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10 novelas e minisséries inspiradas em livros

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Maria Cecília Costa, na Superinteressante

Aristóteles já dizia, em Poética, que a mimese, a representação da realidade por meio da arte, era uma das melhores formas de estimular o pensamento crítico do ser humano. Na Idade Média, poucos eram os que sabiam ler e, mesmo assim, só podiam ler os livros permitidos por quem estava no poder. Sabia-se o potencial que o acesso a determinadas obras tinha de criar questionamentos pouco convenientes aos poderosos.

Com o passar dos séculos, a leitura finalmente se democratizou. A literatura, por sua vez, não se deteve a continuar apenas em páginas de livros e tornou-se base para produções culturais nas mais variadas mídias. Na dissertação Literatura em televisão: uma história das adaptações de textos literários para programas de TV (Unicamp, 1995), Hélio de Seixas Guimarães ressalta a importância de obras da literatura nacional na produção de telenovelas e minissérie, e afirma que mais de um terço das 600 telenovelas brasileiras se basearam em obras literárias.

A seguir, algumas das novelas e minisséries brasileiras mais recentes inspiradas em obras literárias nas últimas décadas:

1) Orgulho e Paixão (2018)

(Divulgação/TV Globo)

Exibida atualmente, a novela é baseada em diversos livros da obra da romancista inglesa Jane Austen, incluindo o mais famoso deles, Orgulho e Preconceito. No entanto, também é possível ver semelhanças de enredo com Mulherzinhas, da estadunidense Louisa May Alcott. A novela, ambientada no auge do comércio de café, conta como cinco irmãs lidam com as normas e papéis de gênero no tempo em que vivem.

2) Dois Irmãos (2017)

(Divulgação/TV Globo)

Uma das mais recentes desta lista, a minissérie é baseada no romance Dois Irmãos, do escritor amazonense Milton Hatoum. A história é ambientada em Manaus, em meados do século 20, e gira em torno da relação destrutiva de Omar e Yaqub, gêmeos com ascendência libanesa, e seu impacto na vida familiar.

Assim como Capitu e A Pedra do Reino (2007), Dois Irmãos faz parte do Projeto Quadrante, liderado pelo diretor de arte Luiz Fernando Carvalho, que visa levar clássicos literários brasileiros para a televisão aberta.

3) Totalmente Demais (2016)

(Ellen Soares/Gshow/Divulgação)

Apesar de a relação entre as duas obras não ter sido muito explorada na divulgação, Totalmente Demais é uma adaptação para os dias atuais da clássica peça de teatro Pigmaleão, de Bernard Shaw. A trama básica é a de uma florista pobre – Eliza, em ambos os casos – sem maneiras rebuscadas, que é abordada por um homem mais velho disposto a transformá-la em uma dama da alta sociedade.

No meio do caminho, no entanto, o homem se apaixona pela moça já “transformada” e, mesmo com uma tensão entre os dois, a mulher o rejeita e prefere ficar com outro rapaz. A peça, por sua vez, é inspirada no mito grego do escultor Pigmaleão, que, ao esculpir uma mulher no mármore, se apaixonou pela estátua que ele mesmo produziu.

4) Verdades Secretas (2015)

(Felipe Monteiro/Gshow/Divulgação)

Provavelmente seria polêmico demais divulgar Verdades Secretas, uma novela das onze, e dizer que ela é uma livre adaptação da obra Lolita, do escritor russo Vladimir Nabokov, que é narrado por um pedófilo em julgamento.

No entanto, é fácil perceber as similaridades entre as obras: um homem mais velho fica obcecado por uma adolescente – ou criança, no caso do livro – e é extremamente abusivo, chegando ao ponto de se casar com a mãe da menina para poder observá-la. Lolita e Angel, ainda que sejam personagens bem diferentes, têm 12 e 16 anos em suas tramas.

5) Gabriela (2012)

(Alex Carvalho/ TV Globo/Divulgação)

Jorge Amado é um dos autores com o maior número de obras adaptadas para a televisão: as novelas Tieta (1989) e Porto dos Milagres (2001), além da minissérie Dona Flor e Seus Dois Maridos são alguns dos produtos inspirados em suas obras.

