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Briga, tiros e medo: 50% dos brasileiros dizem estudar em áreas violentas

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Grades na Escola Estadual Maria Augusta de Moraes Neves, na zona sul de SP

Grades na Escola Estadual Maria Augusta de Moraes Neves, na zona sul de SP

 

Marcelle Souza, Franco Adailton e Ronald Lincoln Jr, no UOL

Após uma semana do início das aulas, o vigilante desempregado Sérgio Rodrigues do Nascimento, 43, já havia pedido a mudança do filho de 10 anos da Escola Estadual Maria Augusta de Moraes Neves, na zona sul de São Paulo, para outra unidade. “No terceiro dia, dois alunos foram expulsos da sala, já vi um monte de gente pulando o muro da escola, e ontem meu filho disse que levou um chute de outro garoto na hora do intervalo”, conta o pai.

“A gente fica de coração partido de deixá-lo aqui”, afirma Nascimento, que nos últimos dias percorreu outras escolas da região em busca de vagas em turmas de sextos anos do ensino fundamental. “Não quero que meu filho vire bandido.”

Na mesma região, outro pai tentava tirar o filho da Escola Estadual João Ernesto Faggin pelo mesmo motivo. “Eu estudei aqui quando tinha 10 anos e a escola já não era boa. Hoje tenho 41 anos e nenhum dos meus colegas de classe estão vivos”, afirma o morador do bairro, que preferiu não dar o nome porque tem medo de represálias dos traficantes da região.

O vigilante Sérgio Rodrigues do Nascimento e seu filho diante da Escola Estadual Maria Augusta de Moraes Neves, em SP: "Não quero que meu filho vire bandido", diz

O vigilante Sérgio Rodrigues do Nascimento e seu filho diante da Escola Estadual Maria Augusta de Moraes Neves, em SP: “Não quero que meu filho vire bandido”, diz

 

Seu filho de 12 anos já havia faltado aos três primeiros dias de aula, porque o pai se recusou a aceitar a matrícula na Ernesto Faggin. “Parece que até a direção tem medo. Cheguei para pedir a transferência e a sala está cheia de grades”, diz.

A sensação de insegurança não é exclusiva dos pais desses alunos nem da capital paulista. Os dados da Pense (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar) compilados e publicados no 10º Anuário de Segurança Pública, de novembro de 2016, mostram que 50,8% dos alunos do nono ano do ensino fundamental estão em escolas localizadas em áreas de risco de violência. A pesquisa, realizada por amostragem, levou em consideração 2.630.835 entrevistas com estudantes de todo o país matriculados no nono ano do ensino fundamental das redes pública e privada.

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Traficantes rondam as escolas

Nos dois colégios citados, por exemplo, a reportagem presenciou adolescentes usando drogas, traficantes rondando as escolas e pinos de cocaína espalhados pelo chão a poucos metros da entrada das unidades de ensino. Sem sucesso, a funcionária de uma delas tentou barrar a entrada de jovens que não estavam matriculados no colégio. Havia também lixo e entulho nas calçadas.

“Dividimos o crime escolar em três tipos: o que está previsto no Código Penal, pode ferir e matar –esse é muito complicado de combater e não está em todas as escolas. Há também a microviolência, que é a violência do cotidiano e está nas relações sociais dentro da escola. O terceiro é a violência simbólica, quando você faz mal e o outro não consegue responder, como a homofobia. Essa é uma violência quase transparente”, diz Miriam Abramovay, da Flacso Brasil (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais), que pesquisa o tema há mais de 15 anos.

No ano passado, o técnico em enfermagem Leonardo Vieira dos Santos, 31, atendeu a uma ligação desagradável da escola em que os filhos de 15 e 11 anos estudavam na zona sul de São Paulo. “Eles disseram que tinha acontecido uma briga. Cheguei à escola e meu filho mais novo tinha sido agredido por um colega. Não foi briga.”

