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Dia das Mães | Livros com mãe protagonista

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Rachel Guarino, na Cabana do Leitor

O que seria de nós sem as mães? Provavelmente nada. São elas que nos colocam no mundo ou que nos criam de todo o coração, nos fazendo enfrentar a vida de frente. Tem tudo quanto é mãe nesse mundão a fora: a que sempre sonhou em ser mãe, a que descobriu o talento maternal depois de muito tempo, a que nunca imaginou ter um filho e a que nunca quis ter esse emprego vitalício. O assunto ‘maternidade’ é muito delicado, cada mãe é de um jeito, mas não podemos nos esquecer de uma coisa: mãe também é gente. Tinham uma vida antes de você, caro filho(a), nascer.

Pensando nelas e em você também, de ter a oportunidade de conhecer mais desse lado humano da sua mãe, separamos alguns livros que trazem essa figura maternal como protagonista da história.

1 – Extraordinário, de R. J. Palacio

O livro não é focado na mãe, mas ela tem um papel tão importante quanto, e é retratada de uma maneira tão maternal, que entrou para a lista. A obra de R. J. Palacio gira em torno de August (Auggie) Pullman um garoto que foi submetido a diversas cirurgias quando criança, resultando em um rosto diferente do que é considerado normal pela sociedade. Então mostra toda a luta do personagem para ser considerado um garoto como outro qualquer. Esse livro mostra tanto o lado do protagonista quanto de todos a sua volta, incluindo sua mãe, que trava lado a lado as batalhas de seu filho.

2 – A Lista de Brett, Lori Nelson Spielman

Um livro simples e delicado, com uma linda mensagem por trás. A Lista de Brett conta a história de Brett Bohlinger, uma moça que parece ter a vida dos sonhos, um ótimo emprego, um lindo namorado e um loft incrível, porém, tudo muda de figura quando sua amada mãe falece e deixa em seu testamento uma lista de sonhos que escreveu quando ainda era uma adolescente. Brett precisa completar todas as tarefas se quiser receber uma gorda herança que sua mãe deixou e, a cada sonho realizado, Brett também terá o direito de ler uma carta deixada por ela. Um livro emocionante que explora o laço mãe e filha, além de sentimentos como luto, raiva e a dificuldade de aceitar o destino cruel.

3 – Cadê você, Bernadette?, Maria Semple

Bernadette Fox tem personalidade forte e é vista de diferentes maneiras por quem convive com ela. O marido a acha maníaca, para as mães da escola da filha ela só causa desgosto, enquanto para os especialistas em design ela é considerada uma gênia da arquitetura sustentável. Tudo muda quando sua filha de quinze anos, Bee, mostra seu boletim impecável e reivindica sua recompensa, uma viagem para a Antártida. O que Bee não esperava era que sua mãe desaparecesse. Na busca para encontrá-la, a jovem no auge dos seus quinze anos entra em uma jornada para descobrir quem era aquela mulher que ela julgava ser tão perfeita.

4 – Não sei como ela consegue, Allison Pearson

Livro que deu origem ao filme protagonizado por Sarah Jessica Parker, Não Sei Como Ela Consegue gira em torno de Kate Reddy, uma gerente de fundos de investimentos e que é mãe de duas crianças ao mesmo tempo. Allison Pearson traz à tona a vida secreta das mães que trabalham fora. Uma obra cômica ao mesmo tempo incrivelmente triste por retratar o que muitas passam. Auto-recriminação, mentiras, falsidade, exaustão, desespero, tudo isso é composto com precisão pela autora que traz os dilemas da maternidade em pleno século XXI.

5 – Por favor, cuide da mamãe, Shin Kyung-sook

Ao chegar em Seul para visitar os cinco filhos, Park So-nyo, de 69 anos, desaparece. Ela é deixada para trás em meio à multidão em uma plataforma da estação de metrô por seu marido, que, como sempre, acreditava que ela o estava seguindo. Essa é a última vez que é vista. O marido, com quem é casado há mais de 50 anos, embarca junto com os seus filhos em uma incansável procura por sua esposa. O livro é todo narrado por dois dos filhos, pelo marido e pela própria mãe desaparecida, marcando uma emocionante descoberta de uma mulher que ninguém, de fato, conhecia.

