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Com crise, cai número de alunos na rede particular de ensino superior

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Leonardo Wen/Folhapress

Leonardo Wen/Folhapress

Isabela Palhares, no UOL

Pela primeira vez em 11 anos, o número de alunos na rede particular de ensino superior caiu no Brasil. Em 2016, as instituições de ensino particular tinham 6,05 milhões de matriculados – 16,5 mil estudantes a menos do que no ano anterior. Para representantes do setor, a queda se deve à redução dos contratos do Financiamento Estudantil (Fies) e à crise econômica no País.

Os dados constam em resumo do Censo da Educação Superior 2016, divulgados nesta quinta-feira, 31, pelo Ministério da Educação (MEC). Estavam cursando o ensino superior no ano passado 8 milhões de estudantes, sendo que a rede privada concentra 75,3% das matrículas. As instituições de ensino registravam aumento desde 2006 – quando tinham 3,6 milhões de alunos.

Já as universidades públicas mantêm praticamente estável o número total de alunos, com 1,99 milhão de matriculados no ano passado – um aumento de 1,9%, em relação a 2015. No entanto, a rede pública registrou queda de 0,9% no número de ingressantes em cursos de graduação, com 529,5 novas matrículas em 2016, 4,8 mil a menos do que no ano anterior.

A queda coloca o País ainda mais distante de atingir a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê elevar a taxa líquida de matrículas nessa etapa para 33% da população de 18 a 24 anos – em 2015, apenas 18,1% das pessoas nessa faixa etária estavam no ensino superior.

Este é o segundo ano consecutivo em que o País registra queda no número de ingressantes em cursos presenciais de graduação – acumulando, desde 2014, uma perda de 10,1% de novos alunos. Em 2014, entraram nesses cursos 2,4 milhões de estudantes e, em 2016, foram 2,1 milhões.

A diminuição de matrículas ocorreu ao mesmo tempo em que o governo federal restringiu o acesso ao Fies, colocando como regras, por exemplo, a exigência de nota mínima de 450 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e teto de renda para os candidatos. Em 2016, foram 203,5 mil contratos firmados, de acordo com o Ministério da Educação. O número caiu desde 2014, quando o governo registrou 732,7 mil contratos.

“É um reflexo nítido da crise econômica, aumento do desemprego e a diminuição drástica do Fies. Esse cenário mostra que o País não tem política pública para o ingresso no ensino superior. A perspectiva para os próximos anos também não parece muito boa já que o Novo Fies tira muitos benefícios dos alunos e quase inviabiliza a oferta de vagas por financiamento pelas instituições”, disse Sólon Caldas, diretor executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes).

Distância

O aumento de ingressantes nas graduações a distância segurou a queda de novos alunos no ensino superior. A modalidade teve um aumento de 21,4% nas novas matrículas, passando de 694,5 mil estudantes em 2015 para 843,1 mil no ano passado. Os ingressantes que optam pelo ensino a distância já são 28,2% do total – em 2006, a proporção era de 10,8%.

“O que evitou uma queda ainda maior de novos alunos e de matriculados foram os cursos a distância. Eles não são contemplados pelo Fies e têm um público em uma faixa etária mais velha. Quem ficou de fora da faculdade foi o aluno que terminou o ensino médio, aquele que iria ingressar num curso de bacharelado presencial”, disse Caldas.

Alunos de medicina da USP usam aulas de dança como antídoto para a pressão do curso

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Aulas ocorrem às terças e quintas-feiras, no horário de almoço dos estudantes (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Aulas ocorrem às terças e quintas-feiras, no horário de almoço dos estudantes (Foto: Marcelo Brandt/G1)

 

Objetivo do MedDança é que alunos tenham uma válvula de escape durante a semana – entre tantas provas, atividades e aulas integrais.

Luiza Tenente, no G1

Depois de quatro horas seguidas, a aula acaba. Os alunos de medicina da Universidade de São Paulo (USP) saem correndo dos laboratórios – mais um pouco e já precisarão estar de volta aos cadernos e livros, para mais quatro horas de estudo. Vão para o restaurante? Não. Querem dançar.

