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Siga pegadas deixadas por Jorge Amado em suas férias de verão no Recife

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Casario da rua da Aurora diante do rio Capibaribe, no centro do Recife 
Marcos Michael/JC Imagem

Temporada do escritor baiano na cidade rendeu frutos literários e inspira passeios

Fernando Granato, na Folha de S.Paulo

Recife

Não foi nas ladeiras e nos becos escuros do Pelourinho, nem na orla do cais de Salvador (BA) que surgiu um dos personagens mais lendários de Jorge Amado (1912-2001), escritor que divulgou para o mundo as histórias da Bahia.

A inspiração para compor Quincas Berro D’Água, o pacato chefe de família que se tornou um beberrão inveterado, veio de um cachaceiro que frequentava as areias da praia do Pina, no Recife (PE).

Jorge Amado costumava passar as férias de verão com a família na capital pernambucana. Hospedava-se na casa dos amigos Laís e Ruy Antunes, na cidade. Ou na do casal Dóris e Paulo Loureiro, na praia de Maria Farinha, distante 30 quilômetros. Assim foi entre 1959 e 1962.

Em seus livros de memórias, Zélia Gattai (1916-2008), mulher do escritor, lembrou-se das temporadas pernambucanas que renderam frutos literários. A casa da cidade era “imensa”, à beira do rio Capibaribe.

“Mangueiras frondosas, chão forrado de mangas de tudo quanto era qualidade”, recordava a escritora em seu livro “Chão de Meninos”.

Zélia salientou ainda que Jorge Amado gostava de perambular pelas pontes sobre o rio e de visitar o centro antigo.

No mesmo livro, ela conta que bastava correr a notícia de que Jorge Amado estava na terra para chover convites para almoços e jantares.

“Visitávamos Gilberto Freyre no Solar dos Apipucos, bebíamos a cachaça de pitanga, almoçávamos com ele e Magdalena (sua mulher)”, escreveu ela. A casa do autor de “Casa Grande e Senzala”, morto em 1987, virou museu e pode ser visitada de segunda a sexta, das 9h às 16h30. O ingresso é R$ 10 (rua Dois Irmãos, 320).

Mas o que Jorge Amado gostava mesmo em suas temporadas pernambucanas era de “jogar pôquer e arengar com os amigos”, conta a pintora e poeta Tania Carneiro Leão, 82, testemunha dessas estadas no Recife.

Tania é viúva do poeta Carlos Pena Filho (1929-1960), a pessoa que comentou com Amado sobre a existência do boêmio da praia do Pina, figura usada em “A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água”, novela que ganhou o mundo.

“Carlos, em meio ao carteado, disse que conheceu num boteco do Pina um cachaceiro convicto, que achou que uma garrafa continha cachaça e quando viu que era água deu um grito desesperado e cuspiu, dizendo que era alérgico àquele líquido insípido”, contou Tania. “Foi o bastante para Jorge guardar a história e registrar em sua novela. Ele adorava ouvir histórias e depois as usava em seus livros.”

Zélia Gattai, ainda no livro “Chão de Meninos”, lembrou que em 1959 seu marido, Jorge Amado, recebeu do amigo artista Carlos Scliar (1920-2001) a encomenda para escrever uma história curta para a revista Senhor. Como o escritor acabara de retornar das férias pernambucanas, tinha fresco na memória o caso narrado pelo poeta Pena Filho.

“Dentro de Jorge ficara o que ouvira em Pernambuco nas conversas de sotaque, conversas sem compromisso, conversa de quem não tem o que fazer, conversa de preguiça”, disse Zélia. “Daí saíra ‘A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água’, em dois dias, nem mais, nem menos.”

Quando a história foi publicada, em 1959, o escritor a dedicou aos amigos: “Para Laís e Ruy Antunes, em cuja casa, pernambucana e fraternal, cresceram, ao calor da amizade, Quincas e sua gente”.

O cenário em que vivia o sujeito que inspirou o personagem de Jorge Amado, a praia do Pina, é local pouco frequentado pelos turistas.

Fica numa área caracterizada por uma linha contínua de arrecifes, paralela à orla, na altura de Brasília Teimosa, a maior favela da cidade.

