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Escritor britânico John Le Carré recupera seu espião mais famoso em novo livro

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TOLGA AKMEN/AFP (foto: TOLGA AKMEN/AFP)

TOLGA AKMEN/AFP (foto: TOLGA AKMEN/AFP)

Vinte e sete anos depois, George Smiley está de volta em A legacy of spies

Publicado no UAI

O escritor britânico e mestre da literatura de espionagem John Le Carré traz de volta, 27 anos depois, seu herói George Smiley para seu novo romance, A legacy of spies. “Não se pode criar um personagem sem deixar algo de si mesmo”, disse ele ao público durante lançamento no centro cultural Southbank, em Londres, transmitido ao vivo para mais de 200 salas de cinema no Reino Unido, para angariar fundos para a organização Médicos Sem Fronteiras.

Ambos têm muito em comum, começando pela espionagem. Le Carré, cujo nome real é David Cornwell, trabalhou para os serviços de Inteligência britânicos entre 1950 e 1964 e se dedicou inteiramente à literatura após o sucesso de O espião que saiu do frio, o primeiro papel importante de Smiley, em 1963.

Além disso, o autor completará 86 anos em outubro, e seu personagem fictício tem em torno dessa idade. Os dois atuaram na Guerra Fria que opôs o bloco comunista aos países ocidentais, uma mina para romances de espionagem. A inspiração de Le Carré não sofreu com a queda do Muro de Berlim. Seu romance seguinte sobre o comércio de armas, The night manager (O gerente noturno), em 1993, foi adaptado para uma série de televisão de sucesso.

CARÁTER

John e George compartilham certos traços de caráter. “É difícil para ambos lembrar momentos felizes. Não é algo que aconteça comigo naturalmente, eu tenho que me esforçar”, explicou o escritor ao Times. Eles compartilham a discrição, e é inútil procurar Le Carré nas colunas sociais. Nem há nada de chamativo sobre Smiley, um anti-James Bond, cada vez mais taciturno com a idade e, certamente, um exemplo mais acurado de um espião do que o 007 dos Dry Martinis, das mulheres belíssimas e das geringonças incríveis. O contraste entre o sex symbol e o mestre dos espiões é manifesto, por mais que os dois sejam britânicos.

As ideias políticas de ambos também são próximas. “Escrevi o livro em uma espécie de frenesi durante [Donald] Trump e o Brexit. Odeio toda essa operação do Brexit, assim como Smiley”, desabafou Le Carré ao Times, referindo-se à decisão britânica de deixar a União Europeia. “Todos os governos culpam a Europa por seus próprios fracassos, porque nunca se envolveram com a ideia de uma Europa unida”, critica.

Embora as aborrecidas negociações para a saída da UE dificilmente inspirem um romance de espionagem, o Smiley de A legacy of spies se mostra profundamente europeu. Quando seu ex-assistente Peter Guillam pergunta ao espião se ele trabalhou toda a sua vida para o Reino Unido, ele responde: “Não, para a Europa”.

Le Carré abordou a questão, explicando que a Guerra Fria consistiu, para Smiley, na luta pela “alma da Europa”. “Foi, para ele, a frente de batalha da Guerra Fria. Foi onde lutou pela alma da Europa. Então, quando olha para trás – como eu faço, neste caso –, ele vê a futilidade de tudo isso.” (AFP)

Homem de Aço protege imigrantes

Os vilões já não são mais os gênios do mal ou alienígenas invasores: Super-Homem tem agora a missão de proteger imigrantes dos abusos de supremacistas brancos.

Na última edição da série Action comics, que publica as aventuras do Super-Homem desde 1938, o Homem de Aço age para impedir um operário desempregado de matar imigrantes.

Com camisa azul e bandana com as cores da bandeira dos Estados Unidos, o vilão bigodudo representa todos os clichês que cercam o trabalhador americano pobre. De arma na mão, ele ameaça mulheres de véu e arremete contra hispânicos, os quais acusa de roubar seu emprego.

