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Ex-catador de lixo conclui doutorado em Florianópolis

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Dody agora é professor Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Dorival cresceu em meio ao lixão, onde trabalhava com a família, e trilhou um caminho diferente das estatísticas da periferia

Dayane Bazzo, no Hora de Santa Catarina

— Hoje acordei e fiquei pensando. Doutor. Será que é isso mesmo? Ainda não caiu a ficha.

As palavras de Dorival Gonçalves Santos Filho, 35 anos, um dia após receber o título de doutor em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), resumem o sentimento do professor que aprendeu a ler em casa com a ajuda da mãe e por meio dos livros que achou no lixo.

Dody, como é chamado, cresceu em meio ao lixão na cidade de Piedade, em São Paulo, a 90 quilômetros da capital paulista. Era de lá que a mãe tirava o sustento da família e onde Dorival começou a trabalhar muito cedo ao lado dos irmãos. Ainda pequeno, ele se apaixonou pelos livros e ficava encantado ao ouvir as histórias que a mãe contava. Foi dona Crélia, a maior incentivadora do filho, quem sempre deu forças para Dorival continuar e chegar aonde chegou.

– Muitas vezes eu pensei em desistir, desde a época da graduação. Eu não tinha celular para conversar com a minha família, mandava carta pra minha mãe falando que não sabia se ia conseguir. E ela dizia “claro que vai, eu vou ver o que posso fazer pra te ajudar”. A gente já era uma família pobre, humilde, e ela ainda tentava dar um jeito pra me ajudar.

Na última sexta-feira, quando Dorival conversou com a Hora, ele ainda nem tinha conseguido falar com a mãe, que mora em Guaramirim, no norte de Santa Catarina, e que não pode vir para a Capital por problemas de saúde.

– É um momento de dedicação para minha família, pois sem eles essa caminhada não seria possível. De uma forma ou de outra eles sempre me ajudaram.

Para Dorival, além da vontade e o incentivo da mãe, outros fatores ajudaram a chegar até aqui. O fator determinante, segundo ele, foram as oportunidades e incentivos do governo.

– Meritocracia pra mim não funciona, porque é uma batalha, é uma disputa muito desleal. Você acha que eu, um menino que veio do lixão, vou estar em igualdade com outro menino que não precisava trabalhar, que só estudava, que podia fazer uma escola de idiomas? É desleal, a força de vontade não faz tudo. Pra mim foi uma soma de fatores, mas foi só com os programas sociais que eu consegui voltar a estudar, porque não precisava trabalhar no lixão o dia todo – avalia.

Ir à escola era regra dentro de casa, mas por sete anos ele precisou largar as carteiras porque não dava conta da dupla jornada. Foi só quando a mãe recebeu o Bolsa Família que Dody conseguiu voltar à sala de aula. E foram os professores, impressionados com o conhecimento do menino, que sugeriram para Dorival cursar Letras devido ao interesse por literatura.

Ao terminar o ensino médio, Dorival foi aprovado no vestibular em Letras (licenciatura em português e francês) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Assis (SP). Se formou em 2010 e foi para Guaramirim, para onde a mãe, os quatro irmãos e os sete sobrinhos haviam se mudado.

A biblioteca

Em meio ao lixo, entre papéis, plásticos, cobre e prata, o maior tesouro para Dorival eram os livros. Ainda sem saber ler, ele catava todos e levava para casa. Foi assim que chegou a ter um acervo com cerca de 3 mil obras. Eram romances, livros didáticos, de medicina, literatura. Muitos ele só ficou sabendo da importância anos mais tarde. Dentre os títulos, está Vidas Secas, de Graciliano Ramos, que o acompanha há mais de uma década.

O acervo não pode vir para Santa Catarina. Apenas 70 vieram na mudança e, a maioria, está na casa da mãe. Hoje os livros são usados pelos sobrinhos. Mas o amor pela leitura não diminuiu, ao contrário, só aumenta.

– Sempre, no pouco tempo que eu tenho, estou lendo.

Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

O sonho distante

E foi assim, entre uma dificuldade e outra, todas superadas, que Dorival realizou o sonho mais distante, o de ser professor. Numa época em que achar cobre e prata, os tesouros em meio ao lixo, era o objetivo maior, Dody nem pensava nessa profissão como algo alcançável.

– Eu admirava muito, ficava pensando, mas meu sonho mesmo, na época do lixão, era ter um emprego formal, porque queria ter um trabalho menos sub-humano.

Assim que chegou em Guaramirim, começou a lecionar em escolas públicas. Mas a vontade de estudar também era enorme e Dorival ingressou no mestrado em Linguística na UFSC. Do mestrado ele foi direto para o doutorado. Foram mais quatro anos de dedicação total aos estudos.

No início deste ano, Dorival começou a dar aulas na Escola Municipal Alfredo Rohr, no Córrego Grande, onde os alunos nem imaginam a história do seu professor, que, com jeito tímido, raramente fala sobre sua trajetória.

Novos horizontes

Quem pensa que Dorival já realizou todos os sonhos se engana. O jovem rapaz que completa 36 anos no final do mês ainda sonha em conhecer a França e continuar estudando. Quem sabe um pós-doutorado?

Outro projeto que está na lista de Dody é a sua autobiografia. Ainda não tem prazo ou projeto de publicação, mas ele já está escrevendo.

– Vou contar minha história, quem sabe talvez sirva para alguém como um exemplo.

A americana que fez doutorado em Cambridge sem nunca ter ido à escola

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Tara Westover entrou na faculdade aos 17 anos, após comprar livros escondida e se preparar sozinha para um teste. Anos depois, chegou a Cambridge (Foto: BBC)

Nascida em uma família de tradição fundamentalista, que a proibia de ter qualquer tipo de educação formal, Tara Westover protagonizou uma verdadeira corrida pela educação e, aos 27 anos, se tornou doutora na universidade – uma das mais prestigiadas do mundo

Publicado no G1 [via BBC Brasil]

A história de Tara Westover poderia ser um conto de outra época. Mas, diferente disso, é uma narrativa real que envolve uma vida familiar conturbada, preparativos para “o fim da civilização” e uma corrida pela educação que lhe rendeu o título de doutora aos 27 anos de idade, na Universidade de Cambridge – uma das mais prestigiadas do mundo -, sem ter tido qualquer educação formal na infância ou feito o ensino médio.

Tara cresceu em Idaho, nos Estados Unidos, em uma família de sobrevivencialistas – como são chamados grupos ou indivíduos que se preparam para emergências em caso de possíveis rupturas na ordem política e social. Sua família via escolas como parte de um exercício de lavagem cerebral do governo a ser evitado a todo o custo e o resultado é que ela cresceu sem nunca ter pisado em uma escola.

Seu pai, obsessivamente independente, estocava armas e suprimentos, pronto para o fim da civilização e para se proteger de qualquer tentativa do Estado de intervir em suas vidas. E essa lógica valia até mesmo em casos de emergência, como quando, por exemplo, a família se feriu em um acidente grave de carro, mas evitou hospitais por enxergar os médicos como agentes de um estado maligno.

Também era um modo de vida profundamente controlador.

A família fazia uma interpretação fundamentalista do Mormonismo – movimento religioso restauracionista iniciado no século 19 nos EUA – e estabelecia regras sobre aspectos da vida de Tara, como o que poderia vestir, seus hobbies e seus contatos com o mundo exterior.

Tara, em Cambridge: americana aprendeu a ler em casa porque o pai acreditava que escolas eram parte de um exercício de lavagem cerebral do governo a ser evitado a todo o custo (Foto: BBC)

“Achava que os outros fossem alienados”

Era uma vida dura, violenta e autossuficiente, como na série de TV americana “Little House on the Prairie” (pequena casa na pradaria).

Tara se lembra que, com medo de incursões de agentes federais, seu pai comprou armas poderosas o bastante para derrubar um helicóptero.

