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Novo livro do autor de The Leftovers vai virar série na HBO

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Marcel Plasse, no Pipoca Moderna

O canal pago HBO vai voltar a trabalhar com o autor de “The Leftovers”, Tom Perrotta, em uma nova série. Mas desta vez será uma produção de comédia.

Intitulada “Mrs. Fletcher”, a série, que teve encomenda formal de 1ª temporada, será baseada no livro homônimo de Perrota, publicado no ano passado.

O papel-título será desempenhado por Kathryn Hahn (“Perfeita é a Mãe!”) e o primeiro episódio terá direção da cineasta indie Nicole Holofcener (“À Procura do Amor”).

A comédia gira em torno de uma mãe e seu filho que, após ele ir para a faculdade, precisam lidar com a liberdade recém-descoberta. A premissa é descrita como uma história dupla de amadurecimento, ao mesmo tempo em que explora o impacto da internet e das mídias sociais em nossos relacionamentos mais íntimos.

Hahn interpreta Eve Fletcher, uma mulher divorciada que deixa seu único filho na faculdade e volta para sua casa muito vazia. Esperando reiniciar sua vida amorosa, ela adota uma personalidade sexy e descobre que seu mundo é repleto de possibilidades eróticas inesperadas – e algumas vezes complicadas.

Perrotta vai escrever os roteiros e produzir a comédia, ao lado de Nicole Holofcener e as produtoras Jessi Klein (série “Transparent”) e Sarah Condon (série “Looking”).

A encomenda de “Mrs. Fletcher” acontece menos de um ano após a HBO encerrar “The Leftovers”, também baseada num livro de Perrotta, após três temporadas. O escritor também foi creditado como um co-criador e produtor daquela série, ao lado de Damon Lindelof.

Além dessas séries, os livros de Perrota também já renderam filmes cultuados, como a comédia teen “Eleição” (1999) e o drama “Pecados Íntimos” (2006).

Julio Cortázar será publicado pela Companhia das Letras

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O escritor argentino Julio Cortázar na sua casa em Paris – Ulf Andersen / Getty Images

 

Primeiro título será caixa com todos os contos do argentino, inédita no Brasil

Emiliano Urbim, em O Globo

RIO — O Grupo Companhia das Letras anunciou nesta segunda-feira que vai republicar toda a obra de Julio Cortázar (1914-1984), considerado um dos maiores escritores argentinos do século XX. Após meses de negociação, a editora paulista adquiriu os direitos de publicação, que eram da Civilização Brasileira, selo do Grupo Editorial Record.

O primeiro título, inédito no Brasil, chega em 2019: uma caixa em dois volumes com todos os contos do autor. Em seguida será a vez do romance experimental “O jogo da amarelinha” (1963), considerado sua obra-prima. Também está prevista a publicação de “Os autonautas da cosmopista” (1983), de Cortázar com Carol Dunlop (sua última mulher), fora de catálogo em português desde 1991.

As capas das novas edições brasileiras foram encomendadas para o americano Richar McGuire, capista da revista “The New Yorker” e autor da graphic novel “Aqui”.

“Cortázar começa a ser lido de um jeito novo, menos automático e reverente”, diz o editor Emilio Fraia em um comunicado da Companhia das Letras. “Às vezes é preciso que surja uma nova geração de leitores para enxergar um escritor com certa distância. É o que vamos ter a oportunidade de fazer agora com Cortázar.”

Memórias de John le Carré revelam vida de espião, método literário e relação com o cinema

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John le Carré diz, nas suas memórias, que, “quanto mais se procura por verdades absolutas, menos probabilidade haverá de encontrá-las. Se a verdadeira realidade reside em algum lugar, não é nos fatos, mas nas nuances”

O escritor de livros de espionagem diz, seguindo Graham Greene, que, ao escrever sobre a dor humana, é preciso partilhá-la

Euler de França Belém, no Jornal Opção

O britânico John le Carré é, como o belga Geor­ge Simenon, daqueles escritores que deixam seus leitores mesmerizados e à espera de novos livros. Nada tem a ver com autores celebrados pela linguagem inventiva, como James Joyce e Guimarães Rosa, mas escreve muito bem e, a respeito do tema espionagem, está muito à frente de outros autores. Talvez porque tenha sido espião do MI5 e MI6. Suas histórias e personagens são críveis. Porque baseados em homens de carne e ossos? Não necessariamente. Trata-se de fato que o autor escreve sobre o que conhece, mas é sua imaginação poderosa, sua capacidade de fabular, de criar, a partir de seres reais, compósitos ficcionais que convencem os leitores. É provável que tenha dois tipos básicos de leitores. No primeiro grupo estão aqueles que leem seus livros considerando que são puramente ficcionais e, diria Graham Greene, entretenimento de primeira linha. No se­gundo grupo estão inclusos os que acreditam que são um retrato, por vezes preciso, da espionagem nos tempos da Guerra Fria e, com o “fim” desta, dos tempos posteriores. Talvez exista um terceiro grupo, o dos que misturam o que pensam os anteriores.