O técnico em enfermagem registrou um boletim de ocorrência e, em seguida, procurou a diretoria regional de ensino para transferi-lo para outra unidade. “A gente se sente muito mal, não quer que isso aconteça com um filho”, diz.

“O que mais me dá medo são assaltos nos pontos de ônibus”

Mães acompanham os filhos na saída da escola com medo da violência em Salvador

Mães acompanham os filhos na saída da escola com medo da violência em Salvador

Na Bahia, os dados da pesquisa mostram que 47,6% estudantes do ensino fundamental consideram violenta a área onde está situada a escola. Na rede privada, o percentual é de 52,7%, enquanto na educação pública a avaliação é de 46,8%.

Luana Carvalho, 11, mora no bairro São Rafael, em Salvador, uma localidade com as mesmas características da região onde estuda, o Cabula: perfil de classe média, com boa infraestrutura, comércio pujante e próximo de comunidades pobres.

Responsável pela menina, Andréa não tem tempo de levá-la para a aula, mas não arrisca deixar Luana ir de ônibus por medo de assaltos. Apesar de a escola manter um considerável nível de segurança (câmeras, porteiros, grades), a mãe considera que o Cabula é uma área violenta.

“É um bairro muito visado, porque concentra em um pequeno raio escolas particulares, universidade, supermercados, bancos”, descreve. “O que mais me dá medo são assaltos nos pontos de ônibus. Por isso contratei transporte escolar, para protegê-la desse tipo de violência”, acrescenta.

A contadora lembra que, há cerca de dois anos, foi buscar a filha na escola, mas encontrou a instituição fechada devido a um tiroteio. O motivo foi uma tentativa de assalto a um carro-forte que abastecia os terminais de um supermercado na avenida Silveira Martins, a poucos metros da escola.

“A violência é um reflexo da sociedade em todo o país. Se o bairro o onde a escola está inserida é violento, a instituição fica exposta, vulnerável, quer seja privada ou pública”, diz Rui Oliveira, coordenador do Sindicato dos Professores no Estado da Bahia. “A escola não é uma ilha, pois está propensa a diversas influências externas, fatores estruturais da sociedade, tais como desigualdade social, desemprego, tráfico de drogas e ausência de políticas públicas para combater essas questões.”

“Criança é muito vulnerável”

Diretor do soteropolitano Colégio São Lázaro, o professor Antônio Luiz afirma que não é permitido aos alunos sair da escola no horário do intervalo, nem mesmo os estudantes secundaristas. A exceção, frisa o docente, ocorre somente nos dias de aula integral, com autorização das famílias, no horário do almoço.

“Nossa preocupação não é só em relação à violência externa que possa ocorrer, mas também quanto à influência das drogas”, diz o professor. “Além disso, orientamos aos alunos evitar sair com objetos chamativos na rua, usar tênis mais simples e sair em grupos no final da tarde.”

A 500 metros do São Lázaro está o Colégio Municipal da Engomadeira, que leva o mesmo nome do bairro popular onde os ônibus voltaram a circular somente depois de dois dias por conta da morte de dois homens em confronto com a PM, no último dia 4.

Leandro Vieira dos Santos pediu transferência para seus filhos após um dele ser agredido dentro de uma escola estadual

Leandro Vieira dos Santos pediu transferência para seus filhos após um dele ser agredido dentro de uma escola estadual

 

Segundo comunicado da PM, os policiais foram atender a um chamado de troca de tiros entre traficantes –versão contestada pela comunidade, que sustenta que os mortos eram moradores. Na ocasião, uma criança de sete anos acabou baleada; não se sabe a autoria do disparo.

A Engomadeira carrega o estigma de abrigar um dos mais fortes pontos de tráfico de drogas da capital baiana: a Lajinha. Por receio de represálias –cinco ônibus já foram queimados na Grande Salvador neste ano–, o Sindicato dos Rodoviários decidiu suspender a circulação no bairro.

