alunos de 11 diferentes nacionalidades em sua turma

Thais Paiva, no Carta Educação

Praias paradisíacas e exuberantes florestas tropicais são alguns dos atributos que colocaram a pequena Bali, na Indonésia, em evidência no mapa. Recentemente, porém, outro mérito vem chamando a atenção do mundo para a ilha: lá está localizada a escola mais sustentável do mundo, a Green School.

Com estrutura inteiramente erguida em bambu (material renovável muito comum na região), paredes vazadas que integram o espaço à rica vegetação local e captação de 80% da energia elétrica consumida por meio de painéis solares, a escola internacional privada tornou-se referência quando o tema é uma educação holística.

Em meio à diversidade de nacionalidades de alunos e docentes, uma brasileira ensina crianças de 4 e 5 anos conhecimentos sobre música, ciência, artes e meditação. Primeira professora latino-americana contratada pela escola, Janaina Ricci conta que passou por um exaustivo processo seletivo para chegar ali.

Depois de ver um vídeo sobre a instituição e visitar seu site, Janaina descobriu que havia uma vaga aberta com data de expiração para dali a dois dias. “Em menos de 24 horas, atualizei meu currículo, escrevi uma carta de apresentação e torci para eles entenderem que eu não teria tempo para gravar um vídeo falando sobre mim”. Depois seguiram-se uma série de entrevistas por Skype até Janaina ter a confirmação de que era a escolhida dentre mais de 700 candidatos.

Além dos professores estrangeiros, que ministram as aulas em inglês, todas as classes possuem um professor local que é responsável pelo ensino do idioma e cultura indonésia. “Na minha sala, trabalho com duas balinesas incríveis. Acabo ensinando muito da cultura brasileira para as crianças, elas amam as histórias do nosso folclore e também as brincadeiras”, diz Janaina que, neste ano, tem alunos de 11 diferentes nacionalidades em sua turma entre indianos, russos, suíços, chineses, italianos, americanos e filipinos.

O currículo da Green School é sustentado por uma pedagogia segundo a qual deve-se trabalhar de forma integrada quatro dimensões do ser humano: emocional/afetiva, espiritual/intrapessoal, cognitiva/intelectual e sinestésica/movimento. “Em uma mesma aula, saímos pelo campus e plantamos na horta (sinestésica/movimento), observamos os vegetais que já cresceram, seu caule, raízes, folhas (cognitiva/intelectual), desenhamos estes mesmo vegetais e/ou cantamos músicas que falem sobre plantas (emocional/afetiva) e terminamos numa grande roda dividindo o que sentimos durante essa aula (intrapessoal/espiritual)”, explica Janaina.

O meio ambiente também atua como “professor” das crianças

O meio ambiente também atua como “professor” das crianças

 

Integrada ao ecossistema, na Green School a natureza também atua como um “professor”. “Podemos sentar próximos à horta e fazer desenhos de observação, coletar pedras para as aulas de ciências na margem do rio ou colher ervas para fazer uma sopa na aula de culinária”.

Às vezes, um cachorro invade a sala, uma borboleta pousa em uma criança ou formigas atacam a cesta com os lanches. Todos esses “imprevistos” são transformados em momentos de aprendizado. “No caso das formigas, acabamos pegando lupas para descobrir de onde elas vinham e criando um “restaurante” fora da sala para que elas parassem de roubar nosso lanche. Por incrível que pareça, funcionou!”.

O fato das crianças passarem uma grande parte do tempo fora da sala de aula, desempenhando atividades diversas que demandam energia, na opinião de Janaina, faz com que casos de hiperatividade e déficit de atenção sejam praticamente inexistentes na escola. “Isso me leva a questionar se o aumento de casos no Brasil e outras partes do mundo são resultado de uma prática educacional inapropriada”, diz a professora referindo-se ao modelo tradicional de ensino que obriga os alunos a passarem muito tempo confinados e sob a lógica das aulas expositivas.

A professora conta que os educadores são constantemente desafiados a repensar suas práticas em sala de aula de modo a deixá-la mais sustentável. “Temos diversas comissões na escola que cuidam dos mais variados assuntos, e todas estas comissões incluem pais, alunos e professores. Há comissões encarregadas da parte da comida, segurança, saúde, bem-estar”.

O uso do óleo de palma, por exemplo, que é um dos principais causadores das queimadas das florestas em Sumatra e Bornéu, foi banido da escola há 2 anos. A instituição busca ainda fornecer apenas alimentos produzidos localmente. Não há copos descartáveis em suas dependências, toda a comunidade usa garrafas trazidas de casa. No último ano, criou-se um sistema de transporte para alunos e professores utilizando um ônibus movido a biodiesel produzido com os resíduos de óleo de cozinha da escola, casas e restaurantes nos arredores. “Além do biodiesel, estamos agora produzindo sabão que aos poucos é utilizado nos banheiros e demais áreas”.