Porém, foi a adaptação de Gabriela, Cravo e Canela (1958) que se tornou mais emblemática ao longo dos anos. Foi base para três produções em 1961, 1975 e 2012.

6) Capitu (2008)

(Divulgação/TV Globo)

A minissérie de 2008 é baseada em Dom Casmurro, de Machado de Assis, seguindo fielmente a talvez mais célebre obra machadiana. A trama conta a história de Bento e Capitu, um casal que se conhece e se apaixona na adolescência, mas vê seu amor ser coberto pelas desconfianças e paranoias de Bento, que passa a acreditar que Capitu o traiu com Escobar, seu melhor amigo. Com uma direção de arte maravilhosa, a minissérie tem uma das cenas finais mais lindas da televisão.

7) Queridos Amigos (2008)

(Márcio de Souza / TV Globo/Divulgação)

Baseada em Aos Meus Amigos, de Maria Adelaide Amaral, a minissérie conta a história de um grupo de amigos que se conhece no auge da ditadura militar brasileira. Após ficarem anos distantes, Léo, o maior elo entre todos, resolve reaver as relações entre seus amigos enquanto prepara seu suicídio.

8) Ciranda de Pedra (2008)

(Miguel Júnior / TV Globo/Divulgação)

Ciranda de Pedra, romance da escritora paulista Lygia Fagundes Telles, teve duas versões como telenovela, uma em 1981 e outra em 2008. A novela conta a história de uma família de elite de São Paulo em 1958. Laura, a mãe, tem alterações bruscas de humor e é infeliz no casamento. As obras, intimistas, focam em aspectos psicológicos dos personagens, ainda que, na televisão, tenham sido feitas mudanças no enredo original para manter a audiência.

9) A Casa das Sete Mulheres (2003)

(Divulgação/TV Globo)

Ambientada durante a Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul, a trama é baseada no livro de mesmo nome da autora gaúcha Letícia Wierzchowski, publicado no ano anterior à exibição da minissérie. Misturando personagens reais e ficcionais, a obra conta a história do grupo de mulheres ligado à liderança farroupilha que vive enclausurado em uma casa durante a Guerra. Assim como em outros casos, a minissérie também teve que sofrer alterações em relação ao livro para manter o interesse do público.

10) Os Maias (2001)

(Divulgação/TV Globo)

Livremente baseada na obra homônima do escritor português Eça de Queirós, a minissérie contava a história da decadência da aristocracia portuguesa pela visão da família Maia. Na trama, uma série de desventuras amorosas, após anos, resulta em um relacionamento entre irmãos. Bastante elogiada, a obra é tida como uma das maiores em influência da teledramaturgia brasileira.

Quem é a artista homenageada pelo Doodle por seus 90 anos?

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A escritora e ativista Maya Angelou – Reprodução Instagram

Falecida em 2014, Maya Angelou foi uma escritora, poetisa e ativista negra

Jan Niklas, em O Globo

RIO — Nome que lutou ao lado de Martin Luther King e Malcom X, escritora, poetisa e ativista, Maya Angelou completaria 90 anos nesta quarta-feira. A americana recebeu uma homenagem em um “Doodle”, onde um de seus poemas mais famosos “Still I Rise”, é recitado por ela e artistas como Alicia Keys e Oprah Winfrey.

Nascida em 4 de abril de 1928 no Missouri, Estados Unidos, Maya ( seu nome de nascimento era Marguerite Johnson), ficou conhecida por sua série de sete livros autobiográficos, onde aborda temas como racismo, gênero, identidade e família (principalmente sua condição de mãe solteira). Sua obra não é traduzida no Brasil.

Doodle de Maya Angelou – Reprodução

Seu primeiro livro “I Know Why the Caged Bird Sings ” (“Eu sei porquê os pássaros presos cantam”, em tradução livre), conta sobre suas primeiras experiências como criança e adolescente negra nos EUA até completar 17 anos.

DANÇARINA, JORNALISTA E ATÉ PROSTITUTA ANTES DA FAMA

Antes de obter reconhecimento internacional como escritora e intelectual, Maya teve diversas ocupações. Chegou a ser cozinheira e até dançarina de clubes noturnos e prostituta.

