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Professores de cursinhos on-line alcançam o status de webcelebridades

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Com a expansão das videoaulas para o Enem, eles conquistaram espaço na rede e agora são até reconhecidos na rua

O professor Marquinho Laurindo, do QG do Enem (Foto: Gustavo Miranda)

O professor Marquinho Laurindo, do QG do Enem (Foto: Gustavo Miranda)

Josy Fischberg, em O Globo

Um sujeito vira celebridade na internet de várias maneiras. Ele pode ter um blog muito acessado, atuar em um canal de humor, aparecer em fotos polêmicas… Ou pode dar aulas preparatórias para Enem e vestibular. Soa estranho? Pois com a expansão dos cursinhos on-line, esses professores, que sempre foram idolatrados pelos estudantes em sala de aula, conquistaram seu espaço na rede. E agora são até reconhecidos na rua. O aluno encontra por acaso o mestre que tanto ama — aquele que só conhece via web — e o pedido de selfie é inevitável.

Alguns números desse mercado explicam o fenômeno. O Descomplica, um dos líderes entre os que oferecem aulas a distância para alunos de Ensino Médio, hoje tem mais de um milhão de seguidores no Facebook e 300 mil inscritos em seu canal no YouTube. O acesso ao pacote de videoaulas e outras funcionalidades custa entre R$ 10 e R$ 25 mensais, dependendo do plano. Em um bom cursinho tradicional, um pacote de aulas pode custar R$ 1.500 por mês. Só neste ano, 5 milhões de pessoas assistiram a alguma aula do Descomplica, incluindo aí aqueles que acessaram vídeos gratuitos e pagos, ou seja, não só os que adquiriram pacotes, explica Marco Fisbhen, um dos fundadores do cursinho.

O número alto de “fãs” parece ser impulsionado por fatores que vão além do aspecto financeiro e da facilidade de acesso. Quem vê os professores do Descomplica cantando “Eeeeeei, concorrente… Hoje eu vou passar!”, em ritmo de Gangnam Style, pega amizade (virtual) na hora com todos.

— Ainda não estamos famosos em uma escala “Porta dos Fundos” — brinca o professor de biologia Rubens Oda, um dos mais atuantes no vídeo hilário, que tem um jeitão parecido mesmo com o do coreano Psy. — Mas eu já tive aluno que nem conhecia me esperando no aeroporto. Vários professores do cursinho iam para o Ceará, os estudantes ouviram a notícia e foram até lá nos esperar. Eles nos encaram como seus professores de verdade e alguns, quando nos encontram, dizem: “Você não me conhece, mas é meu professor. Sei de todos os seus trejeitos, aprendi isso ou aquilo com você”. É emocionante, de verdade.

Microfone, ponto, duas câmeras, relógio para contar o tempo, editor em tempo real: cercado por tudo isso, enquanto dá aula, um professor de cursinho on-line se transforma praticamente em um apresentador de TV. O salário é mais elevado que o de um docente de sala de aula. Em média, segundo aqueles que trabalham no setor, a hora/aula dos grandes cursinhos tradicionais vale R$ 80. Quem está na frente das câmeras pode ganhar, a cada hora, R$ 150. Faz sentido, pois a aula que é dada presencialmente se esgota no local e atinge cem alunos, em média. As lições que são gravadas e publicadas na internet alcançam milhares — e podem ficar disponíveis por anos.

Há várias maneiras de encontrar professores nesse novo ramo. Um dos métodos utilizados por Fisbhen, logo no início do Descomplica, além de chamar os colegas de cursos tradicionais, era buscar comunidades no Orkut cujos nomes eram “Eu amo o professor X”.

— Se a comunidade que dizia amar o professor X tivesse mais de 10 mil pessoas, esse cara já me interessava — ri.

Mas um professor que faz sucesso presencialmente não é necessariamente aquele que vai dar certo na frente das câmeras. É preciso muito jogo de cintura. Em alguns casos, por exemplo, no lugar do quadro negro existe uma lousa interativa, onde o docente pode apresentar slides, escrever, mostrar vídeos e fotos. É assim que acontece no QG do Enem. Um editor, no momento em que a aula é gravada, faz a sobreposição de imagens: ora os alunos veem o próprio professor, ora veem a tela da lousa. Alguns dos mestres brincam com aquele bordão usado normalmente por apresentadores de programas “policialescos”. “Volta para mim” ou “joga para mim”, eles dizem, quando querem que o editor deixe de mostrar a lousa e volte a colocá-los em cena.

