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Turmas com melhor desempenho têm professores mais experientes, aponta estudo

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Sala de aula (Foto: Reprodução/G1)

Sala de aula (Foto: Reprodução/G1)

 

Estudo relaciona perfil de professores com o desempenho de turmas na Prova Brasil. Dados abrangem escolas de todo o país.

Clara Campoli, no G1

As turmas de 5º ano do ensino fundamental com melhor desempenho na Prova Brasil contam com professores mais velhos, com mais de 10 anos de magistério e que acreditam no potencial de seus alunos: é o que mostra uma análise qualitativa realizada pela empresa de ciência de dados IDados. As informações, compiladas com dados de todo o país, mostram que as melhores notas saem de salas de aula com maioria de meninas e com 88% dos alunos na idade certa.

A análise, realizada pela economista Mariana Leite, baseou-se nos dados qualitativos do desempenho em matemática na Prova Brasil de 2015, além de se valer de respostas que os professores deram nos questionários relativos à avaliação. A Prova Brasil é aplicada pelo MEC e é um dos itens que integram o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

O estudo do IDados mostra que nas turmas de alto rendimento, 74,7% dos professores têm mais de uma década de experiência, contra 66,3% nas turmas que não se saíram tão bem no teste.

A idade do professor também parece influenciar: 61% têm mais de 40 anos nas boas turmas, enquanto as piores têm 45,5% de professores abaixo da faixa etária. Além disso, a presença de professores temporários é maior nas salas de baixo desempenho, com 25,8% se contrapondo aos 16,9% das melhores turmas.

“No geral, a maioria dos diretores de escola dizem que a seleção dos professores para as turmas depende do tempo de casa de cada um. Os mais experientes podem escolher turmas. Não é o caso do professor temporário, que acaba pegando turmas que dão mais trabalho e que têm mais repetentes”, comenta a economista.

Expectativas

Outro fator que chamou a atenção de Mariana Leite é a expectativa dos professores em relação aos alunos. Nas turmas de bom desempenho, 66,3% dos mestres acreditam que mais da metade dos alunos chegará ao ensino superior. O número é bem menor nas turmas de baixa performance: apenas 27% têm essa expectativa.

“A questão da expectativa do professor é um bom preditor para o sucesso escolar dos alunos, pelo menos a curto prazo”, comenta Leite.

“Não dá para saber o que vem primeiro, se é o docente que está na turma ruim e tem baixas expectativas, ou se são as atitudes dele que estimulam menos os alunos”

Formada em pedagogia, a professora Márcia Martins Barra poderia lecionar em turmas mais velhas, mas faz questão de concentrar suas energias nos estudantes na faixa etária de 10 a 12 anos. Ela se encaixa no perfil da pesquisa: tem 55 anos, leciona há 34 e é professora da Escola Municipal Cuba, no Rio de Janeiro, no bairro Zumbi.

“Toda sala tem inúmeros casos, turmas completamente heterogêneas. Em uma turma com 27 alunos, tenho 10 excelentes. A tentativa é fazer com que os outros atinjam aquele patamar. É um trabalho diário, e acho que falta experiência a muitos professores. É preciso levar o aluno mais difícil como um desafio, tentar resgatar essa criança. Não é para fazê-la se sentir menosprezada: se não sabe, vai aprender”, garante a professora.

Disciplina

Outro ponto levantado na pesquisa é a distribuição de tempo das aulas. Nas turmas que se saíram melhor na Prova Brasil, 51,2% dos professores relatam gastar mais de 10% do tempo mantendo a ordem e a disciplina. Os docentes responsáveis por turmas de baixo desempenho relatam o problema em proporção muito maior: 71,2%.

“Faz bem conseguir dar a aula da maneira que o professor gostaria, as crianças começam a ter um desempenho diferente. O trabalho não é de um dia para o outro. Se o docente não tiver o trabalho diário e desgastante, não vai ter resutado.” – Márcia Martins Barra, professora do 5º ano do ensino fundamental

“Os professores de turmas de mau desempenho falam de desinteresse, de baixa auto-estima, de indisciplina. O docente acaba gastando muito tempo tentando manter a ordem. Isso gera outro problema: só 33,1% acreditam que vão conseguir concluir 80% do conteúdo previsto até o fim do ano letivo”, analisa Leite.

