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A polêmica reforma educacional na Turquia, que deixou de ensinar evolução e agora fala de jihad

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Trecho de livro didático sobre a tentativa de golpe no país em 2016 cita o Alcorão ao dizer que 'coragem significa enfrentar cruéis' (Foto: Ministério da Educação da Turquia)

Trecho de livro didático sobre a tentativa de golpe no país em 2016 cita o Alcorão ao dizer que ‘coragem significa enfrentar cruéis’ (Foto: Ministério da Educação da Turquia)

 

Críticos afirmam que novos livros didáticos são sexistas e representam um golpe contra a educação laica; para governo, oposição apenas tenta criar propaganda negativa.

Publicado no G1 [via BBC Brasil]

As escolas na Turquia começaram o novo ano letivo com um currículo controverso: deixa de fora a teoria da evolução e traz o conceito de jihad.

Para o governo – que tem bases islâmicas – a ideia é adotar uma nova “educação de valores”. Já os críticos acusam os novos livros didáticos de serem sexistas e anticientíficos, e reclamam do que veem como um golpe contra a educação laica.

“Ao incorporar uma educação de valores jihadistas, eles tentam encher as cabeças das nossas crianças pequenas com o mesmo tipo de pensamento que transforma o Oriente Médio em um banho de sangue”, diz Bulent Tezcan, do partido de oposição CHP, que defende o Estado laico.

O governo, no entanto, acusou a oposição de criar propaganda negativa e de polarizar o país por estar de olho nas eleições de 2019.

“Quando dizemos valores, eles entendem outra coisa. Temos orgulho de nossos valores conservadores e democratas, mas não queremos que todos sejam iguais a nós”, diz o ministro da Educação, Ismet Yilmaz.

Críticos dizem que os livros didáticos definem o papel da mulher como o de 'esposa', enquanto o homem é retratado como 'mais forte' (Foto: Ministério da Educação da Turquia)

Críticos dizem que os livros didáticos definem o papel da mulher como o de ‘esposa’, enquanto o homem é retratado como ‘mais forte’ (Foto: Ministério da Educação da Turquia)

 

Recuperando o conceito

Livros didáticos explicando a ideia de jihad estão sendo distribuídos nos colégios vocacionais religiosos do país, conhecidos como escolas Imam-Hatip. Eles serão oferecidos a alunos do ensino médio como disciplina optativa em um ano.

Um livro chamado “Vida de Maomé, O Profeta” está atraindo críticas específicas tanto por suposto machismo quanto por explicar a jihad – definida como “guerra religiosa” pelo dicionário do Instituto de Língua Turca.

Mas os funcionários do ministério da Educação dizem que o conceito foi explorado indevidamente por grupos jihadistas como o autodenominado Estado Islâmico (EI).

O ministro da Educação diz que o conceito deveria ser introduzido como parte do Islã dentro do contexto de “amar uma nação”.

“A jihad é um elemento da nossa religião. Nosso dever é ensinar todos os conceitos e corrigir as coisas que são compreendidas da maneira errada”, diz ele.

O mesmo livro controverso define a “obediência” da mulher ao homem como uma forma de “adoração”. Mas, segundo o governo, isso é compreensível, já que a obra é sobre o Islã e cita versos do Alcorão.

“Alá diz isso, não eu. Eu deveria corrigi-lo, é isso?” diz Alpaslan Durmus, presidente do Conselho de Educação.

Reações

Dois grandes protestos ocorreram no fim de semana, com hashtags como #NoToSexistCurriculum (“não ao currículo machista”), #SayNoToNonScientificCurriculum (“diga não ao currículo não científico”) e #DefendSecularEducation (“defenda a educação laica”) dominando as redes sociais na Turquia.

Um líder sindical convocou os militantes a “dizer não para um currículo ultrapassado, que bane a ciência em pleno século 21”.

Opositores têm acusado o partido do presidente Recep Erdogan, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), de substituir fundações laicas da república turca por valores islâmicos e conservadores.

Declarações do próprio presidente sobre criar uma “geração devota” também causaram alarme.

O ministro da Educação, porém, diz que os críticos são “extremamente ignorantes” ao dizer que a evolução foi completamente excluída do currículo.

Assuntos como mutação, modificação e adaptação são explicados em livros de biologia, mas sem citar especificamente a evolução. A teoria estaria “acima do nível dos alunos (de ensino médio)” e deveria ser ensinada na universidade, diz o ministro.

