Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

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Sherlock Holmes | Revelado valor do famoso apartamento na 221b Baker Street

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Luis Aragão, no Spoiler Cultural

Após avaliação da empresa Mortgage Advisers, o apartamento no famoso endereço do detetive Sherlock Holmes, 221b Baker Street, foi estimado no valor de £ 1,7 milhões para compra, com um depósito de £ 425,000.

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Sherlock Holmes, apartamento, 221b Baker Street. Além da 221b Baker Street, outros endereços famosos de Londres foram avaliados.

O apartamento de Derek e Rodney Peckham de Only Fools and Horses custaria em torno de £ 330,000, enquanto o apartamento de Mark e Jez de Peep Show estaria em volta de £ 220.000.

A mansão de The Downton Abbey custaria £ 72 milhões, muito mais do que uma casa de Eastenders (£ 875,000) ou Coronation Street (£ 100,000).

Veja como famosos e profissionais bem-sucedidos encararam o vestibular

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Publicado na Folha de S.Paulo

Não há uma receita universal para domar o vestibular e entrar na universidade. O estudante que vai enfrentá-lo, no entanto, precisa saber que o teste é apenas um caminho -não o único-de construção de uma carreira profissional, segundo especialistas.

“A exigência da sociedade por um domínio técnico afasta o nosso jovem de outros conhecimentos que estão fora da academia”, diz a psicóloga Gabriela Gramkow e professora da PUC-SP. Aqui, seis profissionais do mundo das artes, dos negócios, da moda e da ciência contam como foi atravessar esse momento.

O colunista da Folha Gregório Duvivier diz que prestava muita atenção nas aulas, mas não se matava de estudar em casa. A modelo Ana Cláudia Michels deu ênfase às matérias que mais dominava e, hoje, cursa medicina.

O apresentador Marcelo Tas lia muito, o que, segundo ele, o ajudou a interpretar as questões do vestibular com facilidade. Para o pedagogo Silvio Bock, especialista em orientação profissional, não existe um jeito certo ou errado de estudar. “Tudo é uma questão de juízo de valor. Tem estudante que não se diverte porque acha que vai perder tempo. Outro já precisa relaxar para ir bem nas provas.”

Enfrentar o vestibular e perder a batalha na primeira tentativa serviu de aprendizado para Felipe Dib, empresário, dono de uma escolas de idiomas on-line. “Meu erro foi o excesso de confiança. Fiquei em 90º lugar”, afirma.

‘Me aprofundei nos assuntos que dominava’

“Queria ser médica desde criança. Comecei a trabalhar como modelo e tive que adiar o plano. Com quase 30 anos, decidi tentar. Fiz supletivo do ensino médio e entrei num cursinho.

Era muito difícil, muita matéria. Naquela época, passei a trabalhar só aos fins de semana para não perder as aulas. Durante a tarde, ficava na biblioteca.

Fiz um ano e meio de cursinho. Quando prestei vestibular pela primeira vez, não passei. Na segunda tentativa, fui aprovada em 37º lugar no curso de medicina do Centro Universitário São Camilo. Foi um dos dias mais felizes da minha vida.

Acho que fiz certo ao me aprofundar bastante nos assuntos que eu sabia bem. Ter disciplina também foi imprescindível. Estou no quarto ano da faculdade. Pensava em ser endocrinologista quando entrei, hoje tenho dúvidas.”

Ana Cláudia Michels, 35, começou a carreira de modelo aos 14; trancou a faculdade em setembro, quando sua filha nasceu

Ana Cláudia Michels em jantar do Instituto de Defesa do Direito de Defesa, na Lions NigthtClub - Zanone Fraissat/Folhapress

Ana Cláudia Michels em jantar do Instituto de Defesa do Direito de Defesa, na Lions NigthtClub – Zanone Fraissat/Folhapress

 

‘Confiante, não passei na primeira opção’

“Após ter sido reprovado no curso de inglês que fazia no Brasil, fui fazer o terceiro ano do ensino médio na Nova Zelândia, para melhorar minhas habilidades na língua. Quando voltei, queria fazer direito na UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul). Passavam 30 candidatos.