Para a professora Márcia, os dados são preocupantes porque o 5º ano é a conclusão da etapa mais importante para a fundamentação escolar da criança. “Até essa etapa, somos a base. É como a construção de uma casa: se o alicerce não estiver bem feito, a estrutura não fica boa. É fundamental que o professor acredite em seu trabalho e não desista do aluno com dificuldades. Só assim é possível colher frutos da aprendizagem”, avisa a professora.

Pessoas mais velhas e ricas são as que mais baixam livros piratas, diz estudo

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(Foto: Jonathan Auxier / The Scoop)

(Foto: Jonathan Auxier / The Scoop)

Lucas Carvalho, no Olhar Digital

A empresa antipirataria Digimarc, em parceria com o instituto de pesquisa Nielsen, divulgou nesta semana um curioso estudo sobre o perfil das pessoas que baixam conteúdo pirata na internet. O foco da pesquisa, porém, é naqueles que têm o hábito de piratear livros digitais.

O objetivo do estudo foi o de identificar que tipo de pessoa baixa ebooks piratas: gênero, idade, renda e outros detalhes. Para a surpresa dos pesquisadores, o estudo concluiu que pessoas mais velhas e de classes mais altas são as que mais recorrem à pirataria.

A maioria dos entrevistados (60%) tem mais de 30 anos de idade, enquanto 65% ganham mais do que US$ 60 mil por ano – equivalente a uma média de R$ 15 mil por mês, em conversão direta. A maioria também tem ensino superior completo (40%), enquanto outros 32% são pós-graduados.

Mas por que pessoas, em tese, mais ricas e mais velhas preferem baixar livros piratas em vez de comprar ebooks, que costumam ser bem mais baratos do que livros físicos, por exemplo? Para 58% dos participantes no estudo, a pirataria é “mais conveniente” do que pagar por uma cópia digital original.

Ainda assim, 42% disseram que, além de piratear livros, também compram ebooks originais pela internet, a partir de plataformas como a da Amazon e o iTunes. Na hora de baixar um conteúdo ilegalmente, 31% fazem isso por torrent ou por sites de troca de conteúdo direto, como o 4shared.

Por fim, a pesquisa conclui que o mercado editorial perde US$ 315 milhões por ano graças ao download ilegal de ebooks. O estudo foi feito com 516 pessoas identificadas pela Nielsen como “piratas” ao longo dos últimos seis meses.

Via TorrentFreak

Briga, tiros e medo: 50% dos brasileiros dizem estudar em áreas violentas

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Grades na Escola Estadual Maria Augusta de Moraes Neves, na zona sul de SP

Grades na Escola Estadual Maria Augusta de Moraes Neves, na zona sul de SP

 

Marcelle Souza, Franco Adailton e Ronald Lincoln Jr, no UOL

Após uma semana do início das aulas, o vigilante desempregado Sérgio Rodrigues do Nascimento, 43, já havia pedido a mudança do filho de 10 anos da Escola Estadual Maria Augusta de Moraes Neves, na zona sul de São Paulo, para outra unidade. “No terceiro dia, dois alunos foram expulsos da sala, já vi um monte de gente pulando o muro da escola, e ontem meu filho disse que levou um chute de outro garoto na hora do intervalo”, conta o pai.

“A gente fica de coração partido de deixá-lo aqui”, afirma Nascimento, que nos últimos dias percorreu outras escolas da região em busca de vagas em turmas de sextos anos do ensino fundamental. “Não quero que meu filho vire bandido.”

Na mesma região, outro pai tentava tirar o filho da Escola Estadual João Ernesto Faggin pelo mesmo motivo. “Eu estudei aqui quando tinha 10 anos e a escola já não era boa. Hoje tenho 41 anos e nenhum dos meus colegas de classe estão vivos”, afirma o morador do bairro, que preferiu não dar o nome porque tem medo de represálias dos traficantes da região.

O vigilante Sérgio Rodrigues do Nascimento e seu filho diante da Escola Estadual Maria Augusta de Moraes Neves, em SP: "Não quero que meu filho vire bandido", diz

O vigilante Sérgio Rodrigues do Nascimento e seu filho diante da Escola Estadual Maria Augusta de Moraes Neves, em SP: “Não quero que meu filho vire bandido”, diz

 

Seu filho de 12 anos já havia faltado aos três primeiros dias de aula, porque o pai se recusou a aceitar a matrícula na Ernesto Faggin. “Parece que até a direção tem medo. Cheguei para pedir a transferência e a sala está cheia de grades”, diz.

