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Editora Vieira & Lent encerra as atividades e faz promoção para zerar estoque

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Catálogo é composto por mais de 100 títulos

Catálogo é composto por mais de 100 títulos

Todos os livros da editora serão vendidos com 50% de desconto até o fim de novembro

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Criada em 2002 por Cilene Vieira e responsável pela publicação de obras de divulgação científica para adultos e, desde 2009, também para pequenos leitores, a Vieira & Lent anuncia que encerra as atividades na virada do ano.

A editora, que já publicou 130 títulos com tiragem média de 2 mil exemplares – e reimprimiu cerca de 50 deles, alguns até 10 vezes – está no azul por causa de uma grande venda de livro infantil para uma secretaria de educação. Mas o mercado editorial foi ficando em situação complicada e Cilene não gosta do rumo que as coisas estão tomando – ela não gosta, por exemplo, da ideia de vender diretamente para o leitor, algo que considera um desrespeito à cadeia do livro. Tampouco quer mudar a linha editorial, fazer livros pagos, trabalhar com pequenas tiragens ou depender de compras governamentais.

“Não considero a possibilidade de mudar a linha editorial que gerou a criação da editora. Ocupo um nicho único no mercado, com livros escritos, em sua maioria, por jovens autores nacionais. Editar por editar é fácil e tem milhares de editoras por aí. O desafio é se manter firme em sua linha editorial e não se trata de um negócio com corrida desenfreada para gerar lucro.”

Mas gerar receita se tornou uma necessidade, ela explica, “já que o mercado não atua/responde como antes”. Ela já experimentou publicar ficção para sentir a receptividade do mercado. Os infantis seguem a linha da Vieira & Lent e são da área de educação científica. “Mas editar infantil é apenas uma seção, um selo, nunca foi meu desejo ter uma editora de livros infantis, não é minha vocação”,explica.

Além da questão da diminuição das vendas, ela cita outros entraves, como o abrupto cancelamento do cartão BNDES usado para financiamento de produção (papel e gráfica). “Isso aconteceu comigo justamente num período em que eu lançava quatro novos títulos e oito reimpressões. Foi um baque e comecei a pensar em encerrar. O Brasil que se desenhava não seria receptivo a pequenos empreendedores”, contou. Isso ocorreu no segundo semestre de 2013. “Minha independência, no sentido rigoroso do termo, sempre foi muito preciosa. A única coisa que não consigo abrir mão.”

Até o dia 30 de novembro, os livros que sobraram da divisão que a editora fez com seus autores serão vendidos pelo site da Vieira & Lent com 50% de desconto. “Achei que seria gentil com nossos leitores”, conclui a editora.

Amazon vai comprar o estoque remanescente da editora Cosac Naify

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Impressão. Edição do livro 'Peter e Wendy', em 2012.    FOTO: CLAYTON DE SOUZA/AE

Impressão. Edição do livro ‘Peter e Wendy’, em 2012. FOTO: CLAYTON DE SOUZA/AE

Varejista online já vendia com exclusividade os livros da casa, que anunciou seu fechamento de forma repentina em novembro de 2015

Guilherme Sobota, no Estadão

A Amazon vai comprar o estoque remanescente da Cosac Naify – cerca de 230 mil exemplares que permanecem no estoque em Barueri serão adquiridos pela varejista, praticamente encerrando o problema que a editora tinha sobre a destinação final dos livros restantes desde que anunciou seu fechamento em novembro de 2015. A negociação foi concluída nesta semana.

Desde o início deste ano, a Amazon tinha exclusividade para adquirir os livros da Cosac e vendê-los em seu site – foram cerca de um milhão de exemplares vendidos em doze meses de 1,2 mil títulos que a editora tinha em catálogo. As informações foram confirmadas pela direção da Cosac Naify e pela Amazon ao Estado.

Agora, restam cerca de 600 títulos no estoque em Barueri. O acordo final já foi selado – nenhuma das empresas fala em cifras totais – e agora está em processo a efetivação da venda e o acerto dos detalhes da operação, o que deve acontecer na próxima semana. A Cosac Naify vai então apurar todas as informações e passar à fase final de encerramento da empresa, que começou no final do ano passado após uma decisão de Charles Cosac.

