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Projeto promove compartilhamento gratuito de livros em cafeterias de Manaus

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Livros gratuitos são oferecidos pleo projeto ‘Livrou’ em Manaus (Foto: Divulgação/projeto Livrou)

Lançado nesta semana, ‘Livrou’ busca difundir leitura, promover conhecimento e tolerância.

Ive Rylo, no G1

Ler para ampliar horizontes e semear a tolerância”. Esse é um dos objetivos do projeto “Livrou”, lançado nesta semana. Um trabalho de “formiguinha” que começou a invadir as cafeterias de Manaus e promover o compartilhamento gratuito de livros.

O projeto foi encabeçado por Ticiano Alves que viu na iniciativa uma oportunidade para facilitar a difusão da leitura.

“Quando eu voltei para Manaus, após um período fora estudando, eu quis realizar esse projeto aqui. A ideia inicial era que as estantes fossem na rua, para que a população em geral tivesse acesso. Mas isso iria expor as estantes a chuva e sol, além de eventualmente a vandalismo, e de depender de licença do poder público”, apontou.

Mas, como quem tem amigos nunca está sozinho, o apoio veio à galope. “Daí pensei o que mais combina com livros e me veio a ideia dos cafés, que eu frequento bastante e cujos donos são meus amigos. Eles compraram a ideia e aí tudo começou. Estou muito feliz porque já surgiram outros interessados em colocar o ‘Livrou’ em outros lugares”, comemorou.

Nesta quarta-feira (25), o cheirinho de café misturou-se com o das páginas dos livros expostos nas estantes do “Livrou”, em três cafeterias de Manaus.

Como funciona?

O projeto não tem finalidades lucrativas. Basta ir em uma dos lugares participantes, pegar um livro e ler. Pode até levar para casa também.

“É pra levar pra casa mesmo. E não precisa pedir ou devolver depois de ler. Como todo compartilhamento, é importante também que as estantes sejam alimentadas. Por isso, o ato de deixar um livro (ou vários livros) também é muito bem-vindo”, explicou Ticiano.

Quem puder ajudar a alimentar as estantes, o idealizador garante que pode ficar à vontade. Só não vale “desentocar” os livros didáticos ou técnicos demais.

“Em relação a esses livros, há de fato um desinteresse. Se não, as estantes ficarão cheias de livros que ninguém quer ler, com livros desatualizados que poderiam ter outra destinação. Agora, livros de ficção e não ficção são muito bem-vindos”, explicou.

Onde estão as estantes?

Kalena café: Rua Fortaleza, 201, Adrianópolis.
Café Suplicy: Rua Rui Alberto Costa Lins, 16 ,Adrianópolis
Café Com Texto: Rua Belo Horizonte, 1391, Adrianópolis.

Tolerância e sustentabilidade

Como leitor, Ticiano defende a ideia de que a leitura precisa ser difundida como uma ferramenta de rompimento da ignorância e intolerância.

“Numa época de fake news, bolhas de informação, superficialidades e polarização, a leitura permite a ampliação dos horizontes, o desenvolvimento de um senso crítico, semeia a tolerância e o respeito às ideias diferentes. (…) Na minha opinião a leitura permite isso”, afirmou.

A ideia de compartilhar também está relacionada com a sustentabilidade. O consumo colaborativo visa, ainda, reduzir gastos e, a longo prazo, gerar menor impacto ambiental.

“A ideia está diretamente ligada à sustentabilidade. É possível realizar outros projetos de compartilhamento para além de livros. Acho que isso é importante: fazer da nossa cidade um espaço com mais interações e um lugar melhor. O ‘Livrou’ é pequeno, mas se isso se multiplica, o efeito é gigante”, disse.

Nova York investe US$ 317 milhões em reforma de sua biblioteca mais famosa

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Biblioteca pública de Nova York (Foto: Getty Images)

Biblioteca pública de Nova York (Foto: Getty Images)

Com a nova reforma, a biblioteca ganhará 20% de espaço para salas de pesquisa, exibição e oficinas educativas e incorporará uma cafeteria, uma nova loja, um elevador e um novo terraço

Publicado na Época Negócios

A biblioteca mais emblemática de Nova York, conhecida pelos famosos leões que descansam em sua entrada, realizará a maior reforma da sua história, que custará US$ 317 milhões e não está livre de polêmicas.

A biblioteca, que fica na Quinta Avenida, está sempre bastante movimentada devido ao fluxo de turistas, mas também é uma das que mais recebe pesquisadores em todo o país, e permanecerá em obras até o fim de 2021.