A sensação de insegurança não é exclusiva dos pais desses alunos nem da capital paulista. Os dados da Pense (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar) compilados e publicados no 10º Anuário de Segurança Pública, de novembro de 2016, mostram que 50,8% dos alunos do nono ano do ensino fundamental estão em escolas localizadas em áreas de risco de violência. A pesquisa, realizada por amostragem, levou em consideração 2.630.835 entrevistas com estudantes de todo o país matriculados no nono ano do ensino fundamental das redes pública e privada.

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Traficantes rondam as escolas

Nos dois colégios citados, por exemplo, a reportagem presenciou adolescentes usando drogas, traficantes rondando as escolas e pinos de cocaína espalhados pelo chão a poucos metros da entrada das unidades de ensino. Sem sucesso, a funcionária de uma delas tentou barrar a entrada de jovens que não estavam matriculados no colégio. Havia também lixo e entulho nas calçadas.

“Dividimos o crime escolar em três tipos: o que está previsto no Código Penal, pode ferir e matar –esse é muito complicado de combater e não está em todas as escolas. Há também a microviolência, que é a violência do cotidiano e está nas relações sociais dentro da escola. O terceiro é a violência simbólica, quando você faz mal e o outro não consegue responder, como a homofobia. Essa é uma violência quase transparente”, diz Miriam Abramovay, da Flacso Brasil (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais), que pesquisa o tema há mais de 15 anos.

No ano passado, o técnico em enfermagem Leonardo Vieira dos Santos, 31, atendeu a uma ligação desagradável da escola em que os filhos de 15 e 11 anos estudavam na zona sul de São Paulo. “Eles disseram que tinha acontecido uma briga. Cheguei à escola e meu filho mais novo tinha sido agredido por um colega. Não foi briga.”

O técnico em enfermagem registrou um boletim de ocorrência e, em seguida, procurou a diretoria regional de ensino para transferi-lo para outra unidade. “A gente se sente muito mal, não quer que isso aconteça com um filho”, diz.

“O que mais me dá medo são assaltos nos pontos de ônibus”

Mães acompanham os filhos na saída da escola com medo da violência em Salvador

Mães acompanham os filhos na saída da escola com medo da violência em Salvador

Na Bahia, os dados da pesquisa mostram que 47,6% estudantes do ensino fundamental consideram violenta a área onde está situada a escola. Na rede privada, o percentual é de 52,7%, enquanto na educação pública a avaliação é de 46,8%.

Luana Carvalho, 11, mora no bairro São Rafael, em Salvador, uma localidade com as mesmas características da região onde estuda, o Cabula: perfil de classe média, com boa infraestrutura, comércio pujante e próximo de comunidades pobres.

Responsável pela menina, Andréa não tem tempo de levá-la para a aula, mas não arrisca deixar Luana ir de ônibus por medo de assaltos. Apesar de a escola manter um considerável nível de segurança (câmeras, porteiros, grades), a mãe considera que o Cabula é uma área violenta.

“É um bairro muito visado, porque concentra em um pequeno raio escolas particulares, universidade, supermercados, bancos”, descreve. “O que mais me dá medo são assaltos nos pontos de ônibus. Por isso contratei transporte escolar, para protegê-la desse tipo de violência”, acrescenta.

A contadora lembra que, há cerca de dois anos, foi buscar a filha na escola, mas encontrou a instituição fechada devido a um tiroteio. O motivo foi uma tentativa de assalto a um carro-forte que abastecia os terminais de um supermercado na avenida Silveira Martins, a poucos metros da escola.

“A violência é um reflexo da sociedade em todo o país. Se o bairro o onde a escola está inserida é violento, a instituição fica exposta, vulnerável, quer seja privada ou pública”, diz Rui Oliveira, coordenador do Sindicato dos Professores no Estado da Bahia. “A escola não é uma ilha, pois está propensa a diversas influências externas, fatores estruturais da sociedade, tais como desigualdade social, desemprego, tráfico de drogas e ausência de políticas públicas para combater essas questões.”

“Criança é muito vulnerável”

Diretor do soteropolitano Colégio São Lázaro, o professor Antônio Luiz afirma que não é permitido aos alunos sair da escola no horário do intervalo, nem mesmo os estudantes secundaristas. A exceção, frisa o docente, ocorre somente nos dias de aula integral, com autorização das famílias, no horário do almoço.

“Nossa preocupação não é só em relação à violência externa que possa ocorrer, mas também quanto à influência das drogas”, diz o professor. “Além disso, orientamos aos alunos evitar sair com objetos chamativos na rua, usar tênis mais simples e sair em grupos no final da tarde.”