6 – Uma Prova de Amor, Emily Giffin

Uma Prova de Amor conta a história de Claudia Parr, uma mulher bem sucedida e sem nenhuma vontade de ser mãe. Ela encontrou o marido perfeito, Ben, que aparentemente tem a mesma vontade de não ser pai. Tudo ocorria muito bem na vida dos dois até que o imprevisto acontece e um dos dois muda de ideia com relação a gerar uma vida. E agora, o que será do casamento dos sonhos? Uma história divertida e honesta sobre como as coisas mudam em nossas vidas, o que é considerado importante e até onde se pode ir em nome do amor.

8 melhores filmes de terror baseados em livros

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Cena de 'Deixa Ela Entrar' (Foto: Reprodução)

Cena de ‘Deixa Ela Entrar’ (Foto: Reprodução)

Oscar Nestarez, na Galileu

Fãs de horror tendem a ser insaciáveis. Mal terminam de ler um livro de que gostaram e já começam a imaginar como seria a adaptação para o cinema, quem interpretaria o(a) protagonista, quem seria encarregado da direção, etc.

E, caso a adaptação já exista, correm aos milhares e milhões para assisti-la, de modo a comparar com a obra literária e a trocar impressões com outros aficionados.

Os tempos atuais são prova disso. A nova adaptação de It, romance de Stephen King, vem quebrando recordes de público — com uma semana de exibição, já virou o filme de horror mais bem-sucedido da história, em termos de bilheteria.

Por isso, elaborei uma lista com sinistro carinho para, quem sabe, assombrar suas noites e madrugadas. E para atenuar a (inevitável) polêmica e queixas dos leitores, informo que a única ordem seguida é a cronológica. Vamos lá:

Adaptações de Drácula
Começo não por uma, mas por várias adaptações. Drácula, de Bram Stoker, talvez seja o mais famoso romance de horror da história, e continua revisitado por cineastas e roteiristas até hoje. Pode fazer as contas: quantas versões (ou apropriações) você já viu?

Agora, embora o (ótimo, a nosso ver) Drácula, de Bram Stoker, de 1992, tenha esse sobrenome literário, a versão considerada mais fiel ao livro ainda é a de 1931, dirigida por Tod Browning. Sim, aquela cujo conde é interpretado pelo lendário Bela Lugosi — vale lembrar que o ator, após falecer, foi enterrado vestindo a capa do vampiro que eternizou.

Há um consenso entre especialistas de que nenhuma outra versão capturou tão bem a atmosfera vertiginosa da obra de Stoker.

Os inocentes, Jack Clayton, 1961
Do Damien de A profecia (1976) até o recente Boa Noite, Mamãe (2016), crianças assombram e são assombradas em páginas e telas há muito tempo. Mas poucas histórias são mais assustadoras do que aquela apresentada por esta adaptação da obra-prima A volta do parafuso, de Henry James.

Qual história? A de uma jovem babá (interpretada pela excelente Deborah Kerr) que vai cuidar de um casal de crianças em uma mansão, após os empregados anteriores terem desaparecido misteriosamente.

A versão de Clayton mantém o clima pesado e labiríntico da narrativa de James. Quanto a nós, espectadores, vemo-nos desamparados entre vivos que se vão, mortos que voltam e, claro, crianças assustadoras.

O Bebê de Rosemary, Roman Polanski, 1968
Um clássico controverso. Baseado na obra homônima do norte-americano Ira Levin, publicada no ano anterior, o filme de Polanski é poderoso por alguns motivos.

Em primeiro lugar, porque transpõe o tom grave da narrativa para a telona; a história da mocinha (Mia Farrow) grávida vai se adensando até beirar o insuportável — com direito a participações muito especiais (de Anton LaVey, fundador da “Igreja de Satã”, em momento culminante da história).

Em segundo lugar, porque a chegada do Anticristo, aqui, é retratada de forma sinuosa e metafórica, que vai além da dicotomia Deus x Diabo; há vínculos implícitos entre influências sobrenaturais e a sanidade da pobre protagonista. Imperdível para quem é fã de horror psicológico.