Alana Conceição, 9, chega para a aula às 7h30, sai às 11h30, mas sempre acompanhada da mãe, a auxiliar de desenvolvimento infantil Adriana Conceição, 38, que não deixa a menina ir sozinha para a escola, localizada a cerca de 400 metros de casa.

“Hoje em dia, não dá para vacilar. Por segurança, eu mesma trago e venho buscar depois da aula”, conta a mãe, que prefere não comentar episódios de violência no bairro. “Criança é muito vulnerável. Diante do perigo, em vez de se proteger, vai olhar o que é.”

Em todo o país, 34,5% dos alunos do nono ano de escolas privadas afirmaram que estudam em escolas localizadas em bairros violentos. Entre os matriculados em unidades da rede pública, esse número era de 53,5%.

Apesar de a violência fazer parte da rotina de escolas públicas e privadas, Abramovay diz que os desafios vividos por cada uma são muito diferentes. “De modo geral, não podemos comparar as duas. A escola particular tem muito mais condições do que a escola pública. A violência tem uma parte que acontece nas relações sociais, mas está também na estrutura, quando a escola não tem ventilador, não tem merenda, não tem internet, não tem computador. Isso não quer dizer que não tenha violência na particular, mas ela é muito diferente”, diz a pesquisadora.

Tiroteios são frequentes no Alemão

Alunos na saída da Escola Municipal Walt Disney, que fica na entrada do Morro da Baiana, pertencente ao Complexo do Alemão, no Rio

Alunos na saída da Escola Municipal Walt Disney, que fica na entrada do Morro da Baiana, pertencente ao Complexo do Alemão, no Rio

 

Estudantes moradores do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, frequentemente ficam impedidos de ir à escola em razão da violência na região em que vivem. No dia 2 de fevereiro, início do ano letivo, após um longo confronto entre policiais e traficantes da região, cerca de 3.000 crianças ficaram sem aula, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação.

Embora conte com UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) desde 2012, o Complexo do Alemão ainda convive com o tráfico de drogas. No dia 7, a reportagem do UOL visitou as escolas municipais Walt Disney e Padre Manoel da Nóbrega, ambas de ensino fundamental, localizadas em um dos acessos do Morro da Baiana, que faz parte do Complexo do Alemão.

Enquanto alguns pais de alunos eram entrevistados, outros que acabavam de chegar da comunidade para buscar os filhos alertavam que, naquele momento, ocorria um tiroteio e que era necessário tomar cuidado no caminho de volta para casa.

“Agora com a UPP, a polícia está sempre lá em cima [no morro] e tem acontecido mais tiroteios. E acontecem bem na hora em que as crianças estão saindo ou chegando no colégio”, conta o auxiliar de laboratório Flaviano Silva, 32, que buscava o filho de sete anos. Segundo ele, é comum o filho não ir à escola em razão de tiroteios.
8,6% abandonam a escola por medo

A menina Ana Clara, 5, teve problemas em seu primeiro dia em uma escola. Ela foi um dos 3.000 alunos que ficaram sem aula no dia 2 de fevereiro, por causa da troca de tiros. Sua mãe, a dona de casa Jéssica da Silva, 20, relata que o marido teve de voltar correndo com a menina para casa após os confrontos. “É uma situação muito chata, eu fico com muito medo.”

Os dados da Pense mostram que as consequências da violência vão bem além das agressões físicas, percebidos imediatamente. Segundo a pesquisa, 14,8% dos estudantes do nono ano entrevistados haviam faltado aula no último mês por conta do medo. Outros 8,6% tinham abandonado a escola pelo mesmo motivo. “A violência mina a vida das pessoas, aparta, prejudica a qualidade do ensino”, diz Abramovay.

Além de pais e alunos, o clima de violência também costuma afetar o rendimento de professores das escolas situadas em áreas violentas. “Essa sensação de medo é sempre constante. Já vi professor que teve o carro queimado, invasão de escola, briga de gangues, aulas suspensas, estudante que entrava armado na sala porque estava ameaçado de morte”, diz um professor de história que leciona na rede estadual em Diadema (SP) e não quis se identificar.