O estilo de vida que levavam significou, para ela, uma infância montando cavalos na montanha e trabalhando em uma sucata, mas não indo à escola.

Ela diz que o argumento familiar em defesa da educação doméstica era, na verdade, um disfarce para nenhuma escolarização.

Na época, não parecia estranho que não fossem à escola como outras crianças locais, diz ela.

“Eu achava que eles estavam errados e nós estávamos certos. Eu pensava que eles eram espiritualmente e moralmente inferiores porque iam (à escola), eu realmente pensava”, diz Tara, em Cambridge, onde vive agora.

“Eu achava que eles estivessem sendo alienados e eu não.”

Tara, agora com 31 anos, escreveu um relato sobre sua infância, chamado Educated (Educada, em tradução literal), que está sendo publicada neste mês.

Em grande parte se trata de uma autoeducação, porque a primeira vez que teve contato com aulas formais foi quando começou a faculdade, aos 17 anos.

Ela havia aprendido a ler e escrever com sua mãe e seu irmão, mas nunca tinha aprendido nada sobre história, geografia, literatura ou o resto do mundo.

Tara vai publicar suas memórias de infância, com detalhes sobre sua educação não convencional (Foto: Reprodução/BBC)

“Ensinar a si mesmo”

O acesso aos livros era limitado a alguns títulos que se enquadravam na visão de mundo fundamentalista da família, e ela também trabalhou desde cedo.

Mas tinha sido criada com uma crença feroz na capacidade de qualquer um aprender o que quer que fosse desde que se concentrasse naquilo.

“Meus pais me diriam: ‘Você pode ensinar qualquer coisa a si mesmo melhor do que outra pessoa o faria’. Esse era o espírito da minha família”, diz ela.

Buscando uma forma de sair de uma vida familiar restrita e emocionalmente claustrofóbica, ela encontrou uma universidade que a admitiria se passasse em um teste.

Foi então que comprou em segredo os livros didáticos de que precisava e estudou metodicamente, noite após noite, até obter as notas necessárias.

Mas quando chegou à sala de aula em 2003, aos 17 anos, ficou em um “estado de temor perpétuo”.

“Eu era como um bicho da floresta. Estava em pânico, aterrorizada o tempo todo. Achei que me pediriam para fazer algo e eu não saberia o que era.”

“Tudo sobre a sala de aula era aterrorizante, porque eu nunca tinha estado em uma delas antes.”

Tara chegou à faculdade com enormes lacunas no conhecimento, mas se dedicou e agora ostenta o título de doutora (Foto: BBC)

‘Não é uma esteira rolante’

Havia enormes lacunas em seu conhecimento. Ela ficou chocada ao aprender, por exemplo, sobre o Holocausto pela primeira vez em uma aula de história.

Sobre escravidão, seu único conhecimento prévio havia saído de um livro, no qual, diz ela, esse regime era apresentado como uma experiência benevolente e mais difícil para os proprietários de escravos.

Depois de um início desastroso, ela manteve a mente focada nos estudos e provou ser uma aluna altamente capaz.

Tanto que teve a chance de passar um período em Harvard e, depois, ir estudar no exterior, na Universidade de Cambridge.

Ela conseguiu uma bolsa de estudos na universidade, com financiamento da Fundação Gates, e fez doutorado. Virou a doutora Westover aos 27 anos, em 2014, sem jamais ter concluído o ensino médio.

O assunto de sua tese foi uma comunidade utópica criada no século 19.

A trajetória de Tara lhe deu uma visão pouco ortodoxa sobre como a educação funciona.

Ela diz que sua própria educação foi em boa parte uma alternativa extrema, mas tem dúvidas sobre a experiência convencional.

“A maior preocupação é que isso parece um processo tão passivo e estéril. Uma esteira rolante onde você fica e de onde sai educado”, diz.

