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Drag queens leem histórias a crianças em livrarias e escolas dos EUA para incentivar respeito à diversidade

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Crianças participam de atividades durante a contação de histórias. — Foto: Reprodução/Facebook

Projeto usa livros infantis com temáticas relacionadas à tolerância e à liberdade. Ataques de grupos conservadores têm sido frequentes, de acordo com as drags.

Luiza Tenente, no G1

Uma drag queen, com roupas coloridas, maquiagem, perucas e muito brilho, reúne um grupo de famílias com crianças para ler uma história. O encontro pode acontecer em escolas, bibliotecas ou livrarias dos Estados Unidos. Depois, todos cantam uma música e podem perguntar o que quiserem para a drag.

“Você é um menino ou uma menina?”, questiona uma das crianças. A resposta é sempre uma forma de estimular o respeito à diversidade, conforme relata ao G1 um dos fundadores do projeto, Jonathan Hamilt. “Nós explicamos que as drags escolhem uma forma de mostrar ao mundo o que desejam ser. Ensinamos que cada um deve respeitar a forma como o outro se veste – com tolerância e sem bullying”, diz.

A ideia de fundar a “Drag Queen Story Hour” surgiu justamente dessa necessidade de mostrar ao público infantil a importância da liberdade de expressão individual. “Queremos um mundo em que as pessoas possam se caracterizar do jeito que desejarem”, explica Jonathan.

A escolha da história que é contada às crianças leva sempre em conta a faixa etária dos ouvintes. As opções foram selecionadas em uma visita à biblioteca pública do Brooklyn, em Nova York. Entre os preferidos das drags, está “Julián é uma sereia”, de Jessica Love. Na obra, a autora conta a aventura de um menino que tem vontade de se fantasiar de sereia, mas teme que sua avó o julgue.

Cada história é escolhida com base na faixa etária do público do evento. — Foto: Reprodução/Facebook

Perfis das famílias

Jonathan conta que, em geral, as famílias que frequentam a “hora da leitura” querem mostrar às crianças que não há nada de errado em ser gay, lésbica, transexual ou drag queen, por exemplo. “Não necessariamente os meninos e meninas que nos acompanham fazem ou vão fazer parte do grupo LGBTQ. Mas eles precisam aprender a ter empatia e a respeitar a diversidade de gênero”, diz o fundador do projeto.

Drag queens leem histórias infantis para crianças nos Estados Unidos. — Foto: Divulgação

Financiamento

O projeto não tem a intenção de gerar lucro para grandes empresas. Para se sustentar, aceita o apoio das livrarias e de organizações locais. Além disso, a drag que conta a história passa um chapéu para que o público, se quiser, coloque alguma contribuição em dinheiro durante o encontro.

Histórias foram escolhidas durante visita a uma biblioteca pública. — Foto: Divulgação

Ataques

Apesar de o projeto declarar que busca o incentivo à tolerância, tem sido frequentemente atacado e criticado por entidades dos Estados Unidos. A “Family Policy Alliance”, organização religiosa americana, lançou uma campanha para pressionar legisladores a proibir os eventos nas livrarias.

Grupos conservadores também fizeram protestos do lado de fora dos estabelecimentos em que ocorreram as horas de leitura.

“Nosso objetivo é fortalecer nossa organização para enfrentar essas reações negativas. Esperamos apoio de quem quer transformar o mundo em um lugar com maior aceitação”, dizem os organizadores do projeto.

A história real de ostentação do autor de ‘Asiáticos Podres de Ricos’

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Rachel (Constance Wu) em ‘Podres de Ricos’ (//Divulgação)

Livro que deu origem ao filme em cartaz nos cinemas foi inspirado na idílica realidade das famílias milionárias de Singapura

Mabi Barros, na Veja

Mansões de cair o queixo, jatinhos particulares e festas de casamentos orçadas em dezenas de milhões de dólares. É assim, banhada no luxo, que a trama de Asiáticos Podres de Ricos (Editora Record) envolve o leitor no universo daquele 1% da população que detém boa parte das riquezas do mundo, com a ajuda de um apurado humor e um quê de contos de fadas. O livro, primeiro de uma trilogia, inspirou a comédia romântica Podres de Ricos, em cartaz no Brasil, se passa em Singapura e acompanha o deslumbre de uma jovem americana de origem chinesa ao descobrir que seu namorado é, como diz o título, podre de rico. Por trás da ostentação da história fictícia está a história real da família do autor, Kevin Kwan.