Essa próxima fase diz respeito à prestação de contas de direitos autorais do segundo semestre de 2016 e outras obrigações fiscais da empresa, que mantém um escritório no bairro de Santa Cecília com seis funcionários. A diretoria da editora diz estar tranquila e satisfeita com os rumos finais do encerramento do negócio.

Em setembro, a notícia de que a Cosac poderia transformar os livros remanescentes em aparas até o fim de 2016 repercutiu no mercado editorial, com muitos profissionais questionando por que a editora não buscaria outra forma de encaminhar o estoque. Em entrevista à revista Veja no início de dezembro, porém, o próprio Charles Cosac indicou que os livros não seriam picotados.

“Foi uma parceria bastante produtiva durante o ano”, diz o gerente geral para livros físicos da Amazon.com.br, Daniel Mazini. “Desde o início de 2016, vínhamos com a ideia de vender o máximo possível dos livros da Cosac, a demanda continuou sempre grande, e deu tão certo que esse máximo possível virou tudo”, comentou, apontando para as promoções agressivas que a varejista faz com os livros da editora no site.

Entre os livros mais vendidos pela loja desde o início do ano, estão Contos Completos e Guerra e Paz, de Tolstoi, e Os Miseráveis, de Victor Hugo, os três títulos ainda disponíveis. Diferente da prática mais comum no mercado, a Amazon não costuma consignar livros, preferindo a opção de compra, o que nesse caso casou com a necessidade da editora em fase de encerramento.

NÚMEROS

* 1,2 milhão de exemplares estavam no estoque da Cosac Naify em Barueri quando o acordo com a Amazon foi feito em janeiro de 2016, de cerca de 1,2 mil títulos.

* 230 mil livros ainda estão lá e agora serão adquiridos pela varejista na sua totalidade. Restam cerca de 600 títulos, que formam agora o “legado final” da casa.

Autores da Cosac Naify lutam para não terem seus livros destruídos

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Vanessa Barbara e João Carrascoza publicaram pela Cosac Naify - Divulgação / Agência O Globo

Vanessa Barbara e João Carrascoza publicaram pela Cosac Naify – Divulgação / Agência O Globo

 

Estoque remanescente da editora será transformado em aparas até o fim do ano

Bolívar Torres, em O Globo

RIO — Se o anúncio do fechamento da Cosac Naify, no fim do ano passado, pegou os autores da casa de surpresa, a notícia de que as sobras de seu estoque podem ser destruídas até 31 de dezembro trouxe um sentimento geral de desolação — mas também uma pressa redobrada. Confirmada na semana passada no site “Publishnews” por Dione Oliveira, diretor financeiro da editora, a informação fez os escritores acelerarem a busca para reaver os últimos exemplares de suas obras e salvá-los da “fogueira”.

Paralelamente à venda pela Amazon de todo o estoque da Cosac a preços reduzidos — a partir de um acordo fechado recentemente —, alguns escritores aproveitam os descontos previstos em seus contratos (que chegam a 70%) para comprar seus próprios títulos com a editora. Outros esperam dela uma proposta de doação. Há, ainda, os que se dizem perdidos, sem saber como proceder, já que não foram procurados pela empresa editorial.

— Estou, no momento, tentando um contato na Cosac para ver se eles terão algum esquema para os autores — conta Vanessa Barbara, que nos últimos dias vem divulgando nas redes sociais o seu “O livro amarelo do terminal” (2008), para “salvá-lo do esquartejamento”. — É uma pena isso tudo, dá vontade de ir ao estoque, se acorrentar aos livros e depois levar todos pra casa.

Desde que Charles Cosac encerrou bruscamente as atividades de sua empresa, as dúvidas sobre o futuro das obras atormentam os autores. Gerente-geral para livros impressos da Amazon, Daniel Mazini informa que a varejista comprou 1.350 títulos — destes, porém, apenas 250 já se esgotaram tanto no estoque dela quanto no da Cosac. Entre os mais vendidos não estão os autores nacionais, mas os clássicos estrangeiros, como “Guerra e paz” e “Os miseráveis”. Os estrangeiros também dominam a lista dos esgotados, como “O clube do suicídio e outras histórias”, de Robert L. Stevenson; “Onde vivem os monstros”, de Maurice Sendak; e “O que é o cinema?”, de André Bazin.

