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Posts tagged escrever livros

Este avô decidiu escrever livros para sua neta para que ela nunca se esquecesse de sua infância

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Publicado no Hypeness

Certas memórias não residem somente no cérebro, mas também no coração. Como não somos capazes de recordar nossa infância e as diversas aventuras e situações divertidas que atravessamos no início de nossas vidas, temos de contar com a memórias daqueles que nos amam, e que nos ajudam a atravessar justamente esses momentos de aprendizado e descoberta.

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Pois o avô da americana Lauren Blank se precaveu e decidiu por anotar, ao longo do crescimento de sua neta, as situações e histórias vividas entre eles. Ela, porém, nunca soube que seu avô mantinha registradas em cadernos as memórias dessa relação.

Recentemente Lauren completou dezesseis anos e, para sua enorme surpresa, seu avô lhe presenteou com três cadernos recheados de anedotas, fatos curiosos, situações cômicas e outras narrativas que ela própria havia vivido, ao longo do período de 2 a 5 anos. “Estou sem palavras”, ela disse, no post em que revelou a história. “Hoje, no meu aniversário, meu avô me deu três cadernos cheios de histórias de cada vez que estivemos juntos”. O post já foi curtido mais de 600 mil vezes, derretendo corações pelo Twitter.

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Segundo a própria Lauren, ninguém sabia que ele vinha mantendo essas anotações – que permaneceram devidamente guardadas para serem o presente de dezesseis anos de sua neta. “Ele manteve em segredo até para minha mãe”, afirmou Lauren, que se disse espantada com quanta gente identificou-se com a história e, ao mesmo tempo, encantada com o gesto de seu avô – que, segundo ela, é “uma das pessoas mais influentes” em sua vida.

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A primeira página dos cadernos, de 16/02/03, diz: “A história do vovô. Contos de uma criança de dois anos. Olá Lauren; Estou começando isso para que um dia você possa ler e se divertir. Será um registro diário de nossa relação”.

Que o amor dos avós é especial, disso não há dúvidas – esse avô juntou a esse amor uma grande ideia e a devida paciência, criando assim o presente perfeito para sua neta.

5 novos livros para pensar sobre as condições do negro no Brasil

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Uma lista de títulos que acabaram de chegar às livrarias.

Amauri Terto, no HuffpostBrasil

Uma jovem cordelista recupera biografias de grandes mulheres negras desconhecida dos brasileiros. Uma renomada historiadora e antropóloga investiga a trajetória de um dos mais importantes (e desprezados) escritores negros do País.

Um africanista de 75 anos mergulha nos fatos e personagens que construíram o continente que está na base da formação do Brasil. Um famoso astro da TV revisa o curso de sua vida tomando como ponto de partida a identidade negra.

Para encerrar, um negro africano escravizado em Pernambuco narra os horrores que sofreu antes de fugir para os EUA.

Cinco livros que abordam de forma singular o significado de ser uma pessoa negra no Brasil – no passado e no presente – chegaram (ou chegam este mês) às livrarias.

Lima Barreto: Triste Visionário – Lilia Moritz Schwarcz
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A historiadora e antropóloga Lilia Moritz Schwarcz passou mais de dez anos debruçada sobre obra e a vida de Afonso Henriques de Lima Barreto, escritor negro e marginal responsável por, pelo menos, duas obras singulares na literatura brasileira: Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915) e Clara dos Anjos (1922). O resultado dessa empreitada chega às livrarias no mês de junho sob forma de uma ousada biografia.

Catatau de mais de 600 páginas, Lima Barreto: Triste Visionário explora a trajetória do escritor carioca a partir da questão racial. “Ele achava que os negros só poderiam ser socialmente integrados através da luta e do constante incômodo. Por isso, denunciava que a escravidão não acabou com a abolição, mas ficou enraizada nos menores costumes mais simples”, disse a autora à Revista Cult.

Com escritos que criticavam o racismo, a corrupção e o feminismo vigente que, segundo a o escritor, excluías as mulheres negras, Barreto teve ainda uma dolorosa experiência uma dolorosa experiência manicomial, que também foi registrada em livro, Cemitério dos Vivos, publicado postumamente. “É um autor de muito alento para essa nossa agenda contemporânea neste momento em que a República vive uma crise tão forte, e que os nossos valores democráticos e direitos de cidadãos estão sendo colocados tão em questão”, afirma Lilia.