O escritor singapurano Kevin Kwan (Vincent Yu/AP)

“Eu venho de uma família singapurana bastante tradicional”, escreveu ele em ensaio para a revista Town and Country. “Nossa árvore genealógica remonta ao ano 946, com a união de três famílias, criando o extenso clã que inspirou meus romances e o filme derivado.”

(Tradução: Ana Carolina Mesquita; editora Record; 490 páginas) (//Divulgação)

Segundo o escritor de 45 anos, a avó Egan Oh era uma mulher independente, que não tinha planos de se casar. Até que sua vizinha a fez mudar de ideia ao lhe apresentar o irmão mais novo Arthur P.C. Kwan. Egan vinha de uma família de classe alta. Seu pai foi um dos fundadores o OCBC Bank, um dos bancos mais antigos de Singapura. Enquanto Arthur era um famoso oftalmologista que, por seus trabalhos filantrópicos, chegou a ganhar o título de cavaleiro pela rainha Elizabeth II.

A vizinha e irmã de Arthur que uniu o casal era Margaret Kwan Fu Shing, que, ao lado do marido, criou um império na indústria de cosméticos iniciada com a Tiger Balm — pomada multiuso chinesa, que continua no mercado até hoje. “Eles viviam em uma propriedade que pertenceu ao sultão Johor e era uma das maiores casas de Singapura”, conta o autor sobre a residência de sua tia-avó.

Traição à família de Anne Frank é investigada e vai virar livro

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Anne Frank em maio de 1942 (Anne Frank House/VEJA)

Ex-agente do FBI retomou a investigação sobre quem delatou o esconderijo de famílias judias — entre elas, a de Anne Frank

Publicado na Veja

– O que – ou quem – levou à prisão de Anne Frank e sua família em 1944 é a pergunta que Vincent Pankoke, um agente aposentado do FBI, tenta responder. Ele lidera uma investigação que envolve uma equipe multidisciplinar, novas técnicas e moderna tecnologia – e que promete os primeiros resultados para 4 de setembro de 2019, 75 anos depois de o esconderijo da família Frank e de outros quatro judeus ter sido denunciado e todos terem sido levados a campos de concentração nazistas.

Anne Frank (1929-1945), autora do famoso diário, morreu quase um ano depois, em Bergen-Belsen. Pankoke mantém um diário com os “bastidores” de seu trabalho no site http://www.coldcasediary.com. Tudo bem construído e com cara de que vai virar filme… e livro. O livro acaba de ser confirmado. Anne Frank: A Cold Case Diary será publicado simultaneamente em 2020 em pelo menos 13 países – incluindo o Brasil – pela HarperCollins.

(Com Agência Estado)

Classe D vende até carro para fazer filho estudar fora do país e ter mais chance de emprego

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Classe D vende até carro para fazer filho estudar fora do país e ter mais chance de emprego, diz chefe da CI

Publicado no UOL

Para conseguir arcar com os custos de um período de estudos fora do Brasil para os filhos, famílias de classe econômica mais baixa chegam a abrir mão de bens como um carro, por exemplo. Quem conta é o diretor da CI Intercâmbio e Viagem, Celso Garcia, em conversa na série UOL Líderes.

Celso Garcia

Ele fala também sobre a importância de saber um segundo idioma na hora de conseguir emprego, avalia os problemas que estudantes podem ter na hora de conseguir o visto necessário para estudar fora e revela quais países estão mais abertos para receber os brasileiros.

Famílias fazem sacrifícios para filho estudar no exterior

UOL – O intercâmbio hoje é um produto só para classe média alta e classe alta?

Celso Garcia – Felizmente não mais. Não só das grandes cidades e também não só de quem tem muito dinheiro. Temos clientes da classe D que nos procuram. Eles investem nisso também. É muito comum sabermos que o pai está vendendo o carro dele para pagar o intercâmbio do filho, e é muito bonito ver isso.

Você vê que são famílias de poder econômico limitado, mas o pessoal vê como investimento. Muitas vezes o pessoal trabalha, mora com a família e vai juntando um dinheirinho, porque sabe que muitas vezes o idioma é mais importante na empregabilidade do que fazer um curso universitário de qualidade ruim ou fazer uma pós-graduação ou extensão universitária que não agrega nada.

