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Nélida Piñon: ‘Detesto o termo literatura feminina’

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Autora, que abre debates sobre escrita das mulheres, fala sobre desafio do feminismo atual

Leo Martins, em O Globo

RIO — Primeira mulher presidente da Academia Brasileira de Letras (entre 1996 e 1997), Nélida Piñon, que completa 80 anos nesta quarta-feira, abre nesta terça-feira (2) o ciclo de debates “Língua afiada: escritoras tomam a palavra”, na Caixa Cultural, às 18h30m, com mediação da professora da PUC-Rio Clarisse Fukelman. Até o dia 12, o evento convida diversas personalidades para discutir a trajetória de escritoras libertárias, perseguidas e aguerridas. A autora de “A república dos sonhos” desafiou as convenções ao longo de quase 60 anos de carreira literária, acompanhando diversas etapas do movimento feminista. Ao GLOBO, por telefone, ela comenta os novos desafios para as mulheres.

Podemos começar?

Você está gravando né?

Sim, gravando.

Ah, eu adoro que gravem! Qual é a pergunta inicial?

Vamos falar sobre o termo “literatura feminina”. Há um velho debate sobre esse termo ser adequado…

Eu detesto esse termo.

Eu sei. Seria melhor falar “literatura escrita por mulheres”?

Já sei como começar… Está gravando?

Gravando.

A escrita é, por natureza, ambígua. Portanto, ela circula pelos sexos do mundo. A escrita reflete o que nós somos. E ela não aprisiona pelos gêneros. Escrever é obrigatoriamente visitar o coração do pensamento. A mulher, embora recente no mundo canônico da cultura, é herdeira de todos os saberes humanos. Ela tem um coração tão polissêmico quanto o coração masculino. Você não fala em literatura masculina; você fala em literatura, e de preferência boa literatura. Eu acho que a literatura da mulher ocupa todos os espaços da humanidade. Isto dito, o que há são características, não de mulher e de homem, mas de escritor. Se fosse assim, como Flaubert teria podido escrever “Madame Bovary” (1856) e ter dito com todo orgulho: “Eu sou Emma”. Se ele tinha coragem de dizer que era Emma, eu tenho coragem de dizer que sou o quê? Um personagem masculino. O grande escritor que abarca os mistérios da arte narrativa é proteico, ele enverga. Ele tem que ser do sexo do homem, da mulher, ele tem que ser pedra, tem que ser mineral, animal, tem que ser coisas vivas… Ele é tudo que existe. Não existe essa história de literatura feminina.

Mas existe uma escrita de mulher?

Eu aceito que se fale em escrita de mulher. Mas eu vou sempre me opor porque há embutido nessa designação um preconceito restritivo (risos).

Qual será o seu tema no ciclo de debates?

Ah, isso eu ainda não sei. Não é por irresponsabilidade. É que eu falo há anos, eu penso desde que nasci. Se eu, a esta altura da vida, não estou equipada para falar de modo que expresse quem eu sou e o que penso do mundo, ah, é uma falência! Eu vou saber o que eu vou dizer, em torno do tema, na hora que eu subir ao púlpito com o microfone.

Mas com certeza estará relacionado com as mulheres e a literatura…

Ah sim, eu não vou inventar. Se o tema é esse, eu vou me ater a esse tema. Com todo o respeito e toda a seriedade. E tentando, enquanto falo, aprender. Quando você fala você se surpreende. Eu vou dizer uma frase: eu sou uma mulher que reservo novidades para mim. Eu gostei da frase (risos).

Ela está gravada!

Ok. Siga.

Há um movimento muito forte atualmente em relação à produção literárias das mulheres…

Acho ótimo, chegou a hora! Não é que não existisse, é que não era reconhecida.

É um movimento que pede mais presença das mulheres em todos os setores da indústria do livro.

Isso tem a ver com pequenas conquistas dessa última etapa do movimento feminista. Houve a etapa de 1920; a de 1960, que foi fundamental, o fundamento dessa leva dos últimos sete, oito anos. Tinha havido um declínio do feminismo, sobretudo no Brasil, e houve essa reviravolta graças a essas jovens que estão demonstrando uma preocupação da mulher, penso eu por conta da violência doméstica, da institucionalização do estupro. Você vê poucas vozes masculinas tomando partido forte, contundente, em defesa da mulher. Acho que quem teria que estar à frente do movimento em relação a essa violência não é a mulher, que é vítima. É a sociedade masculina que deve isso à mulher. Ela está em falta com a mulher.