A 500 metros do São Lázaro está o Colégio Municipal da Engomadeira, que leva o mesmo nome do bairro popular onde os ônibus voltaram a circular somente depois de dois dias por conta da morte de dois homens em confronto com a PM, no último dia 4.

Leandro Vieira dos Santos pediu transferência para seus filhos após um dele ser agredido dentro de uma escola estadual

Leandro Vieira dos Santos pediu transferência para seus filhos após um dele ser agredido dentro de uma escola estadual

 

Segundo comunicado da PM, os policiais foram atender a um chamado de troca de tiros entre traficantes –versão contestada pela comunidade, que sustenta que os mortos eram moradores. Na ocasião, uma criança de sete anos acabou baleada; não se sabe a autoria do disparo.

A Engomadeira carrega o estigma de abrigar um dos mais fortes pontos de tráfico de drogas da capital baiana: a Lajinha. Por receio de represálias –cinco ônibus já foram queimados na Grande Salvador neste ano–, o Sindicato dos Rodoviários decidiu suspender a circulação no bairro.

Alana Conceição, 9, chega para a aula às 7h30, sai às 11h30, mas sempre acompanhada da mãe, a auxiliar de desenvolvimento infantil Adriana Conceição, 38, que não deixa a menina ir sozinha para a escola, localizada a cerca de 400 metros de casa.

“Hoje em dia, não dá para vacilar. Por segurança, eu mesma trago e venho buscar depois da aula”, conta a mãe, que prefere não comentar episódios de violência no bairro. “Criança é muito vulnerável. Diante do perigo, em vez de se proteger, vai olhar o que é.”

Em todo o país, 34,5% dos alunos do nono ano de escolas privadas afirmaram que estudam em escolas localizadas em bairros violentos. Entre os matriculados em unidades da rede pública, esse número era de 53,5%.

Apesar de a violência fazer parte da rotina de escolas públicas e privadas, Abramovay diz que os desafios vividos por cada uma são muito diferentes. “De modo geral, não podemos comparar as duas. A escola particular tem muito mais condições do que a escola pública. A violência tem uma parte que acontece nas relações sociais, mas está também na estrutura, quando a escola não tem ventilador, não tem merenda, não tem internet, não tem computador. Isso não quer dizer que não tenha violência na particular, mas ela é muito diferente”, diz a pesquisadora.

Tiroteios são frequentes no Alemão

Alunos na saída da Escola Municipal Walt Disney, que fica na entrada do Morro da Baiana, pertencente ao Complexo do Alemão, no Rio

Alunos na saída da Escola Municipal Walt Disney, que fica na entrada do Morro da Baiana, pertencente ao Complexo do Alemão, no Rio

 

Estudantes moradores do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, frequentemente ficam impedidos de ir à escola em razão da violência na região em que vivem. No dia 2 de fevereiro, início do ano letivo, após um longo confronto entre policiais e traficantes da região, cerca de 3.000 crianças ficaram sem aula, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação.

Embora conte com UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) desde 2012, o Complexo do Alemão ainda convive com o tráfico de drogas. No dia 7, a reportagem do UOL visitou as escolas municipais Walt Disney e Padre Manoel da Nóbrega, ambas de ensino fundamental, localizadas em um dos acessos do Morro da Baiana, que faz parte do Complexo do Alemão.

Enquanto alguns pais de alunos eram entrevistados, outros que acabavam de chegar da comunidade para buscar os filhos alertavam que, naquele momento, ocorria um tiroteio e que era necessário tomar cuidado no caminho de volta para casa.

“Agora com a UPP, a polícia está sempre lá em cima [no morro] e tem acontecido mais tiroteios. E acontecem bem na hora em que as crianças estão saindo ou chegando no colégio”, conta o auxiliar de laboratório Flaviano Silva, 32, que buscava o filho de sete anos. Segundo ele, é comum o filho não ir à escola em razão de tiroteios.
8,6% abandonam a escola por medo

A menina Ana Clara, 5, teve problemas em seu primeiro dia em uma escola. Ela foi um dos 3.000 alunos que ficaram sem aula no dia 2 de fevereiro, por causa da troca de tiros. Sua mãe, a dona de casa Jéssica da Silva, 20, relata que o marido teve de voltar correndo com a menina para casa após os confrontos. “É uma situação muito chata, eu fico com muito medo.”