Prestei o vestibular sem me preparar e fiquei em 60º. Pensei ‘poxa, estou perto’ e resolvi focar nos estudos.

Durante seis meses, fazia cursinho de manhã e estudava à tarde, embora não abandonasse outras atividades, como academia. No fim, estava bem preparado.

Meu erro foi o excesso de confiança. Acabei ficando em 90°, Só que dessa vez também havia prestado Relações Internacionais na Unaes (hoje Anhanguera). Não passei na minha primeira opção, mas depois fiz uma pós em ensino e aprendizagem da língua inglesa e comecei a lecionar.”

Felipe Dib é dono do Você Aprende Agora, escola de inglês on-line

Felipe Dib, dono do Você Aprende Agora, escola de inglês on-line

Felipe Dib, dono do Você Aprende Agora, escola de inglês on-line

 

‘Discutir é mais importante que decorar fórmula’

“Meu último ano do ensino médio foi tranquilo. Estudei num colégio que não tinha o vestibular como foco principal. Achei ótimo. A função da escola é fazer o aluno refletir, criar conteúdo, me incomoda quando a única preocupação é fazê-lo passar no exame.

Eu fazia teatro na época. É muito importante ter uma vida pessoal estável no terceiro ano. Ficar enclausurado, só estudando, é terrível.

Escolhi fazer letras porque adorava ler. Passei para a PUC-Rio, em 2004. Também fui aprovado na UFF, em cinema, mas desisti.

Eu diria para os vestibulandos se informarem sobre o mundo. Saber as questões políticas que os cercam, participar de discussões da sociedade. É mais importante que decorar fórmulas.

As pessoas acham que é o pré-vestibular é ‘o’ ano que vai definir o resto da vida, quando, na verdade, a redefinimos o tempo todo.”

O ator Gregorio Duvivier, 30, é integrante do grupo Porta dos Fundos e colunista da Folha

Gregorio Duvivier na pré-estreia do filme "Desculpe o Transtorno"

Gregorio Duvivier na pré-estreia do filme “Desculpe o Transtorno” – Bruno Poletti/Folhapress

 

‘A leitura mexe com o pensamento’

“Fiz o ensino médio na EPCAR (Escola Preparatória de Cadetes do Ar), nos anos 1970. Lá, tive acesso a uma biblioteca que nunca tinha visto na vida. Mergulhei na literatura brasileira. A leitura mexe com o pensamento, faz você se expressar melhor, me ajudou muito no vestibular. Vale até para ir bem em matemática, para entender os problemas.

Cheguei a fazer um curso intensivo em São Paulo quando me formei na escola. Foram os piores meses da minha vida, mas consegui passar para o curso de engenharia civil na USP.

Nunca abri mão de sair, de ir ao teatro. Isso ajuda a ter saúde mental.

Escolhi a engenharia no piloto automático, foi uma coisa pouco ambiciosa. Poderia ter refletido mais. Apesar de ter descoberto na comunicação a minha vocação, não me arrependo. Na reta final, o mais importante a se fazer é respirar.”

Marcelo Tas, 56, é apresentador do programa “Papo de Segunda” (GNT)

Marcelo Tas, durante pré-estreia do espetáculo "Palavra de Rainha", em 2014 - Bruno Poletti/Folhapress

Marcelo Tas, durante pré-estreia do espetáculo “Palavra de Rainha”, em 2014 – Bruno Poletti/Folhapress

 

‘Fazer novela foi uma válvula de escape’

“Decidi fazer engenharia porque queria explorar uma área diferente da que eu já trabalhava. Sempre fui boa aluna, mas nunca precisei estudar fora da escola. No pré-vestibular, tive que me dedicar muito.