“Eu acho que muitas pessoas cresceram com a ideia de que não podem aprender as coisas por conta própria. Elas acham que precisam de uma instituição para lhes suprir conhecimento e ensinar a como fazer as coisas. Eu não poderia discordar mais”, diz ela.

Uma década após iniciar estudos em uma instituição de ensino formal, sem qualquer tipo de formação, Tara se formou em Cambridge (Foto: BBC)

Distanciamento

Tara diz que se tivesse filhos não os enviaria à escola quando tivessem cinco anos. “Eles poderiam pensar que educação é se sentar quieto.”

Ela se distanciou de seus pais e de sua religião – e diz que romper com suas antigas crenças tem sido uma experiência traumática.

Mas ela não se converteu acriticamente à nova vida e à experiência na universidade.

Tara diz, por exemplo, que há menos tolerância a diferentes opiniões dentro dos círculos acadêmicos liberais da classe média do que havia entre os fundamentalistas estritos de sua infância.

Ela afirma que rejeitou as políticas antigovernamentais extremas, mas que, na perspectiva da Idaho rural onde cresceu, isso fazia algum sentido.

Para comunidades rurais tão isoladas, diz, o governo federal parecia uma “força alienígena e extremamente ineficaz”.

Nos relatos sobre sua criação, é possível ouvir algumas das ideias que alimentaram a campanha eleitoral do presidente Donald Trump.

Memórias

Tara diz que suas memórias de infância, incluindo suas descrições sobre a violência de seu irmão, não têm um “final feliz como nos cinemas”.

“Você pode sentir falta de alguém todos os dias e ainda se alegrar de não ter de vê-los”, diz.

As coisas mais difíceis de escrever não foram sobre as brigas com a família e as restrições que enfrentava.

“O mais difícil foi escrever sobre as coisas boas, as coisas que eu perdi. O som da risada da minha mãe, o quanto a montanha era bonita.”

“É como ir ao casamento de alguém por quem você ainda está apaixonado.”

Como conciliar os estudos com as comemorações de fim de ano?

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Teenage girl using laptop at beach

Passou para a segunda fase do vestibular e não sabe se deve passar o Natal e o Ano-Novo estudando ou se pode se jogar na festança? Leia os conselhos

Ana Prado, no Guia do Estudante

Se você já está prestando vestibular este ano, é provável que ainda tenha algumas provas nas próximas semanas – alguns vestibulares realizarão a sua segunda fase no começo de janeiro, por exemplo. Como, então, usar bem esse tempo que lhe resta para equilibrar as comemorações de fim de ano e os estudos? Conversamos com professores e alunos que já passaram por isso e reunimos as dicas para você.

Aproveite as festas com moderação

Para começar, é bom ser realista. “Os alunos que terão provas em janeiro não vão conseguir aproveitar as festas como nos outros anos”, diz o professor e diretor pedagógico do Cursinho Oficina do Estudante, Célio Tasinafo. “Mas não dá para ficar enterrado nos livros o tempo todo porque isso não seria produtivo nem saudável. Aproveite os dias 24 e 25/12 e 31/12 e 1/1 para descansar e passar o tempo com a família, porque isso será importante para ajudar a diminuir o stress”.

O Natal na minha família é sagrado, então todos passamos os dois dias antes nos preparando para a festa e nos reunimos na noite do dia 24 e no dia 25, e assim foi no ano de vestibular. Entre o Natal e ano novo, decidi que era hora de relaxar, pois o stress já havia me atrapalhado nas provas do ano anterior. Porém, assim que todos os parentes saíram de casa no dia 1º, eu voltei a me dedicar aos estudos para a segunda fase, e para mim, a tática deu certo.”