15 Heroínas Negras em Cordéis – Jarid Arraes

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Filha e neta de cordelistas do Ceará, a escritora Jardi Arraes pesquisou durante 4 anos a trajetórias de mulheres negras que defenderam seus direitos e batalharam por seus espaços em solo brasileiro. Até então estavam às margens da História oficial, quinze desses enredos de vida foram adaptados para a literatura de cordel – tipo de poesia popular escrita em folhetos geralmente na forma rimada.

Na lista de grandes mulheres negras estão princesas e rainhas africanas como Aqualtune, Zacimba Gaba e Na Agontimé, sequestradas como escravas para o Brasil, mas que por por aqui lideraram revoltas e mantiveram quilombos fortes e hoje são inspirações para a população negra invariavelmente oprimida do País.

“São mulheres de épocas diferentes, de estados diferentes e que lutaram batalhas diferentes. Entre escritoras, ativistas, líderes quilombolas e de revoltas contra a escravidão, escolhemos 15 heroínas negras que marcaram nossa história e nos deixaram um legado importantíssimo”, explicou a autora de 26 anos ao HuffPost Brasil.

Além dos perfis em cordéis, a edição traz todas as histórias também em formato de prosa. O projeto gráfico e as ilustrações de Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis são assinados pela designer e ilustradora negra Gabriela Pires.

Na Minha Pele – Lázaro Ramos
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Aos 38 anos de idade, Lázaro Ramos é hoje um dos artistas mais populares na defesa de uma maior representatividade negra na mídia. Além de atuar na televisão, teatro e cinema e escrever livros infantis, o astro soteropolitano também comanda o programa Espelho, na TV Brasil, que traz entrevistas com personalidades da cena cultural brasileira – abordando em geral assuntos ligados à questão racial no Brasil.

Em junho, o ator lançará pela editora editora Objetiva (do Grupo Companhia das Letras) seu primeiro livro destinado ao público adulto, Na Minha Pele. A obra não é uma autobiografia.

Segundo o ator, trata-se de uma seleção de textos que propões diferentes conversas com o leitor. “Ele tem uma seleção de depoimentos, opiniões e dúvidas sobre diversos temas: afetividade, política afirmativa, coragem, estética, estratégia de sobrevivência e inspirações”, explicou o artista em entrevista ao jornal O Globo.

Ao que parece, o livro contém todos os ingredientes para reverberar e provocar boas discussões na internet, ambiente que o ator e sua esposa, a atriz Taís Araújo, são ativos. “As redes sociais têm exercido um papel fundamental na difusão dessas vozes, propagando novos valores, questionando regras tidas como estabelecidas, oferecendo novas percepções estéticas (…) Destampou-se um número grande de desejos e vozes que não se calam e se expressam. E nós, enquanto nação, precisamos ter capacidade para lidar com isso”, afirmou o ator.

Dicionário de História da África: Séculos VII a XVI – Nei Lopes e José Rivair Macedo

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Pesquisador, romancista, cantor e compositor, Nei Lopes acaba de lançar seu Dicionário de História da África – Séculos VII a XVI, pela editora Autêntica, em parceria com José Rivair Macedo. Aos 75 anos de idade, o intelectual procura com seu novo trabalho ressaltar que os africanos foram os protagonistas na construção de sua própria História.

O livro explica as diferentes etapas de formação do continente, mostrando desde a organização social até a criação de Estados e Impérios. O leitor tem acesso também às informações referentes aos embates entre cristianismo, o Islã e religiões tradicionais no continente e também sobre as disputas em torno das rotas de comércio.

Africanista autodidata, Lopes tem formação em Direito e Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em recente entrevista ao jornal O Globo, ele revelou que começou a fazer pesquisas e escrever livros sobre a África “porque havia e ainda há um desconhecimento muito grande em relação à história e à cultura africanas e afro-brasileiras”.

Também autor de outros dois livros que abordam a diversidade e a riqueza do continente africano – Bantos, Malês e Identidade Negra (1988) e Novo Dicionário Banto do Brasil (2003) -, o autor propõe uma visão de africanidade para além do ponto vista da escravidão.