Estava fazendo uma novela [“Fina Estampa”] nessa época. Foi a melhor coisa que aconteceu, serviu como uma válvula de escape.

Precisei me organizar muito bem. Nos intervalos, até no recreio, eu estudava. Andava com uma lista de tarefas para fazer ao longo do dia. Chegava a almoçar no carro, a caminho das gravações, para ganhar tempo.

Prestei para engenharia química. Fiquei em primeiro lugar na UERJ e na UFF, e passei para outras faculdades do Rio, em 2012. Acho que não precisava ter me estressado tanto. Nos momentos finais, é importante se manter motivado e pensar que o pior já passou.”

Bianca Salgueiro, 22, começou a atuar ainda criança; hoje, mora em Lyon, na França, onde faz intercâmbio pela faculdade

Atriz Bianca Salgueiro na pré-estreia do filme "Noé", no Rio de Janeiro, em 2014 - Adriano Ishibashi/Frame

Atriz Bianca Salgueiro na pré-estreia do filme “Noé”, no Rio de Janeiro, em 2014 – Adriano Ishibashi/Frame

 

‘Escolhi meu curso após visitara universidade’

“Entrei no curso de química da Universidade Estadual de Maringá em 2005. Enquanto eu frequentava o último ano do colégio, ingressei em um cursinho comunitário, tocado pelos alunos da UEM. Eu estava em dúvida entre farmácia e química, até que um professor do pré-vestibular me convidou para conhecer os laboratórios da instituição. Foi quando fiz a minha escolha.

Isso é importante. Se o aluno tiver a oportunidade de conhecer o curso, visitar a universidade e conversar com pessoas que já estão lá pode ajudar muito.

Sobre a minha rotina, frequentava as aulas do colégio pela manhã. À tarde, me dedicava por duas horas ao conteúdo da escola e,no restante do tempo, fazia os exercícios do cursinho. Em dezembro, sem aulas, estudava cerca de seis horas.”

Cecília de Carvalho Castro e Silva, 29, é doutora em química e pesquisadora do Mackgraphe, onde desenvolve um sensor capaz de identificar precocemente o câncer de mama

Retrato de Cecília de Carvalho Castro e Silva, doutora em química e pesquisadora do Mackgraphe - Divulgação

Retrato de Cecília de Carvalho Castro e Silva, doutora em química e pesquisadora do Mackgraphe – Divulgação

 

Com colaboração de Dhiego Maia, Bruno Lee, Júlia Zaremba e Dante Ferrasoli

De Obama a Madonna: famosos viram autores de livros infantis

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Publicado em Terra

Quem não lembra da boneca falante de cabelos amarelos e vermelhos e sua amiga de nariz arrebitado, do boneco feito de sabugo de milho e da cozinheira famosa por seus bolinhos de chuva? Emília, Narizinho, Visconde de Sabugosa e Tia Nastácia são todos personagens de “O Sítio do Picapau Amarelo”, criado por um dos maiores escritores da literatura infanto-juvenil brasileira, Monteiro Lobato. E é no dia 18 de abril, data que marca o nascimento do autor, que se comemora no Brasil o Dia do Livro Infantil.

Para lembrar a data e propor sugestões aos pais preocupados em incentivar a leitura desde a infância, preparamos uma lista com dez celebridades que deixaram de lado suas principais funções, mesmo que só por um tempinho, para mergulhar no mundo repleto de histórias e lições da literatura infantil.

Barack Obama

O presidente norte-americano se inspirou em suas duas filhas, Sasha e Malia, que aparecem na ilustração de capa do livro, para escrever a obra destinada às crianças a partir de 3 anos. A obra intitulada “Of Thee I Sing: A Letter to My Daughters” (Sobre Eles Eu Canto: Uma Carta às Minhas Filhas”, em tradução livre) foi lançada em 2010. Segundo o responsável pela publicação de livros infantis da editora Chip Gibson, a história “celebra as características que unem todos os americanos, o potencial para realizar nossos sonhos e construir os nossos próprios caminhos”.