“Trabalham por quase nada, não falam inglês e assim não podem exigir nem um centavo a mais. Tomaram o meu trabalho! Meu modo de vida! Por tudo isso, vão pagar”, diz o operário antes de atirar. Porém, no momento exato aparece o Super-Homem, desviando as balas com seu peito para salvar os imigrantes. “A única pessoa responsável por sua escuridão, que sufoca a sua alma, é você”, diz o herói de capa vermelha ao supremacista branco.

O episódio evoca a recente violência em manifestações de extremistas de direita nos Estados Unidos, como ocorreu em agosto passado, em Charlottesville, na Virgínia. (AFP)

Tudo que você precisa saber para estudar em Portugal

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Custo de vida baixo, excelência acadêmica e idioma em comum. Conheça as vantagens de estudar em Portugal e entenda como se candidatar, seja na graduação ou na pós.

Ruas de Lisboa, Portugal (Foto: Agliberto Lima)

 

Custo de vida baixo, excelência acadêmica e idioma em comum. Conheça as vantagens de estudar em Portugal e entenda como se candidatar, seja na graduação ou na pós.

Publicado na Época Negócios

O pequeno país na “ponta” da Europa virou destino de muitos brasileiros. São vários os motivos que tornaram Portugal o queridinho da vez: o custo de vida reduzido, as vantagens de estudar em universidades europeias, o idioma similar e o clima ameno. Tanto para graduação quanto para a pós, incluindo mestrados acadêmicos e doutorados, as instituições portuguesas são avaliadas como excelentes e apresentam facilidades para brasileiros.

Esse perfil mais amigável não surgiu à toa. Além do histórico dos dois países, que remete aos idos do Brasil colônia, as mudanças na legislação de Portugal e os acordos firmados com o governo brasileiro facilitaram o intercâmbio de estudantes. Por exemplo, com a permissão de processos seletivos alternativos que contemplassem alunos estrangeiros, esse movimento ganhou força. De 2014 para cá, mais universidades portuguesas aderiram à mudança.

Como se candidatar para estudar em Portugal

Quando se trata de graduação, o caminho mais certeiro para os alunos interessados é o Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM. Graças às parcerias firmadas com o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), algumas instituições portuguesas aceitam o resultado do teste como requisito único para admitir brasileiros. Esse movimento começou com o pontapé inicial vindo da Universidade de Coimbra, a mais antiga de Portugal, que hoje disponibiliza mais de 600 vagas para brasileiros.

“O que me chamou a atenção foi o nome e a tradição de Coimbra como um todo”, resume a paulista Fabíola Pretel, que começou a graduação em Jornalismo em Coimbra em 2015. Na época, ela conta que a possibilidade de estudar no exterior contando com a nota do ENEM pareceu uma ótima oportunidade, além dos custos baixos no país. Atualmente, diversas instituições adotaram o ENEM como porta de entrada para a graduação, como a Universidade do Algarve, a Universidade de Aveiro e o Instituto Politécnico do Porto (IPP).

Já os candidatos a mestrado e doutorado (ou “doutoramento”, como dizem os portugueses) passam por um processo diferente. Cabe ao aluno interessado reunir documentos como histórico escolar e cartas de recomendação para fazer a application – aos moldes do que acontece em outras instituições europeias. “Eles pediram meu histórico escolar, o diploma, uma carta de motivação, e, ainda, que três pessoas me recomendassem”, explica Ramon Bittencourt Mendes, que cursa o Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico na Universidade do Porto.

Ainda que muitos currículos de pós-graduação sejam oferecidos em inglês, não há exigência de testes padronizados como o TOEFL ou o IELTS na seleção inicial. No máximo, é solicitada uma declaração do candidato sobre sua proficiência no idioma. “Só que, além das aulas, as apresentações dos seminários, os debates e os artigos exigidos por disciplina devem ser todos falados e escritos em inglês”, destaca a doutoranda em Direitos Humanos nas Sociedades Contemporâneas Saskya Lopes.