Outra coisa que se nota nesta nova etapa do feminismo são campanhas, a partir de grupos organizados, para se ler mais mulheres. Esses grupos acreditam que os livros das mulheres aparecem menos, e querem corrigir essa distorção.

Bom, eu entendo dessa matéria porque sou escritora e sou mulher. Havia uma certa técnica, no passado, quando se perguntava a um intelectual “leu fulana?”, ele respondia: “Não li”. Na verdade, ele tinha lido, mas o fato de ter lido e ter percebido que a mulher tinha talento, fazia com que ele se estribasse, usasse como escudo não ter lido para neutralizá-la, apagá-la. Quando você diz que não leu, você apaga a mulher. Só existe quem você lê, aplaude.

E sua participação na visibilidade da escritora mulher é enorme. Primeira mulher presidente da Academia Brasileira de Letras…

Vou te contar uma coisa que nunca saiu publicada. Há mais de 20 anos, fui presidente da ABL no ano do primeiro centenário. Anos antes, há uma crônica do Carlos Drummond de Andrade falando sobre o preconceito contra as mulheres e sobre a Academia. Aí ele diz: quem sabe há de chegar um momento na Academia Brasileira de Letras em que não só as mulheres vão entrar na casa de Machado de Assis como, quem sabe, quando ocorrer o primeiro centenário, a presidente seja mulher E era eu. Foi uma mulher. Esse milagre se deu graças ao entendimento histórico dos acadêmicos naquele momento.

Como vê sua contribuição para as novas gerações de feministas?

Eu me lembro que, no primeiro 8 de março, jovens foram à minha casa me perguntar se eu iria participar desse movimento, que foi na ABI (Associação Brasileira de Imprensa). Eu fui. Fui falar na ABI em defesa do 8 de março, que acabou se tornando importantíssimo. Em vários momentos, participei desse movimento, nunca me esquivei. De modo que estou muito contente que essas jovens mulheres, gente de talento em diversas áreas, estão tomando à frente. Porque a hora é delas. E eu estou aqui para apoiar (risos). Apoiar e dar subsídios – caso me solicitem.

Dois sucos e a conta com Manoel Andrade

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O sertanejo que está revolucionando o ensino no interior do Ceará

O sertanejo que está revolucionando o ensino no interior do Ceará Hélio Sousa / Divulgação

O sertanejo que está revolucionando o ensino no interior do Ceará Hélio Sousa / Divulgação

Mauro Ventura em O Globo

Tudo começou em 1994, com sete jovens — seis rapazes e uma moça — estudando numa casa de farinha desativada ou debaixo de pés de juazeiro, sentados em cadeiras velhas. Moravam em Cipó, comunidade rural de apenas dez famílias a mais de cem quilômetros de Fortaleza, no Ceará. Hoje eles são milhares e estão provocando uma pequena revolução educacional no estado. É o Prece, o Programa de Educação em Células Cooperativas, que em 2014 completa 20 anos. Por trás de tudo está Manoel Andrade, de 53 anos, doutor em Química da Universidade Federal do Ceará (UFC). Um dos dez filhos de um casal de agricultores, o pai mal sabia ler e a mãe tinha apenas a quarta série primária. Como em seu lugarejo não havia escola, Manoel foi aos 9 anos morar com os avós em Fortaleza para estudar. Quando começou a pós-graduação, passou a voltar todo fim de semana a Cipó, onde teve a ideia do Prece. No programa, não há professor. Cada estudante ensina aos demais sua disciplina favorita. Juntos, esses alunos do interior compartilham conhecimentos, apoiam-se mutuamente, superam deficiências de aprendizagem e passam no vestibular.

O GLOBO: Quem eram esses sete estudantes pioneiros?
MANOEL ANDRADE:
Eram todos excluídos educacionalmente e hoje, dos sete, só um abandonou os estudos. Os demais se graduaram. Um que na época havia parado na quarta série e estava com 20 anos virou doutor em Química e pesquisador na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Outro que tinha 20 anos e cursava a sexta série está terminando o doutorado em Fitopatologia. Tem ainda um agrônomo, uma professora de História, um mestre em Educação e um graduado em Teologia.

