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‘O diário de Myriam’: conheça livro da menina síria que registrou a guerra civil

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A menina Myriam registrou as experiências da guerra civil nos escombros de Aleppo. (Foto: Divulgação/F. Thomas)

Livro chega ao Brasil e traz relato do conflito no olhar da menina Myriam Rawick. Francês correspondente de guerra que a ajudou a publicar fala de ‘olhar inocente’ e diz que ela quer estudar no exterior.

Carlos Brito, no G1

Era 2013. Por razões até hoje não totalmente compreendidas, o prédio da congregação cristã em Aleppo, nos arredores da cidade, se mantinha de pé em meio à paisagem desolada. Naquele momento, a maior cidade da Síria era pouco mais que um amontoado de escombros, resultado mais visível da guerra civil que, àquela altura, se estendia por pouco mais de dois anos.

Naquele cenário de violência quase infinita e pouquíssimas esperanças, o jornalista e correspondente francês de guerra Philippe Lobjois encontrou uma pequena sobrevivente, Myriam Rawick, então com oito anos.

Incentivada pela mãe, a menina cristã de origem armênia havia começado a escrever um diário sobre as situações que presenciara durante o conflito. Lobjois percebeu que estava diante de uma história que precisava ser contada.

As observações da menina – cuja escrita, a partir daquele momento, seria auxiliada por Lobjois – se transformariam no livro “O diário de Myriam”, recém-lançado no Brasil pela DarkSide. O jornalista esteve no Brasil, onde participou da Feira Literária de Araxá. Ele também passou pelo Rio de Janeiro para divulgar a obra.

Depois de meses de escrita e revisão feitas em Aleppo, Lobjois levou o diário de Myriam à França e o mostrou a uma série de editoras – uma delas, enfim, decidiu transformar o relato em livro.

O jornalista e correspondente francês de guerra, Philippe Lobjois, ajudou na escrita da obra. (Foto: Divulgação/Olivier Roller)

A obra representa uma oportunidade incomum para que o leitor enxergue uma situação de confronto humano a partir da perspectiva de uma pessoa cuja personalidade ainda está em formação – na maioria das vezes, as maiores prejudicadas em situação de conflito.

“São raros os livros que mostram os efeitos da guerra pelos olhos das crianças. Há exceções, é claro, e talvez a mais conhecida seja ‘O diário de Anne Frank’.”

A partir de 2011, a Síria foi varrida por uma guerra civil – de um lado, havia combatentes de oposição que pretendiam derrubar o ditador Bashar al-Assad, do outro, tropas fiéis ao regime.

Foram quatro anos de um conflito que reduziu Aleppo, até então a cidade mais importante da Síria do ponto de vista comercial e capital econômica da nação, a centenas de prédios destruídos – não havia energia elétrica, não havia água, não havia nada.

Observadores internacionais classificavam a situação como “catastrófica” do ponto de vista humanitário.

O embate entre opositores e defensores do regime se estendeu por quatro anos, ao custo de 100 mil vidas. Apenas em 2016, com auxílio da máquina de guerra russa, as forças do governo conseguiram retomar Aleppo de forma definitiva.

Apesar do cenário de destruição, Myriam optou por permanecer na cidade ao lado de sua família.

Neil Gaiman anuncia nova linha de quadrinhos de Sandman

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Dyeison Martins, no Poltrona Nerd

Neil Gaiman, autor da celebrada série em quadrinhos Sandman, que foi lançada pela DC Comics (e depois foi para o selo Vertigo) no início dos anos 1990, anunciou a Entertainment Weekly uma nova linha de quadrinhos em seu universo.

Serão lançadas quatro novas séries de quadrinhos ambientadas no mundo de Sandman. Gaiman não irá escrever nenhuma delas, mas estará presente no projeto, que irá expandir o universo do Sonhar.

Sandman narrava as aventuras de Sonho, a personificação antropomórfica dos sonhos, que se encontrava e lidava com deuses, monstros e humanos, enquanto analisava a própria essência das histórias. A série durou oito anos, e foi uma das mais importantes de seu tempo, ganhando diversos prêmios, como o World Fantasy Award.