Em março, a Cosac confirmou a transferência de 300 títulos para as editoras do Sesi e do Senai. Parte do catálogo também foi vendida para a Companhia das Letras. O problema é que, para serem reeditadas em suas novas casas, as edições originais não podem continuar circulando a custo baixo no mercado. Por isso, a destruição é vista como uma solução rápida — e até benéfica para os escritores, já que lhes permite se “libertar” da sua antiga empresa.

A prática não é estranha entre as editoras, já que manter livros encalhados custa caro. O que torna o caso da Cosac peculiar, contudo, é que a qualidade de suas edições tem motivado seus autores a mantê-las vivas, mesmo que fora do mercado. Com quatro livros publicados pela Cosac, João Anzanello Carrascoza já negociou a transferência de seu “O volume do silêncio” para a Editora do Sesi e de “Aquela água toda”, “Aos 7 e aos 40” e “Caderno de um ausente” para a Alfaguara. Mesmo assim, o escritor fez questão de comprar da Cosac 20 exemplares da edição original de cada um.

— Acho importante porque são edições excelentes, e que agora vão virar relíquias — conta Carrascoza, destacando a qualidade do papel, da diagramação e da impressão.

Trabalhando há alguns anos no meio editorial, o escritor Estevão Azevedo não ficou exatamente surpreso ao descobrir que seu romance “Tempo de espalhar pedras” (2014) poderá virar aparas. Ainda assim, tinha esperança de que o desfecho fosse outro.

— Como a Cosac não faliu e pertencia a um milionário, não se esperava que algo feio como destruir livros fosse feito por questões contábeis — diz. — É difícil crer que, com criatividade e vontade, não exista algo a se fazer com títulos bons como esses.

Estevão, que recebeu a notícia do fechamento da editora pouco depois de ganhar o Prêmio São Paulo por seu livro, conta que vem comprando alguns exemplares na Amazon, mas ainda espera alguma doação por parte da Cosac.

— Seria mais justo, porque eu tive prejuízo com o fim da editora bem no momento em que meu livro ia finalmente vender alguns exemplares, por conta do prêmio — lamenta.

Para a poeta Laura Liuzzi, que em 2014 lançou “Desalinho” pela editora, a possível aniquilação do estoque é “de uma violência simbólica total”.

— Não imaginava que isso ia acontecer, não tenho uma imaginação tão cruel — diz Laura. — A própria notícia de que a editora iria acabar me veio pelos jornais, e jamais por algum comunicado da Cosac. Não fui avisada do que aconteceria com os livros, com os direitos, nada.

Ela acaba de comprar um lote de seu livro com 70 por cento de desconto. O problema é que, com cada exemplar a R$9,60, a compra em grandes quantidades saíria cara demais:

— O ponto pra mim é que os livros foram feitos pra circular. Com certeza inúmeras bibliotecas aceitariam uma doação, e me interessa menos ter uma pilha de meus próprios livros em casa do que imaginá-los espalhados em outras estantes.

Por mais que a destruição do estoque faça sentido economicamente, a imagem ainda é pesada demais para alguns autores.

— É absurdo que destruir encalhe seja a solução mais viável no nosso mercado, que já é tão pobre — diz Natércia Pontes, que negocia com o Sesi uma reedição de seu “Copacabana dreams“, lançado pela Cosac em 2012. — Preferiria uma performance filantrópica: botar o estoque em um trator e jogar uma montanha daqueles livros lindos na Praça da Sé. As pessoas iam pegando e saindo correndo.

A agente literária Lucia Riff, que conta com um bom número de autores publicados pela casa, tenta negociar uma outra solução. Ela propôs à Cosac uma doação de lotes de 300 exemplares da sobra do estoque para bibliotecas de São Paulo. O governo se encarregaria de receber os livros, organizar os lotes e fazer a distribuição. Tudo seria auditado, para evitar que os volumes voltassem ao mercado. Lucia também pediu centenas de exemplares para seus autores, seja por doação, por preço de custo ou abaixo deste.

— Nada apaga o luto pelo fechamento da Cosac da noite para o dia, mas uma doação amenizaria o prejuízo que deu aos autores — explica. — Muitos deles ficaram em choque, porque não sabiam que a destruição era o procedimento nesses casos. A impressão é que essa notícia fez a ficha cair, que agora, sim, é o fim da editora.