“Esse dicionário mostra o fundamento do continente. A África não era uma selva só, essa visão que Hollywood ajudou a moldar. Construir essa visão da África foi um projeto estudado. Aí nossos filhos e netos ficam com a autoestima no pé”, explicou.
Biografia de Mahommad Gardo Baquaqua – Mahommad Gardo Baquaqua
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Mahommah Gardo Baquaqua nasceu em uma família muçulmana no final dos anos 1820, no reino de Bergoo (atual Benin), na África Ocidental. Na juventude, se tornou escravo onde vivia. Em 1845, foi traficado para o Brasil, desembarcando em Pernambuco, onde serviu de escravo a um padeiro.

Dois anos depois, ele escapou numa embarcação comercial. Liberto por abolicionistas de Nova York, seguiu para o Haiti e depois para o Canadá, onde escreveu sua autobiografia.

Lançada em 1854 nos EUA, a Biografia de Mahommad Gardo Baquaqua estava restrita ao círculo acadêmica até maio deste ano, quando ganhou finalmente uma versão em português pela Editora Uirapuru. Relato da escravidão do Brasil em primeira pessoa, a obra traz detalhes do cotidiano da época, dos ambientes sociais e familiares e dos duros castigos que os negros escravizados sofriam no País.

Em entrevista à revista Trip, o tradutor e organizador do livro, Lucciani Furtado, falou sofre o destaque que Baquaqua dá à descrição da violência que sofria em solo brasileiro: “Há uma ênfase na violência sofrida por ele e por outras mulheres e homens escravizados. Somente a escrita pode dar importância a esses detalhes e, mesmo assim, por muito tempo as pessoas se recusaram a acabar com a escravidão. A brutalidade de um trauma violento pode ser mais fácil de suportar do que a brutalidade da insignificância”, explicou.

Furtado passou quase seis anos trabalhando no livro, que traz também retratos e registros de documentos inéditos da época. Segundo o tradutor, Baquaqua era uma pessoa especial que todos gostariam de ser. “Se ele sofreu foi porque teve que enfrentar contingências sobre-humanas. E ele foi um verdadeiro herói”, disse.

Escritora com câncer terminal faz perfil de namoro para o marido: “espero que outra história de amor comece”

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 Escritora diz que criou perfil do marido com base em experiência de "9.490 dias" Foto: Twitter/@missamykr / BBCBrasil.com

Escritora diz que criou perfil do marido com base em experiência de “9.490 dias”
Foto: Twitter/@missamykr / BBCBrasil.com

 

Publicado no Terra via BBC Brasil

Uma escritora que está morrendo de câncer de ovário escreveu um perfil de namoro para seu marido, para que ele possa encontrar “outra história de amor”.

Amy Krouse Rosenthal lista as melhores qualidades do companheiro e diz esperar que “a pessoa certa leia isso [e] encontre Jason”.

“Eu nunca estive no Tinder, Bumble ou eHarmony”, ela escreveu no jornal New York Times .

“Mas vou criar um perfil geral para o Jason aqui, com base na minha experiência de coexistir na mesma casa com ele por, tipo, 9.490 dias.”

Amy é conhecida por escrever livros para crianças, bem como memórias sobre sua própria família e vida.

Ela e Jason estão juntos há quase três décadas e já têm filhos adultos.

Amy descreve o marido como alguém que adora viajar, veste-se bem e é ótimo cozinheiro. Também não poupa elogios a sua beleza física: “Eu já disse que ele é incrivelmente lindo? Eu sentirei falta de olhar para o rosto dele.”

“Se você está procurando um companheiro de viagem dos sonhos, do tipo vamos lá, Jason é seu homem. Ele também tem afinidade por pequenas coisas: colheres de degustação, pequenos frascos, uma mini-escultura de um casal sentado em um banco, que ele me apresentou como um lembrete de como nossa família começou”, ela escreve.

“Aqui está o tipo de homem que Jason é: ele apareceu no nosso primeiro ultrassom de gravidez com flores. Este é um homem que, porque ele está sempre acordado cedo, me surpreende todos os domingos de manhã, fazendo algum tipo de carinha sorridente esquisita com itens perto da cafeteira: uma colher, uma caneca, uma banana.”
Tatuagem

Em seu mais recente livro de memórias, escrito antes do diagnóstico da doença, Amy disse que queria um leitor sugerisse um desenho para que ela e ele (o leitor) pudessem fazer tatuagens combinadas.

“Em setembro, Paulette foi me encontrar em um estúdio de tatuagem de Chicago”, ela escreve em seu ensaio no Times .