A grande carência que nós temos no Brasil hoje é saber falar mais idiomas. Muitas pessoas perdem oportunidades porque não conseguem colocar no currículo que têm um nível superior de conhecimento do inglês ou do espanhol, que não é só o básico. Isso faz uma grande diferença na empregabilidade.

Vocês atendem mais o público jovem ou o público mais velho?

É muito focado ainda no jovem. E o curso de idioma continua sendo o carro-chefe desse segmento. No Brasil, nós ainda temos uma carência muito grande de as pessoas saberem falar um segundo idioma: estima-se que menos de 4% da população brasileira domine um segundo idioma, além do português.

Quando você compara com qualquer outro país que está mais inserido ou que quer se inserir na comunidade internacional, esse é um gap muito grande que nós temos que cobrir.

As empresas de intercâmbio fazem um trabalho importante, mas depende de muito mais do que isso. Depende das escolas, do governo e do interesse das pessoas em aprender um segundo idioma.

Muitas vezes a pessoa não leva a sério o idioma quando está na escola e chega lá na frente, na hora de fazer o vestibular ou na hora de conseguir um emprego, vai ver que perdeu a vaga porque havia outra pessoa com um pouquinho de conhecimento do espanhol ou de inglês, e isso realmente faz uma grande diferença.

O que nós temos de tendência é que o pessoal da terceira idade cada vez mais está abocanhando, está entrando nesse mercado também, porque é uma oportunidade muito legal de viajar.

Existem vários programas hoje em dia em que você pode fazer um curso de idioma com história da arte, curso de idioma com culinária, com esportes, com golfe, com hipismo. Existe uma gama grande para que a pessoa possa complementar a experiência.

Como a crise econômica afetou o negócio de intercâmbio?

Na verdade, esse segmento não retrata muito a economia como um todo. Ele é um projeto de investimento das pessoas. As pessoas não se programam hoje para viajar na semana que vem, no mês que vem, para fazer um intercâmbio.

Normalmente há um intervalo de 90 dias pelo menos, entre a decisão da pessoa de chegar a uma loja da CI e embarcar, porque é um processo que vem maturando na cabeça do interessado.

Quando o mercado realmente não está tão favorável, ocorre um processo que nós chamamos de represamento: as pessoas deixam de ir agora, mas não desistem da viagem. Elas acabam adiando um semestre ou um ano.

Foi o que aconteceu, por exemplo, em 2015, quando tivemos um aguçamento da crise. Nós ainda tivemos um resultado satisfatório porque vínhamos de uma maré boa, mas no ano de 2016 realmente caiu. Felizmente não tivemos decréscimo, conseguimos um crescimento de 4%. Mas no ano passado já tivemos um crescimento de 20% nas vendas, o que é muito positivo quando você olha a economia como um todo.

Com o desemprego, os profissionais veem o período sem trabalho como uma oportunidade de fazer curso e voltar para o mercado com uma bagagem melhor?

Muitas pessoas que procuram a empresa estão na iminência de sair do seu trabalho ou já saíram. Elas veem realmente que é uma oportunidade única para poder se desenvolver. Lógico que há aqueles que querem ir para fora, que vão para fora [do país] e procuram ficar, mas essa não é uma oportunidade que acontece para todos. A grande maioria vai para se desenvolver mesmo.

A questão do idioma é sempre o ponto número um. As pessoas às vezes chegam ao nível de gerência na empresa ou até têm oportunidade de subir, mas não têm o idioma. Mas também há muitas pessoas que vão para fora para fazer a especialização ou um complemento na área de formação: se a pessoa é formada em administração vai fazer uma extensão em finanças ou em marketing.

Existe uma gama muito grande de oportunidades para quem tem uma formação e quer melhorar isso, e ter uma experiência fora do país tem um peso muito grande no currículo.

A empresa tem sido procurada por pessoas ou famílias que querem se mudar de vez do Brasil?

Tem sido procurada. Felizmente, já senti uma queda no segundo semestre do ano passado. Em 2015 e meados de 2016, essa procura era maior. Mas como eu falo sempre: é muito difícil. Às vezes a pessoa quer ir para fora, mas não está preparada, porque você precisa de um visto, precisa de um lugar para ficar.