Se a obra de John le Carré é uma delícia, tanto que ganhou ada­ptações de qualidade para o cinema — “O Espião Que Saiu do Frio”, com Richard Burton, e “O Espião Que Sabia Demais”, com Gary Oldman —, sua vida, como espião e escritor, merece ser registrada. Porque deve ser tão interessante quanto seus livros, como “O Jardineiro Fiel”. Estudou em Oxford, deu aulas no Eton College, espionou para os britânicos e, claro, escreveu livros sensacionais. Aliás, escreve, pois, aos 86 anos, está vivíssimo e produtivo. Talvez para fornecer material para seus futuros biógrafos, com o objetivo de evitar distorções e acrescentar sua própria versão dos fatos, decidiu escrever “O Túnel dos Pombos — Histórias da Minha Vida” (Record, 320 páginas, tradução de Alesssan­dra Bonr­ruquer), publicado no Bra­sil este ano e, na Inglaterra, em 2016.

“O Túnel de Pombos” não é a história da vida de John le Carré, e sim histórias de sua vida, muito bem contadas, por vezes de maneira maliciosa e, sobretudo, com a típica ironia distanciada dos ingleses. O leitor não espere, portanto, histórias precisas e grandes esclarecimentos — que ficarão na conta do futuro biógrafo. “Você tem o direito de per­­guntar o que é verdade e o que é a memória de um escritor criativo naquilo que podemos delicadamente chamar de o entardecer da sua vida. Para um escritor, os fatos são o material bruto, não seu capataz, e sim seu instrumento, e seu trabalho é fazê-lo cantar. Se a verdadeira realidade reside em algum lugar, não é nos fatos, mas nas nuances. (…) Esteja certo de que em nenhum momento falseei conscientemente um evento ou uma história. Disfarcei quando necessário? Sim. Falseei? De­fi­nitivamente, não.”

Percebe-se que, às vezes, o autor relata uma história, não para esclarecê-la em definitivo — se é que se pode esclarecer alguma coisa em definitivo, o que seria eliminar as nuances dos fatos, da vida —, mas lançar alguma luz e, quiçá, divertir o leitor. Fica-se com a impressão de que faltam notas de rodapé — do autor e da editora (o leitor eventualmente precisa pesquisar em livros ou na internet). O que falta mesmo é uma biografia que escarafunche sua vida, sem dó nem piedade, uma vez que o ex-espião — os russos costumam sugerir que uma vez espião sempre espião (o escritor endossa: “Aqueles que já estiveram no interior de uma tenda do Serviço Secreto jamais a deixam realmente”) — admite que, por lealdade e votos de silêncio, não pode se abrir inteiramente

Realistas morais

Na introdução, John Le Carré — cujo nome é David John Moore Cornwell — relata que Vivian Green, seu mestre em Oxford, “inspirou, com seu exemplo, o íntimo de George Smiley”, um dos principais personagens da vasta obra do escritor.

John le Carré, maior escritor britânico de livros de espionagem: “Regra número um da Guerra Fria: nada, absolutamente nada, é o que parece”

Estudante em Berna, John le Carré aprendeu a língua de Heine e se tornou um leitor devo­tado da literatura alemã — de escritores como Thomas Mann e Hermann Hesse. “Quan­do comecei a estudar os dramas de Goethe, Lenz, Schiller, Kleist e Büchner, descobri que me identificava igualmente com sua austeridade clássica e com seus excessos neuróticos. O truque consistia em disfarçar estes naquela.” Pela fluência na língua de Rilke, espionou na Áustria e, notadamente, na Alemanha. Não era, porém, um grande espião — é o que diz.

Graham Greene, outro grande escritor que trabalhou como espião para o MI6 — era amigo de Kim Philby, que espionou para os soviéticos —, aparece de maneira simpática nas memórias parciais e lacunares de John le Carré. Certa vez, conversando com um advogado do MI5, o escritor disse que admirava o autor de “Nosso Homem em Havana”, livro que, por sinal, estava sendo examinado pelo serviço secreto britânico. O advogado sugeriu que o autor desta obra deveria ser processado porque, “usando informação obtida como oficial do MI6 em tempos de guerra, havia retratado corretamente o relacionamento entre o chefe de estação de uma embaixada britânica e um agente de campo. Greene teria de ir para a prisão”. Mas o “censor” não era uma toupeira e admitiu: “O livro é muito bom. Esse é o problema”.