— Existe teste de vídeo, claro. Tem gente que trava na frente das câmeras. Fica mais difícil porque você não tem o olho no olho, não vê na cara dos alunos se está agradando ou se deve seguir por outro caminho… Por outro lado, cada professor traz na bagagem o que dá certo, ou não, com os jovens. Eu, por exemplo, sou bom de decorar poemas, e sei que os estudantes adoram isso. Uma vez, dando uma aula que durava o dia todo e que tinha participação on-line de cerca de 100 mil alunos, fizemos uma brincadeira. Sorteamos um estudante qualquer e ligamos para ele, com o áudio aberto para todo mundo que estava acompanhando. Era uma menina do Maranhão que podia, ao vivo, escolher qualquer poeta. Meu desafio seria declamar, na hora, uma poesia do autor, sem consultar nada. Ainda bem que ela pediu Drummond! — diverte-se o professor de literatura e diretor pedagógico do QG, Marquinho Laurindo.

Aulas interativas, aliás, são a grande estratégia dos cursinhos on-line para os próximos anos. O Descomplica, por exemplo, faz três delas por dia:

— Desde que criamos o site, em 2010, nosso objetivo era também ir aumentando as funcionalidades. Agora já são, além das 7 mil aulas pré-gravadas, três aulas diárias ao vivo; aulões de 12 horas; monitorias, em que o aluno pode usar microfone e webcam para dialogar com os professores; correção de uma redação por mês para cada inscrito… Fora os testes e gabaritos que temos disponíveis — explica Marco Fisbhen.

O QG do Enem vem investindo no projeto “Tá bombando”. Qualquer fato que tenha muita repercussão no Brasil ganha uma espécie de “cobertura” dos professores.

— É como um microprograma de TV, com cinco a dez minutos de duração. Fizemos um sobre Ditadura Militar e fomos à exposição no CCBB. Eu falei da parte cultural e outros dois professores história comentaram os acontecimentos da época. Tratamos de censura, perseguição política… É uma aula com uma proposta totalmente diferente — explica Marquinho Laurindo.

Tanto engajamento assim no mundo virtual, que se encaixa perfeitamente com a faixa etária do público atingido, estudantes do Ensino Médio, não parece ser um prenúncio do fim dos cursinhos presenciais. Diretor de ensino do pH, Rui Alves Gomes de Sá afirma que não há queda no número de pessoas que buscam os cursos em função dessa mudança no mercado:

— Uma das grandes vantagens do on-line é a otimização do tempo, mas, ao mesmo tempo, o aluno se desconcentra muito rápido, o que não acontece em sala de aula tradicional. Acredito que um ‘mix’ das duas modalidades seja a melhor solução sempre — avalia. — O aluno de hoje não é o mesmo de 20 anos atrás, temos também que entrar no mundo dele. Nós apostamos e fazemos uma extensão do nosso trabalho via internet, com aplicação de exercícios, espaço virtual para tirar dúvidas, oferecimento de material extra. O presencial e o virtual se complementam. Eu sempre digo aos meus alunos para mudarem suas senhas de e-mail, celular, computador e redes sociais para coisas como “euquerosermédico”. Eles vivem conectados e um lembrete desse tipo, feito várias vezes ao dia, é sempre bom.

CEO da Streamer, empresa que desenvolve cursos on-line, Fernando Giannini concorda com Rui. Ele é um dos responsáveis pelo “Mande bem no Enem”, que traz 42 videoaulas transdisciplinares, com exercícios, simulados, roteiros de leitura, games, podcasts, animações, além de um teste vocacional:

— O contato humano é fundamental quando falamos de educação. As possibilidades tecnológicas são fantásticas e temos que aproveitar o melhor dos dois mundos. Numa sala de aula tradicional, o aluno pode aprender muita coisa que não é relevante para ele, mas existe a afetividade, que é muito importante. Com a internet, ele consegue ir mais direto ao ponto, procurar o que quer aprender. Não dá para separar um do outro.

O roubo que lançou a Mona Lisa à fama

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Neste mês de dezembro, completa-se um século desde que a Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci, voltou a seu lugar no Museu do Louvre em Paris, depois de uma ausência de dois anos. O roubo da obra-prima italiana solidificou seu status como a pintura mais famosa do mundo.

Roubo catapultou obra de Da Vinci para a fama no mundo inteiro

Roubo catapultou obra de Da Vinci para a fama no mundo inteiro

Olivia Sorrel-Dejerin, na BBC

No entanto, o homem que a roubou, Vincenzo Peruggia, não era o ladrão engenhoso que aparece em tantos filmes de Hollywood.

Ele conseguiu entrar no Louvre e sair com a pintura de Da Vinci com o mínimo de preparação, mas o feito causou sensação e criou um ícone.