Driely Cristine Fernandes, aprovada em Biblioteconomia e Ciência da Informação na USP, UNESP e UFSCar em 2012

“As festividades do fim de ano não devem atrapalhar os estudos. Os alunos podem e devem festejar com as respectivas famílias, porém sem exageros, controlando as horas de estudo. Este é o momento das questões dissertativas de todas as disciplinas, portanto ele deve treinar para isso, além de reforçar os conhecimentos das matérias específicas”, completa a professora e coordenadora do cursinho do XI, Augusta Aparecida Barbosa.
Estude os conteúdos com os quais têm mais dificuldade, mas evite os complicados demais

“A essa altura, não vale a pena usar o tempo para estudar conteúdos que você já domina nem os que são complicados demais, pois pouca coisa irá mudar nesse pouco tempo. Prefira aqueles com os quais tenha dificuldade, mas que não sejam intransponíveis”, aconselha o professor Célio. O tempo que você dedicará aos estudos vai depender se como se preparou durante o ano e quão bem se saiu na primeira fase. “Para os candidatos que passaram com uma pontuação próxima à nota de corte, o momento é de intensificar a preparação”, diz o professor de Geografia do cursinho do XI, Alexandre Eneias Gobbis.

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Aproveite para ler os livros obrigatórios

Se seus estudos estão em dia, mas você não leu todas as obras cobradas pelo vestibular, aproveite esses dias até a prova para fazer isso. “Isso cai em peso, especialmente na segunda fase da Unicamp. Se você conseguir ler mais dois ou três livros inteiros, já terá pontos extras”, diz o professor Célio.

Depois de descobrir que eu estava na segunda fase dos vestibulares, não deixei de participar das atividades familiares. Deixei de estudar na véspera e no dia de Natal para ficar com minhas primas, comer muito e me divertir. O mesmo aconteceu no réveillon, que é uma festa para se aproveitar e ficar comemorando até o sol nascer. Esses dias estão ai para dar uma oportunidade de a gente relaxar e se divertir, é praticamente necessário ter esse momento de abstração. Apesar disso, tive que recusar os convites de viagens. Eu sabia que não ia conseguir estudar e eu precisava daquele tempo. Valeu a pena esse ‘sacrifício’, porque agora eu posso curtir a viagem que eu quiser.”

Mariana Guerra, aprovada em Estudos Literários na Unicamp e em Letras na Usp e na Ufscar em 2012

Se minha família for viajar, posso ir com eles?

Para o professor Célio, a resposta é sim – mas leve material de estudo para não ficar ansioso. “A menos que o estudante tenha pouca convivência com a família, ficar sozinho nesse período é péssimo. Ele não terá ninguém para lhe ajudar a lidar com a ansiedade e corre o risco de nem conseguir aproveitar o tempo para estudar”, afirma. Mas seja prudente: não deixe para voltar na véspera da prova. O ideal é estar de volta dois ou três dias antes para poder descansar. Além disso, tenha certas precauções. Se for à praia, tome cuidado com o período de exposição ao sol e com os alimentos que consome, para evitar intoxicação alimentar.

Bom, eu realmente estava desesperado, tinha muita coisa que eu ainda precisava ver ou revisar. Durante o dia era muito difícil estudar na minha casa com tanta coisa acontecendo, então eu acabava estudando depois que todo mundo ia dormir. Mas mesmo desesperado eu dava uma pausa durante os dias festivos pra relaxar um pouco. Boa sorte aos vestibulandos e futuros calouros!

Denis Marcel Cavalheiro , aprovado em Química na Fuvest 2012.

Pode consumir bebida alcoólica?

Pode, mas sem excessos – e só se você estiver acostumado a beber socialmente. E evite fazer isso às vésperas da prova para evitar a ressaca e o mal estar prolongado.

Treine com provas dos anos anteriores

“Para a segunda fase da FUVEST, em física, o aluno precisa ter um bom conhecimento de todo o conteúdo, pois as questões misturam temas diferentes em cada questão, que é bem mais interpretativa. O meu conselho é pegar as provas de segunda fase dos anos anteriores e resolvê-las. Eles priorizam Mecânica e Eletricidade; já em Termologia, Óptica e Ondulatória a quantidade de questões que caem é menor. Este ano também poderão cair Eletromagnetismo e Gases, que não apareceram na primeira fase, bem como questões sobre Trabalho e Energia”, diz o professor de física do cursinho do XI, Marcio Haga.