Na época, houve reação dos pais dos jovens da região?
Sim. Os pais eram agricultores analfabetos. Na visão deles, os filhos precisavam trabalhar para ajudar a sustentar a família. Como aqueles jovens, que liam e escreviam de forma precária, entrariam na universidade? Mas, dois anos depois, um dos estudantes, Francisco Antônio, o Toinho, foi aprovado em primeiro lugar no vestibular de Pedagogia da Universidade Federal do Ceará (UFC). Seis meses depois, outro também passou. Em 1988, eram quatro na UFC. O sucesso deles atraiu outros jovens.

Como surgiu a ideia do Prece?
Tem origem num episódio que me ocorreu aos 16 anos. Um jovem, Flávio Tabosa Barroso, me convidou para participar de um grupo de estudos. Perguntou o que mais eu gostava de estudar. “Biologia.” E ele: “Então você vai nos ensinar Biologia.” Cada um ensinava aquilo de que mais gostava. Foi uma revolução na minha vida. Quando comecei a voltar a Cipó, resolvi repetir a experiência. Eu botava os meninos para estudar juntos e os levava no meu carro para conhecer a universidade. Eles se animavam ao ver que alguém da região teve sucesso graças ao estudo.

O que essa metodologia de aprendizagem em grupo mostra?
A experiência dos grupos de estudo (também chamados de células de aprendizagem cooperativa) deu certo. Não pode ser só o professor dando aula, uma transferência impositiva de um lado para o outro. Você aprende muito mais interagindo, cooperando, compartilhando conhecimentos e trocando saberes com os outros do que apenas recebendo informação.

Aqueles sete iniciais hoje são milhares…
Estamos influenciando a rede pública do Ceará. A secretaria de Educação do estado me chamou para montar um programa para cada escola estadual. Já preparamos cerca de 2.500 estudantes para organizarem grupos de estudo. Eles estão se proliferando por todo o estado e já há um programa em Mato Grosso inspirado no nosso. Graças ao Prece, cerca de 500 jovens de origem popular entraram na universidade. E mais de 30 cursam ou já cursaram a pós. E não é um êxodo rural, porque, ao ingressarem na universidade, eles passam a retornar às suas comunidades e fundam novos grupos de estudo no interior, transformando a realidade de suas regiões. Nossa utopia é contribuir para a construção de uma escola pública de qualidade.

Adolescente ‘gênio’ da Mongólia inventa sistema de alerta e vira aluno do MIT

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Publicado na Folha de S.Paulo

O adolescente mongol Battushig Myanganbayar, 17, é um dos calouros de engenharia deste ano no MIT, nos EUA, uma das melhores e mais concorridas universidades do mundo.

A diferença entre ele e os demais alunos da sua turma é que Battushig foi convidado para estudar lá.

O garoto foi descoberto pelo MIT quando cursou a disciplina “Circuito e eletrônica” no Edx, uma plataforma de cursos livres, abertos e de graça do MIT (veja mais sobre esse curso aqui).

O desempenho do garoto, então com 15 anos, surpreendeu os docentes de MIT.

Não bastassem as boas notas (ele tirou dez em tudo), o pequeno Battushig ainda desenvolveu, durante um curso, uma espécie de sirene que avisa crianças que estão brincando na rua quando há um carro de aproximando.

Ele explica a sua invenção em um vídeo do YouTube (feito em bom inglês).

Impressionada, uma equipe de professores do MIT viajou até Ulan Bator, a cidade do garoto na Mongólia, e acabou convidando o menino para se mudar para os Estados Unidos.

A história ganhou projeção e o garoto foi apelidado de “o gênio da Mongólia” pela imprensa norte-americana.

ABRE-PORTAS

O que surpreende no caso de Battushig é a evidência de que cursos on-line oferecidos por grandes universidades dos EUA em plataformas como o Edx ou Coursera podem, de fato, disseminar conhecimento e incentivar novos talentos em todo o mundo.

Esses cursos são os chamados MOOCs que, na tradução do inglês, significam “cursos massivos abertos e on-line”. Duram em média dez semanas com aulas em vídeos, trabalhos e provas. Tudo de graça e pela internet.

O Edx tem 72 cursos e funciona há dois anos (detalhe: o garoto mongol foi um dos primeiros alunos da plataforma!). O Cousera é um pouco mais novo e bem maior: são 450 cursos com quase 5 milhões de alunos em todo o mundo.

Os MOOCs são um investimento grande das universidades participantes. Mas, considerando que o que essas universidades querem são alunos gênios como Battushig, essas plataformas de cursos gratuitos podem ser um eficiente caminho de busca.