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Pharrell Williams

O primeiro livro infantil do cantor vai se chamar “Happy”, inspirado na música de mesmo nome feita para trilha sonora do filme “Meu Malvado Favorito 2”. Williams vai lançar uma série de quatro obras para crianças, em parceria com a editora norte-americana Putam Books for Young Readers. Segundo jornais americanos, a tiragem será de 250 mil exemplares. O lançamento está previsto para o dia 22 de setembro, nos Estados Unidos. As páginas da publicação trarão fotos de crianças do mundo todo celebrando a felicidade.

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Rita Lee

Durante a infância de seus filhos, a cantora escreveu uma série de livros infantis intitulada “Dr. Alex”, em que acompanha um ratinho branco que Rita adotou para eles. As histórias contam as aventuras de um cientista que virou rato. A ideia da trama foi inspirada nas histórias que a rainha do rock no Brasil contava aos filhos, antes de dormir.

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Madonna

Outra estrela que também se inspirou na infância de seus filhos foi Madonna. A cantora, que escreveu a historia para sua filha mais velha, Lourdes, desvenda a trajetória de quatro crianças de 11 anos que lidam com a inveja que sentem de outra menina da vizinhança. Lançado em 2003, o livro faz parte de uma série de outras cinco obras escritas por ela, destinadas às crianças com mais de seis anos. Ícone do pop, Madonna inovou no lançamento da publicação, intitulada “As Rosas Inglesas”, que já saíram das gráficas traduzidos em 30 idiomas diferentes.

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Keith Richards

Estrela do rock ‘n roll, o guitarrista da banda Rolling Stones, lançou no ano passado um livro infantil em que trata da relação que tinha com seu avô, Augustus Theodore Dupree, intitulado “Gus & Me: The story of my granddad and my first guitar” (“Gus & Eu: a história de meu avô e da minha primeira guitarra”, em tradução literal). De acordo com Richards, Dupree foi quem o presenteou com sua primeira guitarra ainda na infância.

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Jerry Seinfeld

Inspirado pelas típicas comemorações norte-americanas, o comediante lançou o livro infantil “Halloween”, em 2002. A obra é indicada para crianças de 6 a 9 anos. Seguindo a linha infantil, a esposa do humorista, Jessica Seinfeld, lançou em 2008 a obra “Deliciosos e Disfarçados – Como Tornar a Alimentação do seu Filho Saudável Sem que Ele Perceba”, com dicas para os pais de como melhorar a refeição dos pequenos.

Lázaro Ramos

Baseado em sua infância, o ator lanço o livro infantil “A Velha Sentada”, em que conta a história de uma menina muito desanimada. Quando uma vizinha da personagem afirma que parece ter uma velha sentada na cabeça da garota, a menina resolve investigar os próprios pensamentos. Lázaro traz personagens inspirados em parentes e amigos, como o afilhado dele, Aladê, que é citado na história.

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Ricky Martin

O cantor integra o grupo de celebridades que se aventuraram pelo universo da literatura infantil. Em 2013, Martin lançou “Santiago, el Soñador entre las Estrellas”, em que conta a história de um menino que deseja fazer parte de uma peça teatral do colégio e do pai que acredita no potencial do garoto. As ilustrações são da artista espanhola Patricia Castelao.

Chico Buarque

O músico brasileiro fala sobre o medo em seu livro infantil “Chapeuzinho Amarelo”. Destinado às crianças de 5 a 8 anos, a obra acompanha a história de Chapeuzinho, uma menina que sente medo do medo e busca superar inseguranças e encontrar as alegrias da vida.

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Julianne Moore

A atriz norte-americana estreou na literatura infantil com a história de uma menina ruivinha que precisa lidar com o valentão da escola. Intitulado “Morango Sardento”, o livro foi traduzido por outra atriz, desta vez brasileira, Fernanda Torres. Depois da estreia, Julianne publicou mais dois livros que continuam acompanhando a trajetória da mesma personagem, além de lançar um quarto livro infantil, chamado “My Mom Is a Foreigner, But Not Me” (“minha mãe é estrangeira, mas eu não”).