Depois despontou na carreira artística como atriz atuando em alguns musicais e programas na TV americana. Também atuou como produtora, diretora e chegou a gravar alguns álbuns, como o “Miss calypso” de 1957.

Nos anos 1960 atuou ainda como jornalista, cobrindo na África os processos de independência do Egito e de Gana.

Na década seguinte, tornou-se a primeira mulher negra a escrever o roteiro de um filme: “Georgia-georgia”, produção sueco-americana de 1972.

Com o reconhecimento de seu trabalho literário e político, foi nomeada para uma cátedra de estudos americanos na Wake Forest University, no estado da Carrolina do Norte.

Teve um dos seus momentos mais lembrados em 1993, quando foi convidada a recitar seu poema “On the Pulse of Morning” (“No pulsar da manhã”) na cerimônia de posse de Bill Clinton.

Maya Angelou morreu aos 85 anos em 2014. Ela trabalhava em um novo livro que iria contar sobre suas experiências com líderes americanos e internacionais.

‘A Livraria’ mostra a doce luta de uma mulher apaixonada por literatura

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Emily Mortimer no papel de Florence Green. Foto: Cineart Filmes

André Carmona, no Estadão

A Livraria começa com uma descrição em tom literário, como se o trecho de um romance estivesse sendo lido para o espectador. Assim, somos apresentados à história de Florence Green (Emily Mortime). Ela é uma viúva, cheia de boas intenções, que se muda para uma pequena cidade costeira da Inglaterra alimentando o sonho de abrir o próprio negócio – justamente uma loja de livros. Mas, para isso, terá de lutar. Contra tudo e contra todos.

O filme, adaptação da diretora espanhola Isabel Coixet para a obra homônima de Penelope Fitzgerald, é ambientado nos anos 1950. A população do pequeno e conservador vilarejo, ainda que sem motivo aparente, logo passa a se opor à ideia de uma livraria ali. Todos querem distância de Florence Green e de seu ‘subversivo’ empreendimento cultural.

Atacada, principalmente, pela elite local, a protagonista ameniza seu drama encontrando refúgio nas poucas e incipientes amizades. Uma delas é o sr. Brundich (Bill Nighy). Leitor inveterado, o milionário recluso desperta, ao mesmo tempo, a curiosidade e a admiração de todos. Juntos, os dois travam diálogos interessantes e, de certa maneira, cômicos sobre como lidar com a situação.

A atriz Emily Mortime se encaixa harmoniosamente na personagem que interpreta. É verdade que seu jeito frágil e a feição de eterno sofrimento contrastam com o discurso atual de empoderamento feminino, de mulheres fortes e prontas para a guerra. Nem por isso somos menos cativados por sua doce luta literária.

10 famosos de outras áreas que escreveram best-sellers – e você nem sabia!

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Caio Coletti, no Observatório do Cinema

É curioso pensar nos nossos atores preferidos como autores de livros – isso porque costumamos pensar em famosos do cinema como pessoas muito públicas, e escritores não tanto. É difícil separar a personalidade desses famosos de suas narrativas, mas a verdade é que eles são muito talentosos no papel!

LAUREN GRAHAM | Você a conhece como a Lorelai Gilmore, mas Graham também é chegada a uma boa máquina de escrever. Intitulada Quem Sabe um Dia, sua estreia no mundo da ficção conseguiu status de best-seller do New York Times contando a história de uma jovem tentando sucesso na Broadway.

 

GENE HACKMAN | Após anunciar sua aposentadoria dos cinemas em 2004, o lendário Lex Luthor de Superman (1978) conseguiu realizar um sonho: ter tempo para escrever romances históricos. Nenhum de seus livros foram traduzidos no Brasil, mas títulos incluem Justice for None (Justiça para Ninguém), Escape from Andersoville (Escape de Andersonville) e Pursuit (Perseguição).

CHRIS COLFER | Sentindo falta do Kurt de Glee nas telas? Bom, é melhor você não esperar sentado, porque atualmente Chris Colfer está muito ocupado com sua carreira de escritor best-seller. A série de livros infanto juvenis Terra de Histórias, publicada em onze volumes entre 2012 e 2017, é dele.