Entram no teatro e começam a se alongar. Largam a mochila e a música toca: pode ser forró, samba, street dance, hip hop, ballet, zumba. Das 12h às 13h30, duas vezes por semana, os alunos escolhem a dança como forma de aliviar a pressão que sofrem na faculdade. “É um relaxamento para a alma. A gente consegue levar o dia com mais leveza a partir dali”, diz Júlia Fray, do 3º ano, uma das atuais diretoras do projeto.

O grupo, chamado MedDança, foi criado em 2014, por iniciativa dos próprios estudantes de medicina. Um ano depois, passou a ser uma extensão oficial da faculdade. “Desde a festa de aprovados do cursinho, eu e mais quatro pessoas pensávamos em como criar um espaço de dança para os alunos. Montamos então um grupo aberto, para qualquer estudante que quisesse participar, do primeiro ao sexto ano de medicina”, conta Mônica Verdier, uma das criadoras do MedDança.

O objetivo do projeto é oferecer um ambiente de relaxamento e de descontração – sem a pressão e a rigidez de precisar comparecer a todas as aulas ou de se tornar profissional de dança. Às terças-feiras, o momento é só do grupo: um dos integrantes pode ensinar uma coreografia aos demais, por exemplo. Às quintas, um professor convidado dá aula de alguma modalidade de dança. “A gente tem uma agendinha com os nomes de alguns profissionais que já toparam vir. Eles são pagos com a verba do centro acadêmico da faculdade”, conta Júlia.

Depois dos encontros do MedDança, os alunos têm poucos minutos para almoçar e voltar à sala de aula. Mesmo assim, os cerca de 35 estudantes que participam do grupo garantem que vale a pena dançar. “A gente precisa desse tempo para parar a rotina de prova e de aula. Nosso curso é integral e, à noite, ainda tem trabalho e estudo em casa. Fora as atividades de fora da graduação, como iniciação científica”, conta outra diretora, Isabella Sales, do 3º ano.

Encontros do MedDança fazem com que alunos de medicina conheçam colegas de outras salas (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Encontros do MedDança fazem com que alunos de medicina conheçam colegas de outras salas (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Mônica, agora no 5º ano, garante que a dança se torna ainda mais necessária ao longo do curso. “A vida vai ficando ainda mais corrida. Vir dançar me faz focar melhor no atendimento aos pacientes, por exemplo. É minha válvula de escape”, diz.

No teatro, misturam-se jovens com diferentes perfis: alguns descobriram o prazer da dança ali, como Patrick Leon. É difícil acreditar que seja sua primeira experiência: ele exibe coreografias individuais antes da aula começar e é aplaudido pelos colegas. Outros já tinham uma relação antiga com algum ritmo – Júlia fazia dança de salão, Isabella sempre foi do ballet e do jazz. “A gente conhece modalidades totalmente diferentes aqui. E o mais legal é que, nas aulas, dá para conhecer o pessoal dos outros anos do curso. Virou um grupo de amigos”, diz Júlia.

O grupo começa a se preparar para a grande apresentação de fim de ano, que será aberta ao público. “Nosso objetivo é que a plateia também sinta o prazer da dança”, diz Isabella. “É uma energia que liberta.”

Aluno da USP cria projeto para ajudar estudantes de baixa renda a entrar na universidade

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Lucas Gandolfi, do Semeando Educação (Foto: Estadão Conteúdo)

Lucas Gandolfi, do Semeando Educação (Foto: Estadão Conteúdo)

Lucas Gandolfi comanda o projeto Semeando Educação, que oferece palestras em escolas públicas para mostrar as possibilidades e oportunidades de fazer faculdade

Publicado no PEGN [via Estadão]

ara realizar o sonho de se formar em uma universidade, o estudante Lucas Gandolfi, de 25 anos, e sua família saíram de uma casa em Francisco Morato, na região metropolitana de São Paulo, para viver em uma favela da capital, a Canta Galo, na região de Pirituba, na zona norte.

Seus pais, uma empregada doméstica e um marceneiro, já trabalhavam na cidade e decidiram que a mudança poderia garantir um futuro melhor para os filhos – a irmã de Gandolfi havia sido aprovada na instituição um ano antes.

Hoje cursando o 4.º ano de Medicina, Gandolfi prestou seis vezes o vestibular – estudou por quatro anos no cursinho da Poli – até ser aprovado. “Por mais que houvesse algum tipo de bonificação para quem vem da escola pública, a defasagem era muito grande”, diz.