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Os rituais diários de escritores famosos

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Walter Alfredo Voigt Bach, no Homo Literatus

Manhãs: é quando você mal emerge de seu estado de olhos semi-abertos, apanhando do botão soneca enquanto sai da poça de saliva no travesseiro. Depois de saborear o primeiro café do dia, vai escrever o capítulo final de um dos mais vendidos romances já escritos.

Tá, quem sabe você apenas jogue Angry Birds. Independente da sua razão para não escrever a obra-prima, você pode ter certeza de que seus hábitos diários não diferem tanto daqueles dos autores famosos – passado e presente – para puxar o gatilho da criatividade.

No livro How Great Minds Make Time, Find Inspiration, And Get To Work (ainda sem tradução aqui no Brasil), Mason Curry, de Nova Iorque, listou 161 nomes famosos e suas diferentes maneiras para trabalhar. Você pode se surpreender com alguns.

Olhe aos 10 exemplos da literatura que separamos e se maravilhe como alguns grandes livros foram forjados…

Jane Austen

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Austen despertava cedo, antes de outros se levantarem, e tocava piano. As 9h ela organizava o café da manhã da família, a grande ação de seu trabalho doméstico. Então ela se instalava na sala de estar, em geral com a mãe e a irmã costurando quietas por perto. Se alguma visita aparecia, ela escondia os papési e se juntava a costura. Havia um banquete, a principal refeição do dia, servida entre 15 e 16h. Após ela havia um tempo para conversas, jogos de cartas e chá. A tardinha servia para leitura em voz alta de romances, e durante este tempo Austen leria seu trabalho em andamento para a família.

Victor Hugo

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Hugo escrevia toda manhã, sentado diante de uma pequena mesa em frente a um espelho.

Ele se levantava pela madrugada, acordado pelo tiro de arma diário de uma fortaleza próxima, e recebia um café recém passado e uma carta matutina de Juliette Drouet, sua amante, a quem ele acomodou em Guernsey a apenas nove casas abaixo. Após ler as apaixonadas palavras de “Juju” a seu “amado Cristo”, Hugo comia dois ovos crus, se enclausurava em sua sala e escrevia até as onze da manhã.

Mark Twain

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A rotina dele era simples: ele saía de casa para estudar de manhã após um reforçado desjejum e ficava lá até uma refeição servida perto das 17h. Como ele pulava o almoço, pois sua família não se aproximava durante o estudo – tocariam uma corneta se precisassem dele – ele podia trabalhar sem interrupções por horas a fio. “Em dias quentes”, ele escreveu a um amigo, “Eu espalhava os papéis com meus estudos, os segurava com pedras e escrevia no meio do furacão, vestido com o mesmo linho do qual fabricávamos camisas”.

Stephen King

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King escreve todos os dias do ano, inclusive no aniversário e em feriados, e quase nunca se permite terminar antes de alcançar sua cota diária de 2000 palavras. Ele trabalha pela manhã, começando entre 8h e 8h30. Alguns dias ele acaba antes das 11h30, mas com frequência se ocupa até 13h30 para atingir sua meta. Então ele fica com as tardes e noites livres para sonecas, cartas, leituras, família e jogos da Red Sox na TV.

Franz Kafka

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Em 1908, Kafka conseguiu uma posição no Instituto de Segurança de Acidentes do Trabalho em Praga.

Ele vivia com a família em um apartamento apertado, onde ele conseguia a concentração para escrever apenas de noite, enquanto todos dormiam. Como Kafak escreveu a Felice Bauer em 1912, “o tempo é curto, minha força é limitada, o ofício é um horror, o apartamento é barulhento, e se uma prazerosa vida não é possível então se deve tentar se contorcer em sutis manobras”. Na mesma carta ele descreve sua linha do tempo: “as 10h30 (mas nem sempre antes das 11h30) eu me sento para escrever, e dependendo da minha força, inclinação e sorte, até uma, duas ou três horas, ou mesmo até seis da manhã”.