“Uma vez, em uma nova escola, o porteiro veio me explicar por que o muro tinha várias perfurações de bala”, diz o mesmo professor. Ele afirma que nunca pensou em deixar a sala de aula, mesmo após 20 anos de profissão. “A minha opção por aula na rede pública é ideológica e de vida. O meu papel é de alguém que pode mudar a vida de alguém e, se, por um lado, tem toda essa pressão, por outro, é muito gratificante quando alguém conta que foi aprovado no vestibular.”

O que dizem os órgão públicos

Procurada pela reportagem, a Polícia Militar de São Paulo não comentou sobre os problemas encontrados no entorno das escolas estaduais na zona sul de São Paulo.

A Secretaria da Educação de São Paulo entende que o enfrentamento à violência deve ocorrer em diversas frentes, que englobam também comunidade escolar, famílias e a polícia.

“A pasta desenvolve diversas ações pedagógicas, que são praticadas inclusive nas escolas mencionadas pela reportagem, como projetos interdisciplinares desenvolvidos pelas equipes gestoras relativos a temas como uso de drogas, violência e bullying; o Programa Escola da Família, que oferece atividades de lazer e cultura aos finais de semana, aproximando as famílias para que atuem em parceria com as instituições; além de trabalhos que incentivem a cultura de paz e o protagonismo juvenil”, informou a secretaria. Polícia, ronda escolar, Conselho Tutelar e Ministério Público também atuam em conjunto com o órgão.

No Rio, a assessoria das UPPs confirmou ao UOL, por meio de nota, que houve tiroteio no Complexo do Alemão no dia em que foi realizada a reportagem. Segundo o comunicado, policiais que faziam patrulhamento na região foram recebidos a tiros por traficantes. Mas não houve registro de feridos ou mortos.

A reportagem questionou a Coordenadoria das UPPs (CPP), órgão vinculado à Polícia Militar, sobre as ações policiais realizadas nos horários de entrada ou saída de crianças das escolas. Em nota, assessoria de imprensa disse que as “operações são realizadas com base nas informações do Setor de Inteligência”.

A Secretaria Municipal de Educação, Esportes e Lazer do Rio afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que é responsável apenas por questões de ensino e que “os diretores de cada escola têm a atribuição de avaliar e decidir se há necessidade de suspensão do funcionamento dos colégios diante de situações de violência, como confrontos entre bandidos e policiais, sempre visando à segurança dos alunos”.

“A gente avalia que os dados do Anuário podem estar associados à violência urbana como um todo, como consequência da desigualdade social”, diz o subsecretário de Educação do Estado da Bahia, Nildon Pitombo. “Além disso, temos as ações institucionais com a Ronda Escolar e parcerias com universidades, por meio de grupos de pesquisa sobre sociedade, combate à violência e uso de drogas.”

Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública do Estado da Bahia informou que vai avaliar os dados compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança e estudar as informações contidas no documento.

De antemão, diz a nota, a SSP reforça que considera a educação uma das principais formas de prevenção à violência e que já tem ações voltadas para a proteção dos estudantes baianos, como a Ronda Escolar, unidade da Polícia Militar que trabalha a conscientização dos jovens.

Procurada, a Polícia Militar (PM) informou que, por meio da Ronda Escolar, atua com o objetivo de intensificar o policiamento no entorno dos estabelecimentos de ensino públicos e privados. A PM acrescenta que desenvolve ações integradas (palestras, visitas, apresentação de peças teatrais), “para que a comunidade escolar tenha um ambiente propício para o desempenho de suas atividades”.