“Ela fez a dela (a primeira) no pulso esquerdo. Eu fiz a minha na parte de baixo do meu antebraço esquerdo, na letra da minha filha.”

“Esta foi minha segunda tatuagem. A primeira é pequena, um ‘j’ minúsculo, que tenho no meu tornozelo por 25 anos. Você provavelmente pode adivinhar o que representa.”

“Jason tem uma também, mas com mais letras: ‘AKR.'”

 Amy fez tatuagem com leitora no ano passado; esta é a segunda dela, a primeira traz a inicial do marido: J Foto: Reprodução Twitter / BBCBrasil.com

Amy fez tatuagem com leitora no ano passado; esta é a segunda dela, a primeira traz a inicial do marido: J
Foto: Reprodução Twitter / BBCBrasil.com

Mais para o final de seu ensaio, chamado You May Want to Marry My Husband (Você talvez queira casar com meu marido, em tradução livre), Amy escreve:

“Estou finalizando isso no Dia dos Namorados, e o presente mais genuíno que eu posso esperar é que a pessoa certa leia isso, encontre Jason, e outra história de amor comece.”

“Vou deixar este espaço abaixo intencionalmente vazio como uma forma de dar a vocês dois o novo começo que vocês merecem.”

Em seguida, segue-se um espaço em branco.

Ela termina: “Com todo meu amor, Amy.”

Ex-gari escreve histórias para contar aos filhos e tem livro publicado no RS

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Wagner Fagundes ganhou apoio da comunidade para publicar contos.
Familiares do ex-gari, hoje eletricista, se emocionam ao falar do pai.

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Publicado no G1

Morador de uma pequena casa na Ilha dos Marinheiros, em Porto Alegre, o eletricista Wagner Fagundes virou exemplo de superação na comunidade. Mesmo sem ter o ensino fundamental completo, ele escreveu histórias em um caderno, para contá-las aos filhos pequenos, e teve um livro publicado, como mostra a reportagem do Jornal do Almoço (veja o vídeo).

O filho mais velho, Dhiordan, de 14 anos, se emociona ao falar do pai. O esforço para proporcionar uma boa infância às crianças, ainda que sem condições financeiras, valeu a pena.

“Meu pai é uma pessoa legal, orgulhosa, feliz com seus filhos. Ele é muitas coisas”, resume o jovem, sem esconder o choro.

Quando Dhiordan nasceu, Wagner trabalhava como gari. Alguns livros que encontrava no lixo, ele levava para casa. Porém, a maioria das histórias que contava ele escrevia à mão em um caderno. Wagner colocava no papel a vida que imaginava para sua família. Em noites de choro, segundo ele, as histórias acalmavam os pequenos. As crianças foram crescendo e ouvindo uma coleção de contos.

“O motivo [do orgulho] é pela educação que dei pra eles. Sempre li e escrevi. Sou um pai presente e brincalhão. Sempre brinco com eles”, conta Wagner. “Condições a gente pode não ter, mas meios para correr atrás existem. É só querer. Educação é coisa que não se compra, vem de princípios, de berço. Meu pai e minha mãe também me passaram”.

As histórias do Wagner correram a vizinhança e ganharam notoriedade. O livro com suas histórias acabou publicado.

“Pessoas que eu nem conhecia ajudaram a tornar realidade o sonho de uma pessoa da comunidade carente. Isso faz a gente acreditar num país tão sofrido como o nosso, que existe gente boa pensando na educação. Isso inspira para quem sabe surgir uma editora para lançar mais livros”, afirma ele.

Além dos filhos, Wagner ganhou novos leitores. Ele é convidado, como autor, para ir a escolas falar da sua primeira obra infantil. “Ele para mim é uma pessoa incrível”, elogia a mãe, Sandra Fagundes.

Augusto Cury, best seller do país, é tratado como líder religioso por fãs

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Rodrigo Casarin, no UOL

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Augusto Cury é psiquiatra, psicoterapeuta e autor de best-sellers como “Nunca desista de seus sonhos” e “Seja líder de si mesmo”

“Os íntimos são aqueles que mais podem nos decepcionar”.

“Huuuum… Meu Deus!”, arregala os olhos uma jovem de tênis rosa, blusa rosa e celular rosa em mãos. Parece ter acabado de ouvir a maior revelação da sua vida.