Leon Tolstói

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“Devo escrever a cada dia sem falhas, não tanto pelo sucesso do meu trabalho, mas para não sair de minha rotina”. Este é Tolstói em um dos pouquíssimos diários que fez na década de 1860, quando estava mergulhado na escrita de Guerra e Paz.

De acordo com Serguei, seu filho, Tolstói trabalhava isolado – ninguém tinha permissão para entrar em sua sala, e as portas eram trancadas para se certificar de que ele não seria perturbado.

Charles Dickens

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Primeiro, ele precisava de absoluta quietude; em uma de suas casas, uma porta extra foi instalada para bloquear barulhos.

E seu estudo devia ser precisamente organizado, com sua mesa em frente a uma janela e seus materiais de escrita – canetas de penas de ganso e tinteiro azul – próximos a város ornamentos : um pequeno vaso com flores frescas, uma grande faca para cortar papel, uma folha dourada com um coelho empoleirado sobre ela, e duas estatuetas de bronze (uma represetando um par de sapos gordos duelando, a outra um cavalheiro cercado por filhotes).

George Orwell

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O posto na Booklover’s Corner [um sebo onde ele era assistente em meio período] se provou um local perfeito para o bacharelado de 31 anos. Acordando as 7h, Orwell ia a loja as 8h45 e ficava lá por uma hora. Então ele tinha tempo livre até as 14h, e depois podia retornar ao sebo e trabalhar até 18h30. Isso o deixava com quase quatro horas e meia de tempo para escrever na manhã e no início da tarde, o tempo em que ele estava mentalmente alerta.

Haruki Murakami

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Quando está escrevendo um romance, Kurakami acorda as quatro da manhã e trabalha de cinco a seis horas direto. No final da tarde ele corre ou nada (ou ambos), caminha sem rumo, lê e ouve música; 21h é hora de dormir. “Mantenho esse rotina todo dia sem varição”, ele contou a Paris Review em 2004. “A repetição em si se torna importante; é uma forma de hipnotismo. Eu me hipnotizo para alcançar um estado mais profundo da mente”.

O contra deste autoimposto cronograma, como Murakami afirmou em um ensaio de 2008, é que não há muito espaço para vida social.

Simone de Beauvoir

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Apesar do trabalho de Beauvoir ser prioridade, seu cronograma diário também girava em torno de seu relacionamento com Jean-Paul Sartre, que durou de 1929 até sua morte em 1980. (A parceria intelectual deles era um assustador componente sexual; de acordo com um pacto proposto por Sartre no início do relacionamento, ambos poderiam ter amantes, mas eram obrigados a contar tudo um ao outro).

Geralmente, Beauvoir trabalhava por conta própria de manhã, e se juntava a Sartre para almoçar. No entardecer eles trabalhavam em silêncio no apartamento dele. No início da noite, eles iam a qualquer evento político ou social da agenda de Sartre, ou assistiam a um filme ou bebiam Scotch e ouviam rádio no apartamento de Beauvoir.

Traduzido e adaptado de ShortList.

Professores de cursinhos on-line alcançam o status de webcelebridades

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Com a expansão das videoaulas para o Enem, eles conquistaram espaço na rede e agora são até reconhecidos na rua

O professor Marquinho Laurindo, do QG do Enem (Foto: Gustavo Miranda)

O professor Marquinho Laurindo, do QG do Enem (Foto: Gustavo Miranda)

Josy Fischberg, em O Globo

Um sujeito vira celebridade na internet de várias maneiras. Ele pode ter um blog muito acessado, atuar em um canal de humor, aparecer em fotos polêmicas… Ou pode dar aulas preparatórias para Enem e vestibular. Soa estranho? Pois com a expansão dos cursinhos on-line, esses professores, que sempre foram idolatrados pelos estudantes em sala de aula, conquistaram seu espaço na rede. E agora são até reconhecidos na rua. O aluno encontra por acaso o mestre que tanto ama — aquele que só conhece via web — e o pedido de selfie é inevitável.