Além de não ter sido preso e do fato de que o romance se tornou best seller — e chegou a ser levado ao cinema —, Graham Gre­ene escreveu, anos depois, “O Fator Humano”, que retratava os “figurões do MI5 não apenas como tolos mas também assassinos”. John le Carré concorda em parte com o companheiro de profissão: “Em alguns livros, retratei o Serviço Secreto britânico como uma organização mais competente do que sei que é na realidade. Ou que um dos seus oficiais mais antigos descreveu ‘O Espião Que Saiu do Frio’ como ‘a única operação com um agente duplo que já deu certo’”.

Escrever romances, misturando fatos reais com histórias ficcionais, é menos danoso, para os serviços secretos, do que fazer revelações como as do americano Ed­war­d Snowden, sugere John le Carré.

Aos 25 anos, em 1956, John le Carré se tornou agente júnior do MI5 (onde atuaram Guy Burgess e Anthony Blunt, que traíram os ingleses para os soviéticos). Ele atuava na contraespionagem. Em 1960, transferiu-se para o MI6.

Os espiões experimentados liam os relatórios de John le Carré e, rigorosos, apontavam até as falhas básicas de gramática, além das informações truncadas. Longe de prejudicá-lo, foram úteis para refinar sua prosa futura.

Percebe-se que, quando menciona os agentes ingleses que espionaram para os soviéticos, nem mesmo o relato distanciado esconde a irritação de John le Carré. A traição de George Blake e Kim Philby (o “brilhante ex-chefe de contrainformação do MI6”), que expôs centenas de agentes britânicos, incomoda-o, mesmo agora. Trata-se, postula, de algo imperdoável (tanto que, quando visitou a União Soviética, não quis se encontrar com Kim Philby). Mesmo assim, é capaz de uma ressalva inteligente: “Espiões não são policiais, nem os realistas morais que acreditam ser. Se sua missão na vida é atrair traidores para sua causa, você não pode se queixar quando um dos seus, ainda que o ame como irmão e colega, é recrutado para o outro lado. Aprendi essa lição na época em que escrevi ‘O Espião Que Saiu do Frio’. E, quando escrevi ‘O Espião Que Sabia Demais’, foi a candeia turva de Kim Philby que iluminou meu caminho”.

“Espionagem e romance foram feitos um para o outro”, assinala John le Carré. “Ambos pedem um olho atento para a transgressão humana e para as muitas rotas que conduzem à traição.”

Operando na Alemanha, como espião disfarçado de diplomata, John le Carré, como David Cornwell, acompanhou o alemão Erwin Schüle, diretor do Centro de Investigação dos Crimes Nacional-Socialistas de Baden-Württemberg, numa inspeção de arquivos nazistas recém-descobertos, em Varsóvia. Para a “surpresa” de Schüle, os soviéticos apresentarem-lhe seu cartão de filiação ao Partido Nazista (o que era verdadeiro) e o acusaram de crimes de guerra (o que era falso). “A lição? Quanto mais se procura por verdades absolutas, menos probabilidade haverá de encontrá-las. Acredito que Schüle, na época em que o conheci, fosse um homem decente. Mas tinha de conviver com seu passado e, fosse qual fosse, era preciso lidar com ele.”

O capítulo 7 trata da “deserção de Ivan Serov”. O diplomata soviético aproximou-se de John le Carré, chegou a visitá-lo e a tocar piano — Mozart e Stravinsky — em sua casa, na cidade de Bonn, na Alemanha. “Regra número um da Guerra Fria: nada, absolutamente nada, é o que parece.” Pois bem: o espião-escritor não esclarece o que aconteceu exatamente, apesar de falar em deserção. Serov era, possivelmente, da KGB e/ou da GRU. Queria recrutar o escritor? Não ficamos sabendo. “Todos os serviços de espionagem mitificam a si mesmos, mas os britânicos são uma categoria à parte. Esqueça nossa triste participação na Guerra Fria, quando a KGB nos superou e se infiltrou em nós praticamente a cada instante.” Mas, frisa o escritor, “nós vencemos e, assim, fomos nós que escrevemos a história”.

Os americanos e os alemães não apreciam contar que recrutaram para seus serviços secretos, a CIA e o BND, nazistas, como o general Reinhard Gehlen e Klaus Barbie (ajudou os americanos a caçarem Che Guevara, na Bolívia).