Aysel Madra, da Iniciativa pela Reforma Educacional, afirma que isso só irá confundir os estudantes. Para o grupo, é estranho afirmar que as crianças e os jovens conseguem entender a jihad, mas não a evolução.

Associações de professores estão divididas sobre o debate.

O sindicato Egitim Sen vê a iniciativa do governo como “ideológica e deliberada”. Um grupo rival, mais conservador, acusa os críticos de usarem argumentos anti-islâmicos.

“De acordo com o Instituto Turco de Linguagem, o significado principal de jihad é ‘guerra religiosa'”, diz Feray Aydogan, o líder do Egitim Sen. “Qual é o objetivo de explicar somente o segundo e o terceiro significados?”

“Na escola, seguimos escravos”, diz professora que emocionou a Flip

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Lázaro Ramos se emociona com a fala da professora Diva Guimarães. Foto: Iberê Perissé/Divulgação Flip

Lázaro Ramos se emociona com a fala da professora Diva Guimarães. Foto: Iberê Perissé/Divulgação Flip

A mulher que comoveu o Brasil com seu relato conta sua trajetória

Wellington Soares, na Nova Escola

“Não sei o que me deu.” É assim que a professora aposentada Diva Guimarães explica a sua fala na Feira Literária Internacional de Paraty (Flip). Ela falou por exatos 13 minutos e 16 segundos, tempo suficiente para produzir um discurso magnético. Viralizou – e por bons motivos. A participação de Diva tocou em feridas abertas sobre o racismo no Brasil. A base das reflexões foram sua própria vida: dos tempos como estudante à experiência em sala de aula e o seu abrir de olhos sobre a situação dos negros no país.

Ao final do discurso emocionado, um apelo do ator e escritor Lázaro Ramos, que palestrava: “A gente precisa fazer um pacto de investir em Educação pública de qualidade”. Aplausos.

Em entrevista por telefone a NOVA ESCOLA, Diva reforça o discurso de Lázaro. Afirma que a falta de qualidade é ainda mais grave na abordagem de questões raciais. “São poucos os professores que conseguem contar a verdadeira história da África, do povo negro, dos indígenas.”

Na entrevista abaixo, ela relaciona a própria trajetória como aluna e professora da Educação Básica ao racismo no país e diz acreditar na Educação como principal motor de mudança.

NOVA ESCOLA O que motivou sua fala naquela sessão da Flip?

DIVA Não sei. Não foi pensado, mas foi a oportunidade que eu tive de falar sobre o meu sentimento e o sentimento das pessoas negras. Em Paraty, eu pude participar, pela primeira vez, de uma mesa com negros e que falasse sobre os negros. Durante a semana, participei de várias palestras que foram me tocando e, naquela mesa, quando começaram a falar sobre o racismo no passado de Portugal, eu pensava: não, isso não acontece em Portugal. Isso é o que acontece aqui, agora. Eu queria falar com o Lázaro depois porque ele mexeu muito com as minhas emoções, mas aquela foi a oportunidade que eu encontrei.

Foto: Bruno Santos/Folhapress

Foto: Bruno Santos/Folhapress

Na palestra você disse que somos escravizados até hoje. É uma colocação forte. O que você quis dizer?

DIVA São as oportunidades que nos dão que nos escravizam. É só perguntar para qualquer pessoa negra, ou de periferia, ou indígena. Quando era pequena, tive a oportunidade de fazer o primário em um colégio interno, mas eu era obrigada a trabalhar lá. Além disso, passava por situações que os alunos brancos de classe média não passavam: apanhava muito e evito até hoje as coisas que eu comia lá – uma sopa de lentilha com gosto de mofo e pão molhado no café com leite. No ginásio, passei a dar aulas em troca de moradia e de um tempo livre para estudar pela manhã. Nada mudou desde o período da escravidão, nem para mim nem para o mundo. Seguimos escravos.

Além dos maus-tratos, como foi a experiência escolar para você?

DIVA Estive sempre cercada de uma maioria de pessoas brancas. No colégio interno, todas as minhas colegas negras eram as pessoas que estavam ali por serem assistidas – estavam ali nas mesmas condições que eu. No ginásio e no magistério, tinha uma ou outra colega com a cor da pele como a minha. Nas aulas, aprendi o que estava nos livros. Não tinha nada de bom que a gente [os negros] fazia. Você não se via nas páginas escolares como negro. Você estudava a história dos Estados Unidos – às vezes a gente até tinha que decorar palavras em inglês –, estudava sobre a Europa, mas nada sobre a África. Tudo o que diziam era que a gente veio de lá escravizado para trabalhar no Brasil. Eu passava mal. Ficava revoltada quando falavam da escravidão porque as pessoas começavam a olhar para mim porque eu era a única negra.