Os dados da Pense mostram que as consequências da violência vão bem além das agressões físicas, percebidos imediatamente. Segundo a pesquisa, 14,8% dos estudantes do nono ano entrevistados haviam faltado aula no último mês por conta do medo. Outros 8,6% tinham abandonado a escola pelo mesmo motivo. “A violência mina a vida das pessoas, aparta, prejudica a qualidade do ensino”, diz Abramovay.

Além de pais e alunos, o clima de violência também costuma afetar o rendimento de professores das escolas situadas em áreas violentas. “Essa sensação de medo é sempre constante. Já vi professor que teve o carro queimado, invasão de escola, briga de gangues, aulas suspensas, estudante que entrava armado na sala porque estava ameaçado de morte”, diz um professor de história que leciona na rede estadual em Diadema (SP) e não quis se identificar.

“Uma vez, em uma nova escola, o porteiro veio me explicar por que o muro tinha várias perfurações de bala”, diz o mesmo professor. Ele afirma que nunca pensou em deixar a sala de aula, mesmo após 20 anos de profissão. “A minha opção por aula na rede pública é ideológica e de vida. O meu papel é de alguém que pode mudar a vida de alguém e, se, por um lado, tem toda essa pressão, por outro, é muito gratificante quando alguém conta que foi aprovado no vestibular.”

O que dizem os órgão públicos

Procurada pela reportagem, a Polícia Militar de São Paulo não comentou sobre os problemas encontrados no entorno das escolas estaduais na zona sul de São Paulo.

A Secretaria da Educação de São Paulo entende que o enfrentamento à violência deve ocorrer em diversas frentes, que englobam também comunidade escolar, famílias e a polícia.

“A pasta desenvolve diversas ações pedagógicas, que são praticadas inclusive nas escolas mencionadas pela reportagem, como projetos interdisciplinares desenvolvidos pelas equipes gestoras relativos a temas como uso de drogas, violência e bullying; o Programa Escola da Família, que oferece atividades de lazer e cultura aos finais de semana, aproximando as famílias para que atuem em parceria com as instituições; além de trabalhos que incentivem a cultura de paz e o protagonismo juvenil”, informou a secretaria. Polícia, ronda escolar, Conselho Tutelar e Ministério Público também atuam em conjunto com o órgão.

No Rio, a assessoria das UPPs confirmou ao UOL, por meio de nota, que houve tiroteio no Complexo do Alemão no dia em que foi realizada a reportagem. Segundo o comunicado, policiais que faziam patrulhamento na região foram recebidos a tiros por traficantes. Mas não houve registro de feridos ou mortos.

A reportagem questionou a Coordenadoria das UPPs (CPP), órgão vinculado à Polícia Militar, sobre as ações policiais realizadas nos horários de entrada ou saída de crianças das escolas. Em nota, assessoria de imprensa disse que as “operações são realizadas com base nas informações do Setor de Inteligência”.

A Secretaria Municipal de Educação, Esportes e Lazer do Rio afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que é responsável apenas por questões de ensino e que “os diretores de cada escola têm a atribuição de avaliar e decidir se há necessidade de suspensão do funcionamento dos colégios diante de situações de violência, como confrontos entre bandidos e policiais, sempre visando à segurança dos alunos”.

“A gente avalia que os dados do Anuário podem estar associados à violência urbana como um todo, como consequência da desigualdade social”, diz o subsecretário de Educação do Estado da Bahia, Nildon Pitombo. “Além disso, temos as ações institucionais com a Ronda Escolar e parcerias com universidades, por meio de grupos de pesquisa sobre sociedade, combate à violência e uso de drogas.”

Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública do Estado da Bahia informou que vai avaliar os dados compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança e estudar as informações contidas no documento.

De antemão, diz a nota, a SSP reforça que considera a educação uma das principais formas de prevenção à violência e que já tem ações voltadas para a proteção dos estudantes baianos, como a Ronda Escolar, unidade da Polícia Militar que trabalha a conscientização dos jovens.

Procurada, a Polícia Militar (PM) informou que, por meio da Ronda Escolar, atua com o objetivo de intensificar o policiamento no entorno dos estabelecimentos de ensino públicos e privados. A PM acrescenta que desenvolve ações integradas (palestras, visitas, apresentação de peças teatrais), “para que a comunidade escolar tenha um ambiente propício para o desempenho de suas atividades”.

Analfabetismo no século 21 – como é viver sem ler nem escrever direito na cidade de São Paulo

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Jovens contam como é viver sem ler nem escrever direito na cidade de São Paulo

Publicado no UOL

“Um cara que não sabe ler é um cego da vida”, resume José Webson da Silva, 22, sobre sua própria condição.