Por causa da baixa renda de sua família, o estudante poderia pedir uma vaga na moradia estudantil da Faculdade de Medicina da USP (Fmusp), mas preferiu levar os R$ 400 do auxílio oferecido pela universidade para ajudar em casa. Como o curso é em tempo integral, ele não consegue trabalhar. “Viemos para cá em uma condição muito deficitária.”

Foi com base nessa experiência de vida que o estudante criou, com ajuda de outros colegas de realidade semelhante, o projeto Semeando Educação, que oferece palestras em escolas públicas para mostrar as possibilidades e oportunidades de se cursar uma universidade gratuita. “Existem muitas pessoas que nem sequer conhecem o vestibular e as oportunidades que uma faculdade pode oferecer”, diz Gandolfi.

Quando fazem a peregrinação por escolas, os alunos contam como funciona a vida universitária, dão dicas de como passar no vestibular e apontam possibilidades para estimular quem ainda está no ensino médio. “Uma pessoa da periferia pode se destacar em uma área que ela gosta, adquirir técnica e depois voltar para a comunidade de onde veio para praticar esse conhecimento. Ninguém melhor do que ela para saber os problemas reais dessa comunidade”, diz o estudante.

Moradia subsidiada é um dos desafios
Uma das questões inerentes à chegada de alunos com menos condições é como alojá-los. No câmpus Butantã houve 3.832 inscritos para concorrer a uma bolsa de moradia neste ano, o dobro em relação a 2013. Mas o número de vagas na Cidade Universitária caiu: passou de 206, em 2013, para 165, em 2017.

Segundo Anuário Estatístico da USP, em 2016, 16,4% dos ingressantes tinham renda familiar mensal de até três salários mínimos. O governo estuda repasse extra de R$ 260 milhões para moradia e alimentação.

Como o Canadá se tornou uma superpotência em educação

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O Canadá subiu ao topo do rankings de educação internacionais

O Canadá subiu ao topo do rankings de educação internacionais

 

Em debates sobre os melhores sistemas educacionais do mundo, os nomes mais citados costumam ser de países nórdicos, como a Noruega e a Finlândia, ou de potências como Cingapura e Coreia do Sul.

Sean Coughlan, na BBC Brasil

Embora seja muito menos lembrado, o Canadá subiu ao topo dos rankings internacionais.

Na mais recente rodada de exames do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, entidade que reúne países desenvolvidos), o Canadá ficou entre os dez melhores países em matemática, ciências e interpretação de texto.

As provas são o maior estudo internacional de desempenho escolar e mostram que os jovens do Canadá estão entre os mais bem educados do mundo.

Eles estão muito à frente de vizinhos como os Estados Unidos e de países europeus com quem têm laços culturais, como o Reino Unido e a França.

O Canadá também tem a maior proporção de adultos em idade produtiva com educação superior – 55%, em comparação com uma média de 35% de países da OCDE.

Alunos imigrantes

O sucesso do Canadá em testes escolares é incomum ao ser comparado com tendências internacionais.

Os países com melhor desempenho costumam ser pequenos, com sociedades homogêneas e coesas e com cada pedaço do sistema educacional integrado a uma estratégia nacional – como em Cingapura, que tem sido usado como exemplo de progresso sistemático.

O Canadá nem sequer tem um sistema educacional nacional, pois a organização é baseada em províncias autônomas. E é difícil imaginar um contraste maior entre uma cidade-Estado como Cingapura e um país de dimensões continentais como o Canadá.

Em uma tentativa de entender o sucesso do Canadá na educação, a OCDE descreveu o papel do governo federal no setor como “limitado e às vezes inexistente”.

Também é bem conhecido o fato de que o Canadá tem um alto número de imigrantes em suas escolas. Mais de um terço dos jovens no Canadá têm ambos os pais oriundos de outro país.

Os filhos das famílias de imigrantes recém-chegados se integram em um ritmo rápido o suficiente para ter o mesmo desempenho de seus colegas de classe.

Quando o último ranking da OCDE é analisado em detalhe, os resultados regionais do Canadá são ainda mais impressionantes.

Se as províncias se inscrevessem no teste como países separados, três delas (Alberta, Quebec e British Columbia) estariam entre os cinco primeiros lugares em ciências, junto com Cingapura e Japão e à frente de lugares como Finlândia e Hong Kong.