Aluna nota 1.000 no Enem é hackeada e inscrita em produção de cachaça

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Tereza Gayoso, nota máxima na redação do Enem 2017 (Foto: Reprodução/ Facebook)

Tereza Gayoso, nota máxima na redação do Enem 2017 (Foto: Reprodução/ Facebook)

 

Hackers invadiram o site do Ministério da Educação e alteraram as opções de cursos de estudantes

Guilherme Caetano e Murilo Santos, na Época

O site do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Ministério da Educação, foi hackeado na noite da segunda-feira (30) após terem sido divulgados os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. Vários estudantes foram inscritos em cursos escolhidos pelos hackers. Tereza Gayoso, de 23 anos, nota máxima na redação do exame e que pretendia cursar medicina, soube nesta terça-feira (31) que havia sido inscrita em produção de cachaça, no Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, em Salinas. “Eu não consigo acreditar que fizeram essa ruindade comigo.”

Um estudante do Distrito Federal, também afetado pela ação dos hackers e que pediu para não ser identificado pela reportagem, afirmou que foi inscrito em ciências sociais na Universidade Federal do Acre, contra a sua vontade. “Acho triste eu precisar me preocupar com minha segurança em um site do governo”, afirmou. “O site do Ministério era para ser, teoricamente, seguro.”

Atualização: Às 19h30, o Ministério da Educação encaminhou a seguinte nota para a redação:Sobre suposto hackeamento dos sistemas do Sisu e Enem o MEC/Inep esclarecem:

1- Os sistemas do MEC e do Inep não registraram, até o momento, indício de acesso indevido a informações de estudantes cadastrados, que configure incidente de segurança.

2- Há relatos na imprensa de casos pontuais de acesso indevido a dados pessoais de candidatos, que teriam possibilitado mudança de senha e de dados de inscrição, como opção de curso. A senha é sigilosa e só pode ser alterada pelo candidato ou por alguém que tenha acesso indevidamente a dados pessoais do candidato.

3- Casos individuais que forem identificados e informados ao MEC como suposta mudança indevida de senha e violação de dados, o MEC vai remetê-los para investigação da Polícia Federal. Nos dois casos citados pela imprensa, o Inep já identificou no sistema data, hora, local, operadora e IPs de onde partiram as mudanças de senha. Os dados serão encaminhados para a Polícia Federal.

4- Ressaltamos, também, que todas as ações realizadas no sistema são registradas em “log”, de forma a possibilitar uma auditoria completa.

5- A Secretaria de Ensino Superior (SESU) destaca que a atual gestão assumiu em maio de 2016, com o processo do ENEM 2016 em curso, na última semana de inscrições. Por isso, todo o sistema de operacionalização do ENEM foi definido na gestão anterior e estava em funcionamento, não podendo ser alterado no meio do processo.

6- Para o ENEM 2017 as equipes do INEP/SESU estão trabalhando para aperfeiçoar o Exame, de forma a garantir segurança e tranquilidade aos inscritos.

Prova de português da Fuvest 2017 foi menos difícil que a da 1ª fase, dizem professores

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Segundo professores ouvidos pelo G1, questões não estavam fáceis, mas foram menos difíceis que as da primeira fase aplicada em novembro, que surpreendeu pelo nível de dificuldade.

Ana Carolina Moreno, no G1

A prova de português e redação da segunda fase da Fuvest 2017 foi menos difícil do que as questões objetivas da primeira fase, e que a prova da segunda fase da edição anterior, segundo afirmaram ao G1 professores de cursos pré-vestibulares de São Paulo. Neste domingo (8), mais de 20 mil candidatos foram convocados para responder a dez questões de língua portuguesa e literatura e escrever uma redação. Foi o primeiro de três dias de prova na etapa final de seleção dos calouros da Universidade de São Paulo (USP) e da Santa Casa de São Paulo. A prova teve quatro horas de duração e, segundo a Fuvest, o índice de abstenção do primeiro dia foi de 8,5%.

De acordo com Claudio Caus, professor de português do Cursinho da Poli, “não é uma prova fácil, mas não estava tão difícil quanto a primeira fase indicava que seria, e quanto a segunda fase do ano passado”. Segundo ele, as questões de português da primeira fase da Fuvest 2017, que foi aplicada em novembro, estava “cavernosa”.