Meio sem jeito, ele fala de sua vida em busca das letras e dos números que faltam no dia a dia. Como tantos conterrâneos, esse pernambucano de Palmares tinha 17 anos quando fez a travessia para o Sudeste para tentar a vida na quinta maior cidade do mundo: São Paulo, a terra das promessas. Mesmo sendo a mais rica do país, é uma metrópole cheia de histórias de gente que não sabe ler nem escrever um bilhete.

Webson já perdeu emprego porque não conseguiu preencher a ficha do processo seletivo, só enviava áudios pelo WhatsApp e chegou a ficar perdido na estação Sé do metrô porque não entendia as placas.

Até quatro meses atrás, quando voltou a estudar, ele só lia quatro palavras: vaca, tatu, macaco e uva –herança ainda da primeira cartilha. Agora, Webson quer sair da estatística que aponta que 17% dos jovens entre 15 e 24 anos são analfabetos ou analfabetos funcionais (que não compreendem textos simples). O número alarmante, colhido pelo Instituto Paulo Montenegro em parceria com o Ibope e divulgado neste ano, faz parte do Índice Nacional de Analfabetismo Funcional (Inaf), criado para aferir o grau de alfabetização dos brasileiros.

Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que pesquisou nove regiões metropolitanas do país e reuniu os dados mais recentes de alfabetização dos brasileiros na PNAD (Pesquisa Nacional de Domicílios) divulgada em 2014, o Brasil tem 13 milhões de analfabetos absolutos com mais de 15 anos, definidos como “pessoas que não sabem ler e escrever um bilhete simples no idioma que conhecem”. Eram 8,3% da população em 2013, menos do que os 8,7% dos brasileiros pesquisados em 2012 pelo IBGE.

Já os analfabetos funcionais, definidos como pessoas “com mais de 15 anos e menos de quatro anos de estudo em relação às pessoas da mesma faixa etária”, eram 17,8% em 2013, também em queda na comparação com o porcentual de 18,3% apurado em 2012. Segundo o analista Jefferson Mariano, do IBGE, não há microdados sobre analfabetos funcionais na PNAD. “Essa foi uma variável derivada, apenas para a publicação.”

Diferentemente do IBGE, a pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro e Ibope aplicou questionários de alfabetização para definir quem é analfabeto absoluto e também apurar o nível real de aprendizado de quem foi à escola. Foram pesquisadas 2.002 pessoas entre 15 e 64 anos em áreas rurais e urbanas de todo o país.

A pesquisa classifica os brasileiros em cinco grupos em diferentes níveis de alfabetização: analfabeto, rudimentar, elementar, intermediário e proficiente. Nesse conceito, analfabeto absoluto é aquele que não consegue realizar tarefas simples, como ler palavras e frases.

Quem é capaz apenas de localizar informações explícitas em textos muito simples, como calendários e cartazes com sentenças ou palavras relacionadas ao seu cotidiano, e ler e escrever números familiares –como horários, preços e cédulas de dinheiro– está no nível rudimentar de alfabetização. A partir do nível elementar, os testes exigem habilidades crescentes de leitura e escrita, com identificação de informações em textos de extensão média até elevada complexidade e realização de operações básicas com números da ordem do milhar até a interpretação de tabelas e gráficos. Essa classificação, segundo o Instituto Paulo Montenegro, permitiu “discriminar melhor o grupo dos alfabetizados funcionalmente, atendendo a uma demanda crescente”.

Quando se leva em conta somente jovens e jovens adultos entre 15 e 34 anos, o Inaf aponta que 18% estão nas categorias de analfabeto e alfabetizado rudimentar (ou funcional, que não consegue interpretar o sentido das palavras, expressar suas ideias por escrito nem realizar operações matemáticas mais elaboradas). Estamos falando de 12,5 milhões de brasileiros. Há aqueles que não conseguem ler e escrever, outros só são capazes de operações simples que envolvam letras e números e tem gente que lê, mas não consegue interpretar o conteúdo.

“É uma tragédia para esses jovens”, afirma Maristela Miranda, diretora da Alfabetização Solidária –organização ligada ao Centro Ruth Cardoso que dá aulas e treinamentos a professores em todo o país desde 1996. “Vivemos em um mundo letrado, que exige, a todo momento, que a gente se posicione de várias maneiras. E a principal qual é? Uma cultura de mundo letrado. Então, como esse jovem se vira dentro desse mundo?”