Já o doutorando Jamil Farkatt enxerga, nas exigências do doutorado, uma oportunidade para trabalhar de vez o inglês. “Se você não tiver o idioma na ponta da língua, mas um currículo bom e muita vontade de aprender, consegue se desenvolver bem”, diz ele, que estuda Engenharia e Gestão Industrial na UPorto.

Cabe ao estudante, portanto, ficar atento às exigências específicas de cada instituição, disponíveis nos sites oficiais. Em casos como o da Universidade do Porto, por exemplo, cada candidato deve também enviar aos professores do departamento de interesse pedidos para orientação da tese.

Porto, Portugal (Foto: Wikimedia Commons)

Porto, Portugal (Foto: Wikimedia Commons)

 

Como conseguir um intercâmbio

Para quem não pretende fazer uma etapa inteira da formação em terras portuguesas, outra opção é a do intercâmbio acadêmico. Há diversas bolsas para graduação, como as oferecidas pelo banco Santander, a exemplo das Bolsas Ibero-Americanas. Para esse tipo de programa, cabe à universidade brasileira conveniada selecionar os alunos que são elegíveis ao intercâmbio – de acordo com processos internos.

Já entidades como a Capes (Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior) e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) também lançam editais para doutorados-sanduíche, que incluem um período determinado em universidades portuguesas combinados à experiência no Brasil.

Quais são os custos com anuidade

Quando se trata de anuidade (ou “propina”, como é chamada por lá), os valores podem variar de acordo com a instituição de ensino e os acordos firmados com o Brasil. Algumas delas estabelecem valores menores para os países lusófonos, como é o caso da Universidade do Porto. Também há diferença para os níveis de formação, como é o caso dos custos para graduação e pós-graduação. Na Universidade de Coimbra, famosa por concentrar mais estudantes brasileiros, a mensalidade sai por 700 euros.

“O que eu aconselharia é tentar verificar qual a universidade na qual a sua área tem mais relevância, escolher a melhor e buscar financiamento”, opina Jamil Farkatt, que conseguiu uma bolsa Erasmus, depois de se formar na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. “Pagar por si próprio vale a pena, também. Em comparação às universidades mais conceituadas e privadas no Brasil, uma pós-graduação aqui sai muito barata”, complementa.

Em média, a candidatura sai por 50 euros – com taxas extras para quem deseja fazer cursos que necessitem de exames de aptidão física.

Quais as vantagens, então, de estudar em Portugal

Por um custo baixo e com um processo de candidatura simplificado, Portugal oferece uma experiência acadêmica consistente. Em outras palavras, bons professores e boas oportunidades para os alunos. Como a baiana Saskya Lopes explica, as universidades investem na internacionalização. “Há sempre a possibilidade de estar em contato com pesquisadores de todo o mundo, de conhecer a perspectiva sobre seu tema nos mais diferentes lugares, seja em palestras ou discussões no café com os colegas”, ela explica, destacando sua experiência em Coimbra.

“Portugal hoje é um país com universidades muito boas, reconhecidas lá fora. Nomeadamente, a de Lisboa e a do Porto se destacam em tecnologia”, aponta Jamil Farkatt. No caso dele, a ideia era a aproveitar a oportunidade na Europa para pesquisar energia eólica. “Temos aqui a oportunidade de trabalhar com docentes portugueses que têm experiência nos EUA, em Londres… O corpo docente português é um corpo docente top class”, resume.

Idosa escreve livros sobre viagens de 500 dias por países de 4 continentes

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Arcelina Helena, de Goiás, visita a Muralha da China (Foto: Arquivo Pessoal/Arcelina Helena)

Arcelina Helena, de Goiás, visita a Muralha da China (Foto: Arquivo Pessoal/Arcelina Helena)

 

Arcelina Helena, 73, saiu de Goiás para peregrinações no exterior.
Última viagem foi à China, onde passou 100 dias conhecendo a cultura local.