O roubo aconteceu em uma segunda-feira, no dia 21 de agosto de 1911, um dia em que o museu estava fechado.

A ausência do quadro só foi notada na terça-feira. A polícia começou uma investigação e o centro permaneceu fechado durante uma semana em meio ao escândalo.

“La Joconde” (A Gioconda) – como os franceses chamam a Mona Lisa – desapareceu por mais de dois anos e foi recuperada em 10 de dezembro de 1913, quando Peruggia foi capturado ao entregar a obra a Alfredo Geri, um vendedor de antiguidades de Florença, na Itália.

Segundo o historiador da arte americano Noah Charney, autor do livro Os roubos da Mona Lisa, este foi o primeiro delito contra a propriedade a receber a atenção da mídia internacional.

Celebridade

Jornais inventaram histórias sobre o quadro para manter interesse de leitores

Jornais inventaram histórias sobre o quadro para manter interesse de leitores

É fácil assumir que o incidente causou tal sensação porque a Mona Lisa era “a pintura mais famosa do mundo”, mas naquele momento, ela não era. O que realmente a catapultou para a fama foi o roubo.

A cobertura midiática que ela teve durante o tempo em que esteve perdida foi o principal motivo de sua fama mundial. Antes disso, muita gente nunca a tinha visto.

“A imagem começou a aparecer em noticiários cinematográficos, caixas de chocolate, postais e anúncios publicitários. De repente, ela se transformou em uma celebridade como estrelas de cinema e cantores”, escreveu o escritor britânico Darian Leader, autor do livro Roubando a Mona Lisa: o que a arte não nos deixa ver.

Multidões passaram a ir ao Louvre só para ver o espaço vazio onde o pequeno retrato da mulher do século 16 costumava estar.

Antes disso, o Louvre já tinha muitas obras de destaque, como a estátua Vênus de Milo, a pintura “Liberdade Guiando o Povo”, de Eugène Delacroix, e o quadro “A balsa de Medusa”, de Théodore Géricault. Mas após o roubo, a Mona Lisa conquistou uma fama única.

O furto tornou-se assunto de Estado e despertou discussões apaixonadas na mídia francesa.

Segundo o jornalista francês Jerome Coignard, autor do livro Uma mulher desaparece, uma vez que os jornais franceses descreveram as circunstâncias do roubo, não tinham mais o que dizer. Por isso, começaram a inventar histórias sobre o quadro, como a de que Leonardo Da Vinci teria se apaixonado pela modelo.

A polícia seguiu muitas pistas sem sucesso. O poeta vanguardista Guillaume Apollinaire chegou a ser preso por uma semana e seu amigo, o pintor espanhol Pablo Picasso, também foi suspeito do roubo. Ambos eram inocentes.

Não foi tão difícil

Polícia chegou a suspeitar do pintor espanhol Pablo Picasso

Polícia chegou a suspeitar do pintor espanhol Pablo Picasso

Apesar da fama, a verdade é que o ato aparentemente espetacular do ladrão não necessitou de nenhum plano grandioso.

O museu tinha um sistema de segurança duvidoso e poucos guardas. De fato, o trabalho que se fazia para melhorar a má segurança das obras foi o que inspirou Peruggia.

O italiano havia trabalhado no Louvre em 1910 e instalado pessoalmente a porta de vidro que protegia a obra-prima. Ele ainda tinha o uniforme branco que os empregados do museu usavam e sabia como a pintura estava presa.

“Todos estes conhecimentos se juntaram quando ele teve uma oportunidade”, diz Charney.

Após sua captura, Peruggia alegou que sua motivação era patriótica – ele teria pensado que Napoleão havia roubado a pintura da Itália e que sua missão era levá-la de volta para casa.

Ele estava enganado. O quadro havia sido comprado pelo rei francês Francisco 1º no século 16, por uma quantia considerável de dinheiro.

Como imigrante italiano, Peruggia também argumentou que havia sido vítima de racismo por parte de seus colegas franceses.

No entanto, segundo Noah Charney, ele havia feito uma lista de colecionadores de arte americanos, o que indicava que ele tinha planos de vender a obra.

Esquecimento

Obra-prima de Da Vinci permaneceu famosa, mas ladrão foi esquecido

Obra-prima de Da Vinci permaneceu famosa, mas ladrão foi esquecido

Há outras hipóteses sobre os motivos do ladrão, mas até hoje a verdadeira razão permanece um mistério.

Peruggia não era um conhecedor de arte. Parte do motivo pelo qual ele escolheu a Mona Lisa era o seu tamanho pequeno: o quadro mede 53 por 77 centímetros.