Normalmente a pessoa vem nos procurar porque o visto para educação é sempre mais factível do que se mudar e tentar trabalhar. Essa realidade existiu e continua existindo, mas eu acho que, à medida que a economia melhora, isso vai arrefecendo. É um processo normal de crise que já aconteceu outras vezes, mas, como cada vez mais pessoas perdem o medo de ir para fora, acaba tendo uma espiral crescente.

Isso é parte do processo, e eu acho que não é uma exclusividade do Brasil. Todos os países vivem ciclos econômicos. Assim como nós tivemos alguns anos atrás aquele boom no Brasil, em que vieram milhares de espanhóis para cá, vieram portugueses, vieram pessoas de todos os países praticamente. Existe no mundo todo uma influência muito grande desse atrativo do momento econômico. Isso não é diferente aqui.

Com a tecnologia, as pessoas têm se virado bem sozinhas. Hoje é possível organizar uma viagem, indo atrás de escola, hospedagem, passagem. Por que alguém vai precisar de uma agência de intercâmbio?

Uma viagem de intercâmbio não é uma viagem de duas semanas ou dez dias. Quando você vai fazer um programa educacional, vai ficar numa casa de família ou num dormitório estudantil, ou mesmo numa escola em que você vai ficar seis semanas, oito semanas ou períodos maiores, você precisa de uma referência, precisa de mais informações.

Em uma viagem de mais longa duração, as pessoas procuram muito a segurança também. E não há diferença de custo. Se você for comprar direto de uma escola, vai pagar o mesmo preço que paga para a CI. Mas o aluno vai ter que arrumar um jeito para mandar o dinheiro, às vezes não tem o cartão de crédito, vai ter de fazer transferência.

No Brasil e na maioria dos países de que temos conhecimento, as agências de intercâmbio têm um horizonte bastante grande pela frente. Mas, além disso, temos criado cada vez mais produtos que vinculam os estudantes. Temos programas de intercâmbio teen em que os alunos saem em grupos desde o Brasil. É um negócio que você não compra pela internet, tem que estar dentro de um grupo para ir.

Assim como esses produtos, há outros em que procuramos cada vez mais vincular a uma segurança maior, que muitas vezes é o que o pai de classe média e classe média alta quer para os filhos.

Violência assusta estudantes interessados em vir para o Brasil

UOL – Vocês também têm um serviço de recepção de estudantes estrangeiros. As notícias da crise e também da violência afetam de alguma forma essa parte do negócio?

Celso Garcia – Bastante. Desde o início da CI, nós sempre trouxemos estudantes para cá. Temos alguns programas de estágios, programas esportivos, curso de idiomas também, e já tivemos uma demanda muito maior de estrangeiros querendo vir para o Brasil do que nós temos hoje.

Realmente nesse item houve uma queda bastante importante, cerca de 30% na nossa demanda, se eu pegar nossos anos dourados – dez anos atrás para agora –, as pessoas têm um pouco de preocupação de vir para o Brasil.

Sempre digo que o trabalho que nós fazemos é muito positivo para o país, porque as pessoas vêm para cá e elas veem que não é assim. Infelizmente a imprensa no mundo todo tem essa preocupação de colocar muitas coisas. Não sai quase nada de bom sobre o Brasil na imprensa. Mas o pessoal vem pra cá e realmente gosta muito da experiência aqui.

Temos a avaliação dos alunos que vêm, e é impressionante a mudança de percepção que eles têm do Brasil depois que ficam um período conosco aqui. Eles vêm para programas de um a seis meses no geral –há casos até superiores a isso–, e é impressionante a mudança de percepção deles depois da experiência.

O brasileiro também se preocupa com a segurança quando vai estudar no exterior?

É muito interessante isso, porque o brasileiro não se preocupa com segurança. Não sei se porque vivemos aqui numa situação sempre de ter de estar atento, sempre ter de estar preocupado, já temos essa vivência no dia a dia. Então não é um fator que chame a atenção na hora da escolha.

Mas, infelizmente, problemas de segurança você tem em todos os países, até nos desenvolvidos. Temos muitos casos de brasileiros que são furtados, mas faz parte do processo. Não é nada que vai impedir alguém de viajar.