Murillo Velasco, no G1

A jornalista e professora aposentada Arcelina Helena Públio Dias, de 73 anos, saiu de Goiás e passou 500 dias em quatro continentes para depois publicar livros sobre suas experiências. Depois de se aposentar da sala de aula, ela teve a ideia de viajar para escrever sobre o sofrimento e a resistência do ser humano nos diferentes cantos do mundo. Católica, ela contou com o apoio de alguns religiosos para cumprir a missão.

Em entrevista ao G1, Arcelina falou sobre a aventura vivida ao longo das viagens, que foram divididas em cinco etapas, cada uma delas com duração de 100 dias de peregrinação. Ela já publicou quatro livros sobre as visitas feitas no continente americano, na África e Europa. A última peregrinação da jornalista terminou no último dia 18 de novembro, quando chegou de viagem da China.

“Foi um desejo pessoal que agora tenho realizado por completo. Apesar da idade, que pra mim é pouca, tenho uma vida bastante ativa. Depois de me aposentar, coloquei este propósito de vida. Queria conhecer as nuances do sofrimento e da resistência dos seres humanos nas mais diferentes culturas. Com todas as minhas limitações, consegui conhecer coisas inimagináveis”, contou.

A primeira parte das viagens foi feita para Colômbia, Cuba, Bolívia, México e Estados Unidos e deu origem ao livro “Finais de Esperança”. A peregrinação feita nas “Américas” começou com um estudo feito por ela sobre os trabalhos de um grupo religioso com moradores de rua da Colômbia.

No México, Arcelina conviveu com cidadãos que tentavam atravessar ilegalmente a fronteira com os Estados Unidos, onde conheceu uma família que fazia um trabalho com moradores de rua.

“Peguei países em plena guerra. No centro e norte da América aquele desespero por atravessar a fronteira para os Estados Unidos. Pessoas que davam tudo aos chamados coiotes para acabarem morrendo no deserto. Entre todo o sentimento que eu vi, consegui perceber finais de esperança, e acabou sendo este o título do primeiro livro desta peregrinação que só começava”, disse.

Depois de ficar imersa nas culturas latina e norte-americana, Arcelina passou 100 dias na África, passando por alguns países do Oriente Médio. Ela contou que pode conhecer a Angola, que passava por uma guerra civil, e África do Sul alguns anos após a libertação do ex-presidente Nelson Mandela. Além disto, visitou os palestinos em Israel e terminou a peregrinação no Líbano.

O trabalho rendeu o livro “Perdão, África, perdão”. “Eu sofri muito psicologicamente durante esta peregrinação, porque pensei no fato do Brasil ter vivido 300 anos de escravatura. Isto é surreal. Ficava me torturando vendo aquelas culturas belíssimas e imaginando que todas elas foram trazidas da forma que foram para cá. Sofri com o passado, com o que a gente vive de preconceito no presente e com o medo do futuro”, contou.

Viagens pelo Brasil
A terceira peregrinação foi feita pela Europa e rendeu o livro “Além do Silêncio”, que contou a história dos mosteiros ecumênicos presentes no continente. Depois de chegar ao Brasil, Arcelina embarcou na quarta peregrinação, aqui mesmo no país, em São Félix do Araguaia, no estado do Mato Grosso.

A jornalista conta que queria contar a história da cidade e do bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga. Segundo ela, o religioso, que é reconhecido internacionalmente pela luta em defesa dos povos da Amazônia e grupos excluídos, foi um dos símbolos da resistência à ditadura militar.

“Eu abri mão de ir para a Oceania para fazer um livro sobre heroísmo no meu país, no Brasil. A história de Pedro Casaldáliga é riquíssima. Ele deu apoio aos excluídos, aos pobres e os incentivou a levantar os rostos para a coisa terrível que foi a tomada de terra sofrida durante a ditadura militar. E o melhor da resistência dele, foi que foi sem guerra, uma resistência de fé e trabalho”, reforçou.