O novo projeto começará em agosto, com uma edição única que permitirá aos leitores saberem o que acontece com o universo do Sonhar. Sonho está desaparecido, o que trouxe caos ao seu reino. Uma fissura entre os mundos mostra que existe algo além do Sonhar. Lucien ainda é o bibliotecário da biblioteca dos livros sonhados, mas jamais escritos, mas um desses livros foi parar no reino desperto, com um grupo de crianças.

Existe um novo residente no Sonhar, porque agora existe uma Casa dos Sussurros (House of Whispers, em tradução livre), que surgiu junto a Casa dos Mistérios, de Abel, e da Casa dos Segredos, de Cain. Lúcifer caiu de novo, mas dessa vez em um Inferno mais seu. E o menino Timothy Hunter tem sonhos de ser o maior mago da Terra, ou ser seu pior vilão.

The Sandman Universe #1 foi pensada por Gaiman, mas escrita por Nalo Hopkinson, Kat Howard, Si Spurrier e Dan Watters, com arte de Bilquis Everly e capa de Jae Lee. Cada um dos escritores vai escrever uma das novas séries, que ainda não tiveram seus artistas anunciados:

Hopkinson vai escrever House of Whispers, e explicar como a entidade vodu Erzulie chegou no Sonhar com uma casa própria. Isso pode ter relação com uma mulher em coma chamada Latoya, cuja namorada e irmãs usaram o Livro dos Sussuros para curá-la. Agora já acordada, ela acredita que está morta, e passando essa crença para as pessoas ao seu redor e aumentando a fissura que existe no Sonhar.

Howard vai escrever Books of Magic, sequencia de uma minissérie escrita por Gaiman em 1990, e explorar a educação mágica de Timothy Hunter, que está separado entre dois destinos.

Spurrier vai escrever The Dreaming, que vai seguir o elenco de apoio de Sandman, como Lucien, o corvo Matthew e como eles viajam através do Sonhar, procurando Sonho.

Watters vai escrever Lucifer, que encontra o personagem título cego e destituído, vivendo em uma pensão de uma quieta cidade, onde ninguém pode sair.

The Sandman Universe #1 vai sair em agosto.

A pilha de livros só aumenta? Confira sete obras que podem ser lidas em um dia

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Cesar Gaglioni, no Jovem Nerd

Ah, aquela semana entre o Natal e o Ano Novo em que parece que nada acontece! Muitas empresas estão em recesso, escolas e universidades estão em férias e a gente fica buscando coisas para fazer, sem sucesso, claro.

Mas seus problemas acabaram! Listamos aqui 7 livros que podem ser lidos em um dia, para você matar seu tédio de fim de ano e ainda complementar sua lista de leitura de 2017!

O Estranho caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde, de Robert Louis Stevenson

Popularmente conhecido como O Médico e o Monstro, o livro de Robert Louis Stevenson conta a história do Dr. Henry Jekyll, um médico que inventa uma substância que supostamente consegue eliminar a maldade de quem a toma. Desacreditado pelos colegas de profissão, Jekyll decide testar a fórmula em si mesmo. Mas algo dá errado e liberta o Edward Hyde, um assassino frio que representa tudo de ruim que existe em Jekyll.

A ficção científica escrita em 1886 tem como temas centrais a luta entre o bem e o mal em cada um de nós, além de criticar a hipocrisia da sociedade britânica da época. Com 160 páginas e uma escrita fluída, é possível matar esse livro em uma tarde!

Um Estudo em Vermelho, de Arthur Conan Doyle

O primeiro romance de Sherlock Holmes traz 169 páginas e uma aventura fascinante do começo ao fim. Na aventura, o detetive e o dr. John Watson precisam investigar algumas mortes misteriosas que estão acontecendo em Londres.

Aqui, Arthur Conan Doyle alterna entre o ponto de vista da dupla e a perspectiva do assassino, criticando principalmente o fanatismo dos mórmons, movimento religioso que estava em alta na época.

Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

A ficção científica escrita em 1953 traz uma sociedade distópica em que os livros são proibidos. A trama acompanha Montag, um bombeiro incumbido de destruir as obras que acaba ficando desiludido com seu trabalho e se junta a um grupo de resistência que visa preservar a produção intelectual da humanidade.