O autor da frase que tanto causa impacto é o Dr. Augusto Cury, médico, psiquiatra e o escritor mais vendido do país, que palestra para um público de centenas de pessoas – a maioria mulheres com mais de quarenta – numa noite de quarta-feira, véspera de feriado, em um restaurante de São Bernardo do Campo.

Do lado de fora, cartazes diversos anunciavam o evento – algo bastante incomum quando se trata de escritores. É raro alguém conseguir contratar uma palestra de Cury, que recebe mais de 100 convites por mês, mas atende no máximo cinco e desde que o interessado concorde em, se preciso, aguardar alguns anos. Os compromissos são muitos e a motivação para que os cumpra é justamente semear suas ideias. “Quero contribuir com a humanidade, com todos os povos e culturas, para que o ser humano se torne minimamente autor da sua história”, diz em uma rara entrevista, concedida com exclusividade ao UOL, por telefone, enquanto estava hospedado em um hotel em Teresina, capital do Piauí.

Mas as palestras são secundárias na carreira de Cury. Seu principal filão, claro, são os livros. Apesar de não confiar muito nos números passados pelas editoras, já vendeu entre 24 e 25 milhões de exemplares no Brasil, é publicado em mais de 70 países e está em todos os continentes. Espécie de fábrica de best sellers, aparece em praticamente todas as listas de mais vendidos do país.

Desde outubro de 2013 está semanalmente nas apurações do Publishnews, importante veículo do mercado editorial, onde, entre 3 e 11 de novembro, emplacava “Felicidade Roubada” na relação de ficção e “Ansiedade: Como Enfrentar o Mal do Século”, “As Regras de Ouro dos Casais Saudáveis” e “Pais Inteligentes Formam Sucessores, Não Herdeiros” dentre os de autoajuda. Em setembro, também no Publishnews, chegou a ter 10 livros dentre os mais vendidos. No ranking da revista “Veja”, “Ansiedade” lidera a lista de autoajuda, na qual está há 46 semanas consecutivas.

No momento, o autor está lançando “Petrus Logus: O Guardião do Tempo”, sua estreia na literatura juvenil. É o 38º livro em 15 anos – Cury começou a ser publicado em 1999.

Herói sem poderes

“Petrus vem de pedra, Logus vem de conhecimento. O conhecimento é o alicerce para as grandes transformações da humanidade”, explica Cury. A narrativa se passa no futuro, cem anos após a Terceira Guerra Mundial, motivada pela escassez de comida e água, em um planeta com cenário caótico: os recursos naturais foram dizimados, bem como 90% da população. Para remediar o estrago, proíbem tudo o que, segundo o autor, induz ao consumo irresponsável – não há mais computadores, celulares ou carros… não há mais indústria.

As coisas melhoram, mas, no reino de Cosmo, dominado pelo Rei Apolo, o ditador que tudo controla, a degradação humana se mantém. Quem vai contra os preconceitos, jogos de poderes e a escravidão é Petrus, justamente o filho do mandatário. “Ele é considerado louco por contribuir com a humanidade. Acreditava que ninguém pode ser verdadeiramente feliz sem a felicidade dos outros. Só tenho saúde emocional, tranquilidade e qualidade de vida quando invisto no bem-estar das pessoas ao meu redor, isso é o que há de mais importante na psicologia”, relata Cury.

As pretensões do autor ao escrever a obra foram grandes, “contagiar a juventude mundial para que deixe de ser escrava do consumo e seja livre no território da emoção, para que desenvolva a capacidade de se colocar no lugar do outro, usar as habilidades intelectuais para salvar o planeta”, enumera.

“O Harry Potter é sim importante, mas precisamos dar ferramentas para que os jovens se tornem autores da própria história”, enfatiza, lembrando que o bruxinho usava a magia para resolver seus problemas, enquanto seu herói juvenil pode recorrer apenas à sabedoria e à inteligência.

Enquanto fala sobre a obra na palestra, e quando diz que as pessoas precisam parar de “sofrer por antecipação”, de fazer “velórios antes da hora”, os presentes o olham compenetradamente. Poucas palavras são necessárias para que se portem como fiéis, que concordam com cada frase sua.