Arcelina Helena visitou vários templos na China (Foto: Arquivo Pessoal/Arcelina Helena)

Arcelina Helena visitou vários templos na China (Foto: Arquivo Pessoal/Arcelina Helena)

 

Expedição China
A última, e segundo ela a mais difícil, das viagens terminou no dia 18 de novembro, quando chegou de 100 dias de viagem na China. Arcelina conta que estudou mandarim e a cultura chinesa antes de embarcar. Apesar de ter mergulhado no idioma, a jornalista disse que não conseguiu se comunicar muito bem.

“Foi uma viagem, como dizemos aqui em Goiás, bastante custosa. O que me salvou foi o inglês. Porque em chinês eu só conseguia fazer a pergunta, daí eles me respondiam e eu não entendia nada. O jeito era sair perguntando ‘do you speak english?’ em todos os cantos até achar alguém pra ajudar, quando achava”, brincou.

Durante a viagem à China, Arcelina buscou fazer uma imersão na cultura e buscar como era a prática do catolicismo no país. Ela revelou que, ao contrário do que pensava, existem dezenas de igrejas que realizam missas nos mais diversos idiomas e sem perseguição política ou religiosa do governo chinês.

“Foi uma coisa que me surpreendeu. Acho que pelo fato de hoje a China ter gente de todo o canto, tem missas católicas apostólicas romanas com padres chineses e rezadas de tudo quanto é língua. Uma realidade muito diferente do que a gente escuta os religiosos pregarem aqui no Brasil”, revelou.

A jornalista conta que teve muita dificuldade com a alimentação e que não consegue descrever exatamente o que comeu ao longo da viagem.

“Eu não sei o que eu comi, porque olhava o prato, achava bonito, aí vinha tudo picadinho misturado. Era um arroz grudento. Fui até a um restaurante brasileiro, onde comi feijoada. Eu comprava coisas que eu identificava apenas e mesmo assim era surpreendida”, afirmou.

Pela limitação do idioma, Arcelina diz que não conseguiu conhecer lugares extremamente pobres do país. “Eu não tive como ir no meio dos pobres excluídos da China, porque eles não falam nenhuma língua que eu possa me comunicar com eles. Eu não tive nenhum apoio para que pudesse fazer isso e sozinha, na minha peregrinação, não era possível”.

Durante viagem ela conheceu a Universidade Internacional de Dailan (Foto: Arquivo Pessoal/Arcelina Helena)

Durante viagem ela conheceu a Universidade Internacional de Dailan (Foto: Arquivo Pessoal/Arcelina Helena)

 

Memória
A idosa contou que andava o dia inteiro durante as viagens, não passou mal por causa do novo tipo de alimentação, mas que enfrentou problemas por conta da “memória fraca”. Ela disse que preparou um celular moderno para registrar a viagem, mas esqueceu o aparelho quando passou por São Paulo antes de embarcar para Pequim.

“Saúde eu tenho. Consegui andar, comer as comidas, mas a minha memória é fraquinha. Sou antiga, levei a caderneta. Pretendia ir de gravador e tudo mais. Super preparei o telefone e esqueci em São Paulo. Mas a minha grande descoberta é que Deus realmente está do meu lado, porque foi cada situação”, contou.

Religiosa, Arcelina se assustou ao chegar a Shangai e se hospedar em um hotel frequentado por garotas de programa da região. Outro desafio vivido por ela foi o fato de ter viajado mais de 100 km entre Hong Kong e Guangzhou. Quando ela chegou à cidade, lembrou que todo o dinheiro que ela tinha havia ficado no cofre do hotel em Hong Kong.

“Eu precisei pegar dinheiro emprestado com um padre para passar os dias em que eu ficaria em Guangzhou e depois voltei para o hotel para buscar o dinheiro que havia guardado. A minha memória é desse jeito, impecável”, brincou.

O ensino médio lá fora

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Modelos variam muito entre países, mas há algumas características em comum entre nações com bons resultados na educação

Antonio Gois, em O Globo

Comparar países e seus modelos educacionais é sempre um exercício necessário, mas complexo. Por um lado, sociedade nenhuma pode se dar ao luxo de ignorar experiências de nações que enfrentaram dilemas comuns. Por outro, tentar copiar fórmulas desconsiderando contextos tende a ser improdutivo. No momento em que o Brasil debate uma reforma em seu ensino médio, ao menos dois seminários neste mês possibilitaram entender melhor como são organizados os sistemas secundários em países como Finlândia, Alemanha, Suíça, Polônia, Inglaterra e Canadá.