Maria de Lourdes Cunha, professora de literatura do Curso e Colégio Objetivo, afirma que o fato de a primeira fase ter sido muito difícil pode ter levado a Fuvest a “frear” o nível de dificuldade. “Tiraram o pé do acelerador”, comparou ela. Maria de Lourdes lembra, porém, que o fato de a prova não estar tão difícil não significa que ela foi fácil. “Foi uma prova para bons leitores, para bons alunos”, resumiu ela.

Para Eduardo Calbucci, supervisor de português do Anglo, o grau de dificuldade da prova foi semelhante ao da segunda fase de anos anteriores, mas, como a prova da primeira fase tinha sido mais difícil, poderia haver a expectativa de que o padrão se repetiria.

Para Caus, do Cursinho da Poli, “a Fuvest continua tendo uma certa exigência de conteúdo, mas também com demanda de reflexão, exige do aluno senso crítico que se sobrepõe ao conteúdo”.

Gramática

Os professores afirmaram que a Fuvest seguiu exigindo conceitos de gramática, ainda que não no modelo tradicional, que já foi abandonado em anos recentes. “Gramática caiu de uma forma muito interessante, muito inteligente”, afirmou o professor Heric Palos, coordenador de língua portuguesa do Colégio Etapa. “Há tempos o gramatiques não faz mais parte do exame. A Fuvest primou neste ano por esse tipo de questão. Às vezes você ouve as pessoas falando que mão cai mais gramática no vestibular. Está aí a Fuvest para provar que cai, sim. Toda a base gramatical está lá. A questão dos tempos verbais, colocações pronominais, voz passiva, pontuação, figuras de linguagens, tudo está lá. É muito bonita a prova, muito bem feita.”

Uma questão de figuras da linguagem mereceu destaque dos professores. A questão 01, que trouxe a transcrição de um vídeo narrado pela atriz Camila Pitanga sobre a Amazônia, pediu que os estudantes soubessem o que é uma prosopopeia, ou seja, quando seres inanimados ganham sentimentos humanos. “Na hora que eu personifico a floresta, transformo a floresta em gente, o sofrimento dela fica mais chocante, mais impactante”, afirmou Palos.

Literatura

Os professores afirmaram que a Fuvest seguiu seu padrão, ao dedicar 60% da prova de português à língua e à linguagem, e 40% à literatura. Neste ano, quatro livros da leitura obrigatória foram abordados: “Mayombe”, de Pepetela, “O cortiço”, de Aluísio Azevedo, “Vidas secas”, de Graciliano Ramos, e “Sagarana”, de Guimarães Rosa, com o conto “A hora e a vez de Augusto Matraga”.

Para o professor Claudio Caus, do Cursinho da Poli, a principal surpresa desta lista foi “Mayombe”. “Já não era tão esperado porque foram três questões na primeira fase, mas a obra se repetiu nessa”, disse ele.

Maria de Lourdes, do Objetivo, lembra que, assim como em anos anteriores, estudantes que não leram a obra por completo até poderiam arriscar esboçar uma resposta em duas das quatros questões. “Uma questão de ‘O cortiço’ foi sobre o determinismo. Se o aluno teve uma orientação de um professor, ele poderia responder sim, mas lendo só o resumo não pode. As questões não são sobre a história, são sobre o entendimento da história. É para o aluno refletir”, explicou ela. “Só a história não cai no vestibular. O que o Joãozinho fez quando Pedrinho abriu a porta? Isso não cai mais.”

Redação

Segundo os professores, a única parte da primeira prova da segunda fase da Fuvest que chegou a surpreender foi a redação. Eduardo Calbucci, do Anglo, essa foi a maior diferença entre outras edições da prova.