Os habitantes, sobretudo pescadores, têm forte ligação com o mar. Jangadas ancoradas junto à areia mostram que a economia local ainda depende muito do peixe.

Aos domingos, a praia ganha efervescência com o forró vindo dos barzinhos pé na areia. Uma infinidade de caldinhos e frutos do mar fresquinhos sai das panelas diretamente para as mesas. Os preços são mais em conta do que na vizinha Boa Viagem. Um espetáculo à parte é o trabalho dos garis, no fim do dia. Ao som de Reginaldo Rossi, o Rei do Brega, eles exercem seu ofício com uma alegria que só os pernambucanos sabem ter.

Quando estava hospedado no Recife, Jorge Amado gostava de frequentar o restaurante Leite, no centro (praça Joaquim Nabuco, 147), o mais antigo do Brasil ainda em funcionamento.

Inaugurado em 1882, quando o Brasil ainda tinha escravos e era governado por Dom Pedro 2º, o local conserva suas bandejas de prata e guardanapos de algodão puro.

Mas não era isso que agradava Jorge Amado. O que despertava seu interesse era o entra e sai de gente conhecida, como os escritores Gilberto Freyre (1900-1987), José Lins do Rego (1901-1957) e Ariano Suassuna (1927-2014), o escultor Francisco Brennand e o pintor Cícero Dias (1907-2003). Ou até estrelas internacionais como o filósofo francês Jean Paul Sartre e o escritor inglês Aldous Huxley.

As conversas na mesa do restaurante varavam as madrugadas e alguns dos casos ali acontecidos foram registrados por Jorge Amado.

Um deles foi citado numa carta para Zélia Gattai, em julho de 1959. “Ontem jantávamos, à noite, no Leite”, contou. “No outro extremo da sala, numa mesa grande, jantava uma família. Dessa mesa saíram duas meninas, de uns 10 ou 11 anos, e vieram me pedir um autógrafo num caderno de notas.”

Na carta, Jorge Amado diz que, quando seu grupo pediu a conta, já estava tudo pago pelo pai das meninas que pediram o autógrafo.

“Chamamos o garçom para pagar, mas em vez da conta, ele trouxe uma garrafa de champanhe Viúva Clicquot, francesa legítima”, escreveu. “Serviu-nos declarando que o jantar nosso estava pago pelo doutor José Paulo Cavalcanti, meu leitor e pai das duas meninazinhas.”

Entre as especialidades da casa, o baiano apreciava a pernambucana sobremesa cartola, feita com banana frita sob camada calculada de queijo de manteiga, regada com nuvem de canela e açúcar. “Jorge era um glutão”, lembra a pintora e poeta Tania Carneiro Leão.

Praia de areias fofas, Maria Farinha tem mangues e coqueirais  

Calção de banho, pé no chão, lá ia Jorge Amado atrás de uma conversa com os nativos. Assim era a rotina do escritor na praia de Maria Farinha, distante cerca de 30 quilômetros do Recife, onde se hospedava com a família, nos verões, na casa do amigo Paulo Loureiro.

Jorge conheceu a casa numa viagem a trabalho em 1959 e programou passar ali, com a família, as férias seguintes de verão. “Hoje fui à praia de Maria Farinha com Paulo Loureiro”, escreveu ele à mulher, Zélia Gattai, em 18 de novembro daquele ano. “É lugar lindo e creio que gostarás.”

As lembranças dessas estadas foram depois registradas por Zélia, em seus livros de memórias. Em “A Casa do Rio Vermelho”, a escritora recordou que a praia era quase deserta, boa para pescaria. “Não precisávamos ir longe para trazer peixe”, escreveu. “Da praia, ali mesmo defronte à casa, era só atirar o anzol e recolher em seguida o peixe se debatendo.”

Jorge Amado, segundo a sua mulher, não aderia às pescarias nem às caminhadas. “Seu divertimento era outro.” “Preferia descansar deitado na rede do terraço, ouvindo as histórias dos empregados da casa e de pescadores que apareciam lá na hora da preguiça.”

A praia, de areias brancas e fofas, se estende por quatro quilômetros, cercada por coqueirais e mangues.

Antigo reduto hippie, é hoje repleta de condomínios e costuma encher aos finais de semana.