Desde do retorno do quadro ao Louvre, pessoas de todas as partes do mundo vão visitar a Mona Lisa mas, segundo Coignard, este pequeno e íntimo retrato requer calma e tempo para ser realmente apreciado.

É por isso que poucos realmente “vêem” a pintura; o que importa é estar ali e poder dizer que a viram, avalia o escritor francês.

Apesar do mito, o ladrão foi rapidamente esquecido depois de capturado, especialmente por causa da Primeira Guerra Mundial, que começaria no ano seguinte, 1914.

“As pessoas pensam nele como alguém extravagante e adorável, que se apaixonou por uma obra de arte e que não a danificou”, diz Charney.

Foto antiga de prova do Enem rende 15 minutos de fama a internauta

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Renan Marçal postou foto no Facebook e no Instagram como se estivesse fazendo o Enem 2013 (Foto: Reprodução / Internet)

Renan Marçal postou foto no Facebook e no Instagram como se estivesse fazendo o Enem 2013 (Foto: Reprodução / Internet)

Aline Bonatto, no Extra

Renan Marçal, de 19 anos, estava curtindo seu sábado tranquilamente e começou a monitorar as informações sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que começou a ser aplicado neste sábado. O universitário começou a buscar algumas imagens, encontrou a de uma prova do exame e decidiu brincar com isso na internet. Foi suficiente para que ele ganhasse seus 15 minutos de fama na internet.

— Não imaginei que fosse dar toda essa repercussão. Foi uma brincadeira para os amigos. Mas teve uma hora que olhei e tinham muitos comentários. Estou pilhado aqui — diverte-se o carioca, que fez o Enem no ano passado: — Fiz a prova direitinho, não publiquei nada na internet. Passei e agora estou cursando Programação.

De acordo com Renan, outras pessoas estão fazendo a mesma brincadeira, mas ele tem uma teoria do motivo de a sua estar chamando mais atenção:

— A questão foi que um perfil falso do Ministério da Educação (MEC) comentou, explicando que eu estava desclassificado. Na hora, pelo tom formal, até eu achei que fosse verdade. Depois, vi que o MEC já tinha se posicionado e avisado que aquele perfil era falso. Por isso, acho que a minha postagem está virando meme. Tem gente que comenta: “Vai ver o Enem aqui fora”. Teve gente que ficou com pena, mas também recebi algumas mensagens de ódio (risos).

O estudante está achando rápida a resposta do MEC aos excessos dos candidatos nas redes sociais.

— Acho que eles sabem quando é uma trolagem (zoação) e quando não é, até porque a internet é o lugar onde as pessoas mais gostam de sacanear. Parece que está bem rigoroso o monitoramento este ano — diz Renan.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) informou por meio de sua conta no Twitter que 21 candidatos foram eliminados do Enem 2013 por terem postado imagens da prova na internet: “#Enem2013: até as 15h, 21 participantes eliminados por postar imagem do cartão resposta em redes sociais”.

Jornalista e escritor Leandro Narloch acaba de lançar o segundo guia do politicamente incorreto

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Dessa vez, com curiosidades e bizarrices além das fronteiras brasileiras

Maria Júlia Lledó, no Divirta-se

Leandro Narloch é um curioso irremediável. Plugado 24 horas a fatos aparentemente ordinários, o jornalista não deixa nada lhe escapar. Não à toa, logo se aventurou no segmento literário. Na ponta do lápis, ou melhor, no teclado do notebook, registraria o lado B da história que aprendemos na escola. Assunto que fascina o jovem escritor, autor do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil (Ed. Leya, 2012). Dessa vez, Narloch investiu em uma sequência bem mais ampla, com direito a personagens mitificados, como Isaac Newton, Nero, Mussolini e Madre Teresa de Calcutá. “Com o sucesso do primeiro livro, muitos leitores me sugeriam temas a abordar na história do mundo, como o mito de que as fronteiras artificiais destruíram a África, dos samurais burocratas, das bizarrices dos regimes comunistas. A sequência, então, era inevitável”, contou à Revista. Após dois anos de muita pesquisa e paciência da mulher Gisela, como ele brinca, o escritor acaba de lançar o Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, pela mesma editora. Entre alguns spoilers: a fama de bom astrólogo do matemático Galileu e a ausência de qualquer cinto de castidade nas mulheres medievais. Mas esses trechos são leves diante da série de provocações selecionadas por Leandro Narloch para deixar o leitor com as orelhas em pé.