Bradbury escreveu o livro pouco tempo após o final da Segunda Guerra Mundial e critica principalmente o anti-intelectualismo de sociedades conservadoras e totalitárias, alertando sobre os perigos de uma população ignorante. Fahrenheit 451 tem 158 páginas e uma história que prende o leitor a cada parágrafo.

O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, de C.S. Lewis

O primeiro volume das Crônicas de Nárnia (segundo, na cronologia da narrativa) conta com 133 páginas e uma história cativante. Acompanhamos os irmãos Pevensie, três crianças que precisaram escapar dos horrores da Segunda Guerra Mundial e se refugiaram na casa de um excêntrico professor no interior da Inglaterra. Lá, eles descobrem um guarda-roupa que abre as portas para o mundo mágico de Nárnia, e lá eles se veem no meio de uma batalha entre o bem e o mal.

Na obra, Lewis fala principalmente sobre princípios cristãos e usa a fantasia como uma forma de alegoria a eles. O livro foi adaptado para os cinemas em 2005.

Matadouro 5, de Kurt Vonnegut

Encaixar Matadouro 5 em um único gênero é uma tarefa difícil. O clássico de Vonnegut é um livro de guerra. Mas também é uma comédia de humor negro. E uma ficção científica. Uma maluquice! Mas uma maluquice excelente! Aqui acompanhamos Billy Pilgrim, um soldado do exército americano que lutou na Segunda Guerra Mundial e que acaba sendo capturado por uma espécie alienígena que possui um zoológico com espécies de todo o Universo.

O livro tem 224 páginas e uma linguagem bem fluida, com parágrafos ligeiros que representam o pensamento de Billy. Na trama, Vonnegut faz um grito anti-guerra e critica vários aspectos da mentalidade dos EUA na época, além de colocar elementos autobiográficos na narrativa.

Sempre Vivemos no Castelo, de Shirley Jackson

Considerada uma das maiores escritoras de terror, Shirley Jackson revolucionou o gênero com seus livros. Em Sempre Vivemos no Castelo, acompanhamos a jornada de Merricat Blackwood, uma moça que vive em uma grande mansão numa pequena cidade da Nova Inglaterra e é marginalizada por conta de um bizarro assassinato que aconteceu em sua família.

No livro, que tem 214 páginas, Jackson fala sobre o preconceito e como as pessoas podem nutrir um ódio muito forte e irracional dentro de si só pela presença de alguém diferente. O tema também esteve presente em outras obras da autora, como A Assombração da Casa da Colina e The Sundial.

Casino Royale, de Ian Fleming

O livro que deu origem a James Bond! Em 213 páginas, Fleming nos apresenta ao espião e uma trama complexa envolvendo Le Chiffre, um mafioso que trabalha para uma agência de inteligência soviética, e um jogo de pôquer que pode ser mortal.

Todos os elementos de uma história clássica de James Bond estão aqui: cenários exóticos, missões de vida ou morte, uma Bondgirl e o espião chutando a bunda de todos que aparecem em seu caminho. Apesar disso, alguns fãs do filme podem se espantar com as diferenças entre o personagem que vemos na telona e aquele que nos é apresentado nos romances.

Harry Potter | Leia sinopse escrita por J.K. Rowling que convenceu editores a publicar o primeiro livro

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Caio Coletti, no Observatório do Cinema

A exposição Harry Potter: A History of Magic já está aberta no museu da British Library, em Londres (Inglaterra), e um dos itens que mais tem causado furor entre os fãs é a sinopse original usada por J.K. Rowling para convencer editores a publicar o primeiro livro da saga.

sinopse

A sinopse foi enviada pela autora a várias editoras até receber resposta da Bloomsbury, que publicou Harry Potter e a Pedra Filosofal na Inglaterra – veja uma tradução da sinopse, da qual apenas a primeira página está exposta, abaixo:

“Harry Potter vive com sua tia, tio e primo porque seus pais morreram em um acidente de carro – ou pelo menos é isso que foi dito para ele. Os Dursley não gostam que Harry faça perguntas; de fato, eles não parecem gostar de nada sobre Harry, especialmente as coisas estranhas que acontecem ao redor dele (para as quais ele mesmo não tem explicação).