Para quem gosta de história, vale conhecer as igrejinhas de Nossa Senhora do Ó e de Nossa Senhora da Conceição dos Milagres, além do Forte do Pau Amarelo, erguido no século 18.

Confira a programação da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) 2018

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Totens com informações turísticas lançado na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), faz parte do projeto App Paraty: cultura e natureza – Paraty na palma da sua mão. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Publicado no Portal R3

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) está em sua 16ª edição com uma performance celebrando o caráter transgressor da obra de Hilda Hilst, escritora homenageada deste ano. A abertura oficial aconteceu na quinta-feira (25), no Centro Histórico de Paraty (RJ).

Além do telão montado no Centro Histórico de Paraty, as mesas da festa neste ano serão transmitidas via internet. Os debates serão exibidos ao vivo pelo canal da Flip no YouTube, onde também é possível conferir na íntegra as mesas de edições passadas da festa.

A Flip deste ano manteve em sua programação a diversidade entre autores brancos e negros, e entre mulheres e homens. Como nas edições passadas, escritores estrangeiros de destaque também marcam presença, como o vencedor do prêmio Pulitzer Colson Whitehead e Liudmila Petruchévskaia, considerada uma das mestras do terror na literatura russa.

Confira a programação completa:
Quinta-feira (26/07)
10h
A jornalista Mariana Filgueiras media uma mesa que reúne a cineasta Gabriela Greeb e o sound designer Vasco Pimentel para apresentar fitas magnéticas da década de 1970 com divagações literárias e existenciais de Hilda Hilst.

12h
A poeta portuguesa Maria Teresa Horta participa por vídeo de um diálogo com as autoras brasileiras Júlia de Carvalho Hansen e Laura Erber, cujas obras trazem influências da lírica portuguesa e da autora homenageada.

15h30
A escritora e pesquisadora Lilia Schwarcz conversa com Christopher de Hamel, considerado o maior especialista em textos medievais do mundo.

17h30
O feminismo negro da literatura de Djamila Ribeiro encontra a obra de Selva Almada, escritora argentina que contou histórias reais de feminicídios no livro Garotas Mortas. Alice Sant’Anna media a mesa, que terá também uma apresentação da slammer pernambucana Bell Puã.

20h
Sergio Sant’Anna encerra o primeiro dia em um diálogo com um leitor seu que se tornou autor, Gustavo Pacheco. Na conversa, estão temas caros a Hilda Hilst, como o desejo, a solidão e a morte. O jornalista Guilherme Freitas media.

Sexta-feira (27/07)
10h
A doutora em literatura brasileira Rita Palmeira media um encontro em que o editor e artista visual Ricardo Domeneck e a pesquisadora Lígia Ferreira, especialista e divulgadora do poeta negro Luiz Gama, conversam sobre o silenciamento de autores, como a própria Hilda Hilst.

12h
A língua italiana é o mote para reunir duas diferentes vozes: o poeta suíço Fabio Purstela e a italiana Igiaba Scego, descendente de uma família somali e admiradora de Caetano Veloso. A escritora Noemi Jaffe será a mediadora.

15h30
Um dos grandes destaques da Flip deste ano, o franco-congolês Alain Mabanckou será “entrevistado” em uma mesa com dois mediadores, José Luiz Passos e Bruno Gomide. Questões raciais e a obra do autor, comparado a Samuel Beckett, estão na pauta.

17h30
Ricardo Domeneck volta ao palco principal com uma performance em homenagem a Hilda Hilst. Depois, os escritores Leila Slimani e André Aciman discutem a liberdade de abordar temas como o homoerotismo, a sexualidade feminina e a religião.

20h
Hilda Hilst retorna ao centro do debate com a escritora e pesquisadora Eliane Robert de Moraes e a atriz Iara Jamra, que interpretou a protagonista de o Caderno Rosa de Lori Lamby, um dos livros mais famosos da autora homenageada. Alice Sant’Anna media a mesa, que promete debater o lado místico e também a dimensão corpórea na obra de Hilda.

Sábado (28/07)
10h
Jocy de Oliveira e Vasco Pimentel voltam em uma discussão sobre a criação de universos sonoros e a música de vanguarda. A mesa sobre a escuta terá como mediadora a jornalista Paula Scarpin, que trabalha com podcasts.