“O que teve diferença substancial em relação ao ano passado foi a redação. Foi bem diferente em relação ao formato da prova. A redação usou, no ano passado, uma coletânea de textos com uma proposta difícil, sobre utopia, mas tinha quatro fragmentos para fazer a formulação. Nesse ano havia apenas um texto e uma explicação da banca sobre ele. O candidato tinha que usar mais o repertório dele para conseguir fazer a redação”, disse ele.

A professora Maria de Lourdes, do Objetivo, acredita que o tema deu mais abertura aos estudantes. “Ele podia ir pela linha política, da educação, da religião, da família, podia ter amplitude”, disse ela. Por isso, a produção da redação pode ter sido facilitada.

Caus, professor do Cursinho da Poli, lembra que, “apesar de Kant ser um filósofo considerado bastante hermético e complexo, o texto usado na prova não era muito difícil”.

De acordo com Heric Palos, do Etapa, a tradução do texto o tornou acessível aos estudantes, e o tema “O homem saiu da menoridade?” tem uma relação um pouco menos velada com as questões sociais do que temas abordados nos últimos três anos do vestibular da USP. “Nos três últimos exames havia uma relação mais direta entre a proposta e questões sociais. Agora a relação é um pouco mais velada, mas está dentro da proposta também.”

Segundo os professores, a abertura da abordagem na prova de redação permitiu que os candidatos usassem seu repertório pessoal para redigir o texto, mas, por outro lado, um erro que pode descontar pontos é se o candidato abordou aspectos demais e acabou tocando no assunto apenas de forma tangencial.

Estudantes brasileiros ganham medalha inédita em olimpíada de astronomia

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Os cinco estudantes brasileiros que trouxeram uma medalha por equipe da Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica - DIVULGAÇÃO/COLÉGIO ETAPA

Os cinco estudantes brasileiros que trouxeram uma medalha por equipe da Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica – DIVULGAÇÃO/COLÉGIO ETAPA

 

Quinteto conquistou o bronze, superando países como China, Índia e Coreia do Sul

Sergio Matsuura, em O Globo

RIO — Os estudantes brasileiros que participaram da 10ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA, na sigla em inglês) realizaram uma façanha inédita. Pela primeira vez, foi conquistada uma medalha, mesmo que de bronze, na competição por equipes. Também foram conquistadas, individualmente, outras duas medalhas de bronze e três menções honrosas.

— É um feito — disse o professor professor João Batista Canalle, coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica. — Ficamos à frente de países como Índia, China e Coreia do Sul, que treinam a molecada desde pequenos para participarem dessas competições.

A equipe brasileira foi formada pelos estudantes Gabriel Cawamura, Giancarlo Pereira, Lucas Vilanova, Pedro Seber e Vitor Gomes, todos de São Paulo. Na competição, eles tiveram que resolver um suposto problema de voo na sonda espacial Voyager. Giancarlo Pereira e Pedro Seber também receberam a medalha de bronze individual, e o restante da equipe conquistou menções honrosas.

A competição por equipes foi vencida pela Bulgária, com o Irã ficando em segundo, de um total de 41 países participantes. No quadro de medalhas individuais, a Rússia ficou na frente, com três medalhas de ouro e duas de bronze, seguida pela Índia, com dois ouros e três pratas, e pelo Irã, com dois ouros, duas pratas e um bronze. A IOAA aconteceu entre os dias 9 e 19 de dezembro em Bhubaneswar, na Índia.

A equipe brasileira é formada por alunos do Colégio Etapa, de São Paulo. Canalle explica que eles foram selecionados entre os cerca de 800 mil participantes da Olimpíada Brasileira de Astronomia. As provas são aplicadas pelas escolas participantes e os 6 mil mais bem colocados participam de um teste on-line. Destes, são selecionados 200 para uma prova presencial, e os 20 melhores são escolhidos para treinamento em astronomia. Destes, cinco vão para a IOAA.