Há quatro anos, um grupo de pesquisadores conseguiu derrubar o projeto de reforma anterior e ameaçou processar a instituição se esta não voltasse atrás em sua tentativa de se desfazer de suas estantes centenárias.

Com a nova reforma, a biblioteca ganhará 20% de espaço para salas de pesquisa, exibição e oficinas educativas e incorporará uma cafeteria, uma nova loja, um elevador e um novo terraço.

No entanto, o plano diretor não trata de um assunto complicado: o uso que será dado às estantes emblemáticas.

Estas, datadas de 1911, não cumprem com os requisitos de temperatura, umidade e segurança para incêndios que são necessários para as coleções mais delicadas.

É por isso que a maior parte dos arquivos que costumavam ficar nelas estão temporariamente realocados na biblioteca de Bryant Park, e suas prateleiras abrigam outra coleção diferente, a da biblioteca de Mid-Manhattan, que está envolvida em outra enorme reforma avaliada em US$ 200 milhões.

“Vamos levar um tempo antes de tomar uma decisão. É melhor demorar um pouco mais do que decidir às pressas e cometer equívocos”, afirmou o presidente da rede de bibliotecas públicas de Nova York, Anthony Marx, durante a apresentação do plano diretor em uma audiência pública nesta semana.

“Como se atrevem a chamá-lo de plano diretor se ele não contempla o aspecto mais importante da biblioteca, como o das estantes?”, questionou um usuário durante a sessão de perguntas.

“O que as pessoas querem é ter mais livros à disposição e acesso aos mesmos o mais rápido possível”, afirmou outro, que lembrou com nostalgia da época em que podia sentir o cheiro entre as estantes, pegar ele mesmo o livro e, durante o caminho, “deparar-se com outros exemplares” que sequer sabia que existiam.

Marx defendeu que, apesar dos livros estarem em outras bibliotecas, o tempo médio de entrega é de 27 minutos, e destacou que, graças a um acordo com as universidades de Harvard, Columbia e Princeton, o catálogo foi ampliado em 7 milhões de novos exemplares.

A abertura de uma cafeteria na biblioteca também levantou paixões. “Café? Café neste edifício majestoso?”, resmungou uma senhora de idade avançada, provocando aplausos do público que assistia à apresentação do plano.

Dos US$ 317 milhões do plano diretor, 144 já foram investidos na última década, e a maioria desses recursos provém de doações para a rede de bibliotecas públicas de Nova York.

Esta rede é, apesar do nome, uma fundação privada que recebe recursos públicos e particulares, e tem 92 centros distribuídos nos distritos de Manhattan, Bronx e Staten Island.

A reforma envolverá uma reorganização dos espaços. Os andares superiores receberão as salas silenciosas de leitura, para estudantes, leitores e pesquisadores, enquanto os visitantes e os eventos ficarão restritos aos andares de baixo.

A parte externa do edifício não sofrerá mudanças, exceto pela transformação de uma entrada para funcionários na Rua 40, que se transformará em um terraço com jardim, pensado para os grupos de estudantes que visitam a biblioteca, e que ajudará a descongestionar os acessos.

A arquiteta holandesa Francine Houben, cujo escritório ficará responsável pela reforma, detalhou que o edifício é “esplêndido”, mas que existem algumas salas nobres que o público não vê na atualidade, um “erro” que será reparado após as obras.

Apesar da insistência do público, que perguntou pelo futuro das estantes, Anthony Marx se limitou a dizer que todos os usos possíveis serão avaliados.

“Que uso vocês querem dar para uma estante? Coloquem nela os seus livros!”, alfinetou uma senhora presente no evento, levando o público aos risos na sala.

(Por sergi Santiago)

25 estantes criativas para guardar seus livros

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publicado no Brasil Post

Qualquer maníaco ou maníaca por livros sabe: chega uma hora que você não sabe mais onde guardá-los. Ou, caso você queira apenas dar aquela reformulada na decoração de casa, aí está outra oportunidade de dar atenção aos livros. Nada como fazer isso com criatividade.

Estantes circulares, no encanamento exposto ou em formato de árvore são alguns exemplos de como você pode dar um tratamento lúdico a seus queridos livros – a galeria abaixo vai te ajudar nisso.

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Projeto Livro na Faixa é ampliado para outros 9 terminais de SP

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publicado na Mistura Urbana

Quem passar pelos terminais Amaral Gurgel, Cidade Tiradentes, Parelheiros, Penha, Pinheiros, Princesa Isabel, Sapopemba/Teotônio Vilela e Vila Nova Cachoeirinha poderá trocar livros gratuitamente nas estantes do Projeto Livro na Faixa. A Prefeitura de São Paulo decidiu ampliar o projeto para esses nove locais, somando 21 terminais de ônibus de toda a cidade.