Graham Greene: advogado queria levá-lo à prisão porque descreveu muito bem o Serviço Secreto inglês

Partilhar a dor

O autor de livros sobre histórias que se passam em países que não conhece bem pode cometer erros. Ao escrever o romance “O Espião Que Sabia Demais”, John le Carré usou informações desatualizadas de um guia de viagem. Ao visitar Hong Kong, descobriu que havia se enganado e pediu ao seu agente, por fax, que parasse a impressão do livro. Reescreveu cenas e enviou para Londres. Estava desesperado. “Jurei que nunca mais escreveria uma cena em um lugar que não tivesse visitado. Uma frase de Graham Greene ressoava nos meus ouvidos: algo sobre como, ao escrever sobre a dor humana, temos o dever de partilhá-la.”

Ao lado de repórteres, mas não com o objetivo de fazer jornalismo, e sim de colher dados e sobretudo de ver as coisas de perto, sondar as pessoas reais, John le Carré esteve em fronts perigosos, em várias partes do mundo (como Líbano, Ruanda, Congo, Rússia). Chega a confessar que teve medo, ao contrário de jornalistas destemidos, como David Greenway.

Em “O Espião Que Sabia De­mais”, além de George Smiley, há o personagem Jerry Westerby, correspondente esportivo e agente do Serviço Secreto britânico. Depois de escrever o livro, John le Carré conheceu Peter Simms, que era correspondente estrangeiro e agente secreto da Inglaterra. Eram idênticos. A ficção não inspirou a realidade nem a realidade inspirou a ficção. Mas o espião real e o espião ficcional eram, por assim dizer, “gêmeos” em tudo — no físico e no comportamento.

Um dos capítulos mais divertidos (até hilário?) é sobre o encontro entre o líder palestino Yasser Arafat e John le Carré. Não digo nada a respeito, pois vale a pena o leitor saboreá-lo.
Ao visitar Israel, John le Carré encontra-se com Michael Elkins, locutor americano que trabalhou na CBS e na BBC. Elkins contou-lhe sobre “a existência de uma organização judaica chamada DIN, a palavra hebraica para julgamento. Somente entre 1945 1946, a DIN caçou e matou nada menos que mil criminosos de guerra nazistas”.

Em 1987, John le Carré estava almoçando com Joseph Brodsky, na Inglaterra, quando anunciaram que o poeta e ensaísta russo havia sido laureado com o Nobel de Literatura. O escritor da terra de Liev Tolstói, que havia bebido e comido muito, demonstrou menos entusiasmo do que sua anfitriã britânica.

Sucesso no cinema

Richard Burton: o ator britânico praticamente exigiu que o escritor John le Carré se comportasse como “tutor” e foi responsável pela qualidade do filme “O Espião Que Saiu do Frio”, de Martin Ritt

Como escritor, John le Carré é meticuloso, visita países, busca informações objetivas e atualizadas. Escreve à mão e prefere não usar máquina nem computador. “Quando faço uma anotação, minha memória guarda a ideia. Quando tiro uma foto, a câmera rouba meu trabalho.”

O filme “O Espião Que Saiu do Frio”, de Martin Ritt, tem Richard Burton como protagonista. Ele faz Alec Leamas (papel que quase coube a Burt Lancaster).

Richard Burton disse a John le Carré que adorava o livro. “Mas o que eu secretamente perguntava, em meio às torrentes de elogios mútuos, era como aquela bela e estrondosa voz de barítono galês e aquele avassalador talento de triplo macho alfa caberiam no personagem de um espião britânico acabado de meia-idade que não se destacava pelo seu carisma, pela sua articulação clássica ou pela sua aparência de deus grego com cicatrizes de acne?”

De repente, Richard Burton começa a cobrar a presença de John le Carré. Disse que não filmaria mais se o escritor não aparecesse para reescrever cenas. Mas, quando agradava o ator, o escritor desagradava o diretor. Para piorar as coisas, a belíssima Elizabeth Taylor aparecia e implicava com a atriz Claire Bloom, que havia tido um affair com o galã (mais tarde, casou-se com Philip Roth, e, quando se separaram, publicou um livro explosivo sobre o escritor).

Ao final, e depois dos pileques de Richard Burton, o livro “O Espião Que Saiu do Frio” foi transformado num belo filme, graças, em grande parte, admite John le Carré, ao talento do ator.

Certo dia, Fritz Lang, o austríaco que conquistou Hollywood, apareceu e disse que queria filmar “Um Assassinato de Qualidade”, de John le Carré. “Você vai para a Califórnia. Escrevemos o roteiro, fazemos o filme”, sugeriu o cineasta alemão. Não deu certo. “Fritz Lang já não era mais financiável.”