12h
O biógrafo de Josef Stálin, Simon Sebag Montefiore, conta como trabalha para retratar a intimidade de figuras como ditador soviético, a família Romanov e a czarina Catarina, a Grande. Guilherme Freitas e Bruno Gomide participam da mesa como mediadores.

15h30
Autora de A Gorda, a portuguesa nascida em Moçambique Isabela Figueiredo encontra Juliano Garcia Pessanha, em uma mesa que tem o corpo no centro do debate e a pesquisadora Rita Palmeira como mediadora.

17h30
O poeta e artista visual do Maranhão Reuben da Rocha abre a 15ª mesa com uma performance sobre Hilda Hilst, para dar lugar ao encontro entre os autores Colson Whitehead e o brasileiro Geovani Martins, elogiado pela estreia com o livro O Sol na Cabeça.

20h
Autora de contos de terror em um universo fantástico e político, Liudmila Petruchévskaia chegou a ser censurada pela União Soviética e hoje é considerada um dos grandes nomes da literatura russa. Anabela Mota Ribeiro media a mesa com a escritora, de 80 anos.

Domingo (29/07)
10h
O folclore de Paraty, retratado por Thereza Maia, encontra a mitologia da morte no sertão da Bahia, narrada por Franklin Carvalho. A mesa é gratuita e tem Luciana Araujo Marques na mediação.

12h
A sessão de encerramento da Flip é mais uma homenagem a Hilda Hilst e a atriz Iara Jamra retorna para falar sobre encontros com a autora. Também participam o fotógrafo Eder Chiodetto e o cantor e compositor Zeca Baleiro, que têm trabalhos baseados na obra da autora paulista.

15h30
Autores convidados pela Flip de 2018 leem trechos de seus livros preferidos.

10 novelas e minisséries inspiradas em livros

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Maria Cecília Costa, na Superinteressante

Aristóteles já dizia, em Poética, que a mimese, a representação da realidade por meio da arte, era uma das melhores formas de estimular o pensamento crítico do ser humano. Na Idade Média, poucos eram os que sabiam ler e, mesmo assim, só podiam ler os livros permitidos por quem estava no poder. Sabia-se o potencial que o acesso a determinadas obras tinha de criar questionamentos pouco convenientes aos poderosos.

Com o passar dos séculos, a leitura finalmente se democratizou. A literatura, por sua vez, não se deteve a continuar apenas em páginas de livros e tornou-se base para produções culturais nas mais variadas mídias. Na dissertação Literatura em televisão: uma história das adaptações de textos literários para programas de TV (Unicamp, 1995), Hélio de Seixas Guimarães ressalta a importância de obras da literatura nacional na produção de telenovelas e minissérie, e afirma que mais de um terço das 600 telenovelas brasileiras se basearam em obras literárias.

A seguir, algumas das novelas e minisséries brasileiras mais recentes inspiradas em obras literárias nas últimas décadas:

1) Orgulho e Paixão (2018)

(Divulgação/TV Globo)

Exibida atualmente, a novela é baseada em diversos livros da obra da romancista inglesa Jane Austen, incluindo o mais famoso deles, Orgulho e Preconceito. No entanto, também é possível ver semelhanças de enredo com Mulherzinhas, da estadunidense Louisa May Alcott. A novela, ambientada no auge do comércio de café, conta como cinco irmãs lidam com as normas e papéis de gênero no tempo em que vivem.

2) Dois Irmãos (2017)

(Divulgação/TV Globo)

Uma das mais recentes desta lista, a minissérie é baseada no romance Dois Irmãos, do escritor amazonense Milton Hatoum. A história é ambientada em Manaus, em meados do século 20, e gira em torno da relação destrutiva de Omar e Yaqub, gêmeos com ascendência libanesa, e seu impacto na vida familiar.

Assim como Capitu e A Pedra do Reino (2007), Dois Irmãos faz parte do Projeto Quadrante, liderado pelo diretor de arte Luiz Fernando Carvalho, que visa levar clássicos literários brasileiros para a televisão aberta.

3) Totalmente Demais (2016)

(Ellen Soares/Gshow/Divulgação)

Apesar de a relação entre as duas obras não ter sido muito explorada na divulgação, Totalmente Demais é uma adaptação para os dias atuais da clássica peça de teatro Pigmaleão, de Bernard Shaw. A trama básica é a de uma florista pobre – Eliza, em ambos os casos – sem maneiras rebuscadas, que é abordada por um homem mais velho disposto a transformá-la em uma dama da alta sociedade.