Um dos espaços da escola Green School, localizada em Bali

Um dos espaços da escola Green School, localizada em Bali

 

Ainda um centro de reciclagem que não só ajuda a comunidade a dar um destino correto ao lixo, mas também capta dinheiro por meio da venda de materiais. “Uma grande parte dos meus projetos de arte utiliza materiais que encontro nesse centro de reciclagem”.

Mas nem tudo é um mar de rosas. Sobre os desafios de lecionar na escola, Janaina destaca lidar com o calor intenso e as doenças que uma floresta subtropical trazem, o acesso ao local que fica longe de onde mora, aprender a trabalhar em um lugar onde os pais têm acesso integral e ainda lidar com a escassez de recursos materiais. “Esses dois últimos pontos foram questões positivamente desafiadoras. Conheci e fiquei amiga de muitos pais, aprendi muito com eles e descobri que posso fazer muito mais coisa do que imaginava usando minha criatividade”, conta.

Em uma perspectiva comparativa, a professora coloca que a Green School tem muito a ensinar às escolas brasileiras e vice-versa. “Somos naturalmente inclusivos com o estrangeiro, algo que não acontece na Europa ou Estados Unidos”. Por sua vez, a escola indonésia sai na frente quando o assunto é a valorização de todas as formas de inteligência. “Ela incentiva seus alunos a aprimorar aquilo que eles têm de melhor, seja esse talento intelectual, artístico ou afetivo”.

Janaina também relata como positivo o protagonismo dado aos professores dentro da escola. “Nós, professores, exercemos um papel muito importante na mudança da sociedade. Eu vim para Bali porque sempre acreditei nisso e queria poder inspirar e, consequentemente, emponderar outros professores”, conclui.

A segregação nas escolas da cidade de Nova York

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Até os que apoiaram o atual sistema educacional, agora, reconhecem que ele promove a segregação racial (Foto: Pixabay)

Até os que apoiaram o atual sistema educacional, agora, reconhecem que ele promove a segregação racial (Foto: Pixabay)

 

Política educacional só tem reforçado a desigualdade nas escolas, deixando muitos jovens negros e hispânicos para trás

Mariana Mauro,no Opinião e Notícia

A cidade de Nova York tem um dos sistemas escolares mais segregacionistas dos Estados Unidos. O assunto foi abordado no editorial do New York Times desta segunda-feira, 15.

Na semana passada, o prefeito Bill de Blasio se esquivou do assunto, dizendo que as escolas refletem os padrões históricos de habitações e que “nós não podemos mudar a realidade básica de habitação na cidade de Nova York”.

As moradias têm sua influência no assunto, mas a política educacional em vigor tem reforçado a desigualdade no ambiente escolar, deixando muitos jovens negros e hispânicos de baixa renda para trás.

O antecessor de Bill de Blasio, Michael Bloomberg, estabeleceu um sistema educacional no qual alunos do oitavo ano poderiam se candidatar a qualquer escola de ensino médio da cidade, as chamadas high schools. Antes é preciso entender as diferenças na divisão de ensino nas escolas do Brasil e dos Estados Unidos. No padrão brasileiro, a ordem é ensino pré-escolar, ensino fundamental 1 (1° ao 6° ano), ensino fundamental 2 (7° ao 9° ano) e ensino médio (1° ao 3° ano). Já nos Estados Unidos, a ordem é pré-escola, elementary school (1°-5°), middle school (6° ao 8°), high school (9° ao 12°).

O problema é que as high schools de maior prestígio exigiam alta performance dos alunos em exames estaduais, provas ou portfólios de trabalhos da middle school. Como muitos negros e hispânicos de baixa renda passaram anos em escolas falidas, eles não conseguem entrar nas high schools de alto nível, que os prepararia para entrar na faculdade. E é por isso que a promessa de Bloomberg de dar uma real oportunidade para qualquer estudante frequentar uma boa escola falhou.

Segundo o New York Times, este sistema educacional não foi feito para os alunos de baixa renda, mas para manter os brancos de classe média nas escolas públicas. Até os que apoiaram o início deste sistema há 20 anos, agora reconhecem que ele promove a segregação racial. O isolamento que já acontece nas elementary schhols e nas middle schools acaba se perpetuando nas high schools.

Eric Nadelstern, que era o sub-secretário de Educação da cidade durante o mandato de Bloomberg, propôs recentemente que a cidade se livre do atual sistema para um em que as escolas decidam os alunos que vão entrar por sorteio. Outros defendem uma versão menos radical, aceitando jovens com uma bagagem escolar diferente da atual.

Os críticos também argumentam que Bill de Blasio deveria tomar atitudes urgentes em relação ao assunto. No entanto, o prefeito não deve tomar nenhuma medida agora, visto que está concorrendo à reeleição neste ano. No momento, o candidato não vai querer confusão com os professores e os eleitores de classe média.

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