Esse sentimento de revolta foi muito presente na sua vida?

DIVA Sim. Sempre briguei muito e fui muito revoltada… Não, eu era justiceira. Lembro de ler um livro sobre a vida do Lampião e ele se tornar meu ídolo. Ele foi um oprimido: viu toda a família morrer quando era criança porque roubaram as terrinhas deles, depois se salvou e cresceu e foi se vingar. Eu tinha vontade de me vingar também. Não tinha oportunidade, mas tinha vontade. Eu fiz até o plano de fugir para me juntar ao bando dele. Era uma revolta contra a discriminação – hoje a gente fala bonito, fala bullying! A minha vingança, felizmente, é a Educação. Você não precisa pegar em armas, com a Educação, com a leitura, você passa a saber quem você é, quais os seus direitos e seus deveres. A coisa muda. Pela arma ninguém muda ninguém.

Então a revolta passou?

DIVA Ah, ainda tem horas que eu tenho vontade de explodir. [ela gargalha e volta rápido ao tom sério que dominou a conversa] Quando eu vejo a matança de jovens negros… Não só de negros, mas das pessoas da periferia – em que a maioria é negra. Vão empurrando a gente cada vez mais para os cantos.

Se a escola não a preparou, como você criou consciência sobre o que é ser negro?

DIVA Eu aprendi pela leitura. Teve uma mãe de família para quem a minha mãe lavava roupas que me incentivou demais. Pelos livros, eu fui despertando. Li Darcy Ribeiro, que fala muito bem sobre a África, sobre os negros. O que me ajudou muito também os livros do Jorge Amado que são livros-denúncia. Tem outro que acho espetacular, que eu acho que são fantásticos é o José Mauro de Vasconcelos, autor de Meu Pé de Laranja Lima. Muitos livros são aparentemente romanceados, mas são denúncias! O Jorge Amado fez a denúncia da exploração sexual de crianças negras lá nos anos 1930 e 1940.

Como as escolas hoje podem fazer diferente?

DIVA Eu acredito principalmente na força da fase da pré-escola. O preconceito que as crianças têm, elas trazem da orientação de casa e vão se tornando assim, se nada é feito. E nada é feito, porque a maioria deste país é branca. Quer dizer, a maioria é negra, mas eles são mais bem protegidos – não vou nem dizer que eles têm mais força, porque se eles tivessem mais força a gente nem existiria.

Você disse que não mudamos até hoje. Você tem esperança de que mudemos no futuro?

DIVA Eu tenho esperança na Educação. A geração de hoje, em que muitos são cotistas, e os filhos deles vão ter outra cabeça. Muitos jovens vieram conversar comigo em Paraty. Muitos mesmo. A gente pensa que eles não estão ligados em tudo o que acontece, mas eles estão muito ligados. A mudança vem daí. Vai demorar um tempo, mas vai mudar.

10 livros baseados em fatos reais que você precisa ler

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Para os amantes da leitura, esses livros baseados em fatos reais vão prender do início ao fim.

Luciana de Queiroz, no Blasting News

Se você não é fã de livros de ficção, histórias reais são escolhas excelentes e lhes prenderão do início ao fim da leitura. O estilo literário no formato de reportagem costuma ser sensacional e, quando o leitor começa a leitura, não quer parar antes de terminar.

Por tratarem de relatos reais, os #Livros-reportagens são bem detalhistas e, por isso, os leitores conseguem inserir-se na #História de uma maneira incrível, como se estivessem, de fato, na cena. Alguns autores são feras nesse tipo de escrita, tais como, Joseph Mitchel, Norman Mailer e Gay Talese. Confira 10 livros separados com carinho para você.

1- “Honra teu Pai” é um livro escrito por Gay Talese e fala da história de Joseph, que vive no #Mundo da máfia italiana. Mais conhecido como Joe Bananas, ele controla, em Nova York, cinco famílias, além de seu filho Bill. É uma guerra bem sangrenta entre os mafiosos, até que Joe é sequestrado, aos 26 anos de idade.

2- “A Luta”, de Norman Mailer, fala sobre um lutador e campeão de boxe que perdera seu título porque recusou-se a apresentar-se durante a Guerra no Vietnã,mesmo sendo convocado. Quem o desafiava para a luta era simplesmente Muhammad Ali e, claro, ele não queria perder essa batalha. O livro relata essa luta em si, que ficou marcada na história.