O Exorcista, William Friedkin, 1973
Hors concours em qualquer lista de cinema de horror — seja ela composta por adaptações ou não. Apresentado como “o filme mais assustador já feito”, O Exorcista de Friedkin foi baseado no livro de mesmo nome escrito por William Peter Blatty (que depois escreveu e dirigiu uma das continuações).

E ambos, livro e filme, mudaram paradigmas na ficção de horror, tanto pelo sucesso de público quanto de crítica. o filme levou dois Oscar, e foi o primeiro do gênero de horror a ser indicado para o prêmio principal, de melhor película: uma verdadeira façanha.

Para completar, a produção é cercada por mistérios. Mencionamos apenas um: durante as filmagens, oito pessoas morreram de formas ainda não muito bem explicadas.

Horror em Amityville, Stuart Rosenberg, 1979
Outro caso de livro e de filme igualmente poderosos. Publicado em 1977 por Jay Anson, Horror em Amityville tornou-se rapidamente um grande sucesso editorial — foram mais de três milhões de cópias vendidas. E dois anos depois, o livro deu origem à adaptação dirigida por Stuart Rosenberg.

O principal motivo dos arrepios é a velha frase “baseado em fatos reais”. No entanto, aqui é para valer. Anson escreveu sua história a partir dos eventos sobrenaturais vividos pela família Lutz, que, em meados de 1975, mudou-se para uma residência que logo se provou maligna. Vale lembrar também que, um ano antes, na mesma casa, ocorrera um assassinato de proporções brutais (está nos jornais da época, caso você queira pesquisar).

O iluminado, Stanley Kubrick, 1980
Mais um habitué de qualquer lista. Aqui na nossa, será o único representante das inúmeras adaptações de Stephen King (por motivos de espaço, deixaremos de fora maravilhas como Carrie, ou mesmo It). Mas um representante peso-pesadíssimo, já que tanto o livro quanto o filme estão entre os favoritos de leitores e espectadores da ficção de horror.

Muito já se falou e se fala sobre a magistral leitura realizada por Kubrick do livro (1977) — e é emblemático o fato de que o diretor praticamente ignorou o roteiro que o próprio King havia escrito. No final, o cineasta partiu da premissa literária, mas tomou algumas liberdades significativas (por exemplo, o descarte do background da família Torrance, importante para o livro; Kubrick não detalha a personalidade ou os problemas familiares de cada um deles). Ainda assim, e mesmo que afastados, filme e livro continuam poderosos.

O Enigma de Outro Mundo, John Carpenter, 1982
É bastante comum, entre aficionados, apontar a influência de H.P. Lovecraft nesta discreta obra-prima de horror e ficção científica. No entanto, o livro em que John Carpenter se baseou é de um autor menos conhecido: o norte-americano John W. Campbell, fundador da revista pulp Astounding Science Fiction and Fact.

A obra em questão é Who goes there?, ainda sem edição por aqui (e que já havia sido adaptada para o cinema em 1951, com o filme The thing from another world, de Christian Nyby). E o filme é fiel ao enredo literário: um grupo de pesquisadores isolados no Ártico descobre uma nave alienígena de milhões de anos atrás.

Liderados por Kurt Russell, os cientistas têm de enfrentar criaturas metamórficas e nada menos que medonhas. Isto graças a efeitos especiais que ainda hoje mantêm sua força.

Hellraiser, Clive Barker, 1987
Caso raro em que o autor do livro e o diretor do filme são a mesma pessoa, não poderia faltar por aqui. Embora hoje muitos considerem a “estética oitentista” um tanto carregada, é inegável o sucesso obtido pela adaptação de Clive Barker para sua própria novela The Hellbound Heart.

Ali despontava aquele que se tornaria um dos maiores vilões de telas e páginas: o sacerdote do inferno Pinhead. E, por mais pesada que talvez seja a mão de Barker, muitos fãs vibram até hoje com a carnificina perpetrada pelos Cenobitas no filme — que deu origem a nada menos do que oito continuações (até agora).