Leia muito

“A segunda fase é para quem sabe escrever. Leia muito, especialmente artigos da imprensa em geral, como jornais, revistas, internet etc. Quem lê, escreve. Outra dica é fazer um fichamento daquilo que estudar, com os conceitos principais de cada tema. Para quem já vem fazendo tudo isso há tempos, é hora de relaxar. Aproveite o período entre Natal e Ano-Novo para se divertir, SEM EXCESSOS, e depois volte a estudar em janeiro”, diz o professor Alexandre.

Pequenos detalhes fazem a diferença

“Passar para a segunda fase do vestibular é um grande passo, mas não o suficiente. Agora, o aluno disputará com candidatos que possuem em média o mesmo desempenho acadêmico, portanto qualquer detalhe poderá fazer toda a diferença”, diz o professor de física do Cursinho do XI, Francisco Ribeiro Viana. Um desses detalhes é o bom conhecimento de todas as disciplinas. “Um aluno que tenha optado por um curso de Humanas pode se destacar em relação aos demais se também mostrar bom desempenho em exatas e vice-versa. Assim, esforce-se em estudar todas as matérias”, completa.

“Eu viajei para o interior no natal e no ano novo fiquei aqui próximo do cursinho, mesmo. No período de festas aproveitei pra relaxar e tentar espairecer um pouco, não faz bem só pensar nas provas, mas assim que elas acabaram voltei a estudar pra segunda fase. Nada muito desesperado para não bater o nervosismo. Um pouco antes das provas (alguns dias), eu também parei de estudar e só relaxei.”

Letícia Lucato, aprovada em História na USP em 2012.

“Quando a gente passa em uma primeira fase, a neura por estudar passa a ser tanta que não paramos pra pensar que o excesso pode fazer mal. Eu, assim que passei, bolei um plano de estudos no qual consegui viajar para as festas de fim de ano com consciência tranquila (inclusive não levei nada para estudar)”.

Victor Camillo Palandi, aprovado em Economia na USP.

Livro inédito de Ariano Suassuna é lançado esta semana no Recife

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Zélia, o grande amor de Ariano, e seu filho, Dantas, que vem cuidando do legado do pai Foto: Leo Mota/ JC Imagem

Zélia, o grande amor de Ariano, e seu filho, Dantas, que vem cuidando do legado do pai
Foto: Leo Mota/ JC Imagem

O romance, dividido em dois volumes, é tido como o grande legado literário do artista e foi organizado pela família

Valentine Herold, no JC Online

Cascalho, rochedo, pedregulho, granizo. Ariano Suassuna sempre foi fascinado por qualquer tipo de pedra, fato que não passa despercebido pelos seus leitores. O paraibano que fez de Pernambuco sua morada, falecido em julho de 2014, aos 87 anos, colocou muitas vezes as pedras como sendo figuras centrais não só de suas criações artísticas, mas também de suas analogias. Ele costumava dizer que, em sua família, haviam as pessoas que jogavam as pedras e outras que as recolhiam, como bem lembra seu filho Manuel Dantas – também as juntava e colecionava, complementa Zélia, seu grande amor e esposa.

Existem ao longo de sua notável trajetória de vida referências diretas a este encantamento, desde o romance A Pedra do Reino, que consagrou o autor nacionalmente e representa um dos marcos iniciais do Movimento Armorial, às esculturas na casa onde morou e onde Zélia continua vivendo, no bairro de Casa Forte, passando ainda pela tipografia que vinha desenvolvendo desde a década de 1990, através da qual a rigidez do ferro deu espaço à sinuosidade da pedra esculpida. Tudo parecia estar sendo meticulosamente e poeticamente pensado para este momento, este livro inédito e póstumo que acaba de ser lançado pela editora Nova Fronteira: A Ilumiara – Romance de Dom Pantero no Palco dos Pecadores (R$ 189,90).