E sempre orientamos que é preciso estar atento: você pode ir a Londres, Nova York, qualquer cidade, você tem que estar atento. Não dá para abandonar a bagagem, deixar sua mochila em um lugar e ir tomar um cafezinho no outro. São cuidados que temos de ter em qualquer país, em qualquer cidade.

Pergunto isso também principalmente porque a maioria do público é de jovens, às vezes saindo do Brasil pela primeira vez, sem os pais…

A orientação que sempre damos é essa: estar atento. Assim como no Brasil, não podemos chegar a uma praça, deixar a mochila num canto e jogar bola no outro. Sempre tem que estar ligado, porque as coisas acontecem em qualquer lugar.

E muitas vezes quando a pessoa vai, nos nossos programas de estágio, para alguma área que é mais conflituosa, logicamente há toda uma preocupação de orientação, a organização que vai receber no país também vai dar as orientações corretas, mas basicamente nada que coloque em risco o programa de intercâmbio.

Qual é o perfil dos estudantes que vêm para o Brasil?

A grande maioria das pessoas que viajam conosco tem até 35 anos. E quem vem de fora para cá também. É muito esse público entre 20 e 30 anos que vem para fazer um estágio, um trabalho voluntário ou uma clínica esportiva. É a demanda que existe para o Brasil. É lógico que depois querem conhecer nossas praias, querem conhecer a Amazônia, Foz do Iguaçu, que são os ícones que representam o Brasil fora daqui.

Temos um programa interessante com a Europa, os países nórdicos, Alemanha, Suíça, que têm muito interesse no Brasil. Os Estados Unidos também. Temos programas com as universidades em que trazemos estudantes para cá, eles vêm em grupo, ficam fazendo aulas de português, estágios em empresas, durante o período de quatro a seis semanas. São programas que permitem uma visão maior do que somente vir para cá como turista.

E quais as áreas de estágio mais buscadas por estudantes brasileiros?

Existem os programas em que você faz o idioma e pode trabalhar também, e esses programas não estão muito vinculados à formação da pessoa. Mesmo que seja uma pessoa formada aqui, você chega lá e consegue uma oportunidade para trabalhar em um restaurante ou em um evento ou num parque de diversões.

Normalmente a pessoa vai para estudar e pode trabalhar. Durante esse período em que vai estar com o visto, ela pode trabalhar legalmente. Quando a CI começou, 30 anos atrás, não existia esse tipo de visto. O brasileiro ia para fora e trabalhava ilegalmente, procurava fazer algum tipo de bico. Hoje, felizmente, existem vários países que aceitam receber estudantes com visto que permite trabalhar legalmente 20 horas por semana.

Por outro lado, há outros programas de estágio vinculados à área de formação. Nós temos muitas vagas na área técnica, científica, na parte de TI (tecnologia da informação). Toda essa área ligada a desenvolvimento de software atrai muitos jovens. Talvez no somatório de todos, a parte de business seja a mais relevante, mas a parte técnica, científica é muito relevante também.

Problemas na entrada em um país estrangeiro: é possível evitar?

UOL – Não são raras as notícias de jovens com problemas ao chegar em outro país. O que você diria que precisa ser feito antes de uma viagem para evitar esse tipo de problema?

Celso Garcia – O principal ponto é: não existe ilusão. A CI tem pouquíssimos casos de vistos que não são aceitos, porque fazemos todo um processo de orientação e discutimos claramente com o cliente: qual é o objetivo da sua viagem?

Os países têm total autonomia para negar um visto para quem for. E muitas vezes dizemos que um número xis de pessoas vai ter o visto negado. Às vezes nem seria o caso de ter o visto negado, mas existe uma técnica dos países que faz parte do processo negar alguns vistos.

Uma família, ao procurar uma oportunidade fora, deve procurar uma empresa que seja idônea, que vai saber orientar corretamente, que vai saber dizer qual é o risco que essa pessoa tem de, eventualmente, ter ou não seu visto negado.

A preparação da documentação é muito importante também. Por isso nós temos uma empresa que faz parte do nosso grupo que é uma consultoria em visto, porque notamos que muitas vezes, [por causa da] falta de preparo na documentação ou da maneira como o processo é feito, a pessoa acaba tendo o visto negado.