Audition, Takashi Miike, 1999
Esta não seria uma lista que se preze sem um exemplar oriental. Então, optamos por um título que consideramos tão aterrorizante quanto sádico.

Baseado em um romance homônimo de Murakami Ryu (1997), Audition é considerado até por iniciados um verdadeiro tour de force. Mas o filme engana os desavisados: a primeira metade — em que um diretor de TV, após a morte da mulher, realiza entrevistas para encontrar uma nova esposa — é pacata, lírica.

No entanto, do meio para a frente, a coisa pesa, e para valer. As sessões de tortura, bem alicerçadas pelo roteiro e por personagens verossímeis, queimam a retina. Há até quem diga que o filme de Takashi Miike, por sua força, acabou eclipsando a obra de Ryu — que passou a ser lida como um mero rascunho do roteiro.

Deixe ela entrar, Thomas Alfredson, 2008
Para concluir, uma pérola (negra) da Escandinávia. Sim, falamos da obra original, a sueca, não da versão norte-americana de alguns anos depois. O filme foi adaptado da novela vampiresca escrita por John Lindqvist, e o diretor, Tomas Alfredson, mantém a fidelidade de sua versão.

Em ambos, Oskar é um menino de 12 anos que sofre bullying na escola e se apaixona pela vizinha Eli. Ela lhe dá forças para reagir, mas guarda um terrível segredo.

O “terrível” não é força de expressão. Livro e filme carregam elementos controversos e viradas realmente arrepiantes. Além disso, as atuações de Kare Hedebrant (Oskar) e de Lina Leandersson (Eli) comovem na mesma medida em que assustam.

*Oscar Nestarez é ficcionista de horror e mestre em literatura e crítica literária. Publicou Poe e Lovecraft: um ensaio sobre o medo na literatura (2013, Livrus) e as antologias Sexorcista e outros relatos insólitos (2014, Livrus) e Horror Adentro (2016, Kazuá).

Distopias políticas vão ganhar novas edições em 2017!

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Teca Machado, no BurnBook

Depois de ter passado para o topo da lista de mais vendidos dos EUA no mês passado, uma das distopias políticas mais conhecidas do mundo, 1984, de George Orwell, vai ganhar uma nova capa e uma nova edição de capa dura.

Outra distopia política/científica que ganhou nova identidade foi O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale), de Margareth Atwood. Ambos os livros serão publicadas pela Houghton Mifflin Harcourt, uma editora americana volta para obras educacionais.

Em 1984, publicado em 1949, os personagens “vivem aprisionados na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico”. Especialistas dizem que 1984 voltou a ser best-seller justamente quando o presidente americano Donald Trump assumiu o governo. Coincidência? Talvez. De qualquer modo, uma adaptação do livro será encenada na Broadway a partir de junho.

Já O Conto da Aia, lançado em 1985, “passa-se num futuro próximo, na República de Gilead – antigos Estados Unidos da América – em uma teocracia totalitária cristã que derrubou o anterior governo democrático americano. O regime instaurado é fortemente caracterizado por uma divisão social semelhante às castas; cada membro da sociedade ocupa um lugar fixo na hierarquia social, desempenhando assim uma função específica”. O motivo de essa distopia ter voltado a ser lida pelos americanos é o anúncio que de que em breve uma série baseada nela será lançada na plataforma Hulu e tem como protagonista Elizabeth Moss, de Mad Men.

Fonte: Publishers Weekly

Satisfação latino-americana com educação é semelhante à da África

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Publicado em Folha de S.Paulo

Os países africanos e latino-americanos têm a pior avaliação do mundo sobre a educação que ofertam nas suas próprias regiões, de acordo com um estudo apresentado no congresso internacional de educação WISE.

O estudo, que ouviu especialistas em educação de todo o mundo, mostra que só 11% dos entrevistados na América Latina se declaram satisfeitos com a sua educação local. Na África, o índice de satisfação é de 8%. São as duas regiões do globo com pior satisfação em relação à sua própria qualidade de educação.

Para se ter uma ideia do que os números significam, na Europa, 66% dos entrevistados se declararam satisfeitos com a educação na sua região.