Stanley Kubrick quis adaptar o romance “Um Espião Perfeito”, de John le Carré. Não deu certo. Depois, Kubrick queria que trabalhassem juntos na adaptação do livro “Breve Romance de Sonho”, do austríaco Arthur Schnitzler. O escritor deu sugestões, mas acabaram não firmando a parceria. Mais tarde, o americano dirigiu o filme “De Olhos Bem Fechados”, com Tom Cruise e Nicole Kidman. Há um texto magnífico e delicado sobre o ator Alex Guinsess, amigo de John le Carré.

Há histórias fantásticas, como a do papagaio que, num Líbano conflagrado, imitava barulhos de tiros e falava sobre batalhas assustando correspondentes estrangeiros num hotel. Quando Coco, o papagaio entrava em “ação”, gritando “Pro chão, seu idiota, arruma cobertura agora!”, os hóspedes não iniciados saíam correndo para se esconderem.

Geovani Martins, o cronista vibrante da vida nas favelas cariocas

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Linguagem das ruas – Martins no Vidigal: domínio técnico da narrativa, sem estudo formal (Marcos Michael/VEJA)

Obra de estreia do escritor do Vidigal, sobre a vida nos morros, mal chegou às livrarias brasileiras e já teve seus direitos vendidos a nove países

Jerônimo Teixeira, na Veja

Entre uma xícara de café preto forte — o segredo é coar duas vezes, ele explica — e um cigarro, Geovani Martins fala de sua passagem por uma escola pública no bairro da Gávea. “Achava tudo muito tedioso”, diz. Quando chegou à 8ª série do ensino fundamental, ele já havia repetido o ano duas vezes, e estava certo de que repetiria de novo. Na casa onde Geovani morava, na favela do Vidigal, Neide, sua mãe, o acordava cedo, mas ele muitas vezes preferia ficar dormindo a ir para as aulas — até que, em um “papo reto”, comunicou à mãe a desistência definitiva dos estudos.

Hoje, aos 26 anos, ele está se firmando no difícil ofício de escritor. Já coleciona feitos raros para um iniciante. A coletânea de contos O Sol na Cabeça (Companhia das Letras), seu livro de estreia, que mal começa a chegar às livrarias brasileiras, já teve seus direitos vendidos a nove países. Editoras do prestígio da inglesa Faber & Faber e da francesa Gallimard interessaram-se pela crônica vibrante e vigorosa que os treze contos de Martins fazem da infância e da juventude nas favelas cariocas. “Eu esperava que o livro tivesse uma boa repercussão”, diz o autor. “Mas não que fosse fazer sucesso antes de sair.” A VEJA, ele fala sobre o processo de criação da coletânea, batida na máquina de escrever, a truculência policial na abordagem de moradores de favelas e seu próximo projeto.

Obras de J. R. R. Tolkien têm nova editora: a HarperCollins Brasil

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Livros inéditos no Brasil do autor de ‘O Senhor dos Anéis’ começam a ser publicados ainda em 2018

Guilherme Sobota, no Estadão

As obras de J.R.R. Tolkien ganham uma nova editora no País: a HarperCollins Brasil vai publicar os trabalhos do autor de O Senhor dos Anéis, a começar por um título inédito no País. Beren e Lúthien deve sair em novembro.

Segundo um comunicado divulgado nesta segunda-feira, 12, a editora pretende reposicionar a obra do autor britânico no mercado brasileiro, com um “trabalho forte de distribuição” e evidência a outros trabalhos além da trilogia original de O Senhor dos Anéis.

The History of Middle-Earth, que numa edição recente nos EUA tem 5,3 mil páginas, também será editado por aqui, pela primeira vez.

J. R. R. Tolkien (1892-1973). Foto: The Granger Collection

“Em outros países, particularmente na Europa e nos Estados Unidos, a obra de Tolkien tem status de literatura canônica. Queremos estender essa percepção ao Brasil, e isso passa por uma revisão dos critérios editoriais, divulgação, marketing e até tradução”, explica, na nota, o diretor editorial da HarperCollins Brasil, Omar de Souza.

Segundo a editora, a negociação com os herdeiros levou mais de um ano.

Samuel Coto, gerente editorial na HarperCollins Brasil, será o responsável pela edição de J.R.R. Tolkien na editora.

“Fui criado lendo a obra de Tolkien, sempre fui fascinado por seu universo mitológico”, diz, no comunicado enviado nesta segunda. “Mais que uma responsabilidade, editar sua obra é uma espécie de realização de um sonho. Como editor, terei a oportunidade de dar ao Legendarium, e a outros títulos além da mitologia principal, o tratamento editorial esperado por fãs como eu.”

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