Então é isso o que eu coloco principalmente: procure uma assessoria adequada, procure uma empresa que vai saber realmente orientá-lo de forma adequada. E muitas vezes nós falamos para o cliente: você não tem o perfil para viajar. Temos que ter o profissionalismo para poder dizer isso.

Quem não tem perfil para viajar?

Todos os órgãos dos governos, principalmente aqueles que trabalham com visto, são treinados para identificar as pessoas que querem migrar para o país. Nenhum país vai emitir um visto de turista ou visto para estudo, que é a grande maioria dos nossos casos, se ele tem a preocupação de que aquele candidato ao visto tem a intenção de ficar no país. Esse é o principal ponto: nós somos uma empresa de intercâmbio, não somos uma empresa de exportação de pessoas.

Hoje, felizmente, nós temos grandes oportunidades que são os países que aceitam que a pessoa vá para trabalhar e estudar. E para esses países, na verdade, o visto é bem mais flexível. Você chega ao país com a proposta de trabalhar, mas legalmente, você não vai para o subemprego, para ‘ir ficando’. Até porque muitos desses países permitem que o brasileiro fique por cinco, seis, sete anos com visto de estudante, trabalhando.

A grande maioria das pessoas que nos procuram vai para um programa de curso de idioma, na faixa de seis a oito semanas –quem fica menos tempo, fica duas semanas. E ela vai e volta porque tem a vida dela aqui, estuda aqui, trabalha aqui, e usa esse período das férias escolares ou as férias do trabalho para desenvolver o seu idioma.

Mas também existem aquelas pessoas que querem ficar um tempo maior fora, e esse é o programa ideal: a pessoa vai trabalhar, vai estudar e ficar legalmente no país.

Qual o maior erro uma pessoa interessada em estudar no exterior pode cometer e como evitar?

O maior erro é querer comprar simplesmente a oportunidade. Existem oportunidades? Claro, existem programas interessantes, na própria CI nós temos promoções, descontos. Isso é que é importante comparar: aonde eu estou indo é realmente uma opção consciente, eu peguei informações? Eu sei de alguém que foi para lá e teve sucesso? As mídias sociais hoje, felizmente, estão cheias de depoimentos. A pessoa deve se organizar e ver muito bem onde ela vai comprar e o que ela vai comprar, para não fazer uma opção errada.

Estudantes de classe média vão à escola pública por economia e para sair da “bolha” social

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 Pedro Nakagawa, de 15 anos, sempre estudou em escolas particulares, mas mudou para um colégio público neste ano. Fernando Cavalcanti

Pedro Nakagawa, de 15 anos, sempre estudou em escolas particulares, mas mudou para um colégio público neste ano. Fernando Cavalcanti

 

Busca por ambiente mais diverso faz famílias de classe média desistirem da rede privada. Em SP, o número de alunos que migrou para a rede pública aumentou em 25% em 5 anos

Publicado no El País

“É preciso diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, até que num dado momento a tua fala seja a tua prática”. Foi a frase do educador Paulo Freire que guiou a escolha da artista plástica Anne Rammi, de 37 anos, em meados do ano passado. Ativista, militante pela educação e defensora da democracia e da igualdade, como se define, ela se pegou vivendo uma incoerência: seus filhos viviam na “bolha da escola particular”, onde não conviviam com qualquer diversidade, num ambiente completamente desigual ao da maioria das crianças brasileiras. “Como posso ter um discurso de somos todos iguais enquanto estou comprando o acesso dos meus filhos à educação?”, questionou-se. E o pagamento não era barato: cerca de 2.000 reais por cabeça.

Em meio a essa reflexão, a família matriculou Joaquim, 7 anos, e Tomás, de 5, na rede pública de ensino. E aguarda uma vaga desde setembro para a pequena Iolanda, de um ano. O mesmo fez a renomada chef de cozinha Bel Coelho, 37 anos. Dona de um restaurante na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, ela matriculou o filho Francisco, de três anos, em uma escola municipal por acreditar que lá ele seria educado em um ambiente mais diverso e inclusivo, mais próximo da realidade do país. “Eu queria que meu filho tivesse uma exposição à sociedade diferente da que as escolas particulares promovem. Queria que ele convivesse com negros, brancos e com pessoas de distintas classes sociais”, explica ela, que se diz chocada ao lembrar que ao longo da sua vida escolar em tradicionais instituições privadas nunca teve um colega negro na sala.