Procurada pela reportagem, a Cosac, através de Dione Oliveira, respondeu, por e-mail, que já havia se posicionado sobre o assunto e que não “há mais nada a dizer no momento”. O diretor financeiro já havia declarado em outras reportagens que doações não seriam viáveis, por gerarem um “transtorno contábil”. A comoção em torno da notícia levanta questões pouco faladas no Brasil: o excedente produtivo das editoras e a falta de incentivo para doação, que esbarra nos altos custos de transporte e embalagem.

Para o economista Henrique Farinha, publisher da Editora Évora, a aniquilação do encalhe faz “parte do jogo”. Ele concorda que a Cosac não terá outra saída, mas acredita que, se o país contasse com iniciativas criativas do mercado e uma maior conscientização da sociedade civil, o destino dos livros poderia ser outro.

— A Cosac apenas expôs a situação, que afeta muitas outras editoras. Ela tem uma aura especial em torno do seu catálogo, é vista como uma editora “cult”, com livros extremamente bem produzidos. Daí muitos que nem atentavam para o problema se comoveram. Mas poucos pensam em tudo o que o envolve — observa. — Essa situação é apenas uma prova de que, embora existam soluções possíveis, nunca houve disposição de discuti-las. Por exemplo, o governo poderia transformar as doações de livros em créditos para abatimentos de impostos para toda a cadeia, formada por editores, armazéns e transportadoras.

Se não forem vendidos ou doados, livros podem virar papel higiênico

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Galpão de empresa que faz aparas de papel em São Paulo

Galpão de empresa que faz aparas de papel em São Paulo

 

Mauricio Meireles, na Folha de S.Paulo

Sabe como um editor faz para se matar? Ele sobe na pilha de livros encalhados –motivo de sua terrível dor de cabeça– e pula. Pelo menos é essa a piada corrente no meio, para ilustrar o problemão que é se livrar das obras que não deram certo.

Quando nem fazer promessa para São Jerônimo, padroeiro dos editores, dá certo, uma das soluções é destruir os livros –ou “transformá-los em aparas”, eufemismo preferido pelos profissionais do ramo.

O assunto veio à baila na semana passada, revestido de indignação com a notícia de que a Cosac Naify poderia destruir os livros de seu estoque que não fossem vendidos até o fim do ano. À Folha a editora afirmou que essa era apenas “uma das possibilidades”.

Pode parecer uma medida radical, mas é um caminho ao qual a maioria das editoras apela –aqui e no mundo.

A última edição da pesquisa de produção e vendas do setor, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, mostra que, em 2015, 57 milhões dos 446 milhões de exemplares impressos no país não foram vendidos.

Em geral, o argumento dos editores é que é caro manter os livros em galpões alugados –e nem sempre promoções ou vendas a empresas de saldões acabam com o estoque. De todo modo, eles veem a medida como “a última opção”.

“É triste, num país com o baixo índice de leitura do Brasil, vender livros como aparas. É quase a mesma coisa que jogar no lixo. É o último dos recursos. No ciclo de vida de um livro, há outras opções antes”, diz Sônia Jardim, presidente da Record.

O valor das aparas é irrisório. De acordo com a Anap (Associação Nacional de Aparistas de Papel), o preço hoje está em cerca de R$ 0,60 a cada quilo. Um livro como “O Código Da Vinci” (Arqueiro), que está longe de ser um encalhe, hoje custa R$ 44,90. Transformado em aparas, valeria R$ 0,40.

Como em geral o mercado de aparas trabalha com toneladas, seria preciso uma pilha de 33 metros da mesma obra para atingir a cifra (de fato, um editor morre se pular dessa altura, que equivale a um prédio de 11 andares).

Uma vez picotados, é provável que os livros virem papel higiênico –e não dos bons, porque os de folha dupla preferem fibras virgens de celulose. De acordo com a Anap, 70% da produção vai para a indústria desse tipo de papel.

De todo modo, produtores de aparas consultados pela reportagem dizem ser raro receberem livros para destruição.

“Não temos um número, porque não é significativo. A maior parte do fornecimento é de sobras das gráficas. E o papel do livro está em quarto lugar na escala de qualidade, por conta da tinta”, diz Pedro Vilas Bôas, consultor da Anap.