Os entrevistados dos países latino-americanos também têm a pior percepção do mundo em relação à inovação na educação na sua região. De acordo com 66% dos especialistas consultados nessa região, as escolas e universidades inovam pouco ou simplesmente não inovam os processos educativos e pedagógicos. A taxa é pior do que na África, onde 64% dos especialistas deram as mesmas respostas.

A situação da educação latino-americana está ruim, mas já foi pior: 41% dos entrevistados latino-americanos acham que a educação melhorou nos últimos dez anos. A região líder na percepção em relação à melhora recente da educação foi na Ásia (70% acham que melhorou) e, a pior, na América do Norte (só 20% consideram que melhorou).

O estudo, feito pelo Gallup, consultou 1.550 especialistas em educação de 149 países em agosto deste ano –como políticos, educadores e acadêmicos. Eles foram questionados sobre qualidade de educação nas suas respetivas regiões.

UNIVERSIDADES MELHORES

O ensino superior teve uma avaliação bem melhor dos especialistas em relação à educação básica. Apenas um em cada três entrevistados declarou que considera o ensino fundamental e médio na sua região bom ou excelente, mas metade deles acha boa ou excelente a qualidade de suas universidades.

Mais: a imensa maioria dos entrevistados concorda que o principal desafio da educação no mundo é a formação de qualidade dos professores –e, com exceção da Ásia, todas as regiões do mundo concordam que os professores devem ser tratados com mais respeito.

O estudo foi apresentado no congresso de educação WISE, que reuniu mais de dois mil acadêmicos, ongueiros e políticos de todo o mundo em Doha, no Qatar. O evento aconteceu no início de novembro.

Colégios incentivam convívio virtual de alunos e professores

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Docentes e especialista apontam os benefícios e os riscos desta nova interação

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Publicado em O Globo

Bastaram cinco minutos na entrada da escola para o professor Renato Pellizzari ser cercado por alunos. Enquanto uns perguntavam sobre reuniões, outros queriam tirar dúvidas ou ouvir dicas de vestibular. Numa resposta, o docente pediu a uma representante de turma para enviar mensagem via rede social confirmando o horário de uma reunião entre eles e outro professor. Para o coordenador de vestibular do Colégio QI, o uso dessas mídias como extensão da sala de aula é natural e positiva. Torna a comunicação muito mais dinâmica.

— As redes ajudam em muitos aspectos. É evidente que o professor deve tomar cuidado com o que publica para os alunos nas redes. Da mesma forma que ele toma cuidado com o que fala em sala de aula. Cabe ao professor estabelecer um limite — afirma Pellizzari.

Esse limite profissional nem sempre é respeitado. No último dia 27 de setembro, investigações da Controladoria Geral de Minas Gerais terminaram com a exoneração de seis professores da rede estadual acusados de assediar alunas usando redes sociais como o aplicativo de mensagens WhatsApp e o Facebook. Em um caso na cidade de Barbacena, o docente começou a enviar mensagens via WhatsApp com o conteúdo que seria cobrado na prova e, depois, passou a mandar vídeos e fotos pornográficas. Em um episódio em São João Del Rei, o professor usou o Facebook para assediar algumas de suas estudantes.

ORIENTAR É PRECISO

Maus exemplos existem, mas a comunicação via mídias sociais chegou à comunidade escolar para ficar, e pode trazer uma série de vantagens. Dois recentes seminários internacionais de educação no Brasil trouxeram casos sobre o bom uso de redes como o Facebook na prática educacional. Mas especialistas dizem que as escolas precisam orientar essa interação. Alguns colégios assumiram o meio virtual de tal forma que adotaram plataformas como Moodle, Google Escolar e Kahoot, que possibilitam criar ambientes virtuais restritos a uma determinada instituição de ensino. Com elas, professores podem mandar exercício, responder questões e dar dicas. É uma forma de o colégio oficializar a interação virtual, com controle.