Hollywood

Os direitos de “Petrus Logus” já estão sendo negociados com estúdios de Hollywood para que a história seja transformada em filme. Outros sucessos do autor, como “Vendedor de Sonhos”, “Futuro da Humanidade” e “Felicidade Roubada” seguem o mesmo caminho. Algo surpreendente para quem garante não escrever para entreter e vê o sucesso como um acidente de percurso em sua história.

Cury era um psiquiatra que vivia com seu consultório lotado, atendendo até clientes de fora do país. Era requisitado principalmente por conta das teorias e técnicas que diz ter desenvolvido, sobre inteligência multifocal, o funcionamento da mente, o processo de construção do pensamento e formação de pensadores.

Foi para levar esse conhecimento a um número maior de pessoas que decidiu escrever livros. Entre o meio e o final da década de 1990, levou três anos procurando por alguma editora que aceitasse publicá-lo. Encontrou a Cultrix, que topou colocar “Inteligência Multifocal” no mercado. O livro trazia o conteúdo das áreas da psicologia exploradas pelo autor, contudo, poucas pessoas o compreenderam. “Aí que percebi que deveria democratizar o acesso, simplificando a linguagem para que as pessoas entendam o complexo mundo da mente humana”, lembra.

O Harry Potter é sim importante, mas precisamos dar ferramentas para que os jovens se tornem autores da própria história. Augusto Cury, que acaba de lançar livro sobre sociedade pós Terceira Guerra Mudial

O Harry Potter é sim importante, mas precisamos dar ferramentas para que os jovens se tornem autores da própria história. Augusto Cury, que acaba de lançar livro sobre sociedade pós Terceira Guerra Mudial

Ao simplificar o discurso, passou a ser encarado por muitos como um autor de autoajuda, termo que refuta fortemente, argumentando que suas obras são usadas até em cursos de mestrado e doutorado de diversos países do mundo. Mas, ao simplificar o discurso, também encontrou o caminho para formar o seu enorme público – hoje, só no Facebook, é seguido por mais de 670 mil pessoas e afirma ter 40 milhões de leitores no país.

Casado e pai de três filhas, o autor vive no interior de São Paulo e é um leitor voraz de jornais – aprecia principalmente artigos de economia, política e sociologia. Também gosta de livros históricos e lembra que escreveu “O Colecionador de Lágrimas”, sobre a maneira que Adolf Hitler “devorou o inconsciente coletivo da Alemanha” na Segunda Guerra Mundial.

Garante que a fama pouco importa. “O culto à celebridade é o sintoma de uma sociedade doente. Todos vão para o túmulo. Para quem estuda o processo de formação do pensamento e pensadores, não dá tempo para ter orgulho ou achar que somos gigantes, deuses. Sou deslumbrado com a vida, com os mistérios da existência. O sucesso é efêmero”. Foi por isso que refutou, em 2009, um desafio proposto por Paulo Coelho, que duvidou dos números de vendas de Cury. Na ocasião, o mago sugeriu que ambos apresentassem notas fiscais que comprovassem a quantidade de livros comercializados.

Abracem-se

Ao chegar para a palestra, cada pessoa recebeu um copinho de água mineral e um formulário do Instituto Augusto Cury com perguntas como “Sente-se entediado frequentemente?” e “Tem pouca paciência com pessoas que considera lentas?” que indicariam sua qualidade de vida. Abaixo, um campo para ser preenchido, destacado e depositado em uma urna. Garantem que alguém do Instituto entrará em contato com todos os interessados em melhorar como humano. Cury ainda promete que o Instituto lançará em breve uma grande novidade, que será um presente para todos os ouvintes.

“Quando seus sonhos são verdadeiros projetos, o mundo pode desabar sobre você. Mas se forem desejos, os desejos não resistem à segunda-feira”, continua após mais de uma hora. Pede para que todos relaxem os braços, as pernas, abracem a si mesmo e repitam: “De hoje em diante eu procurarei ter um romance com minha saúde emocional”. E todos realmente se auto abraçam e repetem.

Quando indica que a palestra está chegando ao fim, dezenas de pessoas se levantam e correm para o lado do palco. Formam uma enorme fila para que consigam um autógrafo do escritor, que promete só deixar o lugar após atender todos os fãs. Em suas últimas palavras, mais um coro: “ser simpático, carismático e empático” – a essa altura já há quem o recite de olhos fechados, como em uma oração. Ao cabo, pede para que cada um abrace quem está ao seu lado. E se abraçam.

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