Que critérios você adotou para escolher os fatos abordados no livro?
O critério é o politicamente incorreto. A história do mundo é um assunto amplo, talvez o mais amplo que exista, então selecionei só as histórias e as versões mais desagradáveis, que mais incomodavam a turma do mundo melhor, da sustentabilidade. Foi por isso que, sobre o Império Romano, defendi Nero, e não Julio Cesar — afinal, Nero é o personagem que ocupa o cargo de grande vilão, de anticristo.

Entre esses fatos, algum, em especial, foi surpreendente para você?

Sim, muitos me surpreenderam. Até ler sobre a Revolução Industrial, não havia me dado conta de que as máquinas e as fábricas salvaram, a longo prazo, as crianças do trabalho infantil e criaram milhões de empregos. É bem o contrário da imagem que temos desse período. Também foi incrível entrevistar deputados em Brasília para saber o que eles achavam de frases do livro A Doutrina Fascista, de Mussolini. Sem saber que as frases eram do ditador italiano, diversos deputados concordaram com elas.

Os trechos: “A bomba de Hiroshima salvou milhões de japoneses” e “McDonald’s, a franquia da paz” são algumas passagens polêmicas do livro. Você teme ser considerado radical?
Não, pois quase todas as afirmações do livro vêm de estudos estabelecidos, baseados em algum consenso. A teoria da paz capitalista, por exemplo, já é ponto pacífico para a maioria dos especialistas em relações internacionais. Quando não há esse consenso, eu abro um espaço para ponderação, mostrando os pontos fracos daquela teoria ou versão. Por exemplo, no caso da teoria da paz nuclear, segundo a qual as bombas atômicas evitaram uma terceira guerra mundial, mostro os argumentos contrários a essa ideia. Talvez a afirmação que soe mais radical do livro seja a de que o capitalismo foi a melhor coisa que aconteceu para os pobres na história do mundo. Para mim, no entanto, isso não é radical, é óbvio. Por onde a produção em massa passou, as pessoas deixaram de lidar com problemas de escassez para enfrentar problemas de abundância — comida demais, que gera obesidade; carros demais, que criam engarrafamentos; embalagens demais para poucos lixões.

Além de mostrar o lado B da história do mundo, há a intenção de que o livro seja usado em sala de aula?
Os guias politicamente incorretos são livros parciais, que mostram só uma versão da história. Não devem ser o principal livro dos alunos, mas podem ser usados como um complemento, um instrumento de debate, um antídoto contra a falta de diversidade de opiniões nas aulas de história.

Se a história não é mais contada somente pelos vencedores, teríamos, então, nas próximas gerações, livros de história mais abrangentes?
Não acredito que a história seja contada pelos vencedores. Quase sempre é contada pelos ressentidos, pelos que serão vencedores. Afinal, muitas vezes se usa a história como uma arma política — de Hitler a Evo Morales, os políticos ganham poder quando conseguem implantar a versão em que eles aparecem como redentores. Torço para que, no futuro, os cidadãos fiquem mais atentos a esse tipo de estratégia.

Sem nunca ter ido à escola, empresário cria negócio bilionário em Cingapura

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Publicado por UOL

O empresário Goh Cheng Liang (Divulgação)

O empresário Goh Cheng Liang (Divulgação)

SÃO PAULO – Goh Cheng Liang é um dos magnatas de Cingapura. Apesar de não estar na lista dos mais ricos e não conversar muito com a imprensa, a fama do empresário se deve a sua trajetória de sucesso.

Segundo a Forbes, Liang nunca foi à escola, pois nasceu em uma família pobre. Ainda menino, ele vendeu redes de pesca e trabalhou em uma loja de ferragens.

Em 1949, quando os britânicos estavam leiloando estoques excedentes da Segunda Guerra Mundial, Liang comprou todos os barris de tinta e com um dicionário chinês de produtos químicos na mão, ele passou a preparar mistura de solventes, pigmentos e produtos químicos para fazer a sua própria marca de tintas, chamado Pigeon.

Guerra criou oportunidade
No ano seguinte, quando teve início a guerra das Coreias, uma proibição de importação gerou um enorme lucro para o empresário.

O negócio foi crescendo até que Liang teve a oportunidade de se unir com a Nippon Paint, do Japão, e depois conseguiu uma participação em uma joint venture chamada Nipsea Management.

Liang comanda 15 mil funcionários
Hoje, a Nippon está presente em 15 países e conta com 15 mil funcionários.

O faturamento anual das empresas de Goh Cheng Liang chegam a US$ 2,6 bilhões.

Ao longo dos anos, ele investiu um pouco do seu lucro com o negócio de pintura em construção de shopping centers, hotéis, residências, em uma empresa de distribuição de varejo, fábrica de eletrônicos, embalagens, logística e até mesmo em uma empresa de mineração na China.

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