O maior medo dos Dursley é que Harry descubra a verdade sobre si mesmo, então quando cartas começam a chegar para ele em 11º aniversário, ele não tem permissão para lê-las. No entanto, os Dursley não estão lidando com um carteiro comum, e à meia noite do aniversário de Harry o gigantesco Rúbeo Hagrid arromba a porta para ter certeza que Harry finalmente consiga ler sua carta. Ignorando os horrorizados Dursley, Hagrid informa a Harry que ele é um feiticeiro, e a carta que ele dá a Harry explica que el é esperado na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts dali a um mês.

Para a fúria dos Dursley, Hagrid também revela a verdade sobre o passado de Harry. Harry não recebeu a cicatriz em sua testa por causa de um acidente de carro; é na verdade a marca do grande mago das trevas Voldemort, que matou os pais de Harry mas, misteriosamente, não conseguiu matá-lo, mesmo que ele fosse um bebê na época. Harry é famoso entre bruxas e magos, que vivem em segredo por todo o país, por causa de sua sobrevivência milagrosa, que marcou a queda de Voldemort.

Então Harry, que nunca teve amigos ou família que valessem qualquer coisa, sai de casa para uma nova vida no mundo da magia. Ele faz uma viagem para Londres com Hagrid para comprar seu equipamento de Hogwarts (vestes, caldeirões, kits de poções para iniciantes) e pouco depois vai para Hogwarts através da estação King’s Cross (plataforma nove e três quartos) para seguir os passos de seus pais.

Harry faz amizade com Ronald Weasley (o sexto de sua família a ir para Hogwarts, e cansado de ter livros de feitiço usados) e Hermione Granger (a garota mais esperta da escola e a única a saber todos os usos do sangue de dragão). Juntos, eles tem suas primeiras aulas de magia – astronomia na torre mais alta de Hogwarts às duas da manhã, herbologia nas estufas, onde…”, diz a sinopse incompleta.

Qual o segredo de escrever bem?

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Escrever é ler | Divulgação

Escrever é ler | Divulgação

 

Afonso Borges, em O Globo

A primeira regra não é escrever muito, como todos pensam. Esta é a terceira ou quarta regra. O que define um bom texto é a leitura. Leia, leia, leia, leia muito e, depois comece a escrever. Você já ouviu falar de um concertista que não estuda? De um jogador de xadrez que não conhece as regras? Ou um arquiteto que não sabe desenhar? É por aí. O analfabetismo funcional começa aí: as pessoas estão escrevendo sem terem lido (muitos) livros.

Os livros, em especial, os de ficção, ensinam o enredo da língua, as tramas da linguagem, os segredos do novelo que alinhava a mente e o coração das pessoas. Os livros são a semente da inteligência, são a forma com a qual a linguagem oral se articula. Os grande oradores, com raras exceções, são bons redatores. Depois de muita leitura, continue lendo. Aí sim, você pode começar a escrever, com a música da literatura na cabeça, na alma. Então tudo começa a acontecer, tudo se conjuga.

Vou contar um segredo: sabe o que os escritores antigos faziam para aprimorar a sua técnica?? Copiavam livros de grandes clássicos. Copiavam, mesmo, à mão ou à máquina, livros de Flaubert, Dostoiévski, Sthendal, Thomas Mann, Ernest Heminguay. Há anos que não ouço falar disso, mas era uma coisa natural entre os grandes escritores. Perguntem a Jaime Prado Gouvêia, autor do fantástico livro de contos “Fichas na Vitrola”? Ele cansou de fazer isso.

Depois, sim, vem o tempo, vem a labuta dos dias, vem a prática que o texto nos impõem, vem os novos desafios que a linguagem nos concede. E, por fim, o mais difícil: criar o próprio estilo. Isso, sim, é a grande batalha da vida de um escritor, ou jornalista. Um estilo que a pessoa quando lê, na hora, diz: isso é Humberto Werneck. Isso é Luis Vilela. Isso é Adélia Prado. Isso é Luis Giffoni, Carlos Herculano Lopes, Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro. Este é o maior desafio da vida de um escritor: criar o próprio estilo. E depois, pergunte para o próprio os quilômetros de palavras que ele já leu, para chegar até ali. Só os livros e a leitura nos nos ensinam a escrever bem. Este é o segredo.

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