Apesar de estarem no ensino médio, os estudantes precisam ter conhecimentos de nível de graduação. As provas na olimpíada internacional vão desde testes teóricos, como a resolução de problemas, a questões práticas, como o manuseio de telescópio e reconhecimento da posição de objetos no céu.

— Os conhecimentos beiram o nível da graduação — disse Canalle. — Alguns colégios estão investindo na formação de equipes para participarem de competições. Para os estudantes, é uma oportunidade. Além da chance de ganhar uma medalha e de fazer uma viagem internacional como essa, as conquistas abrem as portas para universidades no exterior.

Para Gabriel Cawamura, do terceiro ano do ensino médio, a conquista confirma a carreira que pretende seguir. Ele conta que sempre gostou de física, especialmente da astrofísica. Para participar da olimpíada, ele recebeu treinamento em astronomia.

— Ela confirma pelo menos o ramo que quero seguir na faculdade. Por enquanto, apenas tenho certeza que é exatas, mas ainda estou meio em dúvida entre uma coisa mais teórica, como matemática ou física, ou algo mais prático — disse Cawamura. — Outra coisa é que a olimpíada faz com que muitas pessoas de países bem diferentes se conheçam, o que eu achei uma experiência bem interessante e única.

China: escada de metal em penhasco é o único caminho para escola

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Crianças sobem um penhasco de 800 metros em uma escada de aço em uma área montanhosa na vila de Atuler, município de Zhaojue, prefeitura autônoma de Liangshan Yi, província de Sichuan, sudoeste da China - 19/11/2016 (Dong mu/Imaginechina/AFP)

Crianças sobem um penhasco de 800 metros em uma escada de aço em uma área montanhosa na vila de Atuler, município de Zhaojue, prefeitura autônoma de Liangshan Yi, província de Sichuan, sudoeste da China – 19/11/2016 (Dong mu/Imaginechina/AFP)

 

Imagens de crianças escalando o penhasco de forma precária, divulgadas no início do ano, chocaram a população do país e motivaram instalação

Publicado na Veja

As autoridades da China decidiram instalar escadas de metal ao longo de um penhasco para ajudar os moradores de um vilarejo no topo da montanha a chegar à cidade mais próxima. No início deste ano, imagens dos estudantes escalando o perigoso paredão de 800 metros na província de Sichuan para chegar à escola, divulgadas em um jornal local, chocaram a população chinesa.

Antes da construção da escada de metal, as crianças do vilarejo de Atuler levavam em torno de uma hora e meia para descer o penhasco a caminho da escola, e duas horas para retornar para casa. Com a mochila nas costas, os estudantes eram obrigados a se arriscar na escalada tendo como apoio apenas com escadas improvisadas de vime.

Na reportagem publicada em maio deste ano pelo jornal Beijing News, o líder da comunidade onde vivem 72 famílias pobres de agricultores explicou por que não havia uma escola no vilarejo. “A área no topo da montanha é muito pequena. A escola localizada na base da montanha tem energia e fornecimento de água confiáveis, e as condições de vida são muito melhores do que na nossa aldeia.”

Os alunos do vilarejo de Atuler usavam apoios de vime para escalar um penhasco para voltar da escola para casa na província de Sichuan, na China (Chen Jie/The Beijing News/VCG/Getty Images)

Os alunos do vilarejo de Atuler usavam apoios de vime para escalar um penhasco para voltar da escola para casa na província de Sichuan, na China (Chen Jie/The Beijing News/VCG/Getty Images)

 

Cerca de quinze crianças de 6 a 15 anos precisam descer o paredão para chegar à escola. Desde o início de novembro, os estudantes trocaram as escadas centenárias de vime pelos degraus de metal. Segundo as autoridades, as novas escadas são provisórias, enquanto o governo não encontra uma solução permanente para o acesso ao vilarejo.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, embora o trajeto continue difícil, os moradores afirmam que a solução temporária significou uma enorme melhora, uma vez que a escalada pode ser feita em metade de tempo desde a instalação das escadas de metal.

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