O Projeto Livro na Faixa foi desenvolvido no final de 2014 por meio de uma parceria entre as secretarias municipais de Transportes e de Cultura. A ideia do projeto é criar uma rotatividade de obras literárias, incentivando a leitura e promovendo a cidadania e a interação entre as pessoas por meio da troca de livros e histórias.

 

LivroNaFaixa

Para participar, o usuário interessado em um livro não precisa realizar qualquer tipo de inscrição. Basta comparecer a um dos terminais com estantes do projeto, escolher um livro e retirar de forma totalmente gratuita. O leitor não tem a obrigação de devolver a obra, mas como o sucesso do projeto depende da participação coletiva, é recomendável que após a leitura ele devolva o livro ou que a retirada de uma obra seja feita mediante à doação de outra, para que as estantes permaneçam sempre abastecidas.

Para devolver ou doar uma obra é preciso apenas comparecer a um dos terminais que integram o projeto. Não é necessário que o título seja novo, basta estar em boas condições de leitura.

Além dos nove terminais novos que passaram a receber o Livro na Faixa, outros 12 já dispõem de estantes do projeto. São eles: A.E. Carvalho, Carrão, Pq. D. Pedro, Pirituba, Bandeira, Jardim Ângela, Grajaú, Santo Amaro, Capelinha, Guarapiranga, Campo Limpo e Lapa.

Ressentimento, ciúme, vingança… e livros

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Escritores, filósofos e especialistas abordam as causas e os efeitos da questão do combate amoroso na literatura. Várias obras chegam ao mesmo tempo às estantes

Winston Manrique Sabogal, no El País

Ilustração de Fernando Vicente.

Ilustração de Fernando Vicente.

Ninguém escapa à tentação. A vingança por um ressentimento amoroso aninhada em algum canto do coração e mascarada como alívio à dor. Três livros recentes confirmam: Merci por ce moment, de Valérie Trierweiler (“Obrigada por este momento”, ainda sem editora no Brasil), é o testemunho-castigo da ex-companheira do presidente da França, François Hollande; Palais de Justice, de José Ángel Valente (ainda sem editora no Brasil), revela passagens pessoais da vida do poeta espanhol; e Así empieza lo malo, de Javier Marías (“Assim começa o mal”, também sem editora no Brasil), exemplo do argumento em uma obra de ficção.

A vingança na literatura vem de duas estirpes: a primeira, como elemento inspirador e artístico, para iluminar áreas obscuras da condição humana; a outra, espúria, para acertar contas. Segundo escritores, filósofos e especialistas, recorrer à literatura como arma de desilusão não costuma resultar em um bom livro. Por outro lado, é, sim, um território fértil para, a partir daí, criar-se obras boas. É a prova de que a vingança não é um prato que se come frio, mas sim fervendo.

Para a escritora e jornalista espanhola Rosa Montero, a literatura “busca encontrar o sentido do mundo, o sentido da vida, o sentido da dor”. “Não se pode reduzir essa busca imensa e essencial à suja, ridícula e, frequentemente, pateta pequenez de uma vingança amorosa”.

Ninguém escapa à tentação. O rastro de pranto enfurecido do ressentimento está na literatura desde os clássicos gregos e romanos, a Bíblia e As mil e uma noites até As Brasas, de Sándor Marái (Companhia das Letras), e O Túnel, de Ernesto Sábato (Companhia das Letras), passando por Otelo, de Shakespeare, e O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brönte (Landmark).

Da estirpe mais espúria vem um dos livros mais comentados da atualidade na França: Merci pour le moment. Ali, Trierweiler tenta cumprir sua promessa a Hollande – “Vou te destruir” -, assim que ele confessou a ela sua infidelidade. Em 2008 a França viveu um episódio parecido, quando Jean-Paul Enthoven publicou Ce que nous avons eu de meilleur (“O melhor que tivemos”, sem edição no Brasil): ele tinha um filho chamado Raphael quando se tornou amante de Carla Bruni. Mais tarde, ela o abandonou para ficar com Raphael, com quem teve um filho antes de se tornar esposa de Nicolas Sarkozy.

Um dos casos mais parecidos com o livro de Trierweiler, guardadas todas as distâncias literárias, foi assinado por Oscar Wilde em De Profundis (Martin Claret). Quando o autor inglês estava na prisão se sentiu traído pelo amante, Lorde Alfred Douglas, e escreveu a ele uma carta em 1897. Um breve texto que nasce do amor mas onde o escritor recorda o infortúnio causada por Douglas e desaprova certos comportamentos do amante.