Grupo pressiona para que editoras vendam livros digitais a cegos

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Militante do Movimento Cidade para Todos, que luta pelo livro acessível, está processando três empresas

José Maria Mayrink, no Estadão

O Movimento Cidade para Todos, que reivindica equipamentos e recursos de acessibilidade para facilitar a vida de deficientes visuais, está lutando para obrigar editoras a vender versões digitais de todos os livros disponíveis em seus catálogos.

Cegos são capazes de ler esses livros, independentemente do formato em que são digitalizados, com um programa leitor de tela que transforma as palavras em voz. É um passo além do Braille, sistema para leitura tátil, de aprendizado lento e de distribuição limitada.

Cego, o psicólogo Naziberto Lopes de Oliveira, do Movimento Cidade para Todos, está processando três editoras que, segundo seu advogado, se negaram a lhe vender versões digitais de livros, sob a alegação de que o pedido contraria a lei de direitos autorais.

Oliveira perdeu a ação em primeira instância, mas ganhou em segunda, no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Como duas das três editoras – Companhia das Letras e Contexto – recorreram, o caso será julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, em Brasília.

“Reconhecemos o direito do reclamante de comprar edições digitais e não recorremos”, declarou Francisco Bilac Pinto, advogado da GEN Editorial Nacional, também processada. Já a responsável pelo setor de direitos autorais da Companhia das Letras, Eliane Trombini, disse que, por força de liminar, a editora vende livros digitais ao psicólogo. Na Contexto, o diretor comercial Daniel Pinsky alegou que sua editora não se nega a fornecer livros digitais.

O problema, segundo Pinsky, é que Oliveira insiste em comprar da editora, em vez de procurar livrarias ou pedir os livros em instituições. “Não questionamos a acessibilidade, mas ele está tentando impor um modelo de negócio, forçando-nos a vender para ele”, diz Pinsky.

Deficiente visual, o arquiteto Renato Barbato também enfrenta dificuldades. “Se quiser consultar uma obra de arquitetura, tenho de digitalizar as páginas e levar ao leitor de tela, algo demorado e caro”, afirma.

Editoras e instituições costumam encaminhar os cegos para a Fundação Dorina Nowill, antiga Fundação para o Livro do Cego. “Foi uma iniciativa de méritos fantásticos, mas que produz livros em quantidade insuficiente – cerca de 150 títulos num País que lança entre 80 mil e 120 mil por ano”, diz Barbato.

Além de defender o livro acessível, o Movimento Cidade para Todos briga também pela adaptação das calçadas, poda de árvores, identificação de ônibus nos pontos e instalação de semáforos sonoros.

Professor copia livro do Kindle usando Lego

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Austríaco usou braços de Lego e webcam para copiar um e-book do aparelho, o que é proibido pela Amazon

Kindle

Divulgação

Título original: Professor burla regras do Kindle usando Lego

Renato Santiago, na revista Exame

São Paulo — Usando um kit Lego e um computador, um professor universitário da Áustria criou um jeito curioso de burlar as regras da Amazon e do Kindle, informa o site de tecnologia All Things D. Assista como funciona a engenhoca abaixo.

O processo é simples. Peter Purgathofer colocou um Kindle de frente para um notebook aberto e, com um kit Lego Mindstorm (um conjunto de peças que permite a criação de robôs básicos), montou uma máquina com dois braços. Um deles aperta sucessivamente o botão que vira a página do e-book no Kindle e ou outro pressiona a barra de espaço. A cada página virada, uma foto é tirada.

Depois que o livro foi copiado, as fotos poderiam ser enviadas para qualquer serviço de reconhecimento de texto por imagens e pronto, o livro está copiado. “Em 2002, o CEO da Amazon, Jeff Bezos disse que ‘quando alguém compra um livro, compra também o direito de revendê-lo, emprestá-lo ou dá-lo’. Depois sua empresa criou um aparelho que viola esses direitos”, diz.

Purgathofer conversou com o All Things D e disse que não se trata de combater os livros eletrônicos, mas de recuperar direitos que donos de livros tinham antes. “O dono de um livro nem é mais dono hoje. Apenas tem um licença”, afirma.

O austríaco descreve a disciplina que ensina no Instituto Tecnológico da Áustria como um curso sobre a interação entre sociedade e tecnologia. Segundo Purgathofer, ele escaneou apenas um livro “para provar o conceito” e diz que não o compartilhou com ninguém, já que poderia ter “grandes problemas”. A Amazon não se pronunciou.

DIY kindle scanner from peter purgathofer on Vimeo.

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