Ao longo de seus últimos 30 anos de vida, Ariano vinha trabalhando nesta que é sua grande obra, seu testamento literário, finalizada um pouco antes dele falecer. O próprio termo ilumiara foi criado por ele para se referir aos anfiteatros formados por pedras insculpidas e pintadas. O box, contendo os dois volumes do romance, chegou às livrarias da capital pernambucana na última semana, mas esgotou em poucos dias. Neste sábado, às 15h haverá na Livraria Cultura do RioMar Shopping o lançamento oficial da obra com um evento fiel à trajetória e ao universo suassuniano.

Dantas vai levar ao Teatro Eva Hertz uma aula espetaculosa aberta ao público, acompanhado com Carlos Newton Júnior (pesquisador da obra de Ariano Suassuna e autor da apresentação do romance), Ricardo Barbarena (autor do posfácio), Esther Simões (neta de Ariano e pesquisadora), Ricardo Gouveia de Melo (designer e idealizador do projeto gráfico da obra) e Adriana Victor (jornalista e ex-assessora do escritor).

O próprio termo “aula espetaculosa” não é apenas uma alusão às aulas- espetáculo, grande projeto de Ariano que o levou às mais diversas cidades de todo o País e através das quais ele unia em um universo circense música, dança e contação de causos. É que Dom Pantero, protagonista deste livro, realiza uma aula espetaculosa através da qual ele satisfaz seu desejo criativo de escritor frustrado com a ajuda de seu três irmãos, um dramaturgo, outro romancista e o terceiro poeta – cada um deles, assim como um tio ensaísta, representando as diversas facetas criativas do próprio Ariano, além das ilustrações que permeiam todas as páginas da obra.

O livro em si é, na verdade, a aula espetaculosa, um grande simpósio que se desenvolve ao longo de uma manhã e de uma tarde, daí a decisão de dividir a obra em dois volumes, O Jumento Sedutor e O Palhaço Tetrafônico. “Se ele tivesse tido mais tempo, vivido mais, teria escrito um terceiro volume, que corresponderia à parte noturna do simpósio”, explica Dantas.

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Autobiografia, ficção, ensaio, poesia, teatro ou artes plásticas? Não há porque classificar O Romance de Dom Pantero no Palco dos Pecadores em apenas um gênero, já que todos estão presentes nas mais de mil páginas do livros. Essa amálgama literária e visual é justamente o que define o livro como sendo, para Carlos Newton, “o mais pós-moderno da literatura brasileira”. “Através da história de Dom Pantero e de seus alter egos, Ariano está falando de si e do Brasil. É um grande ensaio sobre nosso país”, ressalta Raimundo Carrero, leitor assíduo de Ariano e autor da contracapa do primeiro volume. São inúmeros os personagens que permeiam o livro e muitos deles foram baseados em pessoas que passaram pela vida do autor, às vezes com seus verdadeiros nomes e outras não.

“Ele sempre pensou o livro plasticamente, onde queria reunir todas suas formas de expressão”, pontua Dantas. “Ariano não foi só um grande artista, mas também um grande comunicador”, ressalta Ricardo Gouveia. Além de ter se inspirado em amigos e familiares para criar a narrativa de Dom Pantero – que também é a sua própria –, o autor, como sempre muito perspicaz e bem-humorado, também inseriu críticas que foram publicadas em grandes jornais do Brasil sobre suas obras, mas atribuindo-as a diários de cidades interioranas nordestinas.

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Processo Criativo

Escreve, desenha, rasura, reescreve e rasura mais uma vez. Em 33 anos, não foram poucas as mudanças realizadas por Ariano no seu romance. Montado a mão, o autor ia tirando cópia do que escrevia e fazendo as colagens das ilustrações. “Ele compartilhava conosco as mudanças. Enquanto reescrevia, lia algumas partes e mostrava como estava o andamento do livro”, lembra Zélia.