A Escola Parque, na Gávea, adotou a plataforma Moodle para que alunos e professores se comuniquem fora da sala. A instituição também utiliza outros aplicativos, como o Kahoot, dentro do colégio. Com o Moodle, um docente pode enviar exercícios para a turma e saber quem viu o trabalho e por quanto tempo o aluno visualizou a tarefa. Ele também responde a eventuais dúvidas on-line. Até mesmo em sala, professores como Igor França usam a ferramenta para criar questionários que são respondidos pelos alunos com seus celulares. As respostas são conferidas pelo docente em tempo real.

— As redes sociais estão aí, e temos que lidar com elas da melhor forma. Gosto de pensar sobre o viés pedagógico. O que elas podem agregar à minha aula? Tem muita coisa que pode ser feita — comenta o professor de Ciências da Escola Parque, que também tem um perfil no Facebook criado só para tirar dúvidas de estudantes.

Igor não apenas permite, ele incentiva o uso de celular dentro de sala. Para o professor, é uma forma de tornar o aprendizado mais interessante. Um dos objetivos aqui é justamente acabar com a ideia de que as novas ferramentas estão restritas ao lazer, à conversa com os amigos. Os resultados desse estímulo podem ser vistos na própria sala. A aluna Clara Sussekind, de 10 anos, mantém um blog sobre sustentabilidade com suas amigas. Sua última postagem foi sobre os perigos dos transgênicos.

— No blog, já teve até gente desconhecida acessando — orgulha-se Clara.

Redes sociais mais populares, como Twitter, Facebook e WhatsApp, também podem ter direcionamento pedagógico. O professor de História Paulo Alexandre Filho, de Recife, explicou a Segunda Guerra Mundial de forma inovadora utilizando a rede de Mark Zuckerberg. Ele criou perfis no site com os nomes dos diferentes personagens do conflito, como o alemão Adolf Hitler e o britânico Winston Churchill. Em seguida, publicou diálogos imaginários entre eles usando gírias contemporâneas. A iniciativa foi um sucesso entre seus estudantes, mas também viralizou por todo o país.

Em redes sociais abertas, porém, alguns cuidados extras são necessários para se manter a comunicação entre alunos e professores dentro dos limites pedagógicos. Para Rosália Duarte, coordenadora de Educação e Mídia da PUC-Rio, o colégio precisa deixar claro se inclui as redes sociais em seu projeto pedagógico e, nesse caso, indicar como deve acontecer esse relação entre seus professores e os alunos.

— O aluno está nas redes sociais, o professor também. Há várias formas de se explorar bem isso. Mas alguns cuidados são necessários. O professor pode, por exemplo, ter dois perfis. Um para uso pessoal e outro para interagir com os seus alunos. Ter cuidado com o que publica também é importante — aconselha Rosália. — Além disso, se a escola adota as mídias sociais como ambiente de diálogo entre aluno e professor fora de sala, deve pagar horas extras, porque é um esforço elaborar questões, tirar dúvidas e dar dicas.

‘COERÊNCIA E BOM SENSO’

Criar perfil exclusivo para conversar com alunos é uma estratégia disseminada entre professores para que vida pessoal e profissional não se confundam diante dos estudantes. Um docente de escola particular de Minas Gerais que não quis se identificar conta que foi orientado pela direção de seu colégio a deletar sua conta no Facebook após um episódio no mínimo desagradável. Ele tinha apenas um perfil, e sua rede de amigos incluía alguns estudantes.

Certa vez, um aluno tirou uma nota baixa em uma prova minha, de Literatura, e os pais foram na escola reclamar. Eles mostraram uma foto publicada no meu perfil em que eu aparecia num bar com amigos, bebendo cerveja, e questionaram: “Que moral esse professor tem para dar nota baixa?”. Na imagem, não havia nem três garrafas na mesa, e eu sequer estava segurando um copo — conta o professor.

Para Renato Pellizzari, do QI, é importante ter coerência e alguns cuidados nesse novo ambiente de interação com os estudantes.

— Não existe mais aquele professor distante do aluno e que detém uma moral só por ser professor. Acho que a rede social humaniza e aproxima o professor dos seus estudantes. Mas é necessário que o profissional tenha coerência e bom senso. Exatamente como é esperado dele dentro da sala de aula — afirma o coordenador.

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