3- “Hiroshima”, escrito por John Hershey, relata sobre seis sobreviventes da bomba atômica, que matou milhares de pessoas em Hiroshima e Nagasaki. Os hibakushas descritos nos livros eram as pessoas que foram afetadas pelas bombas e seus efeitos, graças às armas nucleares.

4- “O Segredo de Joe Gould” foi escrito por Joseph e relata a história de um mendigo que vivia em um bairro boêmio em Nova York. Apesar de ser andarilho, ele escrevia um livro, que só foi encontrado após 20 anos de sua morte e, na publicação, revela muitos mistérios.

5- “O Reino e o Poder”, do escritor Gay Talese, fala da história do fundador do jornal mais famoso do mundo, o The New York Times. É um relato sobre as mudanças que o jornal sofrera durante sua existência e sobre as reportagens mais incríveis já publicadas.

6- “Abusado – O Dono do Morro Santa Marta”, do jornalista Caco Barcellos, relata o tráfico de drogas e ações criminosas no Rio de Janeiro. A publicação cita o Comando Vermelho e como tudo acontecia dentro das favelas.

7- “Chico Mendes, Crime e Castigo”, do escritor Zuenir Ventura, conta a história de Chico Mendes, seringueiro e ativista que vivia no Acre e foi assassinado por saber demais sobre o desmatamento na Amazônia. O livro divide-se em três partes e conta com relatos impressionantes.

8- “A Feijoada que Derrubou o Governo”, escrito por Joel Silveira, falas sobre os ex-presidentes Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart e, entre vários relatos, entra a história do próprio autor.

9- “O Livro das Vidas”, escrito por diversos autores, conta histórias de obituários de pessoas comuns, que foram retratadas de forma enfática pelo jornal The New York Times.

10- “A mulher do Próximo”, escrito por Gay Talese, fala sobre as mudanças dos costumes sexuais nos Estados Unidos. Conta sobre as seitas de livre amor, nudismo e repressão da homossexualidade.

Garota que se comunica com olhar se forma na Itália

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A italiana nasceu com paralisia cerebral que compromete a fala

A garota conseguiu estudar com a ajuda de uma assistente de comunicação Reprodução

A garota conseguiu estudar com a ajuda de uma assistente de comunicação
Reprodução

Uma garota italiana de 23 anos com uma forma de paralisia cerebral que compromete a fala se formou nesta terça-feira (28) em Matemática na Universidade Federico II de Nápoles se comunicando apenas com o olhar.

A estudante, identificada como L.C. nasceu com tetraparesia espástica, uma forma de paralisia cerebral que compromete as funções dos membros superiores e inferiores e a fala.

A garota conseguiu estudar com a ajuda de uma assistente de comunicação, Valentina Ianuari, que a acompanhou no espaço universitário durante os seis anos de curso.

As duas começaram a se comunicar através de uma roda de papelão, construída pela mãe de L.C., na qual estão escritas as letras do alfabeto. Ianuari transcreve para o computador as palavras que a estudante compõe com o seu olhar.

E foi com esta técnica de comunicação que ela concluiu o curso e se formou em Matemática seguindo os passos dos pais.O diretor do centro Sinapsi de Nápoles, Pietro Valerio exaltou o exemplo da jovem.

—Esta história e uma mensagem de esperança para todos os jovens que vivem em uma situação parecida. A nossa equipe sempre trabalhou para apoiá-la, mas nunca para fazer por ela, quero dizer com isso que este resultado é todo dela.

O Sinapsi é uma instituição que tem como objetivo garantir o direito aos estudo para pessoas com vários tipos de deficiências, foi através deste órgão que L. C. teve acesso a Universidade.

Fonte: R7/Educação

Comissão do Senado estuda abolir “ç”, “ch” e “ss” da língua portuguesa

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Grupo técnico pretende alterar a nova reforma ortográfica, tornando a escrita mais próxima da fala

Novas regras podem ser ensinadas em sala de aula a partir de 2016 Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

Novas regras podem ser ensinadas em sala de aula a partir de 2016
Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

Bruna Scirea, no ZH

Mal deu tempo para entender o que o último acordo ortográfico fez com o acento de voo, com o hífen de antissocial e com o trema de cinquenta, e uma nova proposta, ainda mais radical, já está em elaboração pela Comissão de Educação do Senado.

A partir de 2016, se entrar em vigor o projeto que pretende fasilitar o ensino e a aprendizajem da língua portugeza, vosê poderá ser obrigado a escrever asim (leia outros exemplos abaixo).