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Em Pernambuco, Webson chegou a alcançar o segundo ano da Educação de Jovens e Adultos (EJA), mas a mudança para São Paulo e a busca por trabalho o afastaram dos estudos. “O principal fator que entra nessa história é renda. Quanto mais elevada a renda, mais elevado é o nível de alfabetização. Mas, quando a gente fala do jovem que não tem um bom nível, estamos falando da população de mais baixa renda”, explica Roberto Catelli Jr, coordenador da Unidade de Educação de Jovens e Adultos, da ONG Ação Educativa.

No caso do jovem com baixa escolaridade, se estabelece um círculo vicioso, segundo Ana Lima, coordenadora do Inaf. Ela afirma que uma pessoa que não tenha ensino médio só receberia oportunidades de trabalho inferiores ao pouco estudo que tem, o que resultaria em poucas chances de se desenvolver mais. Seriam oportunidades pouco qualificadas de emprego, e “a própria atividade dentro do trabalho não vai fazer com que essa pessoa se desenvolva”, diz ela. Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 26% dos brasileiros com idade entre 14 e 24 anos estavam desempregados no segundo trimestre de 2016.

Problema que vem de longe

O Brasil vem reduzindo a taxa de analfabetismo nas últimas décadas. Desde o final dos anos 1940, surgiram iniciativas do governo federal, complementares aos programas municipais e estaduais. Uma das mais conhecidas foi o Mobral, criado pelo regime militar. Nos anos 1960, 40% da população brasileira com 15 anos ou mais não sabia ler nem escrever, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esse número recuou ao longo dos últimos 50 anos, especialmente nas décadas recentes, até chegar a 8,3% em 2013.

A diminuição do analfabetismo não significou, no entanto, alfabetização plena: a população ainda padece de graves problemas, segundo o estudo do Instituto Paulo Montenegro. Em resumo: 1 a cada 4 pessoas está nas faixas mais baixas e consegue lidar minimamente com letras, palavras e números –ou nem isso. Gente como Webson.

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Vergonha e culpa de não saber

A paulistana Dayane Bento Silva, 20, é uma das vítimas do sistema educacional do país. Ela abandonou o ensino fundamental na quinta série, devido ao bullying que sofria dos colegas de escola. Ficou parada muito tempo.

Há dois anos, frequenta as aulas do Cieja Campo Limpo e ainda lê com bastante dificuldade. “Umas palavras com h, ch, que não vão, enroscam”, explica.

Segundo o doutor em educação e coordenador do Núcleo de Ética e Cidadania da Universidade Mackenzie, Ítalo Cúrcio, os adultos levam mais tempo que as crianças para aprender. “O adulto geralmente está trabalhando. A concentração é outra: é o marido, a conta no final do mês que tem que pagar e o dinheiro que não deu?, relata. Além disso, há também vergonha e culpa. “Eles trazem uma culpa muito grande”, diz Maristela, da Alfasol.

Parte desse sentimento é reforçada pela escola já que, segundo Catelli Jr., “não temos uma configuração adequada de educação de jovens e adultos que caiba na vida das pessoas ou que tenha o acolhimento necessário para alguém que já teve uma relação ruim com a escola”.

Dívida social que temos de pagar

Para Silvia Telles, dado o corte do governo nos investimentos, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) não vai acabar, mas terá menos atenção nos próximos anos. “Não vão excluir totalmente, porque há organismos internacionais que pressionam, como ocorreu, no passado, com o Mobral, quando a ditadura militar precisava dar respostas à ONU [Organização das Nações Unidas], a outros países”, diz.

Atualmente, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) monitora 164 países, dentre eles o Brasil, que assumiram em 2000 o compromisso com o “Marco de Ação de Dakar, Educação para Todos: Cumprindo Nossos Compromissos Coletivos”, que previa seis grandes metas a serem alcançadas até o ano passado.

No balanço feito, o Brasil atingiu duas: a de universalizar o acesso à educação primária, do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental, e a de incluir meninos e meninas na escola, independentemente do gênero.

Não conseguiu, no entanto, cumprir as outras quatro metas, sendo que uma delas era a de reduzir em 50% o número de analfabetos acima de 15 anos.

Na rica Alemanha, 14% são analfabetos funcionais

País mais rico da União Europeia, a Alemanha tem 7,5 milhões de analfabetos funcionais –o correspondente a 14% da população em idade de trabalho, entre 18 e 64 anos. Destes, 1,5 milhão são jovens adultos, de 18 a 29 anos.