Afinal, como o Canadá superou tantos outros países na área de educação?

Andreas Schleicher, o diretor de educação da OCDE, diz a característica que une os diversos sistemas educacionais do país é a igualdade.

Apesar de diversas diferenças nas políticas educacionais, um traço em comum entre todas as regiões do país é o comprometimento em oferecer igualdade de oportunidades na escola.

Schleicher diz que existe um forte senso de equilíbrio e igualdade de acesso – o que pode ser observado na alta performance acadêmica de filhos de imigrantes.

Até três anos depois de chegar ao país, os alunos imigrantes alcançam notas tão altas quanto as de seus colegas. Isso torna o Canadá um dos poucos países em que crianças imigrantes atingem um patamar similar aos das não-imigrantes.

Outra característica distinta é que os professores são muito bem pagos em comparação com os padrões internacionais – e o ingresso na profissão é altamente seletivo.

Getty Images Image caption O Canadá paga altos salários aos professores comparado com a média internacional

Getty Images
O Canadá paga altos salários aos professores comparado com a média internacional

Oportunidades iguais

David Booth, professor do Instituto para Estudos em Educação da Universidade de Toronto, destaca um forte investimento de base em alfabetização.

Existiram esforços sistemáticos para melhorar a alfabetização, com a contratação de educadores bem treinados, investimento em recursos como bibliotecas nas escolas e avaliações para identificar escolas ou alunos que possam estar tendo dificuldades.

John Jerrim, do Instituto UCL de Educação de Londres, diz que o ótimo desempenho do Canadá nos rankings internacionais reflete a homogeneidade socioeconômica do país.

O país não é uma nação de extremos. Pelo contrário, seus resultados mostram uma média alta, com pouca diferença entre os estudantes mais e menos favorecidos.

No mais recente Pisa, o exame da OCDE, a variação de notas causada por diferenças socioeconômicas entre os estudantes canadenses foi de 9%, em comparação com 20% na França e 17% em Cingapura, por exemplo.

Os resultados mais igualitários explicam porque o Canadá está indo tão bem em exames internacionais. O país não tem nem uma fatia residual de estudantes com desempenho ruim, o que normalmente é algo relacionado à pobreza.

É um sistema consistente. Além da pouca diferença entre estudantes ricos e pobres, também há uma variação muito pequena entre diferentes escolas, em comparação com a média de países desenvolvidos.

Segundo o professor Jerrim, o alto número de imigrantes não é visto com um potencial entrave ao sucesso nos exames – o fato é provavelmente um dos ingredientes dos bons resultados.

Os imigrantes que vivem no Canadá, muitos de países como a China, a Índia e o Paquistão, têm educação relativamente alta, e a ambição de ver seus filhos se tornarem profissionais bem sucedidos.

O especialista afirma que essas famílias têm “fome de sucesso”, e que suas altas expectativas provavelmente influenciam o desempenho escolar de seus filhos.

O professor Booth, da Universidade de Toronto, também cita esse fato. “Muitas famílias recém-chegadas ao Canadá querem que seus filhos tenham sucesso, e os alunos têm motivação para aprender”, diz.

Este ano tem sido excepcional para a educação no Canadá. As universidades estão aproveitando o “efeito Donald Trump”, com um número recorde de inscrições de estudantes que enxergam o Canadá como uma alternativa aos Estados Unidos após a eleição do atual presidente.

A vencedora do Prêmio Global de Professores também é canadense – Maggie MacDonnel está usando a condecoração para fazer campanha pelo direitos dos estudantes indígenas.

No ano em que celebra seu aniversário de 150 anos, o Canadá reivindica o status de uma superpotência em educação.

Mundial de matemática no Rio tem só 10% de meninas entre competidores

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Publicado no UOL

Lápis e papel na mão. É com essas armas que competidores do mundo todo começam a disputar na próxima semana as provas da 58ª IMO (Olimpíada Internacional de Matemática, da tradução do inglês), que acontece pela primeira vez no Brasil.

De 17 a 23 de julho, estudantes de 112 países vão se reunir no Rio de Janeiro para fazer o que muita gente considera um pesadelo: resolver os problemas mais cabeludos da matemática. Podem participar jovens com menos de 20 anos e que não estejam na faculdade.