As (mais recentes) novas regras para o português devem ser apresentadas pelo grupo técnico da Comissão de Educação até 12 de setembro. Elas podem alterar as mudanças que tinham obrigatoriedade prevista para o fim de 2012, foram prorrogadas por quatro anos, e que, até agora, quase ninguém aprendeu direito. Além de reduzir o número de regras e exceções na língua, o objetivo da comissão é expandir o debate com a comunidade, especialistas e países que falam o português.

— O projeto estava entrando em vigor sem ter sido discutido no Brasil. A Academia Brasileira de Letras (ABL) estava fazendo uma reforma sozinha, de um jeito muito conservador. Então pedimos o adiamento do prazo de obrigatoriedade e montamos uma comissão para propor novas regras, simplificar a ortografia e, principalmente, padronizar a gramática com outros países — afirma o presidente da comissão, senador Cyro Miranda (PSDB-GO).

Como senador não palpita sobre a presença ou a ausência de “cê-cedilha, hagá ou ceagá”, dois especialistas foram chamados para coordenar o grupo técnico: os professores de português Pasquale Cipro Neto e Ernani Pimentel, responsável pelo site simplificandoaortografia.com — que fomenta um movimento para “substituir o decorar pelo entender” e reúne pitacos de quem se interessar pelo assunto.

— Por enquanto estamos juntando sugestões. Pretendemos redigir o conjunto de regras e apresentar entre 10 e 12 de setembro, no Simpósio Internacional Linguístico-Ortográfico da Língua Portuguesa, em Brasília. Esse projeto será levado ao Senado, que irá realizar uma audiência pública para ouvir todos que quiserem contribuir — diz Pimentel.

A polêmica não deverá ser pequena. Para a doutora em Filologia Românica e professora do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Unisinos, Dorotea Kersch, a proposta é um “absurdo, a legítima falta de ter o que fazer”.

— Não existe língua fácil ou língua difícil. Cada língua tem sua história e suas especificidades. Não é simplificando a ortografia que resolvemos os graves problemas de leitura e escrita de nossos alunos, que são escancarados a cada avaliação sistemática. Quem sabe os senadores se preocupam com coisas que realmente impactam o ensino, como salário de professores, ou uma política de ensino de língua adequada às diferentes realidades do Brasil — rebate.

Conforme o senador Miranda, o objetivo é ter a versão final do projeto pronta até maio de 2015 para que seja colocada em votação e possa entrar em vigor no início de 2016. Até lá (e se chegar lá), o processo é longo, e não são poucos os obstáculos. No caminho, ainda estão a resistência que mudanças radicais provocam, a morosidade com que o assunto é levado no Brasil — o último acordo ortográfico proposto foi discutido na década 1970, assinado em 1990 e aplicado a partir de 2008 — e a necessidade de se convencer todos os países a aprovarem a nova forma de se escrever português.

Conheça regras que devem ser propostas pela CE:

Fim do H no início da palavra:
Homem – Omem
Hotel – Otel
Hoje – Oje
Humor – Umor

G fica som de “gue”:
Guerra – Gerra
Guitarra – Gitarra

CH substituído por X:
Chá – Xá
Flecha – Flexa

S com som de Z vira Z:
Asa – Aza
Brasília – Brazília
Base – Baze

X com som de Z vira Z:
Exame – Ezame
Executar – Ezecutar

C antes de E e I vira S:
Censura – Sensura
Cedo – Sedo
Cidade – Sidade

SS vira S:
Gesso – Geso
Fossa – Fosa

SC antes de E e I vira S:
Nascer – Naser

XC com som de S vira S:
Exceto – Eseto
Excêntrico – Esêntrico

O que mudou com o acordo de 2008:

O último acordo acabou com o trema, alterou 0,5% das palavras utilizadas no Brasil (1,6% da grafia usada em Portugal) e incorporou as letras “k”, “w” e “y” ao alfabeto. O acento agudo desapareceu nos ditongos abertos “ei” e “oi” em palavras como “idéia” e jibóia” e nas palavras paroxítonas com “i” e “u” tônicos, quando precedidos de ditongo em palavras como “feiúra”. O acento circunflexo deixou de ser usado em palavras com duplo “o”, como “enjôo”, e na conjugação verbal com duplo “e”, como vêem e lêem. O temido hífen desapareceu em palavras em que o segundo elemento comece com “r” e “s”, como “anti-rábico” e “anti-semita” — cuja grafia passou a ser “antirrábico” e “antissemita”. O hífen foi mantido quando o prefixo termina em “r”, como “inter-racial”.

dica do Guilherme Nascimento

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