“Sua ideia inicial era de publicá-lo acompanhado de um DVD onde estariam reunidos trechos das aulas espetáculos que dialogavam com a história, mídia que foi substituída por QR codes”, complementa Carlos Newton. Ao leitor e espectador muito atento, passagens das apresentações do paraibano não passarão despercebidas em trechos d’O Romance de Dom Pantero no Palco dos Pecadores.

A simbiose entre a ficção e a realidade é muito bem construída e chega a ultrapassar as páginas do livro, indo até a fazenda Carnaúba, em Taperoá, no Cariri paraibano, cenário bastante característico e próprio do imaginário de Ariano. Manuel Dantas está realizando um dos sonhos de seu pai, o de concretizar a Ilumiara Jaúna que ilustra o livro. A pedra de mais de 30 metros de comprimento está sendo esculpida pelo filho com os desenhos criados pelo pai. “Tenho ainda um projeto maior de realizar espetáculos lá afazendo. Estou também planejando uma exposição com as litogravuras do meu pai, os originais do livro e outros material”, finaliza. O legado de Ariano Suassuna continuará, sem dúvidas, vivendo.

Com 10 anos, estudante de Teresina já leu quase 400 livros e vira escritora

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Menina de 9 anos escreve livro e já leu quase 400 e incentiva até sua mãe à leitura

Menina de 9 anos escreve livro e já leu quase 400 e incentiva até sua mãe à leitura

Edelani já começou a produzir o segundo livro enquanto família busca apoio para publicar o primeiro trabalho da menina. Carreira de escritora começou aos 8 anos.

Publicado no G1

A estudante de escola pública em Teresina, Edelani Silva, já leu quase 400 livros ao longo dos seus 10 anos de idade. Além disso, a garota também escreveu um livro inspirado nas histórias que conheceu no mundo da literatura.

“Eu li muitos livros e juntei tudo em um só. O Aladin, os contos de fadas e muitos outros estão neste livro”, explica Edelani ao falar sobre seu primeiro livro “A bolinha mágica”, que ela começou a idealizar e escrever aos 8 anos.

Enquanto Edelani trabalha na primeira poesia do segundo livro, sua família está em busca de apoio para publicar o primeiro trabalho da menina. O pai dela, um dos maiores incentivadores, contou que pegava livros emprestados na biblioteca para as filhas lessem.

“Eu fui uma pessoa que estudou muito pouco. O que eu sempre digo para minhas filhas é ‘estudar, estudar, estudar’. Porque se com o estudo está difícil, imagina sem o estudo”, disse Deusenir da Silva.

A mãe de Edelani, afirmou que sempre promoveu o hábito da leitura na filha. “Ler é muito bom. Você conhece mais o mundo. Quem gosta de lê, gosta de estudar”, disse Terezinha de Jesus.

A irmã da menina, Eusenir Araújo, de 14 anos, relatou que Edelani pegava seus livros escondidos para ler. “Eu não sabia que ela poderia passar de mim na leitura, comigo sendo mais velha. Achei bonito”, afirmou a adolescente.

Professor afirma que menina é excepcional para idade

De acordo com o professor e escritor Luiz Romero, um leitor em nível básico deveria ler ao longo de toda vida pelo menos um livro por mês, assim, aos 75 anos, a pessoa terá lido uma média de 900 livros.

“As escolas públicas tem seus alunos prodígios e ela é um”, disse o professor. Para ele, a garota precisa ser incentivada a continuar o hábito da leitura e da escrita. Para isso, o professor defende a publicação do livro de Edelani.

Professor Luiz Romero orienta menina escritora (Foto: Reprodução / TV Clube)

Professor Luiz Romero orienta menina escritora (Foto: Reprodução / TV Clube)

“Temos casos de alunos que de pequenos começam a produzir e a ler que chegam aos 20 anos já tendo lido cerca de 900 livros ou até mil livros. Não é um absurdo, é uma proposta boa”, ressaltou o professor.

A menina garante ler pelo menos a metade dos livros previstos pelo professor. “Como eu já li 375 livros, acho que aos meus 20 anos já vou ter lido mais de 500”, apostou Edelani.

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