Uma primeira constatação é de que não há uma receita única. Um exemplo disso está no número de disciplinas obrigatórias. No Brasil são 13, e há quem ache demasiado. Na Inglaterra e em boa parte dos estados americanos, por exemplo, apenas inglês e matemática são compulsórias. A Polônia, um dos países que mais teve ganhos no Pisa e cuja experiência foi debatida em seminário realizado pelo Banco Mundial e pelo MEC, fez recentemente uma reforma que diminuiu de 14 para três o número de disciplinas obrigatórias. Ficaram apenas linguagem, matemática e educação física. O restante do currículo é montado a partir da opção dos alunos.

A regra mundial então seria ter poucas disciplinas? Nem sempre. Basta ver o caso da Finlândia, país reconhecido pela valorização dos professores e por seu sistema equitativo e de alto desempenho. O caso finlandês foi apresentado pela chefe da unidade de Ensino Médio do Conselho Nacional de Educação daquele país, Tiina Tahka, em seminário do Instituto Unibanco e do Conselho Nacional de Secretários de Educação. Lá, são 18 disciplinas obrigatórias. Alguns educadores finlandeses acham o número exagerado, e há no país escolas que estão testando inovações, apostando num ensino cada vez mais interdisciplinar, sem divisões rígidas entre as matérias.

Cabe destacar, porém, uma diferença em relação ao modelo brasileiro. O sistema finlandês no ensino médio tradicional é organizado em créditos, e a parte obrigatória do currículo corresponde a no máximo 51 dos 75 necessários para o aluno se formar. Algumas disciplinas (caso de física, química, filosofia e psicologia) são obrigatórias apenas num módulo básico, o que permite que o aluno complete essas matérias, por exemplo, no primeiro ano do ensino médio, e nos anos seguintes só volte a se aprofundar nelas caso queira.

O que há em comum em todas as nações cujos casos foram apresentados nos dois seminários é o fato de terem sistemas com algum grau de flexibilidade, em que é permitido ao aluno optar pelas áreas em que quer se aprofundar. Mas há também uma preocupação constante em evitar que esse sistema acentue desigualdades, com alunos mais ricos sendo direcionados majoritariamente para uma trajetória que os leve para a universidade, enquanto os mais pobres se destinam ao profissionalizante. Por isso, vários desses países oferecem orientação vocacional aos estudantes e permitem que eles voltem atrás em suas decisões. Não há caminhos sem retorno.

Porém, talvez a lição mais importante que podemos tirar desses países é a de que o projeto de reformar o ensino médio não se encerra na definição de um modelo. Há muito esforço a ser feito antes e depois, pois, tão ou mais importante quanto buscar o melhor formato possível é o investimento nas escolas e nos professores, para que sejam valorizados e estejam de fato preparados para fazer o melhor por seus alunos.

Mercado de livros digitais não decola no Brasil e estagna nos EUA e Europa

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Consumidores na primeira loja física da Amazon, em Seattle (EUA)

Consumidores na primeira loja física da Amazon, em Seattle (EUA)

 

Joana Cunha, na Folha de S. Paulo

A indústria brasileira de impressão de livros já não teme que a leitura digital leve grande parte de seus consumidores, como ocorreu no mercado de música.

Um dos motivos são os sinais de estagnação que a venda de livros digitais já dá nos Estados Unidos e na Europa.

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Segundo a Association of American Publishers (entidade do setor nos EUA), as vendas de e-books (livros eletrônicos, que podem ser lidos em e-readers, tablets, PCs ou smartphones) caíram cerca de 11% nos primeiros nove meses de 2015, em relação a igual período de 2014.

Essa retração deriva, em parte, das disputas entre as editoras e a gigante de vendas on-line Amazon.