No meio do caminho, no entanto, o homem se apaixona pela moça já “transformada” e, mesmo com uma tensão entre os dois, a mulher o rejeita e prefere ficar com outro rapaz. A peça, por sua vez, é inspirada no mito grego do escultor Pigmaleão, que, ao esculpir uma mulher no mármore, se apaixonou pela estátua que ele mesmo produziu.

4) Verdades Secretas (2015)

(Felipe Monteiro/Gshow/Divulgação)

Provavelmente seria polêmico demais divulgar Verdades Secretas, uma novela das onze, e dizer que ela é uma livre adaptação da obra Lolita, do escritor russo Vladimir Nabokov, que é narrado por um pedófilo em julgamento.

No entanto, é fácil perceber as similaridades entre as obras: um homem mais velho fica obcecado por uma adolescente – ou criança, no caso do livro – e é extremamente abusivo, chegando ao ponto de se casar com a mãe da menina para poder observá-la. Lolita e Angel, ainda que sejam personagens bem diferentes, têm 12 e 16 anos em suas tramas.

5) Gabriela (2012)

(Alex Carvalho/ TV Globo/Divulgação)

Jorge Amado é um dos autores com o maior número de obras adaptadas para a televisão: as novelas Tieta (1989) e Porto dos Milagres (2001), além da minissérie Dona Flor e Seus Dois Maridos são alguns dos produtos inspirados em suas obras.

Porém, foi a adaptação de Gabriela, Cravo e Canela (1958) que se tornou mais emblemática ao longo dos anos. Foi base para três produções em 1961, 1975 e 2012.

6) Capitu (2008)

(Divulgação/TV Globo)

A minissérie de 2008 é baseada em Dom Casmurro, de Machado de Assis, seguindo fielmente a talvez mais célebre obra machadiana. A trama conta a história de Bento e Capitu, um casal que se conhece e se apaixona na adolescência, mas vê seu amor ser coberto pelas desconfianças e paranoias de Bento, que passa a acreditar que Capitu o traiu com Escobar, seu melhor amigo. Com uma direção de arte maravilhosa, a minissérie tem uma das cenas finais mais lindas da televisão.

7) Queridos Amigos (2008)

(Márcio de Souza / TV Globo/Divulgação)

Baseada em Aos Meus Amigos, de Maria Adelaide Amaral, a minissérie conta a história de um grupo de amigos que se conhece no auge da ditadura militar brasileira. Após ficarem anos distantes, Léo, o maior elo entre todos, resolve reaver as relações entre seus amigos enquanto prepara seu suicídio.

8) Ciranda de Pedra (2008)

(Miguel Júnior / TV Globo/Divulgação)

Ciranda de Pedra, romance da escritora paulista Lygia Fagundes Telles, teve duas versões como telenovela, uma em 1981 e outra em 2008. A novela conta a história de uma família de elite de São Paulo em 1958. Laura, a mãe, tem alterações bruscas de humor e é infeliz no casamento. As obras, intimistas, focam em aspectos psicológicos dos personagens, ainda que, na televisão, tenham sido feitas mudanças no enredo original para manter a audiência.

9) A Casa das Sete Mulheres (2003)

(Divulgação/TV Globo)

Ambientada durante a Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul, a trama é baseada no livro de mesmo nome da autora gaúcha Letícia Wierzchowski, publicado no ano anterior à exibição da minissérie. Misturando personagens reais e ficcionais, a obra conta a história do grupo de mulheres ligado à liderança farroupilha que vive enclausurado em uma casa durante a Guerra. Assim como em outros casos, a minissérie também teve que sofrer alterações em relação ao livro para manter o interesse do público.

10) Os Maias (2001)

(Divulgação/TV Globo)

Livremente baseada na obra homônima do escritor português Eça de Queirós, a minissérie contava a história da decadência da aristocracia portuguesa pela visão da família Maia. Na trama, uma série de desventuras amorosas, após anos, resulta em um relacionamento entre irmãos. Bastante elogiada, a obra é tida como uma das maiores em influência da teledramaturgia brasileira.