TOM HANKS | O lendário astro de Forrest Gump e Toy Story não se caracterizava como um escritor até recentemente – ele lançou seu livro de contos, Tipos Incomuns, em outubro de 2017. O livro foi um sucesso de crítica e público – inspirado pela coleção de máquinas de escrever antigas que possui, Hanks criou contos nostálgicos e criativos.

CARRIE FISHER | A eterna Princesa Leia se considerava mais escritora do que atriz. Seu best-seller Lembranças de Hollywood é talvez o mais lembrado de uma grande bibliografia – isso porque o livro de inspiração autobiográfica virou filme, estrelado por Meryl Streep e Shirley MacLaine em versões pouco disfarçadas de Fisher e sua mãe, Debbie Reynolds.

STEVE MARTIN | O comediante publica ensaios, peças, livros autobiográficos e novelas de ficção desde 1979, mas seu trabalho mais reconhecido no campo literário é provavelmente A Balconista, que ele mesmo transformou em um filme em 2005, estrelado por Claire Danes. Vale a pena ler – e ver!

HUGH LAURIE | Em 1996, ainda conhecido primariamente como um comediante britânico, Laurie lançou seu primeiro livro, O Vendedor de Armas, uma comédia de humor negro muito elogiada pelos críticos. Desde então, ele promete um segundo tomo, intitulado The Paper Soldier (O Soldado de Papel, em tradução livre), mas por enquanto nada…

ETHAN HAWKE | Fãs da trilogia Antes do Amanhecer, de Richard Linklater, sabem que Ethan Hawke (assim como sua colega de elenco, Julie Delpy) ajudaram a escrever o roteiro dos três românticos filmes que a compõem. Mesmo assim, é curioso saber que Hawke também já publicou três livros de ficção, dois dos quais foram enormes sucessos, traduzidos para o Brasil: Quarta-Feira de Cinzas (2002) e Código de Um Cavaleiro (2015).

AMBER TAMBLYN | Você a conhece por Quatro Amigas e Um Jeans Viajante, Joan of Arcadia ou 127 Horas, mas Tamblyn é também uma poetisa realizada, que publica seus próprios livros e os vende independentemente, em meio a muita aclamação crítica. Seus dois livros até agora se chamam Of the Dawn (Da Alvorada) e Plenty of Ships (Muitos Navios).

MEG TILLY | Após indicação ao Oscar por Agnes de Deus (1985) e papel marcante em O Reencontro (1983), é curioso que Tilly não tenha conseguido mais sucesso na carreira pós-anos 1980, mas isso pode ter acontecido por sua predileção pela literatura. Desde 1994, ela publicou seis livros – o mais bem sucedido deles sendo Porcupine, de 2007.

Trilogia de Margaret Atwood, ‘MaddAddam’ será adaptada para a TV

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Margaret Atwood – Darren Calabrese / The Canadian Press via AP

Após sucesso de ‘The Handmaid’s Tale’, autora teve direitos de suas obras disputados por produtoras

Publicado em O Globo

RIO – Depois de uma disputa acirrada pelos direitos, o canal Paramount Television e a Anonymous Content anunciaram hoje que serão os responsáveis por mais uma adaptação para a TV de uma obra da escritora canadense Margaret Atwood. A bola da vez é a trilogia “MaddAddam” (publicada no Brasil pela editora Rocco). Não se sabe ainda qual canal deverá exibir a produção, que também não tem prazo para começar.

A série deverá surfar no sucesso de “The Handmaid’s Tale”, sucesso do canal Hulu, que ganhará sua segunda temporada em abril (mesmo mês em que a primeira temporada será exibida no Brasil, no Paramount Channel). Outro romance da autora, “Alias Grace”, foi adaptado para a TV em 2017, com seis episódios de 45 minutos;

Assim como o premiado “The Handmaid’s Tale”, vencedor do Emmy e do Globo de Ouro de melhor série dramática, “MaddAddam” também é uma distopia. Os três livros da série (“Oryx e crake”, “O ano do dilúvio” e “MaddAddam”), se encaixam no que Atwood descreve como “ficção especulativa”, abordando assuntos como catástrofes biológicas, experiências genéticas e regimes totalitários provocados por colapsos ambientais.

Em nota, a autora, de 78 anos, disse estar satisfeita com a “deslumbrante apresentação visual” que a produtora imagina para a adaptação.

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