Quando, há cerca de dois anos, as editoras conseguiram a possibilidade de fixar os preços de seus próprios e-books, muitas começaram a cobrar mais, e isso deu competitividade aos antigos livros impressos.

No Brasil não há dados oficiais sobre vendas de livros digitais, segundo o presidente do Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), Marcos da Veiga Pereira.

Ele afirma, no entanto, que pelas estimativas de mercado, nunca houve um “crescimento exponencial nem consistente” por aqui.

As vendas eletrônicas ainda crescem, mas perdem fôlego. “O Brasil tem um crescimento que já alcançou 30% há alguns anos, depois ficou em 20%, caiu para 12%”, diz.

A Amazon, que domina esse mercado, não abre seus números no país, mas estudos da empresa de pesquisa e consultoria Euromonitor, com base no indicador de vendas dos e-readers (os aparelhos para a leitura digital), vislumbram um freio por aqui também.

As vendas de e-readers passaram de US$ 2,3 milhões em 2014 para US$ 2,4 milhões no ano passado no Brasil, segundo a Euromonitor.

A previsão da consultoria é que, em 2020, elas devem voltar ao patamar de US$ 1,1 milhão.

Na Europa e nos Estados Unidos, essa tendência de estagnação na indústria do livro eletrônico já ficou evidente.

“Os livros digitais e os e-readers foram grandes promessas quando chegaram ao mercado, mas a dificuldade em negociar os direitos do conteúdo prejudica as perspectivas globalmente”, diz Loo Wee Teck, diretor da Euromonitor International.

No mercado americano, as vendas dos e-readers já haviam superado US$ 1 bilhão, mas caíram mais de 13% em 2015. O mesmo ocorreu no mercado europeu, onde as vendas recuaram mais de 6%.

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LIVRO DE PAPEL

Os livros impressos, por outro lado, ainda demonstram resiliência (veja gráfico).

Arnaud Lagardère, que controla o grupo proprietário da gigante editorial Hachette, afirmou em apresentação de resultados neste ano que a fatia de e-books caiu para 22% de suas vendas totais nos EUA —o pico, de 30%, foi registrado em 2013.

A variação foi reabsorvida pelos livros impressos.

Para Ismael Borges, gestor no Brasil do Bookscan (painel de vendas de livros no varejo realizado pela Nielsen), os livros eletrônicos e físicos não se “canibalizam”: há espaço para as duas categorias.

“O consumidor do e-book é bem específico. Parece que é mesmo um mercado de nicho. Mas o acesso à leitura aqui ainda é baixo em relação à Europa. Por isso ainda é grande o potencial de crescimento do país”, diz.

PATAMAR

Sócio da editora digital O Fiel Carteiro e membro da comissão do livro digital na Câmara Brasileira do Livro, André Palme defende que o mercado americano parou porque já atingiu o patamar de consolidação. “Estima-se que a participação do livro digital nos EUA seja de 20% a 25%. No Brasil, é de 3% a 5%.”

Palme prevê um amento no uso dos smartphones como plataforma de leitura de e-books nos próximos anos.

“Uma coisa que cresce muito é o segmento de livros digitais de autopublicação”, diz Alex Szapiro, diretor-geral da Amazon no Brasil.

Nesse modelo, o próprio autor publica seu livro, sem passar por uma editora.

“Na média dos cem livros mais vendidos no Brasil na Amazon semanalmente, cerca de 30 são autopublicação de livros digitais”, afirma.

Considerada a maior empresa de varejo on-line global, a Amazon também dá passos na direção do mundo físico. No fim do ano passado, ela inaugurou, nos EUA, sua primeira loja física, após 20 anos desde o início de suas vendas por internet.

“Costumamos pensar que os movimentos de ruptura sempre vão quebrar toda a estrutura, mas na indústria editorial, quando a participação do e-book começou a bater em 25% e as pessoas começaram a prever que ele ia superar o impresso, veio uma surpresa: a estagnação”, afirma o presidente do Snel.

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