 A chef de cozinha Bel Coelho e o filho Francisco. Arquivo Pessoal

A chef de cozinha Bel Coelho e o filho Francisco. Arquivo Pessoal

 

Nos corredores da rede pública, essas famílias têm encontrado mais pais de classe média que tomaram a mesma decisão. Do final do ano passado para o início deste ano, 220.767 estudantes matriculados na rede estadual de São Paulo vieram da rede privada, um número 25,8% maior do que os que fizeram a mudança há cinco anos (175.404). Alguns saíram por pura ideologia. Outros, também pela dificuldade de, em plena crise econômica, pagar mensalidades que podem beirar os 5.000 reais, especialmente quando a escola aparece no topo das melhores do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Foi o que aconteceu com a empresária Gabriela Nakagawa, que no ano passado se viu obrigada a mudar radicalmente o estilo de vida da família. Em meio à maior recessão econômica das últimas décadas, a empresária teve que fechar as portas de uma consultoria de negócios que empregava mais de cem funcionários e rever as contas de casa. A mensalidade da instituição de ensino progressista de São Paulo, na zona sul da cidade, em que estudava o filho do filho Pedro, 15, era um dos gastos que mais pesava: 3.500 reais. Gabriela começou então a procurar opções de escolas mais baratas, que se adequassem a seu orçamento. “Foi quando percebi que muitas delas ensinam de forma desconectada com o mundo que vivemos. Por isso comecei a pensar na opção de uma escola pública, onde meu filho estaria mais em contato com a realidade”, explica.

Assim, Pedro saiu da Escola Móbile e foi para o colégio estadual Aristides Castro. A decisão foi bem aceita pelo garoto, mas causou estranhamento em algumas amigas da empresária, principalmente mães de alunos de escolas particulares. “Muita gente ficou com medo da questão da violência e das drogas, mas isso é um preconceito, já que essas questões também estão inseridas nos colégios particulares”. Ela ressalta que a escola em que o filho estuda fica localizada em um bairro nobre da capital paulista, o que a tranquiliza em relação às questões de segurança. Ressalta, no entanto, que acredita que se ele estudasse em um colégio estadual da periferia, a segurança poderia ser um problema.

 Helena Monteleone migrou para um colégio público neste ano. Fernando Cavalcanti

Helena Monteleone migrou para um colégio público neste ano. Fernando Cavalcanti

 

Outras pessoas também a questionaram sobre a qualidade de ensino das instituições públicas. Após seis meses, entretanto, Gabriela está contente com a escolha, mas admite que tanto ela como o filho precisam lidar com uma estrutura escolar muito diferente da que estavam acostumados. “A turma tem um nivelamento muito heterogêneo, há uma discrepância entre os alunos, alguns têm um desempenho bem fraco. Existe uma deficiência grande em termos de leitura. Até agora, a escola não pediu a leitura de nenhum livro. Se fosse no colégio anterior, o Pedro já teria obrigatoriamente lido uns cinco livros”, conta a empresária que se surpreendeu negativamente com o tamanho da biblioteca da escola. Além disso, outros pais também relatam problemas com os banheiros que, em muitos casos, estão mal cuidados sem o assento das privadas e papel higiênico. Pedro está indo muito bem na escola e os professores o escolheram como monitor de sala nas aulas de matemática, português e inglês. Com isso, ele ajuda outros colegas com mais dificuldades nas matérias.

Preconceito

Luciano Mendes de Faria Filho, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenador do projeto Pensar a Educação, Pensar o Brasil, acredita que há um estigma de má qualidade que acompanha a rede pública há décadas e que essa imagem não reflete, necessariamente, a realidade. “Quando a imprensa falava de escola pública na década passada, falava de violência”, afirma ele, que ressalta que a rede melhorou significativamente nas últimas duas décadas, com melhor qualidade no material didático e na formação média dos professores. “A grande questão não é a qualidade da escola pública, mas a desigualdade social. É a origem social dos alunos da rede pública que faz a diferença no aprendizado. Não é a escola privada que é melhor, mas o fato de que ela trabalha com os 10% mais ricos, com famílias escolarizadas há gerações”, ressalta o professor.