Por que então não doar o encalhe para bibliotecas? Editores em geral reclamam de precisarem arcar com a logística de uma doação –somado à crença de que bibliotecas não têm interesse em receber centenas de exemplares de um mesmo título.

“É preciso ver os contratos [com os autores, se permitem a doação], caso a caso. Quando o autor é estrangeiro, pior ainda. Há o frete da doação também. Doar não é uma coisa simples”, diz Luis Antonio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro.

Ele destaca ainda que já trabalhou com franquias internacionais de livros cujos contratos determinavam que, quando expirassem, o estoque devia ser destruído.

“Há canais para doar o encalhe, como o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, mas os editores não costumam gostar de doar para o governo”, diz Galeno Amorim, ex-presidente da Biblioteca Nacional.

Amorim vê na rejeição em doar para o governo o medo –não infundado– de que o poder público deixe de comprar livros se passar a recebê-los de graça. Em anos bons, as compras governamentais chegam a representar um terço do faturamento do ramo.

A destruição dos livros não é uma questão só no Brasil. A editora portuguesa Bárbara Bulhosa, da Tinta da China, diz que nunca precisou destruir seu encalhe –mas que os grandes grupos no país o fazem.

“Acabei de doar 24 mil livros para o Ministério da Cultura. Mas publico obras de referência, por isso eles quiseram”, diz Bárbara.

Para ela, a produção de encalhes numerosos está relacionada à concentração do mercado global em grandes grupos, com seu foco nos best-sellers –que costumam ter enormes tiragens e nem sempre são o foco das bibliotecas públicas.

“Por isso acho um absurdo destruírem o estoque da Cosac. Eles produzem livros como nós. Exportem para Portugal, tenho certeza de que haverá quem compre.”

Cosac Naify vai picotar livros que não vender até dezembro

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Livros: “seria fantástico se a Amazon tivesse comprado todo o estoque, mas não aconteceu", disse diretor da Cosac

Livros: “seria fantástico se a Amazon tivesse comprado todo o estoque, mas não aconteceu”, disse diretor da Cosac

 

Luisa Melo, na Exame

São Paulo – Em 31 de dezembro, os livros que ainda restarem no estoque da Cosac Naify terão um destino dramático: eles serão picotados.

A editora, que decidiu encerrar as atividades no fim do ano passado depois de acumular prejuízos, alega que não pode mais arcar com o custo de manter guardados os exemplares que não são vendidos.

“Infelizmente, temos obras que ainda têm um volume muito grande em nossos estoques. (…) Não dá para ficar guardando esses livros que não têm giro. É muito caro”, afirmou o diretor financeiro da empresa, Dione Oliveira, em entrevista ao site Publishnews.

Depois que a Cosac fechou as portas, os direitos de publicação de alguns de seus títulos foram transferidos para outras editoras e a Amazon negociou exclusividade para comercializar o estoque.

Desde então, a varejista online organizou diversas promoções. Algumas obras, inclusive, chegaram a ser reimpressas.

Entretanto, a companhia parece não ter se interessado por todos os livros que a Cosac tinha à disposição.

“Seria fantástico se a Amazon tivesse comprado todo o nosso estoque, como dizem por aí, mas isso não foi verdade, infelizmente”, disse Oliveira.

Ele não revelou quantos itens a editora ainda guarda.

O executivo descartou a possibilidade uma fazer uma liquidação dos exemplares porque alguns deles já tiveram os direitos cedidos a outras editoras e, inclusive, foram publicados com os novos selos.

“Se eu inundo o mercado com uma grande oferta desses livros, os novos detentores dos direitos terão dificuldade em vender seus livros. Nós temos ponderado isso”, disse.

Ele também afirmou que a Cosac não pensa em doar os exemplares a bibliotecas ou aos autores, porque a companhia não tem tempo, pessoal e nem dinheiro para arcar com isso.

“Tem um problema que muitas pessoas desconhecem. Doações geram um transtorno contábil na empresa. Se faço uma doação de um livro, tenho que reconhecer o custo disso. Se eu faço a doação de um volume considerável de livros, eu gero um resultado financeiro negativo absurdo, fora da curva”, afirmou.

Procurada por EXAME.com, a Amazon disse que continuará a vender os livros da Cosac Naify com exclusividade e que manterá as promoções. A empresa também afirmou que “não discute suas estratégias comerciais” da editora.

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