Nada mais infrutífero que a vingança, adverte o narrador e poeta Darío Jaramillo. Segundo ele, o que a literatura clássica mostra “é que o vingador está sempre equivocado em relação aos fatos que dão origem ao ato vingativo. Talvez porque o amor louco distorce a percepção e faz enxergarmos coisas que não ocorreram”. Além de infrutífera, Jaramillo contradiz a opinião de que a vingança é prazerosa, porque “o vingador também pode terminar derrotado pela culpa”.

Ninguém escapa à tentação. Outra coisa é que o desenvolvimento da civilização retenha os indivíduos. E de onde vem ou onde nasce esse impulso? Desde a infância a pessoa já está familiarizada com a dialética da vingança e suas estratégias, em geral, afirma o escritor espanhol Jesús Ferrero em Las experiencias del deseo – Eros y misos (“As experiências do desejo – Eros e ódios”, sem edição no Brasil). Segundo o autor, quando se detecta o vingador em uma obra literária, “logo nos identificamos com ele, como se suspeitássemos que o deleite que sua vingança nos proporciona será superior a qualquer outro prazer literário. Por mais objeções morais que esse processo tenha, quase sempre estamos dispostos a nos apaixonar pelo vingador e a desfrutar de sua vingança, como diz [o filósofo] Fernando Savater em A Infância Recuperada (Martins Fontes)”.

É o oposto do grande sentimento ansiado e buscado: o amor. “Se aceitamos que a relação amorosa é a grande aposta intersubjetiva do ser humano, é possível entender que o fracasso dela pode ser vivido por seus protagonistas como a maior das derrotas”, reflete o filósofo Manuel Cruz, autor de Amo, luego existo – Los filósofos y el amor (“Amo, logo existo – Os filósofos e o amor”, sem editora no Brasil). A razão estaria no fato de no amor mais intenso as pessoas se colocarem nas mãos do outro. “Alcançamos o grau máximo de vulnerabilidade. Por isso nada nos prejudica tanto como o desprezo ou a rejeição vindos do outro”.

A vingança fica, assim, na órbita errática do ressentimento como um elemento fértil para o escritor. A poetisa Clara Janés afirma que se interessa por tudo, mas para transformar tudo em arte, em literatura. Todos os sentimentos lhe servem de aprendizado e exercício, se consegue criar “intensidade, beleza, profundidade e boa escrita”. Mas detesta tudo o que é melodramático. Desde a adolescência a interessam figuras como Medeia e Fedra.

Arquétipos do mundo antigo, onde a mulher casada vivia submetida ao marido, e em caso de traição ou abandono devia se resignar, recuperando seu dote em todo caso, como recorda o especialista Carlos García Gual. Mas o mito e a tragédia tornaram célebres duas mulheres muito vingativas: Medeia e Clitemnestra.

Vingança ou ressentimento que, talvez, sejam estratégias de sobrevivência por parte de quem se vê abandonado, afirma Cruz. “Porque, de fato, não faz sentido culpar ou responsabilizar alguém que deixou de nos amar: que outra coisa essa pessoa poderia fazer, se ainda resta um pouco de amor, senão nos contar a verdade? Mas assumir isso nos levaria a aceitar que a relação amorosa não responde à lógica do intercâmbio (o chamado ‘absurdo’ do amor) ou a assumirmos nós mesmos o peso do fracasso, e quase com toda a certeza isso aumentará a dor até o insuportável (porque não poderíamos evitar pensamentos sobre como pudemos deixar escapar alguém a quem confiamos a vida?)”.

Ninguém escapa à tentação. Nem a acreditar que a vingança é um prato que se come frio, o que Ferrero desmente: “Mais parece um prato que se come fervendo, que acelera as emoções e as batidas do coração e cria faíscas contínuas na mente”.

Quem escapa a seu zumbido?

Ainda que, às vezes, sejam batimentos cardíacos transformados em versos, como os de Darío Jaramillo, em seu poema Vingança:

Ahora tú, vuelta poema, / encasillada en versos que te nombran, / la hermosa, la innombrable, luminosa, / ahora tú, vuelta poema, / tu cuerpo, resplandor, / escarcha, desecho de palabra, / poema apenas tu cuerpo / prisionero en el poema, / vuelto versos que se leen en la sala, / tu cuerpo que es pasado / y es este poema / esta pobre venganza”.

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