“Boa parte dos alunos da rede pública que hoje estão no ensino médio, não tiveram pais que frequentaram essa etapa do ensino e fica mais difícil para eles discutirem e negociarem com os professores. Por isso é fundamental que as camadas médias estejam na rede pública. Estes pais estão escolarizados há mais tempo, dominam o discurso da escola e podem interagir com mais qualidade com os próprios professores e exigir mais”, diz o especialista.

Maior participação

A escolha da classe média pela rede pública, ainda que não seja representada por números massivos nos Censos Escolar, geralmente vem acompanhada de um impulso por uma maior participação. A chef Bel Coelho, por exemplo, passou a acompanhar o que Francisco comia na hora do almoço e resolveu dar algumas sugestões para melhorar o cardápio da merenda. “Dei aula de culinária às merendeiras utilizando os produtos que elas já costumam usar e acrescentei peixe também. A sugestão de peixe já era da própria prefeitura, mas consegui voltar nesta escola com a prática de servi-lo pelo menos uma vez por semana”, conta. Ela também chegou a doar papel higiênico e material escolar para a instituição. “Não tem como melhorar o sistema público se a gente não usar. A militância também precisa ser um papel da classe média”, diz.

A jornalista e empreendedora social Cintia Rodrigues, de 36 anos, decidiu, mesmo antes de engravidar, que matricularia os futuros filhos na rede pública. Em sua trajetória como repórter, cobriu por muitos anos a área e via essa melhoria citada pelo professor da UFMG acontecendo. “Os espaços de muitas escolas infantis públicas são enormes, com pátios com árvores, parquinhos. E isso tem muito a ver com a concepção pedagógica na qual acredito: nessa idade, pra mim, é mais importante para a criança correr, ter movimento, brincar. E nas particulares é muito comum a alfabetização precoce, com aulas de inglês desde cedo”, explica. Os gêmeos Heitor e Léo, de quatro anos, já passaram por três escolas municipais e, em todas, Cintia se envolveu no dia a dia da escola, fazendo parte do conselho escolar, formado por professores e pais, em paridade. Também criou um projeto, o Quero na Escola!, que une voluntários a pedidos de estudantes da rede pública, como palestras sobre racismo e feminismo e aulas de física quântica.

Anne e os filhos Joaquim, 7, Tomás, 5, Iolanda, 1 ano.

Anne e os filhos Joaquim, 7, Tomás, 5, Iolanda, 1 ano.

 

A opção de migrar para a escola pública também pode partir de um pedido dos próprios alunos. Após anos estudando em uma mesma escola particular, Helena Monteleone, de 15 anos, sentiu a necessidade de vivenciar um novo ambiente escolar. “Ela queria um colégio grande, com pessoas diferentes. Quando houve o movimento de ocupação dos secundaristas, ela chegou a visitar uma escola que estava ocupada. Acho que a semente da mudança aconteceu nessa época”, conta a mãe de Helena, a historiadora Joana Monteleone. As duas conversaram bastante sobre o tema até chegar à conclusão que um colégio estadual seria a melhor opção. Sem o peso da mensalidade, a mãe vai investir o dinheiro em um intercâmbio que Helena fará no próximo ano para a Inglaterra. “Claro que tive que me despir de mil preconceitos e rever meus pensamentos sobre escola e sobre aprender. Mas me surpreendi positivamente com o material didático. Era muito melhor do que ela estava acostumada e os professores parecem mais empenhados”, explica. Na visão da historiadora, a relação com o próprio corpo docente é diferente, já que o professor não é visto como um funcionário do aluno ou dos pais. Helena saiu do colégio particular São Domingos e foi para a escola estadual Zuleika de Barros Martins Ferreira, ambos na zona oeste da capital.

Ainda que a escola pública esteja longe de um padrão de qualidade exemplar e que a realidade enfrentada pela classe média na rede pública seja bastante distinta da dos alunos de periferia, na visão do professor da UFMG a diversidade nas escolas é fundamental. “É um cenário em que ambos ganham, pois se retira o aluno de classe média de uma socialização de shopping, de um gueto em que ele só convive com seu umbigo, com seu próximo. O Brasil é um país muito diverso. É fundamental que a gente possa fazer um país em que cada vez menos a diversidade se desdobre em desigualdade”.

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