Alguns números desse mercado explicam o fenômeno. O Descomplica, um dos líderes entre os que oferecem aulas a distância para alunos de Ensino Médio, hoje tem mais de um milhão de seguidores no Facebook e 300 mil inscritos em seu canal no YouTube. O acesso ao pacote de videoaulas e outras funcionalidades custa entre R$ 10 e R$ 25 mensais, dependendo do plano. Em um bom cursinho tradicional, um pacote de aulas pode custar R$ 1.500 por mês. Só neste ano, 5 milhões de pessoas assistiram a alguma aula do Descomplica, incluindo aí aqueles que acessaram vídeos gratuitos e pagos, ou seja, não só os que adquiriram pacotes, explica Marco Fisbhen, um dos fundadores do cursinho.

O número alto de “fãs” parece ser impulsionado por fatores que vão além do aspecto financeiro e da facilidade de acesso. Quem vê os professores do Descomplica cantando “Eeeeeei, concorrente… Hoje eu vou passar!”, em ritmo de Gangnam Style, pega amizade (virtual) na hora com todos.

— Ainda não estamos famosos em uma escala “Porta dos Fundos” — brinca o professor de biologia Rubens Oda, um dos mais atuantes no vídeo hilário, que tem um jeitão parecido mesmo com o do coreano Psy. — Mas eu já tive aluno que nem conhecia me esperando no aeroporto. Vários professores do cursinho iam para o Ceará, os estudantes ouviram a notícia e foram até lá nos esperar. Eles nos encaram como seus professores de verdade e alguns, quando nos encontram, dizem: “Você não me conhece, mas é meu professor. Sei de todos os seus trejeitos, aprendi isso ou aquilo com você”. É emocionante, de verdade.

Microfone, ponto, duas câmeras, relógio para contar o tempo, editor em tempo real: cercado por tudo isso, enquanto dá aula, um professor de cursinho on-line se transforma praticamente em um apresentador de TV. O salário é mais elevado que o de um docente de sala de aula. Em média, segundo aqueles que trabalham no setor, a hora/aula dos grandes cursinhos tradicionais vale R$ 80. Quem está na frente das câmeras pode ganhar, a cada hora, R$ 150. Faz sentido, pois a aula que é dada presencialmente se esgota no local e atinge cem alunos, em média. As lições que são gravadas e publicadas na internet alcançam milhares — e podem ficar disponíveis por anos.

Há várias maneiras de encontrar professores nesse novo ramo. Um dos métodos utilizados por Fisbhen, logo no início do Descomplica, além de chamar os colegas de cursos tradicionais, era buscar comunidades no Orkut cujos nomes eram “Eu amo o professor X”.

— Se a comunidade que dizia amar o professor X tivesse mais de 10 mil pessoas, esse cara já me interessava — ri.

Mas um professor que faz sucesso presencialmente não é necessariamente aquele que vai dar certo na frente das câmeras. É preciso muito jogo de cintura. Em alguns casos, por exemplo, no lugar do quadro negro existe uma lousa interativa, onde o docente pode apresentar slides, escrever, mostrar vídeos e fotos. É assim que acontece no QG do Enem. Um editor, no momento em que a aula é gravada, faz a sobreposição de imagens: ora os alunos veem o próprio professor, ora veem a tela da lousa. Alguns dos mestres brincam com aquele bordão usado normalmente por apresentadores de programas “policialescos”. “Volta para mim” ou “joga para mim”, eles dizem, quando querem que o editor deixe de mostrar a lousa e volte a colocá-los em cena.