Cada país participante é responsável pela seleção dos membros da sua delegação. No Brasil, são considerados três critérios: a classificação do candidato na OBM (Olimpíada Brasileira de Matemática), seu desempenho em uma prova específica de seleção e a resolução de uma lista de exercícios.

Nesse universo dos números, um deles se destaca. Entre os 623 participantes da olimpíada, só 65 são meninas –ou seja, cerca de 10% dos competidores.

Essa proporção tem se mantido nos últimos dez anos. O número recorde de competidoras foi verificado no ano passado: do total de 602 participantes, 71 eram mulheres (aproximadamente 12%).

“É bem pouco. É uma coisa com que acabei me acostumando, mas deveria mudar”, afirma Deborah Alves, 24, que competiu pela equipe brasileira na IMO em 2011 e 2010.

Deborah é uma das 6 meninas que participaram da equipe brasileira na IMO

Deborah é uma das 6 meninas que participaram da equipe brasileira na IMO

Na delegação brasileira deste ano, não há nenhuma mulher. O país começou a participar da competição em 1979, e desde então apenas seis meninas participaram do time brasileiro. Curiosamente, as equipes costumam ter seis participantes a cada ano.

Esse padrão, para Deborah, é geral: “tem poucas mulheres envolvidas em áreas de exatas nas várias fases da vida, seja na infância ou mais tarde, no mercado de trabalho”, afirma.

Sua experiência de participação em olimpíadas de exatas vem de ainda mais cedo: ela ganhou sua primeira medalha, de bronze, quando estava na 6ª série e participou da OBM.

“Acho que tive muita sorte por sempre fazer amizade muito fácil nesse ambiente de olimpíada. Mas para as meninas é realmente difícil se sentir confortável sendo a única naquele ambiente em que todos os outros são meninos”, conta.

Machismo e desestímulo desde a infância
Hoje, Deborah é formada em ciência da computação e matemática pela Universidade Harvard –uma conquista que, para ela, vai contra uma cultura que desestimula as mulheres a buscarem uma carreira em exatas e também a permanecerem nessa área.

“A sociedade é machista. Tem muita coisa implícita, que as pessoas não percebem. Isso vem desde lá na infância, quando o brinquedo da menina é a boneca e não carrinho, lego ou outras coisas que estimulam o raciocínio lógico. É uma cultura que acaba desestimulando, que mexe com a autoconfiança das meninas. Menina que se exibe é um problema, enquanto menino que ‘se acha’ é normal”, diz.

“Isso acontece quando as crianças não têm nem consciência do que é matemática, do que é ciência, como se existisse um papel pré-determinado para cada um. É algo que vai sendo reforçado no colégio ou até dentro de casa. Por isso, os meninos chegam com mais pré-disposição e incentivo para estudar matemática”, complementa Carolina Araújo, 40.

Doutora em matemática pela Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, Carolina é a única mulher entre os quase 50 pesquisadores permanentes do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada).

Para Carolina, meninos são mais incentivados a estudar matemática

Para Carolina, meninos são mais incentivados a estudar matemática

Ela diz que, em toda a sua trajetória de estudos, as mulheres sempre foram minoria. “Ainda existe muito preconceito porque é uma área predominantemente masculina. Infelizmente alguns colegas ou alunos acham que matemática não é coisa de mulher”, explica.

Calcule como uma garota
Para incentivar a participação das meninas na competição, a IMO estreia neste ano o Troféu Impa Meninas Olímpicas. A premiação, que vai contemplar as cinco estudantes que mais contribuírem com o resultado de suas equipes, passará a fazer parte do calendário permanente da olimpíada.

Carolina e Deborah veem a iniciativa com esperança. “Esse troféu especial é uma forma de trazer visibilidade para a questão de gênero e para as meninas, que estão conquistando seu espaço. Muitas vezes, para aquelas que pensam em competir, faltam modelos a serem seguidos”, afirma a pesquisadora.

“É um começo, apesar de o problema ser muito mais embaixo. As meninas conseguirem competir e continuarem se sentindo motivadas é muito necessário”, diz Deborah, que complementa: “aos poucos, a gente tem que começar a mostrar para as pessoas que as mulheres podem ser o que elas quiserem”.

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