Quem é a artista homenageada pelo Doodle por seus 90 anos?

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A escritora e ativista Maya Angelou – Reprodução Instagram

Falecida em 2014, Maya Angelou foi uma escritora, poetisa e ativista negra

Jan Niklas, em O Globo

RIO — Nome que lutou ao lado de Martin Luther King e Malcom X, escritora, poetisa e ativista, Maya Angelou completaria 90 anos nesta quarta-feira. A americana recebeu uma homenagem em um “Doodle”, onde um de seus poemas mais famosos “Still I Rise”, é recitado por ela e artistas como Alicia Keys e Oprah Winfrey.

Nascida em 4 de abril de 1928 no Missouri, Estados Unidos, Maya ( seu nome de nascimento era Marguerite Johnson), ficou conhecida por sua série de sete livros autobiográficos, onde aborda temas como racismo, gênero, identidade e família (principalmente sua condição de mãe solteira). Sua obra não é traduzida no Brasil.

Doodle de Maya Angelou – Reprodução

Seu primeiro livro “I Know Why the Caged Bird Sings ” (“Eu sei porquê os pássaros presos cantam”, em tradução livre), conta sobre suas primeiras experiências como criança e adolescente negra nos EUA até completar 17 anos.

DANÇARINA, JORNALISTA E ATÉ PROSTITUTA ANTES DA FAMA

Antes de obter reconhecimento internacional como escritora e intelectual, Maya teve diversas ocupações. Chegou a ser cozinheira e até dançarina de clubes noturnos e prostituta.

Depois despontou na carreira artística como atriz atuando em alguns musicais e programas na TV americana. Também atuou como produtora, diretora e chegou a gravar alguns álbuns, como o “Miss calypso” de 1957.

Nos anos 1960 atuou ainda como jornalista, cobrindo na África os processos de independência do Egito e de Gana.

Na década seguinte, tornou-se a primeira mulher negra a escrever o roteiro de um filme: “Georgia-georgia”, produção sueco-americana de 1972.

Com o reconhecimento de seu trabalho literário e político, foi nomeada para uma cátedra de estudos americanos na Wake Forest University, no estado da Carrolina do Norte.

Teve um dos seus momentos mais lembrados em 1993, quando foi convidada a recitar seu poema “On the Pulse of Morning” (“No pulsar da manhã”) na cerimônia de posse de Bill Clinton.

Maya Angelou morreu aos 85 anos em 2014. Ela trabalhava em um novo livro que iria contar sobre suas experiências com líderes americanos e internacionais.

‘A Livraria’ mostra a doce luta de uma mulher apaixonada por literatura

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Emily Mortimer no papel de Florence Green. Foto: Cineart Filmes

André Carmona, no Estadão

A Livraria começa com uma descrição em tom literário, como se o trecho de um romance estivesse sendo lido para o espectador. Assim, somos apresentados à história de Florence Green (Emily Mortime). Ela é uma viúva, cheia de boas intenções, que se muda para uma pequena cidade costeira da Inglaterra alimentando o sonho de abrir o próprio negócio – justamente uma loja de livros. Mas, para isso, terá de lutar. Contra tudo e contra todos.

O filme, adaptação da diretora espanhola Isabel Coixet para a obra homônima de Penelope Fitzgerald, é ambientado nos anos 1950. A população do pequeno e conservador vilarejo, ainda que sem motivo aparente, logo passa a se opor à ideia de uma livraria ali. Todos querem distância de Florence Green e de seu ‘subversivo’ empreendimento cultural.

Atacada, principalmente, pela elite local, a protagonista ameniza seu drama encontrando refúgio nas poucas e incipientes amizades. Uma delas é o sr. Brundich (Bill Nighy). Leitor inveterado, o milionário recluso desperta, ao mesmo tempo, a curiosidade e a admiração de todos. Juntos, os dois travam diálogos interessantes e, de certa maneira, cômicos sobre como lidar com a situação.

A atriz Emily Mortime se encaixa harmoniosamente na personagem que interpreta. É verdade que seu jeito frágil e a feição de eterno sofrimento contrastam com o discurso atual de empoderamento feminino, de mulheres fortes e prontas para a guerra. Nem por isso somos menos cativados por sua doce luta literária.

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