— Existe teste de vídeo, claro. Tem gente que trava na frente das câmeras. Fica mais difícil porque você não tem o olho no olho, não vê na cara dos alunos se está agradando ou se deve seguir por outro caminho… Por outro lado, cada professor traz na bagagem o que dá certo, ou não, com os jovens. Eu, por exemplo, sou bom de decorar poemas, e sei que os estudantes adoram isso. Uma vez, dando uma aula que durava o dia todo e que tinha participação on-line de cerca de 100 mil alunos, fizemos uma brincadeira. Sorteamos um estudante qualquer e ligamos para ele, com o áudio aberto para todo mundo que estava acompanhando. Era uma menina do Maranhão que podia, ao vivo, escolher qualquer poeta. Meu desafio seria declamar, na hora, uma poesia do autor, sem consultar nada. Ainda bem que ela pediu Drummond! — diverte-se o professor de literatura e diretor pedagógico do QG, Marquinho Laurindo.

Aulas interativas, aliás, são a grande estratégia dos cursinhos on-line para os próximos anos. O Descomplica, por exemplo, faz três delas por dia:

— Desde que criamos o site, em 2010, nosso objetivo era também ir aumentando as funcionalidades. Agora já são, além das 7 mil aulas pré-gravadas, três aulas diárias ao vivo; aulões de 12 horas; monitorias, em que o aluno pode usar microfone e webcam para dialogar com os professores; correção de uma redação por mês para cada inscrito… Fora os testes e gabaritos que temos disponíveis — explica Marco Fisbhen.

O QG do Enem vem investindo no projeto “Tá bombando”. Qualquer fato que tenha muita repercussão no Brasil ganha uma espécie de “cobertura” dos professores.

— É como um microprograma de TV, com cinco a dez minutos de duração. Fizemos um sobre Ditadura Militar e fomos à exposição no CCBB. Eu falei da parte cultural e outros dois professores história comentaram os acontecimentos da época. Tratamos de censura, perseguição política… É uma aula com uma proposta totalmente diferente — explica Marquinho Laurindo.

Tanto engajamento assim no mundo virtual, que se encaixa perfeitamente com a faixa etária do público atingido, estudantes do Ensino Médio, não parece ser um prenúncio do fim dos cursinhos presenciais. Diretor de ensino do pH, Rui Alves Gomes de Sá afirma que não há queda no número de pessoas que buscam os cursos em função dessa mudança no mercado:

— Uma das grandes vantagens do on-line é a otimização do tempo, mas, ao mesmo tempo, o aluno se desconcentra muito rápido, o que não acontece em sala de aula tradicional. Acredito que um ‘mix’ das duas modalidades seja a melhor solução sempre — avalia. — O aluno de hoje não é o mesmo de 20 anos atrás, temos também que entrar no mundo dele. Nós apostamos e fazemos uma extensão do nosso trabalho via internet, com aplicação de exercícios, espaço virtual para tirar dúvidas, oferecimento de material extra. O presencial e o virtual se complementam. Eu sempre digo aos meus alunos para mudarem suas senhas de e-mail, celular, computador e redes sociais para coisas como “euquerosermédico”. Eles vivem conectados e um lembrete desse tipo, feito várias vezes ao dia, é sempre bom.

CEO da Streamer, empresa que desenvolve cursos on-line, Fernando Giannini concorda com Rui. Ele é um dos responsáveis pelo “Mande bem no Enem”, que traz 42 videoaulas transdisciplinares, com exercícios, simulados, roteiros de leitura, games, podcasts, animações, além de um teste vocacional:

— O contato humano é fundamental quando falamos de educação. As possibilidades tecnológicas são fantásticas e temos que aproveitar o melhor dos dois mundos. Numa sala de aula tradicional, o aluno pode aprender muita coisa que não é relevante para ele, mas existe a afetividade, que é muito importante. Com a internet, ele consegue ir mais direto ao ponto, procurar o que quer aprender. Não dá para separar um do outro.

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