O universo, revelado em pesquisa da Universidade de Hamburgo em 2011 (a mais recente sobre o tema), considera os que conseguem ler e escrever frases isoladas, mas não textos contínuos, bem como aqueles com grau de dificuldade ainda mais elevada, já que leem ou escrevem apenas letras ou palavras separadas.

A pesquisa causou espanto porque (mais…)

Estudo não aumenta eficiência do trabalho no Brasil, diz pesquisa

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Érica Fraga, na Folha de S.Paulo

O avanço da escolaridade no país nas últimas décadas não foi acompanhado do aumento esperado de eficiência do trabalhador brasileiro.

A experiência internacional mostra que, à medida que acumulam mais anos de estudo, os profissionais de uma nação, normalmente, se tornam mais produtivos, contribuindo, com isso, para o crescimento da economia.

Dados preliminares de uma pesquisa feita por Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper, revelam que isso não parece estar ocorrendo no Brasil.

Entre 1980 e 2010, cada ano a mais de estudo no país foi seguido de um aumento extra de produção de apenas US$ 200 por trabalhador.

O número é irrisório se comparado ao que ocorreu em outros países. Cada ano a mais de escolaridade foi acompanhado de uma expansão de US$ 3.000 de produção por trabalhador no Chile e de US$ 6.800 na Coreia do Sul.

De acordo com Paes de Barros, é possível que a qualidade e o conteúdo do ensino nas escolas brasileiras expliquem por que o país tem sido um ponto fora da curva.

“Pode ser que esse aumento de educação não tenha significado econômico, por isso tenha muito pouco impacto sobre a produtividade”, diz.

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MENORES GANHOS

A piora na qualidade da educação no Brasil também pode ser uma das causas da rápida queda do ganho extra de renda que os trabalhadores conseguem ao aumentar sua escolaridade. Em 2004, cada ano a mais de estudo resultava em um salário 9,6% maior no país. Em 2014, esse retorno caiu para 7,2%.

Outro fator que contribuiu para essa redução, segundo Paes de Barros, foi o aumento do salário mínimo, que elevou a renda do trabalhador pouco escolarizado.

Uma terceira explicação para a queda do prêmio salarial foi a expansão da demanda da nova classe média por serviços menos qualificados, nos últimos anos.

“Nós nos tornamos uma economia intensiva em mão de obra pouco qualificada. Isso tem a ver com o tipo de estrutura de demanda que a economia brasileira gerou.”

Embora esse movimento tenha contribuído para a redução da desigualdade de renda, ele também pode estar afastando o jovem brasileiro da escola: “Isso não ajuda a incentivar as pessoas a estudar mais”.

EVASÃO ESCOLAR

Um dos principais focos da pesquisa conduzida pelo economista —que tem apoio do Instituto Ayrton Senna, do Insper, da Fundação Brava e do Instituto Unibanco— é entender as causas da elevada evasão escolar no Brasil.

O estudo mostra que, a cada ano, mais de um quarto dos jovens brasileiros de 15 a 17 anos tem um dos seguintes destinos: nem se matriculam na escola (15%); abandonam os estudos (7%) ou são reprovados por falta (4%).

A meta oficial do governo de universalizar o acesso dessa faixa etária à escola até 2016 não foi cumprida.

Segundo dados divulgados na semana passada pelo IBGE, a parcela de jovens de 15 a 17 anos na escola chegou a 85% em 2015. Esse percentual tem aumentado em ritmo lento nos últimos anos. E os prognósticos de evolução não são positivos.

Pelas contas de Paes de Barros e sua equipe, o Brasil precisaria avançar a um ritmo 23 vezes maior que o atual para universalizar o acesso de jovens de 15 a 17 anos à escola em uma década.

Segundo o economista, o objetivo da pesquisa é ajudar os gestores educacionais a entender as causas do baixo engajamento do jovem com a escola e, com isso, adotar as medidas cabíveis.

No estudo, Paes de Barros e seus coautores explicam que há três grandes causas para o afastamento entre o jovem brasileiro e a escola.

O primeiro grupo de fatores está ligado a problemas como pobreza extrema, distância grande entre o domicílio do jovem e a escola e gravidez precoce.

O segundo motivo é o que eles chamam de “falta de interesse informada” do jovem pela educação formal. “Isso tem muito a ver, por exemplo, com a falta de flexibilidade do currículo do ensino médio”, afirma o economista.

Por último, há o caso de jovens que têm pouco interesse pela escola por falta de informação adequada.

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