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Livro sobre o tuiteiro Rene Silva esgota em cinco horas no Alemão

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Marcelo Sperandio, na Época

Rene Silva (Foto: Wagner Meier/Agência O Globo)

Rene Silva (Foto: Wagner Meier/Agência O Globo)

Depois de interpretar a si mesmo na novela Salve Jorge, no horário nobre da TV Globo, Rene Silva é o protagonista de “A Voz do Alemão”, livro que conta a sua trajetória. Em 2010, o jovem ficou conhecido em todo o Brasil por ter narrado pelo Twitter a ocupação policial do Complexo do Alemão, na capital fluminense.

Escrito pela jornalista Sabrina Abreu (editora nVersos), o livro foi lançado na semana passada no Rio de Janeiro. Houve um segundo lançamento no sábado, no Complexo do Alemão, onde Rene vive. Ele comemora o resultado: “Os 30 livros que colocamos para vender no Alemão esgotaram em cinco horas.

A procura é maior do que esperávamos”, diz. Na semana que vem, Rene vai colocar mais 200 livros para vender no complexo de favelas. “Vamos colocar 100 exemplares na barraca de souvenir da estação Palmeiras do teleférico e outros 100 no Bistrô de cervejas importadas da Nova Brasília”. Aos 19 anos, Rene publica notícias sobre favelas cariocas no site Voz das Comunidades.

Paixão pela leitura

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Arnaldo Niskier, no Observatório da Imprensa

Um fato em educação não admite sofisma: os alunos que, desafiando as dificuldades, escrevem melhor são os que mais leem. Não se conhece uma pesquisa nacional confiável sobre essa verdade, mas se considerarmos os resultados das maratonas escolares, promovidas por secretarias de Educação, isso pode ser revelado com uma indisfarçável ponta de otimismo. Quanto mais, melhor. É o começo da paixão pela leitura.

No Rio de Janeiro, a Secretaria municipal de Educação realiza pela quinta vez consecutiva a sua maratona escolar. Depois de Euclides da Cunha, Rachel de Queiroz, Erico Verissimo e Ariano Suassuna, chegou a vez de trabalhar a vida e a obra de Guimarães Rosa. A secretária Claudia Costin, na Academia Brasileira de Letras (parceira do empreendimento), recordou que, ao dirigir o Círculo de Leitores em São Paulo, trouxe jovens alunos de favelas de São Bernardo do Campo para a capital, para que pudessem melhor se inteirar da obra do autor de Grande Sertão: Veredas. Concluiu que os resultados, em termos de motivação para a leitura, foram verdadeiramente excepcionais. Confia na repetição desse êxito, agora em outra capital.

Essa preocupação oficial, em termos culturais, integra o programa “Uma Cidade de Leitores”, voltado para alunos de oitavo e nono anos do ensino fundamental e da educação de jovens e adultos (EJA). Os estudantes ouvem palestras de acadêmicos sobre Guimarães Rosa, podendo com eles tirar dúvidas porventura existentes. Depois, farão redações sobre qualquer obra do escritor de Cordisburgo (MG), nascido em 1908 e que viveu uma dramática experiência com a Academia Brasileira de Letras.

Uma lembrança acertada

Não queria se candidatar. Temia pela emoção que isso poderia representar. Vencido pela insistência de amigos, entre os quais se incluía Pedro Bloch, cedeu e aceitou o pleito. Venceu, mas adiou a posse por quatro anos, fato inédito, até que em 1967 resolveu assumir a sua cadeira. Fez um bonito discurso, muito aplaudido. Morreu quatro dias depois, confirmando a sua premonição.

Os contos e romances de Rosa, como era conhecido, ambientaram-se quase todos no sertão brasileiro, que ele conhecia pessoalmente de diversas visitas, empunhando o seu caderninho de notas. Registrava expressões próprias, que se tornaram o hit das suas obras. Elas ultrapassaram o regionalismo tradicional, para se tornar universais. Daí a existência de inúmeras traduções para diversos idiomas, tarefa que aparentemente parecia impossível de ser executada. As suas veredas ganharam o mundo.

Guimarães Rosa foi também médico e um diplomata aplicado. Em companhia de sua mulher, Aracy, na Segunda Guerra Mundial, ajudou a salvar a vida de inúmeros judeus perseguidos pelo nazismo. Era cônsul-adjunto em Hamburgo. Teve uma vida e uma obra muito ricas, daí o acerto da lembrança nas bem-sucedidas maratonas escolares.

Lição das prostitutas ao Brasil

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Gilberto Dimenstein, na Folha de S.Paulo

As prostitutas de Belo Horizonte que, como noticiou a Folha, começam a estudar inglês para receber os turistas para a Copa do Mundo, são uma interessante lição ao Brasil.

Uma das mais consistentes mudanças na paisagem social brasileira é como as pessoas mais pobres estão descobrindo a educação e demandando mais repertório cultural. Basta andar pelas favelas e periferias, vendo o número de pessoas interessadas em fazer cursos profissionalizantes, técnicos e superior.

Daí se entende a explosão dos cursos à distância mais baratos –é a modalidade que mais cresce, e de longe, em ensino superior. É crescente o sucesso na internet de videoaulas gratuitas. Há sites ganhando milhões de leitores apenas traduzindo essas aulas para o português.

Estou cada vez mais convencido de que se o país conseguir disseminar a inclusão digital com esses novos materiais, o país dará um salto educacional –mesmo sem ter mudado radicalmente suas escolas públicas.

Afinal, há uma vontade de aprender –e as prostitutas de BH simbolizam isso– com materiais pedagógicos cada vez mais baratos e eficientes.

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